Tag: incêndio

  • Como o Ibama e os quilombolas Kalunga estão mudando o combate a incêndios no Cerrado

    Como o Ibama e os quilombolas Kalunga estão mudando o combate a incêndios no Cerrado

    O Ibama concluiu, em Engenho II, a primeira etapa das Oficinas de Mapeamento da Cultura do Fogo no Território Kalunga, no interior de Goiás. A iniciativa do Prevfogo integra dados técnicos e saberes tradicionais quilombolas para fortalecer a prevenção de incêndios no Cerrado. As atividades ocorrem em Vão de Almas, nos dias 27 e 28 de março, e em Procópia, nos dias 30 e 31.

    Na comunidade de Engenho II, brigadistas e moradores construíram, de forma coletiva, estratégias locais de proteção territorial. O modelo segue o Manejo Integrado do Fogo (MIF), que orienta o uso planejado e controlado do fogo e substitui a lógica da proibição total.

    Oficina Kalunga
    Foto: Divulgação/Ibama

    A proposta busca reduzir o acúmulo de biomassa seca, proteger nascentes e matas de galeria, preservar Áreas de Proteção Permanente (APPs) e evitar incêndios descontrolados durante o período seco.

    Tecnologia e memória ancestral se integram no mapeamento

    A metodologia do Prevfogo em Goiás cruza dois tipos de conhecimento. De um lado, o Ibama fornece dados técnicos e geoespaciais, como mapas de material combustível, histórico de focos de calor e registros de incêndios e queimas prescritas. De outro, anciãos, lideranças comunitárias e brigadistas quilombolas compartilham saberes sobre a paisagem. Esse processo resulta na construção do chamado “mapa vivo” do território.

    A integração transforma dados técnicos em ações práticas de manejo. O processo respeita os ciclos naturais do Cerrado e os modos tradicionais de uso da terra. Durante as oficinas, os participantes desenham coletivamente sobre mapas georreferenciados em grande escala, o que permite um zoneamento estratégico do território.

    Esse zoneamento define duas categorias principais:

    • Áreas sensíveis, onde o fogo deve ser evitado, como matas de galeria, nascentes, veredas e zonas de extrativismo;
    • Áreas de manejo com fogo, onde a queima planejada reduz material combustível, protege regiões sensíveis e atende demandas da comunidade, como manejo de pastagens e preparo do solo.

    Política nacional reforça o modelo

    A Lei nº 14.944/2024 instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) e colocou a prevenção e a participação comunitária no centro das ações contra incêndios florestais.

    A legislação reconhece o uso seguro e planejado do fogo em ecossistemas adaptados, como o Cerrado. Com isso, o país supera o antigo paradigma do “fogo zero”, que orientou por anos as políticas ambientais brasileiras.

  • Incêndio destrói mil hectares de capim dourado no Jalapão às vésperas da colheita

    Incêndio destrói mil hectares de capim dourado no Jalapão às vésperas da colheita

    Um incêndio de grandes proporções atingiu na última semana cerca de mil hectares de capim dourado na região do Jalapão, em Mateiros, Tocantins, poucos dias antes do início oficial da colheita. A planta é a principal matéria-prima para o artesanato tradicional da região e sustento econômico de centenas de famílias quilombolas e artesãs locais.

    O fogo atingiu áreas de grande importância econômica e cultural para a comunidade, especialmente a quilombola de Mumbuca, ameaçando a renda e o modo de vida de mais de 300 famílias que dependem do capim dourado para produção artesanal. A Festa da Colheita do Capim Dourado, evento tradicional da região, está agendada para ocorrer entre os dias 12 e 14 de setembro, mas sofre impacto devido à destruição causada pelo incêndio.

    Autoridades ambientais conseguiram controlar as chamas, mas o prejuízo já é considerado significativo. Moradores e lideranças expressaram tristeza e preocupação com a perda, ressaltando que o capim dourado é a “base da subsistência” da comunidade. O governo estadual estuda formas de auxílio às famílias afetadas enquanto investiga as causas do incidente, que pode ter sido intencional.

    Este não é o primeiro incêndio que ameaça a região; o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) já monitorava o local desde agosto a fim de proteger o capim dourado, que só pode ser colhido no período oficial entre 20 de setembro e 30 de novembro, garantindo a sustentabilidade da atividade artesanal.

    Conheça o campim dourado

    O capim dourado (Syngonanthus nitens) é uma planta nativa do Cerrado brasileiro, especialmente abundante na região do Jalapão, no Tocantins. Apesar do nome, não pertence à família dos capins ou gramíneas, mas sim à família das sempre-vivas. O capim dourado cresce em “sapatas” que ficam próximas ao solo, com cada sapata produzindo em média duas hastes douradas por ano. Algumas plantas podem gerar até 20 hastes anuais.

    As hastes são finas, brilhantes e têm uma pequena flor branca na ponta. Elas são a matéria-prima essencial para o artesanato local, utilizado em cestos, bolsas, biojoias e objetos decorativos produzidos principalmente por comunidades quilombolas do Jalapão, que usam técnicas artesanais passadas de geração em geração. A colheita dessas hastes acontece entre setembro e novembro, período em que as plantas estão maduras e com maior brilho natural.

    O capim dourado é considerado um recurso sustentável quando manejado corretamente, com queimadas bienais controladas sendo uma prática comum para estimular sua floração e renovação. Essa planta representa não só um valor econômico para muitas famílias, mas também um importante símbolo cultural e ambiental da região do Jalapão.

  • Queimadas em canaviais causam prejuízo de R$ 1.2 bilhão

    Queimadas em canaviais causam prejuízo de R$ 1.2 bilhão

    Os prejuízos causados pelas queimadas em canaviais no Estado de São Paulo podem superar R$ 1.2 bilhão. A Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) atualizou a estimativa de perdas nesta sexta-feira (13).

    Entre 23 de agosto e 10 de setembro, a organização identificou mais de 3 mil focos de incêndio. O balanço revelou que as chamas destruíram mais de 181 mil hectares de cana-de-açúcar e áreas de rebrota no estado de São Paulo.

    “A base de dados utilizada pela Orplana é a de um conjunto de satélites que fazem a verificação das áreas, inclusive com monitoramento de queimadas. Então, pela espectrofotometria é possível ver a diferença das áreas onde tinha cana e onde não tem e também o que aconteceu com a cana, se queimou, se mudou a coloração ou se manteve sem alteração, além da verificação a campo”, explica o CEO da organização, José Guilherme Nogueira.

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    José Guilherme Nogueira, CEO da ORPLANA

    Além disso, Nogueira afirma que o produtor ainda está juntando os cacos para entender os próximos passos. “O custo de implantação na renovação de canavial é por volta de R$ 13,5 mil por hectare. E mesmo naquela rebrota que ainda continuar viável, que não precisar do replantio, pode ser que precise de manejo e nutrientes, em que os custos também impactarão. Isso porque, o colchão de palha que havia ali auxiliava contra plantas daninhas, na retenção de água e na matéria orgânica do solo”, explica. “Além disso, as rebrotas de cana de 3 e 4 meses viraram pó, causando um acúmulo de cinzas, que também precisará de manejo na área”, reforça.

    Sem previsão dos impactos

    Os impactos das queimadas em canaviais para a próxima safra são imprevistos. “A taxa de plantio, a área a ser disponibilizada para colheita no próximo ano e o cenário de clima seco, podem sim impactar a safra futura, mas ainda é muito cedo para qualquer previsão, pois vamos depender de como virão as chuvas e climas para os próximos meses”, conclui Nogueira.

    A Orplana conta, atualmente, com 35 associações de fornecedores de cana e representa mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar.

  • Brasileiro é acusado por incêndio “incontrolável” no Paraguai

    Brasileiro é acusado por incêndio “incontrolável” no Paraguai

    Um incêndio florestal de grandes proporções está devastando a região de Chovoreca, na fronteira com a Bolívia, e preocupa os bombeiros voluntários que tentam controlar as chamas. O fogo, que já consumiu mais de 100 mil hectares, é descrito como “incontrolável” devido às condições climáticas adversas, como ventos fortes e baixa umidade. Ray Mendoza, capitão dos voluntários do Corpo de Bombeiros afirmou que“ o terreno é de difícil acesso e com limitação de água”.

    Origem do incêndio

    O incêndio teria começado na semana passada, conforme relatos de moradores, como resultado de atividades de limpeza na fazenda Clemencia S.A., supostamente de propriedade do brasileiro Tomás Reis. Os moradores acreditam que o incêndio foi intencional, pois alertaram o proprietário sobre os riscos da queimada, especialmente considerando o clima seco.

    A área afetada é um habitat protegido do povo indígena Totobiegosode, que permanece isolado da população. A fumaça do incêndio se espalhou até a capital, Assunção, comprometendo severamente a qualidade do ar e causando uma devastação ambiental alarmante.

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    Atualmente, a concentração de PM2,5 em Assunção supera em 13,6 vezes o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), resultando em níveis de poluição prejudiciais à saúde.

    Reprodução: RadioUno

    Reações e Recomendações

    O Ministério da Saúde do Paraguai emitiu recomendações para reduzir as atividades ao ar livre, principalmente aquelas que exigem esforço físico intenso, devido à situação atual. A previsão do tempo, que indica temperaturas elevadas entre 31 e 41 graus Celsius sem expectativa de chuvas, reforça a necessidade dessas medidas.

    Enquanto isso, brigadas de bombeiros florestais da Secretaria Nacional de Emergência e dos Bombeiros Voluntários estão trabalhando na região para combater os incêndios. No entanto, a fumaça densa continua a se espalhar, afetando ainda mais a qualidade do ar em áreas adjacentes, incluindo partes da Bolívia e do Brasil.

  • Mapa remaneja recursos do Plano Safra para replantio de cana

    Mapa remaneja recursos do Plano Safra para replantio de cana

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou medidas para recuperar áreas agrícolas atingidas por queimadas no Brasil. Ou seja, uma nova linha de crédito, focada no replantio de cana-de-açúcar, está sendo estruturada. Primeiramente, a medida visa ajudar produtores que sofreram perdas significativas, especialmente no estado de São Paulo, onde lavouras inteiras foram destruídas.

    Necessidade de replantio

    Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a Secretaria de Política Agrícola (SPA) está avaliando os danos causados pelos incêndios nas lavouras. O primeiro diagnóstico revelou a necessidade urgente de replantio da cana-de-açúcar, fundamental para a próxima safra. Além disso, Fávaro destacou que haverá um remanejamento de recursos do Plano Safra atual, o maior da história, para financiar esse replantio.

    “A situação em São Paulo é crítica. Muitas lavouras que já estavam em fase vegetativa foram destruídas pelas queimadas, exigindo replantio imediato”, explicou o ministro. A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), estima que os incêndios atingiram cerca de 80 mil hectares de cana-de-açúcar..

    Liderança mundial

    O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e líder nas exportações do setor sucroalcooleiro. Em resumo, este ano, as exportações de açúcar bruto ultrapassaram US$ 8,69 bilhões, marcando um recorde histórico.

    Além do crédito para replantio, outras medidas estão sendo estudadas para apoiar os produtores. “Ainda estamos avaliando as perdas e planejando as ações necessárias. Há muito trabalho pela frente”, afirmou Fávaro.

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    Por fim, o ministro também destacou a importância da conscientização sobre as mudanças climáticas. “Estamos saindo de uma crise no Rio Grande do Sul e agora enfrentamos os impactos das queimadas. Não podemos mais ignorar a questão das mudanças climáticas. O governo está comprometido com a preservação do meio ambiente, nosso maior ativo”, concluiu Fávaro.

     

  • Queimadas destroem plantações e preocupam os produtores

    Queimadas destroem plantações e preocupam os produtores

    As queimadas que atingem a região de Ribeirão Preto, no interior paulista, estão causando grandes prejuízos e aumentando a preocupação entre os produtores de cana-de-açúcar. Na última quinta-feira (22), um incêndio de grandes proporções devastou propriedades em Sertãozinho, deixando um rastro de destruição e prejuízos ainda incalculáveis.

    Incêndios

    As chamas, que se espalharam rapidamente pelo canavial próximo à Rodovia Armando de Sales Oliveira (SP-322), obrigaram a evacuação imediata de sedes e casas das propriedades atingidas. Além disso, funcionários do Bio Parque Santa Elisa também precisaram deixar o local por questões de segurança.

    “Tentamos conter o fogo, mas a seca e o vento forte dificultaram o trabalho. Conseguimos apenas salvar a sede, onde estavam meus pais, funcionários e crianças. Felizmente, ninguém se feriu”, relatou o produtor Marco Guidi, que inalou muita fumaça e precisou ser hospitalizado por três horas.

    Guidi ainda não sabe se a cana voltará a brotar. “O fogo destruiu a camada de húmus da terra, essencial para o cultivo. Além disso, perdi R$ 40 mil investidos em adubo líquido e mudas. Minha propriedade está praticamente inoperante”, lamentou.

    Marcos Paulo Meloni, proprietário dos sítios São Pedro e São Luiz, também enfrenta incertezas. “A cana já estava com dificuldade para brotar por causa da seca. Com o fogo, agora só com reforma. Este ano, o custo médio por alqueire foi de R$ 24 mil. Não faço ideia de quanto será no próximo ano”, desabafou.

    Apesar do desespero, o produtor José Rogério Sanches Soto conseguiu apagar o fogo na área de reserva de sua propriedade, evitando que as chamas atingissem as casas.

    Gabriel Merlo Galdeano, que não teve sua propriedade atingida, foi um dos primeiros a perceber o incêndio. “Eu estava trabalhando na lavoura quando vi o fogo e avisei o grupo da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste) e o Plano de Auxílio Mútuo (PAM). Logo depois, outro foco surgiu, e o fogo se espalhou rapidamente. Suspeito que o incêndio tenha sido criminoso”, afirmou.

    PAM

    O PAM, mencionado por Galdeano, é um programa que coordena ações para combater incêndios e minimizar riscos. Almir Torcato, gestor executivo da Canaoeste, explicou que a associação oferece aos membros um sistema de monitoramento via satélite. “Os incêndios são combatidos com um plano integrado entre os produtores, utilizando informações de satélite. Monitoramos as propriedades dos associados e áreas públicas”, destacou Torcato.

    Ele enfatizou que os produtores não têm interesse em incendiar suas plantações, uma prática abandonada desde 2017, quando o setor passou a adotar a colheita mecanizada. “O setor não mede esforços para combater os focos de incêndio, que prejudicam o meio ambiente e causam enormes prejuízos financeiros”, acrescentou.

    Torcato alertou para as condições climáticas que favorecem a proliferação de incêndios nesta época do ano. Além disso, ele destacou a necessidade de conscientização da população, especialmente sobre evitar o descarte de cigarros e a realização de churrascos em áreas próximas às plantações.

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    Queimadas

    A Canaoeste emitiu uma nota de repúdio aos incêndios criminosos que vêm afetando propriedades rurais na região. No documento, a associação reforça que os produtores e usinas não são responsáveis pelos incêndios. Desde o protocolo “Etanol Mais Verde”, firmado em 2017, o setor se comprometeu com a preservação ambiental e a eliminação das queimadas como método de colheita.

    A associação também explicou os impactos dos incêndios nas lavouras de cana. “Um canavial atingido pelo fogo pode se deteriorar em poucos dias, resultando em perda da qualidade dos açúcares, aumento de impurezas e decomposição dos tecidos vegetais, tornando a cana inadequada para o processamento industrial”, afirmou.

    Além disso, os incêndios ainda geram prejuízos econômicos diretos aos produtores, além de implicações legais. Em resumo, as multas podem variar de R$ 1.000,00 a R$ 7.000,00 por hectare queimado, sem contar a obrigação de reparação dos danos ambientais e a responsabilização criminal.

    Por fim, Torcato pediu o apoio da população e das autoridades para identificar os responsáveis pelos incêndios e reforçar o combate ao fogo na região. Ele também apelou à Polícia Militar Ambiental para que a responsabilização dos produtores só ocorra com provas concretas. “Punir injustamente quem já sofre com os prejuízos não é justo”, concluiu a associação.

     

  • FAB lança 336 mil litros de água no Pantanal

    FAB lança 336 mil litros de água no Pantanal

    Desde o dia 28 de junho, a Força Aérea Brasileira (FAB) lançou 336 mil litros de água para combater incêndios no Pantanal. Somente nesta quinta-feira (11), em dois voos, foram despejados 24 mil litros de água em áreas atingidas pelo fogo.

    Combate ao incêndio no pantanal

    A FAB opera com o Sistema Modular Aerotransportável de Combate a Incêndios (MAFFS), que usa um tubo para projetar água pela porta traseira esquerda do avião, descarregando até 12 mil litros em áreas de incêndio.

    O major aviador Rafael Portella Santos, comandante da missão no Pantanal Sul-Mato-Grossense, destacou que esta é a primeira vez que a FAB usa o sistema MAFFS no KC-390 Millennium em uma situação real. “Realizamos diversos treinamentos simulados para que nossos pilotos e tripulantes estivessem preparados para este momento”, afirmou Santos.

    A operação com o sistema MAFFS ocorre em etapas. Primeiro, há a coordenação em solo para identificar os pontos críticos. Em seguida, a equipe visualiza o local, avalia os riscos para as aeronaves e mantém contato com a equipe em terra. Após a primeira passagem, que visa a precisão e segurança, a aeronave sobrevoa novamente para lançar a água.

    Depois de cada lançamento, a aeronave retorna para reabastecimento e pode decolar novamente em cerca de 40 minutos.

    Desde o início da missão, a FAB já realizou 28 voos de apoio ao Pantanal, totalizando 28 horas e 35 minutos de voo.

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  • Como declaração de emergência afeta agropecuária

    Como declaração de emergência afeta agropecuária

    Nesta segunda-feira (24), o governo de Mato Grosso do Sul decretou situação de emergência nos municípios afetados pelos intensos incêndios florestais que assolam o estado. A medida, com prazo de 180 dias, permite a atuação coordenada dos órgãos estaduais sob a supervisão da Defesa Civil Estadual para resposta imediata ao desastre, reabilitação do cenário e reconstrução das áreas afetadas.

    Desde o início do ano, Mato Grosso do Sul enfrenta uma severa seca, com prolongada estiagem que tem exacerbado as condições de seca, conforme relatório do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Esse cenário tem contribuído para um aumento exponencial nos focos de calor detectados no estado desde o final de maio.

    Voluntários

    O decreto também autoriza a convocação de voluntários para reforçar as operações de resposta, além da realização de campanhas de arrecadação de recursos destinadas a facilitar a assistência à população afetada. Sob a coordenação da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEPDEC/MS), as autoridades poderão, por exemplo, mobilizar recursos adicionais para enfrentar a crise.

    Além disso, em áreas de risco iminente, o texto autoriza agentes de defesa civil a entrar em residências para prestar socorro ou ordenar evacuações urgentes. Utilizar propriedades particulares em caso de perigo público iminente, com posterior indenização aos proprietários afetados, também é possível.

    Nos últimos 12 meses, um aumento dramático nos focos de fogo tem particularmente afetado o Pantanal, a maior área úmida contínua do planeta. O Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 9.014 ocorrências no período. Isso significa quase sete vezes mais do que no mesmo período do ano anterior.

    A situação crítica também foi reconhecida pela Agência Nacional de Águas (ANA), que declarou escassez quantitativa dos recursos hídricos na região hidrográfica do Paraguai até 31 de outubro de 2024, devido à seca extraordinária.

    Uma pesquisa recente da rede MapBiomas revelou que o Pantanal é o bioma mais afetado por queimadas nos últimos 39 anos. Ou seja, 9 milhões de hectares queimados, representando 59,2% do território que abrange Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O município de Corumbá, nesse período, foi o mais atingido por queimadas em todo o país.

    Prejuízo para agropecuária pantaneira

    Os danos ambientais e econômicos são significativos. A estimativa é de que os prejuízos sejam superiores a R$ 17 bilhões para a agropecuária pantaneira, conforme destacado pelo governo estadual no decreto emergencial. A situação requer esforços conjuntos e medidas urgentes para minimizar os impactos devastadores sobre o meio ambiente, a vida selvagem, e as comunidades locais.