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  • Fiscalização mais rígida trava embarques de soja brasileira para a China

    Fiscalização mais rígida trava embarques de soja brasileira para a China

    A Cargill suspendeu as exportações de soja do Brasil para a China. A causa é uma mudança nos procedimentos de inspeção sanitária adotados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que dificulta a emissão dos certificados exigidos para os embarques. A informação veio a público na quarta-feira por Paulo Sousa, responsável pelas operações da empresa na América Latina.

    A pedido do governo chinês, o Mapa passou a adotar uma avaliação sanitária mais rigorosa para cargas de soja destinadas ao país asiático, com foco na detecção de pragas e plantas daninhas. Para Sousa, o novo procedimento destoa do padrão do mercado de grãos.

    “Temos um sistema padrão de inspeção no comércio, baseado em amostragens. O Ministério da Agricultura do Brasil começou a realizar um novo tipo de análise próprio”, disse o executivo, acrescentando que a mudança gera resultados divergentes nas inspeções.

    A consequência prática é direta: sem os certificados sanitários, os navios carregados com soja simplesmente não podem partir. “Em alguns casos, os certificados que precisam acompanhar os embarques até o destino não estão sendo emitidos”, afirmou Sousa durante a conferência Argentina Week 2026, em Nova York, organizada pelo Bank of America.

    A paralisação nas exportações gerou um efeito em cadeia. A Cargill também suspendeu temporariamente a compra de soja de produtores brasileiros,  já que, sem conseguir exportar, não há motivo para adquirir o grão. Produtores rurais confirmaram o cenário: havia escassez de ofertas de compra por parte das tradings para a soja disponível no mercado local.

    Um impasse no pior momento

    O timing é preocupante. A China compra cerca de 80% de toda a soja que o Brasil exporta, e o país é o maior produtor e exportador mundial da oleaginosa. O impasse coincide com o período de pico das exportações brasileiras, exatamente quando o volume embarcado é maior.

    A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) manifestou preocupação em nota divulgada na quarta-feira. Segundo a entidade, exportadores enfrentam dificuldades para ajustar suas operações ao novo sistema de inspeção justamente nesse momento crítico do calendário agrícola.

    Sousa informou que as novas inspeções começaram no início da semana passada e que as negociações entre as partes continuam, mas ainda sem solução definida. O Ministério da Agricultura ainda não se manifestou sobre o tema.

  • Pequenos produtores de Mato Grosso buscam regularização para ampliar vendas

    Pequenos produtores de Mato Grosso buscam regularização para ampliar vendas

    Em Mato Grosso, produtores de pequena escala intensificam a busca pela regularização sanitária para ampliar seus mercados. Atualmente, cerca de 300 produtores estão cadastrados no Serviço de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte (Siapp/MT). Desse total, 65% atuam na cadeia do leite e queijo, a principal atividade da agricultura familiar no estado.

    Na comunidade Agrovila das Palmeiras, em Santo Antônio do Leverger, a produtora Isabel Siqueira Camargo exemplifica a expectativa de muitos agricultores familiares. Ela deseja ver seu queijo com o selo oficial, que permite a venda legalizada do produto. Isabel enfrenta o desafio de adequar sua produção para obter a certificação do Siapp. Em seu passado recente, ela sofreu apreensões por falta de autorização sanitária.

    O Siapp funciona graças à Lei nº 12.387/2024 e visa desburocratizar, acelerar e reduzir custos na obtenção do selo sanitário. Esse programa é uma política pública do Governo de Mato Grosso, executada pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), com apoio da Empaer e do Indea.

    Durante palestra no dia 24 de julho, no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Camila Caexêta, coordenadora de Agroindústria da Seaf, detalhou as exigências para obter o selo. Ela ressaltou que a formalização amplia o mercado dos produtores e garante a segurança alimentar da população.

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    O programa exige análises físico-químicas e microbiológicas da água e alimentos, adaptação das instalações e respeito aos limites máximos de faturamento, que chegam a R$ 4,8 milhões anuais para pequenas empresas.

    O impacto da regularização já é notável. Ludymilla Caramori, do Sítio Milagre da Vida, conseguiu fornecer seus produtos para o supermercado BigLar, em Cuiabá, referência em qualidade. Jackson Marques Pacheco, do Lenda do Pantanal, ganhou medalha de bronze no Prêmio CNA Brasil Artesanal por seu queijo na categoria “Queijo de Tratamento Térmico”. Ludymilla e Jackson foram os primeiros a conquistar o selo do Siapp em Mato Grosso.

    Isabel Camargo, que atualmente vende bananas e leite para melhorar sua estrutura, mantém a esperança. “Tenho fé que vou conseguir. Meu sítio é meu ganha-pão, e agora quero trabalhar de forma legalizada,” afirma.

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