Tag: lavouras

  • 18 elefantes morrem e tomates viram peça-chave de mistério

    18 elefantes morrem e tomates viram peça-chave de mistério

    A morte de 18 elefantes em uma das regiões de vida selvagem mais conhecidas do Quênia colocou até plantações de tomate no centro de uma investigação.

    Os animais morreram no ecossistema de Amboseli, no sul do país. Resultados preliminares apontaram sinais de intoxicação e levantaram a suspeita de contato com cianeto.

    Além disso, veterinários encontraram tomates no conteúdo estomacal de alguns animais. Por isso, uma das hipóteses considera a possível ingestão de alimentos contaminados.

    No entanto, a relação entre as mortes, os tomates e pesticidas agrícolas ainda não foi comprovada. Agricultores também contestam a hipótese e afirmam que não utilizam cianeto nas lavouras.

    Mortes começaram em junho

    Os primeiros casos ocorreram entre 24 de junho e 24 de julho. Inicialmente, 15 elefantes morreram. Depois, o número de animais encontrados mortos chegou a 18.

    As ocorrências atingiram áreas como o Parque Nacional de Amboseli, o Kimana Sanctuary e Kuku Ranch. A região fica próxima à fronteira com a Tanzânia e aos pés do Monte Kilimanjaro.

    Antes de morrer, alguns elefantes apresentaram sinais de paralisia e dificuldade para respirar, segundo informações do Kenya Wildlife Service (KWS).

    elefantes
    Foto: Parque Nacional Amboseli/Quênia

    Exames realizados após as mortes também identificaram alterações nos pulmões e no coração. Além disso, veterinários encontraram tomates e melancias no conteúdo estomacal dos animais.

    Agora, uma das principais perguntas da investigação é descobrir a origem do cianeto e determinar como os elefantes tiveram contato com a substância.

    Por que os tomates entraram na investigação?

    A ligação com a agricultura surgiu porque o entorno de Amboseli reúne importantes áreas de produção.

    A região de Kimana, por exemplo, possui lavouras de tomate, cebola e vagem. Parte desses alimentos abastece mercados de Nairóbi, capital do Quênia.

    Ao mesmo tempo, elefantes entram em propriedades rurais em busca de alimento. Nessas incursões, podem consumir produtos cultivados e provocar prejuízos aos agricultores.

    Foi nesse contexto que os tomates encontrados nos animais passaram a chamar atenção.

    tomates
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    Resultados laboratoriais preliminares indicaram possível intoxicação por cianeto. Assim, investigadores passaram a analisar se os elefantes poderiam ter ingerido alimentos contaminados em propriedades próximas às áreas de conservação.

    Entretanto, ainda falta estabelecer como ocorreu o contato com a substância.

    A ministra do Turismo e Vida Selvagem do Quênia, Rebecca Miano, ressaltou que os resultados disponíveis ainda não permitem uma conclusão.

    “Essas descobertas ainda estão sujeitas a uma verificação científica adicional antes que a investigação seja considerada concluída”, afirmou Miano, em comunicado divulgado pelo governo queniano.

    Agricultores contestam suspeita

    A possível ligação entre as mortes e as lavouras provocou reação entre produtores.

    Agricultores afirmam que não utilizam cianeto na produção. Além disso, questionam a hipótese de que pesticidas aplicados nas plantações estejam diretamente relacionados às mortes.

    Outro ponto chama atenção. Cabras, bovinos, gazelas e outros animais também circulam pelas propriedades agrícolas da região.

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    Foto: Parque Nacional Amboseli/Quênia

    Por isso, os investigadores ainda precisam determinar a fonte da possível intoxicação e explicar por que o episódio atingiu os elefantes.

    O Kenya Wildlife Service informou ainda que o cianeto não é um ingrediente comum nos pesticidas agrícolas usados na região.

    Produtos químicos foram apreendidos

    Nos últimos dias, as autoridades ampliaram as buscas.

    Uma operação realizada em Tikondo, na área de Kimana, encontrou substâncias potencialmente tóxicas e materiais sem identificação.

    Agora, esses produtos passam por análises para determinar sua composição e descobrir se existe alguma relação com as mortes.

    Quatro pessoas foram detidas durante a investigação e posteriormente liberadas sob fiança. Além disso, as autoridades procuram outro suspeito.

    Entretanto, o governo ressaltou que as detenções não comprovam envolvimento no caso.

    “A prisão de pessoas de interesse e a recuperação de materiais não estabelecem, por si só, responsabilidade criminal”, afirmou Rebecca Miano.

    Elefantes e lavouras disputam espaço

    O episódio também expõe um problema antigo no Quênia: a convivência entre animais selvagens e propriedades agrícolas.

    A população de elefantes do país voltou a superar 36 mil animais depois de décadas de esforços de conservação e combate à caça ilegal.

    Entretanto, a expansão agrícola aumentou o contato entre comunidades rurais e esses grandes mamíferos.

    Em determinadas regiões, elefantes atravessam áreas de cultivo em busca de água e alimento. Consequentemente, uma única passagem pode representar prejuízo elevado para pequenos agricultores.

    Dados do Plano Nacional para Elefantes do Quênia mostram a dimensão do conflito. Pelo menos 1.160 elefantes morreram entre 2000 e 2020 em episódios relacionados à autodefesa ou à retaliação de comunidades.

    Em muitos desses casos, moradores tentavam proteger pessoas, propriedades ou plantações.

    Causa das 18 mortes ainda não está definida

    Apesar das suspeitas, não existe até agora uma conclusão definitiva de que tomates ou pesticidas agrícolas tenham causado a morte dos 18 elefantes.

    Os exames preliminares apontaram uma possível intoxicação. Além disso, a presença de alimentos cultivados nas propriedades próximas ajudou a direcionar parte da investigação.

    Por outro lado, ainda é necessário determinar a origem da substância e explicar como os animais tiveram contato com ela.

    Por isso, amostras dos elefantes, do ambiente e dos produtos apreendidos continuam sendo analisadas.

    Enquanto a investigação avança, o episódio chama atenção para um desafio crescente no campo. De um lado estão produtores que precisam proteger suas lavouras. Do outro, elefantes que circulam por um território cada vez mais compartilhado com propriedades rurais.

    Por enquanto, os tomates fazem parte do quebra-cabeça. A causa definitiva das 18 mortes, porém, ainda depende das análises científicas e da conclusão das autoridades quenianas.

  • Temporal no interior paulista causou danos à produção rural

    Temporal no interior paulista causou danos à produção rural

    Um forte temporal atingiu na última sexta-feira (24) diversos municípios da região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e deixou um rastro de destruição em propriedades rurais. Chuva intensa, granizo e rajadas de vento castigaram lavouras, estufas e pomares, além de comprometer estruturas de produção em pelo menos cinco cidades da região.

    Entre os municípios afetados, Taquaritinga registra até o momento o quadro mais grave. Produtores relatam perdas em estufas, lavouras e pomares, além de danos a estruturas dentro das propriedades. Só nesse município, técnicos já contataram mais de 20 produtores para levantar a extensão dos prejuízos.

    O temporal também isolou o município de Guariba. Os estragos provocados pela tempestade dificultam o acesso de equipes à região, e por isso o balanço completo dos danos no município ainda não está disponível. A apuração de dados segue em andamento conforme as condições de acesso melhoram.

    Cana, amendoim e citros entre as culturas atingidas

    Além de Taquaritinga, o temporal também afetou canaviais e estoques de amendoim nas regiões de Ribeirão Preto e Jaboticabal. Levantamentos preliminares apontam ainda perdas em citros, goiaba, manga, abacate, feijão, girassol e hortaliças em diferentes propriedades da região.

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado ainda não fechou os números totais de hectares atingidos nem uma estimativa financeira dos prejuízos. Segundo o órgão, a extensão completa dos danos segue em apuração.

    Produtores relatam momento de apreensão

    “Quem é produtor rural sabe o que é olhar para a lavoura depois de uma tempestade dessas e tentar entender o tamanho do prejuízo. É um momento de muita preocupação para quem trabalha e vive da produção”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, sobre a situação enfrentada pelos agricultores da região.

    A Secretaria de Agricultura mobilizou 21 técnicos da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) para percorrer as propriedades atingidas. Treze profissionais atuam pela regional de Ribeirão Preto e oito pela regional de Jaboticabal, com apoio de mais três pessoas na consolidação das informações coletadas em campo.

    As equipes cruzam dados obtidos diretamente com produtores, Casas da Agricultura, prefeituras, Defesas Civis, sindicatos, cooperativas, associações, usinas e empresas do setor para montar o panorama dos estragos.

    Produtores rurais atingidos pelo temporal podem registrar os danos em lavouras, pastagens, criações, máquinas e infraestrutura por meio de um formulário eletrônico disponibilizado pela CATI.

    Governo avalia linha de crédito emergencial

    Enquanto as vistorias avançam, técnicos da Secretaria trabalham na consolidação de informações que poderão embasar uma linha de crédito emergencial pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP). O órgão também avalia outras alternativas de apoio, como a prorrogação de parcelas de financiamentos e mecanismos para recuperação de estruturas danificadas.

    Para agroindústrias atingidas pelo temporal, a Secretaria deve avaliar, em conjunto com a Desenvolve SP, medidas específicas de apoio.

    O levantamento de danos segue em andamento e deve ser atualizado à medida que as vistorias avançam nos municípios afetados.

  • Chuvas regulares impulsionam lavouras no Brasil em maio, aponta Conab

    Chuvas regulares impulsionam lavouras no Brasil em maio, aponta Conab

    A maior regularidade das chuvas em diferentes regiões do Brasil entre os dias 1º e 21 de maio favoreceu o desenvolvimento das lavouras da safra 2025/26. O cenário contribuiu para a recuperação da umidade do solo e beneficiou culturas de verão e inverno. Isso segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    As precipitações se concentraram principalmente no norte da Região Norte, no leste do Nordeste e em áreas da Região Sul. Esse volume mais expressivo de chuvas estimulou o avanço do milho segunda safra no Pará e no Paraná. Além de viabilizar o início da semeadura do feijão e do milho terceira safra em áreas do Sealba (região que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia).

    Em Mato Grosso do Sul, parte de Mato Grosso e São Paulo, a combinação entre chuvas e temperaturas mais amenas ajudou a manter a umidade do solo e sustentou o bom desenvolvimento das lavouras.

    Por outro lado, o tempo seco predominou na região central do país, incluindo áreas do Matopiba, o que manteve a restrição hídrica, especialmente para o milho segunda safra plantado fora da janela ideal.

    Indicadores vegetativos mostram recuperação

    De acordo com a Conab, os dados espectrais indicam condições satisfatórias na maior parte das regiões produtoras. O índice de vegetação evoluiu em linha com a safra anterior em diversas áreas e, em alguns casos, já supera os níveis registrados no ciclo passado.

    Estados como Mato Grosso do Sul e Paraná apresentaram recuperação significativa desses índices, impulsionados pela melhor distribuição das chuvas ao longo de maio.

    Trigo avança com clima favorável

    Para o trigo, as condições seguem positivas no Paraná, com destaque para a redução das temperaturas, que favorece o desenvolvimento da cultura. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, o clima também mantém um ambiente adequado para o avanço das lavouras.

    Já em Goiás e Minas Gerais, o cenário exige atenção. A combinação de temperaturas elevadas e baixa umidade do solo ainda limita o desenvolvimento das plantas.

  • Frio intenso ameaça milho e feijão no Centro-Sul

    Frio intenso ameaça milho e feijão no Centro-Sul

    A queda acentuada das temperaturas aumenta os riscos para lavouras de segunda safra no Centro-Sul do Brasil. O cenário preocupa produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul.

    O estresse térmico pode comprometer o desenvolvimento do milho e do feijão. Além disso, a estiagem recente agravou a vulnerabilidade das culturas.

    Impacto em dois estados

    As condições climáticas adversas já afetam a segunda safra nos dois estados. Em algumas regiões, o atraso da colheita prejudicou a janela ideal de semeadura.

    Com isso, produtores enfrentam menos chuvas e maior risco de massas de ar frio durante maio. Esse cenário afeta diretamente o desenvolvimento das lavouras.

    Durante a implantação do milho e do feijão, os volumes de chuva diminuíram. O problema atingiu principalmente o oeste do Paraná e o sul do Mato Grosso do Sul. As culturas entraram em fases críticas entre abril e início de maio. Nesse período, as plantas exigem maior disponibilidade de água.

    No entanto, a escassez hídrica provocou perdas significativas nas lavouras. Mesmo com a melhora das chuvas no fim de abril, os impactos persistem.

    Previsões meteorológicas

    As previsões meteorológicas indicam o avanço de uma forte massa de ar polar. O sistema deve atingir a Região Sul, o sul paulista e Mato Grosso do Sul.

    O cenário favorece a formação de geadas em grande parte do Sul do Brasil. Assim, o frio intenso amplia os riscos para milho e feijão.

    As lavouras nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo seguem em fases sensíveis. Por isso, as baixas temperaturas preocupam produtores e técnicos.

    A região de Ponta Grossa, no Paraná, concentra importante área produtora de milho safrinha. Atualmente, o núcleo regional possui cerca de 33 mil hectares cultivados.

    Segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná, 95% das áreas apresentam alta sensibilidade ao frio. Desse total, 25% estão em floração e 70% em frutificação. A previsão aponta temperatura mínima de 3,6 °C na terça-feira (12). Dessa forma, cresce o risco de impactos na floração e no enchimento dos grãos.

    As baixas temperaturas podem causar falhas na polinização. Além disso, o frio reduz a formação dos grãos e derruba a produtividade.

    A estiagem entre 10 e 26 de abril também aumentou a vulnerabilidade das plantas. O déficit hídrico intensificou os efeitos do estresse térmico.

    No feijão, os danos podem ser ainda maiores. A cultura apresenta elevada sensibilidade às baixas temperaturas.

    O frio pode provocar abortamento floral e reduzir a formação de vagens. Durante o enchimento dos grãos, a geada também pode causar enrugamento.

    Além disso, os grãos podem perder tamanho e peso. Isso compromete diretamente a produtividade das lavouras.

    Por outro lado, culturas de inverno apresentam menor risco neste momento. Trigo, aveia, canola e pastagens não devem sofrer impactos significativos.

    Previsão do tempo no Sul do Brasil

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê a passagem de uma frente fria pela Região Sul. O sistema deve provocar chuvas intensas e temporais.

    As áreas mais afetadas incluem o sudoeste e centro-sul do Paraná. O norte de Santa Catarina também deve registrar acumulados elevados.

    Segundo a previsão, os volumes de chuva podem superar 80 milímetros. Além disso, o frio continuará atuando durante o fim da semana.

    As temperaturas devem permanecer baixas em grande parte da Região Sul. O cenário inclui o sul gaúcho, oeste catarinense e oeste paranaense.

    O extremo sul do Mato Grosso do Sul também deve registrar temperaturas reduzidas. Em áreas serranas, os termômetros podem ficar abaixo de 2 °C.

    A possibilidade de geadas aumenta principalmente em áreas de maior altitude. Por isso, cresce o risco para lavouras em estágios sensíveis.

    Especialistas recomendam acompanhamento constante das atualizações meteorológicas. O monitoramento ajuda no manejo das lavouras e reduz riscos operacionais.

     

  • Nova segurança do agro: robôs com câmeras patrulham lavouras milionárias

    Nova segurança do agro: robôs com câmeras patrulham lavouras milionárias

    A gigante farmacêutica e de ciências agrícolas Bayer implantou cães robóticos para vigiar suas plantações de milho no Havaí. Uma decisão que sintetiza, em imagem única, a contradição do sistema alimentar global em 2025: tecnologia militar a serviço de colheitas milionárias, enquanto a fome avança pelo mundo.

    A Bayer expandiu o uso de robótica na agricultura ao posicionar unidades “DroneDog” com inteligência artificial em suas operações de milho-semente no Havaí. Portanto, marcando uma transição da segurança tradicional para a vigilância autônoma baseada em dados. O sistema vem da empresa de tecnologia Asylon e resolve dois problemas práticos ao mesmo tempo. Manter patrulhas de segurança em 8.000 acres resulta em custos altíssimos, e a empresa enfrentava dificuldade em contratar pessoal suficiente, especialmente para rondas noturnas.

    O que é o DroneDog e como funciona

    Equipados com câmeras termais, câmeras eletro-ópticas, zoom de 20x e detecção de objetos por inteligência artificial, os robôs identificam anomalias em tempo real e alertam operadores por sistemas conectados à nuvem. Quando o DroneDog não está em missão de segurança, ele retorna à sua “DogHouse”, uma espécie de canil instalado no terreno da Bayer, onde recarrega as baterias para a próxima ronda.

    A operação funciona em duas frentes simultâneas. O equipamento se conecta à nuvem para operação remota e transmissão ao vivo. E pode ser monitorado pela equipe de segurança local, pelo Centro de Operações de Segurança do Havaí (HSOC) da Bayer e pelo Centro de Operações de Segurança Robótica da Asylon, ativo 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    Os eventos de segurança reportados pelos operadores vão desde incêndios florestais próximos até javalis que danificam a propriedade após o horário de expediente.

    Por que a Bayer protege milho com tecnologia de nível militar

    A resposta está nos números. A Bayer opera sete instalações de cultivo no Havaí, totalizando mais de 8.000 acres, responsáveis por 90% das sementes de milho para ração que a empresa vende internacionalmente. Com custo médio de US$ 113,50 por acre, o investimento em milho supera US$ 900 mil apenas no insumo bruto, sem contar o valor no mercado internacional. A indústria do milho nos EUA gerou US$ 123 bilhões em receita somente em 2024.

    Diante do sucesso do primeiro projeto piloto no Havaí, a Bayer expandiu o uso do DroneDog para outras instalações nas ilhas e também na Califórnia.

    Crise alimentar como pano de fundo

    A adoção de robôs militarizados para proteger colheitas comerciais acontece num momento em que o sistema alimentar global enfrenta pressões sem precedentes recentes. A insegurança alimentar aguda e a desnutrição infantil aumentaram pelo sexto ano consecutivo em 2024, segundo o Relatório Global sobre Crises Alimentares 2025, elaborado com participação de FAO, WFP, Unicef, IFAD, Banco Mundial e ACNUR. A insegurança alimentar moderada ou grave já alcança mais de 2 bilhões de pessoas, concentradas em países de baixa e média renda.

    O conflito entre EUA e Irã adicionou uma nova camada de risco ao sistema. Cerca de 30% das exportações mundiais de fertilizantes passam diariamente pelo Estreito de Hormuz. E a paralisação dessa rota cria pressões intensas sobre preços e custos logísticos que chegam ao consumidor final.

    A FAO alertou que os próximos meses podem trazer alta nos preços globais de alimentos, queda nas safras, expansão da insegurança alimentar e reflexos graves sobre economias frágeis que já enfrentam inflação e déficits orçamentários.

    Máximo Torero, economista-chefe da FAO, resumiu o problema em declaração recente: os agricultores enfrentam um duplo choque. Fertilizantes mais caros e aumento nos custos de combustível que afetam toda a cadeia agrícola, da irrigação ao transporte.

    O paradoxo em números

    De um lado, colheitas comerciais com vigilância robótica de ponta e câmeras termais do tipo usado em drones militares. Do outro, a FAO e o WFP alertam que a janela para evitar que milhões de pessoas caiam em insegurança alimentar aguda “está se fechando rapidamente”, com 16 regiões do mundo em risco de emergências humanitárias de grande escala.

    O contraste não é apenas simbólico. Ele revela onde o capital e a tecnologia fluem quando a pressão sobre o sistema alimentar aumenta. Não para ampliar o acesso à comida, mas para proteger o valor das colheitas já existentes.

  • O inseto “fofo” que vai salvar sua plantação

    O inseto “fofo” que vai salvar sua plantação

    Pequenas, coloridas e associadas à sorte, as joaninhas passaram a ocupar um papel estratégico na agricultura. Hoje, produtores utilizam esses insetos como aliados no controle biológico de pragas, o que reduz custos e impactos ambientais.

    Com mais de 5 mil espécies catalogadas, elas se alimentam diretamente de organismos que prejudicam plantações, como pulgões, ácaros e moscas. Por isso, agricultores adotam cada vez mais o uso das joaninhas em hortas, jardins, pomares e lavouras comerciais.

    Controle natural reduz uso de pesticidas

    De acordo com a bióloga Maria Clara Mendonça, as joaninhas mantêm o equilíbrio do ecossistema e indicam ambientes saudáveis. Além disso, elas diminuem a necessidade de pesticidas químicos, já que atacam pragas de forma eficiente.

    Durante o ciclo de vida, esses insetos passam por metamorfose e mantêm uma dieta baseada em diferentes pragas. Dessa forma, protegem as plantações de maneira contínua. Como resultado, o produtor reduz a dependência de insumos químicos e melhora a qualidade da produção.

    Biofábrica amplia uso no Brasil

    No Brasil, iniciativas estruturadas já impulsionam esse modelo. Em Belo Horizonte, uma biofábrica criada em 2018 produz joaninhas e crisopídeos para controle biológico.

    Nesse processo, técnicos controlam temperatura e alimentação para garantir o desenvolvimento dos insetos. Em seguida, monitoram a reprodução e acompanham ovos e larvas até a fase adulta. Assim, conseguem fornecer insetos prontos para uso em áreas urbanas e rurais.

    Distribuição cresce e chega às escolas

    Os resultados já aparecem na prática. Em 2025, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente distribuiu cerca de 30 mil insetos para moradores que solicitaram o serviço. Além disso, escolas passaram a receber kits, o que fortalece a educação ambiental.

    Com isso, a população aprende, desde cedo, a utilizar métodos naturais no controle de pragas. Ao mesmo tempo, a iniciativa amplia a conscientização sobre práticas sustentáveis.

    Tendência avança no agronegócio

    O uso de joaninhas integra o chamado manejo integrado de pragas, estratégia que combina diferentes métodos para aumentar a eficiência no campo. Nesse sentido, produtores conseguem equilibrar produtividade e sustentabilidade.

    Embora a adoção ainda avance de forma gradual, o interesse cresce, principalmente entre aqueles que buscam certificações e acesso a mercados mais exigentes. Portanto, o uso desses insetos tende a se expandir nos próximos anos.

    Mais do que um símbolo de sorte, a joaninha se consolida como uma solução prática e eficiente para o agronegócio moderno.

  • Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    Chuvas favorecem lavouras no Centro-Norte, mas restrição hídrica persiste no Sul

    As chuvas concentradas no Centro-Norte do Brasil entre 1º e 24 de fevereiro garantiram boas condições para o desenvolvimento das principais lavouras, segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento mostra volumes expressivos na região Norte e na faixa que vai do Amazonas ao Centro-Oeste e Sudeste, beneficiando o armazenamento de água no solo e impulsionando os cultivos da primeira e segunda safra.

    No Matopiba e em partes do Semiárido nordestino, embora os volumes tenham sido menores, a umidade favoreceu a semeadura e o crescimento das lavouras. Já o Sul do país registrou precipitações bem abaixo da média, limitando o desenvolvimento da soja no Rio Grande do Sul, estado em que grande parte das áreas está em floração e enchimento de grãos.

    Os indicadores espectrais analisados pela Conab confirmam boas condições de vegetação em quase todas as regiões monitoradas. Com índices superiores à média histórica nas fases críticas da soja. Em áreas do sudoeste de Mato Grosso do Sul, oeste de Santa Catarina e noroeste gaúcho, ainda há reflexos das restrições hídricas das últimas safras. No entanto, o índice atual do Rio Grande do Sul se aproxima das temporadas anteriores, que tiveram menor potencial produtivo.

    Distribuição

    A distribuição das chuvas também influenciou o ritmo do plantio do milho segunda safra.

    • Em Mato Grosso, o plantio avançou rapidamente com o andamento da colheita de soja.
    • No Paraná, a baixa umidade atrasou o início da semeadura em várias regiões.
    • No Mato Grosso do Sul, o retorno das chuvas beneficiou o avanço dos trabalhos e garantiu bom desenvolvimento das áreas já plantadas.
    • Em Goiás e Minas Gerais, o excesso de chuva reduziu a janela ideal de cultivo.
    • No Tocantins, o plantio acelerou e as lavouras emergidas apresentam boas condições agronômicas.

    A colheita da soja segue em ritmo consistente em estados como Mato Grosso, apesar das chuvas intensas em parte do Centro-Oeste e Sudeste, que atrasaram a operação em algumas regiões. No Rio Grande do Sul, a irregularidade e o baixo volume das precipitações já reduziram as estimativas de produtividade. E consolidaram estado como o principal ponto de atenção nas análises do boletim.

  • Chuvas de dezembro impulsionam lavouras da primeira safra em grande parte do país

    Chuvas de dezembro impulsionam lavouras da primeira safra em grande parte do país

    As chuvas que ocorreram nos primeiros quinze dias de dezembro fortaleceram o desenvolvimento das lavouras de primeira safra em grande parte do Brasil. Segundo o Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), divulgado nesta semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o cenário climático elevou os níveis de umidade do solo e não atrapalhou a colheita final dos cultivos de inverno. A análise ressalta ainda que as condições das lavouras se mantêm favoráveis na maioria das regiões produtoras.

    No Centro-Oeste, principal polo agrícola do país, os maiores volumes de chuva foram registrados no nordeste de Mato Grosso e no norte de Goiás. As precipitações mais regulares aumentaram a umidade do solo e melhoraram o ritmo de desenvolvimento das culturas, movimento que também se repetiu no Sudeste.

    Chuvas irregulares

    No Sul, as chuvas ficaram irregulares, concentradas principalmente no norte e oeste do Paraná. No Rio Grande do Sul, os primeiros dias do mês registraram baixos volumes, o que facilitou a conclusão da colheita de inverno. Já entre os dias 6 e 10, os acumulados ajudaram a recuperar a umidade do solo, criando condições mais adequadas para a semeadura e o desenvolvimento das lavouras. Em Santa Catarina e no Paraná, o clima manteve-se favorável durante a primeira quinzena de dezembro.

    Na região Norte, as precipitações no Tocantins e em parte do sul e noroeste do Pará estimularam o avanço da semeadura e o crescimento das culturas de verão. Contudo, áreas do nordeste paraense enfrentaram limitações devido à combinação de calor intenso e chuvas irregulares. No Nordeste, o Matopiba, que abrange porções de Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins, apresentou bons volumes, suficientes para impulsionar a semeadura e o desenvolvimento das lavouras. Porém, em partes do leste e centro do Maranhão, a chuva acumulada ainda ficou abaixo do ideal.