Tag: herbicida

  • Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual

    Herbicida banido na Suíça e na UE avança no Brasil. Saiba qual

    Um agrotóxico proibido na Europa vem ampliando sua presença no mercado brasileiro desde que autoridades nacionais baniram, há oito anos, outro pesticida da mesma família química por riscos associados a mutações genéticas e à doença de Parkinson.

    O Brasil proibiu o paraquate em 2017, após avaliação toxicológica da Anvisa apontar riscos de mutagenicidade e associação com Parkinson entre trabalhadores expostos ao produto. A decisão colocou o país na lista de mais de 70 nações que já haviam banido o herbicida.

    Produtores rurais brasileiros passaram então a recorrer ao diquate, herbicida quimicamente aparentado ao paraquate e também fabricado pela Syngenta. A substância, no entanto, segue proibida na Suíça e no restante da União Europeia por preocupações semelhantes com a saúde humana. Segundo o monitoramento do Ibama, o uso do diquate multiplicou-se por dez no Brasil entre 2017 e 2024.

    SUS registra 250 casos de intoxicação e ao menos 40 mortes

    Dados oficiais do SUS, levantados por uma investigação conjunta da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye, mostram que o país registrou 250 casos de intoxicação por diquate entre 2018 e 2025. Do total, ao menos 40 pessoas morreram. Foram seis em acidentes e 34 por ingestão intencional do produto, em casos de suicídio.

    Uma apuração anterior, publicada pela Unearthed e pela Public Eye em parceria com a Repórter Brasil, já havia identificado 36 casos oficiais de intoxicação por diquate no Brasil entre 2018 e 2022, dos quais 17 eram tentativas de suicídio e quatro resultaram em morte. Pesquisadores ouvidos pela reportagem descreveram uma mudança no perfil das notificações, com o diquate substituindo progressivamente o paraquate nos registros de intoxicação em regiões agrícolas.

    Caso semelhante já se repetiu na China

    O Brasil não é o único país a enfrentar esse padrão. A China baniu o paraquate em 2016 e, desde então, o diquate se consolidou como o substituto mais usado no país. Porém, com centenas de mortes por intoxicação relatadas por médicos chineses após a proibição do paraquate entrar em vigor.

    Especialistas apontam que o diquate provoca predominantemente quadros de baixa gravidade, afetando principalmente pele e olhos, mas a ingestão do produto continua representando risco grave à saúde, sobretudo em casos de autoextermínio, dada a facilidade de acesso ao produto em propriedades rurais.

    Syngenta mantém fabricação e exportação do produto

    A Syngenta, multinacional suíça responsável pela fabricação do diquate, segue produzindo o herbicida mesmo com a proibição de uso vigente em seu país de origem. A empresa também mantém unidades de produção do paraquate no Reino Unido, ainda que o uso doméstico britânico do produto esteja proibido há mais de 15 anos. Portanto, isso caracteriza um padrão de exportação de agrotóxicos vetados nos mercados de origem para países com regulação mais permissiva, como o Brasil.

    Passados oito anos da proibição do paraquate, o diquate segue autorizado para uso agrícola no Brasil, sem sinalização pública de reavaliação toxicológica por parte da Anvisa. Enquanto isso, o crescimento no número de registros de intoxicação reacende o debate sobre os critérios de liberação de agrotóxicos já vetados por autoridades sanitárias europeias.

    Nota: este texto trata de dados sobre suicídio em contexto informativo e jornalístico. Se você ou alguém que você conhece estiver passando por sofrimento emocional, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

  • Agrotóxicos e vinhaça destroem predadores aquáticos e desequilibram rios e lagoas

    Agrotóxicos e vinhaça destroem predadores aquáticos e desequilibram rios e lagoas

    Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou que a combinação de agrotóxicos e vinhaça, resíduo líquido da produção de etanol de cana-de-açúcar, elimina predadores aquáticos, compromete funções ecológicas essenciais e desequilibra ecossistemas de rios, lagos e lagoas. O estudo ganha relevância diante da expansão do setor sucroenergético brasileiro, que depende do uso intensivo de defensivos agrícolas em áreas próximas a corpos d’água.

    Pesquisadores enchendo os tanques experimentais (mesocosmos) instalados a céu aberto próximo a áreas agrícolas para análise da água e monitoramento dos macroinvertebrados como larvas, insetos, moluscos e minhocas. Foto: Allan Pretti Ogura

    Os pesquisadores testaram os efeitos do inseticida fipronil, do herbicida 2,4-D e da vinhaça, aplicados isoladamente e em conjunto,sobre macroinvertebrados bentônicos, grupo que inclui larvas de insetos, moluscos e minhocas. Esses organismos desempenham papéis críticos no ecossistema aquático: decompõem matéria orgânica, ciclam nutrientes e controlam populações de outras espécies. Nos experimentos, a exposição aos contaminantes provocou o desaparecimento de predadores e perturbou profundamente o equilíbrio ecológico.

    Os resultados integram o artigo científico “Impacts of pesticides and vinasse on the composition and functional diversity of aquatic macroinvertebrates exposed in a mesocosm system”, assinado pela professora Raquel Aparecida Moreira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/USP), e pelo pesquisador Thandy Junio da Silva Pinto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre outros autores.

    Experimento monitorou fauna aquática por 150 dias em área rural de São Paulo

    A equipe conduziu o estudo em tanques experimentais a céu aberto, chamados mesocosmos. Eles estão instalados no município de Itirapina (SP), onde a cana-de-açúcar domina a economia local. Os pesquisadores coletaram e analisaram amostras de água e monitoraram os macroinvertebrados aos 7, 14, 28, 75 e 150 dias após a exposição aos contaminantes.

    A professora Raquel Moreira destaca que os resultados confirmaram a toxicidade da vinhaça e seu elevado potencial de impacto ambiental, especialmente quando agricultores a aplicam junto com agrotóxicos. Uma prática corrente na agricultura brasileira. Amplamente usada como fertilizante por fertirrigação, a vinhaça concentra altos níveis de potássio, magnésio, fósforo e nitrogênio.

    “É justamente a elevada carga de nutrientes e de matéria orgânica que compromete o ecossistema aquático”, afirma a pesquisadora. A vinhaça analisada apresentou Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) de 46.500 miligramas por litro e Demanda Química de Oxigênio (DQO) de 107.000 mg/L. Valores que indicam enorme quantidade de matéria orgânica e alto consumo de oxigênio na água.

    “A redução do oxigênio pode ter consequências graves. Se os níveis caem muito, peixes e outros organismos aquáticos morrem por asfixia. Por isso, a DBO é um dos principais parâmetros para medir a qualidade da água e o grau de poluição de rios e lagoas”, explica Raquel.

    Vinhaça prolonga ação do fipronil e acelera formação de subprodutos tóxicos do 2,4-D

    Thandy da Silva Pinto identificou outro efeito preocupante: nos tanques em que os pesquisadores aplicaram a vinhaça junto aos agrotóxicos, o fipronil permaneceu mais tempo na água, enquanto o 2,4-D se degradou mais rapidamente em metabólitos que podem ser tão ou mais tóxicos do que a molécula original.

    “Na prática, o ecossistema deixa de funcionar de forma equilibrada, mesmo que nem todas as espécies desapareçam”, diz o pesquisador.

    O fipronil se mostrou o contaminante mais letal. Nos tanques expostos ao inseticida, predadores desapareceram completamente. Resultado que se repetiu quando os dois agrotóxicos atuaram em conjunto. Nos tanques com 2,4-D, os pesquisadores registraram aumento de coletores-catadores, organismos que consomem partículas orgânicas, e queda acentuada de raspadores, grupo fundamental no controle de algas. Sobretudo na amostragem dos 75 dias.

    Nos ambientes com vinhaça exclusiva, predadores dominaram o ambiente e coletores-catadores regrediram. Quando a combinação de vinhaça e agrotóxicos entrou em cena, os coletores-catadores resistiram até o sétimo dia. Mas depois os grupos funcionais sofreram mudanças significativas, evidenciando o efeito potencializado dos poluentes combinados.

    Pesquisadores defendem monitoramento contínuo e regras mais rígidas para uso próximo a rios

    Diante dos resultados, os pesquisadores reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de critérios mais rigorosos para o uso combinado de agrotóxicos e fertilizantes em áreas próximas a corpos d’água.

    Visão geral dos mesocosmos instalados próximos a áreas agrícolas. Foto: Allan Pretti Ogura

    Para eles, a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis é fundamental para reduzir os riscos de contaminação e evitar impactos duradouros sobre a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

    Baseado no texto de Ivanir Ferreira/Jornal da USP

  • Bayer fecha acordo bilionário sobre Roundup: o que muda para o agro

    Bayer fecha acordo bilionário sobre Roundup: o que muda para o agro

    A Bayer, por meio de sua controlada Monsanto, anunciou um acordo coletivo de até US$ 7,25 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões) para resolver dezenas de milhares de processos nos Estados Unidos que acusam o herbicida Roundup de causar linfoma não Hodgkin em usuários. O pacote ainda precisa ser aprovado por um tribunal em St. Louis, Missouri. E foi apresentado como uma tentativa de “virar a página” após anos de litígios que afetaram fortemente o valor de mercado da companhia.

    Segundo a proposta, a indenização cobriria tanto casos atuais quanto futuras reivindicações de pessoas que tenham utilizado o produto até uma data de corte em 2026. Criando um fundo com pagamentos anuais decrescentes por até 21 anos. A Bayer afirma que o acordo busca dar previsibilidade financeira ao grupo. Além de reduzir a incerteza jurídica que paira sobre o negócio de glifosato nos EUA.

    Como funciona o acordo coletivo do Roundup

    O acordo foi estruturado como um programa nacional de compensação para usuários de Roundup diagnosticados com linfoma não Hodgkin. Sobretudo aplicadores residenciais, jardineiros, trabalhadores de manutenção e agricultores. A proposta prevê tabelas de pagamento com faixas de valores baseadas em critérios como tipo de câncer, idade, tempo de uso e intensidade de exposição ao herbicida.

    Os participantes poderão aderir ao programa ou optar por ficar de fora e seguir com ações individuais, preservando a possibilidade de buscar veredictos de júri em tribunais estaduais. A Bayer já havia fechado, em anos anteriores, acordos que somam cerca de US$ 11 bilhões para resolver aproximadamente 100 mil ações. E agora tenta encerrar um novo bloco de cerca de 67 mil processos pendentes com esse pacote de US$ 7,25 bilhões.

    Roundup, glifosato e a controvérsia sobre câncer

    O Roundup é um herbicida à base de glifosato, substância que se tornou pilar no manejo de plantas daninhas em sistemas com soja, milho e algodão tolerantes ao produto, além de ser amplamente usado em áreas não agrícolas. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS, classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico para humanos” (grupo 2A), destacando evidências limitadas em humanos e suficientes em animais.

    Essa avaliação foi um gatilho importante para a onda de processos nos EUA, que acusam a Monsanto de falha em alertar adequadamente consumidores e trabalhadores sobre o possível risco de câncer. Por outro lado, agências reguladoras como a EPA, nos Estados Unidos, têm mantido a posição de que o uso de glifosato dentro das recomendações de rótulo não apresenta risco inaceitável à saúde. Portanto, criando um contraste entre avaliações de risco regulatórias e estudos independentes citados nos tribunais.

    Impactos para o agro: riscos, custos e oferta de glifosato

    Para a agricultura, o acordo não significa, ao menos por enquanto, o fim do Roundup ou do glifosato. Mas sinaliza que o risco jurídico dessa molécula passou a ser um fator estratégico no planejamento de médio e longo prazo. A Bayer já retirou o glifosato das formulações de Roundup para o mercado residencial nos EUA a partir de 2023, substituindo por outros ingredientes, em uma decisão explicitamente motivada por gestão de risco jurídico, não por nova evidência de segurança.

    No segmento agrícola, porém, o glifosato continua sendo uma das principais ferramentas de controle de plantas daninhas. E é peça-chave em sistemas de plantio direto e agricultura conservacionista. Analistas alertam que qualquer movimento da Bayer de reduzir a produção de glifosato poderia retirar até cerca de 40% da capacidade global. Assim, pressionando a oferta, aumentando a dependência de fabricantes asiáticos e elevando custos para produtores.

    O que o produtor brasileiro deve observar

    No Brasil, o glifosato segue autorizado, com regras específicas de registro, limites máximos de resíduos e classificações toxicológicas definidas por Anvisa e demais órgãos reguladores. Dados recentes mostram que produtos à base de glifosato continuam entre os defensivos com novas autorizações de registro. Inclusive em formulações de diferentes sais e marcas genéricas, reforçando a importância econômica do ingrediente para o agro brasileiro.

    Apesar de o acordo da Bayer estar focado no mercado dos EUA, ele tende a alimentar o debate global sobre segurança de herbicidas, transparência em rotulagem e responsabilidade das empresas no gerenciamento de risco. Para o produtor, pontos de atenção incluem:

    • acompanhar mudanças regulatórias,
    • diversificar estratégias de manejo de plantas daninhas (para reduzir dependência de uma única molécula),
    • cobrar clareza de informações de risco dos fornecedores
    • se atentar ao uso correto de EPIs e às recomendações de bula.
  • Vendas de agrotóxicos sobem, mas glifosato perde força

    Vendas de agrotóxicos sobem, mas glifosato perde força

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) divulgou os números completos da comercialização de agrotóxicos e bioinsumos no país em 2024. Os dados revelam um mercado em transformação, com o crescimento simultâneo das vendas de produtos químicos e de alternativas biológicas.

    No ano passado, o Ibama processou 7.358 relatórios de 289 empresas, que declararam informações sobre 6.100 marcas comerciais. As vendas totais de agrotóxicos químicos apresentaram alta, principalmente nos produtos técnicos, um movimento que um aumento significativo nas importações também impulsionou.

    Glifosato lidera, mas perde espaço; mercado vê movimentações

    O herbicida glifosato e seus sais mantiveram a primeira posição no ranking de ingredientes ativos mais vendidos, com 231,9 mil toneladas comercializadas. No entanto, o volume representou uma redução frente ao ano anterior.

    O fungicida mancozebe assumiu a segunda colocação, com um salto de vendas de 52,3 mil para 75,1 mil toneladas. Herbicidas como 2,4-D e acefato também mantiveram posições altas e registraram crescimento. Entre as mudanças mais notáveis, o glufosinato – sal de amônio subiu da oitava para a sexta posição, e o cletodim entrou no top 10, substituindo o dibrometo de diquate.

    Bioinsumos ganham força com nova legislação

    Os boletins evidenciaram um crescimento expressivo na produção e na comercialização de bioinsumos. O setor cresceu principalmente pelas vendas de produtos formulados a partir de agentes microbiológicos de controle.

    A partir de 2024, uma reorganização dos relatórios, conforme a Lei 15.070/2024, passou a separar os dados em quatro subcategorias: agentes biológicos, agentes microbiológicos de controle, produtos bioquímicos e produtos semioquímicos. Essa mudança desvinculou os produtos bioquímicos dos relatórios de agrotóxicos químicos, onde apareciam antes.

    Muitos registros não viram vendas

    A análise do Ibama aponta uma característica marcante do setor: uma grande parte dos produtos registrados não chega ao mercado. Em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos com registro válido e 13,6% dos ingredientes ativos não registraram nenhuma comercialização. Além disso, 47 empresas mantiveram registros de agrotóxicos químicos sem reportar qualquer atividade de venda.

    Metodologia e Limitações

    O Ibama ressalta que os dados têm origem em declarações das próprias empresas detentoras dos registros. A legislação protege informações sobre estoques, que portanto não são divulgadas. O órgão também alerta que eventuais inconsistências nos números podem surgir, com possibilidade de retificação futura.

    Os relatórios completos de 2024 estão disponíveis para consulta pública na página Relatórios de comercialização de agrotóxicos do site do Ibama.

  • Agricultura brasileira: os 5 defensivos agrícolas mais vendidos

    Agricultura brasileira: os 5 defensivos agrícolas mais vendidos

    O agronegócio brasileiro mantém-se como um dos maiores consumidores globais de defensivos agrícolas, com destaque para herbicidas, inseticidas e fungicidas.

    Em 2024, a área tratada com esses produtos atingiu 2,5 bilhões de hectares, um crescimento de 12,2% em relação a 2023, segundo dados do Sindiveg.

    No entanto, o valor de mercado recuou 6,6%, totalizando US$ 19,9 bilhões, reflexo de fatores cambiais e da redução nos preços dos produtos.

    Com base nos relatórios do Ibama e estudos setoriais, os ingredientes ativos mais comercializados em volume são:

    Glifosato e seus sais

    • Tipo: herbicida
    • Uso: controla plantas daninhas em culturas como soja, milho, cana-de-açúcar e café. Lidera o mercado há anos, representando cerca de 32% do total de ingredientes ativos vendidos no país. Em 2024, foi crucial no manejo de invasoras em meio ao aumento da área plantada.

    2,4-D

    • Tipo: herbicida
    • Uso: amplamente aplicado em combinação com o glifosato para superar resistências de plantas daninhas, como buva e capim-amargoso. Destaca-se nas culturas de soja e milho.

    Mancozebe

    • Tipo: fungicida
    • Uso: proteção contra doenças fúngicas, como a ferrugem asiática da soja. Sua aplicação cresceu 15% em volume em 2024, impulsionada por condições climáticas favoráveis a patógenos.

    Acefato

    • Tipo: inseticida
    • Uso: controla pragas como percevejos e lagartas na soja e algodão. Mantém-se entre os mais vendidos devido à eficácia e custo acessível, despite preocupações regulatórias.

    Atrazina

    • Tipo: herbicida
    • Uso: utilizado principalmente nas culturas de milho e cana-de-açúcar, com ação residual no solo. Segue em alta devido à expansão do milho segunda safra.

    Distribuição por categorias e culturas

    Em 2024, os herbicidas lideraram o mercado, representando 45% do volume total, seguidos por inseticidas (23%) e fungicidas (23%). A soja foi a cultura que mais demandou defensivos, com 56% da área tratada, seguida por milho (16%) e algodão (8%). Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia concentraram 28% das vendas, reforçando a vocação agrícola do Centro-Oeste.

    Essas são as tendências para 2025:

    • Crescimento moderado: projeta-se um aumento de 3% a 6% na área tratada, ultrapassando 2 bilhões de hectares. A soja deve manter sua dominância, com 55% do total.
    • Queda de preços: espera-se que a valorização do real e os estoques elevados pressionem os preços, reduzindo o valor de mercado.
    • Expansão de biológicos: os bioinsumos devem crescer 13% em 2025, impulsionados por demandas por sustentabilidade 11. Em 2024, esse mercado já movimentou R$ 5 bilhões.
    • Desafios fitossanitários: pragas como cigarrinha-do-milho, mosca-branca e lagartas continuarão a demandar aplicações intensivas, especialmente na soja e milho.

    Apesar do recorde em área tratada, o valor financeiro do mercado recuou para US$ 18 bilhões em 2024. Esse paradoxo reflete a concorrência internacional, com aumento das importações – especialmente da Europa – e a desvalorização do dólar. Além disso, o crescimento dos biodefensivos sinaliza uma transição gradual para modelos mais sustentáveis, alinhados às exigências globais.

    O panorama dos defensivos agrícolas no Brasil evidencia a dependência de produtos tradicionais, como glifosato e 2,4-D, mas também aponta para inovações em bioinsumos. Para os produtores, o desafio será equilibrar eficiência produtiva com sustentabilidade, enquanto o mercado se adapta a novas realidades econômicas e ambientais

  • Icafolin-metil: novo herbicida promete combater resistência de plantas daninhas

    Icafolin-metil: novo herbicida promete combater resistência de plantas daninhas

    A Bayer acaba de submeter pedidos de registro para seu novo herbicida Icafolin-metil na União Europeia. A empresa já havia protocolado solicitações no Brasil, Estados Unidos e Canadá. Este produto representa o primeiro mecanismo de ação inédito em mais de três décadas para controle pós-emergencial de plantas daninhas.

    O mercado global projeta vendas de aproximadamente € 750 milhões para o Icafolin. A Bayer planeja o lançamento comercial a partir de 2028. O Brasil será o primeiro país a receber o produto.

    O Icafolin pertence a uma classe química completamente nova. Suas propriedades únicas permitem aplicações com doses reduzidas e direcionamento específico. O produto também apresenta perfil excepcional de segurança ambiental.

    A molécula funciona como complemento ao glifosato e outros herbicidas existentes. Esta característica oferece solução inovadora contra a crescente resistência de plantas daninhas. O problema ameaça diretamente a produção global de alimentos.

    “As plantas daninhas ameaçam a segurança alimentar e a subsistência dos agricultores”, explica Mike Graham, líder global de P&D da divisão agrícola da Bayer. “Investir em inovações disruptivas como o Icafolin é vital para o futuro da agricultura.”

    Brasil receberá primeiro lançamento comercial em 2028

    A resistência de ervas daninhas avança globalmente nos últimos anos. Essas espécies competem com culturas agrícolas por luz, água e nutrientes. O resultado impacta negativamente o rendimento e a qualidade da produção.

    O Icafolin foi desenvolvido inicialmente para soja, cereais, leguminosas e oleaginosas. O produto também atende cultivos de frutas de caroço, pomar, nozes, uvas e cítricos.

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    O mecanismo de ação único “congela” as plantas daninhas tratadas nos campos. Estas param de competir com as culturas, mas permanecem no local por mais tempo. A cobertura formada previne erosão e retém umidade no solo.

    Produto reduz necessidade de preparo do solo

    O controle eficaz de ervas daninhas diminui a necessidade de preparo mecânico do solo. Esta característica apoia práticas de agricultura regenerativa. O resultado melhora a saúde do solo a longo prazo.

    As propriedades intrínsecas do Icafolin favorecem aplicações localizadas. O produto também permite o uso de doses menores que herbicidas convencionais.

    Rachel Rama, vice-presidente global sênior da Bayer, destaca a importância da tecnologia CropKey. “Não estamos apenas respondendo aos desafios agrícolas atuais”, afirma. “Estamos sendo proativos e antecipando necessidades futuras.”

    Inteligência artificial acelera desenvolvimento

    O CropKey representa a abordagem inovadora de P&D da Bayer. A tecnologia otimiza formulações considerando múltiplas dimensões simultaneamente. Os critérios incluem eficácia, segurança, sustentabilidade e conveniência para o agricultor.

    A inteligência artificial acelera significativamente a jornada do conceito ao mercado. Esta velocidade permite que agricultores tenham acesso mais rápido a produtos eficazes e ambientalmente responsáveis.

    O Icafolin é o primeiro produto desenvolvido completamente com a metodologia CropKey. A tecnologia continuará acelerando o desenvolvimento de moléculas futuras. O foco será proteínas específicas em plantas daninhas, pragas e doenças de cultivos.

    Após o lançamento no Brasil em 2028, a Bayer prevê comercializar o Icafolin nos Estados Unidos, Canadá, União Europeia e outras regiões. A expansão global ocorrerá nos anos subsequentes.

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  • Saiba por que uso de herbicidas cresceu 128% no Brasil

    Saiba por que uso de herbicidas cresceu 128% no Brasil

    O uso de herbicidas no Brasil aumentou 128% entre 2010 e 2020, segundo estudo da Embrapa Meio Ambiente com a UniRV. Ou seja, nesse período, o volume de ingredientes ativos passou de 157,5 mil para 329,7 mil toneladas por ano. 
    O crescimento expõe dois fatores preocupantes: a resistência das plantas ao glifosato e a ausência de alternativas sustentáveis.

    A área agrícola cresceu apenas 24% no mesmo intervalo, o que evidencia o uso intensivo de herbicidas.
    Segundo os pesquisadores, a perda de eficácia do glifosato levou à aplicação de outras moléculas químicas.
    A baixa oferta de bioherbicidas e métodos alternativos também contribuiu para a intensificação do uso químico.

    Certos compostos químicos cresceram muito. O cletodim subiu 2.672%, o triclopir, 953%, e o haloxifope, 896%.
    Outros também se destacaram: o diclosulam cresceu 561%, a flumioxazina, 531%, e o glufosinato, 290%.
    Já o herbicida 2,4-D teve alta de 233% no período analisado pelos pesquisadores.

    “O agricultor tenta manter o controle químico, mesmo com menor eficiência do glifosato”, explicou Robson Barizon, da Embrapa. Segundo ele, a combinação de moléculas é uma tentativa de superar a resistência das plantas a esse herbicida.

    Estudo comparou dados de vendas com a expansão agrícola

    A equipe usou dados do Ibama, com ajustes para adequação internacional. Os pesquisadores padronizaram as unidades de medida para comparar diferentes tipos de defensivos. Com isso, analisaram a relação entre o uso de herbicidas e a área plantada com soja e pastagens não degradadas.

    Os herbicidas se consolidaram como os defensivos mais usados no país, à frente de fungicidas e inseticidas.
    Isso ocorre porque os herbicidas são aplicados em todas as fases do calendário agrícola.
    Eles são usados desde o preparo do solo até o pousio, enquanto fungicidas e inseticidas têm uso restrito ao cultivo.

    Falta de alternativas amplia dependência dos químicos

    No Brasil, quase não existem no mercado opções de controle físico ou bioherbicidas disponíveis.
    Faltam, por exemplo, soluções com laser, água quente ou descargas elétricas adaptadas à agricultura tropical.
    Produtos com base em microrganismos ou extratos vegetais ainda não são acessíveis, apesar das pesquisas em andamento.

    “O domínio dos herbicidas não vem só da eficiência. Reflete a falta de opções biológicas no país”, disse Barizon.

    Resistência cresce e encarece o manejo das lavouras

    A resistência ao glifosato é hoje um dos maiores desafios da agricultura brasileira.
    O Brasil já registra 20 casos confirmados, envolvendo 12 espécies de plantas resistentes ao produto.
    Entre elas, destacam-se o capim-amargoso, a buva, o caruru e o capim-pé-de-galinha.

    O problema também atinge plantas voluntárias, como o milho resistente, que invade lavouras de soja em sucessão. Para contornar a resistência, produtores aplicam combinações ou sequências de herbicidas, o que aumenta os custos. “Isso exige maior conhecimento técnico e aumenta a carga química no ambiente”, alerta o pesquisador Sergio Procópio.

    Dois marcos consolidaram o uso do glifosato no país: o plantio direto nos anos 1990 e os transgênicos nos anos 2000. Em geral, essas tecnologias facilitaram o manejo, mas também intensificaram o uso repetido da mesma molécula. Portanto, a consequência foi o aumento da pressão seletiva e a seleção de espécies resistentes.

    A saída da mão de obra do campo também favoreceu o uso de produtos químicos. Com menos trabalhadores disponíveis, os produtores optaram por soluções rápidas e mecanizadas.

    Estudo propõe medidas para reduzir dependência química

    A Embrapa recomenda políticas públicas para apoiar a transição para um manejo mais sustentável. Entre as propostas estão o incentivo à pesquisa, capacitação técnica e certificações a produtores com menor uso químico.

    Veja as principais recomendações dos pesquisadores:

    • Ampliar os investimentos em bioherbicidas e controle físico de plantas.
    • Desenvolver nanoformulações que reduzam as doses aplicadas.
    • Criar políticas que incentivem a pulverização com sensores inteligentes.
    • Oferecer capacitação para o manejo integrado de plantas.
    • Estimular certificações que premiem quem usa menos defensivos.

    Atualmente, os herbicidas representam 59% do mercado de defensivos agrícolas no Brasil.
    Segundo os pesquisadores, essa dependência compromete a sustentabilidade no médio e longo prazo.
    “O futuro do controle de plantas exige um sistema equilibrado e menos dependente da química”, conclui Procópio.

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  • Uso de herbicidas no Brasil sobe 128% em uma década

    Uso de herbicidas no Brasil sobe 128% em uma década

    O Brasil registrou um aumento expressivo no consumo de herbicidas nos últimos 11 anos. De acordo com um estudo da Embrapa Meio Ambiente em parceria com a Universidade de Rio Verde, entre 2010 e 2020, as vendas saltaram de 157,5 mil para 329,7 mil toneladas anuais de ingredientes ativos. Esse avanço, de 128%, contrasta fortemente com o crescimento da área agrícola, que foi de 24% no mesmo período.

    A principal razão para esse aumento é a resistência crescente das plantas daninhas ao glifosato, o herbicida mais utilizado no país. Esse fenômeno silencioso impõe grandes desafios ao manejo agrícola, pois reduz a eficácia do controle químico tradicional, obriga a adoção de novas moléculas e eleva os custos de produção.

    Com o glifosato perdendo eficiência, agricultores passaram a recorrer a outros princípios ativos. Entre 2010 e 2020, algumas moléculas foram destaque pelo rápido crescimento no uso:

    • Cletodim: aumento de 2.672%
    • Triclopir: 953%
    • Haloxifope: 896%
    • Diclosulam: 561%
    • Flumioxazina: 531%
    • Glufosinato: 290%
    • 2,4-D: 233%

    Esses números refletem o esforço dos produtores em manter o controle químico como estratégia principal no campo, mesmo diante de plantas daninhas cada vez mais resistentes.

    Metodologia do estudo

    O levantamento utilizou dados oficiais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ajustando para normas internacionais e excluindo produtos para uso não agrícola e adjuvantes exclusivos. Os herbicidas mais comuns foram convertidos em unidades equivalentes para padronização dos dados, considerando “equivalente ácido” para glifosato, 2,4-D, triclopir e haloxifope; “toneladas de íon equivalente” para paraquate e diquate; “toneladas de cobre metálico equivalente” para fungicidas à base de cobre; e “toneladas de ingrediente ativo” para os demais defensivos.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    A equipe comparou a evolução do uso dos herbicidas com a expansão da área agrícola, das lavouras de soja e das pastagens não degradadas, utilizando dados do IBGE e da Universidade Federal de Goiás. Isso permitiu uma visão ampla do impacto dessas substâncias no contexto agrícola brasileiro.

    Herbicidas se consolidam como insumos prioritários

    O resultado evidenciou o protagonismo dos herbicidas entre os defensivos agrícolas. Diferentemente de fungicidas e inseticidas, usados apenas durante o cultivo, os herbicidas são aplicados do preparo do solo até o pré-colheita e no manejo de áreas de pousio. Essa versatilidade consolidou seu uso e aumentou consideravelmente a dependência do setor agrícola nacional por essas moléculas.

    No ano de 2020, os herbicidas responderam por cerca de 59% do mercado nacional de defensivos agrícolas. Fungicidas e inseticidas ficaram bem atrás.

    Limitações e preocupações ambientais

    O Brasil ainda apresenta baixa oferta de métodos alternativos ao controle químico, como técnicas físicas (laser, espuma, descargas elétricas) e bioherbicidas produzidos a partir de microrganismos ou extratos vegetais. Além dos impactos ambientais, o uso crescente de herbicidas torna o manejo mais caro e exige elevada especialização técnica, pois é preciso combinar diferentes moléculas ou alternar aplicações para tentar driblar a resistência, aumentando a carga química no ambiente.

    Atualmente, o país já registrou 20 casos de resistência ao glifosato, envolvendo pelo menos 12 espécies de plantas consideradas invasoras, como capim-amargoso, buva, caruru e capim-pé-de-galinha. As lavouras também passaram a conviver com plantas voluntárias de milho transgênico resistente ao glifosato, tornando o controle ainda mais complexo.

    Razões históricas para a dependência do glifosato

    Dois marcos históricos reforçaram a dependência desse produto. A adoção do sistema de plantio direto nos anos 1990 e a chegada das sementes transgênicas resistentes ao glifosato nos anos 2000. Esses avanços simplificaram o manejo, mas contribuíram para a intensificação do uso repetitivo do mesmo princípio ativo. Esse cenário, aliado à redução da mão de obra rural e à urbanização, favoreceu a mecanização e a ampliação do uso de insumos químicos.

    Os pesquisadores alertam para a necessidade urgente de reorganizar o sistema de produção rural brasileiro para garantir a sustentabilidade. Eles sugerem medidas como:

    • Maior investimento em pesquisa e desenvolvimento de bioherbicidas
    • Estímulo à adoção de métodos físicos de controle de plantas daninhas
    • Desenvolvimento de nanoformulações para liberação controlada de herbicidas, que permita a redução das doses aplicadas
    • Políticas públicas para incentivar a aquisição e adaptação de pulverizadores equipados com sensores de detecção de plantas
    • Capacitação constante de técnicos e produtores rurais para aplicação do manejo integrado
    • Certificação e premiação de agricultores que realizem uso racional e minimizado de defensivos

    O futuro do controle de plantas daninhas

    Segundo os pesquisadores, a superação da dependência química exclusiva só será possível com políticas públicas específicas, ampliação da pesquisa, inovação e incentivos à transição para sistemas integrados e equilibrados. O objetivo é garantir a produtividade com sustentabilidade a médio e longo prazo.

    O estudo reforça que o futuro da agricultura brasileira passa por diversificação de estratégias, integração de tecnologias inovadoras e pelo fortalecimento da pesquisa nacional em biotecnologia e controle alternativo de plantas daninhas.

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  • Poder público combate uso e descarte irregular de agrotóxicos no RS

    Poder público combate uso e descarte irregular de agrotóxicos no RS

    Na manhã de ontem, quinta-feira (24), uma operação conjunta da 1ª Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato de Bagé (Decrab), do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDV/Seapi) e da equipe da Operação Protetor das Divisas e Fronteiras resultou na fiscalização de uma propriedade rural em Bagé, no Rio Grande do Sul. A ação teve como objetivo apurar denúncias de manipulação e aplicação irregular de insumos agrícolas, especialmente agrotóxicos estrangeiros proibidos no Brasil.

    No local, as equipes identificaram o descarte inadequado de embalagens de agrotóxicos, armazenamento irregular de insumos e a presença de embalagens de “paraquat”. Esse é um herbicida banido em diversos países devido à sua alta toxicidade. O produto está proibido no Brasil desde 2017 por decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após estudos comprovarem graves riscos à saúde humana, incluindo potencial letalidade mesmo em casos de exposição acidental.

    Denúncia

    A fiscal estadual agropecuária Michelle Rodrigues informou que o canal oficial do DDV recebeu a denúncia, posteriormente confirmada durante a fiscalização, que identificou produtos contrabandeados e não autorizados para uso no país. As equipes autuaram o proprietário da área pelas infrações ambientais e sanitárias.

    A presença e o uso de agrotóxicos ilegais, além do descarte irregular de resíduos, configuram crime ambiental grave. E são alvo de operações constantes das autoridades estaduais e federais na região de Bagé e outros municípios gaúchos. Ações como essa visam coibir a circulação de produtos perigosos, proteger o meio ambiente e garantir a segurança alimentar. Além de reforçar a importância do cumprimento rigoroso da legislação sobre defensivos agrícolas.

    O paraquat, em particular, é reconhecido internacionalmente por sua extrema periculosidade e já foi proibido em mais de 50 países. Isso incluindo membros da União Europeia e Suíça, devido à sua toxicidade aguda e crônica. A fiscalização e o combate ao uso e comércio de agrotóxicos ilegais seguem como prioridade para órgãos de defesa agropecuária e segurança pública no Rio Grande do Sul.

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  • Herbicidas hormonais ameaçam produção de uva no Rio Grande do Sul

    Herbicidas hormonais ameaçam produção de uva no Rio Grande do Sul

    A utilização de herbicidas hormonais tem gerado preocupações significativas entre os viticultores do Rio Grande do Sul. E pode colocar em risco a produção de uvas no estado. Esses produtos químicos, que atuam como reguladores de crescimento, podem causar danos irreversíveis às vinhas, afetando a qualidade e a quantidade da colheita.

    As derivas de herbicidas hormonais têm causado prejuízos significativos à produção agrícola no Rio Grande do Sul, afetando especialmente culturas sensíveis como viticultura e fruticultura. Para abordar esses impactos e buscar soluções, o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) promoveu a reunião de trabalho “Herbicidas Hormonais: Impactos das Derivas na Produção Agrícola”, realizada no Salão do Clube Internacional da Comunidade do Chapadão, em Jaguari (RS).

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    O evento reuniu representantes de entidades setoriais, pesquisadores, produtores e autoridades públicas. E com objetivo de discutir estratégias para mitigar os problemas causados pela deriva de herbicidas hormonais. Fortalecendo, desta forma, a defesa das culturas agrícolas e fomentar práticas sustentáveis. A programação incluiu palestras, painéis e grupos de trabalho que resultaram na elaboração da “Carta de Jaguari”, documento que propõe ações concretas para minimizar os prejuízos e promover a sustentabilidade na agricultura gaúcha.

    O que é a deriva?

    A deriva é o deslocamento involuntário de produtos agroquímicos, como herbicidas, para áreas fora do alvo original, devido a fatores como vento, evaporação ou formação de gotas muito finas durante a aplicação. Esse fenômeno pode prejudicar plantações sensíveis próximas, afetar o meio ambiente e gerar prejuízos econômicos. Condições climáticas inadequadas e técnicas de pulverização mal executadas são as principais causas do problema.

    De acordo com Hélio Marchioro, secretário executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho) e conselheiro do Consevitis-RS, o evento buscou definir ações concretas para conter os prejuízos causados pelas derivas de herbicidas hormonais, que têm levado produtores a desistirem de suas atividades. Ele cita culturas como uva, maçã, melancia, citrus, erva-mate e azeitonas entre as mais afetadas pela deriva de herbicidas hormonais. Que está comprometendo tanto a produtividade quanto o desenvolvimento econômico em regiões anteriormente promissoras.

    Marchioro destaca também a necessidade de um debate ampliado com governos e entidades setoriais, reforçando a relevância de ações integradas entre agricultores, governo estadual e federal, além de frentes parlamentares. “Estamos fazendo este evento para rememorar tudo que já foi feito e propor alternativas definitivas. Também é importante lembrar que o problema da deriva dos herbicidas hormonais não é exclusivo do Rio Grande do Sul. Em São Paulo e no Uruguai, produtores enfrentam desafios semelhantes, o que será tema das discussões com representantes desses locais durante a reunião.”

    Busca por soluções

    A reunião de trabalho em Jaguari representa um passo importante na busca por soluções para os impactos das derivas de herbicidas hormonais na produção agrícola do Rio Grande do Sul. E promover o diálogo entre diversos setores e a elaboração de estratégias para a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico das regiões afetadas.

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    A situação exige atenção imediata das autoridades agrícolas e dos produtores para garantir a sustentabilidade da viticultura no Rio Grande do Sul. Com o aumento da demanda por vinhos de qualidade, é crucial que os viticultores adotem práticas que preservem a integridade das suas culturas. E assegurem um futuro promissor para a produção de uvas no estado.