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  • Pesquisa revoluciona produção de vinhos com madeiras nativas brasileiras

    Pesquisa revoluciona produção de vinhos com madeiras nativas brasileiras

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) acaba de revolucionar o mercado de vinhos mineiros. A instituição lançou novas linhas de produtos que celebram os 90 anos do Campo Experimental de Viticultura e Enologia de Caldas, no Sudoeste de Minas Gerais.

    As edições especiais “Madeiras Brasileiras” e “Maceração Carbônica” exploram técnicas inovadoras de elaboração. Os pesquisadores apostam no amadurecimento da bebida em diferentes recipientes e processos que criam novos estilos de produto.

    “Queremos demonstrar a identidade dos vinhos brasileiros do início ao fim do processo, desde o campo, no vinhedo, contemplando todas as características de cada região e seu terroir específico, até a taça”, afirma Cristiane Rota, enóloga da Epamig.

    A enóloga destaca que o mercado desenha um novo perfil de consumidor. Os produtores ganham destaque com elaborações diversificadas que apresentam melhor custo-benefício devido ao menor tempo de permanência na cantina.

    Madeiras nativas realçam características dos vinhos mineiros

    A Epamig validou e difundiu a tecnologia da dupla poda da videira, que viabilizou a produção de vinhos finos no Sudeste e em outras regiões do Brasil. Agora, a instituição abre espaço para novos métodos de elaboração.

    A adega reúne vinhos oriundos de diferentes pesquisas. Desta vez, os pesquisadores inovaram ao utilizar madeiras como Amburana, Jequitibá-rosa e Castanheira no processo de envelhecimento da bebida.

    “A proposta é demonstrar como elementos já presentes em nosso terroir podem ser empregados para realçar características importantes dos vinhos e reafirmar o papel da pesquisa para o produtor e para a vitivinicultura do estado”, explica Cristiane Rota.

    Syrah edição “Madeiras Brasileiras” apresenta perfis distintos

    Os pesquisadores elaboraram o Syrah edição “Madeiras Brasileiras” com uvas de colheita de inverno de São Sebastião do Paraíso, também no Sudoeste do estado. Cada rótulo da linha entrega características que variam de acordo com o potencial de cada madeira.

    Foto: Erasmo Lemos/Epamig

    O Jequitibá-rosa confere elegância e equilíbrio ao vinho. A madeira proporciona aromas amadeirados delicados e preserva o destaque da fruta. Já a Amburana imprime intensamente suas características aos aromas e sabores, exaltando a madeira e a complexidade da Syrah.

    A Epamig iniciou as pesquisas com madeiras brasileiras na safra de 2021. A Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) apoiou os projetos desenvolvidos. Desde então, os pesquisadores realizam testes para identificar quais madeiras melhor se adaptam ao perfil de amadurecimento do vinho, além de compreender o tempo ideal de contato com cada uma.

    “As madeiras brasileiras que já possuem autorização de uso, com cachaças por exemplo, vão ganhar mais uma possibilidade de utilização. Além disso, pesquisas para aprovação de uso de outras madeiras nativas estão em curso”, conta a pesquisadora Renata Vieira, coordenadora do Programa Estadual de Pesquisas em Vitivinicultura da Epamig.

    Maceração carbônica cria vinho com perfil único

    A Epamig lança o “Cuor”, um vinho Syrah de colheita de inverno, ao explorar novas técnicas de elaboração. Os pesquisadores elaboraram o produto por meio da técnica de maceração carbônica, que resulta em um vinho com características bem brasileiras.

    “É uma técnica de fermentação muito diferente do que já conhecemos. Utilizamos cachos inteiros da variedade Syrah, que colocamos em um tanque de inox, com a adição de gás carbônico, onde permanecem por cerca de 25 a 30 dias”, ressalta a enóloga Cristiane Rota.

    A fermentação acontece no interior da baga. As enzimas da própria uva passam a atuar quimicamente e formam compostos aromáticos responsáveis por conferir um perfil único ao vinho, exaltando a fruta, o frescor e a leveza.

    A técnica resulta em características que diferenciam o produto do Syrah tradicional.

    Linha completa oferece variedade aos consumidores

    A linha de edições especiais também integra o Syrah “Unoaked”, um vinho que não passa por envelhecimento em madeira. O produto preserva a pureza e as características da uva e do terroir. Já o Syrah “Carvalho Francês” amadurece nas clássicas barricas de madeira francesa ou americana.

    Os novos rótulos têm quantidade limitada. Os consumidores podem adquiri-los diretamente no Campo Experimental da Epamig, em Caldas.

  • Madeiras: como escolher a melhor opção para envelhecer sua cachaça

    Madeiras: como escolher a melhor opção para envelhecer sua cachaça

    A cachaça é um destilado típico do Brasil e surgiu por volta de 1520, em Pernambuco. A bebida hoje passa por envelhecimento, mas essa prática não ocorria no início da produção. A técnica surgiu por acaso na corrida do ouro em Minas Gerais, quando barris de madeira transformaram cor e sabor da aguardente transportada. Confira as orientações divulgadas pela Esalq/USP.

    Envelhecimento melhora aroma, sabor e equilíbrio químico

    O processo de envelhecimento aprimora a qualidade química e sensorial da cachaça. Produtores armazenam o destilado em barris por tempo adequado, permitindo reações que suavizam o álcool das bebidas recém-destiladas. O período necessário varia conforme a madeira usada no processo.

    Compostos voláteis definem aromas e sabores da cachaça

    Os congêneres voláteis atuam na mudança do aroma e sabor e variam conforme a madeira do barril. Cada espécie altera a composição química da bebida e impacta acidez volátil, teor alcoólico e extrato seco. Esses elementos influenciam diretamente a percepção do consumidor.

    Carvalho lidera o envelhecimento, mas há mais de 30 madeiras

    O carvalho se tornou a madeira mais comum no envelhecimento da cachaça, mas existem mais de 30 opções disponíveis. Cada uma entrega cores, aromas e sabores específicos. Amburana, jequitibá-rosa, amendoim, bálsamo, ipê, freijó e castanheira estão entre as espécies mais usadas. Essa diversidade cria perfis únicos para o destilado.

    Carvalho americano e europeu dominam a fabricação de barris

    As espécies do gênero Quercus lideram o envelhecimento de bebidas alcoólicas em todo o mundo. O carvalho americano (Quercus alba) e os europeus Quercus petraea e Quercus robur são os mais utilizados na produção de barris. Cada tipo entrega características sensoriais distintas ao produto final.

    Carvalho americano oferece suavidade e notas doces

    Cachaças armazenadas no carvalho americano ganham coloração dourada e aromas de baunilha e coco. O sabor se torna mais suave e apresenta buquê complexo.

    Carvalho europeu entrega intensidade e notas tostadas

    O carvalho europeu produz cachaças de cor âmbar, com aromas intensos e sabores marcantes. O destilado apresenta notas de amêndoas, castanhas, madeira tostada e taninos.

    Amburana destaca doçura e aromas fortes

    A amburana (Amburana cearensis) ocorre do Ceará ao norte da Argentina e tem densidade moderada. A madeira é comum na marcenaria do Nordeste. A cachaça envelhecida em amburana ganha cor intensa, sabor adocicado e buquê marcante, com notas frutadas e especiarias.

    Jequitibá-rosa entrega leveza e equilíbrio aromático

    O jequitibá-rosa (Cariniana legalis) é nativo do Brasil e possui tonalidade bege-rosada. A madeira é durável e usada em diversas aplicações. No envelhecimento, ela dá à cachaça cor dourada e buquê suave, semelhante ao carvalho americano.

    Bálsamo intensifica aromas herbais e toque apimentado

    O bálsamo (Myrocarpus frondosus) é resistente e comum na fabricação de móveis. No sul da Bahia, ele compõe receitas tradicionais de cachaça. Barris de bálsamo adicionam cor amarelo-esverdeada, aroma herbal marcante e sabor levemente apimentado.

    Normas garantem segurança e qualidade da cachaça

    A cachaça deve seguir a Normativa nº 13, de 29 de junho de 2005. O regulamento exige teor alcoólico entre 38% e 48% e acidez volátil máxima de 150 mg/100 mL. A bebida também deve conter mínima concentração de álcoois superiores e teor máximo de cobre de 5 mg/L.

    Escolha da madeira define personalidade da bebida

    A madeira usada no envelhecimento define cor, aroma e sabor da cachaça. Embora o carvalho seja o mais conhecido, outras espécies entregam perfis sensoriais distintos. A escolha deve considerar o resultado desejado e a disponibilidade da madeira mais adequada para a produção.

  • Gigante de 500 anos: Fiocruz descobre jequitibá-rosa centenário

    Gigante de 500 anos: Fiocruz descobre jequitibá-rosa centenário

    Pesquisadores da Fiocruz Mata Atlântica descobriram um jequitibá-rosa (Cariniana legalis) com cerca de 500 anos de idade e 40 metros de altura no Parque Estadual da Pedra Branca, em Guaratiba. O feito inédito revela um patrimônio natural escondido na maior floresta urbana do mundo.

    A localização específica, a um quilômetro no interior da mata e a 200 metros de altitude, ajudou a proteger este gigante ao longo dos séculos. Os biólogos Monique Medeiros Gabriel e Jaílton Costa, da Fiocruz, atribuem a conservação da árvore ao acesso restrito permitido por meio do Sítio Jequitibá-Rosa. Essa propriedade particular preserva outros exemplares da espécie e um importante remanescente florestal com grande diversidade de plantas.

    O biólogo Thiago Fernandes, também da Fiocruz Mata Atlântica, alerta que o jequitibá-rosa é uma espécie exclusiva da Mata Atlântica. E está ameaçada de extinção, principalmente devido à extração de madeira e à perda de habitat. Para combater esse risco, os pesquisadores já iniciaram um trabalho de conservação: marcaram a árvore para a coleta de sementes e produção de mudas no horto da Fiocruz. O objetivo é reintroduzir a espécie na natureza, seguindo as recomendações do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora).

    O registro do jequitibá-rosa faz parte do projeto Biota Pedra Branca. Que visa ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local e auxiliar na construção de um sistema de vigilância para zoonoses silvestres. A pesquisa ocorre no âmbito da Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica (EBFMT). Ela foi fundada em 2016 como a primeira estação biológica do Ministério da Saúde e a primeira do mundo com foco principal na interface entre biodiversidade e saúde.

    Floresta da Pedra Branca 

    A Mata Atlântica é um bioma rico em biodiversidade. Porém, ameaçado de extinção com grande variedade de espécies de plantas e de animais, algumas dessas endêmicas.  Está presente em 15% do território brasileiro e é a segunda maior floresta tropical do Brasil. Neste contexto, a Floresta da Pedra Branca é o maior remanescente de Mata Atlântica na cidade do Rio de Janeiro e a maior floresta urbana do mundo. Essa floresta está localizada na zona Oeste do Rio de Janeiro, onde o campus da Fiocruz Mata Atlântica está inserido.

    Por ser um campus diferenciado em suas características geográficas, situado na fronteira entre a área urbana e a floresta remanescente da Mata Atlântica, a Fiocruz Mata Atlântica realiza projetos e ações que contam com a participação da população para contribuir com o desenvolvimento da região de forma saudável e sustentável.