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  • Conheça a melhor cachaça do Brasil

    Conheça a melhor cachaça do Brasil

    A cachaça Extra Premium do Alambique Bylaardt, produzida em Luiz Alves (SC), venceu o VIII Ranking da Cúpula da Cachaça 2026 e conquistou o título de melhor cachaça do Brasil. O rótulo alcançou 91 pontos, a maior pontuação entre todos os avaliados. E superou concorrentes de diversas regiões do país. Esta é a primeira vez que um alambique da região recebe a honraria máxima da premiação.

    O diferencial da bebida está no tempo. São 18 anos de envelhecimento em barris de carvalho francês, processo que resulta numa cachaça complexa e persistente no paladar, com notas de baunilha, especiarias e leve tostado. No nariz, o aroma é envolvente e complexo, com base adocicada e tons de especiarias delicadas. A graduação alcoólica é de 38%, e a bebida é comercializada em garrafas de 700 ml e 750 ml.

    Uma história de 83 anos transmitida de geração em geração

    A família Van Den Bylaardt começou a produzir cachaça envelhecida em barril de carvalho em 1943. Três gerações depois, a empresa se mantém sólida e dinâmica, com um mix de produtos que inclui aguardentes, licores e a tradicional cachaça artesanal.

    O fundador, o imigrante holandês Wilibaldo Van Den Bylaardt, iniciou o negócio com dornas de madeira para fermentação e energia gerada por uma roda d’água. Com o tempo, o alambique se modernizou, mas manteve o caráter artesanal. E todas as etapas, do plantio da cana ao envelhecimento nos barris, permanecem sob responsabilidade da família.

    Foto: Alambique Bylaardt

    Para o proprietário Márcio Van Den Bylaardt, o prêmio tem peso emocional além do técnico. “Receber o título de Cachaça do Ano é uma honra imensa e um reconhecimento que nos emociona profundamente. Esse prêmio valoriza não apenas a qualidade do nosso produto, mas também uma história construída ao longo de 83 anos de tradição. É um orgulho para Luiz Alves, a Capital Catarinense da Cachaça, e para todo o estado de Santa Catarina”,

    Como funciona o ranking

    O Ranking da Cúpula da Cachaça reúne especialistas, pesquisadores, jornalistas, bartenders e apreciadores da bebida, com o objetivo de identificar as melhores cachaças do Brasil por meio de uma metodologia rigorosa, independente e transparente.

    O processo de seleção avança em três etapas: votação popular, análise técnica por especialistas independentes e degustação às cegas das 50 finalistas. As amostras da etapa final chegam adquiridas diretamente no mercado, sem identificação de rótulo. E a Extra Premium Bylaardt saiu na frente de todos.

    Registro no Mapa e Indicação Geográfica reforçam credibilidade

    O reconhecimento nacional chega respaldado por dois pilares institucionais. O registro da bebida no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) assegura controle de qualidade, rastreabilidade e conformidade com a legislação. Exigências que Santa Catarina, um dos estados com maior número de rótulos registrados no país, cumpre com destaque.

    Outro marco relevante para o setor foi o reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem (DO), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A certificação reforça a qualidade e a autenticidade da cachaça produzida em Luiz Alves, valorizando a tradição, os saberes locais e as características únicas do território.

    Para o superintendente de Agricultura e Pecuária em Santa Catarina, Ivanor Boing, a premiação vai além do produto em si. “Esse prêmio reconhece não apenas a qualidade e a conformidade da bebida, mas também uma história construída ao longo de 83 anos de tradição”, afirmou.

    Um currículo que antecede 2026

    A Bylaardt chega à Cúpula da Cachaça com um histórico robusto de premiações. A Extra Premium já havia conquistado Duplo Ouro no Concours Mondial de Bruxelles em 2018 e recebeu o Duplo Ouro com a nota mais alta entre todos no concurso Expocachaça de 2019. A linha Premium também levou Duplo Ouro em Bruxelas em 2018 e medalha de Ouro em 2020.

    Foto: Alambique Bylaardt

    A premiação também impulsiona o turismo regional. O município atrai visitantes interessados em roteiros gastronômicos e experiências ligadas à cultura da cachaça artesanal, movimentando restaurantes, comércios e propriedades rurais ligadas ao segmento.

    A Rota da Cachaça, criada a partir de uma parceria entre a Prefeitura Municipal e a APCALA (Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Luiz Alves), é um dos principais atrativos turísticos do município e desde 2018 atrai visitantes de diversas regiões do Brasil. O Alambique Bylaardt integra esse roteiro e recebe grupos de turistas com agendamento prévio.

  • Família investe em produção de banana orgânica

    Família investe em produção de banana orgânica

    Diante da crise econômica no cultivo de palmito, a família Pacheco, de Luiz Alves (SC), encontrou uma oportunidade ao diversificar a produção agrícola com banana orgânica certificada em sistema biodinâmico. O sítio Vale das Bananas, além de produzir sem agrotóxicos, segue critérios rigorosos que respeitam o equilíbrio natural, garantindo um produto sustentável e de alta qualidade.

    Vanessa Corrêa Pacheco, produtora do sítio, explica que a decisão pela banana orgânica nasceu de uma visão sustentável herdada dos pais. “Quando começamos a plantar banana queríamos que fosse sem agrotóxico, de forma sustentável. E quando conhecemos outras propriedades que também adotaram o sistema biodinâmico, em Águas Mornas, nos identificamos muito. Um ano depois de obtermos o selo da SPG-Abio, conseguimos a certificação da ABDSul”, comemora.

    A diferença entre o cultivo orgânico e o biodinâmico está no manejo mais detalhado do segundo, que utiliza o calendário lunar para definir etapas como o desfolhe e a colheita. Raphael Pacheco destaca que “fazer o manejo no dia em que a planta está plenamente disponível produz um fruto com mais qualidade. Nós deixamos a fruta no pé mais tempo e mesmo assim, ela não perde tempo de prateleira, sua vida útil é mais longa”.

    Inovação na agroindústria: banana-passa, farinha e chocolates

    Após a perda de um grande cliente em 2020, a família transformou o excedente de banana em novos produtos, agregando valor à produção. Hoje, o carro-chefe é a banana-passa, além da produção de banana coberta com chocolate branco, ao leite e 70% cacau, e farinha de banana verde, um alimento sem glúten e com amido resistente, recomendado para controle da diabetes. Vanessa ressalta que “como ela tem sabor neutro, pode ser adicionada tanto em pratos doces quanto salgados e até sobremesas”.

    Apoio técnico e financeiro da Epagri

    O extensionista da Epagri, Bruno Krauss Salvador, destaca o pioneirismo da família Pacheco e a crescente demanda por alimentos saudáveis. O suporte técnico da Epagri foi fundamental para aprimorar a produção, por meio de programas como Terra Boa Calcário e Kit Solo Saudável, além de financiamentos via Pronaf e Pronamp Agro SC.

    “No caso das bananas, é um enorme desafio a produção orgânica, pela dificuldade de fornecimento de adubação adequada e combate à doenças fúngicas como a sigatoka. Sem falar na falta de mão de obra que, neste caso, é bem mais exigente”, ressalta o extensionista.

    Bananicultura orgânica no Brasil

    Segundo dados da Embrapa, o cultivo orgânico de banana ainda é pouco expressivo no Brasil, correspondendo a cerca de 0,34% da área total plantada, com aproximadamente 1.600 hectares dedicados ao sistema orgânico. A produção nacional conta com mais de 9 mil produtores orgânicos cadastrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

    A bananicultura orgânica exige manejo cuidadoso do solo, com cobertura viva e uso de compostos orgânicos, além do controle biológico de pragas e doenças. Variedades resistentes às principais doenças, como sigatoka-negra e mal-do-panamá, são fundamentais para o sucesso do cultivo sem agrotóxicos.

    Sustentabilidade

    A experiência da família Pacheco reflete uma tendência de valorização da produção sustentável e orgânica, que alia qualidade, respeito ao meio ambiente e inovação. Com o apoio técnico e financeiro adequados, produtores rurais podem transformar desafios em oportunidades, agregando valor à cadeia produtiva. E atendendo a um mercado consumidor cada vez mais exigente por alimentos saudáveis.

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