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  • Agro Clima SP: produtor rural terá dados climáticos gratuitos

    Agro Clima SP: produtor rural terá dados climáticos gratuitos

    O Agro Clima SP, programa do Governo de São Paulo, vai ampliar sua rede de monitoramento com mais 100 estações meteorológicas até 2026, garantindo dados climáticos gratuitos para produtores rurais e órgãos públicos. Desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG), o projeto já conta com 230 estações em operação em todo o estado.

    Dados em tempo real para tomada de decisão

    As estações fornecem informações atualizadas a cada 20 minutos, incluindo:

    •  Temperatura e umidade do ar
    •  Precipitação de chuvas
    •  Risco de incêndios e tempestades
    •  Umidade do solo (em algumas estações)

    Segundo Regina Célia de Matos Pires, pesquisadora e vice-diretora do IAC, os dados são disponibilizados gratuitamente não só para agricultores, mas também para prefeituras, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

    “O Agro Clima SP aumenta a resiliência agrícola, ajuda no manejo de recursos hídricos, controle de pragas e prognósticos de produtividade, contribuindo para uma agricultura mais sustentável”, afirma Regina.

    Tecnologia a serviço do campo

    As estações funcionam de forma autônoma, com energia solar, e algumas medem também a umidade do solo, permitindo irrigação mais eficiente. Durante a Agrishow 2025, duas estações foram expostas no estande do IAC, mostrando como a tecnologia pode otimizar o uso da água na agricultura.

    O programa está sendo ampliado em várias áreas, com destaque para o Alto Tietê, que receberá dez novas estações. As primeiras já estão sendo instaladas em:

    •  Barra do Una (São Sebastião)
    •  Maresias (São Sebastião)
    •  Caraguatatuba

    Orivaldo Brunini, diretor-presidente da FUNDAG, reforça que municípios e organizações podem firmar parcerias com o governo para receber os boletins diários.

    Por que isso é importante?

    •  Redução de perdas por eventos climáticos extremos
    •  Otimização da irrigação, evitando desperdício de água
    •  Melhor planejamento agrícola com dados precisos
    •  Apoio a políticas públicas de segurança alimentar e sustentabilidade

    Como acessar os dados?

    Produtores e instituições interessadas podem acompanhar as informações gratuitamente através dos canais oficiais do Agro Clima SP ou firmar convênios para recebimento personalizado.

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  • Cigarrinha-das-raízes preocupa setor sucroenergético

    Cigarrinha-das-raízes preocupa setor sucroenergético

    A cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata) desponta como uma das maiores ameaças à produção de cana-de-açúcar no Brasil. Com potencial para causar prejuízos expressivos tanto no campo quanto na indústria, a praga agora é apontada também como vetor da escaldadura das folhas — doença bacteriana que compromete a sanidade dos canaviais e agrava ainda mais o cenário.

    Segundo a consultoria DATAGRO, a estimativa para a safra 2025/26 no Centro-Sul do Brasil é de 612 milhões de toneladas de cana processadas, o que representa uma redução de 1,4% em relação ao ciclo anterior. Parte dessa queda é atribuída a fatores climáticos e incêndios. Contudo, pesquisadores alertam que a incidência de pragas, especialmente a cigarrinha-das-raízes, pode afetar ainda mais o desempenho do setor nos próximos anos.

    Condições favorecem proliferação da praga

    De acordo com a pesquisadora Leila Luci Dinardo-Miranda, do Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), mesmo com a recente queda populacional da cigarrinha devido ao clima seco, o risco permanece elevado. A especialista explica que o manejo atual dos canaviais, com colheita mecanizada e sem queima, deixa grande quantidade de palha no solo, criando um ambiente úmido propício à proliferação da praga. Além disso, algumas variedades de cana são mais suscetíveis ao ataque do inseto.

    “As ninfas atacam o sistema radicular e os adultos sugam a seiva das folhas, injetando toxinas que causam o amarelecimento e a seca da planta. O resultado é a perda de qualidade, com menor teor de sacarose e aumento da fibra, dificultando o processo industrial de extração”, explica Leila.

    Com o colmo seco, microfissuras favorecem a entrada de fungos e bactérias, podendo causar podridão vermelha e comprometer os processos fabris, inclusive com contaminação durante a produção de açúcar e etanol.

    Impacto econômico é significativo

    O engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, Marcos Vilhena, destaca o impacto econômico da praga. Segundo ele, o controle inadequado da cigarrinha pode reduzir em até 50% o TCH (toneladas de cana por hectare). “Em regiões como Ribeirão Preto, onde a produtividade média chega a 130 toneladas por hectare, a perda pode representar R$ 4.500 por hectare, considerando o preço médio de R$ 150 por tonelada”, alerta.

    Escaldadura das folhas agrava cenário

    A relação entre a cigarrinha e a escaldadura das folhas — causada pela bactéria Xanthomonas albilineans — adiciona um novo desafio à cadeia produtiva. Embora a doença seja conhecida desde 1940, seu avanço recente está associado à mecanização da colheita e ao transporte de mudas contaminadas.

    Estudos conduzidos pelo IAC confirmam que a cigarrinha-das-raízes atua como vetor da bactéria, o que reforça a necessidade de estratégias integradas de controle. O uso de mudas sadias, monitoramento constante e boas práticas agrícolas tornam-se ainda mais importantes para mitigar os danos.

    Manejo com tecnologias modernas é essencial

    Para conter o avanço da cigarrinha-das-raízes, especialistas defendem o uso de tecnologias modernas aliadas ao manejo sustentável. A rotação de ingredientes ativos nos inseticidas é uma das práticas recomendadas para evitar o desenvolvimento de resistência.

    A IHARA, por exemplo, investe em produtos com diferentes modos de ação, como o Maxsan, que combina moléculas com efeito ovicida e ação sobre ninfas. “Essa formulação, exclusiva no Brasil, atua de forma sistêmica e translaminar, garantindo absorção rápida e controle eficiente por contato e ingestão”, explica Vilhena.

    Além disso, novas soluções vêm sendo incorporadas ao portfólio da empresa. Entre elas, destacam-se o Terminus, autorizado para aplicação aérea e eficaz contra a cigarrinha, e o Zeus, indicado para o controle do Sphenophorus levis, o bicudo-da-cana, outro inimigo do canavial.

    Sustentabilidade e inovação são caminho para o futuro

    O setor de defensivos agrícolas tem buscado alternativas mais sustentáveis e seguras. “Os produtos modernos apresentam menor impacto ambiental e exigem dosagens menores, mantendo a eficácia. A adoção dessas tecnologias é fundamental para a produtividade dos canaviais e para a sustentabilidade do setor sucroenergético”, afirma Leila Dinardo-Miranda.

    Com a intensificação das pesquisas e o desenvolvimento de soluções inovadoras, o setor busca equilibrar produtividade e preservação ambiental. O enfrentamento da cigarrinha-das-raízes, agora associada à escaldadura das folhas, exige ação coordenada, conhecimento técnico e investimentos contínuos para proteger uma das cadeias produtivas mais importantes do agronegócio brasileiro.

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  • Monitoramento climático ajuda a prever e controlar pragas no milho

    Monitoramento climático ajuda a prever e controlar pragas no milho

    Pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, comprovaram que o monitoramento climático ajuda no controle sustentável de pragas no milho. Em resumo, a análise considera variáveis como temperatura e chuva para antecipar o aparecimento de pragas e doenças.

    Com isso, os agricultores conseguem reduzir custos e usar defensivos agrícolas de forma mais racional e eficiente. Além disso, o estudo contribui para a sustentabilidade no campo.

    Estudo teve base em quatro anos de ensaios

    A equipe do IAC avaliou o efeito das condições meteorológicas sobre pragas do milho em diferentes regiões do Estado de São Paulo. A análise utilizou dados coletados ao longo de quatro anos. Em geral, o objetivo foi entender como variáveis climáticas influenciam insetos, bactérias, fungos e vírus em plantações de milho. “Essa análise reduz o custo operacional e os riscos ambientais, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis”, explica Angélica Prela Pantano, pesquisadora do IAC e da APTA.

    Dados ajudam a prever o comportamento das pragas

    O estudo identificou características térmicas e exigências bioclimáticas de diferentes variedades de milho. Os testes abrangeram desde cultivares superprecoces até materiais de ciclo longo. Além disso, também foram avaliadas pragas como lagarta-do-cartucho, cigarrinha-do-milho e diabrótica. O engenheiro agrônomo Walter Holtz Merege, da CATI, contribuiu com suporte técnico. “Essa sequência de trabalho nos ajudou a entender em que condições cada praga se desenvolve”, afirma Angélica. Com base nos dados, os pesquisadores elaboraram mapas agrometeorológicos que indicam o risco de infestação por pragas. Essas previsões podem ser feitas semanal ou mensalmente.

    Agricultor ganha agilidade no manejo

    Com essas informações, o agricultor pode se planejar melhor. Portanto, ele consegue organizar os estoques e escolher o defensivo agrícola mais indicado para cada situação.

    Segundo Angélica, o estudo também definiu limites térmicos e hídricos para as pragas analisadas. A diabrótica, por exemplo, prefere temperaturas máximas entre 26°C e 32°C e mínimas entre 14°C e 18°C.

    Essa praga também se favorece com chuvas acima de 20 mm diários e acúmulo superior a 60 mm em dois dias seguidos. Ela ocorre durante todo o ano, especialmente com solo úmido, calor moderado durante o dia e noites amenas. “Altas umidades e noites frias, que favorecem fungos inimigos naturais, dificultam o aparecimento da praga”, detalha a cientista.

    Clima influencia cada praga de forma diferente

    A lagarta-do-cartucho aparece com mais frequência de outubro a janeiro. No entanto, em épocas de safrinha, pode haver surtos mesmo com pouca chuva. Em geral, essa praga se desenvolve melhor com baixa precipitação, dias quentes e noites suaves. As temperaturas ideais ficam entre 26°C e 33°C (máxima) e 14°C e 18°C (mínima). Por outro lado, chuvas intensas e temperaturas mais baixas inibem seu avanço. “O excesso de precipitação, junto com frio, reduz a presença da lagarta”, destaca Angélica.

    Já a cigarrinha-do-milho cresce mais quando as temperaturas máximas variam entre 26°C e 32°C. As mínimas ideais ficam entre 16°C e 20°C. Diferente das outras pragas, a água disponível no solo não afeta seu desenvolvimento. Essa praga ocorre durante todo o ano. Temperaturas elevadas durante o dia favorecem seu avanço, enquanto o frio limita sua presença.

    Sistema classifica potencial de infestação

    O monitoramento agrometeorológico também permite classificar o risco de infestação em três níveis: favorável, razoável e desfavorável. A condição favorável aponta alto risco de ataque, com ambiente ideal para o desenvolvimento da praga. O cenário razoável indica que a praga pode surgir, mas sem condições ideais. Já o desfavorável mostra que o ambiente limita a incidência, com impacto mínimo na lavoura.

    Essa classificação ajuda o produtor a tomar decisões mais precisas e evitar o uso desnecessário de defensivos. O acompanhamento pode ser feito diariamente ou semanalmente. “É fundamental agir rápido quando o risco é alto e evitar aplicações quando o cenário é desfavorável”, ressalta Angélica.

    Sistema prevê pragas com até 45 dias de antecedência

    A equipe do IAC criou um sistema de monitoramento com base em parâmetros biometeorológicos. A ferramenta considera temperatura e chuvas diárias para prever o surgimento de pragas em até 45 dias. Além disso, o sistema permite criar mapas espaciais por localidade. Ele utiliza dados do Centro de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro). Esses mapas facilitam a visualização da distribuição de pragas nas áreas de cultivo.

    Parcerias fortaleceram o projeto

    O projeto contou com apoio da Agência Paulista de Tecnologias do Agronegócio (APTA), da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag). A pesquisa reforça a importância do monitoramento climático para o manejo sustentável do milho. Com ele, o agricultor ganha eficiência, reduz custos e protege o meio ambiente.

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  • Síndrome da Murcha da Cana avança no Brasil

    Síndrome da Murcha da Cana avança no Brasil

    A Síndrome da Murcha da Cana tem se tornado uma preocupação crescente entre os canavicultores brasileiros, com a Companhia Agronômica de Campinas e o Centro de Tecnologia Canavieira, em parceria com a Syngenta, buscando alternativas para mitigar seus impactos. Estudos recentes indicam que a doença pode reduzir a produtividade dos canaviais em até 45%, afetando diretamente o índice TCH (Toneladas de Cana por Hectare) e comprometendo a qualidade da matéria-prima.

    Na safra 2023/24, diversos estados produtores relataram perdas significativas nas lavouras devido à síndrome. Embora a doença tenha sido identificada na década de 1960, sua gravidade aumentou nos últimos anos. Temos registros em estados como Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Mato Grosso e Tocantins. Os sintomas incluem colmos murchos ou secos e coloração avermelhada ou marrom glacê.

    Diagnóstico e resposta ao problema

    Thales Barreto, gerente de marketing de produtos fungicidas da Syngenta, enfatiza que a complexidade do diagnóstico e a falta de variedades resistentes exigem uma resposta rápida e coordenada de todos os setores envolvidos na cadeia produtiva. “Precisamos unir pesquisa e estratégias de manejo eficazes, como corte antecipado e controle químico, para mitigar os impactos da síndrome”, afirma.

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    Desde 2021, grupos de consultores técnicos e pesquisadores têm monitorado áreas afetadas para entender as causas da doença. Levantamentos iniciais apontam que fatores bióticos, como fungos patogênicos — incluindo Pleocyta sacchari, Fusarium spp. e Colletotrichum falcatum — são os principais responsáveis pelas perdas. A Orplana reporta que essas perdas podem chegar a 45% em algumas regiões.

    Consequências para a indústria

    A Síndrome da Murcha da Cana impacta diretamente a produção de açúcar e etanol, reduzindo os níveis de sacarose e comprometendo o desenvolvimento das plantas. Estima-se que cerca de 30% da área cultivada com cana no Brasil, aproximadamente 3 milhões de hectares, já esteja afetada. Eventos climáticos extremos também têm contribuído para a evolução da doença.

    Para enfrentar essa situação crítica, diversas instituições estão se mobilizando para encontrar soluções. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) está realizando pesquisas sobre combinações de fungicidas para combater o problema. Enquanto isso, recomenda-se que as canas afetadas sejam colhidas rapidamente para minimizar as perdas.

    Com o avanço da síndrome e seus impactos já sentidos nas lavouras, especialistas alertam que é necessário um esforço conjunto para garantir a sustentabilidade da produção de cana-de-açúcar no Brasil. A colaboração entre instituições de pesquisa e produtores será essencial para desenvolver estratégias eficazes que assegurem a saúde dos canaviais e a continuidade da produção no setor sucroalcooleiro.

    A Síndrome da Murcha da Cana representa um desafio significativo para os canavicultores brasileiros. Com perdas potenciais elevadas e um cenário climático adverso, é crucial que o setor se una em busca de soluções inovadoras para mitigar os efeitos dessa doença e garantir a produtividade nas lavouras.

  • Pesquisadores discutem segurança no uso de agroquímicos

    Pesquisadores discutem segurança no uso de agroquímicos

    Quarenta pesquisadores de 16 países se reunem em Jundiaí para discutir a segurança no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no manejo de agroquímicos. O encontro internacional inédito no Brasil ocorre entre os dias 23 e 25 de outubro,

    Promovido pelo Consórcio Internacional de Qualidade dos Equipamentos de Proteção Individual no Uso de Agroquímicos, o objetivo é aprimorar os conhecimentos e ferramentas para mitigar os riscos químicos aos trabalhadores rurais. Especialmente nas pequenas propriedades de países em desenvolvimento.

    Durante o encontro, especialistas de países como Estados Unidos, Alemanha, França e nações africanas, abordarão diretrizes de avaliação de riscos e modelos de comunicação sobre o uso de pesticidas. O foco será a proteção de trabalhadores que utilizam pulverizadores costais e semiestacionários, sistemas mais suscetíveis à exposição direta a ativos químicos.

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    O evento contará ainda com uma demonstração prática, onde serão apresentados métodos de aplicação segura de agroquímicos e o uso correto de EPIs. A coordenação é de Hamilton Ramos, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC) e líder do programa IAC-Quepia. O programa estuda a qualidade de vestimentas protetivas agrícolas.

    O encontro destaca a importância de desenvolver ações concretas para melhorar as condições de segurança dos trabalhadores rurais. Assim, integrando esforços globais para a redução de riscos no campo.

  • Biocarvão de eucalipto ajuda na melhoria do solo

    Biocarvão de eucalipto ajuda na melhoria do solo

    Um estudo recente realizado no Centro Experimental Central do Instituto Agronômico (IAC), em Campinas (SP), trouxe novas evidências sobre os efeitos do biochar (biocarvão) de eucalipto na qualidade de solos argilosos em ambientes tropicais. A pesquisa, conduzida em parceria com a Embrapa Meio Ambiente e a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, teve duração de 28 meses e focou na eficácia do biocarvão em solos altamente intemperizados, que apresentam significativa presença de óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio.

    Isabella Lucon, professora da Faculdade de Agronegócios de Holambra (Faagroh), explica que o solo utilizado no estudo, típico de regiões tropicais, é naturalmente desafiador para a agricultura devido à sua baixa fertilidade e alta acidez. “No entanto, a aplicação de biochar se mostrou promissora na melhoria de propriedades físicas e químicas do solo”, observa.

    O biocarvão, produzido a partir de resíduos de eucalipto por meio de pirólise, foi incorporado ao solo e seus efeitos foram monitorados durante dois ciclos de cultivo de milho, nas safras de 2016/2017 e 2017/2018.

    Resultados do estudo

    Ruan Carnier, bolsista na Embrapa Meio Ambiente, destaca que os resultados indicaram melhorias significativas na fertilidade do solo. “A aplicação do biochar aumentou a disponibilidade de nutrientes essenciais, como fósforo, cálcio e potássio, na camada de solo de 5 cm a 10 cm de profundidade. Esses elementos são fundamentais para o crescimento saudável das plantas, e seu aumento pode contribuir para aumentar a produtividade agrícola em solos previamente deficientes”, afirma Carnier.

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    Cristiano Andrade, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, complementa que, além das melhorias químicas, o biochar também influenciou positivamente as propriedades físicas do solo. A densidade aparente, que indica a compactação do solo, diminuiu, enquanto a porosidade total aumentou. “Essas mudanças são benéficas para a estrutura do solo, facilitando a penetração das raízes e a movimentação de água e ar, que são essenciais para a saúde das plantas”, enfatiza Andrade.

    Retenção de água e desafios

    Outro aspecto positivo observado foi o aumento da capacidade do solo em reter água. Para cada tonelada de biochar aplicada, houve um incremento de 500 litros de água disponível por hectare. Essa retenção hídrica pode ser crucial em períodos de estiagem, especialmente para culturas com menor demanda hídrica, como algumas culturas de inverno.

    Aplicação do biocarvão – Foto- Isabella Lucon

    Entretanto, o estudo também revelou limitações importantes na aplicação do biochar em solos argilosos de regiões tropicais. Embora tenha havido melhorias na porosidade e na retenção de água, a resistência do solo à penetração, que indica a facilidade com que as raízes podem crescer, não foi significativamente afetada. Além disso, os pesquisadores apontam para a questão do custo-benefício. Já que doses maiores de biochar podem ser necessárias para efeitos mais expressivos, elevando os custos. O estudo não detectou mudanças significativas nos níveis de micronutrientes ou no carbono orgânico do solo, o que poderia limitar os benefícios a longo prazo.

    Implicações e futuras pesquisas

    Este estudo destaca a importância de considerar as características específicas do solo e do ambiente ao avaliar a eficácia do biocarvão. Em regiões tropicais com solos argilosos, o uso de biochar pode trazer benefícios, mas esses são mais discretos em comparação a outros tipos de solo. Portanto, antes de recomendar sua aplicação em larga escala, é crucial realizar análises econômicas e experimentos de longo prazo que levem em conta as particularidades de cada região.

    Os pesquisadores enfatizam que, apesar das limitações, o biochar continua sendo uma ferramenta promissora para a melhoria do solo. Especialmente em áreas onde a sustentabilidade agrícola é uma preocupação. Eles apontam para a necessidade de mais pesquisas em campo para entender melhor as interações do produto com diferentes tipos de solo e condições climáticas. As futuras pesquisas deverão se concentrar em otimizar as doses e métodos de aplicação para maximizar os benefícios. Isso enquanto se avaliam os custos e a viabilidade econômica para os agricultores.

     

  • Incêndios afetam canaviais e pesquisas no interior de São Paulo

    Incêndios afetam canaviais e pesquisas no interior de São Paulo

    Os incêndios recentes no interior de São Paulo atingiram duramente o Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC-Apta) em Ribeirão Preto. O fogo destruiu 80% das áreas experimentais e comprometeu 50% do viveiro de mudas, impactando a pesquisa agronômica e a produção de mudas de cana-de-açúcar. O centro, um dos mais importantes do Brasil, produz entre 2,5 e 3 milhões de mudas anualmente.

    O diretor-geral do IAC, Marcos Landell, afirmou que os incêndios devastaram o Centro de Cana, destruindo 80% das áreas experimentais. Embora medidas para minimizar as perdas tenham sido adotadas, alguns danos são irreparáveis e só poderão ser corrigidos em ciclos futuros.

    Recuperação e desafios para a produção

    Apesar dos danos, a rebrota da cana pode permitir a recuperação de alguns experimentos. “A cana tem capacidade de rebrotar após o corte, possibilitando avaliações no ciclo seguinte. No entanto, esse processo pode atrasar nosso trabalho em até um ano”, explicou Landell. Além disso, a situação é mais crítica para experimentos com cana recém-plantada, onde a perda de vigor pode comprometer o desenvolvimento de novas variedades.

    Além disso, os incêndios também afetaram os canaviais comerciais, que precisam colher a cana queimada rapidamente para evitar perdas maiores na qualidade da matéria-prima. Segundo Landell, cada dia de atraso deteriora a qualidade da cana, afetando a eficiência industrial e aumentando os custos de produção.

    Antonio Eduardo Tonielo, conselheiro do Grupo Viralcool, expressou preocupação com os danos causados pelo fogo. Ele destacou que o governador Tarcísio de Freitas instalou um gabinete de crise na região para enfrentar a situação. Tonielo enfatizou que os incêndios comprometeram não apenas as plantações de cana, mas também infraestrutura, criação de animais e pastagens. “Agora, precisamos moer essa cana queimada o mais rápido possível para minimizar os prejuízos”, disse ele.

    Impacto na produção de mudas

    Mauro Xavier, diretor do Centro de Cana, destacou os desafios para a produção de mudas. “Perder 50% do viveiro significa replanejar todo o processo de produção, impactando diretamente a oferta de mudas para o próximo ano”, afirmou Xavier.

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    Perspectivas futuras

    A recuperação dos canaviais e a retomada dos experimentos representam grandes desafios para o IAC e para os produtores de cana da região. Além dos impactos imediatos, há preocupação com a produtividade futura, já que as variedades afetadas pelo fogo podem não brotar de maneira uniforme, gerando falhas nos canaviais.

    Marcos Landell destacou que o IAC continuará desenvolvendo variedades mais resistentes e promovendo o corte mecânico de cana crua, que oferece vantagens ambientais e produtivas. “Ninguém quer mais a cana queimada. O fogo não traz benefícios para a pesquisa, para os produtores ou para a população”, concluiu.

  • Programa ‘Drones SP’ apresenta resultados de pesquisas

    Programa ‘Drones SP’ apresenta resultados de pesquisas

    A 57ª edição do Congresso Brasileiro de Olericultura, que acontece até o dia 9 de agosto em Campinas, vai apresentar os primeiros resultados do programa ‘Drones SP’. Esta iniciativa público-privada une a Fundação Coopercitrus Credicitrus, um dos maiores braços de cooperativas agrícolas do Brasil, e o Centro de Engenharia e Automação (CEA) do Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

    Com o tema “Olericultura 4.0, Desafios e Oportunidades”, o evento contará com a presença de Hamilton Ramos, pesquisador científico e diretor geral do CEA, que apresentará os resultados das pesquisas do programa no dia 8 de agosto. O ‘Drones SP’ tem como objetivo aprimorar as tecnologias de aplicação de defensivos agrícolas, tanto químicos quanto biológicos, utilizando drones.

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    Pesquisa e desenvolvimento

    As pesquisas do programa serão realizadas nos laboratórios do CEA-IAC, enquanto as aplicações a campo ocorrerão na Fundação Coopercitrus, em uma área de experimentação homologada por órgãos oficiais em Bebedouro. Ramos destacou que as análises abrangem cultivos olerícolas, frutas, além de milho, soja e cana-de-açúcar.

    Hamilton Ramos, pesquisador científico e diretor geral do CEA

    Atualmente, o programa está captando empresas para se tornarem cotistas e financiar estudos na área de tecnologia de aplicação de agroquímicos e bioinsumos por drones. “Os primeiros ensaios do programa Drones SP têm resultados promissores”, afirmou Ramos. ‘Ressaltando que as empresas participantes terão acesso a dados e conclusões das pesquisas, além de sessões de treinamento em ‘dias de campo’.

    Foco em tecnologia e viabilidade

    Ramos explicou que o ‘Drones SP’ foca na tecnologia de aplicação e no uso eficaz e seguro dos equipamentos nas propriedades. O programa abrange conceitos como volume de calda, taxa de cobertura, tamanho de gotas, condições climáticas, deriva de produtos e compatibilidade de insumos. “Trata-se de uma tecnologia emergente e revolucionária, mas com muitos pontos ainda a esclarecer sobre a eficácia e viabilidade econômica nas propriedades”, concluiu.

    O 57º Congresso Brasileiro de Olericultura ocorrerá na sede do IAC, em Campinas. E e promete ser um espaço importante para a discussão sobre as inovações no setor. Para mais informações sobre o evento, acesse aqui.

  • Centro de Engenharia e Automação (CEA) comemora aniversário

    Centro de Engenharia e Automação (CEA) comemora aniversário

    O Centro de Engenharia e Automação (CEA), do Instituto Agronômico (IAC), referência no agronegócio brasileiro, completou 55 anos de atividades ininterruptas no último dia 14. Localizado em Jundiaí (SP), o CEA-IAC desenvolve tecnologias e projetos de alta relevância em várias áreas. Entre elas mecanização, agricultura regenerativa, agricultura por imagem, meio ambiente e segurança no manuseio de agroquímicos.

    Segundo o diretor do centro, o pesquisador Hamilton Ramos, o CEA lidera projetos de alcance nacional e global, como os programas Drones SP, Adjuvantes da Pulverização, Aplique Bem, IAC-Quepia e Unidade de Referência em Produtos Químicos e Biológicos. Ramos destaca que esses principais projetos são resultado de parcerias com o setor privado.

    Projetos de sucesso

    Entre as iniciativas recentes, o Centro de Engenharia e Automação-IAC iniciou o programa ‘Drones SP’, em parceria com a Coopercitrus. O programa leva tecnologia de aplicação de agroquímicos por drones a propriedades selecionadas do ‘Circuito das Frutas’, na região de Jundiaí.

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    Outro programa de destaque é o ‘IAC-Quepia’, que reduziu de 80% para menos de 20% o índice de reprovação de qualidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) agrícolas no país, em dez anos. Também conquistou a inserção internacional, com a participação no Comitê da ISO e no Consórcio Internacional de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura.

    Pesquisador Hamilton Ramos recebeu a medalha Fernando Costa – Reprodução CEA

    Além disso, os programas ‘Adjuvantes da Pulverização’ e ‘Aplique Bem’ também ganharam dimensão global. O primeiro foca em certificações de funcionalidade para adjuvantes agrícolas, enquanto o segundo leva treinamentos customizados para o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, beneficiando mais de 75 mil agricultores em mais de 1.000 municípios brasileiros.

    “São 55 anos de conquistas altamente representativas, que beneficiam agricultores e trabalhadores rurais de todos os ‘tamanhos’, dentro e fora do Brasil”, finaliza Hamilton Ramos.