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  • Um único abacate domina o mundo e isso pode ser um perigo

    Um único abacate domina o mundo e isso pode ser um perigo

    Ao comprar abacates no supermercado, montar uma torrada com a fruta em casa ou pedir guacamole no restaurante, o consumidor provavelmente leva para a mesa sempre a mesma variedade genética. Trata-se do abacate Hass, que surgiu na Califórnia no século XX e, desde então, se espalhou por enxertos em pomares ao redor do planeta. Hoje, essa única linhagem responde por mais de 80% da produção comercial de abacates no mundo.

    Reprodução – Mapa

    Essa padronização trouxe vantagens econômicas e logísticas, mas também abriu uma fragilidade importante. Como todas as plantas Hass são geneticamente idênticas, a cultura se torna mais vulnerável a doenças e às mudanças climáticas. Um cenário que especialistas comparam a colocar todos os ovos na mesma cesta.

    Um estudo recente da Universidade Texas A&M, publicado nos periódicos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e Plants, People, Planet, reforça esse alerta e aponta uma saída: olhar para o passado da fruta.

    Fósseis de 11 mil anos revelam a origem da domesticação

    A pesquisadora Heather Thakar, professora assistente de antropologia na Texas A&M, lidera escavações no abrigo rochoso El Gigante, em Honduras. Este é um dos poucos sítios arqueológicos das Américas com preservação excepcional de restos vegetais em ambiente tropical. As análises indicam que humanos já consumiam abacates selvagens há cerca de 11 mil anos e começaram a selecionar frutos maiores há pelo menos 7.500 anos, processo que antecede até mesmo a domesticação do milho.

    Para Thakar, essa longa história de seleção por sementes guarda lições valiosas para os desafios agrícolas atuais. Segundo a pesquisadora, boa parte da diversidade genética dos abacates antigos ainda sobrevive em populações selvagens do México e da América Central, e o cruzamento entre plantas domesticadas modernas e essas populações selvagens pode ampliar as chances de adaptação às mudanças climáticas. Uma estratégia mais eficaz do que depender exclusivamente da clonagem.

    Nicarágua revela um “hotbed” de diversidade genética

    Outra frente de pesquisa, conduzida pelo doutorando Kevin Wann, também da Texas A&M, mapeou o DNA de variedades nativas. Chamadas de landraces, são cultivadas por gerações em Nicarágua, Honduras e no sul do México. A equipe coletou material genético de 47 landraces, sendo 32 delas de origem nicaraguense. E comparou os dados com informações já publicadas sobre mais de 200 outras linhagens de abacate.

    Foto: arquivo Agro em Campo

    Os agricultores locais entrevistados confirmaram que essas variedades tradicionais de terras baixas nunca apresentaram podridão de raiz. A doença afeta boa parte das plantações comerciais de Hass. A descoberta identificou ainda dois grupos genéticos até então não documentados pela ciência, batizados de TL-1 e TL-2. Além de rastros genéticos de uma migração da fruta desde a América do Sul até a América Central, ocorrida há cerca de 5 mil anos.

    Wann destaca que a amplitude da diversidade genética do abacate é maior do que a ciência havia registrado até agora, e defende que esse material genético pode ajudar a proteger plantações comerciais vulneráveis a doenças.

    Canárias também miram no passado para proteger o futuro

    Do outro lado do Atlântico, pesquisadores do Instituto Canário de Investigações Agrárias e do CSIC espanhol chegaram a conclusões semelhantes ao estudar landraces preservadas na ilha de La Palma, nas Canárias. O grupo alerta que a concentração da produção mundial na variedade Hass compromete a sustentabilidade da cultura a longo prazo diante das mudanças climáticas. E recomenda que estudos futuros priorizem o uso dessas populações tradicionais para enfrentar desafios como a escassez de água de irrigação e a degradação do solo.

    Em conjunto, as pesquisas de Honduras, Nicarágua e Canárias apontam para uma mesma direção. Recorrer aos parentes selvagens e às variedades tradicionais do abacate para reconstruir uma base genética mais ampla. Programas de melhoramento que combinem seleção de sementes de plantas domesticadas com populações selvagens podem reduzir a dependência de um único clone. E tornar a cultura mais preparada para enfrentar pragas, doenças e a instabilidade climática.

    Para a indústria bilionária do abacate, e para quem simplesmente aprecia uma torrada com a fruta pela manhã, a mensagem dos cientistas é clara: o futuro da fruta pode depender de resgatar sua própria história.

  • Brasil e Honduras ampliam cooperação para modernizar o agro

    Brasil e Honduras ampliam cooperação para modernizar o agro

    O Brasil e Honduras avançaram nas negociações para ampliar a cooperação agrícola e fortalecer a segurança alimentar. A missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também consolidou entendimentos em pesquisa agropecuária, inovação tecnológica e desenvolvimento rural.

    A agenda ocorreu em Honduras e resultou em novos encaminhamentos para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.

    O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, liderou a missão. A comitiva também reuniu a embaixadora do Brasil em Honduras, Andrea Watson, a adida agrícola Priscila Rech, a chefe de gabinete Erika Ferraz e o representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Cristian Fischer.

    A programação começou com uma reunião entre a delegação brasileira e o ministro da Agricultura e Pecuária de Honduras, Moisés Molina. Durante o encontro, as autoridades discutiram ações conjuntas para impulsionar o setor agropecuário.

    Temas em foco

    Os debates abordaram planejamento agrícola, inovação tecnológica, melhoramento genético e transferência de conhecimento. Além disso, os representantes avaliaram oportunidades para ampliar a cooperação técnica entre os países.

    A delegação brasileira também se reuniu com representantes da Dirección de Ciencia y Tecnología Agropecuaria (Dicta), principal instituição de pesquisa agropecuária hondurenha.

    Durante a reunião, os participantes discutiram medidas para fortalecer a instituição, qualificar profissionais e modernizar os sistemas de inovação. As conversas também destacaram oportunidades de intercâmbio técnico.

    As áreas prioritárias incluem pesquisa agropecuária, assistência técnica, sanidade animal e vegetal e adaptação às mudanças climáticas. Nesse contexto, instituições brasileiras como a Embrapa e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) poderão contribuir com conhecimento e tecnologia.

    Comércio

    No campo comercial, a missão avançou em negociações sobre produtos de interesse bilateral. Entre os itens debatidos estão farinhas de origem animal, carne de aves e carne suína. Esses produtos integram a estratégia de ampliação do comércio agropecuário entre Brasil e Honduras.

    A missão terminou com uma reunião na Presidência da República de Honduras. O encontro reafirmou o interesse dos dois governos em ampliar o diálogo técnico e institucional. As autoridades também destacaram prioridades comuns, como segurança alimentar, inovação, desenvolvimento rural e modernização da agricultura.

    O IICA apoiou a missão e atuou na articulação institucional. A entidade também contribuiu para identificar novas oportunidades de cooperação. Os resultados da agenda reforçam o compromisso brasileiro com o desenvolvimento agropecuário sustentável. Além disso, fortalecem as relações do Brasil com os países da América Central.