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    El Niño 2026 pressiona agro e acende alerta para inflação no Brasil

    O avanço das projeções para um novo episódio de El Niño em 2026 começa a ganhar espaço nas análises do mercado brasileiro e já influencia decisões em dois setores estratégicos: agronegócio e energia.

    Com probabilidade superior a 60% de formação no inverno e possibilidade de atingir cerca de 80% no segundo semestre, o fenômeno deixa de ser um cenário alternativo e passa a ser considerado um fator relevante de risco econômico.

    Impactos no campo devem variar por região

    No agronegócio, o El Niño altera o regime de chuvas de forma desigual entre as regiões do país.

    No Sul, o aumento das precipitações tende a favorecer culturas como soja e milho, elevando o potencial produtivo. Ainda assim, o excesso de chuva pode comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a colheita.

    No Centro-Oeste, principal região produtora do Brasil, o risco está no atraso das chuvas. Esse cenário pode prejudicar o plantio da soja e reduzir a janela da segunda safra de milho, responsável por cerca de 75% da produção nacional.

    Já nas regiões Norte e Nordeste, a redução das chuvas aumenta o risco de perdas em culturas básicas e pressiona a pecuária.

    Volatilidade climática aumenta custos e riscos

    Além da distribuição irregular de chuvas, o El Niño costuma intensificar a variabilidade ao longo da safra.

    Períodos de excesso podem ser seguidos por estiagens curtas, o que eleva o risco de perdas mesmo em regiões inicialmente favorecidas. Esse comportamento afeta diretamente a produtividade, a qualidade das lavouras e os custos operacionais.

    Com isso, produtores podem enfrentar maior necessidade de replantio, uso intensivo de insumos e manejo mais técnico. Também cresce a demanda por seguro rural e ferramentas de proteção financeira, o que aumenta o custo de produção e adiciona volatilidade aos preços.

    Pressão sobre alimentos pode impactar inflação

    O redesenho climático tem efeito direto sobre os preços dos alimentos. A combinação entre perdas regionais, maior volatilidade internacional e custos logísticos mais elevados tende a pressionar um dos principais componentes da inflação brasileira.

    Em cenários mais intensos, o impacto pode deixar de ser localizado e se espalhar por diferentes cadeias produtivas, ampliando o efeito sobre o custo de vida.

    Agro e energia ampliam efeito econômico

    A combinação entre pressão nos alimentos e aumento do custo da energia amplia o impacto sobre a economia. De um lado, a produção agrícola pode enfrentar perdas ou queda de produtividade. De outro, o setor elétrico pode operar com custos mais elevados.

    Esse cenário reforça o risco inflacionário e pode influenciar decisões de política monetária nos próximos meses.

    Intensidade do fenômeno será decisiva

    O impacto final dependerá da intensidade do El Niño. Um evento moderado tende a gerar efeitos regionais e parcialmente compensatórios. Já um fenômeno mais forte pode sincronizar perdas agrícolas e deterioração energética, ampliando o impacto sobre preços e expectativas.

    Mercado já começa a ajustar projeções

    Entre maio e junho, com maior precisão dos modelos climáticos, o mercado deve recalibrar as expectativas para a safra 2026/27 e para o equilíbrio do sistema elétrico.

    Até lá, o El Niño já se consolida como uma variável relevante na formação de preços, influenciando alimentos, energia e inflação no Brasil.