Tag: impacto ambiental

  • Nova companhia investe em fertilizantes minerais brasileiros para reduzir impacto ambiental no campo

    Nova companhia investe em fertilizantes minerais brasileiros para reduzir impacto ambiental no campo

    A união entre Massari Fértil e Morro Verde marca um novo passo na transição para uma agricultura mais sustentável. A nova companhia reforça os investimentos em fertilizantes minerais mistos naturais desenvolvidos com base em ativos geológicos brasileiros e adaptados à realidade dos solos tropicais, combinando eficiência agronômica e menor impacto ambiental.

    Mais do que ampliar a escala produtiva, a empresa consolida a inovação mineral como eixo tecnológico de crescimento. Com operação verticalizada, do processo de mineração à formulação final, a companhia garante qualidade, rastreabilidade e controle sobre toda a cadeia produtiva, além de reduzir a dependência de insumos importados.

    Os fertilizantes naturais que a empresa produz liberam nutrientes de forma gradual, o que melhora o equilíbrio nutricional das plantas e reduz as perdas por lixiviação. Essa característica é especialmente importante em solos tropicais, conhecidos pela acidez elevada e baixa disponibilidade de fósforo. Fatores que influenciam diretamente a produtividade.

    Pesquisas da Embrapa reforçam que o manejo nutricional eficiente é determinante para o desempenho agrícola em ambientes tropicais. Tecnologias adaptadas às condições químicas e climáticas do Brasil garantem maior estabilidade produtiva no longo prazo.

    “A inovação no agro precisa refletir a realidade do solo brasileiro. Ao investir em formulações baseadas em minerais nacionais e pesquisa aplicada, desenvolvemos soluções que unem produtividade, equilíbrio nutricional e menor pegada ambiental”, afirma George Fernandes, CEO da Morro Verde.

    Desafio estratégico

    O movimento também responde a um desafio estratégico do país: o alto índice de importação de fertilizantes. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), entre 85% e 90% dos fertilizantes usados no Brasil vêm do exterior. Essa dependência aumenta custos, emissões do transporte de longa distância e vulnerabilidade às oscilações cambiais e geopolíticas.

    Ao priorizar fósforo e corretivos minerais nacionais, a nova companhia encurta cadeias logísticas, reduz emissões e fortalece o uso de recursos minerais brasileiros. A estratégia está alinhada às metas do Plano Nacional de Fertilizantes, que busca ampliar a produção doméstica e reduzir a exposição externa do setor.

    Com a integração das operações, a empresa cria uma plataforma tecnológica única, capaz de transformar ativos geológicos em soluções agrícolas de maior valor agregado. A verticalização acelera o desenvolvimento de produtos, amplia os testes regionais e fortalece o uso de inteligência agronômica nas recomendações técnicas.

    A expectativa é que, nos próximos três anos, a companhia consolide a maior plataforma nacional de fertilizantes minerais mistos naturais, unindo liderança de mercado, inovação aplicada e compromisso ambiental.

    “O Brasil tem recursos minerais estratégicos e conhecimento técnico para produzir fertilizantes sob medida para sua realidade. Inovação mineral significa produzir mais com menos impacto e fortalecer a soberania do agro brasileiro”, ressalta Sérgio Saurin, fundador e CEO da Massari Fértil.

    Ao colocar sustentabilidade e ciência aplicada no centro da estratégia, a nova empresa reforça um modelo que alia eficiência agrícola, segurança alimentar e responsabilidade ambiental. Pilares essenciais para o futuro do agronegócio brasileiro.

  • Brasil bate recorde de registros de bioinsumos

    Brasil bate recorde de registros de bioinsumos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encerrou 2025 com recorde histórico de registros de bioinsumos e avanços na modernização regulatória de agrotóxicos. Segundo dados publicados no Ato nº 63 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA/SDA/Mapa), o país registrou 912 novos produtos ao longo do ano, consolidando a liderança brasileira em inovação e segurança fitossanitária.

    Dos registros concedidos, 323 correspondem a produtos técnicos, destinados ao uso industrial, enquanto 162 são bioinsumos, o maior volume já contabilizado no Brasil. A categoria inclui produtos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais e reguladores de crescimento, com aplicações inclusive na produção orgânica.

    Além disso, o Mapa aprovou seis ingredientes ativos inéditos (Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram) e 19 formulações baseadas em moléculas novas, reforçando a modernização da base de defensivos agrícolas no país.

    Inovação e competitividade no campo

    A introdução de novos ingredientes ativos fortalece o manejo integrado de pragas, reduz riscos de resistência e amplia as opções de controle fitossanitário. Segundo o ministério, essas incorporações estimulam a pesquisa nacional e colocam o agronegócio brasileiro em posição de destaque no mercado global.

    Os produtos equivalentes, versões genéricas que promovem concorrência e reduzem custos, representaram a maior parte dos registros. Parte dessas liberações resultou de decisões judiciais associadas a processos antigos, protocolados entre 2015 e 2016.

    Modernização do marco regulatório

    Para garantir maior transparência e eficiência, o Mapa publicou o Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, que centraliza o protocolo de registros por meio do Sistema Eletrônico de Informações (SEI/Mapa). Desde setembro, todos os novos pedidos passaram a tramitar exclusivamente pela plataforma digital, substituindo registros diretos na Anvisa e no Ibama.

    A medida também prioriza produtos com menor impacto ambiental e à saúde humana. Porém, sem alterar a tramitação dos processos antigos, o que reforça a segurança jurídica do setor.

    O ministério reforça que o número de registros não indica aumento automático no uso de defensivos. A aplicação depende de fatores técnicos, como área plantada, manejo de pragas e condições climáticas. Em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos e 13,6% dos ingredientes ativos registrados não chegaram a ser comercializados.

    Mais fiscalização e controle

    Em 2025, o Mapa intensificou a fiscalização e a revisão técnica de produtos, publicando chamamentos públicos e o Ato nº 61, que suspendeu 34 registros de agrotóxicos. As ações envolveram revisões sobre ingredientes como Glifosato, 2,4-D, Atrazina e Acefato, além da apreensão de 1.946 litros de produtos ilegais durante operações de campo.

    O registro no Brasil continua a seguir um processo tripartite rigoroso, com avaliações da Anvisa, Ibama e Mapa, que consideram impactos à saúde, ao meio ambiente e à eficácia agronômica.

    O balanço de 2025 integra as ações iniciadas pela Lei nº 14.785/2023, que introduziu o modelo de protocolo único e rastreabilidade. Para 2026, o ministério planeja lançar o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), em parceria com Anvisa e Ibama, consolidando o avanço digital da regulação.

    Segundo a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Edilene Cambraia Soares, “o país reforça sua liderança global ao combinar transparência, segurança e inovação. Com destaque para a expansão dos bioinsumos como pilar da agricultura sustentável”.

  • Tambaqui com curimba aumenta produção em 25% na Amazônia

    Tambaqui com curimba aumenta produção em 25% na Amazônia

    A criação integrada de tambaqui com curimba representa uma revolução sustentável para a piscicultura amazônica. Levantamento inédito da Embrapa Pesca e Aquicultura demonstra que esse modelo de produção é 25% mais produtivo do que o cultivo isolado de tambaqui, além de reduzir significativamente os impactos ambientais da atividade.

    Foto: Embrapa

    Publicado na revista científica Aquaculture, o estudo avaliou os benefícios da aquicultura multitrófica integrada (AMTI) – sistema que cultiva diferentes espécies aquáticas no mesmo ambiente, imitando ecossistemas naturais para otimizar o aproveitamento de nutrientes.

    Vantagens ambientais superam outras atividades agropecuárias

    Os números impressionam quando comparados a outras formas de produção de proteína animal. Para gerar 1 kg de proteína, a pecuária bovina demanda 434,88% mais terra do que a piscicultura de tambaqui. A avicultura requer 48,84% a mais de espaço, enquanto a suinocultura necessita de 72,09% além do utilizado pela aquicultura.

    “A aquicultura pode ser uma alternativa para a diminuição da pressão de abertura de novos espaços para a produção agropecuária no bioma amazônico”, afirma a pesquisadora Adriana Ferreira Lima, da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    Os dados corroboram pesquisa publicada pela revista Nature Sustainability em janeiro de 2025, conduzida por cientistas brasileiros e americanos, que identificou vantagens da criação de peixes na região amazônica em comparação ao gado.

    Por que curimba e tambaqui formam a dupla ideal

    A escolha da curimba como espécie complementar ao tambaqui não foi aleatória. De formato alongado e comercializada entre 500g e 1kg em mercados do Pará e regiões ribeirinhas, a curimba é atualmente a segunda espécie de peixe mais exportada pelo Brasil.

    “A curimba possui um perfil ecológico que complementa a função do tambaqui. É um peixe de fundo, responsável por consumir as sobras de ração e alimentos presentes no sedimento do viveiro”, explica Lima.

    O diferencial está na sinergia entre as espécies: enquanto o tambaqui se alimenta na coluna d’água, a curimba aproveita recursos do fundo do viveiro, transformando em proteína animal aquilo que seria descartado no monocultivo. Essa complementaridade não afeta o crescimento do tambaqui – pelo contrário, potencializa a produção total.

    Mesma ração, mais proteína

    Um dos achados mais relevantes da pesquisa foi constatar que a curimba se desenvolve com a mesma quantidade de ração destinada ao monocultivo do tambaqui. Com proporção de aproximadamente 50% de alevinos de cada espécie, o viveiro produziu 25% a mais de proteína por hectare, sem necessidade de aumentar insumos.

    No experimento realizado em viveiros de 600 metros quadrados, o tambaqui atingiu 1,8kg (peso de comercialização no Tocantins e outros estados do Norte), enquanto a curimba chegou a 200g. Para pequenos produtores, essa diferença não representa problema, já que as espécies têm mercados distintos e é possível realizar despescas em momentos diferentes.

    Impacto ambiental reduzido em diversos indicadores

    A análise de ciclo de vida (ACV) revelou que o cultivo integrado supera o monocultivo em múltiplos aspectos ambientais:

    • Emissões de carbono: redução de 4,27kg para 3,9kg de CO2 por quilo de peixe produzido
    • Uso da terra: diminuição de 17%
    • Acidificação: redução de 12%
    • Dependência de água: queda de 38,57%
    • Demanda de energia: redução de 13,30%
    • Eutrofização de água doce: diminuição de 21%
    • Impacto nas mudanças climáticas: redução de 9%

    “Esses resultados destacam o sistema AMTI como uma alternativa mais sustentável à monocultura convencional de tambaqui”, ressalta a pesquisadora.

    Metodologia científica robusta

    A pesquisa considerou todos os custos ambientais da produção, incluindo recursos necessários para fabricação de insumos como ração (plantio de soja e milho), construção de viveiros e outros fatores. A avaliação abrangeu desde a alevinagem até a comercialização, em condições próximas às do setor produtivo comercial.

    Mesmo computando todos esses custos, o impacto da piscicultura mostrou-se substancialmente menor do que outras atividades agropecuárias.

    Futuro promissor para sistemas integrados

    Lima destaca que o Brasil ainda possui poucas iniciativas de cultivo integrado na aquicultura, diferentemente de países como China e Índia, onde a prática é comum. A falta de dados científicos tem sido o principal obstáculo para a adoção do modelo.

    Pesquisadora Adriana Lima. Foto: Embrapa

    “Nós acreditamos que demos um passo importante para o estudo do cultivo integrado, o que abre portas para a combinação de outras espécies, como tambaqui, curimba e camarão”, afirma a cientista.

    Atualmente, a produção de tambaqui aproveita apenas 30% a 40% do nitrogênio e fósforo disponíveis – o restante é perdido para a atmosfera ou água. Com o sistema integrado, a eficiência de recuperação de biomassa animal aumenta significativamente, transformando resíduos em proteína de qualidade.

    Perspectivas para o setor

    A pesquisa responde dúvidas comuns dos produtores sobre o cultivo integrado: se a curimba prejudica o crescimento do tambaqui, se é necessário aumentar a quantidade de ração e qual proporção ideal de cada espécie no viveiro.

    Experiências de integração já existem em outras regiões do Brasil, como o cultivo de tilápia com camarão-gigante-da-Malásia no Paraná e Sudeste, além de sistemas que integram pecuária com fruticultura utilizando água da aquicultura para irrigação.

    “Há um longo caminho pela frente”, conclui Lima, apontando a necessidade de estudos que avaliem todos os impactos dos sistemas integrados, incluindo o aproveitamento da água para irrigação agrícola.

    Para o bioma amazônico, a mensagem é clara. A piscicultura integrada representa solução viável, produtiva e sustentável para a produção de proteína animal. Com potencial para reduzir pressões sobre novas áreas de floresta.

  • EPA aprova novo herbicida glufosinato-P

    EPA aprova novo herbicida glufosinato-P

    A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou em 2024 a aprovação do glufosinato-P, um novo ingrediente ativo herbicida que promete ser uma alternativa viável ao dicamba, anteriormente restringido devido a preocupações com a saúde e o meio ambiente. A decisão marca um avanço na gestão de ervas daninhas, especialmente para culturas como milho, soja, algodão e canola.

    O glufosinato-P atua como um herbicida de amplo espectro, interferindo na fotossíntese das plantas e provocando a acumulação de amônia em níveis tóxicos. Ele se destaca por sua aplicação pós-emergente flexível, útil em culturas resistentes ao glufosinato, e é eficiente com uma menor taxa de aplicação, reduzindo a quantidade de químicos dispersos no ambiente.

    A novidade é considerada um avanço para os agricultores, que agora contam com uma solução mais eficiente e ambientalmente consciente. O glufosinato-P exige cerca de metade da quantidade de produto em comparação com opções anteriores, resultando em menor impacto ambiental. A EPA destaca que a inovação faz parte de uma nova estratégia para proteger espécies ameaçadas e promover a conservação ambiental.

    Avaliações de saúde e impacto ambiental

    Antes da aprovação, a EPA realizou análises rigorosas para verificar os possíveis riscos do herbicida. Enquanto os resultados não apontaram ameaças diretas à saúde humana, foram detectados riscos potenciais para algumas plantas e espécies animais, incluindo invertebrados terrestres e mamíferos. Em resposta, a EPA introduziu instruções de uso específicas para mitigar esses riscos, como a implementação de zonas de proteção de 10 pés para evitar a deriva de pulverização.

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    Entidades agrícolas expressaram preocupações com as restrições adicionais. A American Soybean Association (ASA) criticou as medidas, alegando que impõem desafios regulatórios injustos aos agricultores. Alan Meadows, da ASA, afirmou que a EPA cedeu a pressões ambientais, prejudicando os interesses dos produtores rurais. “Essas limitações ultrapassam as avaliações de segurança já existentes e estabelecem um precedente preocupante”, comentou.

    Medidas mitigatórias e perspectivas futuras

    A EPA esclareceu que as novas diretrizes têm como objetivo proteger habitats críticos e minimizar impactos negativos. Entre as precauções estão buffers para evitar a contaminação de áreas sensíveis. O glufosinato-P representa um marco na agricultura sustentável, equilibrando produtividade com responsabilidade ecológica e servindo de modelo para futuras aprovações de herbicidas sob o novo Quadro Estratégico de Herbicidas da agência.

    A decisão evidencia um esforço para conciliar a necessidade de controle de ervas daninhas com a preservação de espécies e ecossistemas, estabelecendo um padrão que poderá orientar políticas agrícolas e ambientais nos próximos anos.

  • Cientistas desenvolvem inseticida sustentável com nanotecnologia

    Cientistas desenvolvem inseticida sustentável com nanotecnologia

    Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciaram o desenvolvimento de um inseticida sustentável que utiliza nanotecnologia para aumentar a eficiência no combate a pragas. O novo produto encapsula a molécula inseticida tiametoxam em nanomicelas poliméricas, estruturas menores que um bilionésimo de metro,. Isso permite um controle mais eficaz do psilídeo, vetor responsável pela disseminação do greening nos citros.

    Os estudos demonstraram que a aplicação do nanopesticida pode ser até duas vezes mais eficaz do que os pesticidas convencionais. Entretanto, utilizando em média apenas metade da quantidade necessária nas aplicações tradicionais. Essa liberação controlada do princípio ativo não só minimiza perdas do produto, mas também reduz os impactos ambientais associados ao uso de inseticidas.

    Avaliação da Eficácia

    A eficácia do novo nanoinseticida foi testada em casas de vegetação, onde os pesquisadores controlaram o inseto Diaphorina citri. Ele dissemina a bactéria causadora do greening, uma doença incurável que afeta todas as plantas cítricas. A analista da Embrapa, Marcia Assalin, coordenadora do estudo, destacou que “os resultados indicaram que as nanoestruturas foram eficazes com uma dose aproximadamente duas vezes menor comparada às formulações comerciais”.

    Além de aumentar a eficácia, o novo produto pode reduzir o número de aplicações necessárias, atenuar o desenvolvimento de resistência das pragas e diminuir o impacto ambiental. Portanto, resultando em menores custos para os agricultores.

    De acordo com Ljubica Tasic, professora da Unicamp, o nanoinseticida apresentou baixa toxicidade a organismos aquáticos, conforme estudos de ecotoxicidade com Raphidocelis subcapitata e Artemia salina. “O produto representa uma das maneiras pelas quais a nanotecnologia pode promover práticas agrícolas mais sustentáveis”, afirma Tasic.

    A agricultura sustentável deve garantir a capacidade de suprir as necessidades de produção e qualidade de vida para as gerações futuras. E também aumentar o rendimento agrícola com menos recursos, ao mesmo tempo que reduz seu impacto ambiental.

    Desafios e Futuro do Produto

    Embora o desenvolvimento do inseticida seja promissor, o produto ainda precisa passar por novos testes antes de chegar ao mercado. Assalin ressalta que a aplicação convencional de inseticidas enfrenta desafios, como perdas devido a técnicas de aplicação inadequadas e condições ambientais adversas. Isso resulta em custos elevados e riscos de contaminação de corpos hídricos.

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    As formulações de pesticidas nanoencapsulados prometem uma liberação controlada e proteção contra degradação prematura, permitindo um uso mais eficiente e sustentável do inseticida convencional. A avaliação da efetividade dessas formulações é essencial para viabilizar seu uso na agricultura. Estudos sobre os impactos nos seres humanos e no meio ambiente devem ser realizados.

    Com a crescente demanda por soluções agrícolas que minimizem os efeitos nocivos ao meio ambiente, o desenvolvimento de inseticidas sustentáveis como o nanopesticida da Embrapa e Unicamp pode representar um avanço significativo na proteção das culturas e na promoção da sustentabilidade agrícola.

  • Jeans sustentável: tecido criado a partir de algas marinhas

    Jeans sustentável: tecido criado a partir de algas marinhas

    A indústria têxtil brasileira, a quinta maior do mundo e a quarta maior produtora de denim, tecido usado na confecção do jeans, enfrenta um desafio cada vez mais urgente: a geração de cerca de 160 mil toneladas de resíduos por ano no país. Com isso, cresce a pressão por soluções sustentáveis que reduzam o impacto ambiental sem comprometer a competitividade do setor.

    Fibra biodegradável feita de algas

    Para mitigar esse problema, a startup Phycolabs desenvolveu uma fibra têxtil biodegradável a partir do hidrocoloide extraído de algas marinhas vermelhas. Segundo a empresa, a inovação representa um avanço importante para reduzir o volume de descarte e ampliar a circularidade na moda.

    “Estou ansiosa para ver o tecido no mercado da moda”, afirma Thamires Pontes, estilista e CEO da Phycolabs. De acordo com ela, o produto deve chegar em breve às coleções de marcas preocupadas com sustentabilidade.

    A ideia surgiu após a constatação de que as algas vermelhas do tipo Rhodophyta, abundantes no litoral do Nordeste, podem gerar um material com alta performance. Além disso, essas algas capturam de cinco a vinte vezes mais carbono da atmosfera que as plantas terrestres, o que reforça o ganho ambiental da iniciativa.

    Parceria e reconhecimento

    A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Unidade Embrapii do Instituto SENAI, o que garantiu apoio técnico e estrutura laboratorial para a inovação. Graças a essa colaboração, a startup criou uma fibra biodegradável capaz de viabilizar o jeans sustentável em escala industrial.

    “Já recebemos prêmios e reconhecimentos com essa iniciativa, e tudo indica que o produto é diferenciado e ecológico”, afirmam os pesquisadores Adriano Alves Passos e Igor Lopes Soares, que integram o projeto.

    Economia azul

    O uso de algas marinhas na indústria têxtil também se conecta à economia azul, conceito que valoriza o aproveitamento sustentável dos recursos oceânicos. Dessa forma, o projeto estimula a criação de empregos e meios de subsistência, enquanto preserva os ecossistemas marinhos. Por outro lado, o modelo ainda enfrenta desafios para escalar a produção e reduzir custos.

    Substituição de materiais poluentes

    Ao mesmo tempo, a nova fibra pode substituir materiais derivados do petróleo, como poliéster, nylon, acrílico e elastano — todos poluentes e de origem não renovável. Portanto, a iniciativa representa não apenas uma alternativa técnica, mas também um posicionamento ético diante da crise climática.

    “Adotar uma abordagem ecológica na linha de produtos atrai consumidores conscientes e alinhados com a sustentabilidade”, afirma Thamires Pontes. Segundo ela, o futuro da moda depende de inovação com responsabilidade.