Enquanto a média nacional aponta que apenas 39,3% dos cargos gerenciais pertencem a mulheres, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) caminha para a paridade: 46% das posições de liderança estão em mãos femininas. Com atuação estratégica em projetos que vão do sequenciamento genético para pacientes do SUS à certificação inédita de madeira engenheirada, pesquisadoras e gestoras colocam o estado na vanguarda da inovação.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, atribui o resultado à cultura institucional. “Promovemos um espaço colaborativo que incentiva a representatividade e estimula o surgimento de novas lideranças. Contamos com uma competente equipe de mulheres à frente de projetos estratégicos e equipes nas áreas técnica, administrativa, de gestão e pesquisa”, afirma.
Pioneirismo em biotecnologia e células-tronco
Aos 43 anos, a pesquisadora Jaiesa Zych Nadolny integra a primeira turma de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia do país, formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na época, ouvia que a área seria “a ciência do futuro”. O futuro chegou: há 11 anos no Tecpar, ela testemunhou a evolução da pesquisa com células-tronco até se tornar gerente do Centro de Saúde Pública de Precisão (CSPP).
- Governo federal amplia ações para coibir assédio e inserir mulheres em portos e aeroportos
- Genoma completo da jararaca-ilhoa lança luz sobre a evolução das toxinas do veneno
A unidade, parceria com Fiocruz Paraná e IBMP, realiza sequenciamento genético para diagnosticar doenças raras em pacientes do SUS. “Foram mais de vinte anos nesta caminhada. Muitas pesquisas que pareciam distantes hoje se concretizaram em importantes aplicações”, diz Jaiesa, que é doutora em Biologia Celular e Molecular.
O percurso até a posição atual exigiu resiliência. Em 2013, ela defendeu o doutorado, iniciou o pós-doutorado e deu à luz o primeiro filho, tudo ao mesmo tempo. “Ele tinha três meses quando fiz o concurso do Tecpar. Estudava de madrugada, quando ele acordava para mamar”, recorda.
Certificações inéditas e mercado de carbono
A química Melissa Umata Lucato também trilhou caminho semelhante. Depois de lecionar por dois anos na Unicentro, enfrentou a rotina exaustiva e decidiu mudar de área. Há 20 anos no Tecpar, hoje gerencia o Setor de Certificação de Sistemas e comanda projetos pioneiros no Brasil.

Sob sua liderança, o instituto implantou o programa de verificação de inventários de Gases de Efeito Estufa e a certificação para madeira engenheirada, inédita no país. “É um trabalho muito inovador e temos uma equipe muito boa tocando tudo isso”, afirma Melissa, que também é doutora em Habilidades Analíticas.
A gestora coordena ainda equipes de bolsistas, unindo a experiência à paixão pelo ensino. “O Tecpar tem sido esse grande instrumento na vida dessas pessoas, como porta de entrada na vida profissional. Ver alguém crescer e evoluir é muito gratificante”, completa.
Impacto direto na sociedade
Os projetos liderados por essas pesquisadoras geram impacto concreto. O Centro de Saúde Pública de Precisão beneficia diretamente pacientes do SUS com doenças raras. Já as certificações ambientais e de gestão ajudam empresas a se adequarem a padrões sustentáveis e de qualidade.
Os números reforçam a representatividade: com 26 mulheres em cargos de gerência contra 31 homens, o Tecpar se aproxima da igualdade de gênero em posições estratégicas, contrariando a estatística nacional do IBGE.
