Tag: lavoura

  • Chuvas ameaçam qualidade da safra de café arábica

    Chuvas ameaçam qualidade da safra de café arábica

    O avanço da colheita do café arábica elevou a preocupação dos cafeicultores com o clima nas principais regiões produtoras. Segundo o Cepea, as chuvas recentes podem comprometer parte da qualidade dos grãos da safra atual.

    Ao mesmo tempo, as precipitações favorecem lavouras mais tardias e também beneficiam a próxima safra brasileira.

    No norte do Paraná, os pesquisadores do Cepea já identificaram pequena queda na qualidade do café colhido. Em Marília, no interior paulista, as chuvas volumosas também aumentaram a preocupação entre os produtores. Isso porque a umidade pode atingir os grãos caídos no solo e dificultar a colheita mecanizada. Além disso, o excesso de chuva pode elevar os riscos de perdas durante o processo de retirada dos grãos.

    Por outro lado, produtores do Sul de Minas Gerais relataram cenário mais tranquilo para a colheita atual. Agentes consultados pelo Cepea informaram que as chuvas devem ocorrer com menor intensidade na região mineira. Dessa forma, o clima não deve provocar danos relevantes à safra de café no Sul de Minas.

  • Showtec apresenta arsenal tecnológico para soja e milho

    Showtec apresenta arsenal tecnológico para soja e milho

    A Corteva Agriscience leva à Showtec Maracaju 2026 um pacote de tecnologias voltado ao aumento da produtividade das lavouras de soja e milho em Mato Grosso do Sul. Realizado entre os dias 19 e 21 de maio, em Maracaju (MS), a companhia apresenta soluções em sementes, defensivos químicos, biológicos, tratamento industrial de sementes e experiências imersivas voltadas ao produtor rural.

    Entre os destaques está o lançamento do programa Incrementa MS, desenvolvido em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul, Aprosoja MS, Fundação MS e Fundação Chapadão. A iniciativa busca elevar a produtividade agrícola por meio de estratégias agronômicas adaptadas às condições climáticas e produtivas do Estado.

    O programa nasceu com foco na cultura do milho, mas foi ampliado para a soja devido ao calendário produtivo sul-mato-grossense, marcado pela força da safrinha. Os primeiros resultados do projeto piloto apontam ganhos de produtividade associados à adoção de práticas de manejo alinhadas ao ambiente regional.

    A participação na Showtec ocorre em um momento estratégico para o agronegócio sul-mato-grossense. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Mato Grosso do Sul mantém posição de destaque na produção nacional de soja na safra 2025/26. Reforçando o peso econômico do setor para o Estado e para o País.

    Estrutura interativa e experiências imersivas

    A Corteva montou um estande integrado em formato de celeiro, reunindo todas as marcas e soluções do grupo em uma grande área demonstrativa. O espaço aposta em experiências sensoriais, realidade aumentada e conteúdos técnicos voltados ao manejo agrícola.

    Entre as atrações, os visitantes participam de um cinema imersivo que apresenta a jornada da lavoura, desde o planejamento do plantio até os desafios envolvendo pragas, doenças e plantas daninhas. A proposta é mostrar, na prática, como fungicidas, inseticidas, herbicidas, nematicidas, biológicos e tratamentos de sementes atuam no campo.

    Além das demonstrações tecnológicas, a programação inclui palestras técnicas sobre manejo de pragas, doenças, plantas daninhas, biológicos e tratamento industrial de sementes.

    Na área de pesquisa e desenvolvimento, a empresa apresenta novos nematicidas desenvolvidos com a molécula Reklemel, voltados ao controle seletivo de nematoides fitoparasitas sem comprometer organismos benéficos do solo.

    O portfólio de defensivos também inclui soluções como os inseticidas Expedition, Exalt e Intrepid Edge, além dos fungicidas Aproach Premium, Viovan e Vessarya. No segmento de herbicidas, os destaques são Gapper, Paxeo e Elevore.

    Sementes, biotecnologia e manejo integrado

    A companhia também reforça na feira o Sistema Enlist, plataforma que reúne sementes, biotecnologia, herbicidas e boas práticas agrícolas para manejo de plantas daninhas.

    Entre as cultivares adaptadas às condições de Mato Grosso do Sul estão materiais como 97Y70CE, BatalhaCE, 66E, FúriaCE e 64K67CE. A marca Cordius também apresenta variedades desenvolvidas para a região de Maracaju com foco em estabilidade produtiva e tolerância a doenças.

    No segmento de milho, a Brevant Sementes leva híbridos voltados tanto para safra verão quanto para safrinha. Enquanto a Pioneer, que celebra 100 anos de atuação global e mais de 50 anos no Brasil, apresenta novos híbridos com foco em produtividade e tolerância ao estresse hídrico.

    Outro eixo da participação da empresa é o tratamento industrial de sementes por meio da marca LumiGEN, que reúne soluções em fungicidas, inseticidas, bioestimulantes e bionematicidas para milho e sorgo.

    Biológicos ganham espaço no manejo agrícola

    A Corteva também amplia sua presença no segmento de biológicos durante a Showtec. Entre os destaques está o Utrisha N, solução baseada na bactéria Methylobacterium symbioticum, desenvolvida para fixação biológica de nitrogênio em culturas como soja, milho e batata.

    O produto será apresentado em uma experiência de realidade aumentada, na qual o produtor poderá visualizar o funcionamento da tecnologia dentro da planta.

    Outro lançamento da empresa é o Re-Up, potencializador nutricional voltado às culturas de soja, milho e algodão. Segundo a companhia, a solução auxilia no fortalecimento das plantas diante de condições de estresse, contribuindo para ganhos de eficiência e produtividade.

    Além das tecnologias para o campo, a Corteva também apresenta durante a feira o Programa Lidera, plataforma de relacionamento voltada à aquisição de insumos. O sistema permite ao produtor acumular pontos na compra de produtos da companhia, convertendo-os em benefícios, vouchers e premiações.

  • Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Como 18 dias sem chuva não derrubaram 135 sacas de soja

    Enquanto a média nacional da soja no Brasil ronda cerca de 60 sacas por hectare, um grupo de produtores já está chegando a 90, 100 e até mais de 130 sacas por hectare. O que separa essas lavouras não é a semente, mas uma mudança radical na forma de pensar a calagem e a fertilidade do solo. O ponto central é um nutriente ainda pouco valorizado: o magnésio, analisado pela saturação na CTC em diferentes camadas do perfil

    O método que destrava a produtividade da soja (e o que você está ignorando no solo)

    O agrônomo Leandro Barcelos, por trás do recorde de 135,49 sacas por hectare da Agro Mallon no CESB 2025, defende que o limite produtivo da soja está menos na planta e mais na lógica herdada desde a década de 1990. A calagem tradicional foca em elevar o pH e o cálcio na camada de 0 a 20 cm, como se o solo fosse apenas um piso úmido.

    Barcelos propõe outro caminho: desenhar a arquitetura química do perfil do solo, com cálculo por saturação de magnésio na CTC nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm. Segundo ele, o foco quase exclusivo no cálcio mascara o fato de que o magnésio é o fator limitante em boa parte das fazendas. Solos tecnicamente “corrigidos” podem estar travando o sistema radicular por falta de equilíbrio entre cálcio e magnésio.

    Sem esse equilíbrio, a planta trava a clorofila e perde a capacidade de absorver fósforo, mesmo quando o nutriente é aplicado em doses altas. O produtor pode usar o melhor adubo do mercado, mas a porta de entrada da planta continua semi‑fechada.

    Magnésio na CTC: a porta de entrada

    A lógica de saturação de magnésio na CTC coloca o nutriente no centro da decisão de calagem. O carbonato de magnésio, por exemplo, tem maior dificuldade de dissociação que o do cálcio. Se o produtor não domina essa dinâmica, o investimento fica parado na superfície e não vira produtividade.

    Construir um perfil químico em profundidade elimina a “barreira invisível” que condena a soja a explorar só a superfície. Isso reflete diretamente na capacidade da planta de acessar água em camadas mais profundas. O resultado é um sistema radicular mais verticalizado, com raízes que descem até cerca de 1,5 metro, em vez de se espalharem apenas perto do solo.

    A planta sai da estaca zero com mais força, preparada para janelas de estresse hídrico. Barcelos compara com um produtor que investe fortunas em fertilizantes de última geração, mas deixa a porta de entrada da planta bloqueada. O resultado é lavoura morrendo de sede com água logo abaixo, porque o solo foi tratado como um depósito de insumos, não como um sistema biológico vivo.

    Como 18 dias de veranico não abateram 135 sacas/ha

    A prova de fogo do método veio na safra 2024/25, na Fazenda Santa Bárbara (Canoinhas/SC), unidade da Agro Mallon. O produtor Charles Adriano Breda colheu 135,49 sacas por hectare mesmo com 18 dias seguidos sem chuva. Para Barcelos, essa resiliência hídrica não é sorte e sim consequência direta da correção do perfil do solo.

    Com magnésio e cálcio equilibrados, a soja consegue aprofundar o sistema radicular e acessar o CAD em camadas de até 1,5 metro de profundidade. Esse comportamento vertical é o que sustenta a produtividade em períodos de estresse. Um ponto pouco explorado é a relação entre potássio e magnésio na CTC. Muitos produtores aumentam o K para ganhar peso de grão, mas sem magnésio adequado, ocorre inibição competitiva.

    Os nutrientes competem entre si e a planta perde produtividade. Essa combinação, aliada ao ajuste de calagem e adubação, fez a lavoura de Breda superar a média nacional de censo, em torno de 59 sacas por hectare, e a média auditada do CESB, próxima de 96 sacas por hectare. A fazenda se tornou campeã nacional de produtividade de soja sequeira.

    Histórias reais: de 60 para 90, 100 e mais

    A metodologia de “A Raiz da Solução” já é testada em dezenas de fazendas, com ganhos estruturais de produtividade mesmo em safra de clima apertado. No Cerrado Mineiro, o engenheiro agrônomo e produtor Eduardo Primon conta que o manejo focado em raiz e fisiologia elevou a média da fazenda de 70 para 90,5 sacas por hectare. Em áreas monitoradas, a lavoura chegou a 107 sacas por hectare.

    A estratégia passa por preparar a planta para o “embate” contra o clima ainda na fase de planejamento. O ajuste de fertilidade, calagem e profundidade do sistema radicular é feito antes do plantio. No Rio Grande do Sul, Márcio Natalli partiu de uma média de 60 sacas por hectare e chegou a 90 sacas graças ao investimento em construção do perfil do solo. Enquanto vizinhos sentiam o impacto do veranico, sua soja permanecia verde e a procurar água no fundo.

    Isso só é possível porque o sistema radicular atua onde o manejo comum não chega. Em Goiás, Francisco Luçardo também rompeu a barreira de 70 sacas, atingindo 100 sacas por hectare com ajuste nutricional profundo. A mensagem é a mesma: não basta colocar adubo; é preciso garantir que o solo esteja equilibrado em profundidade para que a planta absorva tudo o que é oferecido. O investimento vira saca, e saca vira lucro.

    Sair do “balcão” e virar engenheiro da própria lavoura

    Para Leandro Barcelos, o maior gargalo não é falta de tecnologia, e sim a dependência de pacotes prontos de revendedor. O produtor precisa parar de ficar na mão do balcão de vendas e de aceitar receitas que nem sempre a terra dele precisa. Lucratividade máxima só vem quando ele conquista independência técnica.

    Isso significa saber olhar para a análise de solo e decidir, com critério, o que vai aplicar, quando, qual fonte e em qual momento. É essa autonomia que sustenta a produtividade real, ajustada ao tempo e ao orçamento de cada fazenda. Parte dessa independência passa por capacitação técnica.

    Especialista em fertilidade do solo e fisiologia vegetal com mais de 40 anos de vivência no campo, Leandro Barcelos é o consultor agronômico por trás da conquista do último campeonato nacional de produtividade de soja do CESB 2025.

    Barcelos lança uma série gratuita de três aulas online, “As Verdades Ocultas para Colher Mais Soja”. Ela serve como porta de entrada para o evento presencial “ARDS Experience” e para o programa “A Raiz da Solução 2.0”. O objetivo é ajudar o produtor a construir um perfil de solo resiliente, atingir produtividades de três dígitos e respeitar sempre custo‑benefício e lucratividade.

  • O que ninguém te contou: plantas podem memorizar a seca

    O que ninguém te contou: plantas podem memorizar a seca

    As plantas não apenas reagem ao ambiente. Na verdade, elas também aprendem com ele. Um estudo recente da Unesp mostra que plantas conseguem “memorizar” eventos estressantes e, dessa forma, ajustar suas respostas no futuro. Esse avanço, portanto, pode abrir novas estratégias para o agronegócio brasileiro.

    Além disso, a descoberta chega em um momento decisivo. Com o aumento de secas e ondas de calor, produtores buscam alternativas para manter produtividade e reduzir riscos no campo. Nesse contexto, entender como as plantas se adaptam se torna essencial.

    Como funciona a memória das plantas

    Embora não possuam sistema nervoso, as plantas desenvolveram mecanismos altamente sofisticados. Nesse sentido, elas registram experiências anteriores de estresse, como falta de água, e ajustam seu funcionamento.

    Por exemplo, pesquisas com sorgo mostram que plantas expostas a estresse hídrico recorrente apresentaram melhor desempenho fisiológico. Além disso, os estudos identificaram:

    • Maior eficiência fotossintética
    • Melhor conservação do sistema fotoquímico
    • Ajustes nas relações hídricas

    Como resultado, essas plantas conseguem sobreviver melhor em condições adversas. Ao mesmo tempo, elas mantêm níveis mais estáveis de produtividade.

    Outro ponto importante envolve os mecanismos antioxidantes. Durante o estresse, enzimas como SOD, CAT e APX entram em ação. Dessa forma, elas reduzem danos celulares e fortalecem a resistência da planta.

    Clima extremo acelera a necessidade de adaptação

    Atualmente, eventos climáticos extremos ocorrem com mais frequência. Por isso, estresses como seca, salinidade e calor intenso impactam diretamente a produção agrícola.

    Nesse cenário, a capacidade de adaptação rápida se torna um diferencial competitivo. Além disso, plantas que já passaram por estresse tendem a responder melhor quando enfrentam novas adversidades.

    Por outro lado, essas mesmas plantas também se recuperam mais rápido. Quando as condições melhoram, como no retorno das chuvas, elas retomam o crescimento com maior eficiência.

    Assim, o ciclo produtivo se torna mais estável, mesmo diante de variações climáticas.

    Impactos diretos para o agronegócio

    A descoberta não fica restrita ao campo científico. Pelo contrário, ela já aponta caminhos práticos para o produtor rural.

    Em primeiro lugar, programas de melhoramento genético podem priorizar plantas com maior capacidade de adaptação. Dessa forma, novas cultivares tendem a ser mais resistentes. Além disso, o manejo agrícola pode evoluir. Técnicas como irrigação controlada, por exemplo, podem estimular respostas adaptativas nas plantas.

    Outro benefício importante envolve a redução de perdas. Em períodos críticos, lavouras mais preparadas sofrem menos impacto.

    Ao mesmo tempo, produtores podem otimizar o uso de insumos. Como resultado, há maior eficiência no uso de água e nutrientes, o que reduz custos.

    Epigenética impulsiona a agricultura do futuro

    A chamada memória vegetal está ligada à epigenética. Ou seja, trata-se de mudanças na expressão dos genes sem alterar o DNA.

    Nesse sentido, a planta cria uma espécie de histórico biológico. Assim, ela consegue responder de forma mais rápida a novos estresses. Além disso, esse processo envolve diferentes níveis, como expressão gênica, produção de protéinas e ajustes metabólicos.

    Portanto, a epigenética se consolida como uma das áreas mais promissoras para inovação no agro.

    Oportunidade estratégica para o Brasil

    O Brasil pode se beneficiar diretamente dessa descoberta. Afinal, o país depende fortemente de culturas sensíveis ao clima, como soja, milho e cana-de-açúcar.

    Nesse cenário, lavouras mais resilientes aumentam a previsibilidade da produção. Além disso, reduzem riscos associados às mudanças climáticas. O setor ganha mais estabilidade econômica e ao mesmo tempo, o produtor se torna menos vulnerável a perdas inesperadas.

    Ciência que já começa a transformar o campo

    A ideia de que plantas aprendem com o ambiente deixa de ser apenas teoria. Na prática, ela já aponta caminhos concretos para o agronegócio.

    Assim, ao integrar ciência e manejo, o produtor ganha eficiência e segurança. Além disso, prepara sua lavoura para um cenário climático cada vez mais desafiador.

    Portanto, a memória vegetal pode se tornar uma aliada estratégica. E, nesse novo cenário, quem adotar essas práticas primeiro tende a sair na frente.

  • Clima favorece lavouras de trigo no RS

    Clima favorece lavouras de trigo no RS

    As lavouras de trigo no Rio Grande do Sul entraram na fase reprodutiva com condições climáticas ideais. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (14/08), 4% da área já está florescendo, enquanto 96% permanece em desenvolvimento vegetativo.

    Chuvas regulares, aliadas a períodos de sol intenso e temperaturas baixas desde julho, garantem um crescimento mais vigoroso das plantas. As lavouras exibem coloração verde intensa e densidade populacional adequada, com número de afilhos superior ao da safra passada – sinal de maior potencial produtivo.

    Adubação e manejo reforçam produtividade

    Os agricultores finalizam a adubação nitrogenada, etapa crucial para suprir as necessidades nutricionais do trigo. Em áreas com desenvolvimento inicial lento, a umidade do solo em níveis ideais acelerou a recuperação.

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    O estado fitossanitário das lavouras é excelente, sem pragas ou doenças significativas. O controle de plantas daninhas segue o calendário técnico, evitando competição por recursos. Aplicações preventivas de fungicidas também avançam, especialmente em regiões que já iniciaram a floração.

    A Emater/RS-Ascar projeta uma área cultivada de 1.198.276 hectares no estado, com produtividade estimada em 2.997 kg/ha. Se as condições atuais se mantiverem, a safra pode superar as expectativas.

     

  • Lagartas invencíveis: pragas podem dizimar até 60% da lavoura antes da colheita

    Lagartas invencíveis: pragas podem dizimar até 60% da lavoura antes da colheita

    Produtores rurais enfrentam uma escalada nos ataques de lagartas que, em casos extremos, podem dizimar mais da metade da lavoura antes da colheita. O problema se agrava com a resistência crescente dessas pragas aos inseticidas químicos e biotecnológicos, como as variedades Bt. Aliado a isso, o clima favorável e falhas no manejo integrado aumentam a incidência de infestações em culturas como milho, soja, algodão e feijão.

    As principais responsáveis por esse cenário são as lagartas do gênero Spodoptera frugiperda, popularmente conhecidas como lagarta-do-cartucho, e Helicoverpa zea, a lagarta-da-espiga. Presentes em praticamente todas as regiões produtoras, elas atacam diretamente estruturas vitais para a produção, como espigas, vagens e botões florais.

    Segundo o engenheiro agrônomo Jorge Silveira, coordenador comercial da Sell Agro, a Helicoverpa zea pode provocar perdas que variam de 10% a 50%, dependendo do nível de infestação e da eficiência do controle adotado. “Ela perfura as estruturas reprodutivas, além de abrir caminho para a entrada de patógenos, o que agrava ainda mais os danos”, afirma.

    Já a Spodoptera frugiperda preocupa especialmente produtores de milho, mas também ataca soja, algodão e pastagens. A lagarta tem alimentação intensa, reduz a área foliar responsável pela fotossíntese e pode atrasar o desenvolvimento das plantas ou mesmo levá-las à morte. “Em infestações severas, as perdas podem ultrapassar 60% em lavouras sem manejo adequado. Em regiões tropicais, onde o ciclo da lagarta ocorre o ano inteiro, o impacto tende a ser ainda maior”, destaca Silveira.

    Uso de desalojantes reforça controle e amplia eficiência dos inseticidas

    A resistência crescente das lagartas a produtos químicos e transgênicos torna indispensável a adoção de estratégias complementares. Entre as ferramentas disponíveis, os desalojantes têm ganhado espaço no manejo das infestações. Esses produtos atuam irritando o sistema dérmico e olfativo das lagartas, obrigando-as a sair dos abrigos e expondo-as aos inseticidas aplicados.

    Um exemplo é o UPSIDE, desenvolvido pela Sell Agro, que não contém enxofre e pode aumentar em até 40% a eficiência das aplicações. “Seu princípio ativo permanece ativo por até 72 horas, o que garante uma cobertura mais ampla e efetiva no campo”, explica Silveira. O especialista ressalta que o produto mostra melhores resultados no início da infestação, quando os danos ainda não são visíveis, por isso o monitoramento constante da lavoura é essencial.

    Monitoramento e manejo integrado continuam fundamentais

    Além do uso de desalojantes, a recomendação técnica reforça a importância do manejo integrado de pragas (MIP), que inclui práticas como rotação de culturas, eliminação de plantas voluntárias e adoção de variedades resistentes, para reduzir o ciclo das lagartas e manter as populações sob controle.

    Foto: Divulgação Sell Agro

    Com o avanço das infestações e a evolução da resistência, produtores que investem em soluções integradas conseguem minimizar as perdas e proteger a rentabilidade. “O manejo precisa ser planejado, monitorado e ajustado ao longo do ciclo, sempre com acompanhamento técnico, para evitar prejuízos irreversíveis”, orienta Silveira.

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  • Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    A Embrapa Agrossilvipastoril concluiu o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em Sinop (MT). As pesquisas ofereceram dados fundamentais para o uso de árvores nesses sistemas produtivos.

    Decisões baseadas em fatores técnicos

    A estratégia de uso das árvores em sistemas ILPF varia conforme o interesse do produtor. Fatores como destinação da madeira, mercado consumidor, forma de colheita e uso das árvores influenciam as decisões. Ou seja, cada projeto é único, mas deve-se basear em fundamentos técnicos da pesquisa.

    A pesquisa usou eucalipto (clone H13) devido ao rápido crescimento e múltiplos usos. As árvores foram testadas em sistemas ILF, IPF e ILPF, além da monocultura como controle. O plantio inicial ocorreu em renques de três linhas, espaçadas a 30 metros. Os pesquisadores reduziram algumas linhas a uma única linha espaçada a 37 metros.

    Produção de madeira

    Nos 12 anos, os sistemas integrados produziram entre 87 m³ e 114 m³ de madeira por hectare. A produção variou conforme o número de árvores mantidas. Mais árvores resultaram em menor produção de grãos e forragem. “A produtividade do sistema deve ser considerada globalmente”, destaca o pesquisador Maurel Behling.

    A área testemunha com monocultura de eucalipto produziu 350 m³/ha, dentro da média do H13 em Mato Grosso, que é de 32 m³/ha.

    Crescimento e acúmulo de carbono

    Os dados de crescimento mostraram o efeito bordadura nas árvores externas, que recebiam mais luz e nutrientes. No sistema ILPF, o efeito bordadura foi mais evidente nos renques triplos. Além disso, esse sistema também acumulou mais carbono, chegando a 30 kg/ano por árvore, acima dos 20 kg/ano na monocultura.

    Recomendações práticas

    Os resultados oferecem subsídios para o planejamento de sistemas ILPF. Se o objetivo é adicionar renda ou melhorar o conforto térmico do gado, recomenda-se linhas simples. Para maior número de árvores, é possível usar renques de múltiplas linhas. A análise do mercado consumidor da madeira é crucial no planejamento do sistema.

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    Fim de um ciclo, início de outro

    O primeiro ciclo de ILPF com foco em pecuária e grãos termina com o corte dos eucaliptos após 12 anos. Ainda restam 3.666 árvores em 43 hectares. A venda da madeira pode render até 514 mil reais, sem contar a produção de carne e grãos.

    O próximo experimento incluirá teca, além do eucalipto. A combinação das duas espécies será testada, visando melhorar o conforto térmico e escalonar as receitas.

    Maior experimento mundial

    O experimento de ILPF da Embrapa é um dos maiores do mundo, com 72 hectares e dez tratamentos distintos. Desde 2011, pesquisadores analisam solo, água, microclima, forragicultura, sanidade animal e vegetal, microbiologia e emissão de gases de efeito estufa.

    Entre os resultados está o Sistema PPS (Precocidade, Produtividade e Sustentabilidade), que usa ILP e IPF para manejo da pecuária de cria.

     

  • Mosca negra dos citros: saiba como combater a praga

    Mosca negra dos citros: saiba como combater a praga

    A mosca negra dos citros (Aleurocanthus woglumi) é um inseto sugador que comumente infesta plantas do gênero Citrus, causando danos direto e indireto. Entre os problemas ocasionados por ela estão impedir o desenvolvimento da planta, a produção dos frutos e a redução da capacidade de fazer fotossíntese da planta, podendo levá-la a morte.

    A disseminação da praga ocorre por transporte de material vegetal, principalmente plantas ornamentais, pelo homem e carregada pelo vento. As espécies de citros são os principais hospedeiros da praga, mas ela também pode infestar mais de 300 espécies de plantas, incluindo abacateiro, cajueiro, videira, goiabeira, mamoeiro, pereira, plantas ornamentais e daninhas, sendo transportadas facilmente entre regiões, conforme informções do site da Fundecitrus.

    mosca negra do citrus
    Reprodução – Fundecitrus

    Ela representa uma ameaça significativa para os pomares de citros no Brasil, podendo causar prejuízos expressivos à produção agrícola. Originária da Ásia, a praga se espalhou para diversas regiões produtoras de citros, comprometendo a qualidade e a quantidade dos frutos.

    Como evitar e combater a mosca negra?

    O monitoramento regular, com Inspeções frenquentes dos pomares detecta precocemente a presença da praga. Instalar barreiras físicas, como telas de proteção nas estufas, evita a entrada da mosca.

    Manter as plantas bem nutridas e irrigadas aumenta sua resistência natural às pragas. Ter mudas de procedência também é importante. Portanto, é fundamental adquirir mudas de fornecedores certificados, garantindo que estejam livres de pragas.

    Caso a praga já tenha infestado a sua plantação, existem várias opções para combate-la. Introduzir predadores naturais, como joaninhas e crisopídeos, que se alimentam das larvas e pupas da mosca negra faz o controle biológico da infestação. Entretanto, aplicar óleos minerais nas folhas e frutos é também uma opção para sufocar os ovos e larvas.

    Aplicar inseticidas específicos contra a mosca negra, sempre respeitando as dosagens recomendadas para evitar danos ao meio ambiente e à saúde humana é uma opção. E por fim, remover e destruir plantas severamente infestadas para impedir a disseminação da praga é a opção final.

    A adoção dessas práticas pode ajudar a controlar e reduzir a população da mosca negra dos citros, garantindo a saúde e produtividade dos pomares. Ademais, o manejo integrado de pragas, combinando diferentes métodos de controle, se mostra a abordagem mais eficaz para combater essa ameaça.

  • Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Projeto brasileiro: conheça pesquisa que permite alugar abelhas

    Alugar colmeias de abelhas sem ferrão para aumentar a produtividade da lavoura. Esta é a nova ferramenta já disponível aos produtores, que pretendem substituir a espécie Apis mellifera: a abelha com ferrão representa risco para trabalhadores rurais, além de ser menos eficiente em todas as culturas.

    Com o objetivo de aumentar a polinização nas lavouras,  a Embrapa desenvolveu uma tecnologia para multiplicação de colônias de abelhas sem ferrão. Portanto, a investida vai ampliar a produção de rainhas e colmeias para uso da polinização agrícola.

    A solução permite produzir – in vitro – cerca de 2 mil rainhas por mês a partir de uma única colônia, além de colmeias em escala comercial para culturas como berinjela, morango e tomate.

    Aluguel de Colmeias

    Divulgação – Epagri

    A solução é direcionada a meliponicultores, instituições e empresas de planejamento, transferência de tecnologia, extensão e assistência técnica. A tecnologia está disponível para transferência e capacitação, fortalecendo a meliponicultura e qualificando os meliponicultores.

    O projeto foi desenvolvido pela Embrapa em parceria com outras instituições, ampliando as possibilidades de uso em polinização agrícola.

    Abelhas sem Ferrão: Um Mundo Fascinante

    No Brasil, existem centenas de espécies de abelhas sem ferrão. Elas são conhecidas como indígenas e são fundamentais para a biodiversidade dos biomas brasileiros. De acordo com os estudos, as abelhas são responsáveis por polinizar cerca de 90% das espécies da Mata Atlântica.

    Características e Hábitos

    Primeiramente, é preciso saber: essas espécies de abelhas têm ferrão, mas é atrofiado. Portanto, é o que torna essas abelhas incapazes de ferroar. Dessa forma, não há problemas em criadar as abelhas sem ferrão nos quintais das casas, praças e áreas urbanas. Por isso, elas já são tão vistas nas cidades. No ambiente natural, as abelhas se alojam em cavidades de árvores, ninhos abandonados de cupins ou formigas ou em galhos.

    Organização Social

    A organização social das abelhas sem ferrão é composta por operárias que mantém a colmeia, alguns zangões e uma rainha, responsável pela postura, nascimento de novas abelhas e manutenção da colônia unida. Sendo assim, as colônias vivem em caixas pequenas, disponibilizadas pelo meliponicultor, e ali mantêm o controle da produção e a família fortalecida.

    Meliponicultura

    A meliponicultura é a criação racional de abelhas sem ferrão. Ela é uma alternativa de geração de renda em muitas propriedades. As abelhas sem ferrão são dóceis e de fácil manejo. Isso torna a produção dessas colmeia uma opção atraente para produtores. Além disso, a meliponicultura contribui para a conservação da biodiversidade e a produção de produtos como mel, própolis, geoprópolis, pólen e cera.

    Divulgação – Embrapa/Ronaldo Rosa

    Importância

    Essas abelhas são fundamentais para a reprodução de muitas plantas com flores, promovendo a polinização cruzada e a formação de frutos e sementes. Portanto, sem a colaboração dessas abelhas, a reprodução de muitas plantas com flores têm impacto negativo, ocasionando uma diminuição em suas populações, podendo inclusive chegar à extinção.