A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da comercialização e o recolhimento de todos os lotes do milho para pipoca da marca Provatti. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (12) e está relacionada a inconsistências nas informações sobre a presença de glúten nos rótulos do produto.
Segundo a agência reguladora, a embalagem apresentava a declaração “não contém glúten”, mas, ao mesmo tempo, trazia advertências indicando a presença de trigo ou a possibilidade de contaminação cruzada pelo cereal. Dessa forma, a Anvisa entendeu que as informações eram incompatíveis com as exigências previstas na legislação vigente.
Além disso, a resolução determina a suspensão da comercialização, distribuição, propaganda e uso do produto até que a irregularidade seja devidamente corrigida pelo fabricante.
De acordo com a Anvisa, a divergência nas informações de rotulagem pode levar consumidores ao erro. Em especial, a situação representa um risco para pessoas com doença celíaca e para consumidores que necessitam manter restrições alimentares relacionadas ao glúten.
A agência destacou que, quando um alimento informa que contém trigo ou que pode conter trigo, o fabricante não pode utilizar simultaneamente a alegação “não contém glúten”. Assim, as duas mensagens são consideradas incompatíveis e não podem coexistir na mesma embalagem.
Orientação aos consumidores
Consumidores que já adquiriram o produto devem acompanhar as orientações divulgadas pela fabricante e pelos canais oficiais da empresa responsáveis pelo processo de recolhimento.
A determinação vale para todos os lotes do milho para pipoca Provatti distribuídos pela Kaza Distribuidora, R&A Indústria, Comércio e Distribuidora de Alimentos Ltda. Portanto, a restrição permanece em vigor até que a situação seja regularizada e aprovada pelos órgãos competentes.
O setor cervejeiro brasileiro encerrou 2025 com três marcas históricas simultâneas: maior número de cervejarias já registrado, recorde de valor exportado e superávit comercial inédito. Os dados constam no Anuário da Cerveja 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e pintam o retrato de uma indústria que se reinventa mesmo sob pressão econômica e climática.
O país chegou a 1.954 cervejarias ativas, distribuídas em 794 municípios. São quase 800 cidades onde a bebida gera emprego, renda e identidade local. No total, o setor emprega mais de 2,5 milhões de pessoas ao longo da cadeia produtiva e responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Exportações e balança comercial em alta
Pela primeira vez na série histórica, o valor exportado ultrapassou US$ 218 milhões. Um resultado que reflete não apenas volume, mas também o aumento do prestígio da cerveja brasileira no exterior. O setor registrou superávit recorde de US$ 195 milhões na balança comercial e exportou para 77 países.
Para o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, o resultado confirma a capacidade de adaptação da indústria. “Os números do Anuário mostram um setor que segue evoluindo e ampliando sua presença no país. Nos cenários desafiadores que enfrentamos em 2025, a cerveja provou que pode se reinventar e se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão”, afirma.
Portfólio em expansão
O Anuário também registrou retomada no número de produtos registrados, que chegou a 44.212, e crescimento de 2,1% nas marcas de cerveja, totalizando 56.170 rótulos no mercado brasileiro. O dado sinaliza que, apesar da concentração em grandes grupos, o ecossistema de inovação segue ativo.
Os estilos preferidos do brasileiro continuam sendo as Lager Leve Clara, responsável por 58,3% da produção, seguida da Pilsener, com 32,4%, e de Outras Lagers, com 8,5%. Mas é nos nichos que o crescimento mais chama atenção.
Cerveja sem glúten cresce 418% em um ano
O dado mais surpreendente do levantamento é o crescimento de 417,6% na produção de cerveja sem glúten. O volume saltou de 71 milhões para 367,9 milhões de litros entre 2024 e 2025. Isso é o equivalente a 2,35% de tudo que o Brasil produziu na bebida no período. O avanço reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais alternativas adequadas a restrições alimentares ou a um estilo de vida mais consciente.
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Esse crescimento integra uma transformação mais ampla no perfil do consumidor brasileiro, que busca mais diversidade, qualidade e alternativas com menor teor alcoólico. Cervejas sem álcool também registraram alta expressiva. A produção sem álcool cresceu 536,9% no ano anterior, chegando a representar 4,9% do volume nacional, segundo o Anuário de 2025.
Interiorização como vantagem competitiva
A presença em quase 800 municípios não é coincidência. A lógica da cerveja favorece a produção próxima ao consumo: quanto mais fresco o produto, maior a qualidade percebida. Isso impulsiona a interiorização, o desenvolvimento regional e a criação de ecossistemas produtivos distribuídos pelo país. Um diferencial que poucos segmentos da indústria de alimentos conseguem replicar.
Dados de consumo fora do lar mostram que 63% dos brasileiros ainda consomem cerveja em bares e restaurantes, com São Paulo e Rio de Janeiro liderando com índices acima de 70%. Mesmo com uma leve retração no número de consumidores, as ocasiões de consumo fora de casa cresceram 20%, totalizando mais de 41,4 milhões de eventos. Ou seja, quem bebe, bebe mais vezes.
Um setor sob pressão, mas em movimento
O cenário não é apenas de euforia. A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que o consumo de cerveja no Brasil caiu 5% em 2025, pressionado pela ascensão dos drinks prontos para beber (Ready to Drink) e pela mudança de hábitos, especialmente entre consumidores mais jovens.
Ainda assim, os números do Anuário mostram que o setor respondeu com diversificação, inovação e internacionalização. E que a cerveja brasileira nunca esteve tão presente, nem tão variada.
A Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) desenvolveu uma nova linha de alimentos sem glúten, unindo cereais integrais, como arroz e milheto, com pulses, como grão-de-bico e feijão-carioca.
Entre as novidades estão snacks aerados, farinhas pré-cozidas, massas alimentícias e pão pita (árabe ou sírio). Para colocar os produtos no mercado, a instituição busca parceiros para codesenvolvimento, validação e licenciamento.
Os novos alimentos foram desenvolvidos por meio da extrusão termoplástica, tecnologia que permite o cozimento rápido e preserva os nutrientes dos grãos.
De acordo com Carlos Piler, pesquisador da Embrapa, o processo permite utilizar o grão inteiro, evitando o refinamento. “Com isso, as enzimas que causam rancificação são inativadas, prolongando a vida útil do produto”, explica Piler.
Além disso, os snacks possuem 12,8% de proteína e 9% de fibras, enquanto o pão pita contém 10,5% de proteínas e 10% de fibras. Ambos alcançaram índice de aceitação sensorial de 70%, indicando boa receptividade pelo público.
Seleção das matérias-primas e massa rica em proteínas e fibras
A escolha dos ingredientes se baseou na disponibilidade no mercado e em características nutricionais. Além disso, Piler aponta o arroz e o feijão-carioca como grãos amplamente cultivados no Brasil, justificando sua escolha.
Ele menciona também o grão-de-bico, elogiando seu sabor neutro. Entretanto, quanto ao milheto pérola, Piler ressalta suas qualidades nutricionais e compostos bioativos.: “Esse cereal contém compostos fenólicos de destaque e é amplamente cultivado no Brasil, garantindo segurança alimentar”.
Outro destaque é a massa alimentícia em formato fusilli, desenvolvida a partir de milheto pérola e grão-de-bico, ambos integrais.
A pesquisadora Melicia Galdeano explica que o uso de farinha pré-cozida e a extrusão a frio proporcionaram um produto com 13% de proteínas e 11% de fibras. “Essa combinação melhora as propriedades tecnológicas do produto e oferece uma alternativa saudável para pessoas com intolerâncias ao glúten e ao trigo”, ressalta Galdeano.
Parcerias para comercialização
A Embrapa está em busca de parcerias para validar e licenciar os alimentos sem glúten, tendo portanto, objetivo de ajustar formulações e promover a exploração comercial.
“Nosso foco é atender ao nicho de saudabilidade, diversificando as opções de alimentos sem glúten no mercado”, conclui José Ascheri, pesquisador da instituição.