A colheita de café dentro da cidade de São Paulo marca o início oficial da safra paulista de 2026. O evento “Sabor da Colheita” acontece neste sábado (23), no Instituto Biológico (IB-APTA), na Vila Mariana. E abre ao público as etapas da produção cafeeira em pleno ambiente urbano.
Em sua 18ª edição, a iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo transforma o maior cafezal urbano do mundo em vitrine da cafeicultura paulista. A programação começa às 8h e inclui oficinas de colheita, demonstrações de beneficiamento, rodas de conversa e degustações de cafés produzidos em diferentes regiões do estado.
Durante as atividades práticas, os visitantes colhem café diretamente nos pés cultivados no Instituto Biológico e acompanham etapas iniciais do processamento, incluindo a secagem em terreiro suspenso. Técnicos da Secretaria orientam os grupos ao longo da manhã.
O evento também destaca a qualidade do café paulista. O público pode degustar amostras de produtores premiados no Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo, que soma 24 edições. Produtores com selo de Indicação Geográfica (IG) também participam, reforçando a valorização da origem e da identidade regional.
Seis regiões cafeeiras no estado
Atualmente, São Paulo reúne seis regiões cafeeiras com Indicação Geográfica reconhecida, o que fortalece a presença do estado no cenário nacional. Além da tradição, o setor apresenta crescimento. Levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) e da CATI projeta alta de 15,2% na safra 2025/26, com produção estimada em 5,13 milhões de sacas.
A programação inclui ainda estandes institucionais, conteúdos sobre cafezal regenerativo e uma roda de conversa com o pesquisador Celso Vegro, do IEA-APTA, que aborda a história, a economia e os desafios da cafeicultura paulista.
O “Sabor da Colheita” reúne diferentes áreas da Secretaria de Agricultura, como CATI, APTA, Defesa Agropecuária, Diretoria de Segurança Alimentar, Diretoria de Desenvolvimento dos Agronegócios e a Câmara Setorial do Café.
Serviço – 18º Sabor da Colheita
Data: sábado, 23 de maio de 2026
Horário: a partir das 8h
Local: Instituto Biológico de São Paulo – Cafezal Urbano
Endereço: Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1252 – Vila Mariana – São Paulo/SP
Entrada gratuita e sem necessidade de inscrição prévia
O Instituto Biológico (IB-APTA), na capital paulista, concluiu mais uma etapa de renovação do maior cafezal urbano do planeta. O espaço recebeu 900 novas mudas das variedades Obatã Amarela, IAC RN 125 e IAC SH3, desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC).
Com a expansão, a área mantida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo passa a reunir aproximadamente 3 mil plantas de diferentes cultivares. Os pesquisadores utilizam o espaço para estudos sobre agricultura regenerativa, manejo sustentável do solo e controle biológico de pragas.
A pesquisadora Harumi Hojo, responsável pelo projeto, explica que a renovação representa a etapa final da modernização do plantio. “Estamos concluindo a última etapa da renovação do cafezal do Instituto, com novas variedades que permitem avaliar como diferentes cultivares se comportam em manejo sustentável e nas condições ambientais da capital”, afirma.
As novas cultivares trazem características importantes para a pesquisa agrícola. A IAC RN 125 apresenta resistência a nematoides e à ferrugem do cafeeiro, com indicação para sistemas de agricultura orgânica. Já a IAC SH3 demonstra tolerância ao déficit hídrico, característica cada vez mais relevante diante das mudanças climáticas.
Laboratório vivo na cidade
O cafezal urbano funciona como área experimental para estudos sobre biodiversidade e controle natural de pragas. Os pesquisadores acompanham o aumento da diversidade de abelhas e abelhas sem ferrão na região, além da presença de inimigos naturais do bicho-mineiro, uma das principais pragas que atacam o cafeeiro.
Criado em 1927, após a crise provocada pela broca-do-café, o Instituto Biológico mantém tradição em pesquisas sobre controle biológico e sanidade agrícola. O cafezal histórico da instituição existe desde a década de 1950 e hoje funciona como modelo experimental de produção com práticas regenerativas.
Entre as técnicas aplicadas na área estão o uso de matéria orgânica no solo, adubação verde e incentivo à biodiversidade. O espaço demonstra na prática como conciliar produção agrícola com conservação ambiental mesmo em área urbana.
Como visitar
O Instituto Biológico fica localizado na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 1252, na Vila Mariana – São Paulo/SP.
As visitas ao cafezal são gratuitas e devem ser agendadas via formulário disponível no Instagram @cafezalurbanoib.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo alerta produtores sobre a presença no Brasil do besouro invasor Rhynchophorus ferrugineus, conhecido como bicudo-vermelho-das-palmeiras. Originária da África, essa praga quarentenária afeta palmeiras ornamentais e produtivas, colocando em risco culturas importantes como coco, palmito e dendê.
Em janeiro de 2022, o besouro foi detectado pela primeira vez em São Paulo, por uma equipe do Instituto Biológico liderada pelo pesquisador Dr. Francisco José Zorzenon. A confirmação da espécie aconteceu por meio de análises taxonômicas e moleculares. A praga provavelmente entrou no país pelo Rio Grande do Sul, vinda do Uruguai, junto a palmeiras trazidas clandestinamente. Desde então, casos surgiram no Rio Grande do Sul e Minas Gerais, indicando possível expansão territorial.
Impactos e riscos para a agricultura
As fêmeas do bicudo-vermelho perfuram as palmeiras para colocar ovos. As larvas se alimentam do palmito, comprometendo o crescimento das plantas e levando à morte. Experiências internacionais mostram que essa praga traz consequências graves. O Dr. Zorzenon destaca a importância de ações coordenadas e governamentais para controlar a ameaça.
O Instituto Biológico atua como centro nacional de referência para monitorar o avanço da praga e mapear sua dispersão. Esse trabalho é fundamental para planejar estratégias eficazes de combate no futuro.
Ampliação da vigilância fitossanitária
Para reforçar a defesa, o Instituto Biológico e a Defesa Agropecuária preparam treinamento técnico para engenheiros agrônomos, técnicos e fiscais estaduais. O programa abordará:
Como identificar a praga em todas as fases (ovo, larva, pupa e adulto);
Reconhecimento dos sintomas da infestação em plantas;
Protocolos de monitoramento, como uso de armadilhas com feromônios, inspeções visuais e amostragem em campo.
A Defesa Agropecuária mantém inspeções contínuas em viveiros e pontos de venda de mudas. O foco é detectar sinais da praga e verificar a documentação fitossanitária obrigatória, como o PTV, CFO e CFOC, prevenindo a disseminação.
As ações paulistas seguem as diretrizes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para garantir resposta rápida e coordenada contra organismos quarentenários. Alexandre Paloschi, chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal da Defesa Agropecuária, reforça que essa cooperação protege as cadeias produtivas e fortalece a competitividade da agricultura paulista e brasileira.
O cultivo de lúpulo em São Paulo vive momento de expansão acelerada. A planta essencial para fabricação de cerveja conquista espaço crescente na produção artesanal brasileira. O Estado concentra cerca de 30 produtores ativos que impulsionam o mercado nacional.
A produção nacional alcançou 88 toneladas em 2023. Os números representam crescimento de 203% em relação ao levantamento anterior. A expansão resulta do aumento da área cultivada e do crescimento no número de produtores.
Aguaí e Mococa lideram produção paulista com qualidade premiada
Cidades como Aguaí e Mococa ganharam reconhecimento nacional pela qualidade do lúpulo produzido. Os produtores dessas regiões conquistaram premiações importantes que elevaram o prestígio do produto paulista.
O lúpulo utiliza especificamente as flores femininas da espécie Humulus lupulus. Essas flores conferem amargor, aroma e atuam como conservante natural da cerveja. O processo envolve plantio, desenvolvimento, colheita e processamento das flores.
As flores também contribuem para a estabilidade da espuma. Elas garantem a preservação adequada da bebida durante o armazenamento.
Produtores fazem até duas safras anuais com tecnologia de suplementação luminosa
O Brasil apresenta vantagem competitiva única no cultivo de lúpulo mundial. O país permite realizar mais de uma safra por ano graças às condições climáticas favoráveis.
“O Brasil é um dos únicos lugares do mundo onde se consegue fazer mais de uma safra por ano porque ele precisa de um fotoperíodo específico, dias compridos. E aqui fazemos isso com suplementação luminosa”, explica o produtor Murilo Ricci, de Aguaí.
A tecnologia de suplementação luminosa compensa as limitações naturais do fotoperíodo. Essa inovação fortalece a competitividade brasileira no mercado internacional.
Cultivo gera alta rentabilidade em pequenas propriedades
Ricardo Mason, especialista agropecuário da CATI de São João da Boa Vista, destaca o alto valor agregado da cultura. A atividade não exige grandes extensões de terra para gerar renda significativa ao agricultor.
“O cultivo de lúpulo proporciona retorno de capital no decorrer do tempo, podendo ser uma alternativa tanto para grandes produtores como, em especial, para a agricultura familiar”, afirma Mason.
O especialista projeta grande potencial para São Paulo. O Estado pode se tornar polo produtor capaz de atender demanda local, nacional e internacional.
Parcerias com cervejarias artesanais impulsionam vendas nacionais
As cervejarias artesanais lideram a demanda por lúpulo brasileiro. O produtor rural Mário Mancuso, de Mococa, confirma que parcerias com esses estabelecimentos impulsionaram o crescimento da produção.
Mancuso iniciou a produção em 2021, mas começou a comercialização apenas no ano passado. “Nossa prioridade era garantir um produto de qualidade para oferecer às cervejarias. Nesse período, fizemos muitos testes e firmamos parcerias estratégicas”, relata.
As parcerias se mostraram fundamentais tanto para o desenvolvimento do produto quanto para a divulgação. As cervejarias artesanais ajudaram a ampliar a produção e levar o produto além do mercado regional.
As premiações conquistadas pelos produtores paulistas contribuíram para alavancar as vendas. Mancuso explica que os reconhecimentos transformaram o alcance comercial da produção.
“Deixamos de atuar apenas em um comércio localizado e hoje fornecemos lúpulo para vários estados. Nossa meta agora é, em alguns anos, atingir o mercado internacional”, projeta o produtor.
Instituto Biológico desenvolve pesquisas contra pragas e viroides
O crescimento da produção trouxe novos desafios fitossanitários. O Instituto Biológico (IB-Apta) da Secretaria de Agricultura desenvolve estratégias para prevenir infestação e alastramento de pragas.
O pesquisador Marcelo Eiras coordena trabalhos focados principalmente em viroides e vírus. Essas pragas podem comprometer a sanidade e produtividade das lavouras de lúpulo.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar
“Os viroides podem causar sintomas como redução do desenvolvimento das plantas, seca dos ponteiros e podridão de raízes”, explica Eiras. Muitas infecções ocorrem sem sintomas visíveis, mas alteram significativamente os compostos responsáveis pelo aroma e sabor da cerveja.
Laboratório oferece diagnóstico e estudos avançados
O laboratório do IB atende diretamente produtores e viveiristas que comercializam mudas. O foco principal é o diagnóstico de viroides e vírus em lúpulo e citros.
A instituição realiza estudos aprofundados sobre diversidade genética, interações moleculares, epidemiologia e sanidade vegetal. Dois projetos financiados pela FAPESP e CNPq estão em desenvolvimento.
As pesquisas buscam avançar no conhecimento sobre vírus e viroides que afetam o lúpulo. Os cientistas trabalham para criar métodos de detecção mais sensíveis e avaliar a resistência de variedades.
Os projetos incluem produção de plantas livres de patógenos e análise do impacto socioeconômico da cultura. Os pesquisadores também estudam compostos em variedades infectadas para desenvolver soluções preventivas.
A atemoia, fruta híbrida resultante do cruzamento entre a cherimoia e a fruta-do-conde, está em plena safra e ganhando cada vez mais espaço no mercado nacional. Com seu formato de coração, polpa cremosa e sabor equilibrado entre doce e cítrico, a fruta se destaca tanto para consumo in natura quanto para preparações como sucos, sorvetes e sobremesas.
Originária dos Estados Unidos em 1908, a atemoia chegou ao Brasil na década de 1950, inicialmente cultivada em São Bento do Sapucaí e Caçapava (SP). Hoje, o país se consolida como um dos principais produtores mundiais, com São Paulo e Minas Gerais respondendo por mais de 90% da produção nacional, segundo dados do IBGE (2017).
Além do sabor agradável, a atemoia é rica em fibras, vitaminas do complexo B e antioxidantes, contribuindo para a digestão e o fortalecimento do sistema imunológico. A Cooperativa Agroindustrial APCC, de Pilar do Sul (SP), revela que 60% da produção é exportada. Mas a demanda interna vem crescendo, podendo inverter essa proporção nos próximos anos.
Desafios no cultivo: o combate à antracnose
Apesar do sucesso, os produtores enfrentam um grande desafio: a antracnose, doença causada pelo fungo Colletotrichum theobromicola, que ataca ramos e frutos, reduzindo a produtividade. O problema foi identificado há oito anos em Caçapava (SP). E desde então, CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e Instituto Biológico trabalham em conjunto com agricultores para desenvolver estratégias de controle.
Uma das soluções em teste é o uso de bioinsumos, como bactérias do gênero Bacillus, que podem reduzir a dependência de defensivos químicos. “A combinação balanceada entre produtos biológicos e químicos é a melhor estratégia para o manejo sustentável da doença”, explica Ricardo Harakava, pesquisador do Instituto Biológico.
Atemoia TEC: tecnologia e cooperação no campo
Com o objetivo de compartilhar conhecimento e soluções, a equipe organizadora criou o Atemoia TEC, evento anual que reúne produtores, pesquisadores e consultores. A última edição, em março de 2025, em Capão Bonito (SP), atraiu mais de 250 participantes de 28 cidades. Incluindo representantes de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. A próxima edição será em Holambra II (SP), em 2026.
Com colheita até outubro, a atemoia segue como uma aposta promissora para a fruticultura brasileira, unindo sabor, nutrição e oportunidades de negócio.