Tag: lagarta-do-cartucho

  • Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    Milho safrinha exige monitoramento constante no Sul de Minas

    O milho safrinha 2025/2026 entra em uma fase decisiva no Sul de Minas Gerais, exigindo atenção redobrada dos produtores diante de desafios que podem impactar diretamente a produtividade das lavouras. A irregularidade das chuvas, o avanço de pragas e os reflexos do plantio realizado fora da janela ideal estão entre os principais fatores de preocupação nesta etapa do ciclo produtivo.

    Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam expectativa de produção de 108,4 milhões de toneladas para a segunda safra de milho no Brasil. Na região sul-mineira, porém, o cenário apresenta diferentes realidades, com lavouras em estágios variados de desenvolvimento devido aos atrasos registrados na colheita da soja, que influenciaram o calendário de semeadura em diversas propriedades.

    Segundo Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, empresa especializada em armazenagem e comercialização de grãos, o momento exige acompanhamento frequente das áreas cultivadas para evitar perdas e garantir melhores resultados na colheita.

    “Cada produtor vive uma realidade diferente nesta safrinha. Quem conseguiu semear dentro da janela adequada tem lavouras mais uniformes e com melhor potencial produtivo. Quem atrasou o plantio precisa estar ainda mais atento ao clima e ao avanço de pragas, porque qualquer descuido nessa fase pode comprometer o resultado final”, afirma.

    Clima e pragas aumentam preocupação no campo

    Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores está a instabilidade climática. A ocorrência irregular de chuvas durante fases importantes da cultura, como florescimento e enchimento de grãos, pode reduzir significativamente o potencial produtivo, principalmente nas áreas semeadas mais tarde.

    Além disso, as condições de calor e umidade observadas em parte da região favorecem a proliferação de pragas. A lagarta-do-cartucho continua sendo uma das principais ameaças ao milho safrinha, exigindo monitoramento constante e rápida adoção de medidas de controle quando identificada nas lavouras.

    De acordo com Castelli, a combinação entre planejamento e acompanhamento técnico é fundamental para minimizar riscos ao longo do ciclo produtivo.

    “O milho é uma cultura com grande importância econômica para o Sul de Minas. Planejamento, acompanhamento constante e decisões rápidas no campo fazem diferença para que o produtor consiga aproveitar melhor o potencial da safra e as oportunidades de comercialização”, destaca.

    Mercado também requer atenção

    Além dos desafios agronômicos, os produtores acompanham com atenção o comportamento do mercado. A volatilidade dos preços do milho continua sendo influenciada pelo desempenho da segunda safra em âmbito nacional. Fator que pode alterar estratégias de comercialização ao longo dos próximos meses.

    Nesse contexto, especialistas recomendam que o produtor mantenha acompanhamento não apenas das condições das lavouras, mas também das cotações do cereal. A definição do melhor momento para negociar a produção pode contribuir para ampliar a rentabilidade e reduzir impactos provocados pelas oscilações do mercado.

    Com lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento e um cenário ainda dependente das condições climáticas das próximas semanas, a safrinha de milho no Sul de Minas segue cercada de desafios. O acompanhamento técnico permanente e a tomada de decisões rápidas serão determinantes para o desempenho da safra. E para os resultados econômicos obtidos pelos produtores da região.

  • Como aplicar Baculovírus corretamente para controlar lagartas na soja, milho e algodão

    Como aplicar Baculovírus corretamente para controlar lagartas na soja, milho e algodão

    O Baculovírus controla lagartas por ingestão: ao consumir folhas tratadas, o inseto ingere o vírus, que se multiplica no seu interior e provoca a morte. O processo é seletivo, ou seja, não afeta outros organismos nem humanos. O que consolida o agente biológico como ferramenta estratégica no Manejo Integrado de Pragas (MIP).

    Tegumento da lagarta. Foto: Divulgação

    O pesquisador da Embrapa Dr. Fernando Valicente, pioneiro nos estudos do Baculovírus no Brasil, apresentou orientações técnicas detalhadas durante encontro virtual com produtores promovido pela Promip, empresa brasileira especializada em controle biológico de pragas.

    Protocolo de aplicação

    Para garantir eficiência, o produtor deve seguir critérios técnicos específicos. A recomendação é usar bico leque e atingir volume de calda entre 100 e 120 litros por hectare. Volumes menores funcionam, desde que a cobertura das plantas seja adequada.

    Outros pontos críticos incluem: o uso de espalhante adesivo para melhorar a aderência do produto às folhas, ajuste do pH da calda entre 5 e 7, e aplicação a partir das 16h, horário em que as lagartas iniciam a alimentação. O momento ideal de aplicação fica entre seis e dez dias após a germinação da cultura.

    Como a ciência avalia a eficiência

    A metodologia científica para avaliar o Baculovírus começa com a coleta de lagartas em campo, em diferentes estágios de desenvolvimento. Os insetos vão para laboratório, em ambiente controlado, onde pesquisadores os monitoram por no mínimo sete dias após a aplicação. Esse período permite observar os efeitos do vírus em lagartas recém-nascidas, pequenas e em estágios avançados.

    “A avaliação correta da eficiência exige o cumprimento de todas as etapas de verificação. Só assim é possível confirmar o nível de controle obtido e ajustar as estratégias de manejo”, afirmou Valicente.

    Quatro décadas de pesquisa brasileira

    Os estudos com Baculovírus na Embrapa começaram nos anos 1980, com foco na lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), uma das principais pragas do milho no Brasil. O trabalho de Valicente foi decisivo para transformar uma solução experimental em ferramenta comercial viável.

    A parceria entre a Embrapa e empresas privadas resultou em formulações em pó molhável, com maior vida útil e flexibilidade de uso. Entre os materiais disponíveis, destacam-se o isolado 19 e o isolado 6, com comportamentos distintos após a infecção.

    Diferença entre isolados

    O isolado 19 rompe o tegumento da lagarta, sua camada externa, logo após a infecção, liberando grande quantidade de partículas virais no ambiente e favorecendo a disseminação natural do vírus na lavoura. O isolado 6 também age sobre o tegumento, mas de forma mais lenta: a ruptura ocorre entre oito e dez dias após a infecção.

    Marcelo Poletti, CEO da Promip/Dr. Fernando Valicente, pesquisador da Embrapa. Foto: Divulgação

    Para Marcelo Poletti, CEO da Promip, a iniciativa reforça o compromisso de levar informação técnica qualificada ao campo. “O Baculovírus é uma ferramenta extremamente eficiente, mas, como toda solução biológica, exige conhecimento e precisão na aplicação para alcançar o máximo desempenho”, disse.

  • Cientistas descobrem como milho atrai lagarta-do-cartucho

    Cientistas descobrem como milho atrai lagarta-do-cartucho

    Uma pesquisa inovadora desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desvendou o mecanismo químico que explica a atração entre o milho e uma de suas principais ameaças: a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). O estudo, publicado no periódico científico Journal of Pest Science, representa um avanço significativo no combate a essa praga que causa prejuízos milionários à agricultura brasileira.

    A descoberta vai além da identificação do problema. Os pesquisadores comprovaram cientificamente que a crotalária (Crotalaria spectabilis), planta tradicionalmente utilizada por alguns agricultores como companheira do milho, funciona como uma barreira natural eficaz contra a praga. A validação científica dessa prática abre caminho para alternativas sustentáveis e economicamente viáveis, especialmente para pequenos e médios produtores.

    O “perfume” que atrai a praga

    A pesquisa, liderada pela mestranda Bruna Sartório de Castro sob supervisão da pesquisadora Maria Carolina Blassioli-Moraes, da Embrapa, identificou 12 compostos voláteis específicos que o milho infestado libera no ambiente. Esses “perfumes” químicos funcionam como sinais de atração para as fêmeas da lagarta-do-cartucho, que localizam as plantas para depositar seus ovos.

    “O objetivo desse novo trabalho foi entender qual seria o mecanismo para esse efeito. Queríamos avaliar se a crotalária poderia emitir algum composto volátil para repelir o inseto ou se era apenas uma barreira física”, explica Blassioli. O estudo atual é um desdobramento de duas pesquisas anteriores realizadas pela Embrapa Milho e Sorgo (MG) e pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Que já haviam observado resultados positivos do uso da crotalária em laboratório e no campo.

    Crotalária: proteção natural e acessível

    A grande revelação da pesquisa foi comprovar que a crotalária não atrai a lagarta-do-cartucho por produzir uma composição de voláteis completamente diferente da emitida pelo milho. Na prática, isso significa que a planta funciona como uma barreira física que protege naturalmente a lavoura, sem necessidade de produtos químicos.

    Essa solução de baixo custo surge como alternativa viável aos métodos convencionais, como o milho geneticamente modificado (milho Bt), que pode apresentar custos elevados e riscos de desenvolvimento de resistência da praga ao longo do tempo. A estratégia é particularmente relevante para cultivos orgânicos e sistemas agroecológicos.

    Crotalária – Foto: Ana Lúcia Ferreira/Embrapa

    Embora alguns produtores brasileiros já utilizem a crotalária empiricamente, a pesquisa fornece pela primeira vez a base científica que explica o sucesso da técnica. “Esse conhecimento é crucial para que, no futuro, o melhoramento genético das plantas não afete essa interação benéfica com outros organismos”, destaca a pesquisadora da Embrapa.

    Da teoria à prática: testes em larga escala

    O próximo passo da equipe científica é levar os conhecimentos adquiridos em laboratório para aplicação prática no campo. Os pesquisadores planejam trabalhar diretamente com pequenos produtores, propondo e acompanhando experimentos que validem o uso da crotalária em escala comercial.

    “Essa colaboração não só irá testar a eficácia da técnica em diferentes condições de cultivo. Mas também fornecerá dados práticos para aprimorar as estratégias de manejo integrado”, complementa Blassioli.

    Novas tecnologias no horizonte

    A identificação dos compostos atrativos do milho abre portas para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras no manejo integrado de pragas (MIP). Uma das possibilidades mais promissoras é a criação de iscas sintéticas à base dos voláteis identificados, que poderiam atrair as mariposas para armadilhas específicas. Portanto, reduzindo drasticamente a necessidade de inseticidas.

    “Embora tenhamos identificado 12 compostos, é provável que exista uma redundância. Se conseguirmos reduzir essa mistura para um número menor de substâncias, a produção de um bioinsumo se torna mais viável economicamente”, pontua Blassioli. A pesquisadora sugere ainda que, futuramente, esses compostos poderiam ser utilizados para modificar outras plantas, fazendo com que produzam diferentes combinações de voláteis capazes de confundir a praga.

    Metodologia científica rigorosa

    Para validar as descobertas, a equipe formada por Carolina Blassioli, Miguel Borges e Raul Laumann utilizou uma abordagem em duas etapas. Assim, primeiro, empregaram a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (GC-MS), técnica analítica que permite separar e identificar os diferentes compostos emitidos pelas plantas.

    Na segunda fase, os pesquisadores testaram as respostas comportamentais das mariposas em laboratório utilizando um túnel de vento, equipamento que simula condições ambientais controladas. As fêmeas da lagarta-do-cartucho foram expostas a três estímulos diferentes. O odor do milho infestado, o aroma da crotalária e uma mistura sintética dos compostos identificados.

    Os resultados foram conclusivos: as mariposas voaram em direção ao cheiro do milho e à mistura sintética, confirmando que as substâncias identificadas são as responsáveis pela atração. Por outro lado, não demonstraram interesse pelo aroma da crotalária. Essa dupla validação química e comportamental forneceu a base científica sólida para as conclusões do estudo.

    O desafio da lagarta-do-cartucho

    A Spodoptera frugiperda é considerada uma das pragas mais destrutivas para a agricultura brasileira. Segundo a Embrapa, o inseto é altamente polífago, atacando não apenas o milho, mas também culturas economicamente importantes como soja, algodão e arroz.

    De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a praga é especialmente voraz nas plantações de milho. Atacando a planta em todas as fases de desenvolvimento. As lagartas se alimentam das folhas e do cartucho, a parte central da planta, causando danos que podem levar à redução drástica na produtividade e, em infestações severas, à perda total da lavoura.

    A grande capacidade de adaptação do inseto, aliada ao seu ciclo de vida rápido e à capacidade de gerar múltiplas gerações em uma mesma safra, torna o controle da lagarta-do-cartucho um desafio constante para os produtores rurais. A pesquisa da UnB e Embrapa surge, portanto, como uma esperança concreta de soluções mais sustentáveis e economicamente viáveis para esse problema crônico da agricultura nacional.

  • IA detecta lagarta-do-cartucho e protege lavouras de milho contra prejuízos

    IA detecta lagarta-do-cartucho e protege lavouras de milho contra prejuízos

    A Embrapa Instrumentação (SP) criou um sistema que combina sensores de imagem e inteligência artificial para identificar a lagarta-do-cartucho, uma das pragas mais destrutivas da cultura do milho. O método analisa imagens digitais e reconhece a praga tanto nas folhas quanto nas espigas da planta.

    A tecnologia elimina a subjetividade dos métodos tradicionais, que exigem trabalho intensivo e dependem exclusivamente da observação humana. Produtores rurais podem agora contar com uma ferramenta automatizada que aumenta a precisão na detecção precoce da praga.

    Praga ameaça 70% da produção

    O milho figura entre os cereais mais cultivados globalmente, mas enfrenta uma ameaça séria: a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frungiperda). Pesquisadores da Embrapa estimam que o inseto pode destruir até 70% da produção quando não controlado adequadamente.

    O ataque ocorre em duas fases críticas do desenvolvimento da planta. A lagarta destrói o milho tanto durante o crescimento vegetativo quanto no período reprodutivo, comprometendo toda a safra.

    A revista Electronics publicou o estudo “Computational Intelligence Approach for Fall Armyworm Control in Maize Crop”, assinado por Alex Bertolla e Paulo Cruvinel. Os pesquisadores identificaram uma lacuna significativa entre os métodos atuais de detecção e os resultados necessários para o controle eficaz.

    “A discrepância entre o método atual de detecção e o resultado pretendido nos motivou a pesquisar uma alternativa para a detecção precoce de pragas em áreas cultivadas”, explica Bertolla.

    O estudo concentrou esforços no reconhecimento e classificação de padrões dinâmicos da lagarta-do-cartucho. Além do milho, a praga ataca outras culturas importantes como soja e algodão. A solução desenvolvida oferece aos agrônomos e laboratórios resultados mais precisos no monitoramento.

    Câmera simples captura imagens na lavoura

    A implementação da tecnologia não exige equipamentos caros. Produtores podem acoplar uma câmera fotográfica comum em implementos agrícolas para coletar imagens das lagartas durante as operações na lavoura.

    “A câmera não precisa ser de alto custo, é necessário apenas produzir imagens com boa resolução”, esclarece Bertolla. O sistema captura fotos das pragas presentes nas folhas e espigas enquanto as máquinas realizam outras tarefas no campo.

    O método integra múltiplas tecnologias: processamento digital de imagens e sinais, estatística multivariada, técnicas de aprendizado de máquina e visão computacional. Cruvinel explica que o aprendizado de máquina permite aos sistemas aprender com dados personalizados de treinamento para automatizar tarefas.

    “O aprendizado profundo também é um processo de aprendizado de máquina, mas baseado em redes neurais artificiais com um conjunto de camadas de propósito específico”, detalha o pesquisador.

    Os pesquisadores desenvolveram o algoritmo computacional em Python, linguagem amplamente utilizada em ciência de dados. O programa avalia imagens digitais de diferentes estágios de crescimento da lagarta, identifica seu nível de desenvolvimento e mede a frequência de ocorrência na área cultivada.

    Estudo analisa mais de 2 mil imagens

    A equipe avaliou 2.280 imagens de lagartas-do-cartucho em folhas e espigas de milho. O objetivo foi classificar cinco estágios distintos de desenvolvimento da praga durante o ciclo de produção.

    Os pesquisadores estruturaram o trabalho em quatro fases principais. A primeira etapa envolveu a aquisição e pré-processamento das imagens, incluindo tratamento, remoção de ruídos e padronização de cores.

    Na segunda fase, o sistema realizou a segmentação das imagens para extrair o fundo e destacar apenas as lagartas presentes no ambiente. A terceira etapa extraiu características dos objetos identificados para distinguir exclusivamente o inseto-alvo. O método utilizou informações de cor, textura e características geométricas para caracterizar e reconhecer padrões da lagarta-do-cartucho.

    “No último bloco, utilizamos conceitos da inteligência computacional, baseado em aprendizado profundo, em que uma rede neural artificial convolucional (CNN) treinada permite a classificação dos diferentes estágios da lagarta”, explica Bertolla.

    A CNN analisa especificamente dados visuais. Os pesquisadores também compararam o desempenho usando cinco classificadores conhecidos como máquina de suporte de vetores (SVM), que classificam cada estágio da lagarta individualmente.

    Resultados abrem caminho para aplicação prática

    A qualidade dos resultados confirmou a eficácia da estrutura baseada em aprendizado profundo. Os pesquisadores analisaram acurácia, precisão, tempo de processamento e desempenho de hardware.

    “O método também apresentou resultado considerável em quesitos referentes ao desempenho de hardware e tempo de processamento, o que pode ser também interessante para uma ação futura relacionada à disponibilização dessa tecnologia na versão embarcada, para uso diretamente como parte de implementos agrícolas”, destaca Cruvinel.

    Para trabalhos futuros, os pesquisadores sugerem incluir outras técnicas de inteligência artificial dedicadas ao controle de pragas. As propostas envolvem reconhecimento e classificação de padrões de forma não supervisionada e o uso de câmeras multiespectrais embarcadas em Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) para operação em tempo real nas lavouras.

  • Milho tem safra histórica ameaçada por lagarta-do-cartucho

    Milho tem safra histórica ameaçada por lagarta-do-cartucho

    O Brasil projeta uma safra recorde de milho para 2025, com expectativa de colher 128,3 milhões de toneladas e consolidar sua liderança entre os maiores produtores mundiais. Os números apresentados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam para uma segunda safra em andamento com 101 milhões de toneladas — volume 12,2% superior à do ciclo anterior, impulsionado por clima favorável e aprimoramento nas práticas agrícolas.

    Foto: Divulgação/Attuale

    No entanto, especialistas alertam para um problema crescente nas lavouras: o retorno da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) como principal ameaça à cultura do milho. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) identifica uma intensificação dos ataques e aumento da resistência do inseto a algumas tecnologias. Especialmente em áreas de cultivo contínuo, sob estiagens prolongadas, temperaturas acima de 25°C e em lavouras de semeadura tardia.

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    Fábio Kagi, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindiveg, ressalta que a praga voltou a preocupar os produtores por atacar desde as fases iniciais do plantio e causar sérios danos às folhas, espigas e ao colo das plantas, comprometendo o desenvolvimento e a produtividade da lavoura. Estima-se que as perdas possam chegar a 60% em casos de infestação severa.

    Para minimizar riscos e proteger a colheita, o especialista reforça a necessidade de um manejo integrado e contínuo, pautado pela combinação estratégica de métodos culturais, biológicos e químicos. Entre as práticas recomendadas estão:

    • Dessecação da área pelo menos 30 dias antes do plantio
    • Rotação de culturas
    • Tratamento de sementes com defensivos sistêmicos

    Segundo Kagi, a diversificação das ferramentas de controle e o planejamento antecipado das ações são fatores decisivos para garantir a sanidade das lavouras. Medidas preventivas e intervenções bem planejadas durante todo o ciclo do milho são essenciais para evitar prejuízos significativos e assegurar o potencial produtivo do país.

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  • Fungo australiano pode destruir lagarta-do-cartucho

    Fungo australiano pode destruir lagarta-do-cartucho

    A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), uma das pragas agrícolas mais devastadoras do mundo, espalhou-se por mais de 80 países, destruindo lavouras e desenvolvendo resistência a inseticidas. Mas um estudo australiano traz uma esperança: fungos nativos que infectam e consomem as lagartas de dentro para fora surgem como uma arma promissora no controle biológico.

    Originária das regiões tropicais das Américas, a lagarta-do-cartucho já invadiu Europa, Ásia, África e Austrália, ameaçando a segurança alimentar. As mariposas adultas podem migrar até 1.400 quilômetros em 30 horas, impulsionadas por ventos e pelo comércio internacional, segundo Johnnie van den Berg, zoólogo da Universidade North-West, na África do Sul, em entrevista à Live Science. Além disso, tem outras dificuldades em seu combate:

    • Reprodução explosiva: uma fêmea fértil põe de 1.000 a 2.000 ovos em sua vida.
    • Danos invisíveis: as larvas, difíceis de detectar, destroem folhas de milho em uma semana.
    • Dieta variada: além do milho, atacam trigo, algodão, cana-de-açúcar e hortaliças.

    Fungos como “inimigos naturais”

    Com a resistência da praga a pesticidas químicos, cientistas buscam alternativas sustentáveis. Fungos australianos, ainda em estudo, mostraram capacidade de:

    • Infectar as lagartas através do contato com esporos.
    • Consumir seus tecidos internos, levando à morte em dias.
    • Reduzir a proliferação sem danos ao meio ambiente.

    “Esses fungos agem como controladores naturais, oferecendo uma solução de baixo custo e alta eficácia”, explica um pesquisador envolvido no estudo.

    Desafios no controle da praga

    Apesar do potencial, métodos alternativos — como vírus específicos, extratos botânicos e culturas geneticamente modificadas — enfrentam obstáculos:

    • Escalabilidade: aplicação em larga escala ainda é limitada.
    • Custo-benefício: tecnologias como CRISPR são caras para pequenos agricultores.
    • Velocidade de adaptação: a lagarta-do-cartucho desenvolve resistência rapidamente.
    Por que isso importa?
    • Segurança alimentar: a praga reduz até 50% da produção de milho em regiões afetadas.
    • Impacto econômico: prejuízos globais chegam a US$ 13 bilhões anuais, segundo a FAO.
    • Sustentabilidade: fungos podem reduzir o uso de agrotóxicos, protegendo ecossistemas.

    Pesquisadores australianos planejam testar os fungos em campo. Enquanto isso, agricultores são orientados a:

    • Monitorar lavouras com armadilhas luminosas.
    • Rotacionar culturas para quebrar o ciclo da praga.
    • Adotar práticas integradas de manejo.

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  • Virumix: Novo bioinseticida brasileiro atinge 85% de eficácia

    Virumix: Novo bioinseticida brasileiro atinge 85% de eficácia

    Um avanço científico brasileiro acaba de ganhar destaque global: o bioinseticida Virumix, desenvolvido para combater a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), demonstrou eficiência superior a 85% em testes de campo realizados em Mato Grosso. A praga, que ataca mais de 200 cultivos – como milho, soja e algodão –, é responsável por prejuízos bilionários à agricultura. O produto, feito à base de um vírus natural (Baculovirus spodoptera), será lançado em 3 de abril de 2025, durante a inauguração de uma biofábrica em Sorriso (MT), marcando um novo capítulo no controle biológico de pragas no Brasil.

    Fruto de uma parceria entre Embrapa Milho e Sorgo, IMAmt e Comdeagro, o Virumix é o primeiro bioinseticida microbiológico da linha do IMAmt. Sua fórmula utiliza o SfMNPV, um vírus entomopatogênico que infecta exclusivamente a lagarta-do-cartucho, preservando plantas, animais e seres humanos.

    Principais vantagens:
    • Segurança ambiental: não afeta insetos benéficos, essenciais para o equilíbrio do ecossistema.
    • Versatilidade: compatível com outros agroquímicos e indicado para sistemas orgânicos.
    • Custo-benefício: dosagem de 50g/hectare, com embalagem inicial de 2kg (cobre 40 hectares).

    “O Virumix é uma resposta à resistência da praga a biotecnologias e agroquímicos. Ele reduz custos e impactos ambientais”, explica Álvaro Salles, diretor-executivo do IMAmt e da Comdeagro.

    Como funciona o controle biológico?

    O pesquisador Fernando Hercos Valicente, da Embrapa, detalha que o sucesso do produto depende de aplicação estratégica:

    • Monitoramento semanal da lavoura para detectar infestações precoces (lagartas com menos de 1 cm).
    • Aplicação no início da manhã ou após as 16h, quando as temperaturas são mais baixas.
    • Uso de espalhante adesivo para garantir cobertura uniforme.

    “Não podemos perder a primeira aplicação. A lagarta ataca o milho uma semana após a germinação”, alerta Valicente.

    Biofábrica

    A nova unidade em Sorriso (MT) permitirá produção em larga escala do Virumix, inicialmente distribuído pela Comdeagro. O Brasil, já líder global em bioinsumos, vê o setor crescer 14% ao ano, com projeção de ultrapassar US$ 10 bilhões até 2032.

    O Virumix foi desenvolvido a partir de um vírus entomopatogênico, o que significa que é específico para combater o inseto-alvo. Foto: Fernando Valicente/Embrapa

    “Estamos convertendo nossa biodiversidade em soluções sustentáveis. O Virumix é um exemplo de inovação aberta que posiciona o país na vanguarda da agricultura tropical”, afirma Sara Rios, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa.

    O lançamento ocorrerá na Comdeagro (BR-163, Km 712, Zona Rural de Sorriso), com presença de pesquisadores e representantes do agronegócio. A data reforça o compromisso do Programa Nacional de Bioinsumos, criado em 2020 para reduzir a dependência de insumos importados e impulsionar a bioeconomia.

    Uma curiosidade: o nome Virumix combina “vírus” e “mix”, refletindo a integração de tecnologias naturais no combate à praga.

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  • Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Pesquisa orienta produtor para controle da lagarta-do-cartucho

    Um estudo da Embrapa Milho e Sorgo (MG) apresenta novas orientações para o manejo da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

    A pesquisa, que se insere, por sua vez, no contexto do novo cenário agrícola brasileiro, destaca, assim, a importância de práticas sustentáveis. Principalmente em plantios consorciados com braquiária.

    Os pesquisadores alertam, ainda, que a braquiária, frequentemente utilizada em consórcio com o milho, favorece a proliferação da lagarta-do-cartucho.

    Dessa forma, a combinação do uso de produtos químicos e biológicos no Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como a solução mais eficaz para controlar o inseto.

    Esse método orienta, então, os produtores a tomarem decisões informadas sobre a aplicação de inseticidas, com o objetivo de reduzir custos e aumentar a sustentabilidade das lavouras.

    Complexidade do manejo

    Ivênio Oliveira, pesquisador da Embrapa, ressalta que o manejo da lagarta-do-cartucho é complexo e deve considerar todo o sistema de produção.

    “É essencial entender a ocorrência e permanência dessa praga em sistemas como o ILPF e o de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil”, afirma Oliveira.

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    A pesquisa enfatiza a necessidade de um monitoramento contínuo da praga para determinar os momentos adequados para o controle.

    O estudo introduz índices de tomada de decisão, como o nível de dano econômico (NDE) e o nível de controle (NC). Além disso, o relatório sugere que as aplicações de inseticidas devem ser realizadas apenas quando se atinge um NC em torno de 20% das plantas afetadas.

    Os experimentos realizados em condições simuladas de lavouras comerciais mostraram que as estratégias de MIP são mais eficazes do que a aplicação de inseticidas químicos.

    “A estratégia MIP reduz a necessidade de aplicações químicas, passando de quatro para três por safra”, conclui Oliveira.

    Com essas orientações, os produtores poderão gerenciar melhor a lagarta-do-cartucho, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis e eficientes.