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  • Atriz viveu com um leão dentro de casa e hoje chama decisão de “incrivelmente estúpida”

    Atriz viveu com um leão dentro de casa e hoje chama decisão de “incrivelmente estúpida”

    Uma casal de artistas excêntricos, um plano mirabolante e os filhos correndo pela casa ao lado de um leão. É assim que viviam Tippi Hedren, estrela do clássico ‘Os Pássaros’ e Noel Marshall, produtor de ‘O Exorcista’, na Califórnia.

    O animal, chamado Neil, convivia diariamente com a família e circulava livremente por todos os cômodos. Isso mesmo.

    Fotos impressionaram o mundo

    Em 1970, a revista Life publicou uma reportagem mostrando Neil vivendo como se fosse um animal doméstico. As imagens exibiam o leão brincando na piscina com Melanie Griffith, filha de Tippi Hedren, descansando na cozinha e até dormindo na cama da adolescente.

    Naquele momento, a convivência parecia tranquila. No entanto, a atriz passou a enxergar a situação de forma completamente diferente anos depois.

    O leão de estimação de Tippi Hedren, Neil (Foto: Michael Rougier/The LIFE Picture Collection)

    Em entrevista concedida ao Daily Mail, em 2014, Hedren foi direta ao comentar aquelas fotografias.

    “Eu me encolho quando vejo essas fotos agora. Devo dizer que éramos incrivelmente estúpidos. Nunca deveríamos ter assumido esses riscos. Esses animais são tão rápidos e, se decidirem ir atrás de você, nada além de uma bala no cérebro os deterá.”

    Como um leão foi parar dentro da casa?

    A ideia surgiu durante a preparação de um projeto cinematográfico. Tippi Hedren e seu então marido, o produtor Noel Marshall, planejavam gravar um filme sobre uma família que vivia cercada por leões, tigres e panteras.

    Antes das filmagens, eles procuraram o treinador de animais Ron Oxley, que sugeriu uma experiência prática: conviver primeiro com um único leão antes de reunir dezenas de felinos em um mesmo set.

    Neil passou vários dias por semana morando com a família (Foto: Michael Rougier/The LIFE Picture Collection)

    Segundo Hedren, Oxley estabeleceu diversas regras para reduzir os riscos da convivência. Entre elas estavam evitar movimentos bruscos, nunca correr em direção ao animal, não provocar o leão e jamais permitir que ele se tornasse dono de um cômodo ou móvel da casa.

    Durante esse período, o felino nunca atacou nenhum integrante da família.

    Filme virou um dos mais perigosos da história

    Depois da experiência, Tippi Hedren e Noel Marshall decidiram seguir adiante com o projeto de “Roar”, longa-metragem que acabou entrando para a história pelos bastidores extremamente perigosos.

    As gravações levaram vários anos para serem concluídas, consumiram cerca de US$ 17 milhões — muito acima do orçamento inicial — e ficaram marcadas pelos inúmeros acidentes envolvendo animais selvagens.

    Cenas do filme ‘Roar’ (1981)

    A própria atriz reconheceu que a produção registrou diversos episódios graves.

    “Houve sete grandes incidentes e duas pessoas quase morreram durante a produção do filme.”

    Entre os casos mais conhecidos está o de Melanie Griffith, que sofreu um ataque de uma leoa. A atriz precisou levar cerca de 50 pontos e passou por cirurgia plástica após quase perder um dos olhos.

    Já Noel Marshall foi mordido diversas vezes ao longo das filmagens. Em um dos acidentes, quase perdeu um braço. Em outro, sofreu ferimentos graves no rosto e no peito, desenvolvendo complicações como septicemia e gangrena.

    Marshall interpretou o protagonista Hank na trama 

    Tippi Hedren também ficou ferida durante a produção. Ela foi mordida por um leão na cabeça, sofreu uma lesão no tornozelo após ser levantada por um elefante e ainda foi atacada por outros grandes felinos durante as gravações.

    O caso mais grave envolveu o diretor de fotografia Jan de Bont, que teve parte do couro cabeludo arrancada após ser mordido por um leão e precisou receber mais de 220 pontos.

    E, fechando com chave de ouro, uma enchente destruiu parte da estrutura do set, rompeu jaulas e permitiu a fuga de diversos leões e tigres.

    Fracasso nos cinemas

    Apesar do enorme investimento, “Roar” teve um desempenho muito abaixo do esperado nas bilheterias.

    O longa arrecadou apenas cerca de US$ 2 milhões, tornando-se um fracasso comercial. Com o passar dos anos, porém, ganhou fama justamente pelos bastidores caóticos e passou a ser considerado por muitos como o filme mais perigoso já produzido.

    No relançamento realizado em 2015, a divulgação utilizou um slogan que resume a história da produção:

    “Nenhum animal foi ferido durante as gravações deste filme. Setenta pessoas do elenco e da equipe foram.”

     Imagens dos ferimentos eram usadas para a divulgação do filme (Foto: Divulgação)

    Mudança de opinião e defesa dos animais

    Depois da experiência, Tippi Hedren mudou completamente sua visão sobre manter grandes felinos como animais de estimação.

    Quando concedeu a entrevista ao Daily Mail, em 2014, ela já dirigia o santuário Reserva Shambala, na Califórnia, dedicado ao acolhimento de grandes felinos, e defendia publicamente que esses animais permanecessem em ambientes apropriados.

    A atriz passou a criticar duramente a criação doméstica de leões, tigres e outros predadores.

    “Os criadores vão dizer que os leões são animais de estimação maravilhosos — e isso é uma absoluta mentira.”

  • Fazenda em Goiás atraiu estrelas de Hollywood e até presidente dos EUA; entenda

    Fazenda em Goiás atraiu estrelas de Hollywood e até presidente dos EUA; entenda

    Muito antes de se tornar o 40º presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan esteve entre as personalidades que passaram por uma fazenda em Anápolis, a cerca de 55 quilômetros de Goiânia.

    Nas décadas de 1960 e 1970, a chamada “Nossa Fazenda Halliday” se transformou em um refúgio frequentado por artistas, produtores e celebridades de Hollywood, tornando-se um dos capítulos mais curiosos da história de Goiás.

    Além de Reagan, nomes como Cary Grant, astro de “Intriga Internacional”, e Janet Leigh, eternizada pelo clássico “Psicose”, estiveram entre os visitantes da propriedade rural.

    Como estrelas de Hollywood chegaram ao interior de Goiás

    Segundo o historiador Jairo Leite, a história começou com a atriz Joan Lowell e seu marido, o capitão Leek Bowen.

    Lowell chegou ao Brasil em 1935 durante uma excursão e acabou se encantando pela região do Vale de São Patrício.

    Joan Lowell Bowen em seu escritório em Anápolis, em Goiás — Foto: Dmitri Kessel/The LIFE Picture Collection

    Após se estabelecer em Goiás, ela passou a divulgar as oportunidades oferecidas pelo estado, especialmente para criação de gado e desenvolvimento agrícola. Assim, seu trabalho acabou atraindo outras figuras importantes do cinema americano.

    Entrada da fazenda de Joan Lowell em Anápolis. Na placa observa-se que ela era chamada de “Dona Joana” e o marido de “ Capitão” — Foto: Divulgação

    A chegada da primeira vencedora do Oscar

    Entre os nomes convencidos por Joan Lowell estava Janet Gaynor, considerada a primeira mulher a conquistar um Oscar.

    Ao lado do marido, o renomado figurinista Gilbert Adrian, ela adquiriu a Fazenda Amazon, em Anápolis.

    A mudança tinha relação com o desejo do casal de buscar uma vida mais tranquila, longe do ritmo intenso de Hollywood.

    Segundo o historiador, Janet chegou a considerar propriedades na África antes de conhecer as oportunidades existentes em Goiás.

    Nossa Fazenda Halliday virou ponto de encontro de celebridades

    Posteriormente, a atriz Mary Martin e seu marido, o produtor Richard Halliday, também se estabeleceram na região.

    O casal construiu a famosa “Nossa Fazenda Halliday”, que se tornou uma das propriedades rurais mais conhecidas de Anápolis.

    Estrela da Broadway escolheu Goiás como lar — Foto: Divulgação

    De acordo com Jairo Leite, o local passou a receber frequentes visitas de artistas, produtores, diretores e críticos de cinema.

    Isso acontecia porque Halliday também atuava como agente artístico e mantinha uma ampla rede de contatos no meio cultural norte-americano.

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    Trabalhadores nem sempre sabiam quem eram os visitantes

    Apesar da movimentação constante de celebridades, muitos moradores e funcionários da fazenda desconheciam a importância dos hóspedes.

    Segundo o historiador, boa parte dos visitantes chegava pelo aeroporto de Goiânia e seguia para Anápolis sem chamar muita atenção.

    Embora a presença dessas personalidades fosse percebida pela população local, poucos imaginavam a projeção internacional daqueles nomes.

    Segundo registros locais, Marilyn Monroe esteve no Brasil e visitou a ‘Nossa Fazenda Halliday’ — Foto: Divulgação

    Fazenda produzia gado, ovos, café e morangos

    A propriedade de Mary Martin não servia apenas como local de descanso.

    A fazenda mantinha atividades agropecuárias diversificadas, incluindo criação de gado, produção de ovos, granja de galinhas, cultivo de banana e morangos, e plantação de café.

    Segundo relatos históricos, os ovos produzidos na fazenda eram comercializados no Mercado Municipal de Anápolis e também em Brasília.

    Boutique vendia produtos inspirados na moda americana

    Além das atividades rurais, Mary Martin abriu uma loja no centro de Anápolis chamada “Nossa Loja”.

    O estabelecimento vendia roupas, tecidos e produtos trazidos dos Estados Unidos.

    A atriz também desenhava peças próprias e aproveitava a proximidade com Gilbert Adrian, considerado um dos maiores figurinistas de Hollywood, para desenvolver novas ideias ligadas ao universo da moda.

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