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  • Agronegócio brasileiro: recuperação judicial cresce 44,6%

    Agronegócio brasileiro: recuperação judicial cresce 44,6%

    O agronegócio brasileiro enfrenta uma transformação profunda na forma de lidar com o endividamento. Dados do primeiro trimestre de 2025 revelam que os pedidos de recuperação judicial (RJ) no setor atingiram 389 casos, representando um aumento de 44,6% em relação ao mesmo período de 2024 e de 21,5% na comparação com o último trimestre do ano anterior.

    A inadimplência da população rural chegou a 7,9% no início do ano, sinalizando um cenário de pressão financeira crescente. O movimento indica que a recuperação judicial deixou de ser apenas um recurso emergencial e passou a integrar o planejamento estratégico de produtores e empresas do agro.

    Produtores pessoa física lideram alta nos pedidos

    Entre os destaques, os produtores rurais pessoa física registraram 195 solicitações de RJ no primeiro trimestre de 2025, um salto de 39,2% sobre o trimestre anterior e de 83,9% em comparação com os 106 pedidos do mesmo período de 2024.

    Matheus Matos, Sócio e Diretor Jurídico da MA7 Negócios

    Esse grupo inclui principalmente arrendatários e produtores sem posse formal da terra, considerados mais vulneráveis devido à dificuldade de acesso a crédito e margens operacionais reduzidas.

    Já os produtores pessoa jurídica contabilizaram 113 solicitações no período, ante 110 no trimestre anterior e 86 no mesmo intervalo de 2024, representando crescimento anual de 31%. As empresas da cadeia agroindustrial somaram 81 pedidos entre janeiro e março, número 15,7% superior ao trimestre anterior e 5,1% acima de um ano antes.

    Judicialização vira ferramenta de sobrevivência

    Além das recuperações judiciais, o número de ações revisionais e execuções contra produtores rurais cresceu mais de 20% no último ano. Em âmbito nacional, as RJs aumentaram mais de 30% nos últimos 12 meses, consolidando a judicialização como parte do cotidiano empresarial.

    “Estamos vendo produtores recorrerem ao Judiciário como ferramenta para ganhar tempo e preservar a operação. Isso não é sinal de fragilidade apenas, mas de adaptação a um sistema de crédito que deixou de atender à realidade do campo”, analisa Matheus Matos, sócio da MA7 Negócios.

    O movimento reflete um ambiente financeiro marcado por custos crescentes, juros elevados e restrição bancária, levando agricultores a buscar renegociação e fôlego de caixa através dos tribunais.

    Monetização de ativos judiciais ganha força

    Diante das dificuldades de acesso a capital de giro, cresce a monetização de ativos judiciais no agronegócio. Créditos tributários, indenizações e processos judiciais estão sendo convertidos em liquidez imediata para produtores que enfrentam queda de receita.

    O mercado de créditos judiciais, que já movimenta bilhões de reais no Brasil, tornou-se alternativa concreta para manter operações ativas. “Ativos que antes ficavam invisíveis agora viraram fonte de liquidez. Um crédito tributário ou uma ação judicial pode ser convertido em capital para pagar fornecedores, investir em tecnologia e manter o negócio vivo”, explica Matos.

    Reinvenção como resposta à crise

    Especialistas destacam que, apesar de indicar estresse financeiro, o aumento nas ações judiciais também demonstra a capacidade de adaptação do agronegócio. Com o setor respondendo por quase 30% do PIB brasileiro, a combinação entre judicialização, crédito estruturado e securitização pode redesenhar o financiamento rural.

    “O agro está mostrando que consegue se reinventar mesmo sob pressão. O que antes era visto como último recurso agora passa a ser ferramenta estratégica de reequilíbrio financeiro”, avalia o sócio da MA7 Negócios.

    O desafio atual é transformar soluções emergenciais em estratégias permanentes. E com isso garantir previsibilidade e sustentabilidade para um dos pilares da economia brasileira em um cenário de incertezas crescentes.

  • DIP Finance: alternativa para liquidez no agronegócio

    DIP Finance: alternativa para liquidez no agronegócio

    A AgroGalaxy (AGXY3), uma das maiores redes de insumos agrícolas do Brasil, deu um passo importante em seu processo de recuperação judicial ao ter seu plano aprovado em assembleia de credores. O próximo estágio é a homologação pela 19ª Vara Cível e Ambiental de Goiânia. Isso permitirá a implementação das medidas de reestruturação para enfrentar um passivo de R$ 4,68 bilhões.

    Em meio à crise, a empresa aposta no DIP Finance como mecanismo essencial para manter suas operações e garantir liquidez durante a reestruturação. O DIP Finance, modalidade de financiamento que oferece prioridade de pagamento ao credor em caso de falência, tem se destacado como alternativa diante do fim do Plano Safra 2025 e das dificuldades de acesso a crédito barato no setor agropecuário. Segundo especialistas, essa estrutura permite que empresas em recuperação judicial honrem compromissos e preservem a competitividade, mesmo em cenários de incerteza econômica.

    Matheus Matos, Sócio e Diretor Jurídico da MA7 Negócios

    Matheus Matos, Sócio e Diretor Jurídico da MA7 Negócios, destaca a relevância desse mecanismo para o setor agropecuário. “O DIP Finance, ainda pouco conhecido no mercado, é fundamental para manter as operações do agronegócio durante a reestruturação financeira. Permitindo que empresas e produtores honrem seus compromissos, invistam na produção e evitem rupturas na cadeia. Assim, preservando a competitividade do setor e retomando a confiança dos investidores”, afirma.

    Estratégias adicionais para fortalecer o caixa

    Além do DIP Finance, a AgroGalaxy busca reforçar o caixa por meio da venda de créditos vencidos. Eles somam cerca de R$ 683,2 milhões, com proposta de aquisição de até R$ 292 milhões por fundos de investimento em direitos creditórios. A companhia também aprovou o grupamento de ações na proporção de 15 para 1, mantendo o capital social em R$ 1,001 bilhão, como parte da estratégia para recuperar a cotação e facilitar a negociação dos papéis na B3.

    Desafios e perspectivas

    O setor agropecuário enfrenta pressão de margens devido à volatilidade das commodities, custos elevados e juros altos, fatores que agravaram a situação da AgroGalaxy. Desde o IPO em 2021, as ações da empresa desvalorizaram 95%, mas apresentaram recuperação de 24% em 2025, impulsionadas pelo avanço da reestruturação. O plano aprovado prevê renegociação de dívidas, venda de ativos e busca por novas fontes de financiamento. E visa garantir a continuidade das operações e a confiança dos investidores.

    A homologação do plano judicial será decisiva para o futuro da AgroGalaxy, que segue monitorando oportunidades para equilibrar suas finanças e retomar o crescimento no agronegócio brasileiro.

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