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  • Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    Como o calor extremo está mudando a produção do parmesão mais famoso do mundo

    As ondas de calor que atingem a Itália em 2026 já afetam diretamente a produção do Parmigiano Reggiano, queijo com mais de 800 anos de história e um dos símbolos gastronômicos mais conhecidos do país.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Gelisite/Flickr

    Temperaturas acima de 40 °C fazem as vacas comerem menos, permanecerem mais tempo deitadas e produzirem menos leite. Essa combinação preocupa produtores, fabricantes e administradores dos armazéns responsáveis pelo envelhecimento do queijo.

    A indústria do Parmigiano Reggiano movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano e sustenta milhares de empregos na Itália. A Reuters mostrou, em reportagem publicada em 13 de julho de 2026, como o calor extremo passou a pressionar toda a cadeia produtiva, da fazenda ao armazém.

    Calor acima de 40 °C reduz em até 10% a produção de leite

    Há cerca de 50 anos, os agricultores da região da Emília-Romanha abriam as janelas dos celeiros apenas durante as noites de verão. Hoje, essas mesmas janelas permanecem abertas 24 horas por dia para proteger o gado das temperaturas recordes que atingem a região.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Crissy Terawaaki/Flickr

    Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, afirma que o calor compromete tanto a qualidade quanto a quantidade do leite. As vacas passam mais tempo deitadas nos períodos mais quentes e reduzem o consumo de alimento, o que pode derrubar a produção de leite em até 10%.

    O impacto preocupa porque o Parmigiano Reggiano usa apenas três ingredientes:

    • Leite cru de vaca
    • Sal
    • Coalho

    Portanto, qualquer redução na oferta de leite interfere diretamente no ritmo da fabricação.

    Produtores só podem fabricar o autêntico Parmigiano Reggiano em cinco províncias italianas, a maioria delas na Emília-Romanha, e precisam alimentar as vacas exclusivamente com capim e feno cultivados dentro dessa área autorizada. Períodos prolongados sem chuva representam, portanto, outra ameaça à cadeia produtiva: sem água, o capim não cresce, o que compromete a produção de feno e reduz ainda mais a quantidade de leite disponível para o queijo.

    Ventiladores e nebulizadores fazem os custos dispararem

    Para reduzir a temperatura dentro dos celeiros, os produtores instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água, medidas que ajudam a proteger os animais, mas que também aumentam significativamente o consumo de energia elétrica.

    Os gastos também cresceram nos depósitos onde as rodas de queijo permanecem durante a maturação, processo que dura pelo menos 12 meses e que, em alguns casos, se estende por três anos ou mais. Durante todo esse período, as instalações precisam manter temperatura e umidade controladas.

    Mais de 500 mil rodas aguardam maturação em depósitos climatizados

    Dois grandes depósitos especializados guardam mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, em um estoque avaliado em mais de 300 milhões de euros. A Magazzini Generali delle Tagliate, unidade ligada ao banco Credito Emiliano, opera as estruturas, localizadas nas províncias de Reggio Emilia e Modena.

    Segundo o diretor Giancarlo Ravanetti, o consumo diário de energia aumentou cerca de 30% durante os picos de calor de 2026. Para conter os custos, a empresa modernizou os sistemas de refrigeração e as caldeiras, melhorou o isolamento dos edifícios e ampliou a geração de energia renovável.

    Tecnologia e tradição protegem a qualidade do queijo

    Produtores e especialistas apelidaram coletivamente esses armazéns climatizados de “Banco do Parmigiano”. As instalações combinam tecnologia moderna e métodos tradicionais de inspeção. Assim, cada roda passa por controles rigorosos de qualidade durante a maturação, incluindo exames de raio X que ajudam a identificar defeitos internos.

    Parmigiano Reggiano
    Foto: Scott Dickey/Flickr

    Além disso, especialistas também batem pequenos martelos nas peças e analisam o som produzido, técnica que permite detectar falhas surgidas durante o envelhecimento. Ravanetti reforça que o trabalho humano continua essencial para garantir a qualidade final do produto.

    Tarifas dos EUA agravam o cenário para as exportações

    As exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano em 2025, com os Estados Unidos como principal mercado internacional. Mas esse mercado ficou mais instável: no fim de 2025, novas tarifas elevaram a carga tributária total sobre o queijo importado nos EUA para 25%, com possibilidade de novos aumentos.

    Diante da incerteza regulatória, importadores americanos suspenderam pedidos no início de 2026 para avaliar o impacto das tarifas e das pressões econômicas. Assim, essa decisão ajudou a derrubar em 10% o volume de vendas da Itália em 2025.

    Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas da GranTerre, que registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025, afirma que eventos climáticos mais intensos podem elevar ainda mais os custos e afetar a quantidade e a qualidade do leite nos próximos anos.

    O que pode acontecer com o Parmigiano Reggiano nos próximos anos?

    O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos e representa uma das tradições alimentares mais conhecidas da Itália. As ondas de calor mostram que até processos preservados por séculos podem enfrentar dificuldades diante de temperaturas extremas, secas e agora também de barreiras comerciais.

    Portanto, produtores precisam equilibrar tradição, tecnologia e custos crescentes para manter a fabricação do queijo. Ganzerli resumiu a preocupação do setor com uma declaração direta:

    “Não queremos ser a última geração a comer esse queijo.”

  • Azeites brasileiros brilham em concursos internacionais

    Azeites brasileiros brilham em concursos internacionais

    Dois azeites brasileiros, produzidos em regiões opostas do país, somaram medalhas em concursos internacionais de peso nas últimas semanas. Em Cristina, no Sul de Minas Gerais, a marca Alto da Serra conquistou o Ouro no Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC), na Itália.

    Olival do Azeite Alto da Serra
    Olival do Azeite Alto da Serra, no município de Cristina. Foto: Azeite Alto da Serra / Divulgação

    Em Gramado, na Serra Gaúcha, o Olivas de Gramado somou bronze em Mônaco e prata na Itália, além de um prêmio especial de qualidade. Juntos, os resultados reforçam a evolução da olivicultura nacional, ainda incipiente, mas cada vez mais competitiva no cenário mundial.

    Ouro para o azeite de Cristina, no Sul de Minas

    O Alto da Serra Blend, produzido no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, recebeu Medalha de Ouro na edição 2026 do Evo IOOC. A premiação aconteceu em 26 de junho, em Palmi, na região da Calábria, e reuniu diversos rótulos nacionais. O azeite mineiro também ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani.

    Alisson Moreira e família
    Alisson Moreira e família. Foto: Arquivo pessoal

    O produtor Alisson Moreira participa do concurso pela primeira vez e comemora o resultado. “O foco sempre foi a qualidade e a gente está buscando mais excelência. Estamos muito contentes”, afirma.

    O interesse pela olivicultura surgiu depois que Moreira conheceu a boa adaptação da oliveira à região. “Nosso sítio é em Cristina, município vizinho a Maria da Fé. Quando conheci a história da oliveira e soube que o azeite daqui era muito bom, passei a me aprofundar no assunto. Em 2016 fomos à Epamig buscar informações e, no final de 2017, iniciamos o plantio”, conta.

    Cultivo familiar

    O cultivo, de caráter familiar, ocupa 1,5 hectare a 1,5 mil metros de altitude e reúne 340 oliveiras. A primeira colheita, em 2022, rendeu cerca de 12 litros de azeite. A marca Alto da Serra nasceu em 2024 e hoje vende o produto na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, a produção já soma 304 litros.

    “Os especialistas da olivicultura nos chamaram atenção para a qualidade do nosso azeite. A partir daí veio a ideia de inscrever o produto no concurso. Sabia que era bom, mas minha percepção é de consumidor. Tenho vontade de fazer um curso de sommelier para conhecer melhor as características e a complexidade do azeite que produzimos aqui”, diz Moreira.

    O pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira avalia que os resultados confirmam a qualidade dos azeites nacionais. “A produção é incipiente, desafiadora e, safra após safra, temos obtido produtos que se destacam por atributos de qualidade como frutado, amargor e picância. O que demonstra que estamos no caminho certo”, diz.

    Cinco azeites mineiros entre os finalistas do prêmio CNA

    Minas Gerais também colocou cinco azeites entre os dez finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O concurso avalia produtos nacionais nas categorias monovarietal e blend, com critérios como amargor, picância, frutado, complexidade e equilíbrio.

    A avaliação técnica ocorreu em Brasília e contou com especialistas da Epamig, da Embrapa e da UFCSPA de Porto Alegre. Pela Epamig, o pesquisador Luiz Fernando de Oliveira atuou como jurado, enquanto Carolina Zambon conferiu laudos químicos, amostras e preparo. O concurso ainda prevê júri popular e uma etapa que avalia a história de produção, valorizando o terroir e o trabalho de campo.

    O júri popular, realizado em 27 de junho, reuniu os rótulos mineiros Mantikir Summit Premium e L’Az na categoria Blend, e Mantikir Grappolo, Alto das Oliveiras e Aiu na categoria monovarietal.

    Olivas de Gramado soma bronze em Mônaco e prata na Itália

    Na Serra Gaúcha, a safra 2026 do azeite extravirgem Terroir Serrano, do Olivas de Gramado, também rendeu reconhecimento internacional. O produto recebeu medalha de bronze na 10ª edição do Masters of Olive Oil International Contest (MOOOIC), em Monte Carlo, no Principado de Mônaco, um dos concursos mais concorridos do setor, que premia apenas azeites de excelência suprema. Além da medalha, o rótulo recebeu o Prêmio de Reconhecimento de Padrão de Qualidade Internacional, concedido a azeites com elevado nível técnico e sensorial.

    O Terroir Serrano também conquistou prata na categoria Blend no Evo IOOC Italy, um dos cinco concursos mais importantes do mundo no segmento. As duas premiações levaram em conta equilíbrio sensorial, pureza, complexidade, intensidade aromática e a qualidade dos processos de produção, do cultivo das oliveiras até a extração do azeite.

    Para conquistar o prêmio em Monte Carlo, o Terroir Serrano superou 78 pontos, resultado que colocou o Olivas de Gramado entre os melhores produtores de azeite do mundo. Um painel de 12 especialistas de quatro países conduziu o julgamento, entre eles os sommeliers Marco Gandolfi (Itália), Himeyo Nagatomo (Japão) e Carmen Sanchez Garcia (Espanha). O MOOOIC reuniu mais de 600 amostras de 18 países, incluindo Itália, Espanha, Grécia, Portugal, Tunísia, Croácia, Eslovênia e Suíça.

    Evo IOOC Ital

    Já o Evo IOOC Italy, realizado na Calábria, berço da cultura do azeite no país, avaliou a excelência, a rastreabilidade e a qualidade de azeites extravirgem e aromatizados conforme as diretrizes do International Olive Council (IOC). O painel internacional reuniu especialistas de países como Itália, Espanha, Grécia, Turquia, Japão, Croácia e Brasil, e analisou mais de 900 rótulos de 25 países.

    Azeitólogo e mestre lagareiro do Olivas de Gramado, André Bertolucci. Foto: DIvulgação

    “Esta safra de 2026 realmente foi sensacional para o Olivas de Gramado! Só neste ano, já são quatro importantes premiações internacionais nos maiores e mais importantes concursos do setor oleícola mundial”, destaca o mestre lagareiro e azeitólogo da marca, André Bertolucci.

    Um blend que traduz o terroir da Serra Gaúcha

    O Terroir Serrano combina três variedades de azeitona,Frantoio, Koroneiki e Picual, e resulta em um azeite extravirgem frutado verde, intenso e complexo, com aroma fresco e notas herbáceas e gramíneas. O amargor e a picância equilibrados, junto a notas de amêndoas verdes, banana, rúcula, maçã e alcachofra, marcam a identidade do terroir da Serra Gaúcha, segundo os especialistas.

    O clima da região, aliado a práticas agrícolas cuidadosas e à precisão da extração no lagar, preserva aromas, sabores e compostos naturais do fruto, incluindo antioxidantes e fitonutrientes. As conquistas em Mônaco e na Itália se somam a outras premiações do Olivas de Gramado neste ano, como ouro na Turquia e prata na Inglaterra, e reforçam a posição da marca entre os produtores brasileiros de maior destaque no exterior.

  • Antes da fama, Ancelotti trabalhou na roça: “Sei fazer queijo até hoje”

    Antes da fama, Ancelotti trabalhou na roça: “Sei fazer queijo até hoje”

    O novo comandante da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti, é conhecido mundialmente pelo sucesso à frente de grandes clubes do futebol europeu. No entanto, além dos títulos conquistados por equipes como Real Madrid e Milan, o treinador italiano de 66 anos traz uma história fortemente ligada ao agro.

    Contratado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em maio de 2025, Ancelotti cresceu em uma família dedicada à produção agropecuária no norte da Itália.

    Herança da terra

    Nascido em 1959 na pequena cidade de Reggiolo, que atualmente possui cerca de 8,5 mil habitantes, Ancelotti passou a infância e parte da adolescência ajudando nas atividades da propriedade rural da família. Seu pai atuava na produção de queijo, e o futuro treinador participava diretamente da rotina de trabalho.

    Com o passar dos anos, o jovem “Carletto” ganhou destaque nos gramados defendendo clubes como Parma, Roma e Milan. Ainda assim, nunca deixou de reconhecer a importância das experiências vividas no campo.

    “Aquele período moldou meu caráter. Minha família trabalhava na terra, eram agricultores. Nós fazíamos queijo parmesão. Eu ainda sei fazer queijo até hoje. Todas as manhãs, levávamos o leite das vacas para produzir queijo”, destaca o técnico.

    Desde que assumiu o cargo, o técnico italiano tornou-se peça central no futebol brasileiro — Foto: Reprodução/CBF

    Além disso, o treinador frequentemente associa os ensinamentos adquiridos na fazenda aos valores que levaram ao sucesso no futebol. Segundo ele, a disciplina e a dedicação exigidas na atividade rural tiveram papel fundamental em sua formação.

    Minha infância foi muito boa, muito tranquila. Havia um bom ambiente na minha família. Meu pai era dedicado a isso. Não havia dinheiro, preciso dizer. Mas era um trabalho duro. E aos 15 anos saí para a academia do Parma.”

    Antes de assumir o desafio de liderar a Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti já carregava uma bagagem construída longe dos grandes estádios.

    Sua história mostra que os valores do agro, como trabalho, perseverança e comprometimento, também ajudaram a formar um dos técnicos mais vitoriosos do futebol mundial.

  • Feito com larvas vivas: conheça o queijo mais perigoso do mundo

    Feito com larvas vivas: conheça o queijo mais perigoso do mundo

    Entre a tradição regional, a curiosidade gastronômica e os riscos à saúde, um queijo típico da ilha da Sardenha, na Itália, continua despertando atenção em várias partes do mundo. Conhecido como Casu Marzu, o alimento ganhou fama internacional por conter larvas vivas em sua composição e, por isso, acabou proibido em diversos países, inclusive no próprio território italiano.

    Produzido com leite de ovelha, o queijo passa por um processo incomum durante a fabricação. Moscas da espécie Piophila casei depositam ovos na massa, e as larvas que surgem aceleram a fermentação do alimento. Como resultado, o interior do queijo se transforma em uma pasta cremosa, de sabor intenso, picante e bastante aromático.

    Segundo informações da Enciclopédia Britânica, as larvas medem cerca de oito milímetros e precisam permanecer vivas no momento do consumo. Caso estejam mortas, o queijo é considerado inadequado para consumo e deve ser descartado.

    “Na primavera, são feitos alguns cortes na casca para a inserção das larvas. Elas crescem dentro da massa para estimular um nível avançado de fermentação, o que a maioria das pessoas descreveria como decomposição. Alguns preferem remover as larvas antes de comer, enquanto outras as devoram”, descreve a publicação.

    Queijo proibido por questões sanitárias

    As rígidas normas sanitárias da União Europeia impedem a comercialização do Casu Marzu em diferentes países. Isso acontece porque apenas alimentos considerados seguros para consumo humano podem ser vendidos legalmente. Dessa forma, a presença das larvas acabou levando à proibição do produto.

    O Casu Marzu precisa de larvas de moscas para acelerar a fermentação e transformar a parte interna em uma massa cremosa com sabor forte, picante e aromático — Foto: Shardan/Wikimedia Commons

    Além disso, especialistas alertam que os insetos podem resistir aos ácidos do estômago humano. Em alguns casos, isso pode provocar infecções intestinais, além de sintomas como dor abdominal, diarreia e vômitos.

    Por conta desses riscos, o Guinness World Records registrou o Casu Marzu, em 2009, como o “queijo mais perigoso do mundo”. Embora a categoria não seja mais monitorada atualmente, o título permaneceu associado à tradicional iguaria italiana durante o período em que esteve ativa.

    Brasileira relata experiência ao provar o Casu Marzu

    Durante uma viagem recente à Sardenha, a jornalista brasileira Alessandra Flores, de Florianópolis, teve a oportunidade de experimentar o queijo e descreveu a experiência como algo marcante e culturalmente simbólico.

    “Ele realmente é bem diferente. A primeira impressão não é nada boa. Para eles (moradores locais), é como se fosse um grande evento. Eles pegam o queijo no lugar onde guardam e servem com muito carinho e honra. Quando a tampa do queijo é aberta, é possível ver várias larvas minúsculas. Achei bem agoniante olhar para aquilo”, contou.

    Apesar do visual incomum e do cheiro forte, Alessandra afirmou que o sabor foi menos impactante do que imaginava inicialmente.

    “Fiquei receosa em provar e optei por não pegar as larvas. Achei um queijo muito forte, mas confesso que estava preparada para algo pior, meio podre. No fim, achei até razoável. Não tive ânsia, nem nada disso. Valeu pela experiência. Estar lá e ter essa oportunidade foi incrível”, finalizou.

  • Prêmio Super Ouro da ExpoQueijo Brasil valoriza queijo artesanal

    Prêmio Super Ouro da ExpoQueijo Brasil valoriza queijo artesanal

    O troféu Super Ouro da ExpoQueijo Brasil – Araxá International Cheese Awards mudou a vida do produtor mineiro Jayme Porfírio antes mesmo de ele sair de Araxá. Após conquistar a maior pontuação geral entre mil amostras inscritas no maior concurso de queijos das Américas, Jayme viu o preço do seu Pedra do Segredo subir 60%, a fila de espera crescer e a demanda chegar de todas as regiões do país.

    Foto: Divulgação ExpoQueijo

    O queijo, produzido em Alagoa, no Sul de Minas Gerais, passa por maturação de dez meses. A conquista do Super Ouro em 2025 consolidou um processo de valorização que começou um ano antes, com uma medalha de ouro na edição de 2024. “Muitas portas se abriram para o nosso queijo, que passou a ter muita procura e uma valorização significativa no preço”, diz Jayme.

    O impacto foi direto na dinâmica da produção familiar. “Antes do concurso, já vendíamos toda a produção. Depois do Super Ouro, o valor do queijo subiu 60% e hoje trabalhamos com fila de espera. Mesmo dobrando a produção, ainda estamos longe de suprir a demanda”, relata o produtor.

    A ExpoQueijo Brasil 2026 acontece de 25 a 28 de junho no Grande Hotel e Termas de Araxá, patrimônio cultural e histórico de Minas Gerais. As inscrições para o concurso seguem abertas até 25 de maio pelo site oficial do evento, com limite de mil amostras distribuídas em 47 categorias. Produtores artesanais com habilitação sanitária oficial de seu país de origem podem participar.

    Super Ouro: um selo permanente de excelência

    Desde a criação do concurso, apenas três países conquistaram o troféu Super Ouro. A Itália venceu em 2021 e 2022, a Argentina em 2023 e 2024, e o Brasil entrou pela primeira vez na galeria de campeões em 2025.

    Os queijos vencedores integram permanentemente o hall histórico da competição e não competem nas edições seguintes. A regra, segundo a organizadora Maricell Hussein, preserva a autenticidade da conquista e estimula a inovação contínua.

    “O Super Ouro representa o mais alto reconhecimento da ExpoQueijo Brasil. Quando um queijo conquista esse título, ele entra definitivamente para o hall dos grandes campeões. O produtor pode continuar participando com outros produtos, maturações ou criações inéditas, mas aquele queijo vencedor deixa de competir. Isso valoriza a autenticidade da conquista e estimula a inovação constante dentro do universo queijeiro”, afirma Maricell.

    Itália: tradição de Bérgamo reconhecida em Araxá

    Primeiro país a conquistar o Super Ouro, a Itália chegou ao concurso com queijos de uma das regiões mais tradicionais da produção artesanal europeia. Só a cidade de Bérgamo concentra nove Denominações de Origem Protegida (DOP).

    Para Pedro Domenghini Albano, representante da delegação italiana, as duas vitórias consecutivas estreitaram a relação entre produtores italianos e o mercado brasileiro. “Estamos construindo uma conexão real entre o setor de laticínios da Itália e o Brasil. Vencer duas edições seguidas com queijos de Bérgamo foi uma emoção enorme”, destaca.

    Argentina: Patagônia no centro do mapa queijeiro mundial

    O queijeiro Mauricio Couly, da Patagônia argentina, conquistou o Super Ouro em 2023 e 2024 com o Cuatro Esquinas. Para ele, o prêmio foi muito além do reconhecimento: elevou o padrão de exigência dentro da própria queijaria.

    “Ganhar durante dois anos consecutivos no Concurso Internacional da ExpoQueijo significou muito para nós como uma queijaria artesanal patagônica”, afirma Couly. Ele explica que a vitória trouxe uma responsabilidade nova. “Depois de ganhar, entendemos que não se tratava apenas de fazer um bom queijo para uma competição, mas de sustentar um nível de excelência constante ao longo do tempo. Isso nos impulsionou a continuar investindo em maturação, microbiologia, manejo do leite, bem-estar animal e desenvolvimento técnico”, ressalta.

    O que esperar da ExpoQueijo Brasil 2026

    Além do Concurso Internacional, o evento traz uma Feira Internacional de Negócios com estandes voltados à agricultura familiar, um Fórum Internacional com palestras e mesas de debate sobre inovação e qualidade no queijo artesanal, e uma Vila Gastronômica e Cultural com degustações harmonizadas com a culinária regional.

    A ExpoQueijo Brasil conta com parceria de associações de produtores e apoio do Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seapa), da Emater-MG, da Epamig-ILCT, do IMA, da Secult e da prefeitura de Araxá.

    Serviço

    • ExpoQueijo Brasil 2026 – Araxá International Cheese Awards
    • 25 a 28 de junho de 2026
    • Grande Hotel e Termas de Araxá – Rua Águas do Araxá, s/nº, bairro Barreiro, Araxá (MG)
    • Inscrições e regulamento: www.expoqueijobrasil.com.br
  • RS projeta safra recorde de noz-pecã e reforça liderança nacional

    RS projeta safra recorde de noz-pecã e reforça liderança nacional

    O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 90% da produção de noz-pecã consumida no Brasil, caminha para registrar uma safra histórica em 2026. A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta para uma colheita de 8 mil toneladas, volume muito superior às 5,2 mil toneladas alcançadas no ciclo anterior.

    De acordo com o gerente regional da Emater, Guilherme Passamani, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras e impulsionaram o resultado esperado. Segundo ele, as chuvas ocorreram em períodos estratégicos, o que contribuiu diretamente para a formação da supersafra observada neste ano.

    Além das precipitações regulares, os produtores também se beneficiaram de dias ensolarados e ventos leves durante as fases de brotação e floração das nogueiras. Esse cenário criou condições ideais para elevar a produtividade dos pomares. Enquanto isso, a colheita segue até junho e ocorre de maneira mecanizada, com máquinas que sacodem as árvores para derrubar os frutos.

    Cultivo exige cuidados

    Na região Central do estado, uma propriedade localizada em Santa Maria mantém cerca de 20 mil nogueiras distribuídas em 120 hectares. Depois da colheita, os produtores encaminham as nozes para etapas de limpeza, seleção e classificação por tamanho.

    O produtor Eduardo Klumb ressalta que o manejo adequado tem papel decisivo no desempenho das plantações. Segundo ele, além de aproveitar os anos de maior produtividade, o cultivo exige adubação constante e aplicação correta de defensivos agrícolas para garantir bons resultados.

    Atualmente, Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Anta Gorda e Santa Maria concentram as maiores áreas de cultivo de noz-pecã no Rio Grande do Sul. Com o bom desempenho das lavouras, o setor acredita que novos produtores devem investir na cultura, ao mesmo tempo em que o mercado tende a ampliar sua demanda.

    Hoje, a Itália lidera as compras da noz-pecã produzida no estado, e a expectativa dos produtores segue positiva para os próximos anos. O presidente do Instituto Brasileiro de Pecan (IBPecan), Instituto Brasileiro de Pecan, Claiton Wallauer, afirma que o Rio Grande do Sul já possui entre 8 mil e 9 mil hectares plantados com nogueira-pecã. Além disso, ele projeta que a produção nacional poderá ultrapassar 15 mil toneladas até 2030.

    O retorno financeiro da atividade também impulsiona a expansão da cultura no estado. Conforme observa Guilherme Passamani, muitos produtores que iniciam o cultivo acabam ampliando suas áreas devido aos resultados positivos, o que também incentiva novos investidores a ingressarem no setor.

  • Exportação de vinhos italianos ao Brasil cresce 13,9%

    Exportação de vinhos italianos ao Brasil cresce 13,9%

    As exportações de vinhos italianos para o Brasil avançaram 13,9% em 2025, consolidando o país como um dos principais destinos fora da Europa. Os embarques saltaram de US$ 43,2 milhões para US$ 49,2 milhões, segundo dados recentes do setor.

    Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro manteve ritmo de crescimento. As importações totais de vinho aumentaram 6,8% no período, fortalecendo a posição do Brasil como o maior mercado da América Latina e um dos mais relevantes para produtores internacionais.

    A Itália retomou a liderança global na produção de vinho em 2025, com 47,4 milhões de hectolitros, uma alta de 7,5% frente a 2024. O país superou a França (35,9 milhões) e a Espanha (29,4 milhões), conforme dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).

    No comércio exterior, os italianos também lideram. O país responde por 21,8% das exportações globais de vinho, à frente de Espanha (20,1%), França (12,8%), Chile (7,8%) e Portugal (3,5%).

    Mercado

    Os Estados Unidos seguem como principal destino dos vinhos italianos, com 19,5% do volume exportado. Alemanha (16%), Reino Unido (13,8%), Canadá (4%) e França (3,9%) completam a lista dos maiores mercados em volume. Em valor, os EUA também lideram, com 23,5% das receitas.

    Entre os mercados emergentes, o Brasil se destaca pelo crescimento acelerado e pelo potencial de expansão. O avanço nas exportações ocorre em meio à expectativa positiva em torno do acordo entre União Europeia e Mercosul, que deve reduzir barreiras comerciais e ampliar a competitividade dos vinhos europeus no país.

    Para fortalecer essa presença, a ICE (Agência para a Promoção no Exterior e Internacionalização das Empresas Italianas), em parceria com a Veronafiere, participa da Wine South America 2026, realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). A iniciativa reúne 32 empresas italianas e cerca de 300 rótulos de diversas regiões produtoras.

    O evento, em sua sexta edição, se consolida como um dos principais encontros do setor vitivinícola na América Latina, reunindo produtores, importadores e especialistas.

    O embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, destaca que a forte presença italiana na feira reforça a importância estratégica do país no plano de expansão das exportações italianas. Já Milena Del Grosso, diretora da ICE no Brasil, afirma que as ações promocionais já ampliam a participação italiana no mercado brasileiro, embora ainda exista espaço para crescimento.

  • Vinhos italianos ganham destaque em evento gastronômico

    Vinhos italianos ganham destaque em evento gastronômico

    Entre os dias 25 e 31 de maio, São Paulo sedia a 3ª edição da Settimana del Vino Italiano, evento que reúne 20 restaurantes italianos da capital para celebrar a diversidade e a cultura do vinho da Itália. A iniciativa leva ao público rótulos originários das 20 regiões do país, promovendo uma experiência completa de harmonização com a gastronomia típica.

    Durante o período, os restaurantes mantêm seus cardápios regulares, mas oferecem uma seleção especial de vinhos da região italiana que representam. Cada casa disponibiliza pelo menos um rótulo branco e um tinto, com opções em taça e garrafa.

    Evento ganha força após reconhecimento da UNESCO

    A edição de 2026 ocorre em um momento simbólico para a cultura italiana. Em dezembro de 2025, a UNESCO reconheceu a cozinha italiana como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, tornando-se a primeira culinária nacional a conquistar o título de forma integral.

    O calendário gastronômico em São Paulo acompanha esse reconhecimento com três eventos ao longo do ano: a Settimana del Vino Italiano, em maio; a Settimana della Pizza, em julho; e a Settimana della Cucina Regionale Italiana, em outubro, considerada o maior evento de gastronomia italiana do Brasil.

    Rótulos destacam diversidade regional

    A seleção de vinhos inclui rótulos de diferentes terroirs italianos. Entre os destaques estão:

    • Praidis Vermentino di Sardegna DOC 2024, da Cantina Castiadas, servido no Ristorantino Caffè
    • Tinaia Salice Salentino Bianco DOP 2024, da Due Palme, presente no Supra di Mauro Maia
    • Teroldego Rotaliano Classico DOC 2022, da Vescovi Ulzbach, disponível no Zena
    • Conte Carlo Enrico Roma DOC 2023, servido no Tre Bicchieri

    Os vinhos representam desde regiões alpinas até áreas mediterrâneas, evidenciando a amplitude da produção italiana.

    Potencial do vinho italiano no Brasil

    A Itália lidera o número de castas autóctones no mundo, com mais de 500 variedades reconhecidas. O país também ocupa posição de destaque em certificações de origem e produz vinhos em todas as suas regiões.

    Apesar da forte presença da culinária italiana no Brasil, o consumo de vinhos do país ainda apresenta espaço para crescimento. A Settimana del Vino Italiano surge como uma estratégia para ampliar esse mercado e aproximar o público brasileiro da diversidade dos rótulos italianos.

    Relações comerciais e integração cultural

    O evento também reforça as relações entre Brasil e Itália, especialmente diante do avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul.

    Segundo Graziano Messana, presidente da ITALCAM, a iniciativa fortalece a integração cultural e comercial entre os países. Já o cônsul geral da Itália em São Paulo, Domenico Fornara, destaca que o vinho representa uma expressão cultural e que o acordo tende a ampliar o acesso a produtos italianos no Brasil.

    A Settimana del Vino Italiano conta com coordenação da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo (ITALCAM) e apoio do Consulado Geral da Itália, Accademia Italiana della Cucina, Istituto Italiano di Cultura, ENIT e importadoras brasileiras.

  • Conheça as polenteiras de Nova Veneza

    Conheça as polenteiras de Nova Veneza

    No interior de Goiás, a 30 quilômetros de Goiânia, uma cidade preserva mais do que arquitetura e festas típicas: preserva a alma da imigração italiana. E quem carrega esse peso, com orgulho e tacho na mão são, sobretudo, as mulheres.

    Foto: Raquel Pinho/Divulgação

    No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, Nova Veneza homenageia aquelas que sustentam a herança italiana com trabalho, memória e generosidade. A cidade, fundada em 1958 por descendentes de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil entre 1870 e 1920, consolidou-se como principal referência da cultura ítalo-goiana no estado. Especialmente por meio do Festival Italiano de Nova Veneza, que chega à 20ª edição em 2026.

    Mas os números e as datas contam apenas parte da história. A cultura italiana em Nova Veneza sobrevive, acima de tudo, nas cozinhas, quintais e roças onde mães e avós ensinaram suas filhas a cozinhar, rezar e existir.

    O matriarcado que preserva uma cultura

    Desde os primeiros anos de ocupação do solo goiano, foram as mulheres que transmitiram de geração em geração os valores, os hábitos e as receitas trazidos da Itália. A proximidade com os filhos fez da mãe a principal guardiã da identidade cultural no ambiente doméstico. Na cozinha, o ensino nunca parou.

    É nesse contexto que a história das irmãs Ana Maria (68), Iranilda Maria,a Nida (62) e Divina Aparecida (59) ganha significado especial. Há quase 20 anos, o trio integra a equipe de polenteiras do Festival Italiano de Nova Veneza, um grupo de quase 40 mulheres que mantém fila de espera para quem quer degustar a famosa polenta italiana do evento.

    As três são netas de italianos que vieram para Goiás trabalhar em fazendas de compatriotas. O avô as chamava, coletivamente, de “as Marias”. “Quando ele chamava uma Maria, estava chamando todas nós”, lembra Dona Ana, com carinho.

    Da roça ao festival: uma receita passada de mão em mão

    A polenta entrou na vida das irmãs antes mesmo de saberem o que era tradição. Na infância, a mãe preparava o prato no fogão da roça. Às vezes no lanche, com leite; outras vezes no almoço, com caldo de frango e arroz. Um cruzamento espontâneo entre a culinária italiana e a goiana.

    “Minha mãe foi muito importante pra mim, ensinou da polenta e muita coisa boa para nós”, diz Divina. Nida recorda que o prato era presença certa nas refeições: “Era mais comum na hora do lanche, com leite, mas ela também fazia para comer no almoço com caldo de frango e arroz.”

    Ana fecha o ciclo com uma observação simples e poderosa: “Minha mãe aprendeu com a avó dela, que provavelmente também teve uma mãe como professora. Agora estamos juntas todos os anos fazendo polenta, para não deixar a cultura morrer.”

    Mesmo fora do calendário do festival, as irmãs não param. Amigos, familiares e conhecidos batem à porta pedindo polenta. E elas fazem, sempre de bom grado.

    Uma nova geração na cozinha

    A tradição não para nas irmãs. Os netos demonstram cada vez mais interesse pelas raízes, e alguns já participam do festival. Dona Ana conta que a 19ª edição marcou a estreia do neto João Pedro na equipe. E que ele já confirmou presença na 20ª.

    “Tem que pôr eles mais novos para trabalhar, para aprender. Porque nós já estamos velhas e não aguentando muita coisa”, diz Ana, entre risos.

    Foto: Raquel Pinho/Divulgação

    A renovação também motiva Nida: “Os novinhos têm que aprender a fazer igual, para fazer um trem bão e gostoso, porque não pode faltar polenta pra ninguém.” Com leveza na voz, ela completa: “Eu quero continuar sendo polenteira enquanto Deus me der saúde.”

    Divina ressalta o espírito coletivo que transforma o trabalho pesado em celebração: “O povo fica todo animado, é gostoso. A gente deixa de ser só uma equipe e se torna uma grande família. É cansativo, é pesado o serviço, mas pela união a gente fica mais forte.”

    O Festival Italiano de Nova Veneza integra o calendário oficial de grandes eventos gastronômicos de Goiás. A 20ª edição, com o tema Brindiamo Storia e Sapori (Brindando História e Sabores!), acontece de 28 a 31 de maio de 2026, na cidade que nasceu da imigração italiana e recebe mais de 150 mil visitantes nos quatro dias de festa.

    As polenteiras já aqueceram os tachos.

  • Ibama e Receita Federal apreendem conchas ilegais no Aeroporto de Fortaleza

    Ibama e Receita Federal apreendem conchas ilegais no Aeroporto de Fortaleza

    Em operação conjunta, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Receita Federal apreenderam 972 conchas de moluscos que seriam enviadas ilegalmente para Roma, Itália, pelo Aeroporto Internacional de Fortaleza (CE).

    A Receita Federal identificou a remessa durante fiscalização de rotina no terminal de cargas. A carga não apresentava comprovação legal de origem, obrigatória para exportação e comercialização, o que levou à retenção imediata e ao acionamento do Ibama.

    Fiscais do Ibama verificaram que as conchas pertenciam a mais de 40 espécies diferentes, das classes Gastropoda e Bivalvia. Entre elas, duas espécies constam na lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção, conforme Portaria MMA nº 445/2014.

    Como consequência da infração ambiental, o Ibama autuou a empresa responsável pela remessa em R$ 259.160, valor correspondente a dois autos de infração.

    Os agentes destinaram o material apreendido a uma instituição federal de ensino, que o utilizará em atividades de ensino e pesquisa, contribuindo para formar profissionais nas áreas ambiental e biológica.

    Foto: Divulgação/Ibama/CE

    Servidores do Ibama destacam que a cooperação entre os órgãos é fundamental para combater o comércio ilegal de produtos da fauna e flora brasileiras. A ação protege o patrimônio natural do país e evita danos ambientais. A operação ocorreu no último domingo (20/10).