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  • Produção de leite no Brasil tem novo líder após 12 anos

    Produção de leite no Brasil tem novo líder após 12 anos

    O agronegócio brasileiro acaba de registrar um marco histórico. Pela primeira vez, as duas maiores propriedades leiteiras do país superaram a média anual de 100 mil litros de leite comercializados por dia. O Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a Abraleite, revela uma mudança profunda na liderança e um salto expressivo na produtividade nacional.

    Após 12 anos de domínio absoluto da Fazenda Colorado, a Fazenda São José, de Tapiratiba (SP), assumiu o posto de maior produtora de leite do Brasil. Juntas, as 100 maiores fazendas do ranking já respondem por cerca de 4,7% de toda a captação formal de leite no país. No último ano, esse grupo comercializou 1,29 bilhão de litros, um volume 8% superior ao levantamento anterior.

    Crescimento exponencial e eficiência

    Os dados mostram uma evolução impressionante. A produção atual das propriedades listadas cresceu 444% se comparada aos números de 2001, ano em que o ranking estreou. Em 2025, a produção média diária das fazendas do Top 100 atingiu 35.392 litros, superando amplamente o ritmo de crescimento da produção leiteira geral do Brasil.

    Minas Gerais mantém a hegemonia estadual com 39 propriedades no ranking, seguida pelo Paraná (23) e São Paulo (12). No âmbito municipal, a cidade de Carambeí (PR) desbancou a vizinha Castro (PR) e retomou a liderança nacional, concentrando 8 propriedades que, sozinhas, representam 9% de todo o volume do Top 100. Embora o Sudeste concentre a maior fatia do volume (53,3%), o Centro-Oeste registrou a maior expansão percentual, com 16% de crescimento.

    O fim do pasto e a soberania genética

    O setor caminha para uma consolidação definitiva dos sistemas intensivos. Das 100 fazendas listadas, 85 operam em confinamento total, um salto relevante comparado às 70 que utilizavam esse modelo em 2020. No campo da genética, a raça holandesa domina 82% das propriedades, enquanto o gado Sul-Brasileiro se destaca pela eficiência produtiva, alcançando a média de 40,47 litros por animal ao dia.

    Apesar da escala, o setor enfrenta pressões financeiras. Quase metade dos produtores (48%) relatou piora na rentabilidade em 2025. O custo médio de produção atingiu R$ 2,31 por litro,mas as grandes fazendas garantiram uma remuneração media de R$ 2,77. Um valor 23% superior ao que recebem os pequenos produtores.

    Mesmo com margens apertadas, o espírito é de expansão. Cerca de 91% das fazendas planejam crescer nos próximos três anos. E quase um quinto delas projeta aumentar o volume de leite em mais de 50%. Esses números confirmam que, para os gigantes do leite, a eficiência técnica e o ganho de escala continuam sendo as principais ferramentas de sobrevivência e sucesso no mercado global.

  • Brasil reforça liderança no agronegócio com alta na produção de café e soja

    Brasil reforça liderança no agronegócio com alta na produção de café e soja

    O Brasil ampliou sua posição de destaque no agronegócio mundial, impulsionado por safras recordes de café e soja, segundo relatório divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) com dados de abril de 2025. O levantamento destaca o crescimento das principais commodities agrícolas do país, mesmo diante de um cenário internacional marcado por volatilidade nos preços, gargalos logísticos e tensões geopolíticas.

    Segundo Cleber Sabonaro, gerente de economia e inteligência competitiva da ABIA, o país se mantém como um dos principais pilares da cadeia alimentar global. “Mesmo diante de um ambiente global desafiador, o Brasil segue firme como um dos principais pilares da cadeia alimentar mundial. A força na produção das commodities agrícolas estimula nossa responsabilidade e vantagem competitiva no setor de alimentos”, afirma.

    Atualmente, matérias-primas e embalagens representam mais de 60% do custo de produção industrial, o que torna a valorização das commodities um fator decisivo para a indústria de alimentos.

    Café atinge produção recorde com clima favorável e tecnologia

    A produção de café conilon deve alcançar 18,7 milhões de sacas de 60 kg, um salto de 27,9% em relação ao ciclo anterior, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado reflete a expansão da área plantada, investimentos em tecnologia e condições climáticas favoráveis. Apesar do aumento da oferta, os preços do café permanecem elevados devido à baixa dos estoques globais e à demanda internacional aquecida.

    Soja mantém protagonismo com demanda chinesa aquecida

    A safra 2024/2025 de soja está estimada em 168,3 milhões de toneladas, crescimento de 14% sobre o ciclo anterior, consolidando a cultura como a principal do país. A China segue como principal destino, absorvendo mais de 70% das exportações brasileiras desde 2011. O óleo de soja atingiu preços históricos no mercado internacional, sustentado pela forte demanda global, apesar de recuo de 1,9% em abril no Brasil devido à valorização do real.

    Outras commodities em destaque

    • Açúcar: alta de 1,9% em abril no Brasil, com produção de cana-de-açúcar estimada em 45,9 milhões de toneladas. A oferta global ajustada e restrições nas exportações indianas sustentam os preços.
    • Arroz: queda de 7,1% nos preços nacionais e previsão de safra recorde, com aumento de 14,8% na produção, totalizando 12,14 milhões de toneladas.
    • Cacau: valorização de 11,1% em abril. A expectativa de superávit global deve reduzir a volatilidade dos preços.
    • Leite: alta de 5,4% em abril e 19,9% em 12 meses, com previsão de crescimento de até 2,5% na produção nacional em 2025. Estoques elevados e demanda enfraquecida pressionam o preço ao produtor.
    • Milho: queda de 6,1% em abril, mas alta de 40,3% no acumulado anual. Produção estimada em 126,9 milhões de toneladas garante o abastecimento interno.
    • Trigo: alta de 2,9% em abril no Paraná e 23,5% em 12 meses. Apesar do crescimento na produção, o Brasil segue dependente das importações.

    Índice FAO e cenário internacional

    O índice de preços da FAO atingiu 128,3 pontos em abril, alta de 1% no mês e 7,6% em 12 meses, puxada por carnes, laticínios e cereais. Óleos vegetais e açúcar registraram queda. O desempenho brasileiro, segundo a ABIA, reforça a resiliência do país diante das oscilações globais. E destaca sua importância como fornecedor estratégico e protagonista no debate sobre segurança alimentar.

    Cleber Sabonaro ressalta que o setor precisa continuar investindo em tecnologia, sustentabilidade e integração da cadeia produtiva para manter a competitividade e a relevância do Brasil no cenário internacional.

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