O 4º Encontro Estadual de Mulheres do Agro será realizado nesta sexta-feira (28), em Ribeirão Preto (SP). A organização espera cerca de 5 mil participantes, entre produtoras rurais, empresárias, trabalhadoras e lideranças do setor.
O evento começa às 9h, no Taiwan Centro de Eventos, e é promovido pela Comissão Semeadoras do Agro, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).
Dados do Censo Agropecuário 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as mulheres comandavam cerca de 947 mil propriedades rurais no país. O número correspondia a aproximadamente 19% do total de estabelecimentos agropecuários.
Em 2006, a participação era de 12,7%. Desde então, as mulheres ampliaram a atuação na gestão das propriedades, na agroindústria artesanal, no turismo rural, na comercialização e na criação de novos negócios.
Esse movimento pode aumentar a autonomia financeira e diversificar as fontes de renda das famílias rurais. Também amplia a participação feminina nas decisões de propriedades, cooperativas, sindicatos e entidades do agronegócio.
Comissão atua há quatro anos
A Comissão Semeadoras do Agro completa quatro anos em 2026. Segundo a Faesp, nesse período o grupo passou por mais de 100 municípios paulistas e alcançou dezenas de milhares de mulheres com ações de capacitação e formação de redes.
A iniciativa também incentiva a participação feminina na gestão das propriedades e em posições de liderança no setor. Entre as frentes de atuação estão o estímulo a negócios, a presença em sindicatos e cooperativas e o desenvolvimento de competências de gestão.
Programação inclui sucessão
O encontro terá debates sobre empreendedorismo, liderança feminina, tecnologias agrícolas, inteligência de mercado e sucessão familiar. Esses temas estão ligados à gestão dos negócios e à continuidade das atividades rurais entre gerações.
A programação também abordará qualidade de vida, bem-estar e saúde integral da mulher rural. Estão previstas as palestras “Seja seu próprio padrão”, com Mariana Xavier; “Pilares de uma vida plena”, com Fernanda Hernandes Rasmussen; e “A força da mulher”, com Ana Hickmann.
Serviço
Evento: 4º Encontro Estadual de Mulheres do Agro.
Data: 28 de agosto de 2026, sexta-feira.
Horário: a partir das 9h.
Local: Taiwan Centro de Eventos.
Endereço: Avenida Dr. Francisco Gugliano, 2710, Royal Park, Ribeirão Preto (SP).
A inteligência artificial no agronegócio ganha espaço nas decisões estratégicas das empresas e deixa de ser apenas uma ferramenta para ampliar a produtividade no campo. A tecnologia já influencia modelos de gestão, inovação e competitividade. Esse cenário estará no centro dos debates da Arena Impacto, marcada para 3 de setembro, em São Paulo.
O evento reunirá especialistas brasileiros e internacionais das áreas de tecnologia, inovação e negócios. Entre os principais nomes estão o cientista, professor e empreendedor Silvio Meira e o pesquisador e autor de sete livros sobre tecnologia e negócios Ricardo Cavallini.
Inicialmente, o mercado enxergava a inteligência artificial como uma solução voltada principalmente ao ganho de produtividade. Agora, entretanto, o debate avançou. Empresas de diferentes setores buscam transformar dados em tecnologias capazes de apoiar decisões e criar vantagens competitivas.
No agronegócio, essa mudança ganha uma dimensão ainda maior. Dados gerados no campo, nas máquinas, nas operações e nos diferentes elos da cadeia podem ajudar empresas a tomar decisões mais precisas. Assim, a capacidade de transformar informação em ação passa a ocupar um papel estratégico.
Da produtividade à competitividade
Nos primeiros avanços da inteligência artificial no agro, uma das principais expectativas estava no aumento da produtividade. A tecnologia poderia automatizar processos, analisar informações e melhorar a eficiência das operações.
Hoje, porém, a discussão envolve também gestão, inovação e competitividade. Por isso, empresas que conseguem utilizar dados de maneira estratégica buscam novas formas de disputar espaço em mercados cada vez mais tecnológicos.
É nesse contexto que a Arena Impacto pretende ampliar a discussão sobre os efeitos da transformação digital. A Solinftec, agtech brasileira com atuação global em inteligência artificial para o agronegócio, promove o fórum e reúne diferentes perspectivas sobre as mudanças que já ocorrem no mundo dos negócios.
“Como empresa de tecnologia, a Solinftec entende que seu papel não é apenas desenvolver soluções, mas também antecipar tendências, compartilhar conhecimento e ajudar clientes e parceiros a se prepararem para o futuro. Discutir esse tema agora é essencial porque o futuro já está sendo construído. Quem compreende esses movimentos com antecedência toma decisões melhores, identifica oportunidades e se adapta com mais rapidez”, afirma Dennis Arroio, vice-presidente global da Solinftec.
Além disso, a programação começa com o keynote “Inteligência Artificial – O verdadeiro risco é ficar para trás”, apresentado por Ricardo Cavallini. O pesquisador vai abordar como a inteligência artificial redefine produtividade, gestão, inovação e competitividade.
Cavallini também discutirá por que muitas organizações ainda subestimam os impactos da tecnologia. Dessa forma, o encontro pretende mostrar que a adoção da IA envolve não apenas ferramentas, mas também mudanças na maneira como as empresas trabalham e tomam decisões.
Tecnologia ganha papel de infraestrutura
Outro ponto importante da programação será a transformação do conceito de infraestrutura necessária para a inovação. O painel “A nova infraestrutura da inovação” reunirá Luis Caro, Head Cloud IA Innovation, da Amazon, e Marco Riguetti, Head da Oracle A-Team.
Atualmente, a infraestrutura tecnológica vai além de estradas, armazéns e sistemas físicos. Nuvem, inteligência artificial, dados, conectividade e capacidade computacional também sustentam projetos que precisam alcançar escala.
No agronegócio, essa estrutura conecta diferentes etapas das operações. Ao mesmo tempo, permite reunir e processar informações que podem apoiar decisões. Portanto, a tecnologia deixa de atuar apenas na execução de tarefas e passa a participar de estratégias de longo prazo.
A programação também terá o Fireside Chat “Tecnologias exponenciais e geopolítica: os novos vetores de decisão no mundo”. O professor da Fundação Dom Cabral Paulo Vicente Alves discutirá como as tecnologias emergentes influenciam a economia global, a competitividade das empresas e as relações entre países.
Na sequência, o painel “Quem vai liderar a nova era da inovação?” reunirá Paula Harraca, CEO da Ânima Educação; Daniela Cachich, CEO da Beyond e CO na Ambev; e Ricardo Bastos, diretor da GWM e presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).
O debate vai abordar como empresas líderes transformam conhecimento em vantagem competitiva. Além disso, os participantes discutirão investimentos, competências e culturas organizacionais capazes de sustentar a inovação nos mercados da próxima década.
Silvio Meira encerra programação
O cientista, professor e empreendedor Silvio Meira encerrará a programação. No Closing Keynote “Como construir e conduzir empresas capazes de prosperar em um cenário altamente tecnológico e de mudanças permanentes”, ele abordará os desafios de organizações que precisam atuar em um ambiente marcado pela inovação contínua.
A palestra também discutirá como empresas orientadas por dados e tecnologia podem se preparar para mudanças permanentes. No agronegócio, esse movimento amplia o debate sobre o papel das agtechs e sobre a integração da tecnologia à gestão das operações.
Assim, a Arena Impacto coloca a inteligência artificial no centro de uma discussão que ultrapassa o desenvolvimento de ferramentas. O debate envolve, ainda, competitividade, infraestrutura, inovação, gestão e decisões estratégicas que podem influenciar os negócios do agronegócio global.
Serviço
Arena Impacto Data: 3 de setembro
Das 14 às 18h30 Local: Arena Cubo Itaú – Alameda Vicente Pinzon, 54, São Paulo, capital
Solicitação de inscrições: Arena Impacto
O painel “Políticas Agrícolas e Segurança Alimentar” será realizado em 1º de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O encontro será realizado no Nubank Parque, em São Paulo.
Na ocasião, serão discutidas medidas capazes de ampliar a produção de alimentos e reduzir os riscos enfrentados por produtores e consumidores. Além disso, serão analisados temas como crédito, seguro rural, infraestrutura, comércio internacional, sustentabilidade, tecnologia e previsibilidade regulatória.
Produção é pressionada
A segurança alimentar passou a receber mais atenção no cenário internacional. Entre os fatores responsáveis estão o crescimento populacional, as mudanças climáticas e os conflitos geopolíticos.
Além disso, a volatilidade dos mercados de commodities e a necessidade de aumento da produtividade também são apontadas como fontes de pressão sobre o setor agropecuário.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial, estimada em 8,2 bilhões de pessoas em 2024, deverá chegar a aproximadamente 9,7 bilhões em 2050.
Ao mesmo tempo, o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035 estima que a produção agrícola e pesqueira mundial precisará crescer 13% na próxima década.
Diante desse cenário, políticas públicas de longo prazo serão discutidas como instrumentos para melhorar as condições de produção, estimular investimentos e ampliar o acesso a tecnologias.
Riscos serão debatidos
Durante o painel, deverão ser avaliadas medidas voltadas à garantia de uma oferta mais regular de alimentos. Para isso, serão considerados mecanismos capazes de reduzir os riscos da atividade agropecuária.
Entre os temas previstos, serão abordados:
acesso ao crédito
seguro rural
infraestrutura
comércio internacional
sustentabilidade
incorporação de tecnologias
previsibilidade regulatória
Dessa forma, também deverão ser analisados os fatores que afetam a competitividade do produtor, o abastecimento e os preços dos alimentos.
A participação de Roberto Rodrigues foi destacada por Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO:
“É uma honra para o evento contar com a participação de uma das principais referências do agro brasileiro e uma voz fundamental no debate sobre o futuro da produção de alimentos, o ex-ministro Roberto Rodrigues,” ressalta Nastari.
Programação terá três palcos
O painel será integrado à programação do evento. Segundo a organização, mais de 35 painéis serão realizados, com a participação de mais de 100 palestrantes.
As atividades serão distribuídas em três palcos simultâneos. Paralelamente, serão promovidas ações relacionadas à feira de negócios, à gastronomia e ao entretenimento.
Em 2026, duas edições do evento serão realizadas no Brasil. A programação de São Paulo ocorrerá nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque.
A colheita mecanizada do amendoim ganhou espaço nos videogames. A partir de 28 de agosto, quatro equipamentos da Indústrias Colombo poderão integrar o Farming Simulator 25, dentro do Cerrado Edition, novo mapa desenvolvido pela brasileira Connect Modding. Com a novidade, os jogadores poderão acompanhar diferentes etapas da produção da cultura, incluindo arranquio, colheita e transporte.
Pela primeira vez, o Farming Simulator terá equipamentos voltados especificamente à cultura do amendoim. A MIAC, marca da Indústrias Colombo especializada em soluções para a mecanização agrícola, fornece as máquinas reproduzidas no game.
Além disso, o conteúdo chegará gratuitamente como mod para quem já possui o Farming Simulator 25. O jogo está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Já a plataforma oficial de mods do game disponibilizará o download do novo conteúdo.
Máquinas reproduzem operações do campo
A experiência reúne quatro equipamentos utilizados na mecanização da colheita do amendoim: o Arrancador C600, as colhedoras Twin Master Peanut Combine e Avanti e o transbordo CTA 6500.
No game, os jogadores poderão utilizar as máquinas em diferentes momentos da operação. Primeiro, o processo começa com o arranquio das plantas. Depois, segue para a colheita e, por fim, chega ao transporte da produção.
A reprodução digital das máquinas leva para o ambiente do jogo características de equipamentos que já fazem parte das operações agrícolas. Assim, o jogador consegue conhecer, de forma interativa, uma sequência de atividades que exige planejamento, máquinas específicas e integração entre diferentes etapas.
Para Neto Colombo, COO da Indústrias Colombo, a presença dos equipamentos no jogo também ajuda a mostrar a tecnologia envolvida na produção agrícola.
“O amendoim faz parte da história e da expertise da Colombo. Há 53 anos, desenvolvemos tecnologias para tornar sua colheita cada vez mais eficiente e levar as nossas soluções para dentro do Farming Simulator nos permite transformar uma operação que acontece todos os dias no campo em uma experiência que pode ser vivenciada por milhões de pessoas.”
A empresa atua há 53 anos no desenvolvimento de máquinas e implementos agrícolas. Além disso, a cultura do amendoim está entre as áreas de especialização da companhia.
Amendoim ganha espaço no game
A Connect Modding, empresa brasileira e embaixadora do Farming Simulator no país, desenvolveu o Cerrado Edition. O novo mapa busca representar características da agricultura brasileira e amplia as possibilidades para os jogadores conhecerem culturas e operações presentes no campo nacional.
Nesse contexto, a inclusão do amendoim também ajuda a apresentar uma cadeia produtiva que vai além das principais commodities agrícolas conhecidas pelo público em geral. A cultura está presente em diferentes regiões produtoras do Brasil e também possui relevância internacional.
O amendoim é cultivado em mais de 100 países, entre eles China, Índia, Estados Unidos e Argentina. Com o novo conteúdo, os jogadores poderão explorar características da produção da cultura dentro do game.
A franquia Farming Simulator já ultrapassou 40 milhões de cópias vendidas e reúne jogadores em diferentes países. Além disso, o game conta com mais de 150 fabricantes de equipamentos agrícolas representados em suas experiências.
Tecnologia aproxima novas gerações do agro
A presença das máquinas de amendoim no jogo também cria uma oportunidade para aproximar o agronegócio de um público que nem sempre tem contato direto com uma propriedade rural.
Para muitos jogadores, o ambiente do game pode representar um primeiro contato com culturas agrícolas, máquinas e operações realizadas no campo. Dessa forma, a simulação permite conhecer as funções dos equipamentos e compreender a sequência de atividades necessárias para transformar uma lavoura em produção colhida e transportada.
Joel Backes, diretor comercial e de marketing da Indústrias Colombo, considera que a participação no Cerrado Edition amplia o alcance da tecnologia desenvolvida pela empresa no Brasil.
“Estar no Farming Simulator vai além da presença da marca em um game. É levar a tecnologia brasileira para uma plataforma global, conectando a Colombo a milhões de pessoas de diferentes países e gerações, fortalecendo nossa internacionalização e mostrando a capacidade da indústria brasileira de desenvolver soluções para o agronegócio mundial.”
Ao mesmo tempo, a aproximação com os mais jovens também aparece como parte da estratégia. Ao reproduzir operações agrícolas em um ambiente familiar para esse público, o setor consegue apresentar conceitos de mecanização, produção e tecnologia de maneira mais acessível.
“Quando um jovem entra no jogo, conhece uma cultura, entende uma operação e começa a perceber toda a tecnologia envolvida naquele processo, estamos ajudando a aproximar uma nova geração do agronegócio”, afirma Backes.
Indústria brasileira amplia presença internacional
A Indústrias Colombo possui unidades industriais em Pindorama e Catanduva, no interior de São Paulo. Além disso, o grupo mantém filiais internacionais em Adel, na Geórgia, nos Estados Unidos, e em Río Cuarto, na província de Córdoba, na Argentina.
A companhia desenvolve máquinas para a colheita mecanizada de grãos, vagens e sementes por meio da MIAC. Também atua na produção de peças e componentes de transmissão agrícola pela AEMCO.
Segundo a empresa, seus produtos estão presentes em mais de 60 países. Agora, parte dessa tecnologia também chega ao Farming Simulator 25, ampliando o contato do público internacional com soluções brasileiras para a mecanização do amendoim.
A Embrapa desenvolve carne cultivada em laboratório como alternativa à produção animal tradicional. A tecnologia dispensa o abate e busca reduzir impactos ambientais. A pesquisa reúne equipes da Embrapa Suínos e Aves, em Santa Catarina, e do Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.
Os pesquisadores já produziram protótipos de filé de peito de frango cultivado. Além disso, o laboratório desenvolveu alimentos vegetais impressos em 3D, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.
A técnica utiliza células retiradas de animais vivos por meio de uma pequena biópsia. Em seguida, os cientistas cultivam essas células em ambiente controlado. O meio de cultivo contém oxigênio, glicose, aminoácidos e sais minerais. Esses nutrientes permitem a multiplicação celular.
A produção combina técnicas de engenharia de tecidos e biotecnologia celular. Os métodos também são utilizados na medicina regenerativa.
Segundo a analista da Embrapa, Naiara Milagres Augusto da Silva, os pesquisadores isolam diferentes tipos celulares presentes no tecido muscular. Depois, a equipe seleciona as células desejadas e amplia sua multiplicação em larga escala.
Estruturas garantem crescimento do tecido
O tecido muscular cultivado precisa de uma superfície para crescer e se organizar. Essas estruturas imitam a matriz extracelular presente nos organismos vivos. Os pesquisadores utilizam suportes fibrosos, conhecidos como scaffolds, e microcarreadores esféricos.
Os scaffolds orientam as células e ajudam na formação muscular tridimensional. Já os microcarreadores ampliam a área de crescimento celular. Segundo nota técnica da Embrapa, essas estruturas favorecem a produção em larga escala do tecido muscular.
Além disso, elas influenciam características importantes da carne cultivada. Entre elas estão textura, firmeza, retenção de água e mastigação.
O Laboratório de Nanobiotecnologia também desenvolve biomateriais produzidos a partir de proteínas vegetais. Esses materiais servem como suporte para adesão e multiplicação das células da carne cultivada.
Entre as soluções estão malhas compostas por fibras nanométricas. Embora pareçam folhas de papel, elas apresentam estrutura porosa ao microscópio. Essa superfície reproduz condições semelhantes às encontradas nos tecidos naturais dos animais.
Segundo Naiara da Silva, o objetivo é ampliar o uso de insumos vegetais e reduzir a dependência de componentes de origem animal.
Película comestível deve chegar em 2027
Foto: divulgação – Agência Brasil / Valter Campanato
Os pesquisadores também criaram uma película comestível para embutidos produzidos com carne cultivada. O material funciona como revestimento para produtos semelhantes à linguiça.
De acordo com o pesquisador Luciano Paulino da Silva, o protótipo deverá ser concluído em 2027. Ele afirma que a tecnologia poderá integrar o portfólio de ativos tecnológicos da Embrapa já no próximo ano. Após essa etapa, empresas parceiras poderão adaptar os produtos para aplicações industriais e comerciais.
Carne cultivada já possui regulamentação no Brasil
O setor também avança na área regulatória. Em 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou a Resolução RDC nº 839. Em geral, a norma estabelece diretrizes para a produção de carne cultivada no país.
Além do Brasil, países como Singapura, Estados Unidos, Israel e Austrália também desenvolvem a tecnologia. Esses mercados já possuem aprovação regulatória e comercial para produtos derivados de carne cultivada.
Os resultados das pesquisas realizadas pela Embrapa foram publicados na revista científica Foods, especializada em ciência e tecnologia de acesso aberto.
A New Holland levou à Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um portfólio completo de soluções integradas voltado a diferentes perfis de produtores, com foco em produtividade, eficiência e sustentabilidade. Além disso, a apresentação foi conduzida por Adriano Becker, diretor de Tecnologia de Precisão; Eduardo Kerbauy, vice-presidente de Marketing para a América Latina; Flávio Mazetto, diretor de Produto e Portfólio; e Auri Orlando, diretor de Suporte ao Cliente e Concessionário, responsáveis por detalhar os investimentos em inovação, conectividade e nacionalização da produção.
Segundo Eduardo Kerbauy, a estratégia da marca reforça o posicionamento como fornecedora full-liner. Nesse sentido, a empresa amplia o acesso a tecnologias capazes de impulsionar a produtividade com simplicidade operacional. Ao mesmo tempo, reforça a proximidade com o produtor rural.
A empresa destacou a amplitude do portfólio, que abrange desde pulverização inteligente até colheitadeiras com inteligência artificial, além de tratores e soluções digitais integradas. Com isso, busca atender diferentes realidades no campo.
Foto: PH Lopes/ Agro em Campo
Pulverização inteligente e automação avançada
A linha de pulverizadores Defensor foi um dos principais destaques, com modelos que variam de 30 a 4.000 litros. O Defensor 4000 incorpora o sistema SaveFarm, que utiliza inteligência artificial para aplicação seletiva, reduzindo o uso de herbicidas em até 90%. Além disso, a tecnologia permite maior precisão e economia de insumos.
Adriano Becker ressaltou o papel da tecnologia de precisão. Segundo ele, a aplicação seletiva e os sistemas embarcados permitem decisões em tempo real, elevando a eficiência operacional. Dessa forma, o produtor ganha mais controle sobre a lavoura.
A linha conta ainda com recursos como monitor Smart Fill, IntelliSpray II e sistema de recirculação. Ao mesmo tempo, a marca apresentou drones de aplicação, ampliando a versatilidade, principalmente em áreas de difícil acesso.
Colheitadeiras com inteligência artificial
Outro eixo central foi o portfólio de colheitadeiras, com destaque para a linha CR, equipada com automação baseada em inteligência artificial. O sistema IntelliSense ajusta automaticamente os parâmetros da máquina. Com isso, otimiza o desempenho e reduz perdas durante a colheita.
Flávio Mazetto destacou a evolução tecnológica. De acordo com ele, as máquinas são capazes de tomar decisões operacionais de forma autônoma. Assim, aumentam a eficiência e reduzem custos.
A marca também enfatizou a oferta de três sistemas de debulha distintos, com as linhas TC, TX e CR. Dessa forma, atende diferentes perfis de produtores e culturas.
Produção nacional e investimento estratégico
Um dos anúncios mais relevantes foi o investimento superior a R$ 100 milhões para nacionalizar a produção das plataformas Draper FD2. Com isso, a fabricação será realizada em Curitiba (PR), atendendo toda a América Latina.
A iniciativa busca reduzir prazos de entrega e ampliar a disponibilidade de peças. Além disso, fortalece o suporte técnico ao produtor. Segundo Kerbauy, a produção local melhora a eficiência operacional no campo.
Conectividade e suporte ao produtor
A conectividade foi apresentada como elemento central da estratégia. As máquinas contam com telemetria embarcada e diferentes opções de conexão. Assim, o produtor pode monitorar a operação em tempo real.
Foto: PH Lopes/ Agro em Campo
Auri Orlando destacou o impacto no pós-venda. Segundo ele, a integração entre tecnologia e suporte aumenta a disponibilidade das máquinas. Ao mesmo tempo, melhora a experiência do cliente.
Tratores e soluções sustentáveis
A marca também apresentou sua linha renovada de tratores. Entre os destaques está o T6.180 Methane Power, movido a biometano. Com isso, reduz significativamente as emissões de poluentes.
Outro ponto de atenção foi o conceito T5.120 “Il Trattore”. Por fim, o modelo reforça a conexão entre tradição e inovação no desenvolvimento de máquinas agrícolas.
Encaminhamentos
A participação na Agrishow reforça a estratégia da New Holland de ampliar sua presença no mercado latino-americano. Dessa forma, a empresa aposta em tecnologia, produção local e soluções integradas para aumentar a eficiência no campo.
Faltando menos de quatro meses para sua realização, o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (AvAg) 2026 já registra alta procura por estandes e mantém inscrições abertas para participantes e pesquisadores. O evento será realizado entre os dias 18 e 20 de agosto, no Condomínio Aeronáutico Liberty, em Goianápolis (GO), a cerca de 30 quilômetros de Goiânia. A programação reúne profissionais, empresas e especialistas da aviação agrícola.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela internet. Além disso, o Congresso AvAg 2026 recebe trabalhos para o Congresso Científico da Aviação Agrícola, que integra a programação desde 2019. Pesquisadores, estudantes e profissionais têm até 15 de junho para enviar resumos. Confira o regulamento e formulário AQUI. A premiação prevê R$ 5 mil, R$ 3,5 mil e R$ 2 mil para os três melhores trabalhos, além de menção honrosa na categoria Destaque Inovação.
Estrutura e participação
A estrutura inclui cerca de 3,8 mil metros quadrados destinados à exposição de equipamentos, tecnologias e serviços. Também estão previstas mostra de aeronaves e áreas voltadas a atividades técnicas e científicas.
Na edição anterior, realizada no Mato Grosso, o evento recebeu mais de 4 mil participantes. Para este ano, a expectativa é manter ou ampliar esse número. A procura antecipada por estandes indica alta demanda por espaços comerciais e institucionais.
Empresas do setor têm buscado garantir presença com antecedência. O movimento envolve operadores, fornecedores, pesquisadores e representantes ligados à aviação agrícola. Além disso, o evento atrai participantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
Programação técnica e marco histórico
A programação do Congresso AvAg 2026 inclui debates sobre temas do setor. Entre eles, estão agricultura de precisão, digitalização das operações e uso de aeronaves remotamente pilotadas.
Neste ano, o evento coincide com um marco histórico. A realização ocorre na semana em que se completam 80 anos do primeiro voo aeroagrícola no Brasil, em 19 de agosto de 1947.
A data marca o início de ações comemorativas que devem seguir até 2027. As iniciativas incluem atividades voltadas à trajetória da aviação agrícola e discussões sobre o futuro do setor.
O crescimento acelerado dos drones de pulverização no Brasil preocupa o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Em entrevista durante a Expodireto Cotrijal 2026, o diretor executivo da entidade, Gabriel Colle, afirmou que o setor vive uma expansão inédita, mas sem acompanhamento proporcional da legislação e da fiscalização. Segundo ele, a prioridade agora é organizar o mercado e evitar riscos operacionais no campo e no espaço aéreo.
Colle atua no sindicato há 11 anos e acompanhou de perto a chegada dos drones à aviação agrícola. Segundo ele, a decisão estratégica do Sindag foi incorporar a tecnologia ao setor, em vez de combatê-la.
“A primeira decisão que tivemos que tomar foi se iríamos brigar com os drones ou trazê-los para dentro da nossa atividade. Optamos por incorporar essa tecnologia, imaginando que ela teria crescimento. O que não imaginávamos era que esse crescimento seria tão rápido”, afirma.
A evolução impressiona. Em 2021, o Brasil tinha apenas 355 drones agrícolas registrados. Ao final de 2025, esse número ultrapassou 40 mil equipamentos.
“Entraram cerca de 40 mil drones em quatro anos. Hoje o Brasil só perde para a China, que tem algo em torno de 300 mil equipamentos. Se continuarmos nesse ritmo, podemos chegar perto de 100 mil drones de pulverização nos próximos três anos”, diz.
Mercado cresce sem controle
Apesar da expansão, o principal desafio apontado pelo Sindag é a falta de organização do mercado. Segundo estimativas da entidade, cerca de 75% dos drones de pulverização em operação no país podem estar irregulares.
“Muita gente compra um drone e começa a operar imediatamente. Não faz cadastro na ANAC, não registra a operação no Ministério da Agricultura e não tem acompanhamento agronômico. Nesses casos, estamos diante de uma atividade ilegal”, afirma Colle.
Grande parte dos equipamentos utilizados no Brasil é importada da China. Segundo o executivo, cerca de 95% do mercado nacional é composto por drones fabricados naquele país, muitas vezes adquiridos por importação direta ou até mesmo via Paraguai.
Gabriel Colle – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
O crescimento desordenado também traz preocupações relacionadas à segurança aérea. A operação irregular de drones pode provocar acidentes com aeronaves tripuladas.
“Se um drone estiver operando de forma ilegal e uma aeronave agrícola entrar naquela área sem saber da presença dele, pode acontecer uma colisão. Já tivemos casos de aeroportos fechados por causa de drones operando irregularmente”, alerta.
No campo, o problema também já aparece com frequência. O Sindag criou um canal para que empresas associadas relatem avistamentos de drones durante operações aéreas.
“Somente entre janeiro e fevereiro deste ano recebemos quase 100 relatos de pilotos que precisaram pousar o avião de pulverização porque havia drones operando na área”, conta.
Profissionalização é o principal desafio
Segundo Colle, o crescimento da tecnologia é positivo, mas precisa vir acompanhado de profissionalização.
“Não somos contra os drones. Pelo contrário, queremos proteger esse mercado. O que defendemos é que a atividade seja exercida de forma profissional, com operadores qualificados e dentro da legislação”, explica.
Uma das propostas do Sindag é que a venda de drones de pulverização passe a ter algum nível de rastreabilidade. A ideia é identificar quem compra os equipamentos e garantir que o operador esteja apto a utilizá-los.
“Não se trata de controle de mercado, mas de segurança. Precisamos saber quem está operando e garantir que essa pessoa tenha formação adequada”, afirma.
Outra proposta é tornar o contratante corresponsável pela operação.
“Se alguém contratar uma empresa ilegal e houver deriva ou algum problema na aplicação, esse contratante também deveria responder. Estamos falando de um possível crime ambiental.”
Falta de experiência técnica preocupa
Uma pesquisa realizada pelo Sindag em 2025 revelou que grande parte dos novos operadores de drones não tem experiência no setor agrícola.
“Cerca de 70% das pessoas que estão entrando nesse mercado não têm ligação com a agricultura. Existe uma diferença enorme entre pilotar um drone e fazer uma aplicação agrícola eficiente”, afirma.
Segundo Colle, o desafio técnico é grande. A pulverização exige controle preciso da gota e conhecimento agronômico.
“Na aviação agrícola levamos mais de 60 anos para dominar completamente a tecnologia de aplicação. Controlar uma gota que sai de uma aeronave a 300 km/h e fazê-la chegar no alvo correto exige muita técnica.”
Ele destaca que a curva de aprendizado dos drones ainda está em andamento.
“Hoje há muitos curiosos operando equipamentos sem conhecimento técnico. Isso pode gerar aplicações mal feitas e prejudicar a imagem da tecnologia.”
Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Mercado passa por seleção natural
O crescimento acelerado também gerou um fenômeno curioso: um grande número de drones fora de operação.
Segundo Colle, muitos operadores entraram no mercado sem planejamento e acabaram abandonando a atividade.
“Muita gente achou que seria fácil ganhar dinheiro com drone. Mas a operação exige escala, manutenção e conhecimento técnico. Temos hoje um verdadeiro cemitério de drones no Brasil.”
Outro fator é a evolução rápida da tecnologia.
“Em apenas quatro anos já tivemos duas gerações de drones. É um equipamento muito diferente da aviação agrícola tradicional. Temos aviões da década de 1970 operando perfeitamente. Já os drones precisam ser substituídos com frequência.”
Cada tecnologia tem seu espaço
Apesar do avanço dos drones, Colle acredita que as diferentes tecnologias de aplicação continuarão coexistindo no campo.
Enquanto um drone de 40 litros consegue pulverizar cerca de 35 a 40 hectares por hora, um avião agrícola pode atingir até 600 hectares no mesmo período.
“Não é uma questão de melhor ou pior. Cada ferramenta tem seu ambiente ideal de operação”, explica.
Segundo ele, muitas empresas já trabalham com modelos híbridos.
“Temos associados que operam com aeronaves, drones e pulverizadores autopropelidos. Eles escolhem a tecnologia de acordo com a área, a cultura e a necessidade do cliente.”
Nova fronteira: aviões autônomos
Outra tecnologia que começa a aparecer no radar do setor são os aviões autônomos, também chamados de VANTs de asa fixa.
Hoje existem cerca de 11 equipamentos desse tipo operando no Brasil, ainda sem legislação específica.
“Do ponto de vista legal, eles ainda são considerados drones. Porém, estamos falando de aeronaves com capacidade de até 300 litros de carga e potencial para causar grandes danos se não forem bem reguladas.”
Segundo Colle, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já trabalha na construção de regras específicas para esse tipo de equipamento.
O setor também acompanha iniciativas tecnológicas apoiadas pela Embraer, que estuda o desenvolvimento de novas soluções para a aviação autônoma.
“A aplicação dessas aeronaves é impressionante. Elas podem ser programadas e operar praticamente sozinhas. Mas ainda existem desafios logísticos e operacionais importantes.”
Futuro do setor
Para o Sindag, o mercado de drones agrícolas continuará crescendo nos próximos anos. No entanto, a consolidação do setor dependerá da organização regulatória e da profissionalização dos operadores.
“Estamos em um momento de transformação. A aviação agrícola deve continuar crescendo até 2028, mas o cenário depois disso ainda é incerto. O importante é olhar para todas as tecnologias e preparar o setor para o futuro”, conclui Colle.
O avanço do uso de drones na agricultura brasileira foi um dos destaques da Expodireto Cotrijal 2026, realizada entre 9 e 13 de março em Não-Me-Toque (RS). Durante a feira, empresas do setor apresentaram novos equipamentos de pulverização, soluções digitais e programas de capacitação profissional. O movimento reflete a expansão da tecnologia no manejo agrícola e a necessidade crescente de operadores qualificados para atuar no campo.
O uso de drones vem crescendo de forma acelerada na agricultura brasileira nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDrone) e da Schroder Consultoria Agro, o número de equipamentos em operação no país saltou de cerca de 3 mil para aproximadamente 35 mil unidades desde a regulamentação da atividade, em 2021.
Nesse cenário, a ADS Drones apresentou na feira equipamentos voltados à pulverização agrícola e à agricultura de precisão. Entre os destaques estão os modelos T100, T70P e T25P, utilizados em diferentes escalas de produção.
Responsável pelo pós-venda da empresa no Rio Grande do Sul, Angel Mariussi explica que os drones oferecem vantagens operacionais importantes em comparação com equipamentos tradicionais.
“Entre os principais benefícios está a redução do amassamento da cultura, já que não há passagem de máquinas pela lavoura. Mesmo após chuvas mais intensas, é possível realizar aplicações com drone. Além disso, o equipamento consegue atingir melhor a parte inferior das plantas, graças ao fluxo de ar gerado pelas hélices”, afirma.
Segundo ele, a operação também é altamente automatizada. O produtor define previamente o mapa da área e os parâmetros da aplicação. A partir dessas informações, o drone executa o trabalho de forma autônoma, enquanto o operador acompanha a operação.
Tecnologia amplia soluções no campo
Além dos drones de pulverização, a feira também apresentou equipamentos voltados ao monitoramento e à coleta de dados agrícolas. A Techno Store atua com drones da linha enterprise, que incluem câmeras termais, sensores multiespectrais e sistemas para geração de mapas de lavouras.
DJI Dock 3 – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Consultor comercial da empresa, Luís Zenoni explica que essas tecnologias ajudam produtores a acompanhar o desenvolvimento das culturas com maior precisão.
“Hoje trabalhamos com drones voltados ao monitoramento, segurança e agricultura de precisão. Esses equipamentos permitem gerar imagens detalhadas das lavouras, o que ajuda na análise das áreas e na tomada de decisões”, afirma.
A empresa também atua na distribuição de peças originais para drones agrícolas e em outras soluções tecnológicas. Entre elas estão drones subaquáticos utilizados na inspeção de barragens e estruturas offshore, além de equipamentos autônomos voltados à manutenção de áreas verdes.
Crescimento do mercado exige formação de pilotos
Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança, cresce também a demanda por profissionais qualificados para operar os equipamentos. A AgroAcademy atua justamente na formação de pilotos de drones agrícolas e no treinamento técnico voltado ao uso da tecnologia no campo.
De acordo com a coordenadora geral da escola, Tamara Maciel Dal Canton, o principal desafio do setor atualmente é ampliar a quantidade de operadores preparados para trabalhar com os equipamentos.
“O drone entrou no mercado como uma ferramenta nova. Muitas pessoas compram o equipamento, mas não sabem exatamente como operá-lo. O profissional precisa entender desde a parte agronômica até a legislação e o funcionamento técnico do drone”, explica.
Segundo ela, a instituição já formou mais de 4,5 mil pilotos desde sua criação, em 2021. Ainda assim, o número é considerado pequeno diante do crescimento do mercado.
“Hoje temos cerca de 35 mil drones registrados no país. Porém, ainda faltam operadores qualificados. Nosso foco é ampliar essa formação e preparar profissionais que entendam como aplicar a tecnologia de forma correta na lavoura”, afirma.
Os cursos incluem conteúdos sobre preparo de calda, identificação de pragas e doenças, uso de equipamentos de proteção individual e operação dos drones. Além disso, os alunos recebem orientações sobre a regulamentação exigida por órgãos como ANAC e Ministério da Agricultura.
Ferramentas digitais ajudam na tomada de decisão
Outra frente de inovação envolve o desenvolvimento de softwares voltados à gestão das operações agrícolas. O hub de inovação Loop Works criou plataformas que auxiliam produtores e prestadores de serviço no uso de drones no campo.
Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Analista de tecnologia da empresa, José Henrique Alves de Azevedo explica que uma das ferramentas conecta produtores rurais a pilotos de drones disponíveis para realizar aplicações nas lavouras.
“O Agro Pilot funciona como uma plataforma que aproxima quem precisa da aplicação e quem possui o equipamento para realizar o serviço. Hoje já contamos com mais de 120 usuários entre pilotos e produtores”, afirma.
Além disso, outra solução utiliza dados meteorológicos para identificar o momento mais adequado para realizar aplicações agrícolas.
“A ferramenta analisa fatores como temperatura, umidade, velocidade do vento e possibilidade de chuva. Com base nessas informações, ela indica se a janela de aplicação é ideal, aceitável ou não recomendada”, explica.
Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões com mais segurança e eficiência durante as operações no campo.
Com a expansão do uso de drones na agricultura brasileira, especialistas apontam que a tendência é de integração cada vez maior entre equipamentos, softwares e capacitação profissional. Esse conjunto de tecnologias deve ampliar a eficiência das operações agrícolas e consolidar o uso dos drones como ferramenta estratégica no campo.
A cidade de Holambra será, mais uma vez, o centro das atenções do agronegócio nacional. Entre os dias 25 e 27 de junho, o Pavilhão da Expoflora recebe a 30ª edição da Hortitec – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas –, que deve atrair 32 mil visitantes e movimentar cerca de R$ 600 milhões em negócios.
Reconhecida como a maior feira do setor na América Latina, a Hortitec chega ao marco das três décadas com 520 empresas expositoras, nacionais e internacionais, representando toda a cadeia do setor hortifrutícola. Os organizadores investiram na ampliação da estrutura, que ganhou um novo pavilhão – o Laranja – para abrigar mais 38 empresas, além de melhorias na mobilidade e no estacionamento.
Inovação no centro dos debates
Além da tradicional feira de exposição, a programação contempla painéis técnicos, atividades de campo e rodadas de negócios. Destaque para o Painel de Inovação Embrapa e Ibrahort, marcado para o dia 26, às 13h30, com o tema “Resiliência Climática na Horticultura”, em sintonia com os debates da COP 30.
Outro ponto alto é a 3ª edição do Bate-Papo com o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), no dia 25, das 13h30 às 15h30, quando pesquisadores apresentarão novas cultivares e discutirão como a ciência vem transformando a horticultura. “A troca direta com os produtores é essencial para promover inovação de forma aplicada”, afirma um dos organizadores do encontro.
O Sebrae-SP também marca presença com palestras e consultorias sobre gestão e empreendedorismo rural. O espaço é voltado tanto para produtores quanto para fabricantes, distribuidores e comerciantes do setor.
Campo aberto e biotecnologia na prática
Dois eventos paralelos prometem ampliar a vivência prática dos visitantes. A Hortinov 2025, promovida pela Sakata e Biotrop, ocorre em Santo Antônio de Posse e terá visitas ao BioOracle, centro de difusão de tecnologias biológicas da Biotrop. No mesmo município, a Agristar do Brasil realiza o 19º Open Field Day em sua Estação Experimental, com apresentação de cultivares e soluções desenvolvidas a campo. Para facilitar o acesso, a organização da Hortitec oferecerá traslados gratuitos até os locais.
Com expectativa de movimentar centenas de milhões de reais, a Hortitec reafirma sua importância como espaço de negócios, atualização profissional e lançamento de inovações. Para esta edição, instituições financeiras também estarão presentes com linhas de crédito rural voltadas tanto ao custeio quanto a novos investimentos.
Serviço:
30ª HORTITEC
Quando: 25 a 27 de junho de 2025. Dias 25 e 26, das 9h às 19h; dia 27, das 9h às 17h
Onde: Pavilhão de Exposições da Expoflora, Rua Maurício de Nassau, 675 – Holambra/SP Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia – estudantes e 60+) Informações: www.hortitec.com.br | @hortitec | (19) 3802-4196