Tag: La Niña

  • Como a mudança climática vai sacudir a horticultura brasileira

    Como a mudança climática vai sacudir a horticultura brasileira

    A horticultura brasileira enfrenta um ano de grandes desafios climáticos. A transição de um La Niña curto e de baixa intensidade, caracterizado pelo esfriamento das águas do Oceano Pacífico, para um evento de El Niño com maior persistência deve inverter as condições produtivas que favoreceram o setor em 2025. O alerta é da revista Hortifruti Brasil, referência técnica no segmento.

    Em 2025, a combinação entre chuvas relativamente bem distribuídas e temperaturas adequadas resultou em produtividade elevada para diversas culturas hortícolas. O novo cenário climático para 2026, no entanto, aponta em direção oposta: mais calor, irregularidade hídrica e pressão crescente sobre os custos de produção.

    O que muda com o El Niño

    O El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial que afeta os padrões de chuva e temperatura em todo o planeta. E o Brasil está entre os países mais impactados. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), os efeitos variam por região. Enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, o Nordeste e partes do Centro-Oeste podem enfrentar estiagens mais severas.

    Para a horticultura, que depende fortemente de condições climáticas estáveis, esse desequilíbrio é especialmente crítico. As altas temperaturas associadas ao fenômeno tendem a acelerar os ciclos vegetativos das plantas, comprometer a qualidade dos produtos e intensificar problemas fitossanitários. Como o avanço de pragas e doenças fúngicas, que se proliferam com mais facilidade em ambientes quentes e úmidos.

    Irrigação no centro do debate

    Em regiões com menor disponibilidade hídrica, a irrigação deixa de ser apenas uma ferramenta de suporte. E passa a ser condição essencial para a manutenção da produção. O problema é que o custo dessa operação também cresce em anos de El Niño, pressionando as margens dos produtores. Especialmente os de menor porte, que têm menos acesso a crédito e tecnologia.

    Pesquisadores da Hortifruti Brasil destacam que a viabilidade econômica da irrigação será um dos fatores centrais para determinar quem conseguirá manter volumes e qualidade ao longo do ano. A gestão eficiente da água, o uso de sistemas mais modernos como gotejamento e a leitura regionalizada do clima são apontados como diferenciais competitivos para a safra 2026.

    Planejamento como resposta

    Diante desse cenário, especialistas recomendam que produtores redobrem o monitoramento climático regional. E também intensifiquem o controle fitossanitário preventivo e revisem seus planos de custeio levando em conta o aumento potencial de despesas com irrigação e defensivos agrícolas.

    A horticultura brasileira movimenta bilhões de reais anualmente e abastece tanto o mercado interno quanto cadeias de exportação. Em um ano marcado pela instabilidade climática, a capacidade de adaptação técnica e a antecipação de riscos serão os maiores ativos dos produtores que quiserem manter competitividade e rentabilidade em 2026.

  • Clima mais adverso desafia horticultura em 2026

    Clima mais adverso desafia horticultura em 2026

    A transição de La Niña para El Niño deve intensificar desafios aos produtores em 2026. A equipe do Cepea avalia que a mudança altera o ambiente produtivo da horticultura brasileira. Segundo o centro ligado à Esalq/USP, 2025 registrou clima mais favorável ao campo. Naquele ano, chuvas bem distribuídas e temperaturas adequadas elevaram a produtividade de diversas culturas.

    Agora, o novo cenário climático amplia riscos e exige maior planejamento técnico. Além disso, os produtores precisam aprimorar a leitura regional do clima e reforçar a gestão de custos.

    As projeções indicam temperaturas médias mais elevadas ao longo de 2026. Elas também apontam mudanças no regime de chuvas a partir do inverno. Ou seja, essas alterações devem afetar as regiões brasileiras de forma distinta.

    O comportamento do El Niño varia conforme cultura, região e sistema produtivo. Portanto, não existe efeito climático único sobre frutas e hortaliças.

    Os pesquisadores da Hortifruti Brasil destacam impactos diretos das altas temperaturas. O calor tende a intensificar problemas fitossanitários e acelerar ciclos produtivos. Além disso, pode comprometer a qualidade, principalmente quando há excesso de umidade.

    Irrigação

    Em áreas com menor disponibilidade hídrica, a irrigação se torna fator decisivo. Nesse contexto, custo e viabilidade do sistema influenciam a manutenção da produção.

    A experiência recente também reforça outro alerta ao produtor.  Os ganhos de produtividade não garantem melhores margens automaticamente. O aumento de oferta, perdas de qualidade e pressão de custos reduzem a rentabilidade. Esse cenário já marcou o desempenho do setor ao longo de 2025.

    Diante disso, o monitoramento climático contínuo torna-se essencial em 2026. Os produtores precisam adotar manejo mais preciso e escalonar plantios. Além disso, devem avaliar riscos com maior rigor. Essas estratégias serão decisivas para preservar produtividade, qualidade e rentabilidade na horticultura brasileira.

  • La Niña ameaça elevar preços dos alimentos em até 5% em 2026

    La Niña ameaça elevar preços dos alimentos em até 5% em 2026

    O fenômeno climático La Niña deve pressionar os preços dos alimentos no Brasil ao longo de 2026. O BTG projeta que a inflação no setor acelere de 1,3% em 2025 para 5,0% no próximo ano. Fatores climáticos e o ciclo pecuário lideram as causas desse aumento.

    O banco divulgou relatório que aponta o clima como principal fator de risco, mesmo diante de um cenário inicialmente favorável para a produção de grãos. Os efeitos do La Niña preocupam especialmente os analistas do setor.

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil produza 355 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/26, superando o recorde anterior. A previsão inclui 178 milhões de toneladas de soja e 139 milhões de toneladas de milho.

    La Niña já chegou e deve persistir até fevereiro

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou na quinta-feira, 4, que existe 55% de probabilidade de um La Niña fraco entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. O fenômeno já atua sobre o clima brasileiro.

    O La Niña resfria as águas do Oceano Pacífico e altera o regime de chuvas em diversas regiões produtoras. O fenômeno deve impactar diretamente a colheita de soja e a semeadura do milho safrinha, comprometendo a produtividade das lavouras.

    Especialistas monitoram a evolução do fenômeno para avaliar seus efeitos reais sobre a agricultura brasileira e o abastecimento alimentar do país nos próximos meses.

  • Agricultor deve se preparar: ciclone muda o tempo e traz chuvas intensas ao país

    Agricultor deve se preparar: ciclone muda o tempo e traz chuvas intensas ao país

    A cena se desenha já nos primeiros dias do mês, quando uma frente fria impulsionada por ciclone se espalha do Sul até parte do Sudeste e Centro-Oeste. Para o norte de Minas Gerais, o volume pode chegar perto dos 250 mm só na primeira semana. Os estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia), além de Goiás, Mato Grosso e Amazonas, também veem chuvas entre 100 mm e 125 mm, com transtornos potenciais, como alagamentos, enxurradas, e granizo.​

    Enquanto os agricultores monitoram suas lavouras e as famílias ajustam rotinas, meteorologistas apontam para um mês de chuva acima da média no centro-norte do Brasil. O fenômeno La Niña ainda está em atuação, o que facilita a passagem dessas frentes frias intensas, tornando dezembro mais instável e úmido, especialmente no Sudeste e Sul.​

    E tem mais: o calor excessivo dá uma trégua. No Paraná e Santa Catarina, o frio atípico pode aparecer, mas sem grandes extremos. No Nordeste, por outro lado, são esperadas altas temperaturas, até 40°C em algumas áreas do Sertão, enquanto o resto do país vê médias mais baixas graças à chuva e nebulosidade persistentes.​

    O que esperar do tempo em dezembro?

    • Região Sul: chuvas moderadas e picos de frio, mas nada extremo.
    • Sudeste e Centro-Oeste: chuvas frequentes e volumosas; risco alto de deslizamentos e cheias.
    • Norte: precipitação acima do normal, principalmente no Amazonas e Pará.
    • Nordeste: muito calor, mas proporcional à chuva, que será bem distribuída. Algumas cidades devem ver tempestades rápidas e dias abafados.

    Em resumo, dezembro pede guarda-chuva, olho nas previsões e atenção dobrada nos pontos de risco. Se alguém pediu verão típico, o ciclone resolveu mudar a festa.​

  • Especialistas explicam por que La Niña amena preocupa o agro

    Especialistas explicam por que La Niña amena preocupa o agro

    Confirmado para os próximos meses, o fenômeno La Niña, mesmo de intensidade fraca a moderada, já altera os mapas de chuva e temperatura no Brasil, reforçando um cenário de incertezas climáticas para o agronegócio. A instabilidade exige dos produtores rurais um manejo hídrico mais técnico e previsível para não comprometer a produtividade.

    De acordo com Danilo Silva, gerente agronômico da Netafim, a confirmação do fenômeno, em um ano que começou com expectativa de neutralidade, acende um sinal de alerta. “Temos observado uma La Niña de intensidade leve, mas que já provoca alterações perceptíveis”, explica.

    Contrastes regionais e imprevisibilidade

    O efeito do fenômeno não é uniforme em todo o país. Enquanto o Norte e Nordeste registram aumento de chuvas, o Sul enfrenta períodos mais secos e o Centro-Oeste e Sudeste têm um comportamento irregular.

    “Mesmo uma La Niña considerada fraca pode intensificar contrastes regionais. No Sul, a combinação de temperaturas elevadas e estiagem exige atenção redobrada na irrigação. Já no Nordeste, há municípios com veranicos superiores a 60 dias, um comportamento atípico, enquanto em outras áreas o excesso de chuvas preocupa”, detalha Silva.

    Essa instabilidade pode facilitar a ocorrência de eventos climáticos extremos, como o tornado recente no Paraná. O especialista ressalta que, embora não haja ligação direta com a La Niña, o episódio evidencia a crescente variabilidade atmosférica.

    Verão mais quente da história pressiona recursos hídricos

    Um dos paradoxos destacados pelo especialista é que, apesar de a La Niña estar associada ao resfriamento do Pacífico, o Brasil registrou o verão mais quente desde 1961 no ciclo 2024/2025, justamente sob sua influência.

    “Essa elevação térmica pressiona a demanda hídrica das culturas. Onde há irrigação, o sistema é mais utilizado. Onde não há, a dependência do clima aumenta e a produtividade fica mais vulnerável”, alerta Silva.

    Tecnologia e monitoramento como estratégia

    Para enfrentar a imprevisibilidade, a antecipação e o uso de dados tornam-se essenciais. Silva defende a correlação de informações de diferentes sensores para uma gestão precisa.

    “Uma estação meteorológica bem instalada permite calcular a evapotranspiração com precisão. Quando combinamos esses dados com sensores de umidade do solo, entendemos quanto de água o solo retém e qual volume precisa ser reposto”, explica.

    Na prática, essa integração é viabilizada por controladores de irrigação, como os da linha GrowSphere™, que automatizam bombas e válvulas, permitindo operação remota e adaptada a cada ambiente.

    Não existe receita pronta

    Diante da irregularidade, o especialista é categórico: não existe fórmula única. Em situações de demanda hídrica muito elevada, algumas propriedades podem precisar ajustar os turnos de rega, considerando tipo de solo, estágio da cultura e metas de produtividade.

    “É uma construção conjunta entre produtor, consultor e agrônomo. No fim do dia, entender a dinâmica clima-solo-planta-atmosfera é fundamental para enfrentar essas incertezas”, conclui Silva.

  • La Niña exige preparo de produtores do Norte e Nordeste

    La Niña exige preparo de produtores do Norte e Nordeste

    A confirmação oficial da formação do fenômeno La Niña em 2025 coloca produtores das regiões Norte e Nordeste do Brasil em estado de atenção. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) atestaram a ocorrência, que tem 71% de probabilidade de persistir até fevereiro de 2026.

    Apesar da intensidade classificada como fraca, a La Niña deve elevar o volume de chuvas acima da média histórica durante a safra 2025/26. O cenário, que beneficia a disponibilidade hídrica, também exige manejo rigoroso para evitar prejuízos significativos.

    Riscos e estratégias para o agricultor

    Frederico Dellano, Consultor de Desenvolvimento de Produtos da TMG (Tropical Melhoramento & Genética), alerta que os produtores não podem ignorar os impactos do fenômeno. “O produtor precisa antecipar e planejar o manejo para lidar com a maior umidade. Essa condição pode intensificar a ocorrência de nematoides, favorecer doenças fúngicas e comprometer a qualidade dos grãos na colheita”, explica Dellano.

    O especialista lista medidas críticas para a safra:

    • Escolha de cultivares: selecionar sementes adaptadas às condições da região e com resistência a doenças recorrentes é o primeiro passo.
    • Preparo e logística: organizar a logística de insumos e realizar a manutenção de máquinas com antecedência são ações essenciais para aproveitar os breves intervalos entre as chuvas, sem perder a janela ideal de plantio.
    • Cuidados com o solo: Dellano adverte contra o plantio em solos encharcados. “Isso aumenta o risco de compactação e prejudica o desenvolvimento da lavoura. Sempre que possível, o produtor deve utilizar cultivares com maior tolerância ao acamamento, problema agravado pelo excesso de chuva.”
    • Proteção da colheita: o período de colheita exige cuidado redobrado. A umidade elevada pode causar a germinação dos grãos ainda nas vagens, perda de qualidade e o surgimento de doenças de final de ciclo. “Buscar cultivares com melhor tolerância a essas condições é uma forma direta de reduzir os impactos”, completa o consultor.

    Aspecto positivo

    Apesar dos desafios, Dellano ressalta um aspecto positivo: os anos de La Niña costumam ser mais favoráveis para o Norte do Brasil em comparação com os períodos de El Niño, marcados pela escassez de chuvas.

    “O excesso de água exige cuidados adicionais, mas com planejamento e uso de cultivares mais adaptadas, o produtor pode manter bons resultados. Este La Niña, mesmo sendo fraco, merece atenção redobrada principalmente nos períodos críticos da cultura”, conclui o especialista.

  • La Niña provoca alerta no agronegócio para safrinha do milho

    La Niña provoca alerta no agronegócio para safrinha do milho

    O fenômeno climático La Niña, embora de baixa intensidade, permanece com duração prolongada e acende um alerta para o agronegócio brasileiro. A atual configuração deve perdurar até o início do outono de 2026, impactando diretamente o plantio da soja e a segunda safra do milho.

    Isabella Pliego, analista da Biond Agro, destaca que, mesmo fraco, o La Niña gera efeitos significativos devido à sua coincidência com um momento de transição climática e alta sensibilidade agrícola. “O potencial de duração amplia o impacto estratégico para a produção”, ressalta.

    Modelos do CPC/NOAA indicam aproximadamente 55% de chance de transição para neutralidade entre janeiro e março de 2026. Os efeitos mais fortes devem ocorrer entre dezembro e fevereiro, fase crítica para o desenvolvimento da soja, milho e algodão.

    O fenômeno já apresenta sinais claros: o resfriamento do Pacífico, associado ao aquecimento anômalo do Atlântico Sul, reforça o padrão de chuvas irregulares e temperaturas elevadas no Centro-Sul, enquanto Norte e Nordeste devem receber chuvas acima da média.

    Regiões

    No Centro-Oeste e partes do Sudeste, a combinação climática tem favorecido a regularização das chuvas e temperaturas amenas, beneficiando o avanço do plantio da soja. Conforme dados do IMEA, Mato Grosso já semeou mais de 60% da área prevista em outubro, superando a média histórica.

    Já o Norte e Nordeste devem observar melhora no recarregamento hídrico e recuperação das pastagens, enquanto o Sul do Brasil enfrenta chuvas irregulares e episódios de veranico, reduzindo a umidade do solo. A região sul, sobretudo Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina, corre risco de queda na produtividade da soja e do milho de primeira safra, principalmente se as estiagens coincidirem com o florescimento e enchimento dos grãos.

    A volatilidade dos preços no mercado de grãos costuma aumentar durante anos La Niña. Quebras no Sul do Brasil e na Argentina podem valorizar prêmios de exportação, abrindo oportunidades para o Brasil.

    Para mitigar riscos, especialistas recomendam estratégias integradas, como travar preços gradualmente, contratar seguro agrícola nas áreas mais vulneráveis e avaliar fixações cambiais. “Equilibrar preço, câmbio, seguro e manejo garante estabilidade até o fim da safra”, orienta Pliego.

    “O sucesso da safra depende do equilíbrio entre clima, manejo e gestão. Com informação e planejamento, o La Niña pode se transformar em oportunidade de eficiência e rentabilidade,” conclui a analista da Biond Agro.

  • La Niña pode se estender até 2026 e impactar soja e milho no Brasil

    La Niña pode se estender até 2026 e impactar soja e milho no Brasil

    O fenômeno La Niña deve começar a se formar no último trimestre de 2025 e possui potencial para se estender até o início de 2026, com impactos significativos no clima e na produção agrícola do Brasil e do mundo. É o que aponta o Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX.

    A analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Jaramillo Giraldo, baseia-se em dados de instituições como a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a NOAA. Ela destaca que as anomalias de temperatura no Oceano Pacífico já mostram o resfriamento típico do fenômeno. A previsão mais consolidada indica uma La Niña de intensidade fraca, mas não se descarta um retorno à neutralidade durante o verão no Hemisfério Sul.

    O relatório traça um cenário de contrastes para o Brasil. Enquanto o Sul do país enfrenta alto risco de seca, regiões como o Centro-Oeste e Sudeste podem registrar chuvas acima da média. Este padrão divide os riscos para o agronegócio: a estiagem prejudica culturas como soja e milho no Paraná, Rio Grande do Sul e Uruguai, enquanto o excesso de umidade no Cerrado e Sudeste beneficia plantios, mas também eleva a incidência de doenças fúngicas e atrapalha a colheita da cana-de-açúcar.

    Riscos ampliados para as safras de verão

    A interação da La Niña com a Oscilação de Madden-Julian (MJO) preocupa os especialistas. Essa combinação pode intensificar um padrão de bloqueio atmosférico, impedindo a entrada de frentes frias e prolongando períodos de calor e seca exatamente no Sul do Brasil, Paraguai e Argentina. Este é o período crítico para o desenvolvimento da soja e do milho de primeira safra.

    “Esse fenômeno desloca os ventos para latitudes mais ao sul, reduzindo a entrada de frentes frias. O resultado é um aumento de seca e calor em regiões como o Sul do Brasil, justamente durante a primavera e o verão”, detalha Carolina Giraldo.

    Projeções de temperatura e chuva

    Os modelos climáticos também projetam variações importantes de temperatura para os próximos meses:

    • Outubro de 2025: áreas do leste de Mato Grosso, oeste da Bahia e nordeste de Goiás podem ter temperaturas até 1°C acima da média, acelerando a germinação da soja, mas aumentando o risco se as chuvas atrasarem.
    • Novembro/Dezembro 2025: o Sudeste, principalmente Espírito Santo e Minas Gerais, pode enfrentar calor acima do normal, elevando a evapotranspiração em lavouras e cafezais.
    • Verão 2025/2026: o Centro-Sul deve ter temperaturas médias, o que é bom para o enchimento de grãos, desde que as chuvas se distribuam bem.

    A formação da La Niña, portanto, coloca o setor agrícola em alerta. O fenômeno deve ditar os rumos do clima nos próximos meses, demandando planejamento e gestão de riscos dos produtores para mitigar perdas nas principais commodities do país.

  • La Niña acende alerta no setor rural da Argentina e ameaça preços no Brasil

    La Niña acende alerta no setor rural da Argentina e ameaça preços no Brasil

    A volta do fenômeno climático La Niña está causando preocupação no setor agrícola da Argentina. Especialmente após anos consecutivos de secas severas que afetaram drasticamente a produção de grãos no país vizinho. A confirmação oficial pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) trouxe um cenário de incerteza para uma das principais regiões produtoras de alimentos da América do Sul.

    O fenômeno caracteriza-se pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando padrões climáticos globais. E particularmente na América do Sul, provocando reduções significativas nas precipitações.

    Para a Argentina, que enfrentou secas devastadoras nos últimos anos, o retorno do fenômeno representa um desafio adicional. As projeções indicam que o evento deve persistir até março de 2026, com maior intensidade prevista para o verão austral de 2025. Justamente no período crítico para as culturas de soja e milho.

    A Bolsa de Comércio de Rosário, uma das principais referências do setor agrícola argentino, alertou que, embora o milho plantado precocemente possa ter condições favoráveis durante a primavera de 2024, a soja de primeira safra enfrenta riscos elevados a partir de janeiro de 2025, quando os efeitos da La Niña devem se intensificar.

    Histórico de perdas e vulnerabilidade agrícola

    A agricultura argentina já vinha sofrendo com sucessivos anos de condições climáticas adversas. As secas anteriores causaram perdas bilionárias e reduziram drasticamente a produção de grãos, comprometendo as exportações e a entrada de divisas no país. A área plantada de milho, por exemplo, caiu de aproximadamente 2 milhões de hectares em 2023 para 1,3 milhão de hectares, refletindo a cautela dos produtores diante da instabilidade climática.

    Especialistas advertem que, dependendo da intensidade do fenômeno, pode haver deficit de umidade nos solos até março de 2025, afetando diretamente a produtividade das lavouras em um momento crucial do desenvolvimento das plantas.

    Impactos nos preços e na economia brasileira

    Para o Brasil, a situação climática na Argentina tem implicações diretas nos preços dos alimentos e na economia doméstica. A Argentina é um dos principais exportadores mundiais de soja e milho, commodities fundamentais para a cadeia produtiva de alimentos. Qualquer redução na oferta argentina tende a pressionar os preços internacionais desses grãos.

    Com a possibilidade de quebra de safra no país vizinho, especialistas do setor apontam que os preços da soja e do milho podem sofrer elevações no mercado internacional. Isso impacta diretamente os custos de produção de carnes, ovos, leite e outros derivados no Brasil, já que esses grãos são a base da alimentação animal.

    A conjuntura é especialmente preocupante porque o Brasil também enfrenta seus próprios desafios climáticos com a La Niña. No Sul do país, região responsável por parcela significativa da produção nacional de grãos, as previsões indicam redução das chuvas, o que pode comprometer a produtividade das lavouras brasileiras.

    Analistas de mercado estimam que, caso haja queda simultânea na produção argentina e brasileira, os preços dos alimentos podem sofrer pressão inflacionária considerável no país. A soja, por exemplo, que já enfrenta volatilidade nos mercados internacionais, pode ver seus preços impactados pela menor oferta sul-americana.

    Monitoramento climático

    Apesar das preocupações, alguns fatores podem amenizar os impactos. O Dipolo do Índico, outro fenômeno climático que influencia as chuvas na América do Sul, está evoluindo de forma favorável. E pode compensar parcialmente os efeitos da La Niña na Argentina.

    Além disso, há expectativa de que o evento seja de intensidade fraca a moderada e de curta duração. Com possível retorno a condições neutras entre março e abril de 2025. Essa janela de tempo mais curta poderia limitar os danos às culturas, desde que as chuvas retornem no momento adequado.

    O monitoramento constante das condições climáticas por parte dos órgãos oficiais, tanto na Argentina quanto no Brasil, será fundamental para orientar as decisões dos produtores e permitir ajustes nas estratégias de plantio e comercialização.

    O retorno da La Niña representa um desafio significativo para o setor agrícola da América do Sul. Especialmente para a Argentina, que ainda se recupera de anos de secas severas. Os reflexos desse cenário climático adverso inevitavelmente chegarão aos consumidores brasileiros por meio dos preços dos alimentos, tornando essencial o acompanhamento atento da evolução do fenômeno nos próximos meses.

    A integração dos mercados agrícolas sul-americanos faz com que os problemas climáticos em um país rapidamente se transformem em questões econômicas regionais. Portanto, reforçando a importância de políticas de mitigação de riscos e diversificação da produção agrícola.

  • Temperaturas acima da média em Santa Catarina em março

    Temperaturas acima da média em Santa Catarina em março

    A previsão climática para o mês de março em Santa Catarina indica temperaturas acima da média e chuvas abaixo da média climatológica. De acordo com a Epagri/Ciram, o estado será afetado por massas de ar quente, resultando em dias consecutivos de calor intenso, inclusive à noite.

    As temperaturas em Santa Catarina devem permanecer acima do normal durante março, com a continuidade das massas de ar quente. Os episódios de frio com geada, especialmente nas áreas altas do Planalto Sul, devem começar a ocorrer a partir de abril, com maior frequência em maio, quando as massas de ar frio chegam ao Sul do Brasil.

    Chuvas abaixo da média

    A previsão para março é de chuvas abaixo da média, com períodos longos sem precipitação, especialmente no Oeste do estado. A média mensal de chuvas para o Oeste e Planalto deve variar entre 100 a 130 mm. Enquanto no Litoral, o valor fica entre 150 e 210 mm. Para abril e maio, espera-se uma redução ainda maior nas chuvas, com médias mensais entre 100 e 170 mm.

    Apesar da diminuição das chuvas, o fim do verão e o início do outono ainda apresentam risco de eventos climáticos intensos, como chuvas fortes e temporais com raios, granizo e ventos fortes. Ciclones extratropicais devem atuar com maior frequência no litoral, ocasionando ventos intensos e mar agitado.

    Influência dos fenômenos climáticos

    A previsão aponta para uma condição de neutralidade climática, sem influência direta dos fenômenos El Niño ou La Niña. Em janeiro, a temperatura da superfície do mar foi ligeiramente inferior à média, indicando uma condição de La Niña fraca. Mas essa tendência diminuiu em fevereiro.

    O mês de março em Santa Catarina será marcado por temperaturas altas e chuvas irregulares, com risco de eventos climáticos severos. É importante que os moradores e agricultores estejam preparados para essas condições, monitorando as atualizações meteorológicas e tomando medidas preventivas para minimizar os impactos.

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