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  • Pesquisadores descobrem duas novas espécies de minhocas

    Pesquisadores descobrem duas novas espécies de minhocas

    Pesquisadores identificaram duas espécies de minhocas até então desconhecidas pela ciência na Fazenda Canchim, sede da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). A descoberta, publicada em abril na revista internacional Zootaxa, coloca o Brasil mais perto de mapear a riquíssima e ainda pouco conhecida fauna de oligoquetas do país.

    As duas espécies pertencem à família Glossoscolecidae: a Fimoscolex bernardii sp. nov. e a Glossoscolex (Glossoscolex) canchim sp. nov. Os animais habitam áreas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e lavouras sob plantio direto, sistemas agrícolas reconhecidos por sua menor perturbação do solo.

    O artigo tem a assinatura da pesquisadora Marie Luise Carolina Bartz, do Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); do pesquisador George Brown, da Embrapa Florestas; e de Lilianne Maia Bruz, do Programa de Pós-Graduação em Solos da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

    Bioindicadoras da qualidade do solo

    Minhocas figuram entre os organismos mais relevantes da fauna edáfica. Atuam como engenheiras do ecossistema. Ou seja, abrem canais no solo, fragmentam resíduos vegetais, transportam microrganismos e misturam matéria orgânica com minerais. E sua presença ou ausência indica o estado de saúde do ambiente em que vivem.

    “Espécies nativas geralmente estão associadas a habitats menos perturbados, enquanto formas exóticas ou invasoras tendem a dominar solos manejados. O registro da diversidade de minhocas em sistemas integrados é essencial para relacionar as respostas biológicas do solo à intensidade do manejo e à sustentabilidade a longo prazo”, afirma George Brown.

    Para Bartz, o achado demonstra que a produção agrícola e a conservação da vida no solo podem andar juntas. “As minhocas são organismos-chave e sua presença indica que esses sistemas estão funcionando biologicamente. Isso reforça que práticas como o plantio direto e os sistemas integrados não apenas produzem alimentos, mas também mantêm a biodiversidade nativa brasileira”, diz a pesquisadora. “O impacto é muito positivo. Isso muda a forma como vemos a agricultura. Ela deixa de ser apenas produtiva e passa a ser também conservacionista.”

    Da coleta à publicação

    A história desta descoberta começa em 2018, quando Brown, Bartz, Bruz e equipe visitaram a Embrapa Pecuária Sudeste para avaliar a influência dos sistemas integrados sobre a qualidade do solo e as populações de minhocas. Os dados gerados a partir dessas coletas também alimentaram a tese de doutorado de Lilianne Bruz.

    “Há ainda muitas respostas que precisam ser dadas. Para isso, procuramos especialistas que atuam em outros temas para entender melhor esses sistemas, que são muito complexos”, ressalta o pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste, homenageado no nome de uma das espécies.

    Os resultados mostraram que os sistemas integrados aumentam a abundância de minhocas, tanto nativas quanto exóticas. “O fato de termos encontrado minhocas nativas em áreas amplamente perturbadas indica que os sistemas integrados utilizados na Embrapa possibilitam a conservação dessas espécies”, explica Bruz.

    A coleta ocorreu em múltiplos ambientes da Fazenda Canchim; sistemas ILPF, ILP, IPF, pastagem extensiva, pastagem intensiva e cultura de milho irrigado sob plantio direto. Técnicos retiraram os animais manualmente, contaram, separaram e os avaliaram quantitativa e qualitativamente. Após análise das características externas, realizaram dissecção dorsal para examinar as estruturas anatômicas internas.

    Os espécimes estão depositados na Coleção Fritz Müller de Oligoquetas (COFM) da Embrapa Florestas, em Colombo (PR), com um parátipo de cada espécie no Museu de Zoologia de São Paulo (MZUSP).

    Os nomes carregam história

    A Fimoscolex bernardii recebe o nome em homenagem a Alberto Bernardi, responsável há mais de 20 anos pelos experimentos sobre sistemas integrados na Embrapa Pecuária Sudeste.

    Alberto Bernardi (Embrapa São Carlos), George Brown (Embrapa florestas), Marie Bartz. Foto: Lilianne Maia Bruz/Embrapa

    Já a Glossoscolex canchim leva o nome de uma árvore nativa da Mata Atlântica, a canchim (Pachystroma longifolium), comum na região de São Carlos. A mesma que batizou a raça bovina Canchim e a própria fazenda onde os pesquisadores fizeram a descoberta.

    Brasil tem uma das faunas mais ricas do mundo. E ainda pouco mapeada

    O país conta com cerca de 336 espécies de minhocas descritas, mas estimativas indicam que podem existir mais de 1.400 no território nacional. São Paulo é um dos estados com maior número de espécies registradas, e São Carlos se situa justamente na transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, região de grande heterogeneidade ambiental e intensa atividade agropecuária.

    Apesar disso, a composição taxonômica das minhocas nativas ainda permanece pouco documentada, especialmente no Cerrado. A Fazenda Canchim funciona há mais de duas décadas como sítio de referência para experimentos de longo prazo, mas suas comunidades zoológicas do solo seguem subestudadas.

    Além do valor taxonômico, a descoberta reforça a necessidade de mais estudos ecológicos sobre como o uso da terra e as práticas de manejo influenciam a persistência das comunidades nativas de minhocas. E por consequência, a saúde dos solos brasileiros.

  • Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Sistemas sustentáveis na Amazônia e Cerrado podem dobrar lucros dos produtores

    Um estudo pioneiro conduzido pela Embrapa em parceria com o Banco Mundial acaba de comprovar o que muitos especialistas já suspeitavam: os sistemas sustentáveis de produção não apenas preservam o meio ambiente, como também são significativamente mais lucrativos que os métodos tradicionais.

    A pesquisa analisou a viabilidade econômica dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) na Amazônia e no Cerrado, revelando ganhos impressionantes em produtividade e rentabilidade.

    Os números apresentados no estudo são surpreendentes. No Cerrado, o sistema ILPF-C demonstrou ser 41 vezes mais lucrativo que a pecuária extensiva tradicional e 13 vezes mais rentável que a agricultura convencional. Para cada dólar investido, o retorno chegou a US$ 1,36, enquanto a pecuária extensiva gerou apenas dois centavos de lucro por dólar aplicado.

    “Os sistemas de ILPF são mais resilientes, reduzem os custos unitários de produção e promovem o uso mais eficiente dos recursos ambientais”, explica Júlio César dos Reis, pesquisador da Embrapa Cerrados e responsável pelo trabalho.

    SAFs: a alternativa perfeita para agricultura familiar

    Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) se mostraram especialmente adequados para a agricultura familiar, apresentando retornos de até US$ 9,20 para cada dólar investido. O estudo analisou quatro modelos diferentes em Rondônia e Pará, todos capazes de cobrir os custos de produção nos períodos avaliados.

    Arte: Wellington Cavalcanti/Embrapa

    Os SAFs com cultivos de maior valor agregado, como açaí e cacau, apresentaram os melhores resultados financeiros. Em Tomé-Açu (PA), um dos sistemas avaliados gerou lucro anual de mais de US$ 1.800 por hectare, demonstrando o potencial desses modelos para transformar a realidade dos pequenos produtores.

    Benefícios além do lucro

    Além dos ganhos financeiros, os sistemas sustentáveis oferecem múltiplos benefícios:

    • Segurança alimentar: Diversificação da produção reduz riscos
    • Conservação ambiental: Menor necessidade de abertura de novas áreas
    • Resiliência climática: Sistemas mais resistentes a variações climáticas
    • Geração de empregos: Maior demanda por mão de obra especializada

    “Se em um ano uma lavoura apresenta um preço ruim, há um segundo produto que pode ter um preço melhor. Isso aumenta a resiliência do produtor”, destaca Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre.

    Apesar dos resultados positivos, apenas 7% da área ocupada pela agropecuária brasileira utiliza sistemas de ILPF. O estudo identificou diversas barreiras que impedem uma adoção mais ampla:

    Financeiras:

    • Políticas de crédito focadas em resultados anuais
    • Necessidade de períodos de carência mais longos para SAFs

    Técnicas:

    • Falta de assistência técnica especializada
    • Disponibilidade limitada de mão de obra qualificada

    Infraestrutura:

    • Ausência de infraestrutura em regiões distantes
    • Necessidade de investimentos em ferrovias e hidrovias

    Impacto nas políticas públicas

    Leonardo Bichara Rocha, economista agrícola sênior do Banco Mundial em Brasília, enfatiza a importância do estudo para orientar políticas públicas: “O trabalho traz evidências importantes para instrumentos financeiros que promovam o uso mais inclusivo, intensivo e ambientalmente sustentável da terra”.

    As informações coletadas servirão de subsídio para políticas do Banco Mundial e podem contribuir para a inclusão desses sistemas nas políticas nacionais de crédito, como o Plano Safra da Agricultura Familiar.

    O futuro da agricultura brasileira

    Com 60% do território nacional localizado na Amazônia, o potencial de expansão dos sistemas sustentáveis é imenso. No entanto, os pesquisadores alertam para a necessidade de mais estudos e dados sistematizados.

    “Conseguimos avaliar cinco sistemas que possuíam dados sistematizados, mas isso representa apenas uma pequena amostra da diversidade ambiental, social e econômica da Amazônia”, observa Valentim.

    O estudo representa um marco importante na colaboração entre Embrapa e Banco Mundial, assinada em 2024, e aponta para um futuro em que sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas no agronegócio brasileiro.

    Os pesquisadores esperam que esta síntese estimule uma agenda de pesquisa mais ampla, levando à construção de um banco de dados robusto sobre sistemas sustentáveis no Brasil. O objetivo é fornecer bases sólidas para a implementação de políticas públicas de crédito rural, especialmente voltadas para a produção familiar na Amazônia.

    A mensagem é clara: o futuro da agricultura brasileira está nos sistemas sustentáveis, que oferecem a combinação perfeita entre prosperidade econômica e preservação ambiental.

  • Paraná investe R$ 5 bilhões para modernizar agropecuária

    Paraná investe R$ 5 bilhões para modernizar agropecuária

    O Paraná anunciou um investimento de R$ 5 bilhões para modernizar a agropecuária e promover a sustentabilidade no campo. O plano foi apresentado durante o 6º Fórum Brasileiro de ILPF, realizado na Expoingá, em Maringá, com a presença de 700 participantes, entre produtores rurais, autoridades e lideranças do setor.

    O secretário de Agricultura do Paraná, Márcio Nunes, destacou que o estado está lançando o maior programa de conservação de solos e água do país, com foco no combate à erosão e no aumento da fertilidade do solo. “É um novo despertar para a sustentabilidade no campo”, afirmou.

    Entre as ações previstas estão:

    • Aquisição de máquinas agrícolas para municípios;
    • Capacitação de 3 mil profissionais como “patrulheiros da sustentabilidade”;
    • Pavimentação de estradas rurais integradas ao sistema de conservação;
    • Fomento à produção sustentável, com apoio a mudas e insumos.

    “Precisamos estar antenados com as mudanças globais. O Paraná está liderando essa transformação”, declarou Nunes.

    ILPF: estratégia que multiplica produtividade

    O presidente do Conselho da Cocamar, Luiz Lourenço, reforçou a importância do Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) para aumentar a eficiência no campo. Enquanto a pecuária tradicional produz 4 arrobas por hectare, o ILPF já registra casos de 28 arrobas por hectare.

    “Temos 18 milhões de hectares com ILPF no Paraná e potencial para expandir. É uma ferramenta valiosa para gerar mais renda e sustentabilidade”, afirmou Lourenço.

    Benefícios do ILPF no Paraná
    ✅ Otimiza o uso da terra
    ✅ Aumenta a produtividade
    ✅ Diversifica a produção
    ✅ Reduz impactos climáticos

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  • Mudança no uso da terra reduz estoques de carbono do solo

    Mudança no uso da terra reduz estoques de carbono do solo

    A conversão de florestas em pastagens e áreas agrícolas reduz os estoques de carbono (C) no solo, mas sistemas sustentáveis como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) podem reverter esse cenário. É o que revela um estudo de 39 anos conduzido por pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) e da Embrapa Meio Ambiente, publicado com apoio da Fapesp e da Shell.

    A pesquisa, realizada no Instituto de Zootecnia de Nova Odessa (SP), analisou a dinâmica do carbono em três cenários:

    • Conversão de Mata Atlântica para pastagem: aumento de C apenas na superfície (0-5 cm), sem ganhos em camadas mais profundas;
    • Pastagem para ILPF: estoques de C subiram até 1 metro de profundidade, com taxa de acúmulo de 5 toneladas por hectare/ano;
    • Pastagem para soja em plantio direto: manteve estoques de C, sem perdas ou ganhos significativos.

    “Fragmentos de Mata Atlântica próximos a cidades, como os analisados, sofrem com incêndios e ação humana. A ILPF surge como alternativa para sequestrar CO2 e combater mudanças climáticas”, explica Rafaela Ferraz Molina, autora do estudo.

    Agropecuária responde por 41,4% das emissões do setor no Brasil

    O Brasil tem 33,5% do território ocupado por agropecuária, atividade responsável por 23,8% do PIB nacional em 2023. Porém, a mudança no uso da terra emite 41,4% do CO2 do setor, segundo o estudo. Dados do MapBiomas mostram que 84,1% das pastagens abertas entre 1985 e 2023 substituíram vegetação nativa.

    “Pastagens degradadas perdem carbono, mas manejo correto e sistemas integrados recuperam esse potencial”, afirma Sandra Furlan, coorientadora da pesquisa e cientista da Embrapa.

    Plantio direto e Plano ABC+: aliados da sustentabilidade

    O plantio direto, que cobre 33 milhões de hectares no país, evita revolvimento do solo e preserva carbono. Já o Plano ABC+ (2021-2030) incentiva tecnologias de baixa emissão, como:

    • Recuperação de 30 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030;
    • Expansão de sistemas agroflorestais;
    • Adoção de ILPF em 4 milhões de hectares.

    “Precisamos escalar práticas que equilibrem produção e conservação. A ILPF é um caminho”, reforça Waldssimiler Teixeira de Mattos, orientador do estudo.

    Com a concentração de CO₂ na atmosfera em níveis recordes desde 1750, estratégias de sequestro são urgentes. “A ILPF aumenta a resiliência do agro frente a extremos climáticos e garante produtividade a longo prazo”, conclui Molina.

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  • Agricultura regenerativa: o futuro sustentável do agronegócio

    Agricultura regenerativa: o futuro sustentável do agronegócio

    A agricultura regenerativa está ganhando destaque global como solução estratégica para combater a degradação do solo, impulsionar a sustentabilidade e mitigar as mudanças climáticas. No Brasil, o setor agrícola vem adotando práticas inovadoras, como rotação de culturas, plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com crescimento de 35% nos últimos cinco anos, segundo a Embrapa. Essas técnicas não só recuperam ecossistemas, mas também elevam a retenção de carbono no solo em até 50%, comparadas a métodos tradicionais.

    Dados da Embrapa revelam que o país está entre os líderes na adoção de modelos agrícolas sustentáveis. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram propriedades de cana-de-açúcar, soja, milho e café que já utilizam sistemas regenerativos. A técnica ILPF, por exemplo, integra produção agrícola, pecuária e floresta em uma mesma área, otimizando recursos e reduzindo impactos ambientais.

    Cenário global: EUA, Europa e Austrália investem em inovação

    Internacionalmente, países como Estados Unidos, Austrália, França e Itália ampliam investimentos em tecnologias para regeneração do solo e biodiversidade, conforme relatório da Regeneration International (2021). A meta é alinhar produtividade com redução de emissões de carbono, atraindo até mesmo grandes corporações do setor alimentício.

    No contexto nacional, a Mantiqueira Brasil, por meio de sua divisão Solobom, emerge como protagonista na oferta de adubo orgânico certificado, essencial para práticas regenerativas. A empresa abastece grandes produtores rurais, promovendo a economia circular ao transformar resíduos em fertilizantes de alta eficiência.

    Conversamos com Leandro Testa, diretor de negócios da Solobom, que explica como essas práticas podem ser aplicadas tanto em grandes propriedades quanto em hortas e jardins caseiros.

    A Mantiqueira Brasil tem investido fortemente na agricultura regenerativa. O que motivou essa estratégia?

    Leandro Testa: “O mundo está cada vez mais atento à sustentabilidade na produção agrícola (sem abrir mão de produtividade), e identificamos a necessidade de inovar e intensificar nossos investimentos para oferecer soluções que permitam aos agricultores produzirem de forma sustentável. Com a Solobom, comercializamos mais de 100 mil toneladas de adubo orgânico por ano, contribuindo para a revitalização do solo e fortalecendo a economia circular no campo.”

    O Brasil tem acompanhado essa tendência global?

    Leandro Testa: “Sim, o país vem se destacando na adoção de práticas regenerativas. Esse movimento reflete uma maior conscientização sobre a importância de conservar os recursos naturais e reduzir os impactos ambientais, acompanhando tendências globais de sustentabilidade.”

    Leandro Testa, diretor de negócios da Solobom. Divulgação.
    Como os adubos orgânicos da Solobom contribuem para essa transformação?

    Leandro Testa: “Nossos fertilizantes, certificados pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD), atuam na recuperação do solo ao aumentar a matéria orgânica e melhorar sua estrutura. Essa abordagem fortalece a produtividade das lavouras e favorece o uso racional dos químicos, contribuindo para um modelo agrícola mais sustentável.”

    Como você enxerga o futuro da agricultura regenerativa no Brasil e quais são as expectativas da Mantiqueira Brasil para os próximos anos?

    Leandro Testa: “Vejo um futuro promissor para a agricultura regenerativa, onde os adubos orgânicos desempenham um papel essencial no cuidado com a terra, para uma produção mais resiliente aos desafios climáticos, sem abrir mão da produtividade. A tendência global e o avanço de países que investem nessas práticas reforçam o potencial de transformação do Brasil. Por isto, nossa meta é expandir nossa atuação, estabelecendo parcerias com produtores comprometidos com a agricultura de longo prazo.”

    Por que a agricultura regenerativa é vital para o futuro?
    • Além de recuperar solos degradados, a prática:
    • Aumenta a capacidade de armazenar água e nutrientes;
    • Reduz a dependência de agroquímicos;
    • Fortalece a segurança alimentar a longo prazo.

    Com projeções de que o mercado global de agricultura regenerativa ultrapasse US$ 1,5 bilhão até 2030, o modelo consolida-se não apenas como tendência, mas como necessidade urgente para o equilíbrio entre produção e preservação.

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  • Embrapa prioriza melhoramento genético de raízes

    Embrapa prioriza melhoramento genético de raízes

    A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) elegeu o melhoramento genético de raízes como estratégia-chave para impulsionar a conservação do solo e da água no país. A iniciativa, proposta pelo Grupo de Trabalho em Conservação e Manejo do Solo e da Água, visa desenvolver plantas com sistemas radiculares mais densos e profundos. Desta forma, capazes de prevenir erosões, aumentar a infiltração de água e garantir maior resiliência às mudanças climáticas.

    De acordo com o pesquisador José Denardin, coordenador do GT e especialista da Embrapa Trigo, raízes robustas são fundamentais para estabilizar a estrutura do solo e promover atividade biológica. “Elas criam poros contínuos que facilitam o fluxo de nutrientes, água e ar, essenciais para a produtividade agrícola”, explica. O estudo destaca que o foco está em gramíneas de verão, como milho e sorgo. Cujas raízes podem ser integradas a culturas de grãos e fibras em sistemas de consórcio.

    A técnica, alinhada ao Sistema Plantio Direto (SPD) – que já cobre entre 33 e 39 milhões de hectares no Brasil –, reduz a necessidade de revolvimento do solo, preserva matéria orgânica e minimiza emissões de carbono. “Essas raízes são a base para uma agricultura multifuncional, que equilibra produtividade e sustentabilidade”, reforça Denardin.

    Tecnologia e monitoramento: novos indicadores para o agro brasileiro

    Além do avanço genético, a Embrapa aposta em sensoriamento remoto e indicadores socioeconômicos de baixo custo para monitorar práticas sustentáveis. “Usamos satélites para rastrear adoção de SPD e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Facilitando, assim, a criação de seguros mais acessíveis e incentivos financeiros para produtores”, afirma Clenio Pillon, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

    Atualmente, o Brasil conta com 15 milhões de hectares sob sistemas ILPF, modelo que recupera pastagens degradadas e reduz emissões de gases de efeito estufa. A meta é expandir essa área, impulsionada pelo Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), instituído em dezembro de 2023.

    Da lei à lavoura: marco jurídico e histórico

    O relatório do GT resgata a trajetória do conservacionismo no Brasil. Iniciando desde a criação da Embrapa nos anos 1970 até as leis 9.279 (Propriedade Industrial) e 9.456 (Proteção de Cultivares), que fortaleceram a pesquisa agropecuária na década de 1990. “Hoje, combinamos inovação tecnológica com políticas públicas para garantir segurança alimentar e descarbonização”, destaca Pillon.

    Transferência de tecnologia: conectando ciência e campo

    Para acelerar a adoção de práticas sustentáveis, a Embrapa reforça investimentos em plataformas digitais e inovação aberta. “Vamos além de dias de campo: integramos dados, conectamos produtores e democratizamos o acesso ao conhecimento”, explica o diretor. Portanto, a meta é garantir que tecnologias como o SPD e a ILPF cheguem a pequenos e médios agricultores. Ampliando, assim, a rastreabilidade e a saudabilidade dos alimentos.

    Com a demanda global por alimentos sustentáveis, o Brasil se consolida como líder em agricultura de baixo carbono. Para Denardin, o próximo passo é “desenvolver cultivares adaptadas a diferentes biomas, garantindo que a ciência continue a servir à sociedade”. Enquanto isso, o GT segue como base para o planejamento estratégico da Embrapa, alinhado a metas como resiliência climática e soberania alimentar.

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  • Conheça o baru; árvore só existe na América do Sul

    Conheça o baru; árvore só existe na América do Sul

    O baruzeiro (Dipteryx alata), árvore nativa do Cerrado, surge como uma alternativa promissora para sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Atualmente, o eucalipto predomina nesses sistemas, mas o baruzeiro apresenta vantagens adicionais: além da madeira de qualidade, produz sementes altamente valorizadas no mercado nacional e internacional.

    O baru, também conhecido como cumaru ou cumbaru, tem registrado aumento significativo de demanda, impulsionado por seu alto valor nutricional. De acordo com a revista Fact.MR, a previsão de crescimento da comercialização desse produto é de 25% ao ano entre 2019 e 2029. O Brasil lidera a produção mundial, exportando quase metade das sementes, sendo 25% destinadas à Europa e 22% aos Estados Unidos.

    Esse crescimento reflete a busca por alimentos saudáveis. O baru é considerado um superalimento, pois possui alto teor de proteína (quase 30% de seu peso), além de ser rico em vitamina C, ferro, polifenóis, flavonoides e antocianinas.

    Oportunidade para comunidades rurais

    Atualmente, a maior parte da produção provém do extrativismo. No entanto, a crescente demanda pode superar a capacidade de oferta, tornando essencial o desenvolvimento de sistemas de plantio comercial. Para Fernando Rocha, pesquisador da Embrapa Cerrados, essa iniciativa pode aumentar a produção e a renda dos produtores rurais.

    O baruzeiro se destaca nos sistemas integrados devido ao seu potencial econômico e adaptação ao ambiente. “O baru pode ser uma nova fonte de renda para os produtores, pois além da semente, sua madeira é valorizada”, explica a pesquisadora Maria Madalena Rinaldi.

    Rocha acrescenta que a árvore já é preservada espontaneamente pelos pecuaristas. “Quando limpam a área, eles retiram todas as árvores, exceto o baruzeiro, pois ele fornece sombra e alimento para os animais.”

    Avanços na produção de mudas

    Um dos principais desafios para a domesticação do baruzeiro é a produção de mudas de qualidade. Atualmente, não há metodologia estabelecida para sua reprodução assexuada, essencial para garantir a uniformidade das plantas. No entanto, pesquisas da Embrapa avançam em técnicas como enxertia e estaquia, apresentando resultados promissores.

    Com a enxertia, o percentual de pegamento das mudas pode chegar a 60%, com potencial para atingir 90% com aprimoramento da técnica. Outra abordagem inovadora envolve a estaquia, onde ramos lenhosos e reguladores de crescimento foram usados para induzir o enraizamento.

    Sementes de qualidade e novos experimentos

    Para um cultivo eficiente, é fundamental utilizar sementes de qualidade. Pesquisadores da Embrapa Cerrados avaliaram mais de 2.200 amostras de frutos colhidos no Distrito Federal e Minas Gerais, analisando aspectos como tamanho, rendimento em polpa e teor de proteína.

    Além disso, estão sendo conduzidos experimentos inéditos para testar a adaptação do baruzeiro em ILPF. Cerca de 400 mudas serão plantadas em uma área de três hectares na Embrapa Cerrados. O cultivo será realizado em três etapas: inicialmente com soja ou sorgo, seguido de culturas anuais e, por fim, pastagens para a inserção de animais.

    Sustentabilidade e mercado internacional

    O baruzeiro representa uma opção sustentável e rentável. Segundo Kolbe Soares, analista da WWF-Brasil, o baru se insere em um mercado global crescente de produtos nativos do Cerrado, como pequi e babaçu. Seu comércio fortalece comunidades extrativistas e reduz a pressão pelo desmatamento.

    Fernando Rocha alerta para a necessidade de um sistema de produção estruturado, evitando que o cultivo comercial seja desenvolvido por outros países, como ocorreu com a macadâmia, levada da Oceania para os Estados Unidos no século 19.

    O baruzeiro se destaca como uma alternativa viável e lucrativa para sistemas ILPF, oferecendo benefícios ambientais, econômicos e sociais. Além disso, com o avanço das pesquisas e o fortalecimento do cultivo comercial, a árvore pode consolidar-se como um importante ativo para a agropecuária brasileira.

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  • Pelagem de bovinos influencia adaptação climática e desempenho produtivo

    Pelagem de bovinos influencia adaptação climática e desempenho produtivo

    Um estudo realizado por cientistas brasileiros e internacionais mostrou que as características do pelo dos bovinos influenciam diretamente a capacidade desses animais de ganhar ou perder calor. A pesquisa durou 12 meses. Em geral, os pesquisadores avaliaram 40 mil amostras de pelos de 64 touros das raças Canchim e Nelore, em condições de inverno e verão.

    Pelagem de bovinos x adaptação ao clima

    De acordo com o coordenador do estudo, Alexandre Rossetto Garcia, da Embrapa Pecuária Sudeste, os resultados indicam que a estrutura dos pelos afeta a adaptação dos animais a climas tropicais. Portanto, isso embasa critérios para seleção genética de bovinos mais resilientes no futuro. “Animais mantidos em ambientes com conforto térmico expressam melhor seu potencial genético e apresentam melhor desempenho produtivo”, afirmou Garcia.

    Práticas sustentáveis

    Foto: Divulgação Embrapa – Gisele Rosso

    A pesquisa destacou a importância de práticas agropecuárias sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que proporciona melhores condições térmicas para os animais, especialmente no verão. A sombra das árvores reduz a temperatura média do ar e a radiação solar, criando um ambiente mais confortável.

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    As características da pelagem também desempenham papel crucial. No caso da raça Canchim, que possui pelos mais finos e menos densos, a dissipação de calor é facilitada. Ou seja, isso é benéfico em ambientes de variação climática. Já a raça Nelore, com pelagem densa e grossa, é mais eficaz na proteção contra a radiação solar, garantindo maior estabilidade térmica em climas quentes.

    Além de contribuir para o bem-estar animal, o estudo sugere que essas características podem ajudar os produtores a melhorar a eficiência dos sistemas produtivos, com benefícios tanto para a produtividade quanto para o meio ambiente. As descobertas reforçam a necessidade de estratégias que aliem sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 13, relacionado à ação climática.

     

     

  • Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    Maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta

    A Embrapa Agrossilvipastoril concluiu o primeiro ciclo de 12 anos do maior experimento mundial com sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em Sinop (MT). As pesquisas ofereceram dados fundamentais para o uso de árvores nesses sistemas produtivos.

    Decisões baseadas em fatores técnicos

    A estratégia de uso das árvores em sistemas ILPF varia conforme o interesse do produtor. Fatores como destinação da madeira, mercado consumidor, forma de colheita e uso das árvores influenciam as decisões. Ou seja, cada projeto é único, mas deve-se basear em fundamentos técnicos da pesquisa.

    A pesquisa usou eucalipto (clone H13) devido ao rápido crescimento e múltiplos usos. As árvores foram testadas em sistemas ILF, IPF e ILPF, além da monocultura como controle. O plantio inicial ocorreu em renques de três linhas, espaçadas a 30 metros. Os pesquisadores reduziram algumas linhas a uma única linha espaçada a 37 metros.

    Produção de madeira

    Nos 12 anos, os sistemas integrados produziram entre 87 m³ e 114 m³ de madeira por hectare. A produção variou conforme o número de árvores mantidas. Mais árvores resultaram em menor produção de grãos e forragem. “A produtividade do sistema deve ser considerada globalmente”, destaca o pesquisador Maurel Behling.

    A área testemunha com monocultura de eucalipto produziu 350 m³/ha, dentro da média do H13 em Mato Grosso, que é de 32 m³/ha.

    Crescimento e acúmulo de carbono

    Os dados de crescimento mostraram o efeito bordadura nas árvores externas, que recebiam mais luz e nutrientes. No sistema ILPF, o efeito bordadura foi mais evidente nos renques triplos. Além disso, esse sistema também acumulou mais carbono, chegando a 30 kg/ano por árvore, acima dos 20 kg/ano na monocultura.

    Recomendações práticas

    Os resultados oferecem subsídios para o planejamento de sistemas ILPF. Se o objetivo é adicionar renda ou melhorar o conforto térmico do gado, recomenda-se linhas simples. Para maior número de árvores, é possível usar renques de múltiplas linhas. A análise do mercado consumidor da madeira é crucial no planejamento do sistema.

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    Fim de um ciclo, início de outro

    O primeiro ciclo de ILPF com foco em pecuária e grãos termina com o corte dos eucaliptos após 12 anos. Ainda restam 3.666 árvores em 43 hectares. A venda da madeira pode render até 514 mil reais, sem contar a produção de carne e grãos.

    O próximo experimento incluirá teca, além do eucalipto. A combinação das duas espécies será testada, visando melhorar o conforto térmico e escalonar as receitas.

    Maior experimento mundial

    O experimento de ILPF da Embrapa é um dos maiores do mundo, com 72 hectares e dez tratamentos distintos. Desde 2011, pesquisadores analisam solo, água, microclima, forragicultura, sanidade animal e vegetal, microbiologia e emissão de gases de efeito estufa.

    Entre os resultados está o Sistema PPS (Precocidade, Produtividade e Sustentabilidade), que usa ILP e IPF para manejo da pecuária de cria.

     

  • Sistema PPS: O futuro da produção de carne bovina

    Sistema PPS: O futuro da produção de carne bovina

    Um avanço inovador na produção agropecuária está sendo testemunhado com o Sistema Precocidade, Produtividade e Sustentabilidade (Sistema PPS) na produção de carne bovina. Ele une estratégias de integração lavoura-pecuária (ILP) e pecuária-floresta (IPF). É um esquema de rotação de rebanho nelore em sistema de cria, recria e terminação a pasto, conforme a categoria animal. Com isso, existem melhores resultados, por exemplo, em termos de ganho de peso, crescimento, desempenho reprodutivo e sanidade.

    O Sistema PPS não é apenas uma teoria; é um conjunto de práticas fundamentadas em mais de 15 anos de pesquisa pela Embrapa Agrossilvipastoril. Essa solução tecnológica, desenvolvida em parceria com outras instituições, representa um marco na otimização da produção de carne a pasto. Por exemplo, as fazendas de cria, recria e terminação localizadas nas regiões central e norte do Brasil.

    O produtor tem recomendações de rotação dos animais na propriedade ao longo do ano. O objetivo é obter as vantagens da ILP, como maior ganho de peso, quando essa característica é desejada, e dos sistemas com árvores, como melhor sanidade, precocidade sexual e menor estresse térmico em momentos específicos. Além disso, o sistema também contempla recomendações de manejo sanitário.

    Década de 80: onde tudo começou

    Esse sistema de produção não surgiu do nada; é o resultado de décadas de evolução e pesquisa contínua. Desde os primeiros estudos nos anos 80, com o consórcio entre arroz e pastagem no conhecido “Sistema Barreirão”, até a incorporação do componente arbóreo devido à demanda por madeira e aos benefícios da sombra para o conforto animal, o caminho até o Sistema PPS foi marcado por uma busca incessante por eficiência e sustentabilidade.

    Futuro mais próspero e sustentável com a sistema PPS na produção de carne bovina

    Portanto, o Sistema PPS não é apenas uma resposta aos desafios do passado; é uma solução para os desafios futuros. Ao aliar-se aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, especialmente os de Fome Zero e Agricultura Sustentável (ODS 2) e Ação contra a Mudança Global do Clima (ODS 13), ele não só promove uma produção bovina mais sustentável, mas também contribui para a segurança alimentar global. Outro ponto chave é que ao adotar sistemas integrados de produção, o Brasil está liderando o caminho para um futuro agrícola mais resiliente e próspero.