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  • Rios do Brasil escondem milhões de partículas de plástico invisíveis

    Rios do Brasil escondem milhões de partículas de plástico invisíveis

    Pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, investigam como os microplásticos afetam rios, lagos e a fauna aquática no Brasil. O tema ganha relevância porque a produção mundial de plástico não para de crescer desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje, o mundo fabrica cerca de 400 milhões de toneladas por ano, e boa parte desse material acaba descartada de forma incorreta. Assim, o plástico se acumula na natureza e preocupa cientistas em todo o planeta.

    Os microplásticos medem menos de 5 milímetros. Por isso, eles se espalham com facilidade pelo ambiente e interagem diretamente com organismos vivos e outros componentes dos ecossistemas. A maior parte dos estudos científicos ainda se concentra no ambiente marinho. Porém, as pesquisas sobre água doce também avançam.

    Como os microplásticos chegam à água

    Efluentes domésticos e industriais, escoamento superficial, atividades humanas diretas e até o transporte pelo ar levam microplásticos até rios e lagos. Uma vez na água, as partículas se distribuem por toda a coluna hídrica, da superfície até o sedimento. Ao longo do tempo, elas passam por transformações físicas, químicas e biológicas. Nesse processo, bactérias e fungos colonizam as partículas e ajudam a degradar alguns de seus componentes.

    No Brasil, diferentes bacias hidrográficas já registram esses poluentes. Na bacia do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, pesquisadores encontraram cerca de 330 microplásticos por litro em águas superficiais. Já o Rio Amazonas aparece em levantamentos internacionais que mapeiam o transporte de resíduos plásticos por sistemas fluviais.

    Como os microplásticos afetam os peixes

    Os cientistas também analisam efeitos físicos, bioquímicos, comportamentais e ecotoxicológicos de longo prazo sobre a fauna aquática. Nos peixes, a ingestão acidental — ou por confundirem o plástico com alimento — provoca irritações no sistema digestivo e altera o comportamento alimentar. “Como o plástico não possui valor nutricional, seu acúmulo também pode dar ao peixe uma falsa sensação de saciedade, fazendo com que ele coma menos e receba menos nutrientes”, explica Katharina Eichbaum Esteves, pesquisadora do IP e coordenadora dos projetos sobre o tema.

    Porém, a ingestão não é o único risco. As partículas também interagem com as brânquias dos peixes e podem comprometer a respiração. Além disso, elas funcionam como vetores de outras substâncias nocivas: carregam metais, agroquímicos e demais poluentes presentes na água, somados aos aditivos usados na fabricação dos plásticos. Esses estudos ajudam a entender em quais condições essas interações aumentam o risco para os organismos aquáticos.

    Caminhos para reduzir a poluição

    Os achados da pesquisa não apenas ampliam o conhecimento científico, mas também orientam estratégias de prevenção.

    Recuperar rios e áreas degradadas, preservar matas ciliares, melhorar a coleta de lixo e o saneamento, conscientizar a população e investir em pesquisa formam o conjunto de medidas necessárias para conter o avanço da poluição plástica.

    Pesquisa aplicada busca soluções sustentáveis

    O Centro de Engenharia da Plasticultura (CEP), do qual o IP faz parte, une pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico para tornar o uso de plásticos mais eficiente e sustentável. A equipe reúne especialistas de diferentes áreas e conduz pesquisas voltadas à aquicultura, à ciência de polímeros, à reciclagem, à economia circular e à logística reversa.

    Entre as frentes de trabalho, os pesquisadores desenvolvem e validam novos materiais, avaliam seu desempenho em diferentes culturas e aplicações e estudam estratégias para recuperar e reaproveitar esses materiais após o uso. Dessa forma, o Centro transforma evidências científicas em soluções aplicáveis e complementa as pesquisas sobre microplásticos, aproximando o conhecimento ambiental do desenvolvimento de práticas capazes de reduzir perdas para o ambiente.

  • Lambari vira grande negócio e produtor revela margem de 35%

    Lambari vira grande negócio e produtor revela margem de 35%

    Pequeno, resistente e conhecido por muitos brasileiros desde a primeira pescaria, o lambari encontrou um mercado lucrativo longe dos rios: a criação em cativeiro para ser vendido como isca viva.

    Embora ainda represente menos de 1% da piscicultura brasileira, segundo dados do IBGE, a lambaricultura cresce de 5% a 8% ao ano. A expansão é impulsionada principalmente pela procura de pescadores por iscas destinadas à captura de espécies maiores, como o tucunaré.

    O zootecnista Fábio Sussel, pesquisador do Instituto de Pesca de São Paulo, considera a atividade extremamente rentável. No entanto, os resultados variam de acordo com a escala, o manejo, a mortalidade dos peixes e o mercado atendido.

    O que é a lambaricultura?

    Lambari não é o nome de uma única espécie. A denominação popular abrange mais de 80 espécies de pequenos peixes da família Characidae, encontradas em rios da América do Sul.

    Na criação comercial, os peixes podem ser vendidos como alevinos, iscas vivas, alimento para espécies de aquário ou produto destinado ao consumo humano.

    A venda por unidade, em vez de peso, é um dos fatores que tornam a atividade interessante para produtores menores. Pesquisas do Instituto de Pesca também indicam que sistemas de baixo custo podem viabilizar o cultivo em pequena escala.

    Produtor cria 20 milhões de lambaris por ano

    Maior produtor de lambaris do Brasil, Jomar Delefrate começou a investir na atividade ainda na década de 1990.

    Na época, ele criava pacu, tilápia e outras espécies em sua fazenda, localizada em Buritizal, no interior de São Paulo. Ao perceber que havia muitos lambaris nos tanques e uma procura crescente pelo peixe como isca viva, decidiu mudar o foco do negócio.

    “Na década de 1990, comecei a migração para a criação comercial de lambaris. Hoje, crio exclusivamente lambaris em 12 fazendas integradas em Buritizal, com um produção anual de pelo menos 20 milhões de unidades, que são comercializadas como iscas vivas para a pesca desportiva em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.”

    Jomar mantém 42 tanques na própria fazenda, mas administra aproximadamente 170 estruturas com produtores parceiros. Parte desses viveiros estava desativada após antigos criadores abandonarem a produção de peixes maiores.

    Tentativa de vender o peixe para consumo

    Em 2017, Jomar construiu um frigorífico para processar os lambaris e entrar no mercado de alimentação.

    A unidade utilizava uma máquina desenvolvida a partir de pesquisas de Fábio Sussel para automatizar a evisceração. O equipamento reduzia um dos principais gargalos do processamento: a dificuldade de limpar manualmente um peixe tão pequeno.

    O frigorífico, porém, encerrou as atividades depois de dois anos e meio. Jomar concluiu que sua principal especialidade era a produção de iscas vivas. O prédio foi desativado e os equipamentos, vendidos para uma indústria de Goiás.

    Como funciona a produção

    A reprodução dos lambaris é induzida em laboratório. Depois da fecundação, os embriões seguem para o berçário, onde passam pela fase inicial de desenvolvimento.

    Posteriormente, os peixes são transferidos para tanques escavados, nos quais ocorre a engorda. O ciclo até a fase adulta leva de três a quatro meses durante o verão, dependendo de fatores como:

    • Temperatura;
    • Qualidade da água;
    • Alimentação;
    • Densidade dos tanques;
    • Condições ambientais.

    Embora seja considerado resistente, o lambari cresce mais lentamente durante o inverno.

    Margem relatada chega a 35%

    Jomar afirma que a rentabilidade atual de sua operação é de aproximadamente 35%. O percentual diz respeito ao negócio do produtor e não deve ser interpretado como uma margem garantida para toda criação.

    Segundo ele, o resultado chegou a ser maior até 2015, quando o lambari teria perdido para os peixes de aquário a posição de atividade mais rentável da piscicultura.

    Outra vantagem observada pelo criador é o menor risco de furto. Por ser pequeno e exigir muito trabalho para limpeza, o peixe não costuma despertar o mesmo interesse criminoso que espécies maiores.

    “Meus parceiros cederam os tanques que estavam desativados em suas fazendas, onde criavam peixes grandes. Muitos sofreram perdas com furtos e desistiram do negócio. Já o lambari não tem esse problema. Ninguém quer limpar o peixinho. Em 30 anos, nunca tive furtos.”

    As iscas deixam as propriedades com peso entre 15 e 30 gramas. Jomar também vende alevinos para outros criadores e trabalha com o filho, Thiago Delefrate, engenheiro agrônomo especializado em piscicultura.

    Além da criação, a família faz o transporte até revendedores e pousadas. Durante a entressafra, também compra lambaris de terceiros para manter o fornecimento aos clientes.

    Jovem investe R$ 150 mil na atividade

    Em Morada Nova de Minas, o produtor Rian Gabriel Alves de Souza começou a criar lambaris artesanalmente quando ainda trabalhava com o pai em um provedor de internet.

    Após conseguir capital e um sócio, ele investiu R$ 150 mil na compra de matrizes e na instalação de tanques escavados. As estruturas recebem as larvas durante os primeiros 30 dias.

    “Escolhi o lambari porque é um peixe que não precisa de muito investimento e dá uma margem de lucro disparada na comparação com os outros.”

    A etapa de engorda acontece em tanques-rede instalados na represa de Três Marias. A propriedade fica em Morada Nova de Minas, município que ocupa posição de destaque na produção brasileira de tilápia.

    Com orientação técnica, Rian passou a realizar a reprodução induzida e a seguir protocolos de manejo.

    “Antes eu era um aventureiro. Busquei orientação com o pesquisador Sussel, passei a fazer a reprodução induzida e seguir os protocolos para a criação e engorda. Já cheguei a produzir 120 mil lambaris em um mês, mas a média é de 50 a 60 mil.”

    O custo informado pelo criador varia entre R$ 0,10 e R$ 0,15 por peixe. A isca viva, com aproximadamente sete a oito centímetros, é repassada por R$ 0,50.

    Essa diferença não corresponde automaticamente ao lucro líquido. Mortalidade, alimentação, mão de obra, manutenção, transporte e demais despesas também precisam ser consideradas.

    Rian pretende instalar novos tanques e quadruplicar a produção. O plano inclui ainda a entrada na engorda de tilápias. Apesar das boas perspectivas, ele diz que a atividade ainda sofre com falta de reconhecimento.

    “Ninguém te leva a sério quando você diz que é criador de lambari.”

    Mão de obra e transporte são desafios

    Apesar do ciclo curto e da possibilidade de aproveitamento de tanques menores, a criação comercial exige conhecimento técnico.

    A mão de obra precisa ser treinada para alimentação, manejo, despesca e transporte. Como o produto é vendido vivo, qualquer falha pode provocar mortalidade e prejuízo antes da entrega.

    No estado de São Paulo, o Decreto nº 60.582, de 2014, reconhece a aquicultura como atividade de interesse social e econômico. A norma também estabelece regras de licenciamento e condições para o desenvolvimento sustentável da produção aquícola.

    Para Fábio Sussel, os lambaris que aparecem espontaneamente em viveiros de espécies maiores não devem ser encarados apenas como invasores.

    “Mas o lambari não é um problema e sim uma solução. Oferece uma grande oportunidade de renda para o produtor porque não demanda grande estrutura para criação, mas a produção comercial exige muito profissionalismo, com uso de técnicas e protocolos.”

    — Fábio Sussel, pesquisador do Instituto de Pesca.

    A diversificação mostra que, apesar de pequeno, o peixe pode abrir diferentes fontes de receita. O potencial, entretanto, depende de manejo profissional, mercado próximo e controle rigoroso dos custos.

  • Pesquisador ensina truque para extrair mais sabor do camarão

    Pesquisador ensina truque para extrair mais sabor do camarão

    O camarão figura entre os frutos do mar preferidos dos brasileiros, mas o preparo ainda gera dúvidas na cozinha. Muita gente erra na limpeza e descarta partes que concentram sabor e nutrientes. Fábio Sussel, pesquisador científico do Instituto de Pesca (IP), uma das sete unidades da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, reuniu orientações para mudar esse cenário.

    Uma limpeza bem-feita mantém a qualidade do camarão sem prejudicar sabor ou textura, segundo Sussel. O processo exige a retirada do trato digestório, a popular “veia” do camarão, e cuidados no descongelamento e no armazenamento, sempre respeitando a cadeia do frio.

    “Conhecendo a matéria-prima, fica fácil entregar qualidade em termos de sabor e textura. Meu trabalho é entender profundamente o camarão e mostrar como preservar essa qualidade desde o processamento até o preparo”, explica o pesquisador.

    Cabeça e carcaça concentram até 30% do sabor

    Muita gente descarta a cabeça e a carcaça do camarão durante a limpeza. Sussel discorda dessa prática: essas partes concentram grande parte do sabor do animal e rendem caldos, molhos e risotos mais saborosos.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    “A cabeça não é lixo. Ela concentra muito sabor e pode ser utilizada em diferentes preparos. Respeitar os animais de produção também significa aproveitar integralmente aquilo que foi produzido”, afirma.

    A cabeça representa cerca de 30% do peso total do camarão. Descartá-la aumenta o desperdício de alimentos e desperdiça uma matéria-prima valiosa para a gastronomia. O caldo extraído dessas partes agrega aroma e intensidade às receitas. E ainda reduz a necessidade de temperos industrializados.

    Pesquisas miram produção e consumo consciente

    O Instituto de Pesca conduz as orientações dentro de pesquisas sobre qualidade do camarão cultivado e processamento do alimento. O trabalho integra estudos sobre carcinicultura brasileira, entre eles o projeto “Viabilidade Técnica e Econômica da Produção de Camarão Marinho Longe do Mar”, que avalia sistemas intensivos de recirculação de água e tecnologias adaptadas ao interior do país.

    Além de avançar na produção, as pesquisas também ampliam o conhecimento da população sobre boas práticas de manipulação, conservação e aproveitamento do camarão. A meta é contribuir para uma alimentação mais sustentável e reduzir o desperdício de alimentos nas cozinhas brasileiras.

    A aquicultura brasileira já produz cerca de 230 mil toneladas de camarão marinho por ano, enquanto a pesca extrativa soma aproximadamente 60 mil toneladas. Esse crescimento da produção aquícola amplia a oferta de proteína de qualidade no país e reforça a importância de difundir conhecimentos que garantam o melhor aproveitamento do alimento até a mesa do consumidor.

  • Como pescar no inverno: especialistas ensinam técnicas eficazes

    Como pescar no inverno: especialistas ensinam técnicas eficazes

    O inverno já completou um mês no Brasil. A estação derruba as temperaturas e transforma o comportamento dos peixes, exigindo dos pescadores mais atenção e novas estratégias.

    O Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, alerta que os meses frios provocam alterações no metabolismo dos peixes. A queda na temperatura da água reduz a atividade e a movimentação das espécies, o que impacta diretamente sua alimentação e distribuição nos ambientes aquáticos.

    Por que os peixes ficam mais lentos no frio

    O pesquisador do IP, Eduardo Onaka, explica o fenômeno: “com a redução do metabolismo, os peixes passam a gastar menos energia e diminuem a frequência de alimentação. Como consequência, tendem a ignorar o oferecimento de iscas e permanecem por mais tempo em áreas onde encontram melhores condições de temperatura, tornando a pescaria mais desafiadora durante o inverno”.

    A água do ambiente determina a temperatura corporal dos peixes, já que eles não contam com mecanismos internos de regulação térmica. Por isso, a temperatura da água funciona como fator limitante direto da taxa metabólica do animal. No verão, o calor acelera o metabolismo: o peixe digere rápido e precisa comer com frequência. No inverno, o frio inverte esse quadro. O organismo desacelera, a digestão demora mais e o intervalo entre as refeições aumenta.

    Pescador a beira do mar
    Foto: Archipiélago de Gran Canaria/Flickr

    Durante o inverno, o peixe entra em regime de conservação energética. Ele seleciona as presas com base no custo-benefício: ataca somente quando o gasto para capturar a isca compensa, ou seja, quando ela está próxima e se desloca devagar. A recuperação pós-exercício também se prolonga significativamente, o que exige manuseio mais cuidadoso na prática do pesque-e-solte. O cuidado extra evita a morte do peixe por exaustão metabólica.

    Estratégias de pesca para o inverno

    A pesca de barranco praticamente perde a eficácia no inverno, já que os peixes se afastam da zona rasa. Na pesca embarcada, o sonar se torna ferramenta indispensável: ele localiza estruturas submersas e revela a profundidade em que os cardumes se concentram. O pescador deve apresentar a isca no fundo ou logo acima da termoclina, a camada onde a temperatura muda bruscamente em um curto espaço de profundidade, pois ali se concentra a maior parte dos peixes.

    Onaka recomenda a chamada pesca de precisão: identificar os pontos propícios e insistir neles, apresentando a isca repetidamente no mesmo local. Iscas de superfície, que geram alto impacto sensorial, perdem eficácia no frio. Já iscas de fundo, trabalhadas em velocidade reduzida e com pausas longas, rendem melhores resultados.

    Espécies mais ativas no frio

    Apesar da queda geral na atividade, algumas espécies toleram melhor as baixas temperaturas e continuam ativas durante o inverno. Entre os peixes de água doce resistentes ao frio estão a traíra, o dourado, o pacu, a corvina, as carpas (todas as variedades) e os bagres em geral, como jundiá, pintado, cachara, barbado e mandi.

    O horário da pescaria também interfere nos resultados. Entre o fim da manhã e o meio da tarde, a água recebe mais sol e os peixes ficam mais ativos. Por isso, esse período costuma render mais capturas. Além do horário certo, a escolha de técnicas e iscas adequadas à estação aumenta as chances de uma pescaria produtiva.

    Foto preto e branca de pescador à beira do rio
    Foto: Daniel Donate/Flickr

    Enquanto rios e lagos de água doce enfrentam peixes mais escassos e lentos, o litoral da região Sudeste vive o oposto: o inverno marca a fartura. Dois fenômenos explicam esse fluxo: a ressurgência, quando ventos de frentes frias trazem à superfície uma corrente de água profunda, gelada e rica em nutrientes; e a migração pelo frio, quando espécies do Sul do país se deslocam rumo ao Sudeste. Tainha, anchova, sororoca, bonito-listrado e pargo figuram entre os peixes mais aguardados da temporada.

    Como adaptar a técnica de pesca ao frio

    “No inverno, as águas ficam mais transparentes e os peixes se comportam de forma mais lenta e discreta. Para garantir o sucesso da pescaria nesta época, os pescadores precisam adaptar suas técnicas”, afirma Onaka. O pesquisador reuniu quatro orientações práticas para essa fase do ano:

    • Aposte em linhas invisíveis: como a água fica mais transparente, escolha um líder de fluorcarbono mais fino e comprido (pelo menos 1,5 metro) para a extremidade da linha, evitando que o peixe perceba a armadilha.
    • Leve a isca até o fundo: os peixes se concentram perto do fundo no inverno. Utilize iscas de metal ou chumbadas mais pesadas para garantir que a isca alcance a profundidade certa.
    • Recolha a linha devagar: ao usar iscas artificiais, faça o recolhimento bem lento. No frio, a fisgada do peixe não vem como uma batida explosiva — a linha simplesmente fica “pesada” durante as pausas.
    • Explore o olfato dos peixes: mesmo no frio, o olfato continua funcionando bem. Use iscas naturais com cheiro forte ou aplique atrativos em gel nas iscas artificiais para atrair os peixes de longe.
  • Do rio ao prato: pesquisa transforma lambari em produto de alto valor

    Do rio ao prato: pesquisa transforma lambari em produto de alto valor

    O lambari carrega um lugar especial na memória afetiva de boa parte dos brasileiros. Presente em rios, córregos e lagoas de quase todo o território nacional, o peixe costuma marcar as primeiras pescarias da infância, ao lado de pais, avós e tios. Além do valor cultural, a espécie ganha cada vez mais relevância econômica. Ou como alimento, tradicionalmente consumido em forma de petisco, ou como isca viva na pesca esportiva.

    Foto: Fabiano Bulow/Flickr

    Durante décadas, produtores dependeram quase exclusivamente da captura em ambientes naturais ou da presença do lambari como fauna acompanhante em cultivos de peixes comerciais. O termo “lambari” reúne diversas espécies de pequenos caracídeos, família numerosa de peixes de água doce. O Instituto de Pesca (IP-APTA) assumiu papel pioneiro na geração de conhecimento científico e tecnológico voltado ao cultivo comercial de espécies como Astyanax fasciatus, Astyanax lacustris e Deuterodon iguape.

    Para o pesquisador do IP Fábio Sussel, a consolidação da lambaricultura como atividade aquícola exigiu tecnologias específicas, capazes de tornar a produção previsível, eficiente e economicamente viável.

    Pesquisa e inovação fortalecem a produção

    Nas últimas décadas, o Instituto de Pesca desenvolveu e aperfeiçoou protocolos para diferentes etapas do processo produtivo, o que ajudou a consolidar uma cadeia até então inexistente em escala comercial.

    Entre as principais contribuições, os pesquisadores aprimoraram os protocolos de reprodução induzida, essenciais para garantir produção contínua de alevinos ao longo do ano. A equipe também desenvolveu técnicas de larvicultura e recria em diferentes sistemas de cultivo, adaptadas às características biológicas de cada espécie estudada.

    lambari
    Foto: João Otavio Dobre Ferreira/Flickr

    Esses avanços trouxeram mais regularidade à produção, aumentaram a sobrevivência dos peixes e melhoraram os índices zootécnicos, o que oferece maior segurança técnica aos produtores. Paralelamente, o instituto ampliou suas linhas de pesquisa para outras frentes estratégicas. Criou tecnologias para produção de lambaris destinados ao mercado de iscas vivas, avaliou o potencial da espécie em sistemas de aquaponia e passou a utilizar diferentes lambaris como bioindicadores em estudos de ecotoxicologia, voltados a avaliar contaminantes ambientais e a qualidade dos ecossistemas aquáticos.

    Nova tecnologia amplia o potencial do lambari para consumo

    O lambari também ocupa lugar de destaque como alimento tradicional de alto valor gastronômico. Apesar dessa vocação, um gargalo tecnológico limitava a ampliação do consumo em larga escala: o processamento do pescado.

    Para resolver esse desafio, Fábio Sussel propôs a criação de uma máquina para evisceração de lambaris. Uma empresa de Santa Catarina, especializada em equipamentos para frigoríficos de peixes, desenvolveu o equipamento posteriormente. A máquina automatiza uma das etapas mais críticas do processamento, aumenta significativamente a produtividade, reduz custos operacionais e agrega valor ao pescado destinado ao consumo humano.

    Foto: Fábio Sussel/Instituto de Pesca

    Segundo Sussel, essa inovação representa um exemplo concreto de pesquisa aplicada. O Instituto de Pesca transforma resultados científicos em soluções tecnológicas capazes de atender demandas reais da sociedade. Além de fortalecer cadeias produtivas estratégicas para a aquicultura brasileira.

    Mais do que um peixe ligado à memória afetiva dos brasileiros, o lambari se tornou exemplo de como a pesquisa pública pode converter conhecimento científico em desenvolvimento econômico, inovação e segurança alimentar.

  • Plataforma reúne pesquisas inéditas sobre pesca artesanal no litoral de SP

    Plataforma reúne pesquisas inéditas sobre pesca artesanal no litoral de SP

    O Projeto Valoriza Pesca lançou uma plataforma digital aberta que reúne dados, pesquisas e conteúdos inéditos sobre a pesca artesanal na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. A iniciativa consolida quatro anos de estudos realizados desde 2022 e amplia o acesso público a informações estratégicas sobre o setor.

    O acervo inclui uma plataforma online, um painel interativo em Business Intelligence (BI), um documentário e publicações técnicas e culturais. O material apresenta indicadores da atividade pesqueira, registros das comunidades tradicionais e análises sobre os impactos sociais, ambientais e econômicos que afetam a região.

    O projeto surgiu a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Ele foi firmado entre empresas envolvidas no acidente do terminal do Grupo Ultracargo, em Santos (SP). O Instituto de Pesca (IP), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, coordenou a iniciativa. Que contou com acompanhamento do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag).

    Documentário

    Entre os principais conteúdos, o documentário “Pesca em Cena” retrata o cotidiano de pescadores e pescadoras artesanais. E evidencia os impactos acumulados na atividade ao longo de décadas de intervenções na área portuária. Já o livro “Valoriza Pesca – Olhares sobre a Pesca Artesanal na Década do Oceano” integra conhecimento científico e saberes tradicionais, abordando temas como poluição marinha, segurança alimentar, economia do mar, resiliência e justiça socioambiental.

    A iniciativa também reúne uma série de livros dedicados às comunidades pesqueiras de Caruara, Ilha Diana, Monte Cabrão, Praia do Góes e Sítio Cachoeira. As publicações registram memórias, modos de vida, manifestações culturais e a identidade desses territórios.

    A coordenadora-geral do Instituto de Pesca, Cristiane Neiva. Foto:
    Divulgação/Instituto de Pesca

    A plataforma digital concentra todo o conteúdo e oferece um painel interativo com gráficos e mapas sobre recursos naturais, perfil socioeconômico dos pescadores, dinâmica da atividade e fatores que interferem na pesca artesanal na Baixada Santista.

    Segundo a coordenadora-geral do Instituto de Pesca e do projeto, Cristiane Neiva, a iniciativa fortalece a valorização da pesca artesanal e contribui para o desenvolvimento sustentável da região. “O projeto amplia a visibilidade das comunidades pesqueiras e ajuda a construir caminhos mais justos e sustentáveis para esses territórios”, afirma.

  • Estudo avalia impacto de bioinsumos em peixes e anfíbios

    Estudo avalia impacto de bioinsumos em peixes e anfíbios

    O avanço dos bioinsumos agrícolas tem ganhado força como alternativa aos agrotóxicos tradicionais, diante da crescente preocupação com os impactos ambientais e à saúde. Entre essas soluções, os bioherbicidas microbianos se destacam por sua origem natural, produzidos a partir da fermentação de fungos e compostos por enzimas capazes de degradar plantas daninhas. Apesar do potencial sustentável, ainda existem dúvidas sobre a segurança desses produtos para organismos não-alvo, especialmente em ambientes aquáticos.

    Guilherme Felicioni desenvolvendo pesquisa sobre bioherbicidas. Foto: Instituto de Pesca

    Diante desse cenário, o Instituto de Pesca (IP-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduz uma pesquisa para avaliar possíveis efeitos tóxicos desses bioinsumos. O estudo integra o mestrado do biólogo Guilherme Felicioni, no Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Pesca (PPGIP).

    A pesquisa analisa o impacto de um bioherbicida microbiano em células de peixes e anfíbios, com foco em uma avaliação preliminar de segurança ambiental antes da aplicação em campo. Os testes utilizam linhagens celulares de fibroblastos (tecido conjuntivo de peixe) e hepatócitos de zebrafish, permitindo observar como diferentes tecidos reagem à exposição ao composto.

    Segundo Felicioni, a escolha dos tecidos segue critérios estratégicos. O fígado atua diretamente no metabolismo e na desintoxicação de substâncias químicas. Enquanto o tecido conjuntivo pode acumular compostos ao longo do tempo, o que amplia a compreensão sobre os efeitos do bioherbicida no organismo.

    Avaliação celular detalhada

    No laboratório, a equipe realiza testes para medir viabilidade celular, metabolismo, aderência e respostas ao estresse. Também analisa estruturas responsáveis pela proteção e limpeza celular. Esses indicadores permitem identificar alterações funcionais e possíveis danos causados pelo bioinsumo.

    Os resultados devem contribuir para o desenvolvimento de herbicidas biológicos mais seguros, alinhando produtividade agrícola com preservação ambiental e proteção da fauna aquática.

    Além do avanço científico, o projeto também fortalece a formação acadêmica do pesquisador. Felicioni destaca o acesso a parcerias nacionais e internacionais e a infraestrutura do Instituto de Pesca como diferenciais para o desenvolvimento da pesquisa.

    A orientadora do estudo, a pesquisadora Cláudia Maris, ressalta que o trabalho segue o princípio dos 3 Rs (substituição, redução e refinamento) que orienta o uso de métodos alternativos à experimentação animal. A abordagem in vitro permite reduzir o uso de organismos vivos sem comprometer a qualidade científica.

    Segundo a pesquisadora, a expectativa é que o laboratório avance na implementação de métodos alternativos no Brasil, ampliando a capacidade de análise e apoiando estudos de campo com maior eficiência e responsabilidade ambiental.

  • Pesquisa cria bioinsumos a partir de resíduos da aquicultura para impulsionar agricultura e pecuária

    Pesquisa cria bioinsumos a partir de resíduos da aquicultura para impulsionar agricultura e pecuária

    O Instituto de Pesca (IP-APTA) integra um centro de pesquisa de ponta que desenvolve soluções sustentáveis para o setor aquícola. O CCD-AQUAINTEGRA, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), reúne instituições nacionais e a University of Melbourne, da Austrália, para transformar resíduos da aquicultura em bioinsumos de alto valor para a agricultura e a pecuária.

    A pesquisadora Fabiana Garcia Scaloppi, do Instituto de Pesca, coordena a iniciativa. O projeto concentra esforços na geração de evidências científicas sobre o desempenho ambiental e econômico de tecnologias aplicadas à aquicultura integrada. O objetivo principal é reduzir a poluição por efluentes e criar uma cadeia produtiva que valoriza resíduos até então descartados.

    Projeto aposta na integração produtiva para gerar biofertilizantes

    O CCD-AQUAINTEGRA foca no desenvolvimento de biofertilizantes orgânicos a partir de resíduos da aquicultura. Para validar as soluções na prática, o projeto implementará quatro Vitrines Tecnológicas:

    • AQUAHORT+: produz hortaliças de alto valor nutricional utilizando sistemas de aquaponia desacoplada.
    • AQUAPEC: integra a aquicultura com a pecuária para criar biofertilizantes inovadores.
    • AQUATEC+: aprimora tecnologias aplicadas a sistemas produtivos integrados.
    • AQUAMUDAS: utiliza efluentes aquícolas na produção de mudas para fruticultura e reflorestamento.

    Além dessas vitrines principais, o projeto conta com unidades de suporte focadas na capacitação de produtores rurais. A iniciativa garante a transferência de conhecimento e amplia a aplicação prática das tecnologias no campo.

    “O CCD AQUAINTEGRA reúne uma equipe multidisciplinar altamente capacitada. Nosso foco é gerar protocolos claros e executáveis para que produtores rurais migrem dos tradicionais monocultivos para os cultivos integrados de produção de alimentos”, destaca a pesquisadora Fabiana.

  • Aminoácido essencial pode revolucionar a nutrição de trutas

    Aminoácido essencial pode revolucionar a nutrição de trutas

    Pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, investigam como a arginina, um aminoácido essencial, influencia o crescimento de trutas arco-íris (Oncorhynchus mykiss). O estudo pode transformar as estratégias nutricionais adotadas pela aquicultura brasileira.

    O estudo é conduzido pela aluna do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Pesca do IP (PPGIP) Carolina Pereira. Foto IP-APTA

    A mestranda Carolina Pereira, do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Pesca do IP (PPGIP), conduz a pesquisa. Que tem o objetivo de mapear as concentrações de arginina em diferentes fases do desenvolvimento das trutas. O aminoácido desempenha funções centrais no organismo dos peixes: estimula o crescimento muscular, fortalece a resposta imunológica e regula a liberação de hormônios ligados ao desenvolvimento.

    O diferencial do trabalho está na variedade de fenótipos analisados. A equipe estuda exemplares de quatro linhagens; tipo selvagem, azul-cobalto, amarelo-albino e branca-albino. Cada uma com características fisiológicas e metabólicas próprias que podem responder de forma distinta à presença do aminoácido.

    Como a pesquisa funciona na prática

    O experimento acontece no Serviço Regional de Pesquisa em Salmonicultura Dr. Ascânio de Faria, em Campos do Jordão. E conta com a participação dos pesquisadores Vander Bruno dos Santos, Yara Aiko Tabata, Neuza Sumico Takahashi e Erna Elisabeth Bach, além de outros colaboradores e pós-graduandos.

    Para quantificar a arginina e outros aminoácidos, a equipe usa a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). A técnica analítica é capaz de separar, identificar e medir compostos em amostras biológicas com alta precisão. Os pesquisadores coletam amostras de sangue, fígado e músculo em diferentes momentos após a alimentação, permitindo rastrear como o organismo das trutas absorve e utiliza cada nutriente ao longo do tempo.

    O que os resultados podem mudar

    Os dados gerados pela pesquisa abrem caminho para dietas mais eficientes e manejos mais precisos na piscicultura. “A avaliação de aminoácidos no sangue e em diversos tecidos corporais, sobretudo da arginina, nos ajuda a entender muitos aspectos relacionados às diferenças no crescimento das linhagens de trutas de colorações distintas”, explica Vander Bruno dos Santos, coordenador do PPGIP e orientador da pesquisa. “Com isso, podemos adotar melhores estratégias de manejo para maximizar o desempenho desses peixes.”

    Para a mestranda Carolina Pereira, a pesquisa vai além do laboratório. “Fazer parte do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Pesca é muito importante, porque o programa aproxima a pesquisa da prática. Tenho contato com o setor aquícola, com produtores e com pescadores. Isso me permite conhecer a realidade da pesca e da aquicultura de forma mais profunda”, afirma.

    Ao avançar no entendimento das rotas metabólicas ligadas ao crescimento muscular de peixes, o estudo também contribui para a sustentabilidade do setor, ao apontar caminhos para reduzir desperdícios nutricionais e elevar a eficiência da produção.

  • Piracema chega ao fim: o que muda para pescadores a partir de 1° de março

    Piracema chega ao fim: o que muda para pescadores a partir de 1° de março

    O defeso da Piracema nas bacias do Paraná e do Atlântico Sudeste encerra neste domingo, 1° de março de 2026. A temporada de restrição, que começou em 1° de novembro de 2025, protegeu durante quatro meses os peixes nativos. Especialmente as espécies migradoras, no período mais crítico de reprodução. Com o fim do defeso, pescadores artesanais e amadores voltam a ter acesso às águas, mas precisam respeitar um conjunto de regras que permanece em vigor.

    Piracema significa, em tupi, “subida do peixe”, e é exatamente isso que acontece todo ano entre outubro e março nas bacias hidrográficas brasileiras. Durante esse período, espécies como o dourado (Salminus brasiliensis), o pacu (Piaractus mesopotamicus) e o pintado (Pseudoplatystoma corruscans) deixam os grandes rios e nadam contra a correnteza em busca de locais propícios para a desova.

    Essa migração reprodutiva é essencial para a renovação dos estoques pesqueiros. Uma única fêmea de dourado, por exemplo, pode liberar até 200 mil ovos em uma única desova. Sem o defeso, a pesca durante esse período comprometeria gerações inteiras de peixes antes mesmo que elas chegassem à fase adulta.

    O recrutamento bem-sucedido das populações, ou seja, a sobrevivência dos filhotes até a fase reprodutiva, é o que garante a continuidade da pesca nos anos seguintes. Tanto para subsistência quanto para a atividade profissional e esportiva.

    O que muda a partir de domingo para cada tipo de pescador

    Pescadores artesanais profissionais retomam a atividade com a possibilidade de usar redes de emalhar (método de espera) e demais apetrechos regularizados pelas normas federais, incluindo embarcações.

    Foto: Cine 016

    Pescadores amadores e esportivos também podem usar embarcações, mas seguem restritos a equipamentos como linha de mão, anzol, caniço e vara com molinete ou carretilha. A cota de captura permanece em 10 kg mais um exemplar por dia, conforme a Instrução Normativa IBAMA nº 26/2009, que também define as áreas permitidas e proibidas.

    Ambas as categorias devem respeitar o tamanho mínimo de captura das espécies, listado no anexo da mesma instrução normativa.

    Espécies ameaçadas seguem protegidas

    Independentemente do fim do defeso, a captura de espécies da Lista Vermelha federal (Portaria MMA nº 148/2022) e estadual (Decreto Estadual nº 63.853/2018) continua proibida. Vale a exceção: o pintado (Pseudoplatystoma corruscans), apesar de constar nas listas de ameaçadas, tem exploração autorizada pela Portaria MMA nº 355, de 27 de janeiro de 2023.

    Para a pesquisadora Paula Maria Gênova de Castro Campanha, do Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, as medidas de ordenamento pesqueiro são necessárias, mas insuficientes por si só.

    “O governo regula e aplica instrumentos que visam diminuir a pressão sobre os recursos e dar sustentabilidade às atividades pesqueiras. As medidas abrangem a limitação das frotas, a restrição de petrechos, tamanho mínimo de captura e períodos de defeso. No entanto, os impactos gerados pelo barramento dos ambientes fluviais, aliados à poluição difusa, industrial, agrícola e doméstica, são os principais vetores do declínio das populações de peixes continentais”, afirma a pesquisadora.

    Campanha desenvolve palestras e oficinas para pescadores durante reuniões de projetos de pesquisa e participa ativamente do Grupo de Trabalho Centro-Sul de Bacias Hidrográficas (CPG-Centro Sul), promovido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). O objetivo é integrar ciência e gestão sustentável dos recursos pesqueiros.

    Polícia multa dupla por pesca ilegal durante a Piracema no Rio Aguapeí

    Mas até esse sábado continuam valendo as regras da Piracema e a fiscalização também continua. A Polícia Militar Ambiental de Presidente Prudente autuou dois homens, de 56 e 54 anos, em R$ 3.240 por pesca predatória durante a Operação Piracema. A autuação ocorreu nesta semana no Rio Aguapeí, entre os municípios de Lucélia e Valparaíso.

    De acordo com a corporação, os agentes realizavam patrulhamento em pontos de acesso ao rio quando flagraram três pescadores saindo da margem com redes e peixes, nas proximidades da ponte em Valparaíso. Ao perceberem a aproximação da equipe, os suspeitos fugiram pulando no rio e abandonaram os materiais no local.

    Os policiais detiveram um dos homens imediatamente. Em seguida, identificaram o segundo envolvido após encontrarem documentos pessoais em um rancho às margens do rio. A equipe não localizou o terceiro pescador.

    Os policiais apreenderam 32 quilos de peixes das espécies curimbatá e piauçu com o grupo. Além de uma tarrafa, dez redes de nylon e duas boias. A legislação proíbe a captura de peixes nativos na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná durante o período da Piracema, que busca proteger a reprodução das espécies.

    Cada um dos autuados recebeu multa no valor de R$ 1.620. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia Civil de Valparaíso. Um dos envolvidos foi preso em flagrante por crime ambiental, com base no artigo 34 da Lei Federal nº 9.605/98. Foi estipulada fiança de um salário mínimo.

    Os peixes apreendidos, por estarem em boas condições de consumo, foram doados ao Lar São Vicente de Paulo, instituição filantrópica localizada em Dracena.