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  • Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Se alguém te dissesse que um quilo de café feito a partir de fezes de pássaro custa R$ 1.530, você provavelmente acharia que é exagero ou pegadinha. Porém, esse é o preço real do Jacu Bird Coffee, o café exótico produzido na Fazenda Camocim, nas montanhas do Espírito Santo, a partir de grãos catados manualmente do cocô da ave jacu. O pacote de 250 gramas sai por R$ 382 e encontra comprador dentro e fora do país.

    Há quase vinte anos, a presença do jacu na lavoura acendeu o sinal de alerta. A ave, que pode chegar a 85 centímetros de comprimento e vive de frutos, começou a atacar os cafezais da fazenda. O dono, Henrique Sloper, lembra que o primeiro impulso foi tratar o animal como praga. “Vimos uns 30 jacus comendo café e nos preocupamos em chamar Ibama, chamar todo mundo. ‘O que a gente faz?’ Não tem o que fazer, pensamos em tentar aproveitar isso de alguma maneira”, contou.

    O problema que virou solução

    A “virada de chave” veio em 2008, quando a fazenda decidiu se inspirar no Kopi Luwak, o famoso café da Indonésia produzido a partir das fezes de civetas, pequenos mamíferos. A partir dali, o que era sinal de prejuízo começou a ser tratado como oportunidade, com direito a certificação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e status de produto orgânico e biodinâmico.

    O processo é totalmente manual. O jacu come o café maduro e, cerca de 40 minutos depois, elimina os grãos praticamente inteiros, em blocos que lembram um pé de moleque. Funcionários da fazenda percorrem a área recolhendo os resíduos a mão, separam os grãos e levam para secagem. Depois da estufa, o café passa por uma câmara fria, onde fica até um mês a temperaturas de até 25 graus negativos. Na sequência, vem a seleção por tamanho, cor e qualidade, para só então seguir para torra, moagem e preparo.

    O resultado é um café com baixo teor de cafeína, porque a ave consome cerca de 70% da substância durante a digestão. É justamente esse processo incomum, somado ao trabalho intensivo, que ajuda a explicar o preço salgado. “É um processo caro de fazer, não existe máquina de processar resíduos de pássaros”, resume Sloper.

    Quanto vale o exótico na xícara?

    Quando você compara o valor do Jacu Bird Coffee com o mercado tradicional, a diferença assusta. Uma saca de 60 quilos de café arábica comum hoje gira entre R$ 1.700 e R$ 1.900, dependendo da região. Nos cafés especiais, mesmo os mais premiados do país, o número continua bem abaixo do que o jacu entrega.

    Em dezembro, um leilão da BSCA com 30 lotes vencedores do Cup of Excellence Brazil 2025 arrecadou cerca de R$ 1,79 milhão, o que equivale a aproximadamente R$ 15 mil por saca de 60 quilos, ou R$ 250 o quilo. Na prática, o quilo do café de fezes de jacu custa cerca de seis vezes mais do que alguns dos melhores cafés especiais brasileiros. E, se você olhar para fora, a discrepância aumenta: na Inglaterra, o mesmo café chega a ser vendido pelo equivalente a R$ 9 mil o quilo.

    Apesar de ocupar um nicho minúsculo dentro da produção da Camocim, o impacto financeiro é relevante. Em cada safra, saem da fazenda cerca de três toneladas do café do jacu, dentro de um total de 230 toneladas de café produzidas. O suficiente para abastecer mercados exigentes como Japão, França e Inglaterra, além de um público brasileiro disposto a pagar caro pela experiência.

    O jacu como “funcionário” da agricultura regenerativa

    Para além do lado exótico, o jacu virou peça de comunicação da fazenda sobre práticas de agricultura regenerativa. Sloper costuma dizer que o animal cumpre três funções na propriedade: funciona como alarme de colheita, selecionador e replantador. Se o jacu está comendo, é porque o café está no ponto. Ao escolher os melhores frutos, ele faz uma pré-seleção natural. E, ao voar e defecar pela mata, ajuda a espalhar sementes e nutrientes.

    O produtor, no entanto, não pretende colocar o café do jacu em competições ou provas com pontuações tradicionais, como acontece com outros especiais acima de 80 pontos. “O custo de produção é altíssimo. Não faz sentido botar em competição, e não faz sentido dar nota, porque é exótico. Da mesma forma que não faz sentido eu fazer muita conta [sobre os custos], porque se eu fizer, [possivelmente] eu não faria isso”, afirma. Para ele, o produto serve também como vitrine de um sistema de manejo em área de regeneração, onde a presença da ave deixa de ser problema e passa a compor a lógica do negócio.

    O que isso acende de alerta para o agronegócio?

    Ainda que o Jacu Bird Coffee seja um caso extremo, ele joga luz em tendências que interessam ao produtor rural que está atento ao mercado. De um lado, mostra como nichos ultrasegmentados, baseados em narrativa forte e diferenciação sensorial, conseguem multiplicar o valor por quilo em relação ao café comum. De outro, escancara como o consumidor global está disposto a pagar caro por histórias de origem, biodiversidade e produção alinhada à agricultura regenerativa.

    Para quem vive do agro, o recado é direto: inovação não está só na máquina nova ou na variedade mais produtiva. Às vezes, começa em algo que parece problema, como um bando de jacus atacando o café, e termina em um produto que custa seis vezes mais que os grãos campeões do país.

  • Conheça os 5 cafés mais caros e exóticos do mundo

    Conheça os 5 cafés mais caros e exóticos do mundo

    O mundo dos cafés é vasto e repleto de surpresas. Entre as diversas variedades, algumas se destacam não apenas pelo sabor, mas também pelos preços exorbitantes que alcançam. Conheça a seguir os cafés mais caros e exóticos do planeta, que atraem tanto apreciadores quanto curiosos.

    Kopi Luwak: O Rei dos Cafés Exóticos

    Muitos consideram o Kopi Luwak o café mais caro do mundo. Na Indonésia, produtores criaram este café a partir de grãos que passam pelo sistema digestivo do civeta, um mamífero que escolhe as melhores cerejas para se alimentar.

    Após digerir os grãos, o civeta expele o material, e trabalhadores coletam, lavam e torram os grãos. O resultado é uma bebida com notas frutadas e baixa acidez. O preço pode ultrapassar R$ 1.400,00 por quilo, dependendo da qualidade e da origem.

     Black Ivory Coffee: A Fermentação dos Elefantes

    Outro café que merece destaque é o Black Ivory Coffee, produzido na Tailândia. Em outro processo semelhante, elefantes ingerem os grãos, que fermentam naturalmente em seus estômagos. Por fim, as equipes recolhem os grãos expelidos, que seguem para a etapa de processamento. Este método peculiar confere ao café um sabor suave e adocicado, com preços que podem chegar a US$ 1.200 por quilo.

    Jacu Bird Coffee: A Seleção do Pássaro

    O Jacu Bird Coffee, originário do Brasil, também se destaca entre os cafés mais caros do mundo. Neste caso, o Jacu, uma ave nativa do Espírito Santo, consome as cerejas de café e expele os grãos intactos. Ou seja, o processo de colheita é manual e orgânico, garantindo a qualidade do produto final. O preço médio no mercado internacional é de cerca de US$ 1.100 por quilo.

    Hacienda La Esmeralda: O Geisha Panamenho

     

    Cultivado nas altas montanhas do Panamá, o café Hacienda La Esmeralda é famoso pelo seu varietal Geisha. Este café é conhecido por seu aroma floral e sabor excepcionalmente doce e frutado. Devido à sua raridade e qualidade superior, o preço portanto pode chegar a US$ 600 por meio quilo.

    Laurina: A Variedade Rara

    O café Laurina, uma variedade rara da espécie Coffea arabica, possui baixo teor de cafeína e é conhecido por seu sabor delicado. Após a colheita, passa por um processo de fermentação semelhante ao usado na produção de vinhos, resultando em notas frutadas. Sendo assim, este café raro também está entre os mais caros do mundo.

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    Portanto, esses cafés exóticos não são apenas bebidas; eles oferecem uma experiência sensorial única e uma história fascinante por trás de cada xícara. Além disso, para muitos apreciadores, o valor vai além do preço; trata-se de uma jornada cultural e gustativa que vale cada centavo investido.