Tag: Iridovírus

  • Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    Como a vacinação está revolucionando a criação de tilápia no Brasil

    A criação de tilápia no Brasil enfrenta um inimigo duplo: Iridovírus e bactérias do gênero Streptococcus podem dizimar até 70% de um lote em poucas semanas. A boa notícia é que a vacinação combinada contra os dois agentes já demonstra resultados concretos. E transforma a equação econômica do produtor.

    Dados apresentados pela MSD Saúde Animal revelam que lotes de tilápia (Oreochromis niloticus) imunizados simultaneamente contra Iridovírus e Estreptococose atingiram taxa de sobrevivência de 95,3%. Ante apenas 71,9% nos grupos vacinados apenas contra Streptococcus. Além disso, o uso de antibióticos caiu mais de 60%, reduzindo custos operacionais e adequando a produção às exigências dos principais mercados importadores.

    “Os programas de sanidade na aquicultura evoluíram do tratamento com antimicrobianos para a prevenção abrangente, na qual a vacinação desempenha um papel essencial”, afirma Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de Aquicultura da MSD Saúde Animal.

    O problema: dois patógenos que se potencializam

    A intensificação da piscicultura brasileira criou condições favoráveis à proliferação de doenças. Altas densidades de estocagem em tanques-redes, reservatórios compartilhados e variações frequentes de temperatura elevam o estresse fisiológico dos peixes. Abrindo caminho para infecções em cadeia.

    O Vírus Infeccioso do Baço e da Necrose Renal (ISKNV), principal Iridovírus que afeta tilápias, pode provocar mortalidades superiores a 70% em um único surto, causando necrose de órgãos, anemia e letargia. Já a Estreptococose, provocada por Streptococcus agalactiae e Streptococcus iniae, responde por perdas que variam entre 30% e 80% em águas quentes, sendo considerada uma das doenças bacterianas mais devastadoras da espécie.

    A combinação dos dois agentes é especialmente perigosa. “O vírus compromete a imunidade do peixe, favorecendo a proliferação bacteriana secundária. A infecção bacteriana, por sua vez, gera inflamação e estresse metabólico que aceleram a replicação viral”, explica Talita. O resultado são surtos mais rápidos e letais do que os causados por um único patógeno.

    Além da mortalidade: o custo invisível das doenças

    As perdas não se limitam aos peixes mortos. Surtos de doença impactam a taxa de crescimento do lote, aumentam o descarte no abate e comprometem a uniformidade de peso. Portanto, fatores que corroem diretamente a margem do produtor.

    “Durante surtos, também são observadas deformidades, queda na conversão alimentar e aumento do tempo de cultivo”, alerta a coordenadora técnica. Lotes vacinados com o protocolo combinado apresentaram menor variabilidade de peso e maior uniformidade no abate, segundo os dados da empresa.

    Vacinação como investimento, não como custo

    Do ponto de vista financeiro, a redução no uso de antibióticos tem impacto direto nos custos de produção e na viabilidade de exportação. Mercados como a União Europeia e os Estados Unidos impõem limites rígidos ao uso de antimicrobianos em produtos aquícolas> E a conformidade com essas regras é condição para acesso a compradores internacionais.

    “Nos mercados externos, essas práticas fortalecem a imagem de sustentabilidade da aquicultura latino-americana”, destaca Talita, que reforça a necessidade de tratar a vacinação como parte de uma estratégia mais ampla: “Integrar o controle viral e bacteriano a um programa de biossegurança e gestão da qualidade da água é a chave para o sucesso.”

    Para o produtor, a mensagem é direta: a imunização combinada não é um gasto adicional, mas um investimento com retorno mensurável em sobrevivência, uniformidade de lote, redução de insumos e abertura de mercado.

  • Iridovírus – mudanças de temperatura aumentam risco  de doenças

    Iridovírus – mudanças de temperatura aumentam risco de doenças

    Com a chegada do inverno, produtores de tilápia enfrentam um cenário de alerta devido ao aumento do risco de doenças virais, especialmente o Iridovírus (ISKNV). As variações bruscas de temperatura e a redução dos níveis de oxigênio na água prejudicam a imunidade dos peixes, favorecendo a proliferação de agentes infecciosos e elevando as taxas de mortalidade nos criatórios.

    A intensificação das mudanças climáticas tem provocado instabilidade nos ambientes aquícolas, tornando os peixes mais vulneráveis a doenças. De acordo com Talita Morgenstern, coordenadora técnica da unidade de negócios de Aquicultura da MSD Saúde Animal, o Iridovírus é altamente contagioso e letal, afetando principalmente alevinos e juvenis de tilápia. Em surtos, a mortalidade pode ultrapassar 70%, agravando ainda mais a situação devido à dificuldade de diagnóstico, já que os sintomas podem ser confundidos com outras enfermidades bacterianas.

    A transmissão do Iridovírus ocorre tanto por via horizontal (água contaminada e contato entre peixes) quanto vertical (de reprodutores para a prole), o que exige um controle rigoroso em todas as etapas da cadeia produtiva.

    Desafios para a biossegurança na produção de tilápias

    A transição para o inverno impõe desafios extras aos produtores, que precisam adaptar práticas de manejo para garantir a sustentabilidade e a sanidade do plantel. O estresse fisiológico causado pelas oscilações de temperatura reduz a eficácia das medidas de biossegurança e dificulta o controle sanitário consistente. Ambientes instáveis favorecem a replicação viral e aumentam a sobrevivência de patógenos na água, tornando ainda mais essencial a adoção de protocolos preventivos robustos.

    Dicas de prevenção e controle do iridovírus (ISKNV)

    Para mitigar riscos e proteger a produção, a especialista recomenda:

    • Evitar a entrada de peixes ou alevinos sem histórico sanitário comprovado.
    • Manter todos os equipamentos desinfetados com produtos adequados.
    • Realizar testes de PCR em todo o plantel para detectar precocemente a presença do vírus.
    • Monitorar parâmetros ambientais como temperatura, pH e oxigênio dissolvido, utilizando biorremediadores para otimizar a qualidade da água.
    • Coletar diariamente peixes mortos e garantir o descarte correto para evitar a disseminação do vírus.
    • Vacinar apenas animais saudáveis e livres de patógenos, utilizando vacinas como específicas.

    A implementação dessas medidas é fundamental para proteger a tilapicultura contra o Iridovírus e garantir a produtividade e sustentabilidade do setor diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

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