Tag: Jatobá

  • Do fruto à inovação: jatobá vira farinha, licor e pomada cicatrizante

    Do fruto à inovação: jatobá vira farinha, licor e pomada cicatrizante

    Pesquisadores brasileiros estão impulsionando o uso do jatobá, fruto nativo de casca dura presente em cinco biomas; Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Tradicionalmente conhecido pelo uso de sua madeira, o jatobá começa a se firmar como uma planta alimentícia não convencional (PANC) de alto potencial econômico e sustentável.

    O Projeto Jatobá, conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Tupã e coordenado pela geógrafa Izabel Castanha Gil, tem como principal meta organizar e valorizar a cadeia produtiva do fruto. “Mapeamos os pontos de coleta em cerca de 30 municípios paulistas e trabalhamos com grupos indígenas do Mato Grosso, que já utilizam o jatobá tradicionalmente. Também articulamos ações de reflorestamento com a espécie”, explica Izabel.

    A iniciativa reúne parcerias com universidades e instituições como o Sebrae, Fatec Marília, Embrapii e Cati-SP. O objetivo é unir pesquisa, inovação e capacitação para transformar o jatobá em fonte de renda e conservação ambiental.

    Entre os produtos desenvolvidos estão farinha de jatobá (já usada na merenda escolar), vinagres feitos da casca, creme com cacau e amendoim, mistura para bolo instantâneo, licor e xarope. Segundo Izabel, o próximo desafio é encontrar parceiros que garantam escala de produção.

    Na área de panificação, a Fatec Marília criou um fermento natural à base da seiva do jatobá, rico em cálcio, ferro, magnésio e fibras, e totalmente livre de glúten. No Oeste paulista, o município de Adamantina foi reconhecido em 2025 como Cadeia Produtiva Local (CPL) do jatobá, o que possibilita novos incentivos para produtores e empreendedores.

    Até queijo

    A inovação também chega aos laticínios. Uma queijaria local desenvolveu queijo trufado com creme de jatobá, cacau e amendoim. Além de queijo curado em licor de jatobá, resultado de parcerias com o projeto.

    Pesquisadores de Porto Alegre colaboram com o desenvolvimento de um larvicida natural contra o Aedes aegypti, feito a partir da resina do jatobá, atualmente em fase de testes de campo. A mesma resina é base para uma pomada cicatrizante que passa por estudos bioquímicos avançados. “A produção ainda é experimental, mas a demanda crescente já mobiliza comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul”, destaca Izabel.

    Ele também integra programas de reflorestamento e compensação ambiental, com potencial para gerar créditos de carbono. Mais de 20 mil mudas já foram plantadas em propriedades privadas e áreas públicas da região.

    Árvore de jatobá. Foto: Wilson Fortunato/Flickr

    A árvore leva de 10 a 12 anos para frutificar. Mas depois disso, pode produzir até 200 quilos de frutos a cada dois anos, mantendo a produtividade por mais de um século. Com tanto potencial, o jatobá se firma como símbolo de sustentabilidade, inovação e valorização da biodiversidade brasileira.

  • Tamanduá-bandeira enfrenta onça-pintada e filhotes em cena rara

    Tamanduá-bandeira enfrenta onça-pintada e filhotes em cena rara

    Um encontro raro e surpreendente entre uma tamanduá-bandeira e uma família de onças-pintadas foi registrado no Refúgio Ecológico Caiman, no Mato Grosso do Sul. O biólogo e guia do Onçafari, Bruno Sartori Reis, acompanhava um grupo de turistas quando testemunhou uma cena inusitada: a onça-pintada Aroeira e seus dois filhotes, Jatobá e Jacarandá, recuaram diante da coragem de uma fêmea de tamanduá-bandeira, que os afugentou com vocalizações intensas e postura agressiva.

    “Ela veio em cima da Aroeira e dos filhotes, colocando todo mundo para correr”, relatou Bruno ao Conexão Planeta. Segundo ele, os felinos, que inicialmente pareciam curiosos com o tamanduá, recuaram diante da reação inesperada. “Não era uma tentativa de caça, mas sim uma curiosidade natural dos filhotes”, explicou.

    Tamanduás: presas difíceis para onças

    Embora as onças-pintadas considerem os tamanduás-bandeira como presas em potencial, esses animais oferecem uma defesa formidável. Com garras afiadas nas patas dianteiras e um instinto protetor aguçado – especialmente quando acompanhados por filhotes –, eles podem se tornar adversários perigosos. “O tamanduá encara a onça, usa suas garras e não é uma presa fácil”, destacou Bruno, que já presenciou outros episódios semelhantes, mas nunca com três onças envolvidas.

    Gigantes em risco

    O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é o maior representante da família dos tamanduás, podendo atingir até 2 metros de comprimento (incluindo a cauda) e 40 kg. Esses animais solitários, típicos de biomas como o Cerrado e o Pantanal, alimentam-se principalmente de formigas e cupins, usando sua língua longa e pegajosa para capturar as presas.

    Apesar de sua força e comportamento defensivo, a espécie está classificada como “vulnerável” pela IUCN, devido à perda de habitat e atropelamentos. Encontros como o registrado em Caiman reforçam a importância da conservação desses animais únicos, que desempenham um papel crucial no equilíbrio ecológico.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Conheça a Capital Nacional da Cachaça

    + Agro em Campo: Rapadura volta com força total e movimenta economia rural