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  • Epagri inicia estudo para viabilizar cultivo comercial do limão japonês em Santa Catarina

    Epagri inicia estudo para viabilizar cultivo comercial do limão japonês em Santa Catarina

    A Epagri iniciou um estudo pioneiro para avaliar a adaptação e o desempenho do limão Yuzu, conhecido como limão japonês, nas condições climáticas de Santa Catarina. A pesquisa tem o objetivo de abrir caminho para a produção comercial da fruta no estado, explorando um mercado com alto potencial gastronômico e econômico.

    Assinatura do acordo: secretário Admir Edi Dalla Cort (Sape), Elina Onaka, Shigeru Ohara, Koji Kamiyo (Ogon No Mura) e Dirceu Leite (Epagri)

    Na última semana a Epagri firmou, em Florianópolis, um acordo de cooperação com a empresa japonesa Ogon No Mura, especializada em produtos à base de Yuzu. O convênio garante aos pesquisadores catarinenses acesso ao material genético original da fruta, cultivada nos pomares da companhia na província de Tokushima, no Japão.

    Segundo o presidente da Epagri, Dirceu Leite, a parceria fortalece o trabalho da instituição em criar novas oportunidades para os agricultores catarinenses. “Queremos introduzir culturas promissoras que garantam renda e desenvolvimento às famílias rurais, e acreditamos que o Yuzu pode ser uma delas”, afirmou.

    O secretário da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort, ressaltou que Santa Catarina é referência nacional pela diversidade agrícola e pela afinidade cultural com o Japão. “Estamos de braços abertos para essa parceria, que une tradição e inovação em benefício do agronegócio catarinense”, destacou.

    Com a conclusão do estudo, a Epagri poderá solicitar o registro do cultivar junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), etapa necessária para liberar o plantio e a comercialização da espécie no país. Produtores poderão utilizar o yuzu tanto para extrair suco quanto para produzir óleos essenciais e outros subprodutos.

    Testes em regiões frias e serranas

    A pesquisa concentra-se nas regiões mais frias e de maior altitude de Santa Catarina, que apresentam condições climáticas semelhantes às de Tokushima, onde as temperaturas variam de -10°C a 40°C. Um dos pomares experimentais será implantado em Frei Rogério, no Meio-Oeste catarinense, município de forte presença da cultura japonesa. O produtor Ernesto Eisaku Onaka abrirá espaço em sua propriedade para testar o cultivo do Yuzu ao lado de plantações de alho, pêssego e goiaba-serrana.

    De acordo com a agrônoma Luana Castilho Maro, coordenadora do projeto e pesquisadora da Estação Experimental de Itajaí, ainda não há registro do Yuzu no Brasil. “O acordo com a Ogon No Mura permite o acesso direto ao germoplasma. E também acelera o processo de introdução da espécie, que antes enfrentava morosidade burocrática”, explicou.

    Coordenadora da pesquisa, Luana Castilho Maro, estima período de até cinco anos para conclusão da pesquisa. Foto: Aires Mariga/Epagri

    O material genético será importado do Japão e passará por quarentena no Instituto Agronômico de São Paulo (IAC), a fim de eliminar riscos fitossanitários. Após a liberação, parte das mudas será enviada à Estação Experimental da Epagri em Itajaí, enquanto outras seguirão para testes em São Joaquim e Frei Rogério.

    O estudo terá duração estimada de quatro a cinco anos. “Depois de comprovada a adaptabilidade e obtido o registro, produtores e viveiristas poderão cultivar e comercializar o Yuzu legalmente no país”, afirmou Luana. Durante o período, os pesquisadores catarinenses manterão um intercâmbio técnico com especialistas da região produtora de Tokushima.

    Potencial e perspectivas

    A Epagri acredita que o Yuzu pode transformar o mapa da citricultura catarinense, hoje restrita a regiões livres de geadas. “Essa variedade suporta ampla variação térmica, o que permite expandir a produção para áreas até então consideradas inaptas para citros”, avaliou Luana.

    O empresário japonês Koji Kamiyo, fundador da Ogon No Mura, afirmou que a empresa pretende cultivar 100 hectares de Yuzu no projeto inicial. E atingir mil hectares a longo prazo. A companhia fatura cerca de US$ 3 milhões por ano, com 40% da produção destinada à exportação para França e Estados Unidos.

    Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Epagri, Reney Darrow, o acordo traz um diferencial importante: a garantia de mercado para o produto. “Esse encadeamento entre pesquisa e comercialização dá mais segurança ao investimento e reforça nosso compromisso em fazer o produtor catarinense prosperar”, concluiu.