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  • Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    Milhões de aves morrem na França após onda de calor

    As primeiras notícias não vieram das plantações nem dos rebanhos. Vieram dos aviários.

    Em poucos dias, granjas de diferentes regiões da França começaram a registrar uma sequência incomum de mortes de frangos. À medida que o calor aumentava, as temperaturas permaneciam elevadas mesmo durante a madrugada e, pouco a pouco, milhares de aves deixavam de resistir. Em algumas áreas, o número de animais mortos cresceu tão rapidamente que a estrutura responsável pelo recolhimento das carcaças entrou em colapso.

    Como resultado, o problema ganhou dimensão nacional e passou a simbolizar uma crise que já alcança boa parte do campo francês. Reportagem publicada pelo jornal Le Monde mostra que a onda de calor provocou perdas expressivas na avicultura, afetou a produção de leite, castigou lavouras e obrigou agricultores a rever, mais uma vez, como enfrentar um clima que se tornou menos previsível.

    Milhraes de frangos na França
    Reprodução: ciwf.fr

    Embora as autoridades ainda consolidem os levantamentos, entidades do setor afirmam que a mortalidade registrada nas granjas está entre as mais severas associadas a episódios recentes de calor intenso no país.

    O calor chegou antes do esperado

    O verão europeu sempre exige atenção dos produtores rurais, mas, neste ano, o calor apareceu mais cedo e com intensidade acima da média em várias regiões francesas.

    Além disso, dias consecutivos de temperaturas elevadas foram seguidos por noites abafadas. Para a avicultura, essa combinação costuma ser uma das mais difíceis de enfrentar. Sem o resfriamento natural durante a madrugada, as aves permanecem sob estresse por muito mais tempo.

    Foi justamente esse cenário que se repetiu nas principais áreas produtoras.

    Na Bretanha, região que concentra grande parte da produção francesa de frangos, produtores passaram a relatar perdas em diferentes sistemas de criação. Ao mesmo tempo, à medida que os dias avançavam, aumentava também a dificuldade para retirar rapidamente os animais mortos das propriedades.

    Segundo o Le Monde, algumas autoridades locais autorizaram medidas excepcionais para evitar problemas sanitários, incluindo o enterramento das carcaças em determinadas situações. A decisão foi tomada porque o volume de aves mortas ultrapassou a capacidade operacional das empresas encarregadas da coleta.

    Por que as aves sofrem tanto com o calor

    Entre os animais criados para produção de alimentos, poucos reagem tão rapidamente ao calor quanto as aves.

    Diferentemente dos bovinos e dos suínos, elas praticamente não conseguem dissipar calor pela pele. Como não transpiram, dependem da respiração para tentar reduzir a temperatura corporal.

    Quando o ambiente permanece muito quente, o organismo acelera a frequência respiratória. Ao mesmo tempo, o consumo de ração diminui e a necessidade de água aumenta. Se o calor persiste por muitas horas, especialmente sem alívio durante a noite, o sistema deixa de compensar o excesso de temperatura. É nesse momento, portanto, que cresce o risco de hipertermia e de mortalidade.

    Por isso, ondas de calor prolongadas costumam atingir primeiro a avicultura. Mesmo granjas equipadas com ventiladores, exaustores e sistemas de resfriamento evaporativo podem enfrentar dificuldades quando as temperaturas permanecem elevadas por vários dias consecutivos.

    O prejuízo vai além da perda dos animais

    A morte das aves representa apenas parte do problema.

    Cada lote perdido interrompe o ciclo de produção, reduz a oferta de carne de frango e aumenta os custos das granjas. Além do impacto econômico direto, os produtores precisam lidar com questões sanitárias, logística para retirada das carcaças e limpeza completa das instalações antes da chegada de um novo plantel.

    Foi justamente essa sequência de desafios que chamou a atenção na França. Em diversas propriedades, o esforço deixou de ser apenas salvar os animais que ainda permaneciam vivos. Além disso, passou a incluir medidas emergenciais para evitar que o acúmulo de carcaças provocasse novos riscos à saúde animal e ao meio ambiente.

    Enquanto isso, a previsão de novas temperaturas elevadas mantinha produtores e autoridades em estado de alerta. Com isso, a preocupação já não se limitava aos aviários. Aos poucos, outros setores da agricultura francesa começavam a sentir os efeitos da mesma onda de calor.

  • Estudo revela como carinho melhora o bem-estar de pintinhos

    Estudo revela como carinho melhora o bem-estar de pintinhos

    Um simples gesto pode fazer diferença na criação de aves. Um estudo realizado pela Universidade de Bristol revelou que o contato humano gentil reduz o medo dos pintinhos e estimula emoções positivas, contribuindo para o bem-estar dos animais nas granjas.

    Segundo os pesquisadores, pequenas mudanças na rotina de manejo já são suficientes para gerar resultados significativos. Falar em tom calmo, manipular os filhotes com cuidado e evitar movimentos bruscos ajudam a tornar o ambiente menos estressante.

    Pesquisa observou mudanças no comportamento dos pintinhos

    Os cientistas avaliaram como os animais reagiam a diferentes formas de interação humana.

    Durante o experimento, os pintinhos foram apresentados a dois ambientes distintos.

    Em um deles, uma pessoa permanecia em silêncio e sem qualquer contato com as aves.

    No outro, os animais recebiam carinho, eram manuseados cuidadosamente e ouviam uma voz tranquila.

    Depois dessa etapa, os pesquisadores permitiram que os pintinhos escolhessem livremente onde permanecer.

    O resultado chamou atenção: a maioria retornou ao ambiente associado ao contato gentil.

    Segundo os autores do estudo, essa escolha indica que os animais desenvolveram uma preferência positiva pelo espaço onde receberam uma interação cuidadosa.

    O que a descoberta representa para a avicultura

    Os resultados mostram que o comportamento dos trabalhadores influencia diretamente a percepção dos animais sobre o ambiente de criação.

    Com um manejo mais tranquilo, é possível reduzir situações de estresse e favorecer melhores condições de bem-estar durante o desenvolvimento dos pintinhos.

    Além dos benefícios para os animais, práticas de manejo mais cuidadosas podem contribuir para sistemas produtivos mais eficientes e alinhados às exigências atuais da avicultura.

    Bem-estar animal vai além da ausência de sofrimento

    A pesquisa reforça um conceito cada vez mais presente na produção animal moderna.

    Hoje, especialistas defendem que garantir o bem-estar não significa apenas evitar dor ou sofrimento, mas também proporcionar experiências positivas durante a criação.

    Nesse contexto, atitudes simples dos profissionais que trabalham nas granjas podem fazer parte de uma estratégia de melhoria contínua na produção.

  • Tecnologia da Embrapa avalia segurança sanitária de granjas

    Tecnologia da Embrapa avalia segurança sanitária de granjas

    A Embrapa Suínos e Aves desenvolveu um software que mede a biosseguridade das granjas de suínos no Brasil. A nova tecnologia, chamada BiosSui, foi testada no Paraná, um dos principais polos suinícolas do País.

    O sistema avalia 23 critérios de biosseguridade externa e interna. Em geral, esses critérios incluem infraestrutura e procedimentos fundamentais para evitar a entrada de patógenos nas granjas. Ao mesmo tempo, com base nesses dados, o BiosSui gera indicadores, organiza recomendações e propõe melhorias na produção. A ferramenta pode orientar decisões de produtores, gestores, agroindústrias e órgãos sanitários.

    Software traz coleta digital e relatórios detalhados

    O BiosSui permite coletar informações por meio de um formulário web. Em seguida, disponibiliza dashboards interativos, mapas, relatórios de desempenho e sugestões técnicas. Ou seja, a ferramenta utiliza metodologia multicritério e classifica o grau de adequação das granjas. Portanto, isso facilita o ranqueamento das propriedades e orienta ações de correção. Além disso, o sistema funciona tanto para gestão individual quanto para grupos de granjas, como cooperativas e unidades agroindustriais.

    Validação contou com apoio de cooperativas e autoridades

    A Embrapa validou a ferramenta com parceiros estratégicos. Em 2024, organizou workshops e reuniões no Paraná com o apoio do Sistema Ocepar. Durante esse processo, firmou acordos com a Frimesa, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e a Associação Paranaense de Suinocultores (APS). Os testes em campo aconteceram em granjas ligadas a cooperativas filiadas à Frimesa, como Lar, Copacol, Copagril, C.Vale e Primato.

    A equipe da Embrapa realizou ajustes com base no uso prático. Também ofereceu orientações para gestores das cooperativas e fiscais da Adapar. “A interação com os parceiros foi essencial para adaptar os critérios à realidade das granjas”, afirma Marcos Morés, analista da Embrapa e especialista em patologia suína.

    Sistema possui três módulos principais

    O BiosSui conta com três módulos: Avaliação, Simulação de Melhorias e Dashboards. No primeiro, os dados coletados no campo permitem calcular os índices de biosseguridade da propriedade.

    No segundo, o sistema gera recomendações técnicas e simula os impactos de eventuais melhorias. Com isso, os produtores conseguem priorizar investimentos e decisões mais eficazes.

    O terceiro módulo apresenta os resultados por meio de dashboards e mapas interativos. Assim, os gestores visualizam dados gerais e detalhados por propriedade.

    Segundo Geordano Dalmédico, analista da Embrapa, “os dashboards ajudam a comparar dados e identificar padrões com facilidade”. O sistema ainda permite exportar dados para análises específicas em programas estatísticos.

    Brasil fortalece posição com foco em biosseguridade

    O Brasil é o quarto maior produtor e o terceiro maior exportador de carne suína do mundo. Ou seja, essa posição estratégica depende do rígido controle sanitário e da adoção de protocolos eficientes.

    O País é livre de doenças como a Peste Suína Africana (PSA) e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS). Esse status é resultado da vigilância ativa e do investimento contínuo em biosseguridade.

    “A biosseguridade protege os rebanhos em várias camadas”, explica a pesquisadora Jalusa Kich. “O controle na importação de animais e material genético, por exemplo, tem abrangência nacional.” Segundo ela, o Ministério da Agricultura coordena a defesa sanitária, com execução a cargo dos estados. As normas de biosseguridade apoiam programas como o Programa Nacional de Sanidade Suídea (PNSS).

    Prática técnica se torna estratégia de mercado

    Além do cumprimento das normas, a biosseguridade também virou um diferencial competitivo. Portanto, para os pesquisadores, a suinocultura industrial precisa incorporar a prática como parte da gestão do negócio.

    “As agroindústrias e os produtores devem reforçar os protocolos em suas rotinas. A biosseguridade deixou de ser apenas uma exigência técnica”, afirma Franco Muller Martins, líder do projeto BiosSui. “Hoje, é uma estratégia nacional de proteção e competitividade.”

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  • Ventilação adequada é essencial para o bem-estar animal

    Ventilação adequada é essencial para o bem-estar animal

    Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, a ventilação adequada nas granjas e aviários se torna crucial para prevenir o estresse térmico nos animais. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro já enfrentaram recordes de calor, com a capital paulista registrando 33,9°C e a capital fluminense alcançando 41,5°C, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia e do Centro de Operações Rio (COR). Este cenário representa um desafio significativo para a avicultura, que pode sofrer fatalidades devido ao calor excessivo.

    O estresse térmico pode resultar em perda de peso, maior vulnerabilidade a doenças, redução na qualidade dos ovos e diminuição do consumo de ração. Por isso, é fundamental que os produtores estejam atentos ao comportamento das aves e adotem medidas preventivas, como um sistema de ventilação eficiente que controle a temperatura e garanta a qualidade do ar.

    Sistemas de ventilação

    “A ventilação eficaz é imprescindível. Pois, além de proporcionar conforto térmico, ajuda a evitar problemas de saúde nos animais. E que podem acabar prejudicando a produtividade”, afirma Drauzio Menezes, diretor da Hercules Motores Elétricos. Ele ressalta que granjas e aviários sem circulação natural devem implementar sistemas de ventilação adequados. A Hercules oferece motores desenvolvidos para essas aplicações, com destaque para o modelo IP 55, que é protegido contra poeira e jatos de água.

    Caso já exista um sistema de ventilação instalado, é importante verificar sua adequação e necessidade de manutenção. “Os sistemas mais eficientes são projetados para suportar aplicações de alta demanda. Eles operam em regime contínuo S1 e no modo AIR OVER, sem ventilação forçada”, explica Menezes. Além disso, os motores utilizados possuem certificação ISO 9001 e rendimentos aprovados pelo Inmetro, garantindo alta eficiência energética.

    A ventilação adequada não apenas melhora as condições de bem-estar animal, mas também contribui para a produtividade do setor. Com as altas temperaturas previstas para o verão, os produtores devem priorizar a implementação de soluções eficazes para garantir a saúde dos rebanhos e maximizar a produção.

  • Bem estar animal – Novo desafio para avicultura mundial

    Bem estar animal – Novo desafio para avicultura mundial

    Nos últimos anos, a preocupação com o bem-estar animal tem ganhado cada vez mais destaque na sociedade e atender a demanda de um mercado consumidor cada vez mais exigente e atento aos meios de produção,  representa um desafio para a avicultura mundial.

    Uma das questões mais debatidas é o tratamento dado às galinhas poedeiras, que muitas vezes são mantidas em condições precárias em gaiolas industriais.

    O banimento das gaiolas para essas galinhas é uma medida que reflete a crescente conscientização sobre o sofrimento animal e a necessidade de práticas mais éticas na produção de alimentos.

    A União Europeia, em Junho de 2021, se comprometeu a eliminar progressivamente até 2027 a criação de animais em gaiolas.

    Já a Austrália firmou o compromisso em 2022 de abolir o uso de gaiolas na criação até 2036, enquanto que nos Estados Unidos 35% da produção de ovos já conta com o sistema de galinhas criadas livres.

    Movimento Free Cage

    Em Abril deste ano a associação de produtores Cage Free da Indonésia (ICFA) lançou a iniciativa de promover práticas sustentáveis na indústria avícola no país. No Brasil estima-se que 95% da produção de ovos ainda venha de galinhas criadas em gaiolas.

    Porém, diante da crescente demanda pela modernização da criação pensada no bem estar animal, e no compromisso firmado por grandes grupos alimentícios de ter em sua gama de fornecedores produtores alinhados com a ideia de uma cadeia produtiva sustentável (como podemos conferir aqui) grandes redes de supermercados e gigantes varejistas como Carrefour, Grupo Big e Grupo Pão de açúcar também firmaram o mesmo compromisso: ter em suas gôndolas apenas ovos de galinhas criadas livres.

    Dessa necessidade surgem iniciativas como o Mira Poedeiras que vem mapeando produtores em todo o território nacional incentivando a adoção desse método de criação de galinhas poedeiras livres, proporcionando um ambiente mais natural para as aves e resultando em ovos de melhor qualidade.

    Líder no segmento da avicultura em inovação e tecnologia na América Latina , com produção total de 2,3 bilhões de ovos por ano, o Grupo Mantiqueira anunciou em 2020 que não construirá novas granjas no sistema convencional de produção e chegará a marca de 2,5 milhões de galinhas livres de gaiolas ate o final de 2025.

    A iniciativa conta com o apoio das principais ONG´s de proteção animal do Brasil e do mundo como a Mercy For Animals, que integra a OWA (Open Wing Alliance), uma coalizão global que luta para banir a pratica de confinamento de galinhas em gaiolas na indústria de ovos e todo.

    Galinhas criadas livres.

    Allém disso, pensar nesse assunto e buscar meios de implementa-lo é um importante marco na evolução da indústria avícola rumo a práticas mais éticas e sustentáveis.

    Estas medidas de produção sustentáveis não apenas melhoram o bem-estar animal, mas também promovem uma produção de alimentos mais saudável e ambientalmente consciente.

    Benefícios para o consumidor e para o bem estar animal

    O fim das gaiolas para galinhas poedeiras é uma vitória significativa para o bem-estar animal. As aves terão mais espaço para se mover, esticar as asas e realizar comportamentos naturais, como ciscar e empoleirar.

    Além disso, condições de vida mais saudáveis podem reduzir o estresse e as doenças minimizando a necessidade do uso de antibióticos e melhorando a qualidade de vida das galinhas.

    Além dos benefícios para o bem-estar animal, o banimento das gaiolas também pode ter um impacto positivo no meio ambiente. Sistemas de criação mais sustentáveis podem reduzir o consumo de recursos naturais, minimizar a poluição e contribuir para uma produção de alimentos mais ecologicamente responsável.

    Ao priorizar o respeito pelos animais, estamos construindo um futuro mais humano e compassivo para todos os seres vivos. Embora seja um desafio para indústria, também é uma grande oportunidade que já vem sendo aproveitada por granjas que estão atentas aos rumos da produção e o consumo mundial.