O Instituto Agronômico (IAC-APTA), de São Paulo, lançou a IAC 139, nova cultivar de mandioca voltada à indústria com produtividade média 25% superior às variedades em uso no campo. A novidade chega como homenagem aos 139 anos da instituição, celebrados em junho de 2026.
Foto: Divulgação IAC
Além do ganho de produtividade, a IAC 139 apresenta 41% de matéria seca nas raízes, com 80% a 85% de amido. E apenas 1% a 2% de fibras. Esse perfil eleva o rendimento industrial na produção de farinha, polvilho e fécula. E atende à demanda por raízes de casca e polpa claras, preferência das fábricas.
“Essa cultivar possui alto teor de matéria seca e raízes de casca e polpas claras, que são um grande atrativo para as indústrias. Para atender o setor, nossa pesquisa considerou essas características, além de rendimento e resistência à bacteriose, a principal doença da cultura da mandioca”, afirma José Carlos Feltran, pesquisador do IAC, vinculado à APTA e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
A cultivar tem ciclo de 10 a 13 meses do plantio à colheita. E se destaca pela colheita precoce, o que permite melhor planejamento da safra e da entrega às indústrias.
Onde a IAC 139 se adapta
A IAC 139 é indicada para as regiões produtoras de mandioca de indústria nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, a cultura ocupa cerca de 70 mil hectares, concentrados principalmente na região do Médio Paranapanema, próximo à divisa com o Paraná.
No Brasil, a produção anual de mandioca para indústria, farinha e fécula gira em torno de 20 milhões de toneladas, em área próxima de 1 milhão de hectares. O país é autossuficiente nesses produtos. Os principais estados produtores são Pará (líder nacional), Bahia, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de São Paulo.
No Centro-Sul, os produtores ainda utilizam cultivares tradicionais como IAC 14, IAC 90, IAC 118-95, IPR Paraguainha, IPR B36 e BRS CS01. Segundo Feltran, cada região mantém suas cultivares de referência. E a IAC 139 entra como mais uma opção para os campos paulistas, onde predominam as cultivares IAC de mandioca industrial.
Como surgiu a IAC 139
O desenvolvimento da nova cultivar começou em 2012, por meio de cruzamento de campo entre as cultivares IAC 14 e Fécula Branca. Dentre milhares de clones gerados, os pesquisadores selecionaram o IAC 19-12, que reuniu as melhores características avaliadas ao longo de anos de plantio em diferentes locais.
Batizado de IAC 139, o novo material foi registrado no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura e Pecuária (RNC/MAPA), o que viabiliza sua multiplicação e comercialização por produtores e viveiristas credenciados.
O estado de São Paulo firmou uma parceria estratégica para transformar a batata-doce em uma nova fonte de energia renovável. O acordo, anunciado durante a Batatec 2026, em Presidente Prudente, reúne a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Instituto Agronômico (IAC-Apta) e a Agropecuária Vista Alegre, do Grupo Better Beef.
A iniciativa foca no desenvolvimento de cultivares industriais de batata-doce voltadas à produção de etanol e biometano. O projeto conecta pesquisa científica e demanda da agroindústria para acelerar a adoção da cultura como alternativa energética.
Segundo o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho, a parceria reduz a distância entre inovação e campo. “O IAC domina o conhecimento técnico, enquanto o setor produtivo conhece as demandas reais. Essa integração viabiliza a batata-doce como fonte competitiva de bioenergia”, afirma.
Pesquisa mira alto rendimento e uso industrial
O IAC já desenvolve cultivares com foco em produtividade, resistência a doenças e adaptação regional. Com o novo acordo, os pesquisadores passam a priorizar características industriais, como maior teor de matéria seca e amido, além de maior eficiência na produção de etanol.
Os estudos também incluem o aproveitamento integral da biomassa, com uso de resíduos para geração de biogás e biometano. A estratégia amplia o papel da batata-doce na matriz de energia renovável.
De acordo com o pesquisador Valdemir Antonio Peressin, a região de Presidente Prudente oferece condições ideais para os testes. “Vamos avaliar os materiais diretamente no ambiente de produção, o que acelera a validação para uso industrial”, explica.
Entre os materiais em avaliação estão a cultivar IAC Santa Elisa e os clones IAC 737 e IAC 708, que apresentam alto potencial para biocombustíveis.
Nova renda para produtores
A parceria também abre espaço para agregar valor à cadeia produtiva da batata-doce. A proposta inclui o uso de raízes fora do padrão comercial, que hoje têm baixo valor de mercado.
O Governo de SP, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e do Instituto Agronômico (IAC-Apta), e a Agropecuária Vista Alegre, empresa do Grupo Better Beef, formalizaram acordo. Foto: Divulgação
Segundo o presidente da Agropecuária Vista Alegre, Marcos Antônio Pompei, o modelo aproveita toda a produção. “Isso aumenta a renda do produtor e cria uma nova fonte de matéria-prima para a indústria de biocombustíveis”, destaca.
Integração com projetos em assentamentos
O acordo se conecta a outra iniciativa apresentada na Feicorte 2026, que prevê a implantação de projetos produtivos em assentamentos estaduais.
O plano inclui o cultivo de 150 hectares de batata-doce para produção de etanol e biometano, além de 80 hectares de eucalipto para biomassa. A expectativa é beneficiar até 45 famílias assentadas.
SP lidera produção nacional
São Paulo lidera a produção brasileira de batata-doce. Em 2025, o estado colheu 149,5 mil toneladas, com valor de produção de R$ 183,95 milhões, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta).
A região de Presidente Prudente concentra o principal polo produtivo, com 81,5 mil toneladas, o equivalente a 54,5% do total estadual, e cerca de 180 produtores distribuídos em municípios como Álvares Machado, Martinópolis e Presidente Bernardes.
O feijão carioca, presença diária no prato de milhões de brasileiros, completa em 2026 seis décadas desde o início de seu desenvolvimento científico pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O grão nasceu de uma observação casual em campo, evoluiu nas mãos da ciência pública e transformou definitivamente a cultura do feijão no Brasil.
engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI. Foto: Arquivo Cati
A história começa no início dos anos 1960, em Ibirarema, no Oeste Paulista. O engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa da Agricultura da CATI, identificou plantas com grãos diferentes em uma lavoura de feijão chumbinho, variedade tradicional à época. Os grãos apresentavam padrão rajado, com manchas marrons e pretas sobre fundo claro.
Antunes separou o material e iniciou uma seleção, apostando tratar-se de uma mutação genética natural. O desempenho das plantas surpreendeu os técnicos. Elas demonstravam maior vigor, produtividade elevada, menor suscetibilidade a doenças e excelente qualidade culinária, com cozimento rápido, caldo consistente e sabor marcante.
1966: quando 30 quilos de sementes chegaram ao IAC
O marco histórico que completa 60 anos aconteceu oficialmente em 1º de agosto de 1966. Nesta data, a CATI enviou ao Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, um lote de 30 quilos de sementes. O pesquisador Shiro Miyasaka recebeu o material e o catalogou como I-38700, incorporando-o à coleção de germoplasma do Instituto.
A partir deste momento, a curiosidade de campo ganhou status de objeto científico. Os pesquisadores Luiz D’Artagnan de Almeida, Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho conduziram as avaliações agronômicas que fundamentariam o futuro lançamento da cultivar.
Os primeiros resultados confirmaram o potencial excepcional do novo feijão. Ensaios regionais realizados entre 1967 e 1969 registraram produtividade média de 1.670 quilos por hectare, superando variedades tradicionais como bico-de-ouro e rosinha, que produziam cerca de 1.280 quilos por hectare. O grão também apresentava resistência às principais doenças, boa adaptação aos solos paulistas e alta aceitação após o preparo.
O apelido que veio dos porcos
O Instituto lançou oficialmente o feijão em 1969 com o nome “carioca”, denominação que gerou confusão por décadas. Ao contrário do que muitos imaginam, o nome não tem relação com o estado ou a cidade do Rio de Janeiro.
A origem é simples e rural: um trabalhador da fazenda de Antunes comparou o padrão rajado dos grãos à pelagem de porcos crioulos conhecidos como “cariocas”, termo usado à época para animais manchados. A CATI registrou oficialmente a origem do nome apenas no ano 2000, em publicação comemorativa.
Campanha de divulgação venceu a resistência inicial
Os consumidores não aceitaram o feijão carioca imediatamente. Acostumados a grãos de coloração uniforme, viam com desconfiança o aspecto “manchadinho” do novo produto. Pesquisadores do IAC e técnicos da CATI protagonizaram então uma das campanhas de difusão científica e tecnológica mais bem-sucedidas da agricultura brasileira.
Campanhas de esclarecimento, palestras técnicas, distribuição de sementes, campos de demonstração, materiais educativos e receitas culinárias ajudaram a romper o preconceito estético. A estratégia conquistou produtores e consumidores em poucos anos.
O feijão carioca espalhou-se pelas lavouras paulistas e, na década seguinte, alcançou praticamente todo o território nacional. Em 1976, menos de uma década após seu lançamento, já era a variedade mais cultivada e comercializada no Estado de São Paulo, tornando-se referência nacional e base para a modernização da cultura do feijão.
O legado de Luiz D’Artagnan de Almeida
Luiz D’Artagnan de Almeida, considerado o “pai do carioquinha” e falecido no início de 2026, deixou um legado que ultrapassa a criação de uma cultivar. Seu trabalho estruturou o programa de melhoramento genético do feijão no Brasil, inaugurando uma nova fase da cultura, com ganhos contínuos de produtividade, qualidade e adaptação aos sistemas modernos de produção.
Engenheiro-agrônomo Luiz D’Artagnan de Almeida. Foto: Arquivo Cati
Ao longo das últimas seis décadas, o feijão carioca evoluiu continuamente. O Brasil já desenvolveu mais de uma dezena de gerações do material original, com melhorias em porte, precocidade, resistência a doenças, tolerância ao escurecimento dos grãos e qualidade culinária. Mais de 60 variedades do tipo carioca surgiram a partir do material original, tanto no Brasil quanto no exterior, inclusive em programas internacionais de melhoramento.
IAC mantém programa permanente de pesquisa
Sessenta anos após o início do desenvolvimento do feijão carioca, São Paulo mantém em operação um programa permanente de melhoramento genético do feijoeiro, conduzido pelo Instituto Agronômico (IAC), referência nacional desde 1932.
O programa cria cultivares produtivas, resistentes a doenças como a antracnose, com grãos claros, rápido cozimento e menor dependência de agroquímicos. As cultivares apresentam maior teor de proteína e ciclos mais precoces, o que representa menor tempo no campo – aspecto que favorece o plantio frente ao estresse climático e biológico.
Atualmente, cultivares de feijão desenvolvidas pelo IAC estão presentes em mais de 13 estados brasileiros. Estudos do Instituto indicam que os materiais do IAC ocupam cerca de 60% das lavouras de feijão do país, com destaque para o tipo carioca, que responde pela maior parte das áreas multiplicadas e licenciadas. O carioca representa aproximadamente 66% das sementes autorizadas, refletindo o padrão de consumo nacional. O feijão preto responde por outros 14%.
Ciência pública alimenta milhões de brasileiros
Embora não predomine em todas as regiões – o feijão preto lidera no Sul e o mulatinho no Nordeste -, o carioca tornou-se o principal feijão do mercado interno brasileiro, desempenhando papel central na segurança alimentar do país.
Rico em proteínas, fibras e minerais, serve como base da alimentação cotidiana, matéria-prima da indústria e aliado das dietas contemporâneas, incluindo vegetarianas e veganas. Mais do que um alimento, representa uma cadeia produtiva estratégica, geradora de renda, emprego e desenvolvimento tecnológico.
Queda no consumo preocupa pesquisadores
Segundo a Embrapa, o consumo per capita de feijão no Brasil atingiu seu pico entre 1961 e 1970, com média de quase 23 kg por pessoa ao ano. O índice caiu continuamente até atingir em 2024 o menor registro da série histórica.
Mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da população explicam a queda, com famílias menores, rotina urbana mais acelerada e redução do hábito de cozinhar em casa.
“A redução no consumo do feijão carioca é preocupante porque toda a produção precisa ser absorvida internamente. Com mais tecnologia e área irrigada, a oferta cresce, e isso pode pressionar os preços pagos ao agricultor”, afirma o pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do IAC.
Diversificação e sustentabilidade como resposta
Diante desse contexto, o programa passou a atuar também na diversificação de tipos de feijão. “Nosso foco é gerar diversidade, com feijões vermelhos, brancos, rajados e materiais voltados ao mercado externo, permitindo alternativas de comercialização e reduzindo a dependência exclusiva do carioca”, explica Chiorato.
Além da diversificação, os pesquisadores investem em características que dialogam com o consumidor moderno. “Os feijões atuais cozinham em menos tempo, consomem menos água no campo, têm ciclos mais curtos e exigem menos insumos, resultando em um alimento mais saudável e sustentável”, destaca o pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonell, do IAC.
Segundo Carbonell, a pesquisa também busca reforçar o papel nutricional do grão. “O feijão é uma das proteínas vegetais mais completas e acessíveis. Mostrar sua qualidade, segurança e versatilidade é fundamental para estimular o consumo e enfrentar um problema que já se reflete em saúde pública”, ressalta.
Sessenta anos após o início de seu desenvolvimento científico, o feijão carioca segue como prova concreta de que o investimento contínuo em pesquisa pública transforma a realidade do campo e da mesa. O grão que acompanha o arroz de milhões de brasileiros nasceu da observação, da persistência e da ciência paulista – um legado que atravessa gerações.
O Programa ‘Aplique Bem’, referência nacional em treinamento para o uso correto e seguro de agroquímicos, está investindo na capacitação de sua equipe para aplicações com drones e intensificando as inspeções de pulverizadores agrícolas em uso nas propriedades rurais. Em seu 18º ano de atuação, a iniciativa, fruto de uma parceria entre o Centro de Engenharia e Automação (CEA) do Instituto Agronômico (IAC) e a multinacional UPL, segue promovendo treinamentos gratuitos em todo o Brasil, sem vínculo com marcas comerciais ou produtos específicos.
Segundo Hamilton Ramos, diretor do CEA-IAC e coordenador do programa, a qualificação dos engenheiros agrônomos agora inclui o domínio das tecnologias de pulverização com drones, uma das inovações mais recentes e promissoras do agronegócio. “Além do foco em drones e adjuvantes na pulverização, aprimoramos a capacitação da equipe para fazer inspeções ainda mais precisas de pulverizadores agrícolas. Por sinal um dos propósitos centrais das atividades do Aplique Bem”, destaca Ramos.
O programa percorre todo o território nacional com laboratórios móveis (Techmóveis), levando conhecimento técnico diretamente às propriedades rurais de todos os portes. Em 2023, a equipe promoveu 340 treinamentos, que beneficiaram cerca de 5 mil pessoas. Desde a criação do programa, mais de 90 mil agricultores já participaram das capacitações, realizadas em mais de mil municípios brasileiros.
Exportação do modelo
Além do impacto no Brasil, o modelo do Aplique Bem foi exportado para outros oito países, incluindo Burkina Faso, Costa do Marfim, Colômbia, África do Sul, Mali, Gana, México e Vietnã, com o objetivo de reduzir o déficit de mão de obra qualificada no setor agrícola. “Exportamos o modelo com foco na redução do déficit de mão de obra qualificada. A exemplo do Brasil, onde mais de 60% dos aplicadores de agroquímicos jamais receberam capacitação específica, tais países se deparam com indicadores semelhantes”, afirma Ramos.
Entre os pilares do programa estão a qualidade do atendimento ao agricultor, a proteção dos cultivos, do meio ambiente e do trabalhador rural. “Pulverizadores bem mantidos e regulados constituem uma das estratégias-chave na proteção de lavouras frente a doenças, pragas e plantas daninhas”, reforça Ramos. Todo o trabalho é realizado sem custo para os participantes, promovendo ganhos ambientais, redução de custos na safra e melhorias na saúde ocupacional.
Com a incorporação de novas tecnologias, como os drones, o Programa Aplique Bem se consolida como uma das principais iniciativas para a profissionalização do campo. Alinhando inovação, sustentabilidade e segurança no uso de defensivos agrícolas.
A macaúba, uma palmeira nativa do Brasil, está se destacando como uma alternativa sustentável para a produção de biodiesel. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), tem um papel fundamental no fomento ao cultivo dessa espécie no estado.
Com um alto valor econômico e ambiental, o cultivo da macaúba se adapta a diferentes tipos de solo, incluindo áreas com relevo acidentado, tornando-se uma opção viável para terras marginais ou em recuperação. “Essa palmeira pode produzir biodiesel e produtos com valor agregado, ajudando na recuperação de áreas degradadas e gerando renda local”, afirma o secretário Guilherme Piai.
Estrutura de apoio aos produtores
A CATI oferece uma extensa rede que facilita o acesso dos produtores às mudas e sementes de macaúba a preços acessíveis. Marcos Augusto Junior, diretor técnico do Centro de Mudas da CATI, ressalta a importância do apoio técnico especializado para a implantação dessa cultura ainda recente no uso comercial em larga escala.
Leia mais: + Agro em Campo: Conheça a importância econômica da macaúba + Agro em Campo: Vídeo flagra Border Collie separando patos por cores em fazenda O Instituto Agronômico (IAC) está liderando pesquisas em genética e melhoramento da macaúba, com planos para lançar sua primeira cultivar comercial em breve. Carlos Colombo, pesquisador do IAC, destaca que a clonagem de genótipos derivados de cruzamentos dirigidos promete uma produção entre 4 a 5 mil toneladas de óleo por hectare. “O momento atual da macaúba é espetacular, com grandes grupos econômicos se movimentando em direção ao plantio escalonado”, afirma Colombo.
Em 2023, o IAC firmou um projeto em cooperação com a empresa Acelen Renováveis, do grupo Mubadala, que planeja plantar 180 mil hectares de macaúba para biocombustível. Essa parceria destaca a palmeira como uma espécie chave para a produção de bio-óleo na refinaria adquirida pela empresa.
Vantagens do cultivo da macaúba
O biodiesel produzido a partir da macaúba apresenta vantagens significativas em comparação com outras matérias-primas tradicionais. Enquanto a soja gera cerca de 500 litros de óleo vegetal por hectare, a macaúba pode render aproximadamente 2.500 litros na mesma área cultivada, demandando cinco vezes menos espaço.
Recentemente, entrou em vigor a “Lei do Combustível do Futuro”, que estabelece programas nacionais para diesel verde e biocombustíveis sustentáveis. Essa legislação visa substituir combustíveis fósseis por alternativas sustentáveis e pode potencializar ainda mais a produção de macaúba.
A produção sustentável de biocombustíveis a partir da macaúba está se consolidando como uma realidade promissora em São Paulo. Com o suporte das instituições de pesquisa e políticas públicas favoráveis, espera-se que essa cultura não apenas contribua para a recuperação ambiental. Mas também gere emprego e renda para as comunidades locais. O trabalho contínuo das áreas de pesquisa é fundamental para garantir o sucesso dessa iniciativa no futuro.
Pesquisadores de instituições paulistas desenvolveram um guia passo a passo que padroniza o uso da ressonância magnética nuclear (RMN) no estudo do metabolismo de plantas. O protocolo busca otimizar a análise metabolômica, essencial para entender como os vegetais reagem a estresses ambientais, como secas e inundações, agravados pelas mudanças climáticas.
O metabolismo é o conjunto de transformações químicas que sustentam o crescimento e desenvolvimento dos organismos. Alterações metabólicas em plantas, provocadas por eventos climáticos extremos, podem comprometer a produção agrícola e ameaçar a segurança alimentar.
A metabolômica, ciência que estuda os metabólitos produzidos nesses processos, permite investigar essas alterações e compreender as adaptações das plantas.
Precisão
A ressonância magnética foi escolhida como ferramenta devido à sua precisão em analisar amostras complexas, identificar compostos químicos e fornecer dados robustos sem destruir as amostras. O protocolo apresentado pelos pesquisadores detalha desde o preparo de amostras até a análise de dados. E destaca o uso de ferramentas quimiométricas e bancos de dados para identificação de metabólitos.
Fluxograma com todas as etapas necessárias para obtenção de resultados significativos. Reprodução Embrapa
A revista Frontiers publicou o estudo, que abordou avanços recentes na tecnologia de RMN e ressaltou sua utilidade em pesquisas agrícolas e científicas. Pesquisadores da Embrapa Instrumentação e de diversas instituições acadêmicas participaram do trabalho, com o objetivo de facilitar a aplicação da RMN em pesquisas agrícolas e ambientais.
Metabolômica
O guia também exemplifica a aplicação da RMN na metabolômica. Como no caso da planta medicinal pata-de-vaca, cujo metabolismo foi analisado após períodos de estresse hídrico. Esse tipo de análise contribui para entender como melhorar a resiliência das culturas agrícolas às mudanças climáticas.
Com o crescente número de publicações científicas na área — passando de 177 em 2014 para 610 em 2023 —, o estudo reflete o avanço e a relevância da metabolômica metabolômica na busca por soluções para os desafios ambientais e agrícolas.
“São várias as vantagens da RMN para a investigação de produtos naturais e plantas. O nosso objetivo principal é inspirar e orientar interessados em explorá-la por meio de protocolos e práticas mais usados para aplicar em estudos de metabolômica baseados nessa técnica”, conta Fernanda Ocampos, pesquisadora de pós-doutorado na FMVZ. Ela desenvolve os experimentos na Embrapa Instrumentação, supervisionada pelo pesquisador Luiz Alberto Colnago. Foto Andrea Lima
Participaram do trabalho pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), do Centro de Citricultura Sylvio Moreira do Instituto Agronômico (IAC) e do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP).
Quarenta pesquisadores de 16 países se reunem em Jundiaí para discutir a segurança no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no manejo de agroquímicos. O encontro internacional inédito no Brasil ocorre entre os dias 23 e 25 de outubro,
Promovido pelo Consórcio Internacional de Qualidade dos Equipamentos de Proteção Individual no Uso de Agroquímicos, o objetivo é aprimorar os conhecimentos e ferramentas para mitigar os riscos químicos aos trabalhadores rurais. Especialmente nas pequenas propriedades de países em desenvolvimento.
Durante o encontro, especialistas de países como Estados Unidos, Alemanha, França e nações africanas, abordarão diretrizes de avaliação de riscos e modelos de comunicação sobre o uso de pesticidas. O foco será a proteção de trabalhadores que utilizam pulverizadores costais e semiestacionários, sistemas mais suscetíveis à exposição direta a ativos químicos.
O evento contará ainda com uma demonstração prática, onde serão apresentados métodos de aplicação segura de agroquímicos e o uso correto de EPIs. A coordenação é de Hamilton Ramos, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e líder do programa IAC-Quepia. O programa estuda a qualidade de vestimentas protetivas agrícolas.
O encontro destaca a importância de desenvolver ações concretas para melhorar as condições de segurança dos trabalhadores rurais. Assim, integrando esforços globais para a redução de riscos no campo.
O Centro de Engenharia e Automação (CEA), do Instituto Agronômico (IAC), referência no agronegócio brasileiro, completou 55 anos de atividades ininterruptas no último dia 14. Localizado em Jundiaí (SP), o CEA-IAC desenvolve tecnologias e projetos de alta relevância em várias áreas. Entre elas mecanização, agricultura regenerativa, agricultura por imagem, meio ambiente e segurança no manuseio de agroquímicos.
Segundo o diretor do centro, o pesquisador Hamilton Ramos, o CEA lidera projetos de alcance nacional e global, como os programas Drones SP, Adjuvantes da Pulverização, Aplique Bem, IAC-Quepia e Unidade de Referência em Produtos Químicos e Biológicos. Ramos destaca que esses principais projetos são resultado de parcerias com o setor privado.
Projetos de sucesso
Entre as iniciativas recentes, o Centro de Engenharia e Automação-IAC iniciou o programa ‘Drones SP’, em parceria com a Coopercitrus. O programa leva tecnologia de aplicação de agroquímicos por drones a propriedades selecionadas do ‘Circuito das Frutas’, na região de Jundiaí.
Outro programa de destaque é o ‘IAC-Quepia’, que reduziu de 80% para menos de 20% o índice de reprovação de qualidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) agrícolas no país, em dez anos. Também conquistou a inserção internacional, com a participação no Comitê da ISO e no Consórcio Internacional de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura.
Pesquisador Hamilton Ramos recebeu a medalha Fernando Costa – Reprodução CEA
Além disso, os programas ‘Adjuvantes da Pulverização’ e ‘Aplique Bem’ também ganharam dimensão global. O primeiro foca em certificações de funcionalidade para adjuvantes agrícolas, enquanto o segundo leva treinamentos customizados para o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, beneficiando mais de 75 mil agricultores em mais de 1.000 municípios brasileiros.
“São 55 anos de conquistas altamente representativas, que beneficiam agricultores e trabalhadores rurais de todos os ‘tamanhos’, dentro e fora do Brasil”, finaliza Hamilton Ramos.