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  • Brasil está entre os países que mais bebem cerveja no mundo

    Brasil está entre os países que mais bebem cerveja no mundo

    O consumo de cerveja continua elevado no mundo e mantém a bebida entre as mais populares do planeta.

    Dados recentes apontam que o volume global ultrapassa 194 bilhões de litros por ano, o que reforça a força do setor e sua presença em diferentes culturas.

    Brasil segue entre os maiores consumidores

    O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário.

    O país aparece como o terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos. Ao todo, o mercado brasileiro consome cerca de 15,3 bilhões de litros por ano, o que representa aproximadamente 7,9% do volume global.

    Esse desempenho confirma a relevância do país dentro de um mercado já consolidado.

    Ranking global tem liderança asiática

    No cenário internacional, a China lidera o consumo com ampla vantagem, impulsionada pelo tamanho da população e pela expansão do mercado interno.

    Na sequência, os Estados Unidos mantêm a segunda posição. Além disso, países como México, Rússia e Alemanha também figuram entre os maiores consumidores.

    Ao mesmo tempo, mercados emergentes ganham espaço, puxados pelo aumento da renda e pela mudança nos hábitos de consumo.

    Consumo por pessoa muda o ranking

    Quando o recorte considera o consumo per capita, o cenário muda. Países europeus passam a liderar, com destaque para a República Tcheca, onde o consumo ultrapassa 150 litros por pessoa ao ano.

    Esse dado mostra que tradição cultural e hábitos locais influenciam diretamente o consumo.

    Perfil do consumidor começa a mudar

    Apesar dos números elevados, o comportamento do consumidor vem mudando de forma consistente.

    No Brasil, o mercado já mostra sinais de desaceleração em alguns períodos. Ao mesmo tempo, cresce rapidamente a busca por alternativas mais leves, como as cervejas sem álcool. Esse movimento ganhou força nos últimos anos, com avanço expressivo na produção e no consumo desse tipo de bebida.

    Além disso, a categoria deixou de ser vista como algo restrito e passou a fazer parte do consumo cotidiano. Hoje, muitos consumidores alternam versões com e sem álcool, mantendo a socialização sem abrir mão de escolhas mais equilibradas.

    Esse comportamento se intensifica principalmente entre os mais jovens, que priorizam saúde, bem-estar e menor ingestão calórica. Como reflexo, o mercado também começa a expandir esse conceito para outras bebidas.

    Nesse contexto, a chegada do whisky zero álcool ao Brasil reforça essa tendência. A novidade amplia o portfólio de opções sem álcool e mostra que a mudança no consumo não se limita à cerveja. Com isso, o setor de bebidas acompanha a nova demanda e passa a investir cada vez mais em alternativas que combinem sabor, experiência e moderação.

    Harmonização ganha espaço, inclusive na Páscoa

    Além da mudança no perfil, o consumo também se diversifica.

    A cerveja tem sido cada vez mais associada à gastronomia, com combinações que vão além do tradicional. Durante a Páscoa, por exemplo, cresce a recomendação de harmonizar cervejas escuras com chocolates e sobremesas, valorizando sabores mais intensos.

    Essa tendência reforça o posicionamento da bebida como parte de experiências gastronômicas mais completas.

    Especialistas reforçam consumo consciente

    Ao mesmo tempo, especialistas destacam a importância do consumo equilibrado. Profissionais do setor orientam sobre hidratação, alimentação adequada e moderação, especialmente para evitar efeitos como a ressaca.

    Assim, o consumo de cerveja segue forte, mas evolui com novos hábitos, produtos e formas de consumo no Brasil e no mundo.

  • Do campo à folia: como o agronegócio passa pela passarela do carnaval

    Do campo à folia: como o agronegócio passa pela passarela do carnaval

    Quando milhões de brasileiros saem às ruas para celebrar o Carnaval, poucos imaginam que por trás da festa mais popular do país existe uma complexa engrenagem agroindustrial. Os 41,4 milhões de consumidores que devem participar das festividades em 2026 não estão apenas curtindo música e alegria — estão movimentando uma cadeia produtiva que começa nos campos de cevada do Paraná e termina nos blocos de rua do Rio de Janeiro.

    Os números impressionam: a festa deve injetar cerca de R$ 6 bilhões na economia do Rio de Janeiro, com projeções nacionais que chegam a R$ 14,48 bilhões no setor de turismo. Mas o que poucos percebem é que boa parte desse montante retorna diretamente para o agronegócio brasileiro.

    A cerveja: o elo mais forte entre campo e folia

    Se existe um produto que simboliza a conexão entre agro e carnaval, esse produto é a cerveja. Em 2026, a cerveja liderou o volume de vendas no iFood durante o Carnaval, com 92,1 mil pedidos, apresentando crescimento de 26,7%. Entre as 10 bebidas mais consumidas no aplicativo, seis eram cervejas.

    Mas essa “queridinha” da folia esconde uma dependência crítica do agronegócio nacional. O Brasil produziu 15,34 bilhões de litros de cerveja em 2024, sendo o terceiro maior produtor mundial, atrás apenas de Estados Unidos e China. Desse total, aproximadamente 24,7% são de cerveja puro malte, enquanto o restante utiliza adjuntos cervejeiros como o milho — uma adaptação brasileira que equilibra custos e qualidade em clima tropical.

    O desafio da cevada nacional

    A produção brasileira de cevada tem crescido de forma consistente. Em 2024, o volume alcançou 438,4 mil toneladas, e para 2025 as projeções indicam um novo recorde de 516,5 mil toneladas. O Paraná lidera a produção nacional, concentrando 67,4% da safra.

    Apesar do crescimento, o Brasil ainda está longe da autossuficiência. A indústria cervejeira demanda cerca de 2,1 milhões de toneladas de malte anualmente, mas o país só produz em torno de 970 mil toneladas. A diferença? É importada, principalmente de países vizinhos da América do Sul.

    Em 2024, foi inaugurada a Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa, com capacidade para produzir 240 mil toneladas de malte por ano, resultado de um investimento de R$ 1,6 bilhão de cooperativas paranaenses. A unidade atende exclusivamente Heineken e Ambev — gigantes que dominam o mercado carnavalesco.

    O que os foliões consomem: um retrato do agro brasileiro

    A pesquisa da CNDL/SPC Brasil revela o papel central dos produtos agroindustriais no Carnaval 2026. No ranking de consumo, lideram:

    • Água, sucos, energéticos ou chás (55%)
    • Cerveja/chopp (50%)
    • Comidas/lanches fora de casa (48%)
    • Refrigerantes (44%)
    • Itens para churrasco (43%)

    Refrigerantes e sucos dependem diretamente da cana-de-açúcar brasileira. Os itens para churrasco refletem o consumo de carne bovina, suína e de frango, setores onde o Brasil é potência global. Tudo isso movimenta o agronegócio em um período concentrado de poucos dias.

    Inflação da folia: quando o campo encarece a festa

    O custo do Carnaval tem crescido acima da inflação geral, e o agronegócio é parte dessa história. Nos últimos 12 meses até fevereiro de 2025, cervejas e chopps acumularam alta de 4,39% no Rio de Janeiro, 2,63% em Recife e 2,53% em Salvador.

    A cerveja teve aumento de 5,29% no acumulado de 12 meses, explicado pela alta do preço do milho, principal ingrediente, e também pela alta do dólar, que encarece os insumos importados. Refrigerantes seguiram trajetória similar, com alta de 6,74%, impulsionada pelo açúcar, commodity que oscila conforme safras e mercado internacional.

    Águas e refrigerantes também registraram altas significativas: Recife (5,88%), Salvador (4,88%), Rio de Janeiro (4,43%).

    Patrocínio corporativo: o agro financia a cultura

    Além de fornecer produtos, o agronegócio é um dos principais patrocinadores diretos do Carnaval. A Ambev, maior cervejaria do país e um dos maiores compradores de cevada e milho nacionais, investiu mais de R$ 10 bilhões nos últimos três anos em suas operações no Brasil.

    Em 2026, a Skol retornou como patrocinadora oficial do Carnaval de São Paulo após seis anos, enquanto Brahma mantém presença em Salvador, Rio e São Paulo. A estratégia é clara: a Ambev trata o Carnaval como território cultural central, conectando consumo de bebidas à identidade nacional.

    Outras empresas do setor seguem o mesmo caminho. A Xeque Mate, cervejaria independente, projeta crescimento de 20% na produção entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, e reforça apoio a blocos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

    O retorno econômico: cultura vale mais que indústria

    Estudos recentes mostram que o investimento em cultura, e o Carnaval é seu maior expoente. Pois gera retorno econômico superior ao de setores tradicionais. Para cada real investido em cultura, o retorno pode chegar a R$ 7,59 em empregos e renda. Em comparação, o mesmo investimento na indústria de automóveis e caminhões gera um impacto multiplicador de R$ 3,76.

    A economista Mariana Mazzucato, que lidera pesquisa da University College London sobre o tema, é enfática: “O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional”.

    Esse efeito multiplicador beneficia diretamente o agronegócio. A cada litro de cerveja vendido, a cada churrasco consumido, a cada suco de frutas servido, há produtores rurais, cooperativas, transportadores e distribuidores recebendo sua parte.

    O futuro da relação agro-carnaval

    O principal desafio é aumentar a autossuficiência na produção de cevada. Pesquisadores da Embrapa Trigo apontam que questões climáticas e logísticas ainda limitam a expansão. No Rio Grande do Sul, o excesso de chuvas pode comprometer a qualidade do grão. No Cerrado, as condições climáticas são boas, mas as áreas já estão ocupadas por culturas mais rentáveis.

    A solução pode estar na expansão da irrigação. Entre 1960 e 2017, as áreas irrigadas no Brasil passaram de 500 mil hectares para 6,7 milhões de hectares, um aumento de 1.340%. Se esse ritmo se mantiver, a produção de cevada no Brasil Central pode viabilizar a autossuficiência.

    Outro caminho é a diversificação. A Ambev e outras cervejarias investem em pesquisa genética para desenvolver cultivares mais adaptadas ao clima brasileiro. A produção de cerveja sem álcool cresceu 536,9% entre 2023 e 2024, saltando de 118,9 milhões de litros para 757,4 milhões de litros, abrindo novos mercados.

    Cerveja é agro, carnaval é economia

    A frase do presidente-executivo do Sindicerv resume bem a relação: “Cerveja é agro, emprego, renda, diversidade, cultura e gastronomia. Cerveja é Brasil”.

    O Carnaval 2026 não é apenas a maior festa popular do país. É um laboratório econômico em escala real, que testa a capacidade produtiva do agronegócio brasileiro, revela gargalos na cadeia de suprimentos e evidencia oportunidades de crescimento.

    Quando os blocos desfilarem pelas ruas e as escolas de samba encantarem a Sapucaí, o campo estará presente. Seja nacerveja gelada, no churrasco compartilhado, no suco de frutas, no refrigerante. A maior festa do Brasil é, também, uma das maiores vitrines do agronegócio nacional.

  • Como Alagoinhas se tornou a Capital da Cerveja na Bahia

    Como Alagoinhas se tornou a Capital da Cerveja na Bahia

    Localizada a 114 quilômetros de Salvador, no agreste baiano, Alagoinhas conquistou o título oficial de Capital Estadual da Cerveja em outubro de 2023. O município não recebeu o reconhecimento por acaso: fatores geológicos, infraestrutura logística e capacidade industrial transformaram a cidade em referência estratégica para o setor de bebidas no Brasil.

    Foto: Ascom SeturBA

    O diferencial competitivo está embaixo dos pés dos 160 mil habitantes. O Aquífero São Sebastião, que passa sob o município, fornece água de excelente qualidade físico-química Movimento Econômico que requer pH próximo do neutro (7), ideal para a produção de bebidas alcóolicas e não alcóolicas.

    A qualidade natural da água reduz custos operacionais significativamente. Segundo a mestre cervejeira Debora Lehnen, quando uma fábrica se localiza numa região com abundância e qualidade para produção de cerveja, os custos para tratamento caem, pois a água já apresenta baixa poluição e quantidade reduzida de sais.

    Gigantes mundiais investem R$ 3 bilhões

    Grupo Petrópolis, Heineken, Latapack Ball, Indústria São Miguel e outras empresas já investiram cerca de R$ 3 bilhões na região nos últimos anos Alagoinhas. Juntas, as duas principais cervejarias geram entre 1.700 e 1.800 empregos diretos.

    O Grupo Petrópolis chegou à cidade em 2013 e já passou por duas ampliações, dobrando a produção de cerveja, e hoje gera cerca de mil empregos diretos e quatro mil indiretos 24. A empresa produz 124 mil garrafas a cada hora em Alagoinhas.

    A Heineken, que opera no município desde 1997, anunciou em maio de 2023 investimentos de R$ 320 milhões para aumentar em 60% a produção de bebidas e emprega 600 profissionais locais.

    Cadeia produtiva completa

    O polo cervejeiro alagoinhense vai além das fábricas de cerveja. A cidade abriga uma ampla cadeia produtiva, que inclui fábricas de tampinhas, rótulos, latas, engradados e embalagens ligadas à produção cervejeira.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA Senar

    Essa estrutura completa permite que aproximadamente 90% dos colaboradores sejam da própria Alagoinhas.

    A geografia privilegiada coloca Alagoinhas no centro de uma região de alto consumo. A produção abastece principalmente Bahia e Sergipe, além de parte do Piauí e Maranhão. Segundo gestores do setor, o eixo entre Alagoinhas, Camaçari, Feira de Santana e Salvador forma um mercado cervejeiro robusto.

    Cervejarias artesanais crescem com o mesmo recurso

    O mesmo aquífero que atrai multinacionais alimenta cervejarias artesanais locais, criando diversidade produtiva. O município combina produção industrial em larga escala com experiências cervejeiras autorais, aproveitando ingredientes regionais como frutas cítricas e cacau.

    O festival Bahia Beer, realizado anualmente em novembro, reúne o Concurso Internacional de Cerveja (BBA), o Congresso Internacional de Cerveja (CONIB) e o concurso gastronômico Cerveja no Prato.

    Em 2025, o BBA bateu recordes com mais de 1.500 amostras inscritas, de 199 cervejarias representando mais de 40 países. O evento consolidou Alagoinhas como referência em pesquisa, inovação e cultura cervejeira no Nordeste.

    História marca transição de polo comercial a industrial

    A trajetória de Alagoinhas começou no século 18 com missões da Igreja Católica. No século 19, a instalação da ferrovia impulsionou o desenvolvimento local, transformando a cidade em polo comercial e de serviços para mais de 30 municípios vizinhos.

    O escritor Ruy Barbosa batizou Alagoinhas como “pórtico de ouro do Sertão baiano”. Nas décadas de 1990 e 2000, a vocação industrial para bebidas emergiu quando a Schincariol (posteriormente Brasil Kirin e depois Heineken) descobriu o potencial hídrico da região.

    Impacto econômico e social

    Além da geração de empregos diretos e indiretos, as cervejarias contribuem com arrecadação de ISS, PIS e Cofins, além do FPM Movimento Econômico, mesmo com incentivos fiscais estaduais.

    O setor cervejeiro reposicionou Alagoinhas no cenário econômico baiano, diversificando a base produtiva e atraindo investimentos complementares em logística, embalagens e serviços especializados.