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  • IA e satélites detectam danos de geada em lavouras de milho

    IA e satélites detectam danos de geada em lavouras de milho

    Agricultores e autoridades do setor agrícola ganharam uma nova aliada no combate aos prejuízos causados por geadas: uma tecnologia que une inteligência artificial a imagens de satélite para monitorar danos em lavouras com alta precisão e em tempo real.

    A ferramenta, desenvolvida por pesquisadores da Unesp em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Universidade de Michigan, detecta automaticamente os impactos de geadas em culturas de milho e estima com exatidão a área cultivada.

    O método combina dados de sensoriamento remoto com modelos matemáticos avançados. Em testes realizados na região Oeste do Paraná durante a safra 2020/2021, a tecnologia identificou que geadas prejudicaram 69,6% da área total plantada com milho. Quando comparados aos registros de seguradoras agrícolas, os resultados alcançaram 75% de concordância.

    “A nossa meta é ser capazes de mapear culturas e identificar problemas ainda durante o período da safra”, explica Michel Eustáquio Dantas Chaves, professor da Unesp no curso de Engenharia de Biossistemas e primeiro autor do estudo publicado na revista Remote Sensing Applications: Society and Environment.

    Ferramenta pode reduzir incertezas e orientar mercado

    O sistema oferece agilidade para que o poder público corrija estimativas de safra antes da colheita. A ferramenta também auxilia empresas de seguro rural e orienta produtores na tomada de decisões após eventos climáticos adversos.

    “Se pudermos reduzir as incertezas em 1%, já será uma contribuição útil para a sociedade. Afinal, a agricultura desempenha um papel muito importante, tanto para a balança comercial quanto para o comércio interno”, comenta Chaves.

    Safrinha representa 62% da produção de milho

    As geadas representam ameaça especialmente grave para a segunda safra agrícola, conhecida como “safrinha”, cujo período de cultivo avança sobre os meses mais frios do ano. Dados do projeto MapBiomas mostram que a área plantada fora de época triplicou desde 2000. Em 2024, o milho respondeu por 62,2% do volume da safrinha.

    O Paraná figura como segundo maior produtor nacional de milho de segunda safra. Os pesquisadores escolheram a mesorregião Oeste Paranaense para testar o método porque a região enfrenta geadas com frequência.

    A ferramenta utiliza imagens captadas pelo satélite europeu Sentinel-2 combinadas ao algoritmo de aprendizado de máquina Random Forest. As imagens possuem resolução entre 10 e 20 metros por pixel, ideais para propriedades menores.

    “O Sentinel-2 tem uma repetitividade de 5 dias. Mesmo que ocorram impactos causados por geada, seca ou queimada, constatamos esses efeitos dentro de um período curto o suficiente para permitir que o produtor e o poder público tomem decisões baseadas em dados”, afirma o pesquisador.

    O sistema analisa a reflexão espectral das imagens e verifica parâmetros como espécies plantadas, estágio de desenvolvimento das culturas, umidade do solo e capacidade de fotossíntese das plantas.

    Método inédito comprova origem dos danos

    O estudo representa o primeiro trabalho científico a mapear impactos de geadas em milho usando sensoriamento remoto. Os pesquisadores analisaram imagens obtidas entre 1º de fevereiro e 31 de julho de 2021.

    Uma inovação importante foi a combinação de três índices de vegetação diferentes, o que aumentou a precisão na identificação dos danos. “Essa combinação de índices assegura que o dano que identificamos foi causado por uma adversidade térmica, e não por uma praga ou um manejo inadequado da lavoura”, esclarece Chaves.

    Geadas de 2021 causaram perdas severas

    Na safra 2020/2021, dois episódios de geadas atingiram o Oeste do Paraná em maio e junho. O novo método estimou que a área total de milho de segunda safra plantada na região alcançou 740.007 hectares — valor apenas 1,7% superior aos dados oficiais, demonstrando a alta precisão da ferramenta.

    A análise revelou que 3,5% da área foi afetada no primeiro episódio de geada, em maio, enquanto 66,1% sofreram impacto durante a segunda ocorrência, mais intensa, em junho. Cerca de 30,4% da área plantada não foram afetadas: em 13,8% a colheita já havia ocorrido, e os demais 16,7% escaparam das geadas.

    Atualmente, o cálculo de danos causados por geadas exige visitas a campo para levantamentos amostrais. Esse método demanda mais tempo, investimentos elevados e abre espaço para subjetividades nas observações.

    Chaves ressalta que a presença em campo continuará fundamental para treinar os algoritmos e validar as informações obtidas por satélite. No entanto, a nova tecnologia reduz significativamente o tempo e os custos envolvidos no monitoramento.

    Expansão para outras culturas

    Coordenador do Laboratório de Geoprocessamento e Inteligência Artificial da Unesp em Tupã e colaborador do Laboratório de Sensoriamento Remoto Agrícola do INPE, Chaves afirma que a metodologia pode se expandir para outras culturas afetadas por geadas, como trigo, centeio e aveia cultivados no inverno.

    Outra frente de atuação prevê a integração de modelos meteorológicos aos dados sobre uso da terra. “A incorporação dessa tecnologia vai orientar o futuro do sensoriamento remoto voltado à agricultura e à prevenção de desastres causados por eventos meteorológicos”, conclui o pesquisador.

  • Orplana e UNICA rebatem declarações sobre queimadas

    Orplana e UNICA rebatem declarações sobre queimadas

    Em entrevista ao programa Especial de Domingo, exibido no último domingo pela GloboNews, Luciana Gatti, coord. Do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), levantou questionamentos sobre os prejuízos causados pelas queimadas aos produtores de cana-de-açúcar. Durante sua fala, Gatti afirmou que o uso de fogo nas lavouras ainda é uma prática comum no setor durante a colheita.

    A UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), entidade que representa o setor sucroalcooleiro, condenou veementemente as declarações de Gatti. Em comunicado, a UNICA solicitou direito de resposta à GloboNews, o qual foi concedido e exibido no programa GloboNews Mais do dia 16.

    “É lamentável que uma pessoa, desconhecendo a realidade do plantio e manejo da cana-de-açúcar, venha a público disseminar inverdades sobre um setor reconhecido globalmente por suas práticas sustentáveis. E também pela redução de emissões de gases de efeito estufa”, afirmou a UNICA em nota oficial.

    A repercussão do caso demonstra a preocupação do setor com a preservação de sua imagem frente à sociedade. Ressaltando o compromisso com a sustentabilidade e o cumprimento de normas ambientais rigorosas. O setor sucroalcooleiro busca se posicionar como um exemplo de boas práticas agrícolas e de mitigação dos impactos ambientais.

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    Outra entidade que se manifestou contra a fala foi a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA), que enviou uma nota oficial de repudio a fala, considerada irresponsável e infundada.

    Leia a nota abaixo

     A ORPLANA (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) repudia veemente a declaração feita pela coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Luciana Gatti, durante o programa Especial de Domingo, exibido pela Globo News, no dia 15 de setembro. As informações apresentadas por ela durante a reportagem sobre a ‘Crise Climática: Fogo, seca e calor atingem o Brasil’ são falsas e infundadas. Demonstram, inclusive, profundo desconhecimento sobre o tema.

     Com a máxima ênfase, a ORPLANA reitera que toda a cadeia de produção da cana-de-açúcar está firmemente comprometida com a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. Este compromisso é evidenciado pelo rigoroso cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo Protocolo Agroambiental – Etanol Mais Verde. Que inclui a proibição do uso de fogo na colheita de cana no Estado de São Paulo desde 2017.

     A ORPLANA, que atualmente representa 35 associações de fornecedores de cana e mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar, também reafirma seu compromisso com práticas agrícolas responsáveis e ambientalmente sustentáveis.

     É também de imensa irresponsabilidade, da parte da coordenadora do INPE, acusar a cadeia produtiva da cana-de-açúcar de se beneficiar em um contexto tão crítico e caótico. Uma injúria que contribui para a desinformação em um momento delicado e cujo foco deveria ser a resolução deste grave problema. 

     “As queimadas prejudicam o meio ambiente, a segurança das pessoas e também a rentabilidade dos produtores rurais. Toda a cadeia de produção da cana-de-açúcar está mobilizada contra os incêndios e comprometida com a preservação do meio ambiente”. Afirma o CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira. “Continuaremos a trabalhar em prol da transparência, mantendo nosso foco na qualidade e sustentabilidade do setor”, conclui.

  • TerraClass revela expansão agrícola e regeneração na Amazônia e Cerrado

    TerraClass revela expansão agrícola e regeneração na Amazônia e Cerrado

    O mais recente mapeamento do projeto TerraClass indica a crescente expansão da agricultura nas áreas desflorestadas da Amazônia e Cerrado, substituindo pastagens por cultivos e intensificando a produção com múltiplas safras anuais. Os novos dados, referentes a 2018, 2020 e 2022, foram divulgados nesta quinta-feira (01/08), em Brasília, pela Embrapa e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em um evento que contou com a presença dos ministros da Agricultura e Pecuária (Mapa) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

    Desde 2008, o TerraClass mapeia a cobertura e uso da terra na Amazônia, expandindo seu escopo para o Cerrado posteriormente. O projeto analisa áreas desflorestadas identificadas pelo programa Prodes do Inpe, destacando a vegetação secundária, culturas agrícolas, pastagens e áreas urbanas. Através do GeoPortal TerraClass, é possível acompanhar as mudanças ao longo do tempo e entender os fatores que influenciam o desflorestamento. “Queremos fornecer dados detalhados ao Estado Brasileiro sobre os biomas que representam mais de 70% do território nacional”, explica Júlio Esquerdo, pesquisador da Embrapa e coordenador do projeto.

    Agricultura avança sobre pastagens

    Os dados mostram que a agricultura anual nos biomas Amazônia e Cerrado aumentou 22% entre 2018 e 2022. A maior parte desse crescimento, 94%, ocorreu em áreas anteriormente utilizadas para agropecuária, principalmente pastagens. Além disso, apenas 1% da expansão atingiu áreas de vegetação natural primária e secundária. “Isso demonstra que a agricultura está avançando sobre áreas já desmatadas, reduzindo a necessidade de desmatar novas áreas naturais”, ressalta Esquerdo.

    Apesar da expansão agrícola, a conversão de vegetação natural em pastagens continua a ser a principal causa do desmatamento. No entanto, há uma quantidade significativa de áreas em regeneração que permanecem estáveis nos biomas. Na Amazônia, as áreas de vegetação secundária representam cerca de 20% das áreas desmatadas ao longo da série histórica.

    TerraClass Brasil e avanços tecnológicos

    A Embrapa e o Inpe planejam ampliar o mapeamento para todos os biomas brasileiros com o projeto TerraClass Brasil. Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, enfatiza a importância de transformar o TerraClass em um programa nacional permanente. Clezio Marcos De Nardin, diretor do Inpe, destaca o desenvolvimento de novos satélites e tecnologias que fortalecem o monitoramento ambiental. “Estamos desenvolvendo satélites menores e mais baratos para monitorar a Amazônia, o que contribuirá para os avanços do TerraClass”, afirma.

    Carlos Fávaro, ministro da Agricultura, ressalta a importância de alinhar a agricultura à preservação ambiental. “O TerraClass será essencial para direcionar políticas públicas que equilibrem produção e conservação”, completa. A ministra Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia, reforça a necessidade de integrar sustentabilidade e desenvolvimento econômico para conter o desmatamento.

    Intensificação agrícola e regeneração da vegetação

    O mapeamento do TerraClass também revela a intensificação da produção agrícola na Amazônia e no Cerrado. Entre 2018 e 2022, a área destinada à agricultura temporária com mais de um ciclo anual aumentou 50%, ocupando principalmente pastagens. No Cerrado, a agricultura temporária expandiu 17% no mesmo período, destacando a intensificação agrícola no bioma.

    Além disso, a regeneração da vegetação natural também chama a atenção. Na Amazônia, cerca de 169 mil km² da vegetação secundária cobriam o bioma até 2022, com 31% dessa área em regeneração há pelo menos 14 anos. Em contrapartida, no Cerrado a vegetação natural secundária mapeada corresponde a 4% do bioma, com mais da metade dessa área em regeneração há quatro anos.

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    Inovações tecnológicas impulsionam o TerraClass

    O TerraClass utiliza tecnologias avançadas para aprimorar seus mapeamentos. Projetos como o Brazil Data Cube e o pacote SITS, desenvolvidos pelo Inpe, permitem a análise de grandes volumes de imagens de satélite. “Essas inovações nos permitem usar técnicas de ponta na classificação da cobertura e uso da terra, com algoritmos de inteligência artificial”, destaca Karine Ferreira, coordenadora do Brazil Data Cube.

    Os novos mapeamentos diferenciam lavouras temporárias de grãos e fibras com base em seu nível de intensificação agrícola, e também incluem o mapeamento de culturas perenes, como cacau e café por exemplo, no bioma Amazônia.

    Disponibilidade de dados no GeoPortal

    Todos os mapas da série histórica do TerraClass para os biomas Amazônia e Cerrado estão disponíveis no GeoPortal TerraClass. Em resumo, essa plataforma digital permite acesso aos dados originais e ferramentas para análise da dinâmica territorial dos dois biomas ao longo do tempo.

    O TerraClass Cerrado faz parte do projeto FIP Paisagens Rurais, financiado pelo Banco Mundial, e envolve diversas instituições parceiras, como o Serviço Florestal Brasileiro e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.