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  • Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Durante uma viagem pela Suíça, João Gomes movimentou as redes sociais ao brincar que teria comprado uma fazenda no país europeu. A piada acabou sendo levada a sério por parte do público, levando o artista a se pronunciar em vídeo. O que veio depois da negativa, porém, chamou ainda mais atenção do que o boato.

    Ao esclarecer que a declaração não era verdadeira, o cantor revelou que já possui duas propriedades rurais no Brasil. “As fazendas que eu tenho mesmo são de uva, em Petrolina, e de gado, na Bahia”, disse. Direto, sem rodeios e com uma revelação que diz muito sobre como o artista escolheu guardar o dinheiro que o forró lhe trouxe.

    Uma aposta no Vale do São Francisco

    A propriedade que mais chamou atenção fica em Petrolina, no tradicional Vale do São Francisco, região conhecida nacionalmente pela produção de frutas irrigadas. A fazenda é avaliada em cerca de R$ 2 milhões e reúne área produtiva voltada ao cultivo de uvas, amplos terrenos cercados pela paisagem característica do sertão nordestino e estrutura rural moderna.

    Não é por acaso que João Gomes escolheu exatamente essa região. O Vale do São Francisco é hoje um dos polos vitivinícolas mais relevantes do Brasil, e a lógica produtiva do semiárido tem uma vantagem que surpreende quem ainda associa uva ao sul do país: com sol o ano inteiro e um sistema de irrigação por gotejamento, os produtores da região conseguem simular o período de hibernação da planta em tempo menor, o que permite duas safras de uvas por ano. Dois ciclos anuais, no mesmo hectare: isso muda completamente a conta.

    O campo como ponto de retorno

    O que diferencia João Gomes de outros artistas do gênero é a sua capacidade de dialogar com o público jovem sem perder a essência da cultura nordestina. Além do talento musical, a trajetória do artista é marcada pela humildade. Ele frequentemente menciona em entrevistas que seu maior desejo através da música sempre foi mudar a realidade de sua família e honrar suas origens.

    Investir em terra, nesse contexto, não é apenas estratégia financeira. É uma forma de manter os pés fincados onde tudo começou. Imagens divulgadas pelo próprio artista mostram visitas em família à propriedade, contato com a natureza e uma rotina mais tranquila longe dos palcos. No fundo, a fazenda parece cumprir um papel que vai além da produção: é o ponto de retorno.

    O Vale do São Francisco e o agronegócio

    A escolha de Petrolina também revela um movimento maior. A agricultura irrigada na região não só possibilitou a produção de uvas, como também de vinhos que passaram a ter seus rótulos premiados, além de outros produtos derivados como sucos, doces e geleias. A vitivinicultura no sertão nordestino saiu do improvável para virar referência nacional e vem atraindo olhares de fora do setor, inclusive de quem, como João Gomes, enxergou na terra uma aplicação tão sólida quanto qualquer outro ativo.

    Desde que ganhou projeção nacional, em 2021, o cantor ampliou seu patrimônio e investiu em diferentes imóveis. Mas foi na uva do sertão que ele deixou a aposta mais simbólica: a de que o Nordeste produz, e produz bem.

  • João Gomes recusa mansão moderna e aposta em casa sertaneja

    João Gomes recusa mansão moderna e aposta em casa sertaneja

    João Gomes nasceu em Serrita, no sertão de Pernambuco, e foi morar em Petrolina. Aos 23 anos, com Grammy Latino conquistado, mais de 16 milhões de seguidores e shows lotados pelo Brasil, ele poderia ter escolhido qualquer endereço. Em vez disso, optou por algo mais simples: uma vida com raízes fincadas no chão do Nordeste.

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    Essa escolha se traduz, de forma concreta, em dois projetos que revelam quem o cantor é fora dos palcos.

    A Casa Caranguejo: refúgio no Recife

    Em Recife, João Gomes criou a chamada Casa Caranguejo, um refúgio com estrada de terra e até cavalo no quintal, inspirado nas lembranças de sua infância em Petrolina. “A casa já existia, mas estava abandonada. A gente pintou e deu outra vida”, contou o cantor.

    O nome vem de uma referência a Chico Science. “Aqui é a Casinha do Caranguejo. Vem daquela música: ‘desorganizando posso me organizar’”, explica João. Mais do que uma moradia, o espaço representa um retorno simbólico às origens. “É muito para isso mesmo: para andar a cavalo, poder ter um pouco do que eu tinha em Petrolina. Eu tinha mais contato com o chão, com as coisas mais arenosas”, afirma.

    https://www.instagram.com/p/DVcECl1ASZe/?img_index=1

    A ligação afetiva fica ainda mais evidente quando o cantor fala da infância. Nas férias escolares, o destino era sempre Serrita. “Quando chegavam as férias, eu estava em Serrita. Lá é onde, bem dizer assim, eu passei os melhores momentos da minha infância”, relembra.

    A casa dos sonhos em Petrolina: sertão no Alphaville

    Enquanto a Casa Caranguejo já existe, outro projeto segue em andamento. João Gomes e a esposa, Ary Mirelle, adquiriram dois lotes vizinhos no condomínio Alphaville, em Petrolina, que somam cerca de 600 metros quadrados. O primeiro projeto apresentado pelo escritório de arquitetura, no entanto, apostava em estética contemporânea, com linhas retas, uso intenso de vidro e acabamento sofisticado. Para João, faltava identidade.

    Em participação no podcast “Prosa Sertanejo”, o cantor foi direto: “Eu comprei o terreno, aí na hora de fazer a casa não deu certo, porque todas as casas que eu achava bonita são aquelas casas de sertão mesmo, aqueles casarões grandões de alpendre. E ninguém queria fazer essas casas no Alphaville. Queriam só fazer aquelas casas quadradas.”

    Após o impasse, o escritório apresentou uma nova versão do projeto, desta vez mais alinhada ao desejo do casal. Em conversa com o Correio, os arquitetos explicaram o processo: “Trabalhar com João foi um desafio por conta da agenda corrida dele. Sempre reuniões rápidas e online. Tínhamos pouco tempo para entender exatamente o que ele queria. Apesar de ele ter reprovado a fachada que foi postada, tivemos a aprovação dele na terceira revisão do projeto. Inclusive o projeto foi aprovado no condomínio sem nenhuma ressalva.”

    O conceito foi reformulado e entregue novamente para avaliação de João e Ary, que agora analisam os próximos passos antes de iniciar a obra. O cantor reforça que prefere esperar e construir algo com significado pessoal. Para ele, o futuro lar precisa unir conforto, memória afetiva e identidade regional.

    Identidade que vem do palco e vai para casa

    Ao contrário de muitos artistas que migram para centros como São Paulo ou Rio de Janeiro, João Gomes optou por permanecer no Nordeste. A escolha vai além da preferência pessoal: manter-se próximo das origens fortalece sua identidade artística e sua conexão com o público.

    Essa coerência aparece também na música. O projeto Dominguinho, gravado ao lado de Jota.pê e do sanfoneiro Mestrinho, rendeu ao cantor seu primeiro Grammy Latino, em novembro de 2025. Além disso, João foi escolhido para estrear a versão brasileira do Tiny Desk Concert, série intimista que celebra grandes talentos da música. Ainda assim, ele segue firme na pegada acústica e no universo do sertão.

    “A música tem me proporcionado lugares grandes, mas eu sempre faço meus audiovisuais mais na pegada acústica. O Pé de Serrita é um pé de serra gravado no quintal da minha avó”, conta. Seja na Casa Caranguejo ou no projeto em Petrolina, o recado é o mesmo: o sertão não é só cenário. É endereço.

  • Descubra como aproveitar a abóbora e o inhame de forma integral

    Descubra como aproveitar a abóbora e o inhame de forma integral

    No estado de Alagoas, agricultores familiares estão encontrando um novo caminho para diversificar seus produtos e aumentar a renda. A solução está em receitas de abóbora e inhame, desenvolvidas por uma equipe do Laboratório de Gastronomia do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) em parceria com a Embrapa Alimentos e Territórios (AL) e apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

    Essas receitas incluem o uso da polpa, sementes, talos e até das cascas de inhame e abóbora, reduzindo o desperdício e melhorando o aproveitamento integral desses alimentos tradicionais da dieta nordestina.

    Além disso, elas também incluem preparos culinários diferenciados, estimulando o aproveitamento integral das hortaliças e oferecendo mais uma oportunidade de geração de renda.

    “Observamos que há outras variedades cultivadas na região. Esses frutos podem apresentar variações na sua composição não só nutricional, mas sensorial quando preparados para consumo. Assim, buscamos explorar essas características e conhecer melhor as propriedades benéficas à saúde, pois tanto o ambiente como o manejo, a coleta e o manuseio também interferem na qualidade dos produtos”, explica a pesquisadora da Embrapa Priscila Zaczuk Bassinello.

     

    Divulgação – Embrapa

    A abóbora é um produto consumido no País todo, mas no Nordeste, o consumo é diferenciado, pois compõe o cardápio do café da manhã ao jantar.

    Há várias variedades comerciais sendo plantadas oriundas da seleção das sementes tradicionais, ou crioulas, que abastecem o mercado de outros estados da região.

    Duas espécies se destacam: a moranga ou jerimum caboclo (Cucurbita maxima) e a abóbora ou jerimum de leite (Cucurbita moschata D.).O inhame, ou cará, é fonte de fibras e vitaminas, e é um alimento nutritivo rico em energia, fibras e uma fonte de vitaminas (A, C, E e complexo B) e de minerais, como potássio, ferro e cálcio.

    Ele é um produto de fácil conservação, que pode durar até mais de 15 dias se for mantido em local fresco, seco, escuro e arejado.

    Também pode ser congelado cru, fatiado ou cozido na forma de purê. “Foi um desafio gratificante fazer os testes, elaborar essas receitas e ministrar as oficinas”, diz a professora Ingrid Tavares de Lima, do Ifal. “A proposta foi diversificar ao máximo o consumo integral desses ingredientes, gerando uma nutrição mais completa e despertando o interesse dos agricultores e suas famílias por novas formas de preparo”, explica.

    As receitas incluem desde empadinhas, bolinhos, pães, bolos, panquecas, biscoitos e chips de inhame e abóbora, até sucos e cremes. Com limão, maçã e gengibre, é possível fazer suco de inhame.

    Divulgação – Embrapa/Elias Rodrigues

    As sementes e as cascas também podem ser usadas para fazer farinha, chips e sucos, entre outros preparos.

    Alagoas tem uma grande oportunidade de ampliar a sua produção de inhame para abastecer o mercado interno, que vem apresentando demanda crescente pelo produto.

    Em Maceió, são comercializadas cerca de 850 toneladas de inhame por mês somente na Ceasa. Sendo que mais de 90% dos produtos comercializados no município são produzidos em outros estados.

    “Nosso trabalho busca, ainda, resgatar as cultivares tradicionais de inhame barba de arame e gereba, entre outras variedades presentes na região”, conta o pesquisador da Embrapa João Gomes. “Estamos avaliando essas variedades, que são raras, para verificar se elas podem ser menos suscetíveis a doenças como a casca-preta e pinta-preta, que têm causado muitos prejuízos à cultura”, complementa.

    O resgate dessas variedades tradicionais é fundamental para a manutenção da variabilidade genética e a soberania e segurança alimentar das famílias da região nordestina. Outro objetivo é incentivar o uso integral dos tubérculos a partir das variadas receitas desenvolvidas pelo Ifal, campus Marechal Deodoro.