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  • Como pescar no inverno: especialistas ensinam técnicas eficazes

    Como pescar no inverno: especialistas ensinam técnicas eficazes

    O inverno já completou um mês no Brasil. A estação derruba as temperaturas e transforma o comportamento dos peixes, exigindo dos pescadores mais atenção e novas estratégias.

    O Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alerta que os meses frios provocam alterações no metabolismo dos peixes. A queda na temperatura da água reduz a atividade e a movimentação das espécies, o que impacta diretamente sua alimentação e distribuição nos ambientes aquáticos.

    Por que os peixes ficam mais lentos no frio

    O pesquisador do IP, Eduardo Onaka, explica o fenômeno: “com a redução do metabolismo, os peixes passam a gastar menos energia e diminuem a frequência de alimentação. Como consequência, tendem a ignorar o oferecimento de iscas e permanecem por mais tempo em áreas onde encontram melhores condições de temperatura, tornando a pescaria mais desafiadora durante o inverno”.

    A água do ambiente determina a temperatura corporal dos peixes, já que eles não contam com mecanismos internos de regulação térmica. Por isso, a temperatura da água funciona como fator limitante direto da taxa metabólica do animal. No verão, o calor acelera o metabolismo: o peixe digere rápido e precisa comer com frequência. No inverno, o frio inverte esse quadro. O organismo desacelera, a digestão demora mais e o intervalo entre as refeições aumenta.

    Pescador a beira do mar
    Foto: Archipiélago de Gran Canaria/Flickr

    Durante o inverno, o peixe entra em regime de conservação energética. Ele seleciona as presas com base no custo-benefício: ataca somente quando o gasto para capturar a isca compensa, ou seja, quando ela está próxima e se desloca devagar. A recuperação pós-exercício também se prolonga significativamente, o que exige manuseio mais cuidadoso na prática do pesque-e-solte. O cuidado extra evita a morte do peixe por exaustão metabólica.

    Estratégias de pesca para o inverno

    A pesca de barranco praticamente perde a eficácia no inverno, já que os peixes se afastam da zona rasa. Na pesca embarcada, o sonar se torna ferramenta indispensável: ele localiza estruturas submersas e revela a profundidade em que os cardumes se concentram. O pescador deve apresentar a isca no fundo ou logo acima da termoclina, a camada onde a temperatura muda bruscamente em um curto espaço de profundidade, pois ali se concentra a maior parte dos peixes.

    Onaka recomenda a chamada pesca de precisão: identificar os pontos propícios e insistir neles, apresentando a isca repetidamente no mesmo local. Iscas de superfície, que geram alto impacto sensorial, perdem eficácia no frio. Já iscas de fundo, trabalhadas em velocidade reduzida e com pausas longas, rendem melhores resultados.

    Espécies mais ativas no frio

    Apesar da queda geral na atividade, algumas espécies toleram melhor as baixas temperaturas e continuam ativas durante o inverno. Entre os peixes de água doce resistentes ao frio estão a traíra, o dourado, o pacu, a corvina, as carpas (todas as variedades) e os bagres em geral, como jundiá, pintado, cachara, barbado e mandi.

    O horário da pescaria também interfere nos resultados. Entre o fim da manhã e o meio da tarde, a água recebe mais sol e os peixes ficam mais ativos. Por isso, esse período costuma render mais capturas. Além do horário certo, a escolha de técnicas e iscas adequadas à estação aumenta as chances de uma pescaria produtiva.

    Foto preto e branca de pescador à beira do rio
    Foto: Daniel Donate/Flickr

    Enquanto rios e lagos de água doce enfrentam peixes mais escassos e lentos, o litoral da região Sudeste vive o oposto: o inverno marca a fartura. Dois fenômenos explicam esse fluxo: a ressurgência, quando ventos de frentes frias trazem à superfície uma corrente de água profunda, gelada e rica em nutrientes; e a migração pelo frio, quando espécies do Sul do país se deslocam rumo ao Sudeste. Tainha, anchova, sororoca, bonito-listrado e pargo figuram entre os peixes mais aguardados da temporada.

    Como adaptar a técnica de pesca ao frio

    “No inverno, as águas ficam mais transparentes e os peixes se comportam de forma mais lenta e discreta. Para garantir o sucesso da pescaria nesta época, os pescadores precisam adaptar suas técnicas”, afirma Onaka. O pesquisador reuniu quatro orientações práticas para essa fase do ano:

    • Aposte em linhas invisíveis: como a água fica mais transparente, escolha um líder de fluorcarbono mais fino e comprido (pelo menos 1,5 metro) para a extremidade da linha, evitando que o peixe perceba a armadilha.
    • Leve a isca até o fundo: os peixes se concentram perto do fundo no inverno. Utilize iscas de metal ou chumbadas mais pesadas para garantir que a isca alcance a profundidade certa.
    • Recolha a linha devagar: ao usar iscas artificiais, faça o recolhimento bem lento. No frio, a fisgada do peixe não vem como uma batida explosiva — a linha simplesmente fica “pesada” durante as pausas.
    • Explore o olfato dos peixes: mesmo no frio, o olfato continua funcionando bem. Use iscas naturais com cheiro forte ou aplique atrativos em gel nas iscas artificiais para atrair os peixes de longe.
  • Do rio ao prato: pesquisa transforma lambari em produto de alto valor

    Do rio ao prato: pesquisa transforma lambari em produto de alto valor

    O lambari carrega um lugar especial na memória afetiva de boa parte dos brasileiros. Presente em rios, córregos e lagoas de quase todo o território nacional, o peixe costuma marcar as primeiras pescarias da infância, ao lado de pais, avós e tios. Além do valor cultural, a espécie ganha cada vez mais relevância econômica. Ou como alimento, tradicionalmente consumido em forma de petisco, ou como isca viva na pesca esportiva.

    Foto: Fabiano Bulow/Flickr

    Durante décadas, produtores dependeram quase exclusivamente da captura em ambientes naturais ou da presença do lambari como fauna acompanhante em cultivos de peixes comerciais. O termo “lambari” reúne diversas espécies de pequenos caracídeos, família numerosa de peixes de água doce. O Instituto de Pesca (IP-APTA) assumiu papel pioneiro na geração de conhecimento científico e tecnológico voltado ao cultivo comercial de espécies como Astyanax fasciatus, Astyanax lacustris e Deuterodon iguape.

    Para o pesquisador do IP Fábio Sussel, a consolidação da lambaricultura como atividade aquícola exigiu tecnologias específicas, capazes de tornar a produção previsível, eficiente e economicamente viável.

    Pesquisa e inovação fortalecem a produção

    Nas últimas décadas, o Instituto de Pesca desenvolveu e aperfeiçoou protocolos para diferentes etapas do processo produtivo, o que ajudou a consolidar uma cadeia até então inexistente em escala comercial.

    Entre as principais contribuições, os pesquisadores aprimoraram os protocolos de reprodução induzida, essenciais para garantir produção contínua de alevinos ao longo do ano. A equipe também desenvolveu técnicas de larvicultura e recria em diferentes sistemas de cultivo, adaptadas às características biológicas de cada espécie estudada.

    lambari
    Foto: João Otavio Dobre Ferreira/Flickr

    Esses avanços trouxeram mais regularidade à produção, aumentaram a sobrevivência dos peixes e melhoraram os índices zootécnicos, o que oferece maior segurança técnica aos produtores. Paralelamente, o instituto ampliou suas linhas de pesquisa para outras frentes estratégicas. Criou tecnologias para produção de lambaris destinados ao mercado de iscas vivas, avaliou o potencial da espécie em sistemas de aquaponia e passou a utilizar diferentes lambaris como bioindicadores em estudos de ecotoxicologia, voltados a avaliar contaminantes ambientais e a qualidade dos ecossistemas aquáticos.

    Nova tecnologia amplia o potencial do lambari para consumo

    O lambari também ocupa lugar de destaque como alimento tradicional de alto valor gastronômico. Apesar dessa vocação, um gargalo tecnológico limitava a ampliação do consumo em larga escala: o processamento do pescado.

    Para resolver esse desafio, Fábio Sussel propôs a criação de uma máquina para evisceração de lambaris. Uma empresa de Santa Catarina, especializada em equipamentos para frigoríficos de peixes, desenvolveu o equipamento posteriormente. A máquina automatiza uma das etapas mais críticas do processamento, aumenta significativamente a produtividade, reduz custos operacionais e agrega valor ao pescado destinado ao consumo humano.

    Foto: Fábio Sussel/Instituto de Pesca

    Segundo Sussel, essa inovação representa um exemplo concreto de pesquisa aplicada. O Instituto de Pesca transforma resultados científicos em soluções tecnológicas capazes de atender demandas reais da sociedade. Além de fortalecer cadeias produtivas estratégicas para a aquicultura brasileira.

    Mais do que um peixe ligado à memória afetiva dos brasileiros, o lambari se tornou exemplo de como a pesquisa pública pode converter conhecimento científico em desenvolvimento econômico, inovação e segurança alimentar.

  • Produção de camarões longe do mar

    Produção de camarões longe do mar

    O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está à frente de um projeto inovador para viabilizar a produção de camarões marinhos em água salinizada, longe do oceano. Em parceria com empresas privadas e com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag), o objetivo é criar uma alternativa sustentável e economicamente viável para os produtores aquícolas.

    A pesquisa está sendo realizada em Jaguariúna, interior de São Paulo, utilizando uma estrutura que simula as condições reais do cultivo. A tecnologia envolve a salinização artificial da água, replicando os sais presentes no ambiente marinho: cloreto, sódio, cálcio, potássio, sulfato e magnésio. Embora a salinidade específica não seja essencial para os camarões marinhos — que precisam desses sais — essa abordagem permite produzir em regiões distantes do litoral.

    Desafios e vantagens

    O grande desafio está na densidade de estocagem: alcançar altas densidades é crucial para tornar o cultivo economicamente viável. O pesquisador Fábio Sussel trabalha com até 300 camarões por metro cúbico. As vantagens incluem a possibilidade de produzir em áreas interioranas sem pressionar ecossistemas costeiros e ampliar oportunidades econômicas para pequenos produtores.

    Fábio Sussel, pesquisador responsável pelo projeto

    Além disso, o cultivo controlado permite um manejo eficiente da qualidade da água e alimentação dos animais. O uso exclusivo de água captada da chuva sem descarte ao meio ambiente destaca ainda mais sua sustentabilidade.

    Perspectivas

    “O maior desafio é lidar com patógenos em alta densidade”, afirma Sussel. “No entanto, isso não difere dos desafios enfrentados globalmente na carcinicultura.” Para superá-los estão sendo desenvolvidos protocolos específicos visando equilibrar produtividade e sanidade animal.

    Com essa iniciativa inovadora no setor aquícola brasileiro — principalmente no estado mais consumidor como São Paulo — há expectativas significativas tanto econômicas quanto ambientais para fortalecer essa cadeia produtiva localmente enquanto se reduzem impactos nos ecossistemas costeiros tradicionais.

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  • Perigo: vírus ISKNV ameaça produção de peixes

    Perigo: vírus ISKNV ameaça produção de peixes

    A sanidade na criação de peixes se tornou uma preocupação central para a cadeia produtiva da piscicultura, especialmente devido ao impacto do Vírus da Necrose Infecciosa de Baço e Rim (ISKNV). O Instituto de Pesca (IP-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está conduzindo um estudo aprofundado sobre essa doença viral. Ela, embora não seja uma zoonose, causa sérios prejuízos econômicos às atividades piscícolas.

    A infecção pelo ISKNV resulta na morte de tecidos no baço e no aumento anormal de células chamadas megalócitos. Elas se concentram principalmente no rim e baço dos peixes. Os sintomas mais comuns incluem falta de apetite, diminuição da atividade, respiração acelerada, mudanças na coloração corporal, olhos saltados e inchaço abdominal.

    A observação dos sintomas clínicos permite fazer o diagnóstico inicial. Para confirmar, é preciso realizar exames mais detalhados, como análises histopatológicas ou PCR (reação em cadeia da polimerase). O isolamento do vírus em células cultivadas em laboratório é uma alternativa ética ao uso de animais em testes.

    Objetivos do estudo

    O projeto intitulado “Detecção e caracterização de cepas circulantes de ISKNV” visa identificar as diferentes cepas do vírus que estão presentes no Estado de São Paulo. A pesquisa também busca compreender a capacidade do vírus ao isolá-lo em cultivo celular e mapear seu material genético.

    A investigação incluiu a infecção experimental de filhotes de tilápia (alevinos) para observar o desenvolvimento da doença. Foram coletados alevinos em quatro regiões do estado, priorizando aqueles com sintomas visíveis, mas também incluindo amostras assintomáticas. As amostras passaram por testes de PCR para identificar a infecção, com confirmações por sequenciamento genético.

    Colaboração internacional e notificações oficiais

    A equipe enviou algumas amostras para a Washington State University, nos Estados Unidos, para realizar o sequenciamento total do genoma. Os pesquisadores também informaram oficialmente a Coordenadoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo sobre a persistência do vírus nas pisciculturas durante 2023 e 2024.

    Cláudia Maris Ferreira Mostério, pesquisadora científica do IP e responsável pelo projeto, destacou que “as conclusões preliminares indicam uma relação estreita entre o vírus e a temperatura. Que não está mais ligada às estações do ano como antes se pensava”. Ela explicou que o mesmo tipo de vírus circula no estado desde 2020. Ee que essa constância pode facilitar o desenvolvimento de vacinas ou linhagens resistentes.

    Portanto, com o aumento da produção piscícola no Brasil, o ISKNV representa um desafio significativo. A pesquisa busca não apenas entender melhor o vírus. Mas também desenvolver estratégias para mitigar seus impactos na saúde dos peixes e na rentabilidade das operações piscícolas.

    A investigação contínua sobre o ISKNV é crucial para garantir a sanidade das criações. E além disso, promover práticas sustentáveis na piscicultura brasileira.

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