Tag: Insumos Agrícolas

  • Operação apreende 217 toneladas de fertilizantes adulterados em MT

    Operação apreende 217 toneladas de fertilizantes adulterados em MT

    Uma operação realizada em Mato Grosso apreendeu aproximadamente 217 toneladas de fertilizantes adulterados, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

    A Operação Safra Paralela foi deflagrada na terça-feira (18) e os produtos apreendidos foram avaliados em cerca de R$ 645 mil.

    A ação faz parte da Operação Ronda Agro CXLVI, realizada no âmbito do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteiras), do MAPA.

    Fiscalização encontrou irregularidades nos fertilizantes

    Durante a fiscalização, as equipes constataram que o estabelecimento envolvido não tinha registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

    Também foram identificadas irregularidades relacionadas à rotulagem e à rastreabilidade dos fertilizantes.

    De acordo com o Mapa, havia ainda indícios de manipulação dos produtos com componentes não autorizados, além da utilização de sacarias pertencentes a terceiros.

    Amostras dos materiais foram coletadas e serão encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) para análise.

    Investigação apura possíveis crimes

    Além das irregularidades encontradas nos produtos, a investigação apura a possível ocorrência de crimes relacionados às atividades investigadas, como organização criminosa, furto qualificado e estelionato.

    Segundo o Mapa, o nome Safra Paralela faz referência à suspeita da existência de um mercado clandestino relacionado à adulteração de fertilizantes e à subtração de grãos.

    Operação reuniu forças de segurança em Mato Grosso

    A operação foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso (FICCO/MT).

    A ação contou ainda com apoio do Comando Regional da Polícia Militar de Mato Grosso, em Primavera do Leste, e da Polícia Rodoviária Federal, em Rondonópolis.

    A fiscalização integra as ações de defesa agropecuária voltadas à regularidade da cadeia produtiva e ao controle dos insumos comercializados no setor rural.

  • Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    O crédito mais restrito, o El Niño e as incertezas do cenário geopolítico estão entre as principais pautas das empresas que participam do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

    O evento começou na terça-feira (11) e segue até quinta-feira (13), no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

    Crédito mais restrito muda estratégia das empresas

    Diretor conselheiro da Andav e líder do grupo de trabalho de pesquisa da entidade, Alberto Yoshida afirma que o setor sente os efeitos do ciclo de investimentos realizado entre 2020 e 2022, quando os preços das commodities estavam em patamares elevados.

    Agora, os preços dos grãos perderam força, os juros estão mais altos e há menos recursos disponíveis para financiamento. O cenário também afeta os distribuidores de insumos.

    “Se os produtores rurais passam por uma dificuldade muito grande, a distribuição está muito próxima. Esse aperto que nós temos é uma consequência inclusive do próprio mercado.”

    Ao mesmo tempo, as distribuidoras enfrentam aumento dos custos operacionais, principalmente com combustíveis e energia elétrica.

    Para Yoshida, o momento exige maior atenção à gestão das empresas, com foco em gestão e fluxo de caixa, análise de balanço e controle de despesas.

    Segundo ele, o cadastro dos clientes ganhou importância e a chamada “esteira de crédito” passou a ser uma ferramenta cada vez mais relevante para os distribuidores.

    Gestão de risco ganha espaço no agro

    Na Fortgreen, a estratégia tem sido reforçar a gestão de risco e ampliar as alternativas de financiamento.

    Segundo o head de crédito, Henrique Ramires, a equipe passou a trabalhar mais próxima da área comercial e dos clientes, inclusive em campo.

    A análise deixou de considerar apenas balanços e declarações financeiras. Também entram na avaliação informações sobre a lavoura, como região, cultura, preços e dados obtidos por imagens de satélite.

    Além disso, a empresa também ampliou o uso de operações de barter e Cédulas de Produto Rural (CPRs) como instrumentos para reduzir riscos e sustentar as vendas.

    “O barter serve para dois cenários: primeiro, alavancar venda; segundo: mitigar risco”, afirmou Ramires.

    Produtores fracionam compra de insumos

    O ambiente de maior cautela também mudou o ritmo de comercialização de insumos, segundo a multinacional Basf.

    Gustavo Bastos, gerente sênior de acesso ao mercado da empresa, afirma que os produtores estão mais criteriosos e têm fracionado as aquisições.

    Com isso, parte das decisões de compra fica para mais perto do momento da aplicação.

    El Niño aumenta atenção para a próxima safra

    O El Niño é um dos principais fatores de preocupação para a próxima safra.

    Segundo Bastos, os efeitos do fenômeno podem variar entre as regiões produtoras. No Cerrado, há preocupação com possíveis impactos sobre o calendário de plantio. No Sul, o cenário pode aumentar a pressão de fungos e doenças.

    A estratégia da empresa, diante da maior incerteza climática, é manter proximidade com os agricultores para ajudar nos ajustes de manejo conforme as condições encontradas no campo.

    O monitoramento climático oficial para 2026 aponta diferenças importantes entre as regiões brasileiras. As projeções para o período de julho a setembro indicam maior probabilidade de chuva abaixo da média em áreas do centro-norte do país e de chuva acima da média em partes da Região Sul.

    Geopolítica preocupa oferta de matérias-primas

    O cenário internacional também aumenta a preocupação com a disponibilidade de matérias-primas utilizadas pela indústria.

    Segundo Thiago Haydn, gerente comercial da Schem Group, os impactos relacionados ao Estreito de Hormuz já repercutem no mercado de enxofre.

    A matéria-prima é relevante para a produção de ácido sulfúrico e, consequentemente, para diferentes fertilizantes e produtos químicos utilizados pelo agronegócio.

    Para Haydn, o risco não está apenas na possibilidade de aumento dos preços.

    “Pior que pagar caro é você não ter produto quando o produtor precisar”, concluiu.

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  • El Niño forte e alta nos custos ameaçam produção agrícola global, aponta estudo europeu

    El Niño forte e alta nos custos ameaçam produção agrícola global, aponta estudo europeu

    A combinação de um El Niño intenso com o aumento dos preços de insumos agrícolas já pressiona a produção global de alimentos em 2026. A avaliação consta na edição de maio do relatório Anomaly Hotspots of Agricultural Production (ASAP), publicado pelo Centro Comum de Pesquisa (JRC), da Comissão Europeia.

    O levantamento indica cenários contrastantes entre regiões, com ganhos de produtividade em algumas áreas e perdas relevantes em outras, principalmente por eventos climáticos extremos e instabilidade econômica.

    Na África Austral, a produção de cereais deve superar a média na safra 2025/2026. A África do Sul lidera o avanço com alta de 10% na produção de milho em relação à média de cinco anos, enquanto a Zâmbia registra safra recorde e o Zimbábue projeta crescimento de 2%.

    Em contrapartida, Angola, Moçambique e o sul de Madagascar enfrentam perdas por condições climáticas adversas. Em áreas costeiras angolanas, a degradação das pastagens já compromete a pecuária.

    África

    Na África Oriental, chuvas antecipadas favoreceram lavouras no Quênia, Etiópia e norte de Uganda. Porém, a irregularidade das precipitações afeta a produção na Somália e no sudeste etíope. Na Tanzânia, a colheita avança com produtividade abaixo da média após déficit hídrico. O relatório também alerta para novos impactos do El Niño no fim de 2026. Conflitos no Sudão e Sudão do Sul continuam a desestruturar a produção agrícola e ampliam o risco de fome. Fora das áreas de guerra, a alta nos preços de combustíveis e insumos,agravada pela guerra no Irã, reduz a capacidade produtiva dos agricultores.

    Na África Ocidental e Central, as condições iniciais para o milho são positivas, mas conflitos na Nigéria e no Sahel Central limitam a atividade agrícola. Países como Gana, Benim, Chade, Guiné e Togo registram atrasos no plantio. As previsões climáticas indicam chuvas dentro da média no Golfo da Guiné, mas apontam risco de seca em partes do Sahel.

    Oriente Médio

    No Oriente Médio e Norte da África, a colheita de cereais de inverno apresenta forte recuperação, com produtividade acima da média após chuvas regulares desde dezembro. Marrocos e Argélia lideram esse avanço após anos de seca. Ainda assim, problemas localizados persistem, como restrições de irrigação no sul do Iraque e enchentes em áreas marroquinas. No Iêmen, o clima favorece a produção, mas 17 milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar severa.

    Na Ásia Central, as lavouras de inverno mantêm bom desempenho, impulsionadas por chuvas recentes. O Afeganistão também registra condições favoráveis, apesar de 14 milhões de pessoas enfrentarem insegurança alimentar. No Sul da Ásia, Paquistão e Bangladesh encerraram colheitas com bons resultados, enquanto o Sri Lanka projeta safra positiva. Na Coreia do Norte, o plantio de arroz e milho avança bem, embora a redução da área cultivada no inverno limite parte dos ganhos.

    América Latina e Caribe

    Na América Latina e Caribe, o plantio da safra “primera” sofre atrasos devido à falta de chuvas e às altas temperaturas. Apesar disso, a colheita atual na América do Sul apresenta desempenho majoritariamente positivo.

    O avanço do El Niño deve intensificar contrastes climáticos: seca severa ameaça lavouras de milho e arroz na América Central, Caribe e Colômbia, enquanto Bolívia, Equador e Peru devem registrar chuvas acima da média. O aumento dos custos de combustíveis e fertilizantes também pressiona o setor, com destaque para a escassez de diesel em Cuba e os preços elevados em países como Bolívia, Peru, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

  • Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    Guerra no Irã ameaça 10 bilhões de refeições por semana

    O conflito no Oriente Médio parou de ser apenas um problema geopolítico e já bate na porta do campo, nos estoques de insumos e no prato de bilhões de pessoas ao redor do mundo.

    A interrupção do fornecimento de fertilizantes causada pela guerra no Irã pode custar até 10 bilhões de refeições por semana em todo o mundo, segundo o CEO da Yara, uma das maiores produtoras de fertilizantes do planeta. O número impressiona, mas o mecanismo por trás dele é direto: sem fertilizante nitrogenado, a produção agrícola cai.

    O estrangulamento começa em Ormuz

    Tudo passa pelo Estreito de Ormuz: cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, normalmente transita por essa via marítima. Com as hostilidades no Golfo bloqueando o tráfego, a cadeia de suprimentos global trava.

    Svein Tore Holsether, CEO da Yara, foi direto ao ponto em entrevista à BBC: “Até meio milhão de toneladas de fertilizante nitrogenado não estão sendo produzidas no mundo no momento devido à situação em que estamos. O que isso significa para a produção de alimentos? Eu estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado da falta de fertilizantes.”

    Mesmo que o estreito reabrisse amanhã, os preços elevados tendem a persistir, já que parte da produção e das matérias-primas já foi perdida.

    Queda de até 50% na produtividade das lavouras

    O impacto vai além dos números abstratos. Não aplicar fertilizante nitrogenado reduziria a produtividade de algumas culturas em até 50% já na primeira safra. Isso significa menos grãos, menos colheita e menos comida chegando ao mercado, tudo ao mesmo tempo.

    Os principais destinos afetados seriam Ásia, Sudeste Asiático, África e América Latina, regiões onde o impacto imediato seria mais visível. Holsether ainda alertou que áreas da África subsaariana, onde já há subfertilização crônica, poderiam registrar “quedas significativas” na produção agrícola.

    Para o agronegócio brasileiro, o cenário exige atenção redobrada. O Brasil importou 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes no ano passado, enquanto a produção nacional ficou em 7,2 milhões de toneladas, com a importação ainda responsável por 85% do abastecimento interno.

    O Ministério da Agricultura identificou o risco com urgência. Notas técnicas da secretaria-executiva apontam “alto risco real de um déficit de volume estimado entre 1 e 3 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados em 2026, suficiente para comprometer a produtividade das safras 2026/2027.”

    Os mais vulneráveis pagam a conta mais alta

    O CEO da Yara foi enfático ao alertar os países europeus sobre um detalhe que costuma passar despercebido nos debates sobre segurança alimentar: “Se há uma disputa por alimentos e uma que a Europa é robusta o suficiente para lidar, o que precisamos ter em mente é: nessa situação, de quem estamos tirando comida ao comprarmos? Essa é uma situação em que as pessoas mais vulneráveis pagam o preço mais alto, em nações em desenvolvimento que não podem se dar ao luxo de acompanhar.”

    O Programa Mundial de Alimentos da ONU estima que as consequências combinadas do conflito no Oriente Médio poderiam levar 45 milhões de pessoas a mais à fome aguda em 2026. Na Ásia e no Pacífico, a insegurança alimentar deve crescer 24%, o maior aumento relativo de qualquer região.

  • Lei do Autocontrole entra em vigor para o setor de fertilizantes

    Lei do Autocontrole entra em vigor para o setor de fertilizantes

    O Governo Federal publicou nesta quarta-feira (25) o Decreto 12.858, que altera as regras para inspeção e fiscalização da produção e comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas no Diário Oficial da União (DOU).

    A medida atualiza o Anexo do Decreto nº 4.954/2004 para compatibilizar o regulamento com a Lei nº 14.515/22, conhecida como Lei do Autocontrole, e promove adequações ao rito processual previstas no Decreto nº 12.502/2025.

    A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (SDA/Mapa) conduzirá a fiscalização dos insumos agrícolas com novas ferramentas. A principal mudança regulamenta as sanções administrativas, medidas cautelares e penalidades previstas na legislação.

    Nova classificação de infrações

    O decreto inclui a classificação de infração de natureza moderada, que se soma às categorias já existentes: leve, grave e gravíssima. As faixas de multas seguem agora os valores estabelecidos no Anexo da Lei nº 14.515/2022, considerando o porte econômico do agente administrado.

    Os agentes das cadeias produtivas abrangidas pelo decreto deverão implementar e executar programas de autocontrole obrigatórios. As empresas precisam estabelecer procedimentos e controles sistematizados para monitorar, verificar e corrigir etapas do processo produtivo, desde a aquisição de matérias-primas até a distribuição dos produtos.

    O texto também regulamenta o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária. Diferente do autocontrole, este programa terá adesão voluntária e concederá benefícios aos participantes. Entre as vantagens, a possibilidade de regularização por notificação nos casos de infrações de natureza leve ou moderada. O regulamento define os objetivos do programa, critérios de adesão, obrigações para permanência e hipóteses de suspensão e exclusão.

    Agentes registrados, cadastrados ou credenciados antes da regulamentação dos programas de autocontrole terão dois anos para se adequar às novas exigências.

  • Fiscalização interdita fábrica clandestina de fertilizantes

    Fiscalização interdita fábrica clandestina de fertilizantes

    Uma operação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resultou na interdição de uma fábrica clandestina de fertilizantes em Pradópolis, interior de São Paulo. Durante a ação, foram apreendidas 475 toneladas de matérias-primas, usadas na produção irregular de insumos agrícolas. A empresa não possuía registro no Mapa nem licença ambiental para funcionamento, levantando preocupações sobre riscos aos agricultores e ao meio ambiente.

    Foto: Antonio Edson Colombo/SFA-SP

    A fiscalização ocorreu no distrito industrial da cidade no dia 22, após denúncia registrada na Ouvidoria do Mapa. De acordo com os servidores da regional de Araraquara, a fábrica produzia fertilizantes sem o registro de estabelecimento e de produtos exigido por lei. As matérias-primas, armazenadas a granel e ensacadas, não tinham identificação de garantia ou procedência nas embalagens.

    Diante das irregularidades, as autoridades paralisaram a produção de forma cautelar, e o fabricante terá 30 dias para regularizar a situação junto aos órgãos competentes. Até lá, a empresa está proibida de produzir e comercializar fertilizantes. Os fiscais lavraram termos de inspeção, apreensão e intimação, além de um auto de infração para apurar as violações.

    Riscos aos agricultores e ao meio ambiente

    Fertilizantes produzidos sem registro, segundo o Mapa, podem apresentar formulações desequilibradas, conter contaminantes ou metais pesados, causando prejuízos às plantações e desequilíbrio fisiológico nas plantas. A ausência de licença ambiental também representa potencial dano ao ecossistema local.

    A equipe fundamentou a ação na Lei nº 14.515/22 (Lei do Autocontrole) e no Decreto Federal nº 4.954/2004, que regulamenta a fiscalização de insumos agrícolas. A população pode registrar denúncias sobre casos semelhantes na plataforma Fala.BR, disponível no site do Ministério da Agricultura.

    A interdição reforça a atuação do Mapa no combate à produção irregular de insumos, visando proteger a agricultura legal e prevenir impactos ambientais.

  • Brasil alcança marca histórica em registros de insumos agrícolas

    Brasil alcança marca histórica em registros de insumos agrícolas

    O Brasil estabeleceu um novo recorde no setor de insumos agrícolas em 2025. O país registrou 139 novos bioinsumos e 560 novos defensivos químicos, considerando produtos técnicos e formulados, segundo dados do CropData, portal de informações da CropLife Brasil.

    Os agentes microbiológicos lideraram o crescimento entre os bioinsumos. O segmento conquistou 121 novos registros, representando 87% do total e superando o desempenho do ano anterior. Esses agentes incluem microrganismos como bactérias, fungos e vírus que combatem pragas e doenças nas lavouras.

    A entrada de novas empresas no setor e a ampliação das áreas de biológicos nas indústrias multinacionais explicam o aumento expressivo nos registros de bioinsumos.

    Defensivos químicos registram 28 novas moléculas

    No segmento de defensivos químicos, o mercado brasileiro recebeu seis novos registros de produtos técnicos e 22 de produtos formulados com moléculas inéditas. O detalhamento mostra que cerca de 95% dos agroquímicos registrados referem-se a produtos já existentes no mercado – os chamados “genéricos” com moléculas já validadas.

    As exportações de sementes agrícolas mantiveram trajetória positiva e atingiram US$ 233 milhões entre janeiro e novembro de 2025. O valor representa o pico de receita na série histórica dos últimos cinco anos, com aproximadamente US$ 10 milhões acima dos resultados de 2023 e 2024.

    O recorde indica que o Brasil intensificou suas exportações de tecnologia incorporada às sementes, especialmente para países sul-americanos.

    Importações crescem 24% em volume

    As importações de produtos químicos totalizaram US$ 12,9 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2025, registrando alta de 16% em receita. O aumento representa US$ 1,8 bilhão a mais em comparação ao mesmo período de 2024.

    O volume importado cresceu 24%, saltando de 1.305.312 toneladas em 2024 para 1.621.095 toneladas em 2025. A CropLife Brasil monitora o desembarque de defensivos químicos formulados, compostos técnicos e matérias-primas importadas, utilizados pela indústria nacional para formulação local.

    Indústria aponta desafio com inovação

    Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, avalia o cenário como extremamente positivo para o dinamismo regulatório e a ampliação da oferta de produtos. “O recorde fortalece a oferta de soluções ao produtor rural e contribui para a competitividade do mercado”, afirma.

    No entanto, Gomides ressalta uma limitação importante. “A entrada de tecnologias efetivamente inovadoras permaneceu limitada, tanto no segmento químico quanto no de biológicos. Os registros ‘genéricos’ avançaram mais do que a inovação disruptiva”, explica o executivo.

    O gerente destaca que o desafio atual vai além do alto volume de registros. O Brasil precisa criar condições para consolidar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novas tecnologias, fundamentais para enfrentar a resistência de pragas e aumentar a produtividade e sustentabilidade da agricultura brasileira.

  • Fertilizantes: Minas Gerais pode reduzir dependência externa do Brasil

    Fertilizantes: Minas Gerais pode reduzir dependência externa do Brasil

    O Brasil pode estar próximo de uma revolução na produção de fertilizantes, com Minas Gerais liderando um movimento que promete reduzir drasticamente a dependência externa de insumos agrícolas. O estado mineiro concentra aproximadamente 70% das reservas nacionais de potássio. O nutriente essencial para a agricultura, e abriga a maior operação de extração do país, localizada em São Gotardo.

    A atual capacidade produtiva de 3 milhões de toneladas anuais tem planos ambiciosos de expansão. Os projetos em desenvolvimento preveem um salto para 23 milhões de toneladas em uma primeira fase, com potencial posterior de atingir 50 milhões de toneladas anuais. Um volume quase equivalente aos 60 milhões de toneladas que o país consome atualmente.

    Essa expansão surge em momento estratégico para o agronegócio brasileiro, que registrou safra recorde de 320 milhões de toneladas de grãos em 2025.

    As culturas que mais demandam fertilizantes – soja, milho, cana-de-açúcar e café – têm sido responsáveis por esse crescimento histórico da produção nacional.

    Minas lidera mercado de fertilizantes especiais

    No segmento de fertilizantes especiais, os insumos de alto valor agregado fundamentais para aumentar produtividade, Minas Gerais domina o cenário nacional. Segundo dados da Abisolo (Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal), o estado responde por 18,2% da demanda nacional. Superando São Paulo (16,7%) e Mato Grosso (13,6%).

    “Minas Gerais tem uma vocação natural para liderar a indústria de fertilizantes”, afirma Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, empresa sediada em Machado, no Sul de Minas. “A velocidade não está apenas na entrega de tecnologias inovadoras, mas também na forma como nos antecipamos às demandas do produtor rural.”

    No contexto latino-americano, o Brasil consolida-se como maior consumidor e produtor agrícola da região. Superando Argentina e Paraguai tanto em demanda por fertilizantes quanto em modernização do uso de insumos. Essa liderança reflete-se nos números de consumo interno. Apenas no primeiro semestre de 2025, Minas Gerais recebeu entre 1,35 e 1,69 milhão de toneladas de fertilizantes tradicionais.

    Empresas mineiras impulsionam inovação

    A GIROAgro exemplifica a força da indústria mineira no setor de fertilizantes líquidos. Posicionada entre as maiores empresas do segmento no país, a companhia investe continuamente em tecnologia e soluções inovadoras. Abastecendo não apenas produtores locais, mas projetando Minas Gerais em âmbito nacional.

    No cenário de distribuição de fertilizantes tradicionais, Minas Gerais figura entre os cinco principais destinos do país em 2025. O ranking é liderado por estados de forte produção graneleira: Mato Grosso (3,8 milhões de toneladas), Paraná (2,3 milhões), Goiás (1,6 milhão) e São Paulo (1,5 milhão).

    A combinação de reservas abundantes de potássio, empresas consolidadas e mercado consumidor interno robusto posiciona Minas Gerais como peça-chave para a segurança alimentar e o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro. Os investimentos em expansão da capacidade produtiva podem representar um marco histórico na redução da dependência externa de fertilizantes, fortalecendo a autonomia estratégica do país no setor.

  • Compras coletivas beneficiam agricultura familiar no Pará

    Compras coletivas beneficiam agricultura familiar no Pará

    O superintendente da OCB/PA, Júnior Serra, concedeu entrevista exclusiva ao portal Agro em Campo, detalhando como as cooperativas da agricultura familiar no estado vêm fortalecendo a produção por meio da compra coletiva de insumos. Segundo ele, o modelo não apenas organiza os produtores, mas também garante maior competitividade e retorno financeiro para quem integra essas cooperativas.

    Qual é o principal trabalho das cooperativas no Pará hoje?

    “O que a gente faz muito aqui no estado do Pará é, em primeiro lugar, organizar. Fazemos um levantamento da produção, porque todo mundo que produz alguma coisa precisa de insumos agrícolas. A cooperativa entra justamente nesse ponto: comprar direto, principalmente quando temos mais de 20, 30, 40 produtores juntos. Esse volume gera um diferimento no valor de compra, tornando o processo competitivo.”

    Como funciona esse modelo na prática?

    “Primeiro fazemos toda a lista dos possíveis cooperados e levantamos a necessidade de cada um. A partir disso, vamos barganhar preço no mercado. É nesse momento que conseguimos mais competitividade e vantagem econômica para os produtores.”

    Pode dar um exemplo concreto de resultado?

    “Temos uma cooperativa, em um município próximo a Belém, que antes era uma associação. No primeiro ano como cooperativa, com 64 pequenos produtores rurais, alcançou um faturamento de R$ 500 mil. Desse valor, sobraram R$ 400 mil graças ao modelo da compra coletiva. Isso mostra como o sistema é eficiente.”

    A compra coletiva, então, é o ponto de partida?

    “Exatamente. A compra coletiva já é algo que estimula muito e sempre dá certo. Não tem como dar errado, porque todo produtor precisa de insumos agrícolas. O trabalho inicial é mapear essa demanda e negociar em bloco.”

    Qual é a diferença entre associação e cooperativa?

    “Tanto em associação quanto em cooperativa é possível participar de editais. Mas a associação tem mais restrições legais, porque seu fim é assistencial e cultural. Já a cooperativa tem caráter econômico.”

    E isso impacta no retorno financeiro?

    “Sim. Todo recurso que entra em uma associação não pode ser dividido entre os associados, precisa ser investido em prol da coletividade. No cooperativismo é diferente: o associado recebe proporcionalmente ao que entregou da produção dele.”