Tag: Macrobrachium rosenbergii

  • Invasão silenciosa: o avanço do camarão-da-malásia no litoral brasileiro

    Invasão silenciosa: o avanço do camarão-da-malásia no litoral brasileiro

    O avanço do camarão-gigante-da-malásia (Macrobrachium rosenbergii) gera um sinal de alerta para o equilíbrio ambiental e a economia pesqueira no litoral do Brasil. Pesquisadores que monitoraram a costa entre 2015 e 2025 identificaram que este crustáceo exótico já ocupa diversas unidades de conservação, onde compete por recursos com a fauna nativa em ecossistemas sensíveis, como manguezais e estuários.

    As zonas estuarinas servem como berçários fundamentais para inúmeras espécies aquáticas. No entanto, a introdução acidental ou intencional do camarão-da-malásia, iniciada pela aquicultura na década de 1970, desequilibrou esses ambientes. Graças à sua alta plasticidade ecológica, o invasor sobrevive em variadas condições de salinidade e temperatura, o que facilita sua dispersão por novos territórios ao longo da costa Norte e Sul do país.

    Reprodução consolidada e riscos biológicos

    O estudo confirmou que a espécie não apenas sobrevive, mas já estabeleceu um ciclo reprodutivo pleno no ecossistema brasileiro. A identificação de fêmeas ovígeras prova que o invasor está efetivamente estabelecido. Áreas de extrema relevância biológica, como o Complexo Estuarino-Lagunar de Cananéia-Iguape-Ilha Comprida, reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural, apresentam registros significativos da presença do animal.

    Além da competição direta por alimento e abrigo com espécies locais, como o camarão-da-amazônia, o invasor estrangeiro atua como vetor de patógenos perigosos. O vírus da síndrome da mancha branca, transportado por esses animais, representa um risco grave para a carcinicultura e para as populações naturais de crustáceos.

    Impactos socioeconômicos e o futuro da pesca

    A atividade pesqueira artesanal já sofre os reflexos dessa ocupação. Relatos de comunidades locais indicam uma redução drástica na captura de espécies regionais, que antes eram abundantes e hoje dão lugar ao invasor. O comportamento predador do camarão-da-malásia altera a cadeia alimentar, afetando o rendimento financeiro de famílias que dependem exclusivamente da pesca.

    Diante desse cenário, especialistas defendem a implementação urgente de programas de monitoramento contínuo e a revisão dos critérios de licenciamento para a criação de camarões em viveiros. A presença da espécie em áreas protegidas demonstra que as barreiras legais atuais não contêm a ameaça. Portanto, exigindo políticas públicas mais rigorosas para evitar um desequilíbrio ecossistêmico irreversível.

  • Camarão-gigante-da-Malásia ganha espaço na aquicultura

    Camarão-gigante-da-Malásia ganha espaço na aquicultura

    A aquicultura do Espírito Santo começa a diversificar sua produção com uma espécie pouco conhecida fora do meio técnico: o camarão-gigante-da-Malásia (Macrobrachium rosenbergii). O crustáceo, um dos maiores camarões de água doce do mundo, vem ganhando espaço em áreas rurais afastadas do litoral e mostra bom potencial econômico para produtores locais.

    Em 2024, o Espírito Santo produziu 11,35 toneladas da espécie, concentradas em poucos, porém estratégicos municípios. Governador Lindenberg liderou com 7,5 mil quilos, o equivalente a 66,1% da produção estadual. Ibiraçu ficou em segundo lugar, com 2,95 mil quilos (26%), enquanto Alfredo Chaves e Marilândia completaram o ranking com 500 quilos (4,4%) e 400 quilos (3,5%), respectivamente.

    O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, destaca que a atividade oferece uma alternativa sólida para os produtores do interior. “Trata-se de uma criação que diversifica a renda, aproveita bem a água doce e amplia as oportunidades no campo. Portanto, é um exemplo de como a inovação pode gerar valor e desenvolvimento no interior do Estado”, afirmou Bergoli.

    Espécie robusta e valorizada no mercado

    O camarão-gigante-da-Malásia se diferencia dos camarões marinhos por completar a fase de engorda em água doce. A espécie pode atingir mais de 30 centímetros, apresenta bom rendimento de carne e tem alta aceitação gastronômica, o que desperta o interesse de mercados regionais e especializados.

    Devido à boa adaptação a viveiros escavados, a espécie pode ser integrada a propriedades rurais já consolidadas, ampliando a geração de renda e fortalecendo a produção sustentável. O crescimento acelerado e o sabor valorizado tornam o cultivo uma oportunidade atrativa para pequenos e médios aquicultores.

    Capacitação e manejo técnico garantem bons resultados

    Segundo a engenheira de pesca da Secretaria da Agricultura (Seag), Naessa Martins, o sucesso do cultivo depende de acompanhamento técnico e qualificação do produtor. “O monitoramento constante é essencial, desde a implantação até a despesca. Assim, a formação adequada garante boas práticas de manejo, reduz perdas e melhora o desempenho produtivo”, explicou.

    Apesar de concentrada em poucos municípios, a produção do camarão-gigante-da-Malásia mostra que a aquicultura capixaba está em expansão e vai além do cultivo tradicional de peixes. Longe do mar, nos tanques e viveiros do interior, surge um novo símbolo de inovação e diversificação no campo capixaba.