O número de marcas de azeite certificadas com o Selo Produtos Premium, Origem e Qualidade RS quase dobrou neste ano. A lista passou de 14 para 26 rótulos aprovados.
Concedido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), em parceria com o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o selo exige comprovação da origem gaúcha, análises físico-químicas e avaliação sensorial.
Critérios de qualidade
O programa estabelece acidez máxima de 0,3% para os azeites certificados. O limite é inferior ao de um azeite extravirgem convencional, de 0,8%.
Os produtos também devem estar livres de defeitos e apresentar padrão de qualidade superior ao extravirgem convencional. A acidez está relacionada à qualidade da fruta e aos cuidados na colheita, no transporte e no processamento.
Esses fatores influenciam a estabilidade do azeite e a concentração de polifenóis e antioxidantes.
Testes e rastreabilidade
A certificação acompanha o produto desde o cultivo das oliveiras até a extração no lagar. As amostras passam por análises laboratoriais e testes sensoriais às cegas, conduzidos por provadores treinados.
Durante a avaliação, são analisados atributos como frutado, amargo e picante, além da presença de possíveis defeitos. As amostras recebem códigos para evitar que a marca ou o produtor influencie o resultado.
Segundo o Ibraoliva, o selo informa ao consumidor que o lote foi testado e atende aos critérios de origem e qualidade definidos pelo programa.
Marcas aprovadas
Receberam o selo neste ciclo:
Alto Bonito
Altos da Bolena
Batalha
Biome Pampa
Cadenza
Candeia
Capela de Santana
Casa Gabriel Rodrigues
Cerro Partido
Don José
Estância das Oliveiras
Fazenda Quintana
Herança do Cerro
Milonga
Nina
Nô
Olivae
Olivas D’Altas
Olivas do Campo
Olivas do Sul
Olivos Serra do Caverá
Quatro Luas
Sol das Olivas
Tenuta do Bosque
Terruá
Torrinhas
A entrega dos selos ocorrerá durante a Expointer no dia 1º de setembro, às 18h , na Casa do Ibraoliva, no Parque Assis Brasil. O programa define critérios de procedência e qualidade para produtos produzidos no Rio Grande do Sul.
O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) encaminhou uma denúncia aos órgãos de fiscalização da Receita Federal para apurar possível fraude tributária em azeites importados da Europa e vendidos no Brasil como extravirgens.
A entidade baseia a suspeita na diferença de tributação entre as categorias: produtos extravirgens entram no país com alíquota de importação zero, enquanto os virgens pagam 9% de imposto.
Análises judiciais motivaram a denúncia
O Ministério da Agricultura realizou análises em azeites vendidos em supermercados brasileiros por determinação judicial, no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os exames classificaram como virgens amostras de marcas comercializadas como extravirgens, entre elas Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Cocinero, Fillipo Berio e Carrefour.
O Ibraoliva, que representa produtores brasileiros, já apontava havia anos divergências entre a qualidade informada nos rótulos e as características reais dos azeites importados. A entidade também questionava a compatibilidade entre os preços praticados e a classificação como extravirgem.
Entidade defende separação entre categorias
O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, defende a permanência do azeite virgem nas prateleiras, desde que corretamente identificado. “Sempre defendemos que o azeite virgem é uma gordura saudável que deve estar nas prateleiras dos supermercados brasileiros, ao lado, em gôndola separada, dos verdadeiros azeites extravirgens, todos com a rotulação correta e com preços compatíveis”, afirma.
Olivas. Foto: Divulgação
Segundo o Ibraoliva, alguns fatores explicam a perda de qualidade dos produtos. Entre eles, importadoras compram lotes antigos e mais baratos na Europa, sem informação clara sobre a data de produção. E o transporte transatlântico ocorre em contêineres sem refrigeração. Essas condições podem degradar o azeite e tirá-lo da categoria extravirgem antes de chegar ao consumidor.
Diferença tributária ganha peso na discussão
Assim, sendo, a questão fiscal passou a integrar o debate após mudanças recentes nas alíquotas de importação. O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor de forma provisória desde 1º de maio de 2026, prevê a eliminação gradual da tarifa sobre o azeite europeu ao longo de 15 anos.
A Resolução GECEX 391, de agosto de 2022, havia fixado em 9% a alíquota para extravirgem, virgem e refinado. Já a Resolução GECEX 709, de março de 2025, zerou a tarifa apenas para os extravirgens importados da Europa e manteve os 9% para os virgens. Portanto, abrindo, segundo o Ibraoliva, uma brecha para a fraude.
Obino Filho resume o raciocínio da entidad. “Sempre denunciamos que, mesmo que na origem o azeite tenha um laudo físico-químico que o classifique como extravirgem, caso chegue ao Brasil com defeitos sensoriais, precisa ser reclassificado para virgem. Se vendido como extravirgem, estamos diante de uma fraude de rotulagem, mas agora o cenário também inclui a questão tributária.”
Ibraoliva pede apuração à Receita Federal
Na denúncia, o Ibraoliva solicita que a Receita Federal investigue os casos em que o produto entrou no país como extravirgem, com alíquota zero. Mas apresentou características de virgem segundo os laudos do Ministério da Agricultura, categoria sujeita a 9% de imposto. Para a entidade, essa discrepância configura indício que merece apuração formal.
Obino Filho relaciona ainda a escassez de azeites rotulados como virgens nas gôndolas brasileiras a esse desequilíbrio tributário. A situação, segundo ele, “talvez explique por que não são encontrados nas prateleiras dos supermercados azeites rotulados como virgens”.
O presidente também compara a carga tributária entre o produto importado e o nacional. “Um rótulo que não corresponde ao produto, além de enganar o consumidor, pode levar a uma redução de 9% para 0% de impostos no azeite importado da Europa. Enquanto isso, a alíquota padrão de ICMS nas vendas internas do azeite brasileiro é de 12%. Precisamos defender os produtores e a indústria nacional do azeite e não podemos compactuar com possíveis fraudes.”
Entidade propõe mudanças na tributação
Além da denúncia, o Ibraoliva vai levar ao Governo Federal uma proposta para reverter a alíquota do azeite extravirgem importado a 9%. E seguindo depois a redução gradual prevista no acordo Mercosul-União Europeia.
Além disso, a entidade também sugere zerar a tarifa do azeite virgem importado da Europa e manter a isenção de ICMS nas vendas interestaduais de azeites brasileiros.
Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo levou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a analisar uma série de azeites vendidos como extravirgem nos supermercados brasileiros.
Os laudos, produzidos pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), reclassificaram marcas populares como Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour, entre outras. O exame identificou esses produtos como azeites virgens, categoria inferior ao extravirgem. Rótulos de Costa D’Oro e Terras de Camões receberam classificação ainda mais grave: o laboratório oficial os enquadrou como lampantes, impróprios para consumo humano.
MPF aponta fraude e risco à saúde pública
O MPF moveu a ação civil pública contra o Ministério da Agricultura e a Anvisa para investigar fraudes no mercado de azeites extravirgens comercializados no país. A ação também busca medidas judiciais que reforcem o controle sobre a importação de azeite a granel e já envasado.
A procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn afirma que a divulgação dos laudos abre uma nova etapa no processo. Segundo ela, o MPF fará requerimentos ao juízo com base nos resultados obtidos. “Vamos fazer alguns requerimentos ao juízo em torno do que já foi pedido na ação inicial, porque, de fato, e mesmo havendo ainda algumas análises pendentes, as nossas suspeitas se confirmaram”, declarou a procuradora.
As análises oficiais identificaram fraudes em azeites a granel, desconformidades em produtos importados e indícios de fraude em parte dos azeites comercializados no Brasil. Para Karen, o problema ultrapassa a rotulagem e atinge diretamente a saúde pública. “Há produtos altamente comercializados no Brasil, inclusive por plataformas digitais, que estão sendo oferecidos à população como azeite, quando, na realidade, são azeite lampante, ou seja, óleos não refinados impróprios para o consumo humano”, alertou. A procuradora classifica a comercialização desses produtos como um “risco sério e concreto à saúde pública” e informa que o MPF ainda avalia quais providências adicionais vai requerer à Justiça ao longo da ação.
Ibraoliva cobra mais controle sobre produtos importados
O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) considera que os resultados reforçam a necessidade de ampliar a fiscalização sobre os azeites importados vendidos como extravirgem. A entidade defende que a classificação informada no rótulo precisa corresponder às características reais do produto.
O presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, afirma que os laudos confirmam denúncias feitas repetidamente pela instituição, que representa os produtores nacionais. “Os laudos técnicos confirmam denúncias feitas reiteradamente pela instituição. São azeites velhos, com defeito, descartados pelos europeus, que chegam às prateleiras dos supermercados como extravirgem e são, na verdade, virgens, azeites de baixa qualidade que não podem ser comparados com o azeite extravirgem superpremium produzido no Brasil”, diz Obino.
Para o dirigente, os resultados também explicam a diferença de preço em relação ao produto nacional. “São azeites normalmente com ranço, mofo, sem frutado, que provavelmente ficam armazenados por anos e depois são despejados no mercado brasileiro”, afirma. Ele completa que esse tipo de azeite “tem que ser mais barato que o azeite extravirgem de verdade produzido no Brasil”.
Nutricionista explica o que se perde sem o extravirgem
A nutricionista Isabel Kasper explica que a classificação do azeite vai além de uma diferença comercial e afeta diretamente as propriedades nutricionais do alimento. Todo azeite de oliva contém predominância de ácido oleico, gordura monoinsaturada associada à proteção cardiovascular. O extravirgem, porém, reúne um diferencial que os demais não oferecem.
Produção brasileira de azeite de oliva deve crescer mais de 55% em 2026 — Foto: MAPA
Segundo Isabel, “além da composição lipídica favorável à saúde, apenas o azeite extravirgem possui uma pequena, mas importantíssima, fração de compostos bioativos, entre eles os polifenóis e outros antioxidantes”. Ela destaca que essas substâncias protegem a saúde cerebral e intestinal, auxiliam no controle de processos inflamatórios e, conforme alguns estudos, podem reduzir o risco de determinadas doenças.
A nutricionista observa que esses compostos só aparecem em quantidade relevante quando a matéria-prima tem qualidade elevada e o processamento segue padrões técnicos rigorosos. Com o tempo, eles se degradam naturalmente, o que reduz parte dos benefícios funcionais do alimento.
Já o azeite virgem preserva a composição de gorduras saudáveis, mas contém quantidade bem menor desses compostos bioativos. O lampante, porém, permanece impróprio para consumo em seu estado original, segundo a nutricionista.
Nota: a imagem que acompanhava inicialmente essa matéria era apenas ilustrativa, de um gôndola de azeite em um supermercado. Ela foi alterada pois identificava o estabelecimento, que não tem relação com o tema da matéria. Alias, sou cliente lá e é a melhor rede do interior. E tem os melhores azeites.
A produção brasileira de azeite de oliva alcançou 1,434 milhão de litros em 2026, o maior volume já registrado no país. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) divulgou os dados nesta terça-feira (14), durante coletiva de imprensa em Porto Alegre (RS).
O resultado representa alta de 496,75% em comparação com os 240,3 mil litros produzidos em 2025, ano marcado por condições climáticas adversas. O volume também superou em 123,98% o recorde anterior, de 640.228 litros, registrado em 2023.
Rio Grande do Sul concentra a maior parte da produção nacional
O Rio Grande do Sul liderou a produção do país, com 1,17 milhão de litros de azeite. O estado registrou aumento de 514,82% sobre os 190,3 mil litros produzidos em 2025 e superou em 101,64% o recorde estadual anterior, de 580.228 litros, obtido em 2023. O território gaúcho reúne 31 lagares (unidades que processam as azeitonas e extraem o azeite) e cerca de 390 produtores, conforme estimativa do Ibraoliva.
Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo
A região da Mantiqueira ocupou a segunda posição no ranking nacional, com 250 mil litros produzidos em 2026. Santa Catarina produziu 10 mil litros, seguida pelo Paraná, com 2,5 mil litros, e pelo Espírito Santo, com 1,5 mil litros.
Ibraoliva destaca aprendizado acumulado pelos produtores
A vice-presidente do Ibraoliva, Solange Neves, destacou que o resultado de 2026 superou a melhor marca já obtida pela olivicultura brasileira. “Tivemos uma safra muito boa em 2023, com 580 mil litros no Rio Grande do Sul. Agora, o estado supera esse recorde em 101,64%, enquanto o Brasil fica 123,98% acima da melhor marca anterior”, afirmou.
Segundo Solange, o crescimento também reflete o aprendizado acumulado pelos produtores, a evolução do manejo e o trabalho desenvolvido pela cadeia produtiva. “Essa é uma conquista conjunta, construída com a organização dos produtores e a parceria entre instituições públicas e iniciativa privada. Temos avançado no manejo, compreendido melhor os efeitos das condições climáticas e trabalhado para produzir azeites de qualidade”, acrescentou.
A vice-presidente também apontou que o desenvolvimento da olivicultura gera efeitos que vão além das propriedades rurais, especialmente nas regiões que concentram pomares, lagares e empreendimentos ligados ao turismo. Para ela, conhecer essas áreas amplia o consumo e a percepção sobre a produção nacional. “O Rio Grande do Sul concentra a maior área plantada e uma produção expressiva. Quando uma região se torna exemplo de produção, ela agrega valor para toda a comunidade, movimenta o município e cria oportunidades ligadas ao turismo. Precisamos conhecer mais as regiões produtoras do próprio estado e também de outras partes do Brasil, como a Mantiqueira”, observou.
Governo gaúcho relaciona resultado a duas décadas de estruturação do setor
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Marcio Madalena, associou o resultado à evolução da olivicultura desde o início de sua estruturação no estado, há pouco mais de duas décadas. “Trabalhávamos com uma projeção abaixo de 1 milhão de litros e não havia, até então, a expectativa de superar essa marca neste ano. Estamos falando de uma cultura que começou a ser trabalhada por volta de 2005 no Rio Grande do Sul e que, em pouco mais de 20 anos, consolidou o estado na produção brasileira”, afirmou.
Madalena também relacionou o crescimento do volume ao reconhecimento que os azeites gaúchos vêm obtendo em competições internacionais. Segundo o secretário, a expansão acompanha a organização do setor produtivo e o trabalho conjunto entre iniciativa privada e poder público. “Não é apenas crescimento de produção. Ultrapassamos 1 milhão de litros justamente no momento em que começamos a acumular medalhas internacionais, consolidando o reconhecimento da qualidade do azeite de oliva gaúcho em nível global. É um setor que tem crescido de forma organizada, tanto da porteira para dentro quanto na representação da cadeia e na articulação com o serviço público”, concluiu.
O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) entregou nesta quarta-feira (7), em Brasília, ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, uma pauta de reivindicações para combater a concorrência desleal de azeites importados e fortalecer a produção nacional. A reunião ocorre num momento estratégico. A safra de 2026 deve bater recorde histórico, com produção estimada em 1 milhão de litros de azeite extravirgem no Brasil.
Foto: Guilherme Martimon/MAPA/Divulgação
A audiência, intermediada pelo deputado federal Paulo Pimenta, reuniu o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, e o diretor jurídico da entidade, Jorge Buchabiqui. Entre os temas debatidos estão fiscalização de importações, controle dos lagares nacionais, crédito agrícola e restrição ao uso de herbicidas hormonais próximos a pomares de oliveiras.
Fraude nos rótulos: o alvo central das demandas
A principal queixa do setor diz respeito à comercialização de azeites europeus de baixa qualidade como se fossem extravirgens nas prateleiras dos supermercados brasileiros. Para o Ibraoliva, azeites com defeitos sensoriais, incluindo os chamados “lampantes”, impróprios para consumo in natura, estão sendo rotulados indevidamente e colocados lado a lado com os azeites nacionais de alta qualidade.
“Não podemos mais admitir essa fraude na rotulagem”, declarou Obino Filho. A entidade solicitou a conclusão do laudo pericial de análise sensorial de azeites importados comercializados nos principais supermercados do país. Além de reforço imediato nas ações de fiscalização do Ministério da Agricultura.
“A partir dessa safra recorde que temos no Brasil este ano, de azeite extravirgem de verdade, a nossa preocupação é com a concorrência desleal de azeites de refugo europeu, que são trazidos para o Brasil e vendidos nos supermercados como se extravirgens fossem.”, disse Flávio Obino Filho, presidente do Ibraoliva
Adesão ao COI: sinal verde do ministério
Um dos principais resultados práticos da reunião foi a sinalização do ministro André de Paula sobre o avanço da adesão do Brasil ao Comitê Oleícola Internacional (COI). Segundo Obino Filho, o ministro garantiu que, até a semana seguinte ao encontro, encaminharia o pedido formal à Casa Civil, etapa necessária antes da votação no Congresso Nacional.
A entrada no COI permitiria ao Brasil alinhar suas normas técnicas às de outros países produtores, como Argentina e Uruguai. Além de acessar programas de fomento à produção e treinamento de painéis de análise sensorial para autoridades públicas. O que fortaleceria diretamente a fiscalização de importações.
Controle dos lagares e revisão regulatória
O Ibraoliva também defende a normatização do controle dos lagares, unidades de processamento de azeitonas. A proposta é que todos os estabelecimentos informem ao Ministério da Agricultura a origem das azeitonas processadas, os volumes recebidos e a quantidade de azeite produzida. A medida visa aumentar a rastreabilidade da produção nacional.
Além disso, a entidade solicitou a indicação dos representantes do ministério no grupo de trabalho responsável pela revisão do regulamento do azeite de oliva no país.
Crédito agrícola e proteção dos pomares
Na dimensão econômica, o Ibraoliva pediu a redução a zero do imposto de comercialização incidente sobre o azeite nacional. Essa medida buscaria equiparar condições competitivas frente aos produtos europeus. Também foram solicitados maior acesso a crédito agrícola, securitização e seguro rural. Isso especialmente após as frustrações de safra em 2024 e 2025, causadas por adversidades climáticas.
A deriva de herbicidas hormonais sobre pomares de oliveiras também entrou na pauta. O instituto informou que está mapeando as áreas de cultivo no país. E relatou casos no Rio Grande do Sul de pomares que pararam de produzir após exposição a esses produtos.
A olivicultura brasileira está presente em oito estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O volume esperado para 2026 representa um marco histórico para o setor, que cresce em escala e qualidade. E agora busca também proteção institucional para consolidar esse avanço.
A safra brasileira de azeite de oliva deve superar 1 milhão de litros em 2026, impulsionada pelo desempenho dos olivais no Rio Grande do Sul. O estado é responsável por cerca de 80% da produção nacional. A estimativa foi confirmada durante a 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada na sexta-feira (17), na Azeite Milonga, em Triunfo (RS).
O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, destacou a evolução da qualidade do azeite brasileiro, que já compete com produtos de países tradicionais no setor. Segundo ele, a combinação de fatores climáticos favoráveis e o avanço técnico no manejo das lavouras explicam o resultado da safra.
O Rio Grande do Sul deve ultrapassar 800 mil litros produzidos. O estado registrou o maior número de horas de frio das últimas duas décadas, além de primavera seca e verão equilibrado, condições que favoreceram o desenvolvimento das oliveiras e a colheita.
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à produtividade. Obino Filho reforçou a necessidade de ampliar a eficiência no campo por meio de pesquisa e inovação. Ele alertou que a qualidade do produto precisa vir acompanhada de maior volume de produção para sustentar o crescimento do setor.
Safra recorde mas insuficiente
Mesmo com a safra recorde, a produção nacional representa entre 1% e 1,5% do consumo interno. A forte presença de azeites importados, muitas vezes de qualidade inferior, ainda limita a participação do produto brasileiro no mercado.
Durante o evento, representantes do setor assinaram um protocolo de intenções para criar o Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul. A iniciativa reúne o Ibraoliva e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, destacou o papel estratégico da olivicultura na diversificação da matriz produtiva e no fortalecimento da economia regional. Segundo ele, o crescimento da cultura da oliveira reforça o potencial do estado como referência nacional na produção de azeites de alta qualidade.
Leite também apontou a importância dos investimentos em tecnologia, assistência técnica e abertura de mercados para ampliar a competitividade do setor. Além do impacto econômico, ele ressaltou a geração de emprego e renda, especialmente na metade sul do estado, e a contribuição da atividade para a permanência das famílias no campo.
O setor olivicultor brasileiro entra em 2026 com perspectiva inédita: o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) projeta crescimento mínimo de 55% na produção nacional de azeite, após dois anos marcados por perdas climáticas e queda de volume, principalmente no Sul do país.
Na Serra da Mantiqueira, a Vinícola Essenza acompanha esse movimento com números próprios. O produtor Herbert Sales prevê sair de 3 mil litros na última safra para até 4.500 litros em 2026. Uma alta de 50% no olival da Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé (MG), cujas áreas de cultivo atingem até 1.910 metros de altitude e carregam o título de olival mais alto do mundo.
“O ganho de volume está ligado à maturidade das plantas e à capacidade de leitura do ambiente. A produção de azeite exige decisões em tempo real, e a evolução técnica permite reduzir incertezas ao longo do ciclo”, afirma Sales.
O processo começa entre o fim de fevereiro e a primeira quinzena de março, dependendo do acúmulo de dias de sol. A colheita dura em média 40 dias, com manejo diário ajustado ao clima e ao estágio de maturação das azeitonas.
Um dos principais fatores técnicos da operação é o intervalo entre a colheita e o processamento. A extração acontece poucas horas depois de a azeitona sair da planta, medida que evita a degradação da fruta e mantém a acidez abaixo de 0,8%, limite estabelecido para azeites extravirgens.
“A qualidade do azeite começa no campo, mas se define na velocidade da extração. Trabalhar com baixa acidez depende de controle total do processo, desde a colheita até o lagar”, diz Sales.
Colheita de azeitonas para produção do azeite Mantikir deve durar 40 dias. Foto: Régis Silva/Divulgação
O produtor detalha como a relação entre azeitona e azeite muda ao longo do ciclo. Nos primeiros dias, quando a fruta tem menor concentração de óleo, o rendimento fica entre 10% e 12%. Ou seja, 100 quilos de azeitona geram entre 10 e 12 litros de azeite. No meio e no fim da safra, com a maturação avançada, esse índice sobe para 14% a 15%, ampliando tanto o volume produzido quanto a eficiência econômica da extração.
Terroir de altitude orienta cada decisão
A combinação de altitude, amplitude térmica, relevo e manejo forma o terroir característico da Mantiqueira, com efeito direto sobre o ritmo de maturação, o teor de óleo e a escolha do ponto de colheita.
“O terroir aqui pede precisão: colher cedo demais muda rendimento; colher tarde demais muda perfil; a escolha do dia define o azeite”, resume Sales.
O olival reúne atualmente 3.500 oliveiras em produção, de um total de 6.000 plantas distribuídas em cerca de 51 hectares. Com idade média de cinco anos, as variedades cultivadas incluem Arbequina, Coratina, Grappolo, Koroneiki, Picual e Maria da Fé. Frantoio e Oleana ainda entram em produção.
O padrão técnico da Essenza rendeu posição de destaque em competições globais. O azeite Mantikir ocupa espaço no Evooleum Top 100 como o melhor do mundo em produção limitada, além de acumular premiações no Terraolivo International Olive Oil Competition (Best of Brazil), no London International Quality Olive Oil Competition e no Concurso Internacional CA Ovibeja, de Portugal, onde recebeu o título de melhor do Hemisfério Sul.
Produção inserida em roteiro de enoturismo
Além do azeite, a Vinícola Essenza integra vinho e charcutaria em uma proposta de enoturismo com degustação e visitação. A operação turística funciona em Santo Antônio do Pinhal (SP), conectando a produção no campo ao consumo final.
O crescimento projetado para 2026 se insere em um mercado ainda dominado por importações. O Brasil figura entre os maiores consumidores globais de azeite, mas não produz volume suficiente para suprir a demanda interna. O que torna a expansão da olivicultura nacional estratégica tanto para produtores quanto para o setor como um todo.
A produção brasileira de azeite de oliva deve alcançar a marca de 1 milhão de litros em 2026, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). O Rio Grande do Sul deve responder por cerca de 800 mil litros, consolidando-se como o principal polo produtor do país.
Após dois anos de safras frustradas em função das condições climáticas adversas, o clima mais estável deste ciclo favoreceu o desenvolvimento das oliveiras e permitiu a recuperação dos olivais. “Tivemos um ano com clima que contribuiu para o desenvolvimento das oliveiras e isso impacta diretamente na produção”, explica Flávio Obino Filho, presidente do Ibraoliva.
Segundo ele, o número representa mais que uma recuperação. É também um avanço da olivicultura nacional. “O crescimento reforça a presença do azeite brasileiro no mercado e amplia o acesso do consumidor ao produto nacional”, destaca.
A retomada do setor será celebrada durante a 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva. O evento acontece em 17 de abril, na sede da Azeite Milonga, em Triunfo (RS). O evento contará com uma feira de negócios especializada em olivicultura, além da venda direta de azeites da safra 2026, reunindo produtores gaúchos e diferentes marcas no mesmo espaço.
O restante da produção nacional, cerca de 200 mil litros, deve vir de outras regiões produtoras, que também registraram boas condições climáticas neste ciclo. O Ibraoliva organiza a Abertura da Colheita da Oliva. E tem parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul.
A produção de azeite de oliva no Brasil deve alcançar em 2026 a maior safra da história, superando os 640 mil litros registrados em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). As condições climáticas favoráveis neste ciclo reacenderam a expectativa de o país se aproximar da marca de 1 milhão de litros.
A olivicultura brasileira começou sua produção comercial há cerca de duas décadas e superou o desafio de desenvolver azeites extravirgens de alta qualidade fora das condições típicas do Mediterrâneo. “Produzir azeites extravirgens no hemisfério sul, em climas muito diferentes dos mediterrâneos, foi nosso grande desafio, e ele foi vencido”, afirma o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.
O dirigente destaca que os azeites nacionais conquistaram prestígio global. “Não conheço concurso internacional em que um azeite brasileiro participe e não receba medalha. Considerando a média de qualidade, o azeite brasileiro é o melhor do mundo”, comenta.
Depois do recorde de 2023, o setor enfrentou duas safras difíceis. O volume recuou para 340 mil litros em 2024 e 240 mil em 2025, impactado por excesso de chuvas e alta umidade. Fatores que prejudicam o desenvolvimento das oliveiras.
Revisão das estratégias
Segundo Obino Filho, os últimos anos exigiram uma revisão profunda das estratégias produtivas. “Em 2023, nossa preocupação era o mercado. Em 2025, centramos esforços em entender erros e acertos, com investimento pesado em pesquisa”, explica.
Para 2026, o ambiente é mais promissor. “As condições climáticas estão colaborando e devemos ter a maior safra da olivicultura brasileira, superando os 640 mil litros de 2023. E, quem sabe, alcançar 1 milhão de litros de azeite extravirgem produzido no Brasil”, projeta.
Atualmente, o país conta com cerca de 550 produtores distribuídos em 200 municípios, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. O Rio Grande do Sul concentra a maior parte da produção nacional. “O caminho é seguir investindo em pesquisa e aprimoramento. Temos qualidade para figurar entre os grandes produtores mundiais”, conclui o presidente do Ibraoliva.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia não reduzirá o preço do azeite de oliva importado nem elevará a qualidade do produto disponível ao consumidor brasileiro. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) divulgou a avaliação em nota oficial, após acompanhar as negociações e apoiar o tratado de livre comércio entre os blocos.
A União Europeia aprovou recentemente o texto-base do acordo, o que indica a proximidade da formalização do tratado. O setor brasileiro defende o movimento, mas ressalta que a assinatura não altera o cenário atual do mercado de azeite no país.
Tarifa zero vigora desde março de 2025
O Ibraoliva esclarece que os azeites europeus já entram no Brasil com alíquota zero desde março de 2025. A entidade considera incorretas as informações que associam o acordo a uma queda no valor do produto nas gôndolas dos supermercados, já que nenhum impacto tributário adicional ocorrerá.
“Desde março de 2025, os azeites provenientes da Europa já ingressam no Brasil com alíquota de importação zero. Dessa forma, não procedem as informações de que o acordo resultará em redução do preço do azeite importado”, destaca o comunicado oficial.
Qualidade do produto importado permanece questionável
O instituto também contesta a tese de que o tratado melhorará a qualidade do azeite europeu comercializado no Brasil. Segundo a entidade, o país continuará recebendo produtos sem identificação clara de procedência e safra, frequentemente rotulados como extravirgem, mas com defeitos sensoriais que os desqualificam para essa classificação.
O Ibraoliva caracteriza o azeite brasileiro como extravirgem de qualidade premium, resultado de rigor técnico, rastreabilidade e cuidado em todas as etapas produtivas. O produto nacional não concorre diretamente com os azeites importados de baixa qualidade destinados ao mercado brasileiro.
Setor brasileiro enfrenta desvantagens competitivas
A entidade cobra do governo brasileiro políticas de reciprocidade em relação aos produtores europeus. O setor na União Europeia conta com subsídios, incentivos à produção e menor carga tributária. Enquanto a cadeia produtiva brasileira enfrenta elevada tributação interna e ausência de políticas públicas de fomento.
“Os produtores europeus contam com subsídios, políticas públicas de incentivo à produção e baixa carga tributária, enquanto o setor brasileiro enfrenta elevada carga tributária interna e a ausência de políticas públicas de fomento”, afirma o instituto na nota.
O Ibraoliva acompanha as negociações entre Mercosul e União Europeia há mais de duas décadas e sempre defendeu a integração comercial como instrumento para o desenvolvimento econômico. No entanto, a entidade considera essencial a redução das assimetrias competitivas para fortalecer o azeite brasileiro no mercado interno.
Pedido por ambiente regulatório equilibrado
Segundo o instituto, o fortalecimento da olivicultura brasileira depende de condições internas mais justas, com incentivos adequados e tratamento tributário compatível com a qualidade do produto nacional. A entidade reafirma o compromisso com a defesa da qualidade do azeite comercializado no país. E espera apoio do Estado por meio de políticas públicas eficazes e ambiente regulatório equilibrado.
“O azeite produzido no Brasil é de qualidade amplamente superior ao azeite importado que chega aos supermercados nacionais. Para que esse setor estratégico continue a se desenvolver, é indispensável o apoio do Estado brasileiro”, conclui a diretoria do Ibraoliva.