Tag: goiaba

  • Jaboticabal se consolida como o maior polo produtor de goiaba de São Paulo

    Jaboticabal se consolida como o maior polo produtor de goiaba de São Paulo

    A produção de goiaba em São Paulo vive um momento de forte expansão, consolidando o estado como um dos principais centros de cultivo da fruta no Brasil. O grande protagonista desse crescimento é a região de Jaboticabal, que se firmou como o principal polo produtor, atendendo com excelência tanto o mercado de frutas frescas quanto o setor industrial.

    De acordo com o levantamento de safra de 2025 realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), o estado projeta colher cerca de 83 mil toneladas de goiaba destinada à indústria e 45,5 mil toneladas para o consumo de mesa.

    A hegemonia de Jaboticabal no setor

    Os números reforçam a liderança regional. Em 2025, Jaboticabal registrou a produção de mais de 24 mil toneladas de goiaba de mesa. No segmento industrial, voltado para a fabricação de sucos, polpas e doces, a supremacia é ainda mais evidente: foram registradas mais de 75 mil toneladas, um volume 15 vezes superior ao da segunda regional mais forte, Araraquara.

    Segundo Francisco Maruca, técnico da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), o sucesso da região deve-se a um “ecossistema agroindustrial”. Que une condições naturais favoráveis, um parque industrial moderno e a força da agricultura familiar.

    Assistência técnica e sustentabilidade no campo

    Um dos pilares que sustenta a competitividade da fruta local é o suporte oferecido pela CATI. A assistência técnica atua desde o plantio até a colheita, orientando os produtores em áreas cruciais como:

    • Manejo de solo e adubação;
    • Controle de pragas e doenças;
    • Poda e irrigação;
    • Boas práticas agrícolas e preservação ambiental.

    Atualmente, a regional de Jaboticabal conta com 549 propriedades dedicadas à cultura da goiaba, conforme dados do levantamento LUPA.

    Inovação e variedades: o caso do produtor José Donizete

    Para quem está na lida há décadas, a qualificação é o segredo para a rentabilidade. O produtor José Donizete de Grande, com mais de 30 anos de experiência em Cândido Rodrigues, ressalta que frutos de qualidade garantem mercado e boas margens de lucro.

    Imagem gerada por IA/LM Notebook

    A trajetória de Donizete mudou em 2009, quando a assistência técnica da CATI o apresentou à variedade Tailandesa (registrada como Suprema), que substituiu a variedade Paluma em sua propriedade. “Sou muito grato por essa orientação técnica que temos na região, pois ela nos deu a base para produzir com excelência”, afirma o produtor.

    Com o foco em eficiência técnica e sustentabilidade, Jaboticabal segue impulsionando a goiaba paulista como um pilar estratégico do agronegócio nacional.

  • Embrapa desenvolve tratamento sustentável que elimina antracnose em goiabas

    Embrapa desenvolve tratamento sustentável que elimina antracnose em goiabas

    Pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma tecnologia que utiliza luz UV-C modulada para combater a antracnose em goiabas. O tratamento elimina a doença fúngica, prolonga a vida útil das frutas e substitui pesticidas químicos tradicionais.

    A antracnose, causada por microrganismos do complexo Colletotrichum gloeosporioides, provoca lesões escuras nas goiabas após a colheita. O estudo, publicado no periódico Horticulturae, demonstra que a aplicação de radiação em pulsos controlados inativa os fungos e preserva a qualidade dos alimentos.

    Doença gera perdas de até 40% da produção

    A doença ataca principalmente a casca das frutas, mas pode alcançar a polpa através de ferimentos causados por insetos, manuseio inadequado ou danos no transporte. Em países em desenvolvimento, a antracnose e práticas pós-colheita ineficientes geram perdas estimadas entre 20% e 40% da produção total de goiabas.

    Atualmente, produtores controlam patógenos com pesticidas químicos sintéticos. O processo tradicional consiste em imergir ou pulverizar as frutas em soluções fungicidas logo após a colheita, seguido de secagem e armazenamento refrigerado.

    “Os produtos químicos usados no tratamento pós-colheita provocam contaminação prejudicial à saúde humana, principalmente de crianças, e ao meio ambiente. Nosso objetivo, além de disponibilizar um método eficaz de controle dessa doença, foi desenvolver uma tecnologia limpa e sustentável. E que não deixasse resíduos e preservasse a integridade do alimento”, explica o agrônomo Daniel Terao, pesquisador da Embrapa que participou do trabalho apoiado pela FAPESP.

    Como funciona o equipamento

    O tratamento consiste em um aparelho cilíndrico equipado com três lâmpadas germicidas de UV-C e um espelho interno. A primeira lâmpada emite raios perpendiculares à superfície, criando um cilindro de luz. A segunda posiciona-se estrategicamente em direção ao espelho, que reflete a radiação na goiaba. A terceira lâmpada direciona-se diretamente para a fruta.

    Esse sistema garante que o alimento receba a quantidade máxima de radiação. A luz é absorvida na superfície e  então convertida em calor. O que inativa os microrganismos causadores da doença.

    “O equipamento permite um controle mais preciso da interação do produto com a luz e diminui as perdas de energia luminosa. Controlamos o fungo e minimizamos danos na epiderme do alimento. Os mecanismos naturais de resistência são potencializados. O que significa que a própria fruta fica ativada contra o ataque de microrganismos, preservando a qualidade e aumentando o tempo de vida útil nas prateleiras”, detalha Terao.

    Segundo o pesquisador, os resultados foram promissores para goiabas e outras frutas, mas os testes ocorreram apenas em laboratório. A equipe planeja validar a tecnologia em condições reais de produção e adaptar o equipamento à linha de processamento de frutas para viabilizar a aplicação prática do método.

    Thais Szegö | Agência FAPESP

  • Goiaba de Carlópolis triplica valor em exportação direta para a Europa

    Goiaba de Carlópolis triplica valor em exportação direta para a Europa

    Na madrugada de 20 de novembro, um lote de 420 quilos de goiabas deixou Carlópolis, no Norte Pioneiro do Paraná, rumo à Europa em um voo cargueiro. A carga parecia comum para quem olhava de fora. Mas para os cooperados da Cooperativa Agroindustrial de Carlópolis (COAC) significava um divisor de águas. Era a primeira exportação direta de goiaba feita pela entidade, sem a presença de intermediários.​

    O negócio rendeu um valor três vezes maior que o preço médio pago no mercado interno. Mostrando como a fruta ganha força quando segue à risca as normas internacionais de qualidade e segurança. Por acordo contratual, o país europeu que recebeu a remessa não foi revelado, o que não diminui o peso simbólico dessa estreia para a cadeia produtiva regional.​

    Do estande na feira ao contrato fechado

    Essa história não nasceu no aeroporto, mas em corredores de feira e muitas reuniões técnicas. Desde 2017, a goiaba de Carlópolis marca presença na Fruit Attraction, em Madri, evento que virou vitrine internacional para frutas brasileiras.​

    Na edição mais recente da feira, em outubro, representantes da COAC e da Xportare, empresa especializada em acesso a mercados, fizeram cerca de 20 contatos com compradores europeus e saíram da Espanha com uma lista de exigências claras e um compromisso: ajustar processos e entregar o primeiro lote em poucas semanas. Pouco mais de um mês depois, as caixas de fruta já cruzavam o Atlântico, sinal de que a cooperativa entendeu rápido o recado do mercado.​

    IG, GlobalGAP e “zero resíduo” na prática

    O embarque não aconteceu só por boa vontade comercial, e sim por um pacote de credenciais que a goiaba de Carlópolis acumulou ao longo dos anos. A fruta tem Indicação Geográfica (IG) reconhecida e certificação GlobalGAP, que atestam boas práticas agrícolas, rastreabilidade, cuidado ambiental e condições adequadas de trabalho.​

    Foto: Divulgação – Embrapa/Paulo Lanzetta

    Além disso, os produtores trabalham com o conceito de “zero resíduo”, buscando níveis de defensivos abaixo dos Limites Máximos de Resíduos exigidos pela União Europeia, muitas vezes muito próximos de zero. Algo decisivo para entrar nas gôndolas europeias com competitividade. Essa combinação de origem protegida, certificação internacional e baixa presença de resíduos virou argumento forte na negociação com importadores.​

    Poda escalonada e fruta o ano inteiro

    Para abastecer o mercado europeu sem falhar na oferta, a COAC aposta em técnica e planejamento de safra. Uma das estratégias é a chamada poda escalonada, em que o produtor divide a poda de frutificação da goiabeira em etapas ao longo do ano. Em vez de cortar todos os galhos de uma vez, ele intervém em partes da planta em momentos diferentes, o que gera colheita contínua e reduz períodos de entressafra.​

    Essa regularidade garante que a fruta chegue mais fresca ao consumidor. E permite que a cooperativa atenda contratos de exportação semanais ou mensais com maior segurança. Portanto, sem depender apenas de uma grande safra concentrada em poucos meses.​

    Mais lucro, mais produtores e menos tempo de viagem

    A diferença da nova fase está na forma de vender, não no destino. Entre 2020 e 2024, a COAC já tinha enviado mais de 340 toneladas de goiaba para o exterior, principalmente para a Europa. Mas sempre via traders, que ficavam com parte relevante da margem.​

    Agora, com a venda direta, a cooperativa negocia em contato próximo com o comprador, recebe todo o valor do contrato e ainda pode ajustar calibres, embalagens e logística conforme a exigência de cada mercado. Isso aumenta a rentabilidade dos produtores, fortalece a própria COAC e tende a atrair novos agricultores e novas áreas de plantio para a cultura da goiaba em Carlópolis.​

  • Goiaba tem 4 vezes mais vitamina C que a laranja; fruta poderosa

    Goiaba tem 4 vezes mais vitamina C que a laranja; fruta poderosa

    No quintal de muita gente ou na feira da esquina, a goiaba costuma passar despercebida, espremida entre frutas mais vistosas como mangas e uvas. Mas por trás da casca fina e do perfume marcante, essa fruta tropical guarda um segredo que pode dar um banho — e que banho! — até na tradicional laranja.

    Com jeitão de fruta do povo e preço acessível, a goiaba é um verdadeiro cofre de nutrientes. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), cada porção de 100 gramas oferece cerca de 200 mg de vitamina C. É isso mesmo: quatro vezes mais do que a mesma quantidade de laranja, considerada há décadas a “queridinha” da imunidade. Um golpe direto no reinado cítrico.

    A vitamina C, essa velha conhecida dos tempos de resfriado, tem funções bem mais amplas. Atua como escudo celular, protegendo o corpo dos ataques silenciosos dos radicais livres — os mesmos que, sem cerimônia, abrem caminho para doenças como câncer e problemas cardíacos. E tem mais: ela é essencial na produção de colágeno, aquela proteína que segura a pele no lugar, fecha feridas e mantém o frescor do rosto, mesmo em tempos difíceis.

    Mas a goiaba não vive só de fama antioxidante. Ela também é rica em fibras, o que garante um bom trânsito intestinal e ajuda a manter a glicemia sob controle. Para quem convive com o diabetes — ou quer se manter bem longe dele —, o consumo regular pode ser uma mão na roda. Além disso, a fruta ainda contribui na redução do colesterol ruim (LDL) e, com sua dose generosa de potássio, dá uma força no controle da pressão arterial.

    Vantagens da goiaba

    Fácil de encontrar, fácil de consumir. A goiaba vai bem ao natural, em sucos, doces, geleias e até na colherada do dia a dia. E não é só o fruto que tem vez: as folhas também entram na dança, usadas em chás que prometem aliviar dores menstruais e facilitar a digestão. Um tipo de “farmácia verde” que atravessa gerações.

    Claro, como toda fruta colhida do pé, é bom ficar de olho antes de dar a primeira mordida. Goiabas muito maduras podem esconder visitantes indesejados — sim, os temidos bichinhos. Mas nada que uma boa inspeção não resolva.

    Com apenas 68 calorias a cada 100 gramas e recheada de ferro, cálcio e vitamina A, a fruta mostra que saúde e sabor podem andar de mãos dadas. Ou seja, um verdadeiro presente da natureza, que dispensa rótulos gourmet para mostrar seu valor.

    Num mundo onde superalimentos cruzam o oceano embalados a vácuo, a goiaba segue firme, tropical e essencial. Discreta, mas poderosa — como toda heroína que se preze.

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  • Substância na goiaba pode ajudar no combate ao câncer

    Substância na goiaba pode ajudar no combate ao câncer

    Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e do Centro Universitário de Valinhos estão explorando o potencial anticancerígeno da goiaba, especificamente através do licopeno, um carotenoide encontrado em abundância na fruta. Estudos recentes indicam que essa substância pode ser eficaz no combate a diversos tipos de câncer, incluindo o câncer de mama e o câncer de próstata.

    O licopeno é conhecido por suas propriedades antioxidantes, que ajudam a proteger as células contra os danos causados pelos radicais livres. De acordo com a nutricionista Danielle da Rosa Amaral, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF), “a goiaba é rica em licopeno. É uma substância protetora que defende as células contra patologias como câncer e doenças degenerativas”. Além disso, a goiaba é uma fonte significativa de vitaminas A e C, além de minerais como cálcio, fósforo e potássio.

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    O estudo realizado pela UnB destaca que o licopeno extraído da goiaba vermelha apresenta uma ação antioxidante superior. Isso em comparação ao licopeno encontrado em outras fontes, como tomate e melancia. O coordenador da pesquisa, professor José Roberto Leite, enfatiza que “o Nano Guava se mostrou efetivo ao atuar de forma seletiva, matando as células tumorais sem afetar as células normais associadas”.

    Avanços na pesquisa

    A pesquisa sobre a goiaba faz parte do projeto “Nano Guava”, que visa desenvolver novas aplicações para a substância. O produto está na fase de pesquisa clínica em humanos e pode oferecer uma alternativa promissora para o tratamento do câncer nos próximos anos. Os testes realizados até agora demonstraram que o extrato da goiaba pode inibir o crescimento tumoral entre 20% e 30%, com eficácia maior em doses menores.

    Além do potencial anticancerígeno, a goiaba também possui propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias. O uso das folhas da goiabeira tem sido associado à cicatrização acelerada e ao tratamento de problemas intestinais.

    “A goiaba se tornou uma matéria prima da molécula porque em rendimento ela se torna superior. Então você tem uma substância com propriedades antioxidantes. Inclusive com propriedades antioxidantes superiores ao que existe no mercado. E também um alto rendimento da molécula a partir da matéria-prima”, explica a professora nos cursos de Saúde e Ciências Biológicos do Centro Universitário UDF, Andreanne Gomes Vasconcelos.

    Os resultados das pesquisas sobre a goiaba não apenas reforçam a importância dessa fruta na dieta brasileira. Elas também abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos eficazes no combate ao câncer. Com a crescente evidência científica sobre seus benefícios à saúde, a goiaba pode se consolidar como um aliado valioso na luta contra doenças graves.

    Esses avanços científicos destacam a necessidade de mais estudos sobre produtos naturais e suas aplicações terapêuticas. Isso pode contribuir para um futuro mais saudável e sustentável na medicina e no agronegócio.