Tag: herbicida 2.4-D

  • Agrotóxicos e vinhaça destroem predadores aquáticos e desequilibram rios e lagoas

    Agrotóxicos e vinhaça destroem predadores aquáticos e desequilibram rios e lagoas

    Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou que a combinação de agrotóxicos e vinhaça, resíduo líquido da produção de etanol de cana-de-açúcar, elimina predadores aquáticos, compromete funções ecológicas essenciais e desequilibra ecossistemas de rios, lagos e lagoas. O estudo ganha relevância diante da expansão do setor sucroenergético brasileiro, que depende do uso intensivo de defensivos agrícolas em áreas próximas a corpos d’água.

    Pesquisadores enchendo os tanques experimentais (mesocosmos) instalados a céu aberto próximo a áreas agrícolas para análise da água e monitoramento dos macroinvertebrados como larvas, insetos, moluscos e minhocas. Foto: Allan Pretti Ogura

    Os pesquisadores testaram os efeitos do inseticida fipronil, do herbicida 2,4-D e da vinhaça, aplicados isoladamente e em conjunto,sobre macroinvertebrados bentônicos, grupo que inclui larvas de insetos, moluscos e minhocas. Esses organismos desempenham papéis críticos no ecossistema aquático: decompõem matéria orgânica, ciclam nutrientes e controlam populações de outras espécies. Nos experimentos, a exposição aos contaminantes provocou o desaparecimento de predadores e perturbou profundamente o equilíbrio ecológico.

    Os resultados integram o artigo científico “Impacts of pesticides and vinasse on the composition and functional diversity of aquatic macroinvertebrates exposed in a mesocosm system”, assinado pela professora Raquel Aparecida Moreira, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/USP), e pelo pesquisador Thandy Junio da Silva Pinto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entre outros autores.

    Experimento monitorou fauna aquática por 150 dias em área rural de São Paulo

    A equipe conduziu o estudo em tanques experimentais a céu aberto, chamados mesocosmos. Eles estão instalados no município de Itirapina (SP), onde a cana-de-açúcar domina a economia local. Os pesquisadores coletaram e analisaram amostras de água e monitoraram os macroinvertebrados aos 7, 14, 28, 75 e 150 dias após a exposição aos contaminantes.

    A professora Raquel Moreira destaca que os resultados confirmaram a toxicidade da vinhaça e seu elevado potencial de impacto ambiental, especialmente quando agricultores a aplicam junto com agrotóxicos. Uma prática corrente na agricultura brasileira. Amplamente usada como fertilizante por fertirrigação, a vinhaça concentra altos níveis de potássio, magnésio, fósforo e nitrogênio.

    “É justamente a elevada carga de nutrientes e de matéria orgânica que compromete o ecossistema aquático”, afirma a pesquisadora. A vinhaça analisada apresentou Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) de 46.500 miligramas por litro e Demanda Química de Oxigênio (DQO) de 107.000 mg/L. Valores que indicam enorme quantidade de matéria orgânica e alto consumo de oxigênio na água.

    “A redução do oxigênio pode ter consequências graves. Se os níveis caem muito, peixes e outros organismos aquáticos morrem por asfixia. Por isso, a DBO é um dos principais parâmetros para medir a qualidade da água e o grau de poluição de rios e lagoas”, explica Raquel.

    Vinhaça prolonga ação do fipronil e acelera formação de subprodutos tóxicos do 2,4-D

    Thandy da Silva Pinto identificou outro efeito preocupante: nos tanques em que os pesquisadores aplicaram a vinhaça junto aos agrotóxicos, o fipronil permaneceu mais tempo na água, enquanto o 2,4-D se degradou mais rapidamente em metabólitos que podem ser tão ou mais tóxicos do que a molécula original.

    “Na prática, o ecossistema deixa de funcionar de forma equilibrada, mesmo que nem todas as espécies desapareçam”, diz o pesquisador.

    O fipronil se mostrou o contaminante mais letal. Nos tanques expostos ao inseticida, predadores desapareceram completamente. Resultado que se repetiu quando os dois agrotóxicos atuaram em conjunto. Nos tanques com 2,4-D, os pesquisadores registraram aumento de coletores-catadores, organismos que consomem partículas orgânicas, e queda acentuada de raspadores, grupo fundamental no controle de algas. Sobretudo na amostragem dos 75 dias.

    Nos ambientes com vinhaça exclusiva, predadores dominaram o ambiente e coletores-catadores regrediram. Quando a combinação de vinhaça e agrotóxicos entrou em cena, os coletores-catadores resistiram até o sétimo dia. Mas depois os grupos funcionais sofreram mudanças significativas, evidenciando o efeito potencializado dos poluentes combinados.

    Pesquisadores defendem monitoramento contínuo e regras mais rígidas para uso próximo a rios

    Diante dos resultados, os pesquisadores reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de critérios mais rigorosos para o uso combinado de agrotóxicos e fertilizantes em áreas próximas a corpos d’água.

    Visão geral dos mesocosmos instalados próximos a áreas agrícolas. Foto: Allan Pretti Ogura

    Para eles, a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis é fundamental para reduzir os riscos de contaminação e evitar impactos duradouros sobre a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

    Baseado no texto de Ivanir Ferreira/Jornal da USP

  • Uso indiscriminado de herbicida 2.4-D preocupa olivicultores

    Uso indiscriminado de herbicida 2.4-D preocupa olivicultores

    O uso excessivo do herbicida 2.4-D, um defensivo agrícola amplamente empregado em diversas culturas, tem gerado crescente preocupação no setor olivicultor. O Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) tem monitorado a situação, alertando para os prejuízos visíveis nas lavouras impactadas pelo uso indiscriminado desse produto.

    O presidente do instituto, Renato Fernandes enfatiza que o eles tem acompanhado de perto as fiscalizações realizadas pela Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), mas ressalta que o momento exige uma ação mais assertiva.

    “Nós estamos enfrentando problemas sérios em relação à fruticultura em geral, principalmente na Metade Sul, onde o plantio de monoculturas extensivas têm se utilizado desse defensivo de uma forma indistinta, sem controle. Isso tem nos preocupado”, afirma Fernandes.

    Impactos visíveis no Bioma Pampa

    De acordo com o Ibraoliva, os impactos do uso indiscriminado do herbicida são visíveis a olho nu. Árvores como os cinamomos, às margens da BR-290, apresentam folhas amareladas e ausência de frutificação. Além disso, a mata ciliar em áreas com cursos d’água também demonstra sinais de deterioração, com árvores secas ao longo da vegetação.

    Fernandes também destaca os efeitos negativos no Bioma Pampa, onde diversas frutas silvestres, como a pitanga, não prosperaram este ano. Relatos comprovados também apontam para prejuízos nas culturas de uva e oliveiras, representando um impacto significativo para a sociedade.

    Busca de soluções e ações

    O instituto tem buscado soluções por meio de diversas iniciativas. Uma delas é a Carta de Jaguari, que reuniu entidades para discutir os problemas decorrentes do uso do herbicida. O instituto também está em contato com a Assembleia Legislativa para tratar o assunto em uma comissão, preferencialmente a de Agricultura, Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente.

    Além disso, a entidade planeja discutir o problema com a Farsul. E também acompanhar o posicionamento do Ministério Público, onde já tramita uma ação sobre o tema. O objetivo é cobrar resoluções rápidas e efetivas para mitigar os prejuízos causados à economia e à saúde humana.

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