Tag: HLB

  • Greening dos citros avança e exige ação rápida nos pomares

    Greening dos citros avança e exige ação rápida nos pomares

    O Brasil lidera as exportações mundiais de suco de laranja e produz mais de 16 milhões de toneladas da fruta por ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da liderança, a citricultura nacional enfrenta agora um dos maiores desafios de sua história.

    Trata-se do greening, também conhecido como HLB. A doença é considerada a mais destrutiva entre os citros porque reduz a produtividade, compromete a qualidade dos frutos e encurta a vida útil das árvores.

    Quando o produtor não age rapidamente, a doença se espalha pelo pomar e provoca perdas significativas.

    O que causa a doença

    Segundo Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil, duas variantes de bactéria causam o greening no país: Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas) e Candidatus Liberibacter americanus (CLam). A primeira está presente em mais de 99% das árvores contaminadas no Brasil, conforme levantamentos citados pelo especialista.

    Um inseto chamado psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri) transmite as bactérias entre as plantas. De coloração branco-acinzentada, ele aparece com mais frequência durante os períodos de brotação, quando se alimenta da seiva das árvores. Ao picar uma planta infectada e, em seguida, uma planta saudável, o inseto espalha a doença.

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    O greening provoca o amarelecimento das folhas e a deformação dos frutos. Com o tempo, a árvore perde vigor e reduz gradualmente sua produtividade, até deixar de ser produtiva.

    Sem cura, controle começa pelo monitoramento

    Até o momento, nenhum tratamento elimina o greening de uma árvore já infectada. Por isso, o produtor precisa retirar e destruir as plantas doentes para reduzir as fontes de contaminação no pomar.

    Diante desse cenário, Valerim recomenda monitoramento constante das plantas e controle rigoroso da população do psilídeo. O engenheiro agrônomo, mestre em fitotecnia pela Universidade de São Paulo (USP), defende ainda estratégias que preparem as árvores para enfrentar os desafios do campo.

    Assim, o manejo do greening depende da combinação de várias medidas: inspeções frequentes, eliminação de árvores contaminadas, controle do inseto vetor e práticas que fortaleçam a saúde das plantas.

    Nova tecnologia ativa defesa natural da planta

    Além do controle do psilídeo, uma nova tecnologia busca ampliar as ferramentas de manejo integrado. Ela usa peptídeos sinalizadores — moléculas que funcionam como sinais químicos reconhecidos pela própria planta.

    De acordo com Mariana Yama, gerente de produtos da UPL Brasil, esses peptídeos ativam de forma coordenada os mecanismos naturais de defesa da planta contra a doença.

    A UPL lançou recentemente o Strakor a partir dessa tecnologia. A empresa apresenta o produto como a primeira solução registrada no país para o manejo do greening. Desenvolvido em parceria com a Elemental Enzymes, ele ativa o sistema de defesa das plantas de forma sistêmica.

    Controle do inseto vetor complementa o manejo

    Para o controle do psilídeo, a UPL também oferece o inseticida Sperto. Segundo a empresa, o produto age por contato, ingestão e ação sistêmica, com efeito de choque sobre o inseto.

    Dessa forma, o produtor consegue atuar em duas frentes ao mesmo tempo: reduzir a presença do inseto transmissor e fortalecer a capacidade de resposta do pomar.

    “Quanto mais cedo e assertiva for a intervenção, maiores serão as chances de reduzir o avanço da doença e aumentar a longevidade dos pomares”, afirma Mariana Yama, especialista em fisiologia vegetal pela USP.

    Como funciona o manejo integrado

    Especialistas reúnem o manejo integrado do greening em seis frentes:

    • monitoramento frequente dos pomares
    • identificação rápida de plantas com sintomas
    • retirada e destruição de árvores infectadas
    • controle rigoroso do psilídeo
    • uso de tecnologias de proteção, como peptídeos sinalizadores
    • acompanhamento técnico durante todo o ciclo da cultura.

    Essa combinação de ações reduz a velocidade de disseminação da doença e ajuda a preservar o potencial produtivo dos pomares brasileiros.

  • Citricultura: relatório obrigatório de greening deve ser entregue até 15 de julho

    Citricultura: relatório obrigatório de greening deve ser entregue até 15 de julho

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), por meio da Defesa Agropecuária, determinou que produtores de citros entreguem até 15 de julho o relatório semestral de cancro cítrico e HLB/greening referente ao primeiro semestre de 2026. A medida busca mapear a situação fitossanitária dos pomares paulistas.

    Os produtores devem preencher o documento no sistema GEDAVE (Gestão de Defesa Animal e Vegetal), com os resultados das inspeções realizadas entre 1º de janeiro e 30 de junho. O relatório precisa incluir dados das vistorias trimestrais em todas as plantas cítricas da propriedade.

    Segundo a Defesa Agropecuária, o envio correto das informações permite identificar a incidência e a dispersão das doenças. Isso orienta ações de controle e políticas públicas mais eficazes no estado.

    A obrigatoriedade vale para todos os produtores, independentemente da idade das plantas. Quem não cumprir o prazo ou enviar dados fora do padrão poderá sofrer sanções previstas no Decreto Estadual nº 45.211/2000.

    Novas regras para o greening

    A Portaria SDA/MAPA nº 1.326/2025 instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao HLB (PNCHLB). E definiu que os estados passam a estabelecer critérios para eliminação de plantas doentes. Apesar da flexibilização, o controle do psilídeo (Diaphorina citri), vetor do greening, segue obrigatório em todos os pomares.

    Em São Paulo, a Resolução SAA nº 32/2026, publicada em 28 de maio, atualizou as regras e passou a exigir o monitoramento quinzenal do inseto, com ações para interromper seu ciclo biológico.

    A norma também introduziu a regionalização dos municípios, dividindo-os conforme a incidência da doença:

    • Até 10% de pomares contaminados: baixa incidência
    • Acima de 10%: alta incidência

    Nos municípios com alta incidência, os produtores não precisam mais erradicar plantas adultas doentes, sendo obrigatória a eliminação apenas de plantas com até três anos. Já nas áreas de baixa incidência, a erradicação continua obrigatória para todas as idades.

    Transporte e novas exigências

    A resolução também alterou as regras para o transporte interestadual de citros. Agora, os produtores devem processar e escovar os frutos antes do envio para outros estados, com o objetivo de eliminar resíduos vegetais que possam transportar a doença.

    A única exceção é a tangerina Ponkan, que não precisa passar pela etapa de escovação.

    O cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri, afeta todas as variedades de citros e provoca lesões em folhas, frutos e ramos, podendo causar desfolha e queda de produção em casos severos.

    Desde 2017, São Paulo adota o Sistema de Mitigação de Risco (SMR), que permite controlar a doença e viabilizar a comercialização de frutos sem sintomas, tanto no mercado interno quanto externo.

    Já o greening, provocado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., não tem cura e se espalha pelo psilídeo. A doença compromete toda a planta e hoje representa a principal ameaça à citricultura mundial.

  • Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    Rio Grande do Sul confirma primeiros casos de greening em citros

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, na segunda-feira (8), os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no Rio Grande do Sul, marcando a chegada de uma das doenças mais devastadoras da citricultura mundial ao estado.

    Um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina, registrou a ocorrência. A rede oficial de laboratórios do Ministério confirmou o caso por meio de análises laboratoriais.

    Monitoramento e resposta rápida

    A detecção do greening no estado é resultado de um programa contínuo de vigilância fitossanitária conduzido desde 2004 pelo Mapa, por meio da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Rio Grande do Sul (SFA-RS), em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi-RS).

    Nos últimos anos, os órgãos responsáveis intensificaram as ações devido ao avanço da doença em regiões próximas, como a Argentina, o Uruguai e o estado de Santa Catarina, o que aumentou o risco de disseminação para o território gaúcho.

    Equipes técnicas já estão mobilizadas na região afetada para realizar o monitoramento de propriedades vizinhas e implementar medidas emergenciais de contenção.

    Medidas fitossanitárias e controle do vetor

    As ações seguem o Plano de Ação estabelecido pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025, que institui o Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening.

    Entre as principais medidas adotadas estão:

    • Erradicação imediata das plantas infectadas
    • Controle rigoroso do psilídeo (Diaphorina citri), inseto transmissor da doença
    • Intensificação da fiscalização do trânsito de mudas
    • Ampliação da vigilância em pomares comerciais e domésticos

    O Serviço Oficial reforça que o uso de mudas certificadas e de origem regular é fundamental para evitar a disseminação do greening.

    Impactos do greening na citricultura

    O greening é considerado a principal ameaça fitossanitária da citricultura global. A doença não oferece riscos à saúde humana, mas provoca sérios prejuízos econômicos.

    Entre os principais impactos estão:

    • Deformação e queda prematura dos frutos
    • Redução da qualidade e do teor de suco
    • Queda significativa da produtividade
    • Enfraquecimento e morte das plantas

    No Brasil, maior produtor mundial de laranja, a doença já causa prejuízos relevantes, especialmente no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais.

    Alerta para produtores do Sul

    A confirmação no Rio Grande do Sul acende um alerta para produtores da região Sul, onde a citricultura tem papel importante na agricultura familiar e no abastecimento regional.

    Especialistas destacam que a detecção precoce e a adoção rigorosa de medidas sanitárias são essenciais para evitar a disseminação do greening e proteger a cadeia produtiva.

  • São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    São Paulo adota novas medidas para conter avanço do greening na citricultura

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo publicou nesta quinta-feira (28) uma nova resolução com medidas voltadas à prevenção e ao controle do HLB/Greening, considerada a principal doença da citricultura brasileira.

    A pasta oficializou as mudanças por meio da Resolução SAA nº 32 de 2026, divulgada no Diário Oficial do Estado. Além disso, o texto segue as diretrizes da Portaria SDA/MAPA nº 1.326, publicada em julho de 2025 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, para reforçar as ações de defesa agropecuária no estado.

    Municípios passam a ter classificação por incidência

    Entre as principais novidades, a resolução cria uma divisão dos municípios paulistas conforme o nível de contaminação pelo greening.

    A partir de agora, cidades com até 10% de pomares contaminados entram na categoria de baixa incidência. Já os municípios que ultrapassarem esse índice passam a integrar a classificação de alta incidência da doença.

    Segundo a secretaria, a medida busca direcionar as estratégias de combate e tornar o controle mais eficiente em cada região produtora.

    Monitoramento do psilídeo será quinzenal

    Além da nova classificação, o governo paulista também determinou o monitoramento quinzenal do psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável pela transmissão do greening.

    Os produtores deverão acompanhar a presença do inseto em pomares de qualquer idade. Dessa forma, as autoridades pretendem impedir que o psilídeo complete o ciclo entre as fases de ovo e adulto.

    Regra para erradicação de plantas muda em áreas críticas

    A resolução também alterou as exigências para eliminação de plantas contaminadas.

    Nos municípios classificados com alta incidência, produtores que possuem árvores adultas doentes não precisarão mais arrancar essas plantas obrigatoriamente.

    Por outro lado, a erradicação continuará obrigatória para plantas novas com até três anos de idade nessas localidades.

    Enquanto isso, cidades enquadradas como áreas de baixa incidência deverão manter a eliminação de plantas contaminadas em todas as faixas etárias.

    Transporte de frutas terá novas exigências

    O governo paulista também modificou as regras para o transporte interestadual de frutas cítricas.

    A partir da nova norma, produtores e empresas precisarão realizar o processamento e a escovação das frutas antes do envio para outros estados.

    Segundo a secretaria, o objetivo é retirar folhas e ramos que possam transportar vetores da doença durante o trânsito da carga. A única exceção prevista pela medida vale para a Tangerina Ponkan.

    Por fim, a secretaria informou que as novas regras valem para plantas dos gêneros Citrus spp., Fortunella spp. e Poncirus spp.

  • Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    Citricultura ganha foco em inovação na Expocitros 2026

    A 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura terão início oficial na manhã do dia 26 de maio de 2026, no Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, a organização antecipou a cerimônia de abertura para o período da manhã, das 9h às 11h. Assim, autoridades, pesquisadores, produtores e representantes do agronegócio participarão do encontro que marca um dos principais eventos da citricultura mundial.

    A programação seguirá até o dia 29 de maio com debates voltados à inovação, sustentabilidade, sanidade vegetal e mercado internacional. Além disso, a organização pretende ampliar a presença de startups, empresas de tecnologia agrícola e soluções ligadas à gestão no campo.

    Durante a solenidade de abertura, o evento entregará homenagens e premiações tradicionais da cadeia citrícola. Entre os destaques aparecem o Prêmio Centro de Citricultura e o Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira, que homenageará Walter dos Santos Soares Filho. O setor também reconhecerá Hamilton Humberto Ramos como Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura. Já a homenagem ao Dia do Citricultor terá como representante José de Alencar Matta.

    A edição de 2026 ocorre em um cenário de transformação da cadeia produtiva. Atualmente, produtores enfrentam desafios ligados ao avanço do greening (HLB), da leprose e do aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, o setor acelera investimentos em inteligência artificial, rastreabilidade, automação e agricultura de precisão para aumentar eficiência e competitividade.

    Programação técnica prioriza sanidade e eficiência

    No primeiro dia, os painéis abordarão sustentabilidade, pesquisa e inovação aplicada ao campo. Em seguida, na quarta-feira, 27 de maio, especialistas discutirão tecnologias voltadas à implantação de pomares e ao manejo fitossanitário. Os debates incluirão temas como pinta preta, leprose, podridão penduncular, resistência a fungicidas e controle de pragas.

    Na quinta-feira, 28, a programação concentrará discussões sobre eficiência produtiva. Fertilidade do solo, irrigação, fertilizantes e mudanças climáticas estarão entre os temas centrais do encontro. Já no período da tarde, o HLB ganhará destaque em análises sobre controle, prevenção e expansão da doença nos pomares brasileiros.

    Por outro lado, o encerramento do evento, na sexta-feira, 29, terá foco econômico e estratégico. Pesquisadores e representantes do mercado analisarão preços, exportações e os impactos do acordo Mercosul-União Europeia para a cadeia citrícola. Além disso, especialistas debaterão o papel do suco de laranja na alimentação e na saúde.

    Segundo o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., a programação reflete o atual momento vivido pela cadeia produtiva. “A edição de 2026 deve aprofundar debates sobre greening, inovação tecnológica, bioinsumos, sustentabilidade e gestão, refletindo exatamente o momento vivido pela citricultura brasileira”, afirma.

    Evento amplia espaço para jovens e tecnologia

    A Expocitros chega à 51ª edição consolidada como um ambiente estratégico de conexão entre ciência, negócios e planejamento. Em 2025, o encontro reuniu mais de 12 mil visitantes e cerca de 90 empresas expositoras. Agora, a expectativa da organização é ampliar a participação de jovens produtores, cooperativas, indústrias e empresas de tecnologia agrícola.

    A safra brasileira de laranja 2025/2026 encerrou com 293 milhões de caixas produzidas. No mercado internacional, o Brasil mantém liderança e responde por aproximadamente 70% a 75% das exportações globais de suco de laranja.

    Diante desse cenário, sustentabilidade, energia renovável e conservação de recursos naturais seguirão entre os principais temas do evento. Dessa forma, a Expocitros 2026 pretende fortalecer discussões sobre competitividade, inovação e futuro da citricultura brasileira.

  • SP investe R$ 3,6 milhões no combate ao Greening

    SP investe R$ 3,6 milhões no combate ao Greening

    O governo de São Paulo anunciou um investimento de R$ 3,6 milhões para fortalecer o combate ao HLB (Greening), uma das principais ameaças à citricultura mundial. O valor integra o Edital Público SAA nº 03/2025, que prevê a contratação de 28 profissionais para atuar ao lado da Defesa Agropecuária no monitoramento e controle da doença.

    Foto: Divulgação Governo SP

    Segundo o secretário executivo da Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim, a medida é essencial para garantir a sustentabilidade do setor. “Mais monitoramento significa mais segurança e produtividade. São Paulo concentra cerca de 80% da produção nacional de citros e gerou quase 50 mil empregos em 2024”, destacou.

    Novas equipes e regionalização das ações

    A seleção dos profissionais ocorrerá por meio de termo de colaboração com uma Organização da Sociedade Civil (OSC). O contrato terá duração inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação. As equipes serão formadas por engenheiros agrônomos, inspetores de pragas e auxiliares administrativos, distribuídos em seis frentes de atuação pelo estado.

    As OSC interessadas podem enviar propostas até 26 de janeiro de 2026. De acordo com Alexandre Paloschi, chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal (DSV), as equipes ajudarão a regionalizar as ações de controle. “A atuação localizada permite medidas específicas conforme a incidência da doença em cada região”, explica.

    Reforço das ações de defesa vegetal

    A Defesa Agropecuária mantém fiscalização, ações sanitárias e orientação técnica em todos os municípios paulistas. Em 2025, o órgão fiscalizou 17.549 propriedades, retirou mais de 60 mil mudas irregulares de circulação e realizou 26 palestras educativas sobre o tema. Também mantém canal direto para denúncias de pomares abandonados ou mal manejados.

    Além disso, a Secretaria publicou as Resoluções nº 23 e nº 24 de 2025, que proíbem o plantio de hospedeiros do HLB e o uso da murta no paisagismo urbano, exceto em casos de pesquisa científica autorizada. As medidas visam impedir a propagação da bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus, transmitida pelo inseto vetor psilídeo.

    O edital completo está disponível no site da Defesa Agropecuária.

    De acordo com o Levantamento de Greening 2025 do Fundecitrus, a incidência da doença no cinturão citrícola paulista aumentou de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025, evidenciando a necessidade de intensificar o controle. Apesar disso, a taxa de avanço do HLB desacelerou pelo segundo ano consecutivo, e houve redução expressiva nos pomares jovens, sinalizando que as estratégias de manejo e erradicação têm surtido efeito.

  • Produtores de citros devem entregar relatório sanitário obrigatório

    Produtores de citros devem entregar relatório sanitário obrigatório

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo alerta os produtores de citros sobre o prazo final para entrega do relatório Cancro/HLB (Greening). Os citricultores devem enviar o documento até 15 de janeiro através do sistema GEDAVE (Gestão de Defesa Animal e Vegetal).

    O relatório precisa conter os resultados das vistorias trimestrais para Cancro Cítrico e Greening que os produtores realizaram entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2025. A obrigatoriedade vale para todas as plantas cítricas da propriedade, independentemente da idade.

    Produtores devem informar resultados de vistorias realizadas no segundo semestre de 2025

    “As informações contidas no relatório orientam as ações de Defesa Agropecuária e balizam as políticas públicas do Estado. O objetivo é garantir a sustentabilidade sanitária do agronegócio paulista”, explica Veridiana Zocoler, engenheira agrônoma e gerente do Programa Estadual de Sanidade dos Citros.

    A Portaria MAPA nº 1.326, de 04 de julho de 2025, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle ao HLB (PNCHLB) e estabeleceu as medidas de prevenção e controle da doença. No estado de São Paulo, a Resolução SAA 88, de 07 de dezembro de 2021, torna obrigatória a eliminação de plantas sintomáticas em pomares com até oito anos de idade. O monitoramento e controle do Psilídeo devem ocorrer em todos os pomares, sem exceção de idade.

    O produtor que atrasar ou deixar de entregar o relatório fica sujeito às sanções previstas no Decreto Estadual Nº 45.211, de 19 de setembro de 2000.

    Cancro Cítrico: bactéria ataca todas as variedades e causa lesões em folhas e frutos

    A bactéria Xanthomonas citri pv. citri causa o Cancro Cítrico e ataca todas as variedades e espécies de citros. A doença provoca lesões em folhas, frutos e ramos. Quando atinge alta incidência, leva à desfolha e queda de frutos.

    Desde 2017, o MAPA reconhece São Paulo como área sob Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para o Cancro Cítrico. Isso conforme estabelece a Resolução nº 4, de 22 de março. Este procedimento permite a adoção de medidas fitossanitárias que reduzem o potencial de inóculo da praga e mantêm um nível apropriado de proteção contra a doença. A medida viabiliza a comercialização de frutos sem sintomas tanto no mercado interno quanto no internacional.

    Greening ameaça citricultura mundial e não tem cura

    A bactéria Candidatus Liberibacter spp. causa o Greening, e o Psilídeo (Diaphorina citri) dissemina a doença. O Greening acomete todas as plantas cítricas e não tem cura. Uma vez contaminada, a planta não elimina a bactéria e passa a atuar como fonte de inóculo para contaminar outras plantas.

    Especialistas consideram o Greening a doença que mais ameaça a citricultura no mundo atualmente.

  • Paraná prorroga emergência fitossanitária contra o greening

    Paraná prorroga emergência fitossanitária contra o greening

    O governo do Paraná renovou por mais 180 dias o estado de emergência fitossanitária para combate ao greening (HLB), uma das doenças mais devastadoras para a citricultura. O Decreto nº 10.445, assinado pelo governador em exercício Darci Piana, foi publicado na segunda-feira (30/06) e garante agilidade nas ações de controle.

    A medida, em vigor desde 2023, já resultou na eliminação de mais de 270 mil mudas infectadas em todo o estado. Agora, as operações se concentram no Vale do Ribeira, principal região produtora de ponkan no Paraná.

    Operação Big Citros intensifica fiscalização

    Nesta semana, fiscais da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) iniciaram vistorias em propriedades de Doutor Ulysses e Cerro Azul. As equipes orientam produtores sobre identificação de plantas doentes e procedimentos para erradicação de mudas com sintomas de HLB.

    A Adapar também realizou encontros com citricultores na Ceasa de Curitiba para treinamento sobre reconhecimento da praga em frutas e plantas. “A educação sanitária é fundamental para conter o avanço da doença”, afirmou Caroline Garbuio, responsável pelo Programa de Sanidade da Citricultura da Adapar.

    Até agora, as equipes confirmaram plantas doentes na região, mas não encontraram o psilídeo (Diaphorina citri), inseto vetor da bactéria Candidatus Liberibacter spp que causa o greening. Armadilhas foram instaladas em vários pontos para monitoramento.

    Especialistas avaliam que os psilídeos podem ter sido controlados por predadores naturais, como a vespa Tamarixia radiata, usada no controle biológico 12. No entanto, o alerta permanece máximo.

    Impactos econômicos do HLB

    O greening provoca:

    • Queda prematura de frutos
    • Redução drástica da produção
    • Morte precoce das plantas
    • Frutos deformados e com qualidade inferior

    “Os prejuízos são enormes, tanto para consumo in natura quanto para a indústria de processamento”, explica Alexandre Paloschi, especialista em defesa sanitária vegetal.

    Ações integradas mostram resultados

    A Câmara Setorial da Cadeia da Citricultura do Paraná, criada este ano, reúne entidades como Sistema FAEP, Adapar e IDR-Paraná para coordenar o combate à doença. “A união de esforços está trazendo resultados concretos”, afirma Ágide Meneguette, presidente interino do Sistema FAEP.

    Produtores destacam a importância das medidas: “As ações são um caminho sem volta. Graças a esse trabalho conjunto, estamos conseguindo controlar o avanço da doença”, relata Marlene Calzavara, citricultora de Paranavaí.

    Como identificar e denunciar

    Sintomas do greening incluem:

    • Folhas com manchas irregulares amarelas
    • Frutos assimétricos e menores
    • Sementes abortadas
    • Morte de ramos

    Moradores podem denunciar plantas suspeitas diretamente nas Unidades Regionais de Sanidade da Adapar ou pelo WhatsApp (48) 3665.7300, em Santa Catarina.

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  • Doença começa a mudar o mapa da citricultura no Brasil

    Doença começa a mudar o mapa da citricultura no Brasil

    O avanço implacável do huanglongbing (HLB ou greening), doença que devasta pomares de citros em todo o mundo, está reconfigurando a citricultura brasileira. O tradicional Cinturão Citrícola, que abrangia São Paulo (exceto o litoral), Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, agora se expande para Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Distrito Federal, formando o Cinturão Citrícola Expandido (CCE). Pesquisadores da Embrapa e do Fundecitrus lideram iniciativas inéditas de zoneamento climático e fitossanitário para orientar produtores na migração estratégica.

    Expansão para o Cinturão Citrícola Expandido

    “A Embrapa está imbuída em colaborar de todas as formas para mitigar e controlar o huanglongbing , mas a avaliação de que a citricultura pode mudar e se expandir para novas áreas é uma realidade”, afirma Francisco Laranjeira, chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura. “Vamos seguir nessa linha, procurando avaliar todo o País. É um compromisso com a cadeia produtiva”, reforça.

    Com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta que mapeia vulnerabilidades climáticas em municípios brasileiros, cientistas identificaram regiões com menor risco para a instalação de novos pomares. “Conseguimos separar áreas limítrofes do Cinturão Citrícola tradicional e diagnosticar possibilidades de expansão”, explica Mauricio Coelho, coordenador do Zarc Citros. O estudo considera fatores como déficit hídrico e temperaturas elevadas, críticos para floração e frutificação.

    Deslocamento é impulsionado pelo avanço do HLB e expande a produçào para outros estados, além de São Paulo e Minas Gerais. Foto: Orlando Passos/Embrapa

    Um projeto financiado pela Fapesp até 2026 avança no zoneamento de riscos fitossanitários, focando no psilídeo (vetor do HLB) e na podridão floral dos citros. “Queremos gerar mapas de favorabilidade para essas pragas no CCE, auxiliando produtores a tomar decisões em cenários climáticos futuros”, afirma Alécio Moreira, analista da Embrapa. Os primeiros resultados devem sair em 2025.

    Renato Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus, destaca que a migração ganhou força em 2023 e segue em ascensão: “Em 2024, produtores intensificaram a busca por áreas livres do greening”. Apesar do aumento da doença em São Paulo (de 38% para 44% em 2024), o ritmo de crescimento diminuiu, sinalizando controle parcial.

    Desafios logísticos e climáticos

    Danilo Yamane, da FortCitrus Consultoria, aponta três obstáculos para a expansão: clima adverso, logística distante dos polos processadores e falta de mão de obra especializada. “Temperaturas altas prejudicam a fisiologia da planta, e regiões novas carecem de infraestrutura consolidada”, explica.

    Para enfrentar esses desafios, empresas como a Cambuhy Agrícola já migraram parte de seus cultivos. “Plantamos 1.200 hectares em Mato Grosso do Sul, gerando 1.200 empregos diretos”, relata Fabrício Lanza, gerente da empresa. A Agroterenas também investiu no estado: “Iniciamos 1.500 hectares em 2024, com orientação técnica da Embrapa sobre porta-enxertos e manejo”, diz Ezequiel Castilho, diretor da AGT Citrus.

    Por trás dos dados: processamento em tempo real

    Eduardo Monteiro, da Embrapa Agricultura Digital, detalha a base tecnológica do Zarc: “Processamos 4 mil séries históricas de clima, simulando cenários para diferentes solos e ciclos de cultivo”. Os dados, validados por especialistas e setor produtivo, orientam portarias do Ministério da Agricultura.

    Enquanto o huanglongbing pressiona o coração citrícola paulista, a ciência abre rotas para uma nova geografia agrícola. Com investimento em pesquisa e adaptação logística, o Brasil busca manter sua liderança global na produção de laranjas, mesmo sob a sombra do greening.

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  • Fiscalização aponta falhas no manejo do greening apesar da queda do inseto vetor

    Fiscalização aponta falhas no manejo do greening apesar da queda do inseto vetor

    Uma recente fiscalização em pomares das regiões de Avaré, Itapeva e Mogi Mirim, revelou um cenário preocupante para a citricultura paulista. Embora a presença do psilídeo, inseto vetor do HLB/Greening, tenha diminuído em comparação com anos anteriores, quase metade das propriedades fiscalizadas apresentaram falhas no manejo. Portanto, comprometendo o controle da praga.

    O HLB/Greening, considerado a doença mais destrutiva da citricultura mundial, é causado por bactérias transmitidas pelo psilídeo. A doença não tem cura, se dissemina rapidamente, compromete o desenvolvimento das plantas, causa queda prematura dos frutos e reduz drasticamente a produtividade dos pomares.

    A força-tarefa, composta por engenheiros agrônomos e técnicos agropecuários da Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), inspecionou mais de 3 milhões de plantas em 48 propriedades. A operação resultou na emissão de 48 notificações e três autos de infração, evidenciando a necessidade de medidas mais eficazes para o controle da doença.

    Manejo Inadequado e fiscalização

    O gerente do Programa Estadual de Pragas Quarentenárias Presentes (PEPQP) da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, Danilo Romão, alerta que muitos produtores ainda não possuem informações adequadas ou não estão aplicando corretamente as práticas recomendadas. Em quase 50% das propriedades, mais de 10% dos brotos apresentavam psilídeos, indicando manejo inadequado e alto risco de disseminação da doença.

    Apesar dos desafios, a redução na quantidade de psilídeos encontrados nos pomares em relação aos anos anteriores é um avanço importante. No entanto, a presença do inseto ainda representa um perigo, pois aumenta a transmissão do HLB/Greening dentro da própria propriedade e para pomares vizinhos.

    Para conter a doença, os especialistas recomendam três medidas essenciais. A compra de mudas sadias de viveiros credenciados aos órgãos da Secretaria de Agricultura é uma delas. A erradicação de plantas sintomáticas em pomares com menos de oito anos e um controle rigoroso do psilídeo são as outras.

    O Estado de São Paulo conta com o Programa Estadual de Pragas Quarentenárias Presentes. Ele foi criado com o objetivo de monitorar e propor ações para reduzir a disseminação das pragas quarentenárias. O trabalho visa a sustentabilidade sanitária dessas culturas, utilizando como ferramenta ações de fiscalização que acompanham desde a produção das mudas até a comercialização dos frutos in natura.

    Diante desse cenário, a capacitação dos produtores e o fortalecimento da assistência técnica são cruciais para garantir a sustentabilidade da citricultura e evitar prejuízos econômicos significativos.

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