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  • Brasil lança plataforma digital para mapear oportunidades de exportação com União Europeia

    Brasil lança plataforma digital para mapear oportunidades de exportação com União Europeia

    O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou nesta sexta-feira, 16 de janeiro, o Painel de Oportunidades Mercosul–União Europeia. A plataforma digital reúne dados do comércio entre os dois blocos e mapeia as oportunidades que o acordo comercial cria para exportadores brasileiros.

    A ferramenta consolida informações sobre países compradores, produtos que o Brasil exporta, distribuição regional das vendas externas, tarifas vigentes e o cronograma de redução tarifária previsto no tratado. O sistema busca apoiar exportadores brasileiros e orientar políticas públicas de comércio exterior.

    “O acordo com a União Europeia é o mais relevante que o Mercosul já firmou. Para que ele alcance todo o seu potencial, precisamos transformar os compromissos assumidos em oportunidades concretas. O Painel representa uma primeira contribuição em um esforço contínuo de implementação do acordo a partir de sua assinatura. Ele organiza informações estratégicas e as coloca à disposição de quem decide, produz e exporta”, afirmou Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do MDIC.

    Democratização de dados estratégicos

    A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) desenvolveu o painel como instrumento de política pública para democratizar o acesso à informação, reduzir assimetrias e apoiar decisões de empresas, estados e entidades setoriais.

    “Ao dar transparência aos ganhos tarifários, aos prazos de eliminação das tarifas e aos fluxos comerciais, a ferramenta fortalece a implementação do acordo e orienta políticas públicas de apoio às exportações”, destacou a secretária.

    A visualização por Unidade da Federação permite identificar como cada estado já atua no mercado europeu e onde estão as novas possibilidades de expansão, alinhando a política comercial ao desenvolvimento regional. Com filtros que cruzam estado e produto, o painel apoia o planejamento estratégico e contribui para decisões baseadas em dados.

    Indústria de alimentos projeta incremento de até R$ 3,5 bilhões ao ano com acordo

    A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) avalia o Acordo Mercosul-União Europeia como um instrumento estratégico para o fortalecimento da segurança alimentar, da previsibilidade comercial e da capacidade de agregação de valor das cadeias produtivas.

    A entidade destaca que o valor econômico central do acordo reside menos na redução tarifária isolada e mais na previsibilidade institucional, na estabilidade das regras de acesso a mercado e na mitigação de incertezas regulatórias. Fatores decisivos para a atração de investimentos produtivos de médio e longo prazo.

    Projeções de crescimento para o setor alimentício

    Projeções setoriais indicam que, uma vez implementado, o acordo poderá elevar as exportações brasileiras de alimentos industrializados para a União Europeia entre 1% e 2% no curto prazo. E entre 3% e 5% no médio prazo e entre 6% e 8% no longo prazo.

    Esses percentuais correspondem a incrementos anuais estimados entre R$ 400 milhões e R$ 3,5 bilhões. Com potencial de sustentar entre 3 mil e 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo do tempo. Isso associados a investimentos, ganhos de produtividade e maior agregação de valor.

    Resiliência em cenário internacional instável

    Em um cenário internacional caracterizado por instabilidade geopolítica, choques climáticos, fragmentação do comércio e uso crescente de barreiras comerciais, o acordo amplia a resiliência dos sistemas de abastecimento ao consolidar regras estáveis de acesso a um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo.

    O tratado integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo. E consolida o acesso a mercados de elevado poder aquisitivo e alta densidade regulatória. Portanto, com efeitos diretos sobre a sofisticação da pauta exportadora, a diferenciação de produtos e a inserção da indústria brasileira em segmentos de maior valor agregado.

    Ao reforçar a previsibilidade regulatória, a cooperação institucional e a integração entre cadeias produtivas, o Acordo Mercosul–União Europeia contribui para a resiliência dos sistemas alimentares. E também para o fortalecimento da segurança alimentar em ambos os blocos.

    O acordo amplia oportunidades de internacionalização e estimula investimentos em segmentos associados à bioeconomia, a ingredientes alimentares e a alimentos processados de maior valor agregado. Além de criar um ambiente mais favorável à inovação industrial.

    Relevância da indústria alimentícia brasileira

    A indústria brasileira de alimentos constitui um dos principais pilares estruturais da economia nacional. Em 2024, o setor registrou faturamento aproximado de R$ 1,27 trilhão. Isso é o equivalente a 10,8% do Produto Interno Bruto, mantendo-se como o maior segmento da indústria de transformação.

    O setor emprega diretamente cerca de 2,1 milhões de trabalhadores formais, processa aproximadamente 62% da produção agropecuária brasileira. E desde 2022 lidera as exportações mundiais de alimentos industrializados em volume.

    Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 66,8 bilhões, dos quais cerca de US$ 8,7 bilhões tiveram como destino a União Europeia. O que reforça a relevância estratégica do acordo para o setor.