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  • RS elimina mais de 200 árvores cítricas após foco de greening

    RS elimina mais de 200 árvores cítricas após foco de greening

    A força-tarefa criada após a confirmação do primeiro caso de greening no Rio Grande do Sul já realizou a vistoria de 522 imóveis e promoveu a erradicação de 201 árvores cítricas em Palmitinho, município localizado no norte do estado. O foco da doença foi identificado em 8 de junho, conforme informações divulgadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

    As equipes concluíram os trabalhos de fiscalização e eliminação de plantas no raio de 500 metros ao redor do foco inicial. Além disso, as ações de monitoramento na área ampliada de 2,4 quilômetros já estão em fase final.

    A próxima etapa poderá incluir a ampliação da vigilância para municípios vizinhos. O objetivo é detectar rapidamente possíveis novos registros da doença e evitar sua disseminação para outras regiões produtoras.

    Fiscalização do SEAPI
    Força-tarefa já vistoriou 522 imóveis em Palmitinho (RS) — Foto: Divulgação/Seapi

    As medidas seguem os protocolos estabelecidos pelo Programa Nacional de Prevenção e Controle do Huanglongbing (PNCHLB). Nesse contexto, as ações concentram esforços no combate ao psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão da bactéria associada ao greening.

    Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Ricardo Felicetti, a grande quantidade de plantas cítricas encontradas em quintais e áreas urbanas levou o Estado a reforçar a estratégia de monitoramento.

    “Optamos por ampliar o monitoramento na área urbana e, nas próximas semanas, faremos novas prospecções na área rural”, afirmou durante reunião da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

    Doença representa risco à produção de citros

    Considerado uma das maiores ameaças à citricultura mundial, o greening não possui cura. Por isso, especialistas apontam a identificação precoce e a eliminação rápida das plantas infectadas como as principais ferramentas para reduzir os impactos da doença.

    Além de comprometer a produtividade dos pomares, o greening reduz a qualidade dos frutos e pode provocar a morte das plantas. Em consequência, a doença representa um desafio significativo para produtores e para toda a cadeia de produção de citros.

     

  • Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, na segunda-feira (8), os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no Rio Grande do Sul, marcando a chegada de uma das doenças mais devastadoras da citricultura mundial ao estado.

    Um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina, registrou a ocorrência. A rede oficial de laboratórios do Ministério confirmou o caso por meio de análises laboratoriais.

    Monitoramento e resposta rápida

    A detecção do greening no estado é resultado de um programa contínuo de vigilância fitossanitária conduzido desde 2004 pelo Mapa, por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul (SFA-RS), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS).

    Nos últimos anos, os órgãos responsáveis intensificaram as ações devido ao avanço da doença em regiões próximas, como a Argentina, o Uruguai e o estado de Santa Catarina, o que aumentou o risco de disseminação para o território gaúcho.

    Equipes técnicas já estão mobilizadas na região afetada para realizar o monitoramento de propriedades vizinhas e implementar medidas emergenciais de contenção.

    Medidas fitossanitárias e controle do vetor

    As ações seguem o Plano de Ação estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que institui o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening.

    Entre as principais medidas adotadas estão:

    • Erradicação imediata das plantas infectadas
    • Controle rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor da doença
    • Intensificação da fiscalização do trânsito de mudas
    • Ampliação da vigilância em pomares comerciais e domésticos

    O Serviço Oficial reforça que o uso de mudas certificadas e de origem regular é fundamental para evitar a disseminação do greening.

    Impactos do greening na citricultura

    O greening é considerado a principal ameaça fitossanitária da citricultura global. A doença não oferece riscos à saúde humana, mas provoca sérios prejuízos econômicos.

    Entre os principais impactos estão:

    • Deformação e queda prematura dos frutos
    • Redução da qualidade e do teor de suco
    • Queda significativa da produtividade
    • Enfraquecimento e morte das plantas

    No Brasil, maior produtor mundial de laranja, a doença já causa prejuízos relevantes, especialmente no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais.

    Alerta para produtores do Sul

    A confirmação no Rio Grande do Sul acende um alerta para produtores da região Sul, onde a citricultura tem papel importante na agricultura familiar e no abastecimento regional.

    Especialistas destacam que a detecção precoce e a adoção rigorosa de medidas sanitárias são essenciais para evitar a disseminação do greening e proteger a cadeia produtiva.

  • Doença começa a mudar o mapa da citricultura no Brasil

    Doença começa a mudar o mapa da citricultura no Brasil

    O avanço implacável do huanglongbing (HLB ou greening), doença que devasta pomares de citros em todo o mundo, está reconfigurando a citricultura brasileira. O tradicional Cinturão Citrícola, que abrangia São Paulo (exceto o litoral), Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, agora se expande para Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Distrito Federal, formando o Cinturão Citrícola Expandido (CCE). Pesquisadores da Embrapa e do Fundecitrus lideram iniciativas inéditas de zoneamento climático e fitossanitário para orientar produtores na migração estratégica.

    Expansão para o Cinturão Citrícola Expandido

    “A Embrapa está imbuída em colaborar de todas as formas para mitigar e controlar o huanglongbing , mas a avaliação de que a citricultura pode mudar e se expandir para novas áreas é uma realidade”, afirma Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura. “Vamos seguir nessa linha, procurando avaliar todo o País. É um compromisso com a cadeia produtiva”, reforça.

    Com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta que mapeia vulnerabilidades climáticas em municípios brasileiros, cientistas identificaram regiões com menor risco para a instalação de novos pomares. “Conseguimos separar áreas limítrofes do Cinturão Citrícola tradicional e diagnosticar possibilidades de expansão”, explica Mauricio Coelho, coordenador do Zarc Citros. O estudo considera fatores como déficit hídrico e temperaturas elevadas, críticos para floração e frutificação.

    Deslocamento é impulsionado pelo avanço do HLB e expande a produçào para outros estados, além de São Paulo e Minas Gerais. Foto: Orlando Passos/Embrapa

    Um projeto financiado pela Fapesp até 2026 avança no zoneamento de riscos fitossanitários, focando no psilídeo (vetor do HLB) e na podridão floral dos citros. “Queremos gerar mapas de favorabilidade para essas pragas no CCE, auxiliando produtores a tomar decisões em cenários climáticos futuros”, afirma Alécio Moreira, analista da Embrapa. Os primeiros resultados devem sair em 2025.

    Renato Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus, destaca que a migração ganhou força em 2023 e segue em ascensão: “Em 2024, produtores intensificaram a busca por áreas livres do greening”. Apesar do aumento da doença em São Paulo (de 38% para 44% em 2024), o ritmo de crescimento diminuiu, sinalizando controle parcial.

    Desafios logísticos e climáticos

    Danilo Yamane, da FortCitrus Consultoria, aponta três obstáculos para a expansão: clima adverso, logística distante dos polos processadores e falta de mão de obra especializada. “Temperaturas altas prejudicam a fisiologia da planta, e regiões novas carecem de infraestrutura consolidada”, explica.

    Para enfrentar esses desafios, empresas como a Cambuhy Agrícola já migraram parte de seus cultivos. “Plantamos 1.200 hectares em Mato Grosso do Sul, gerando 1.200 empregos diretos”, relata Fabrício Lanza, gerente da empresa. A Agroterenas também investiu no estado: “Iniciamos 1.500 hectares em 2024, com orientação técnica da Embrapa sobre porta-enxertos e manejo”, diz Ezequiel Castilho, diretor da AGT Citrus.

    Por trás dos dados: processamento em tempo real

    Eduardo Monteiro, da Embrapa Agricultura Digital, detalha a base tecnológica do Zarc: “Processamos 4 mil séries históricas de clima, simulando cenários para diferentes solos e ciclos de cultivo”. Os dados, validados por especialistas e setor produtivo, orientam portarias do Ministério da Agricultura.

    Enquanto o huanglongbing pressiona o coração citrícola paulista, a ciência abre rotas para uma nova geografia agrícola. Com investimento em pesquisa e adaptação logística, o Brasil busca manter sua liderança global na produção de laranjas, mesmo sob a sombra do greening.

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  • Novas estratégias para o controle do greening

    Novas estratégias para o controle do greening

    A Expocitros 2024, principal feira citrícola do Brasil, realizada em Cordeirópolis (SP), destacou novas estratégias para o controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), vetor da doença greening. A equipe técnica da Sipcam Nichino celebrou a aceitação de sua nova estratégia para controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri). Esse é o vetor da doença ‘greening’. A nova abordagem, que utiliza os compostos buprofezina e fenpiroximato, mostrou-se altamente eficaz, com controle de 80% a 100% das populações do inseto.

    evento expocitrus
    Reprodução – divulgação

    De acordo com pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), a combinação desses compostos oferece uma solução economicamente viável e agronomicamente eficaz para os citricultores. “Buprofezina atua por contato e vapor em todas as etapas de desenvolvimento do psilídeo, recomendando-se duas aplicações com intervalos de sete dias nos períodos de maior ocorrência de brotações”, explicou Marcelo Palazim, engenheiro agrônomo e um especialista do setor.

    Previsão de Avanço do Greening na Safra 2024-25

    Especialistas apontam que a prevalência de preços baixos para a caixa de laranja nos últimos anos tem desmotivado produtores a investir no controle do greening, resultando em um aumento significativo do inseto-vetor. Gilberto Tozatti, da Citrus Consulting, estima que a doença deverá avançar de 38% para mais de 50% dos pomares do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais na safra 2024-25.

    Dados do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) indicam prejuízos de até R$ 3,5 milhões em 2023 devido à intensidade da doença em determinadas fazendas. “O greening representa hoje a principal preocupação dos citricultores, causando grandes perdas de produtividade e aumento no preço da laranja. Medidas eficazes de manejo são essenciais para reduzir os danos e garantir a rentabilidade dos produtores”, concluiu um especialista do setor.

    Greening no Brasil

    O greening, ou Huanglongbing (HLB), é uma das doenças mais devastadoras da citricultura brasileira, comprometendo a produtividade dos pomares e a qualidade das frutas. Transmitido pelo psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), o greening afeta grandes áreas de cultivo, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. A falta de controle adequado, impulsionada por baixos investimentos, agrava a disseminação da doença. Medidas integradas de manejo e novas estratégias de controle são cruciais para mitigar os impactos econômicos e preservar a saúde dos pomares brasileiros.