A Costa do Marfim garantiu mais de US$ 80 bilhões em compromissos de financiamento durante uma mesa-redonda com doadores realizada em Abidjan, nos dias 8 e 9 de julho. O encontro reuniu grandes instituições internacionais e financiadores globais com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico do país.
O volume final de promessas superou significativamente as metas que o governo havia estabelecido inicialmente. O resultado reforça a posição da Costa do Marfim como uma das economias de crescimento mais rápido da África Ocidental.
O país mantém uma taxa média de crescimento anual de 6,5% desde que superou a crise pós-eleitoral de 2011. E esse novo influxo de capital deve dar suporte à continuidade dessa expansão. A estratégia nacional de desenvolvimento aposta fortemente em investimentos de infraestrutura de grande escala e em reformas que tornem o ambiente de negócios doméstico mais atrativo ao capital internacional.
Governo prioriza infraestrutura e segurança energética
O capital recém-garantido deve financiar áreas estruturais consideradas críticas para sustentar o crescimento econômico de longo prazo e ampliar a capacidade industrial do país. A participação de grandes instituições internacionais na mesa-redonda sinaliza forte confiança na estabilidade macroeconômica e no caminho de reformas que a Costa do Marfim vem adotando.
A infraestrutura continua no topo das prioridades, mas o setor de energia local também ganha espaço relevante entre os investimentos públicos e privados. O governo pretende usar parte dos recursos para melhorar a segurança energética e construir redes domésticas confiáveis, capazes de sustentar o crescimento industrial do país.
Segundo reportagem da Africanews, o setor energético desempenha papel essencial para garantir a sustentabilidade das elevadas taxas de crescimento econômico da Costa do Marfim e sua capacidade de atrair capital.
Empresas locais ganham protagonismo no setor de energia
À medida que a economia se transforma, empresas locais e campeãs nacionais assumem papel cada vez mais relevante na condução do crescimento industrial, especialmente no setor de energia. Essas empresas expandem redes de distribuição e constroem a infraestrutura necessária para abastecer as indústrias emergentes de manufatura e processamento agrícola.
Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar
A Costa do Marfim consolidou-se como líder global absoluto na produção de cacau. O país colhe consistentemente mais que o dobro do volume do segundo maior produtor mundial. Essa posição dominante no setor agrícola construiu uma base sólida de estabilidade econômica e receitas de exportação confiáveis. Um fator que provavelmente contribuiu para o elevado nível de confiança dos investidores e viabilizou os históricos US$ 80 bilhões em compromissos.
O país francófono também assinou recentemente um acordo em Abuja que o compromete a exportar cacau processado, em vez de grãos in natura. A medida representa um passo significativo rumo ao desenvolvimento industrial e econômico da Costa do Marfim.
A sanção da Lei nº 15.429/2026, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torna voluntária a certificação de armazéns de produtos agropecuários no Brasil. A medida integra a estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para reduzir burocracia, atrair investimentos privados e ampliar a infraestrutura de armazenagem.
Com a nova regra, produtores e empresas podem optar pela certificação, que continua disponível para comprovar requisitos técnicos, operacionais e documentais nas atividades de recepção, conservação e expedição de produtos agrícolas.
Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, a mudança elimina entraves regulatórios e acelera novos projetos no setor. Ele afirma que a medida fortalece a logística, aumenta a competitividade e mantém os padrões de qualidade e segurança sanitária.
O avanço ocorre em um cenário de crescimento acelerado da produção. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção de grãos cresceu, em média, 6,72% ao ano na última década, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 2,38% no período.
Déficit
Atualmente, o Brasil consegue armazenar entre 60% e 63% da produção anual de grãos, o que gera um déficit superior a 130 milhões de toneladas. A expectativa do governo é que a flexibilização das regras estimule a construção de novas estruturas e reduza perdas pós-colheita.
A nova legislação também reduz custos operacionais. Antes, a certificação obrigatória exigia contratação de organismos acreditados pelo Inmetro, o que elevava despesas para empresas e produtores. Agora, o setor ganha autonomia para decidir quando a certificação faz sentido, de acordo com exigências comerciais e estratégias de mercado.
Mesmo antes da mudança, apenas 17,6% dos armazéns brasileiros possuíam certificação. O dado indica que o setor já utiliza outros mecanismos para garantir qualidade e eficiência nas operações.
Qualidade sanitária e exportações
A lei não altera os controles sanitários nem os critérios de fiscalização dos produtos agropecuários. O Mapa mantém instrumentos como a Classificação Vegetal, auditorias privadas e exigências de rastreabilidade e boas práticas de armazenagem.
No comércio internacional, a mudança também não traz impactos. O Brasil continua atendendo às exigências sanitárias e fitossanitárias de mercados como União Europeia e China por meio de certificações específicas, como o Certificado Fitossanitário, laudos para organismos geneticamente modificados (OGM) e análises de Limites Máximos de Resíduos (LMR).
O desempenho recente do agronegócio reforça esse cenário. Em 2025, o setor registrou exportações acima de US$ 169 bilhões e superávit comercial de cerca de US$ 149 bilhões.
Com a nova lei, o governo busca modernizar o ambiente regulatório e ampliar a capacidade logística do país, em um movimento para sustentar o crescimento da produção agropecuária e aumentar a competitividade global do Brasil.
Entre 2023 e 2025, as produtoras rurais responderam por 43,2% dos financiamentos concedidos a pessoas físicas pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O programa estadual financia investimentos voltados à modernização das propriedades, ao aumento da produtividade e à geração de renda no campo.
O avanço da presença feminina no crédito rural paulista reforça uma tendência global de maior protagonismo das mulheres na produção de alimentos. Em 2026, a FAO, agência da ONU para Alimentação e Agricultura, declarou o Ano Internacional da Mulher Agricultora, iniciativa que estimula políticas públicas de igualdade no meio rural e reconhece o papel das produtoras na segurança alimentar mundial.
Além das linhas de financiamento, o governo paulista atua com assistência técnica, extensão rural e pesquisa agropecuária para fortalecer a gestão das propriedades e ampliar a renda das famílias rurais. Segundo o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, o crédito tem sido uma ferramenta estratégica nesse processo. “O fortalecimento da presença feminina no agro passa por instrumentos concretos de apoio. O crédito rural amplia oportunidades, incentiva investimentos e impulsiona o desenvolvimento econômico das famílias do campo”, afirma.
Entre os destaques das políticas voltadas às produtoras está o FEAP Mulher Agro SP, linha de crédito destinada exclusivamente às mulheres. Desde 2023, o programa já liberou R$ 27 milhões em financiamentos e beneficiou mais de mil agricultoras em várias regiões do estado.
Cada produtora pode contratar até R$ 30 mil, com prazo de pagamento de até 84 meses, carência de 12 meses e juros de 2% ao ano. Os projetos são elaborados e acompanhados por técnicos da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e do ITESP, que orientam a aplicação dos recursos e oferecem suporte na gestão da propriedade.
Para o secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, o crédito rural funciona como uma porta de entrada para outros serviços públicos. “O financiamento é muitas vezes o primeiro contato estruturado entre a produtora e a assistência técnica. A partir daí, surgem melhorias na gestão, aumento da produtividade e adoção de boas práticas no campo”, destaca.
Crédito transforma a rotina de produtoras rurais
O impacto do crédito rural aparece em histórias como a da produtora Fernanda Torres da Silva, do município de Cerqueira César. Há cerca de dez anos, ela administra com a família o Sítio São Pedro, de 18 hectares, voltado à bovinocultura leiteira.
Em 2024, Fernanda acessou a linha do FEAP Mulher Agro SP e investiu R$ 25 mil na compra de uma ordenha mecânica. O equipamento modernizou a rotina da propriedade e reduziu o tempo de trabalho. “Antes, eu demorava quase três horas para tirar o leite de 20 vacas. Agora, esse processo leva menos de uma hora. Sobra tempo para cuidar de outras atividades da fazenda”, conta.
Resultados como o de Fernanda demonstram como o crédito à mulher rural vem se consolidando como um instrumento de inclusão produtiva e fortalecimento da liderança feminina no agronegócio paulista.
O Brasil registra um novo recorde no mercado de rodeios. O touro Mickey Mouse, de 6 anos, da Cia. de Rodeio Califórnia, alcançou a marca de R$ 1,2 milhão e agora ocupa o posto de touro de rodeio mais caro do país. O animal superou o anterior detentor do título, Acesso Negado, que a Cia. Tércio Miranda comprou por R$ 1,078 milhão em 2023.
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O recorde aconteceu na última semana durante o 2º Leilão de Estrelas da Professional Bull Riders (PBR), em Campo Grande (MS). Um consórcio de investidores comprou 50% da posse de Mickey Mouse por R$ 600 mil, estabelecendo o novo patamar de avaliação.
A capital sul-mato-grossense recebe neste fim de semana uma etapa do Campeonato Nacional da PBR, o que aumenta o interesse pelo mercado de touros de elite.
O negócio envolvendo Mickey Mouse trouxe um elemento inusitado: os cantores Henrique e Juliano, que formam uma das duplas sertanejas mais populares do Brasil, integram o condomínio que adquiriu metade do animal.
A dupla já demonstra experiência em investimentos do setor agropecuário. Henrique e Juliano mantêm portfólio diversificado que inclui vacas nelore de elite e cavalos quarto-de-milha. No novo empreendimento, os cantores se uniram a outros players importantes: Casa Branca Agropastoril, Nelore Paranã e Cia. de Rodeios Dois Irmãos.
Parceiros de peso no condomínio
A Cia. de Rodeio Califórnia, atual proprietária de Mickey Mouse, figura entre as companhias mais relevantes do segmento no país. A empresa participa regularmente dos grandes eventos do calendário, incluindo a tradicional Festa do Peão de Barretos (SP).
Já a Casa Branca Agropastoril lidera o setor de melhoramento genético de gado nelore no Brasil. A empresa detém participação nas duas vacas de elite mais valiosas do país: Carina, avaliada em R$ 24 milhões, e Viatina, cotada em R$ 21 milhões.
Mickey Mouse, o touro de rodeio mais caro do Brasil. Foto: Redes Sociais
O preço recorde de Mickey Mouse reflete seu desempenho em competições. Os organizadores dos maiores eventos do calendário nacional costumam requisitar o animal para suas provas principais.
O touro gera notas superiores a 90 pontos quando os peões conseguem permanecer sobre seu lombo durante o tempo regulamentar – uma marca que poucos animais alcançam no circuito brasileiro de rodeios.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) inicia nesta segunda-feira (22), em São José (SC), a primeira etapa de contratações do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para 2025, com investimento total de R$ 6,9 milhões. O governo vai destinar o montante a 26 projetos de cooperativas e associações da agricultura familiar cadastradas no estado.
O evento, marcado para as 14h na sede da Superintendência Regional da Conab, contará com a presença do presidente da estatal, Edegar Pretto, autoridades federais, parlamentares e representantes de cooperativas, cozinhas solidárias e do Sesc Mesa Brasil.
Somente em Santa Catarina, entre 2023 e 2024, a Conab aplicou R$ 11 milhões em iniciativas do PAA. Beneficiando 742 agricultores familiares vinculados a 21 cooperativas e associações. A política pública foi destaque para a retirada do Brasil do Mapa da Fome da ONU em julho deste ano.
Nesta nova fase, 705 agricultores familiares vão fornecer 1,3 mil toneladas de alimentos para abastecer 72 entidades beneficentes em todo o estado. Os produtos comprados incluirão frutas, verduras, legumes, geleias, panificados, ovos, feijão, farinha de milho, leite, queijo, bebidas lácteas, sucos, mel, maçã e pinhão.
Emendas e entrega de alimentos
Durante o evento, será assinada uma emenda parlamentar de R$ 260 mil do deputado federal Pedro Uczai, destinada a fortalecer o PAA em Santa Catarina. Também serão entregues 92,4 toneladas de feijão e farinha de milho ao Sesc Mesa Brasil para distribuição em unidades de São José, Joinville, Chapecó, Blumenau, Lages e Forquilhinha.
Outro destaque da programação será a posse da nova superintendente regional da Conab em Santa Catarina, Lorena Pierre Almeida. Ela é servidora da estatal desde 2012, e assumiu o cargo em 2025 após atuar na chefia do setor contábil-financeiro desde 2017.
O turismo de pesca esportiva em Mato Grosso atravessa seu melhor momento histórico. Dados do setor apontam crescimento entre 30% e 40% nos últimos dois anos, transformando o estado em um dos destinos mais cobiçados do Brasil para a modalidade.
A expansão tem atraído investimentos milionários e consolidado MT como referência nacional na pesca esportiva sustentável, impulsionada principalmente pela Lei do Transporte Zero, que proíbe o transporte de peixes capturados.
O empresário Alisson Fagner Santos Trindade, presidente da Associação Mato-Grossense de Ecoturismo e Pesca Esportiva, exemplifica essa expansão. Proprietário de duas pousadas na região de Chapada dos Guimarães, ele investiu R$ 4 milhões na Marina Sérgio Motta, em Cuiabá.
O empreendimento funciona como um “shopping náutico”, reunindo loja especializada, revenda de embarcações, estacionamento náutico, restaurante, choperia, escola náutica e infraestrutura completa para pescadores esportivos.
“Esse investimento só foi possível graças à evolução do turismo de pesca em Mato Grosso. A Lei do Transporte Zero criou um ambiente jurídico estável e a resposta foi imediata: mais peixes nos rios, mais turistas e mais negócios”, destaca Alisson.
Lei do Transporte Zero: o divisor de águas
A legislação que restringe o transporte de espécies capturadas tem sido o principal catalisador do crescimento. Empresários relatam mudanças significativas na quantidade e variedade de peixes nos rios mato-grossenses.
Luana Karine, proprietária de pousada em Nova Canaã do Norte, confirma os resultados: “As pessoas estão respeitando e não matam mais o peixe. Já vemos espécies voltando, como o jaú, em maior número e também em tamanhos menores, sinal de renovação dos cardumes”.
A empresária, ex-apresentadora do programa “Elas na Pesca” da Fish TV, mudou-se de Santa Catarina para MT durante a pandemia, atraída pelo potencial do setor. “Chegamos em 2020 sem conhecer ninguém. No começo havia resistência, mas hoje a realidade é outra”, relata.
Pantanal registra mesma tendência de crescimento
No Pantanal, a avaliação é igualmente positiva. Marcelo Martinelli, empresário com 25 anos de atuação em Cáceres, mantém hotéis e três barcos-hotéis na região.
“No início, alguns clientes vinham pensando em levar peixe, mas logo entenderam a nova lógica. Hoje, a procura só aumenta. Temos reservas cheias para esta temporada e já estamos com alta demanda para o ano que vem”, afirma Martinelli.
O empresário destaca a mudança cultural: “Antes, muita gente procurava a pesca para levar pescado. Agora, entendem que o valor está na vivência, no contato com a natureza. Isso ampliou o perfil dos clientes”.
Fishing Show Brazil: Mato Grosso em destaque nacional
O crescimento do setor ficou evidente na Fishing Show Brazil, realizada em São Paulo entre 28 e 31 de agosto. O estande de Mato Grosso, com 100 m², foi um dos mais movimentados do evento.
15 empresários mato-grossenses participaram da feira, promovendo sorteios e pacotes turísticos que atraíram centenas de visitantes interessados nos destinos do estado.
“É um segmento forte e que ainda tem muito a crescer. A pesca esportiva gera negócios e movimenta cadeias inteiras ligadas ao turismo”, destacou Maria Letícia, secretária-adjunta de Turismo da Sedec.
Turismo de alto padrão e impacto econômico
O perfil dos turistas também evoluiu. Milton Alves Santos, da Amazônia Fishing Lodge, atua há uma década na divisa com o Pará e observa a atração de público diferenciado.
“Recebemos famílias inteiras que voltam todos os anos. São turistas de alto padrão que injetam recursos não só no lodge, mas em toda a cadeia: transporte aéreo, guias, fornecedores locais e até comunidades ribeirinhas”, avalia Santos.
A pesca esportiva sustentável movimenta diversos segmentos da economia local, incluindo hotelaria, transporte, alimentação, guias especializados e comércio de equipamentos.
O Governo de Mato Grosso, através da Sedec, mantém estratégia dupla: participação em feiras nacionais e consolidação da política do Transporte Zero. A combinação garante sustentabilidade ambiental e atratividade turística.
Os empresários do setor demonstram confiança no crescimento contínuo, com novos investimentos planejados e expectativa de expansão ainda maior nos próximos anos, consolidando MT como destino número 1 da pesca esportiva no Brasil.
Os investimentos em infraestrutura no Porto de Santos foram assuntos no Agro em Campo nesta semana. Em entrevista, o diretor de operações da autoridade portuária de Santos, Beto Mendes, comentou sobre as estratégias para ampliar a capacidade de exportação do local, tendo em vista o crescimento das negociações internacionais que envolvem inclusive o mercado agrícola.
Responsável por movimentar quase um terço de toda a corrente comercial do Brasil, o Porto de Santos é hoje o maior e mais importante complexo portuário da América Latina. Diante disso, sua relevância para o agronegócio brasileiro é cada vez maior.
Só em 2024, o porto foi responsável por exportar 34,3 milhões de sacas de café, o equivalente a quase 70% de todo o volume embarcado pelo Brasil, se consolidando como um dos principais canais logísticos para o setor.
“O porto de Santos é realmente a maior e a melhor porta de entrada do Brasil para os produtos transnacionais. Devido a sua interlândia, região onde produz os produtos. Produtos agrícolas representam 72% de tudo que se movimenta lá no Porto de Santos. […] Está inserido no maior centro consumidor do Brasil e isso dá condição para que tenha um crescimento muito forte e frequente”.
Crescimento acelerado e visão de longo prazo
Segundo Mendes, a movimentação do Porto de Santos tem crescido acima da média nacional, com taxa anual de cerca de 6%. Em 2024, atingiu seu maior recorde histórico: 179,88 milhões de toneladas, com projeção de ultrapassar 300 milhões de toneladas em 10 anos. Esse ritmo de crescimento exige infraestrutura robusta e capacidade operacional compatível com a demanda.
No total, R$ 12,5 bilhões estão sendo investidos no Porto de Santos apenas em recursos públicos federais, que já estão destinados. Além disso, atualmente o porto conta com mais R$ 3,75 bilhões em caixa.
Entre os projetos prioritários que recebem investimentos estão o novo túnel Santos-Guarujá, orçado em R$ 6,8 bilhões, a pavimentação de vias perimetrais e o novo terminal de combustíveis STS8. O Tecon Santos 10 também é um dos destaques, pois aumentará a capacidade de contêineres em 3,5 milhões de TEUs, além da implantação do VTMIS, um sistema de controle de tráfego aquaviário que promete mais segurança e agilidade nas operações portuárias.
Além dos investimentos que estão relacionados aos recursos públicos, os terminais também recebem aplicações do mercado privado. “As empresas privadas também estão investindo forte em Santos. Nós temos 62 terminais privados, todos eles, na sua grande maioria, recebendo investimentos”, disse Mendes.
Modelo de gestão, investimentos e expansão territorial
Na entrevista ao Agro em Campo, Beto Mendes defendeu que os investimentos na infraestrutura portuária sejam perenes, justamente para acompanhar o crescimento das demandas e sustentar um planejamento de longo prazo.
“Ocorre que no passado recente, no governo anterior, houve um investimento realmente de R$ 70 milhões. Parece ser um volume razoável, mas para um porto do porte de Santos, que vai chegar em 10 anos a 300 milhões de toneladas movimentadas, é um dinheiro irrisório, insignificante. Não dá para recuperar, muitas vezes, o asfalto de uma perimetral”.
Com 62 terminais privados em operação, o Porto de Santos já funciona sob regime de concessão privada, conforme ele esclareceu. O debate mais recente girou em torno da desestatização da própria Autoridade Portuária, hoje uma empresa pública federal que faz as normas e fiscaliza.
Para Mendes, manter a Autoridade Portuária de Santos sob gestão pública é essencial para garantir isonomia entre os diferentes segmentos logísticos que operam no porto, atuando como se fosse a “síndica do porto”.
“O modelo de gestão de Santos é muito parecido, principalmente, com todos os portos da Europa. São portos multipropósitos que movimentam vários tipos de carga. Se existe uma concorrência interna entre os terminais de granéis líquidos, de granéis sólidos, terminais de fertilizantes, e assim por diante… a autoridade nesse caso é mais inteligente seja pública porque ela não é tendenciosa para um segmento ou para o outro”.
Outro projeto estratégico, de acordo com ele, é a ampliação da poligonal do porto, que passará de 7,8 milhões para quase 21 milhões de metros quadrados, envolvendo áreas em Santos, Guarujá e Cubatão. Com o investimento, o espaço também será ampliado para São Vicente. A proposta visa acomodar novos terminais e dar conta da crescente movimentação de cargas.
“É o primeiro passo. Isso é planejamento. Isso é olhar para o futuro e pensar que daqui 10 anos nós vamos ter que movimentar 300 milhões de toneladas em Santos ou mais. Nós vamos trabalhar para que o Brasil ainda cresça mais acelerado e, se crescer ainda mais rápido, obviamente a média do crescimento de Santos ainda pode ser ampliada”.
Efeitos da taxação do café brasileiro pelos EUA
A entrevista também abordou os impactos da tarifa imposta pelo governo Trump sobre as exportações. Mendes revelou um aumento pontual na movimentação de cargas no porto nas últimas semanas por conta da medida que começa a valer no dia 01 de agosto, com exportadores tentando antecipar embarques antes da aplicação da nova tarifa.
“O perfil do presidente Trump é de um grande fanfarrão. Ele fez isso também com a China e depois voltou atrás. Nós estamos trabalhando acreditando que as nossas lideranças, que as autoridades brasileiras que têm o poder dessa regulação e negociação internacional, estão buscando novas alternativas”.
Para Beto Mendes, faltou assessoria ao presidente dos Estados Unidos antes da tomada de decisão. O diretor de operações portuárias acredita que os norte-americanos vão, na verdade, perder e não ganhar. “Primeiro que o americano produz somente 1% do café que consome. Quase 40% do café que consome, ele compra do Brasil, a grande maioria movimentada em Santos”.
Segundo ele, grandes compradores norte-americanos já pressionam o governo dos EUA para que haja um recuo na decisão. Por outro lado, o Brasil já está preparado para buscar novas rotas e parceiros comerciais.
Futuro: Brasil com pressa
Por fim, Beto Mendes reforçou o compromisso da APS com o futuro do país, inclusive do agronegócio brasileiro. Conforme ele explicou, o porto recebe em média 11 mil caminhões por dia, chegando a picos de até 18 mil em épocas de safra, e cerca de 6 mil navios por ano. A implantação de um novo sistema integrado de agendamento de cargas visa dar mais previsibilidade, reduzir gargalos e aumentar a eficiência logística.
“Estamos contratando o VTMIS, que é um sistema de controle aquaviário focado no cuidado com a segurança da navegação. […] Queremos ainda esse ano iniciar a implantação, que será de radares, onde vai coordenar toda a entrada e saída de navios do porto de Santos. Vamos poder compartilhar tanto com a Polícia Federal quanto com a Receita Federal, e com a nossa diretoria de operações, para que a gente possa continuar tendo as melhores condições de Santos continuar crescendo e atendendo toda a movimentação de carga”.
O Plano Safra 2025/2026 foi lançado pelo Governo Federal com recursos de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, representando um aumento de R$ 8 bilhões em relação ao ciclo anterior. Para a agricultura familiar, o governo destina R$ 89 bilhões em políticas de crédito.
Santa Catarina oferece um diferencial importante aos produtores locais. O programa Pronampe Agro SC permite que agricultores obtenham auxílio financeiro para o pagamento dos juros de financiamentos contratados no Plano Safra.
A iniciativa da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR) reduz – e pode até eliminar – os custos com juros de financiamentos. O programa atende operações contratadas nas linhas do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural).
Como funciona o Pronampe Agro SC
O programa contempla sete modalidades de projetos:
Fortalecimento de Cadeias Produtivas
Água para o Campo
Proteção de Pomares
Fortalecimento das Agroindústrias Familiares
Fortalecimento das Cadeias Produtivas da Pesca e Aquicultura
Armazenagem de Grãos em Propriedades Rurais
Pronampe Leite SC
A subvenção utiliza recursos do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR). O auxílio pode chegar a até 5% ao ano, calculado conforme contrato nas operações de crédito.
Para 2025, a previsão é aplicar cerca de R$ 25 milhões no programa. Produtores interessados devem procurar o escritório municipal da Epagri para encaminhar os projetos.
Santa Catarina se destaca no cenário nacional
Cerca de 78% dos estabelecimentos agropecuários catarinenses são da agricultura familiar. Segundo dados da Epagri/Cepa, o estado ocupou a terceira posição entre os que mais acessaram recursos do Pronaf em 2024.
Santa Catarina foi responsável por 13,3% do total nacional, totalizando R$ 8,5 bilhões. Na pecuária via Pronaf, o estado liderou com R$ 4,49 bilhões aplicados, representando 13,9% dos R$ 32,38 bilhões nacionais.
No Pronamp, o crédito rural aplicado em 2024 no estado foi de R$ 3,84 bilhões, correspondendo a 6,8% das operações realizadas no país.
Condições especiais para agricultores familiares
O Plano Safra mantém taxas de juros de 3% ao ano para a produção de alimentos básicos como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite. Para produções orgânicas ou agroecológicas, a taxa cai para 2%.
Para máquinas de até R$ 250 mil, a taxa é de 5% ao ano. O programa também oferece condições diferenciadas para produtores que adotam práticas sustentáveis.
“Com esse conjunto de ações, Santa Catarina reforça seu compromisso com o fortalecimento do setor agropecuário”, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini.
“O Pronampe é um grande exemplo desse compromisso, para estimular a produção e a permanência no campo”, complementa o secretário.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em reunião extraordinária nesta quinta-feira (29), uma medida para aliviar o endividamento rural. Ou seja, a nova resolução permite que instituições financeiras prorroguem parcelas de crédito rural com equalização do Tesouro Nacional. A regra vale para produtores atingidos por eventos climáticos em 2025.
Até três anos em operações de custeio
A prorrogação poderá chegar a três anos em operações de custeio. Já as parcelas de investimentos poderão ser adiadas para até um ano após o fim do contrato. Em geral, a decisão atende principalmente os produtores do Rio Grande do Sul, severamente impactados pela estiagem. No entanto, o governo também recebeu pedidos de Mato Grosso do Sul, Bahia e Sergipe, que enfrentaram problemas semelhantes.
Dívidas e renegociação
Segundo o Ministério da Agricultura, os produtores gaúchos devem R$ 28 bilhões com vencimento em 2025. Em resumo, desse total, R$ 9 bilhões estão em operações com recursos equalizados, e poderão ser prorrogados.
A resolução autoriza a renegociação de parcelas de custeio vencendo em 2025, com recursos equalizados, para médios e grandes produtores. O limite será de até 8% da carteira de crédito rural de cada banco. Essa medida já vale para agricultores do Pronaf.
Agora, o CMN também permite renegociar dívidas de pequenos produtores não indenizados pelo Proagro. Ou seja, a decisão amplia o alcance das renegociações, antes limitadas a produtores do Pronamp e outros com crédito equalizado. Até então, a renegociação exigia reclassificar o crédito para fontes não equalizadas, como os depósitos à vista. Portanto, essa exigência comprometia os recursos dos bancos, devido à frequência crescente dos eventos climáticos, segundo o Ministério da Fazenda. Por isso, o CMN decidiu manter a fonte equalizada para até 8% das carteiras, facilitando o processo.
Investimentos
No caso dos investimentos, o governo também autorizou a prorrogação das parcelas de 2025 para todos os perfis de produtores. O adiamento deve respeitar o mesmo limite de 8% da carteira de crédito da instituição.
O Ministério da Fazenda esclareceu que a medida não é automática. Os produtores afetados devem procurar os bancos, apresentar comprovação de perdas na produção e demonstrar dificuldade para pagar.
A resolução prevê tratamento especial aos bancos que aplicaram mais de 90% dos recursos no Rio Grande do Sul. O Banrisul poderá prorrogar até 17% dos financiamentos de custeio. No caso de investimentos, o limite sobe para 23% para médios e grandes, e 20% para operações do Pronaf.
Crédito extraordinário
Ainda nesta quinta-feira, o Ministério do Planejamento e Orçamento publicou portaria incorporando crédito extraordinário de R$ 4,1 bilhões no orçamento da União. O valor, aberto em fevereiro, cobre a equalização de juros do Plano Safra 2024/25. Outros R$ 255 milhões foram adicionados para essa finalidade.
Ao todo, o governo remanejou R$ 4,4 bilhões para subvenção ao crédito rural. Desses, R$ 136 milhões serão usados para prorrogar dívidas em Estados afetados pela seca. O custo total da medida chegará a R$ 358 milhões nos próximos anos. Segundo a Fazenda, o Tesouro compensará os custos com a redução de limites de crédito equalizado não utilizados por alguns bancos no Plano Safra 2024/25. Assim, a medida não gera novos custos além dos já previstos.
Essas ações reforçam as possibilidades de renegociação previstas no Manual de Crédito Rural. Hoje, o manual permite renegociação de custeio e investimento no Pronaf, e apenas de investimento para o Pronamp e demais produtores.
De acordo com a Fazenda, a medida evita que frustrações de safra e perdas de receita ampliem a inadimplência. O objetivo é conter os impactos locais antes que eles afetem o sistema financeiro como um todo.
As regiões de MATOPIBA e SEALBA, localizadas no Norte e Nordeste do país, emergem como grandes fronteiras agrícolas. Oferecendo aos produtores oportunidades de investimento em terras adequadas para o plantio de grãos e outras culturas. O preço do hectare nessas regiões é um dos menores do Brasil, com médias de R$ 15.473,58 em MATOPIBA e R$ 14.331,92 em SEALBA, conforme o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH).
MATOPIBA, que abrange partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, é uma das principais fronteiras agrícolas do país. A região tem recebido investimentos significativos em infraestrutura viária, logística e energética, atendendo a mais de 324 mil estabelecimentos agrícolas. As principais culturas plantadas incluem soja, milho, algodão e feijão.
Já o SEALBA, que compreende Sergipe, Alagoas e parte da Bahia, é uma nova fronteira agrícola, formalmente proposta em 2019. A região envolve 171 municípios com condições favoráveis para a produção de grãos e outras culturas.
Vantagens logísticas
Ambas as regiões são procuradas por sua logística facilitada, com acesso a malha rodoviária para transporte de grãos até portos e centros consumidores, conforme destaca Georgia Oliveira, CEO do Chãozão. A plataforma oferece propriedades para venda em ambas as regiões, totalizando 3.731.155,60 hectares em MATOPIBA e 458.955,16 hectares em SEALBA.
A expectativa é que essas regiões cresçam entre 2% e 5% ao ano nos próximos anos. Fatores como a demanda global por alimentos, as políticas agrícolas, os investimentos em infraestrutura e o avanço da tecnologia agrícola impulsionam esse crescimento. Esse crescimento também tende a aumentar o valor do hectare ao longo do tempo, tornando-as ótimos investimentos imobiliários.