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  • Nova rota aérea leva alimentos brasileiros frescos para turistas na África em tempo recorde

    Nova rota aérea leva alimentos brasileiros frescos para turistas na África em tempo recorde

    Pela primeira vez, o Brasil exportou hortifrútis frescos em um voo direto para a Ilha do Sal, em Cabo Verde. A operação pioneira, que partiu do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), promete revolucionar o abastecimento de alimentos perecíveis no arquipélago africano.

    Em vez de seguir a rota tradicional, que incluía escalas em aeroportos europeus e posterior transporte marítimo, a carga com cerca de 5 toneladas de alimentos brasileiros seguiu em um cargueiro fretado diretamente para o destino. A iniciativa, acompanhada pela Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tem como objetivo testar a viabilidade de tornar essa entrega direta uma prática frequente.

    “O mercado de Cabo Verde já conhece os produtos brasileiros, mas a logística anterior era mais demorada. Este primeiro embarque é um teste com pequenas quantidades de diferentes itens para verificar a viabilidade de adotar essa entrega direta com mais frequência”, explicou Rita Lourenço, chefe da Vigiagro em Viracopos.

    Qualidade e agilidade na mesa do consumidor

    A nova logística representa um salto de qualidade para os alimentos que chegarão à ilha. Ao eliminar as escalas e o transbordo, o tempo de transporte é drasticamente reduzido, o que é crucial para itens altamente perecíveis. Entre os produtos enviados estão os mais sensíveis, como alface, tomate e pimentão.

    De acordo com a servidora do Mapa, os voos diretos são fundamentais para ampliar o tempo de prateleira. Além de melhorar a conservação e garantir a apresentação ideal dos alimentos. Outro diferencial importante é que os hortifrútis seguiram diretamente do produtor para o destino final, sem a atuação de intermediários, um modelo que agrega valor e assegura a qualidade superior dos produtos brasileiros no exterior.

    A expectativa é que essa remessa abasteça, principalmente, hotéis e resorts da Ilha do Sal, um dos destinos turísticos mais procurados de Cabo Verde, localizada na costa noroeste da África.

    Lista de produtos embarcados na operação inédita:

    Frutas: lima ácida Tahiti (1.310 kg), mamão (891 kg), manga (576 kg). Abacate avocado (720 kg), figo roxo (240 kg), pitaya (36 kg), goiaba (13,8 kg) e carambola (7,2 kg).

    Legumes e Hortaliças: pimentão (234 kg), mandioca (108 kg), tomate fresco (18 kg) e alface fresca (6,4 kg).

  • Conheça o caminho das frutas premium até o consumidor

    Conheça o caminho das frutas premium até o consumidor

    A Ceasa/MS (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul) tem se consolidado como referência regional na comercialização de hortifrutis premium. Em 2025, o entreposto recebeu produtos de diferentes estados brasileiros e de países como Argentina, Chile, Uruguai, Estados Unidos e Egito. A operação envolve uma logística rigorosa, que assegura a chegada das frutas em perfeito estado até a mesa do consumidor.

    Os cuidados começam ainda no campo. Desde a colheita, produtores adotam padrões técnicos de manejo e embalagem para evitar danos mecânicos e preservar a qualidade nutricional. No transporte, caminhões refrigerados mantêm temperaturas controladas, garantindo a integridade das cargas durante longas viagens até Campo Grande.

    Tecnologia e refrigeração preservam qualidade

    Dentro da Ceasa/MS, empresas investem em câmaras frias de grande porte para armazenar frutas, verduras e legumes em condições ideais. No pavilhão 10, inaugurado em 2025, ficam instaladas companhias como Casa do Morango, Horti Van e Top Morena, responsáveis por algumas das maiores estruturas climatizadas do entreposto. Cada empresa destina cerca de metade da área às câmaras frias, que podem alcançar até 20 metros de altura e comportar até 150 toneladas de produtos.

    A Horti Van se destaca pela oferta de frutas premium — itens com coloração intensa, formato uniforme, ausência de manchas e sabor acentuado. Entre as mais procuradas está a uva sem sementes Pingo de Mel, cultivada em Petrolina (PE), a cerca de 2,5 mil quilômetros de Campo Grande. As frutas chegam à Ceasa/MS com código de barras que identifica produtor, variedade, procedência e data de envio.

    Frutas premium ganham espaço no mercado

    Segundo o gerente comercial da Horti Van, Humberto Firmino, a classificação dos produtos segue padrões internacionais. “A categoria premium representa um nível de qualidade superior, com frutas refrigeradas, embaladas e rastreadas, garantindo segurança e frescor até a entrega final”, explica.

    Foto: Ceasa/MS Divulgação

    Além das uvas, a empresa comercializa maçãs Gala, Pink e Red importadas da Argentina e do Chile, melões do Rio Grande do Norte e mangas Tommy de Juazeiro (BA). Todos permanecem sob refrigeração entre 4 °C e 14 °C, conforme a necessidade de cada produto. “Nossas câmaras frias têm capacidade total de 300 mil quilos”, destaca Firmino.

    Outra fruta que chama atenção é a pera asiática Singo Pear. Cada unidade chega embalada individualmente, protegida por pequenas pétalas de isopor e mantida em baixas temperaturas para conservar textura e sabor.

  • La Niña vai afetar o preço da alimentação

    La Niña vai afetar o preço da alimentação

    O fenômeno climático La Niña, caracterizado pela queda de mais de 0,5 °C na temperatura e pelo aumento da incidência de chuvas nas regiões Norte e Nordeste, está afetando diretamente as plantações de hortifrútis no Brasil. Culturas de tomate, uva e melão, localizadas principalmente na Bahia, Pernambuco, Sergipe e Ceará, enfrentam perdas significativas em produtividade e qualidade dos frutos devido à alta umidade, que favorece a proliferação de doenças.

    De acordo com Luís Grandeza, gerente de culturas e portfólio da FMC, “na região do Vale do São Francisco, os meses de junho e julho normalmente não são chuvosos. No entanto, neste ano, já registramos algumas chuvas, e os produtores devem se atentar ao controle fitossanitário preventivo contra fungos e bactérias”.

    Doenças fúngicas em alta

    Entre as doenças mais preocupantes nesse período estão a requeima (Phytophthora infestans) no tomate e na batata, e o míldio (Plasmopara vitícola) na uva. Essas doenças podem dizimar áreas inteiras em poucos dias, especialmente sob condições de temperatura noturna amena (11°C a 23°C) e alta umidade (acima de 90%). “Os fungos não são visíveis na fase inicial, por isso, quando os sintomas aparecem, a lesão já está formada na folha”, alerta Grandeza.

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    Para mitigar os riscos, ele recomenda que “sempre que houver previsão de chuva, o agricultor deve fazer a pulverização no dia anterior, a fim de reduzir a população de esporos e evitar a propagação das doenças”. A utilização integrada de soluções biológicas e químicas é fundamental para aumentar a eficiência do manejo de forma sustentável.

    Manejo integrado e sustentabilidade

    O manejo integrado é uma estratégia que visa potencializar os resultados, minimizando a resistência às soluções de controle e preparando as plantas para condições adversas. Com a expectativa de aumento nos índices pluviométricos, La Niña também traz à tona outra doença relevante: o mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), que pode causar uma redução média de produtividade de 20% a 30%, chegando a 70% em condições desfavoráveis.

    Para o manejo dessas doenças, Grandeza sugere uma solução biológica que atua por meio de antibiose, competição e indução sistêmica de resistência. “A interação de defensivos químicos e biológicos agrega à sustentabilidade e segurança alimentar, pois pode controlar pragas e doenças simultaneamente sem gerar impactos ambientais”, destaca.

    Com a crescente incidência de doenças fúngicas devido ao fenômeno La Niña, é crucial que os produtores adotem práticas de manejo integrado e soluções sustentáveis para proteger suas culturas. A atenção ao controle fitossanitário e a utilização de tecnologias inovadoras serão fundamentais para garantir a produtividade e a qualidade dos hortifrútis no Nordeste brasileiro.