Tag: glicemia

  • Pitaya desbanca o pistache: a fruta do dragão é a tendência em 2026

    Pitaya desbanca o pistache: a fruta do dragão é a tendência em 2026

    A pitaya assumiu o trono dos sabores em 2026. Após um ano no qual o pistache dominou as prateleiras e os cardápios do mundo, a fruta do dragão emerge como o novo ícone da inovação alimentar, segundo os Taste Charts 2026, relatório anual da Kerry, empresa global especializada em sabor e nutrição.

    A Kerry compilou os Taste Charts com base na análise de mais de 1.200 científicos e 100 flavoristas, além de pesquisas de consumo realizadas em dezenas de países. O resultado: a pitaya registra um crescimento anual composto (CAGR) de 17% em lançamentos de produtos globais até 2025.

    Mais da metade desses lançamentos concentra-se em bebidas refrescantes, especialmente na Europa e nas Américas. O perfil da fruta, suave, levemente adocicado e visualmente marcante, atrai um consumidor que busca experiências que combinam sabor, aroma e cor ao mesmo tempo.

    Leigh-Anne Vaughan, vice-presidente de Tecnologias de Produto da Kerry, afirmou que as marcas não podem se contentar apenas em reagir às tendências. “Eles precisam antecipar e inovar rapidamente. sinalizou a executiva ao lançar os Charts.

    Por que a pitaya ganhou escala global

    A fruta não chegou ao topo do ranking por acaso. Originária da América Central, a pitaya pertence à família Cactaceae e cresceu ao longo das últimas décadas em mercados como Vietnã, China e Israel antes de se consolidar como sabor de alcance amplo. Seu apelo visual,com  a casca escamada e a polpa rosa vibrante,  a tornaram perfeita para a era das redes sociais, onde produtos visualmente impactantes geram maior engajamento orgânico.

    Do ponto de vista nutricional, a fruta oferece um perfil robusto. Estudos publicados no Journal of Food Science identificam nela uma alta concentração de compostos fenólicos, que reforçam sua potência antioxidante. A Embrapa Agroindústria Tropical realizou experimentos que indicaram potencial da pitaya para auxiliar no controle do colesterol, da glicemia e da ansiedade. A fruta contém vitamina C, vitaminas do complexo B e minerais como cálcio, fósforo e magnésio . Um argumento forte para marcas que buscam posicionar produtos no segmento funcional e saudável.

    Oportunidades no Brasil

    No Brasil, os Taste Charts 2026 mapeiam oportunidades de crescimento em bebidas, café, cacau e refeições. Fernanda Fontolan, gerente de Marketing em Taste da Kerry para a América Latina, classificou os Charts como essenciais para decisões estratégicas da indústria.

    A goumertização aparece como caminho mais viável para marcas que querem aproveitar essa onda. A pitaya ainda custa mais do que a maioria das frutas no Brasil. O quilo pode chegar a R$ 50,00 no varejo. Mas a escala tende a reduzir esse custo com o tempo, viabilizando aplicações em bebidas prontas, sorvetes, snacks e confeitaria.

    Produção brasileira: pequena, mas com potencial

    A produção nacional de pitaya permanece modesta. O Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, registrou 1.409 toneladas colheitas em 1.100 hectares, distribuídas entre 606 produtores, com valor bruto de produção de aproximadamente R$ 8,6 milhões. São Paulo liderava, com 41,2% da produção nacional, seguido por Santa Catarina (24,6%), Minas Gerais (12,7%) e Pará (10,7%).

    Desde então, a produção estimulou-se. O Anuário HF 2022 já apontava estimativas superiores a cinco mil toneladas anuais. Em Santa Catarina, municípios como São João do Sul e Turvo concentram a maior parte da produção do Sul catarinense, que responde por aproximadamente 90% da colheita regional.

    A Embrapa Cerrados lançou em maio de 2023 cinco novas cultivares geneticamente superiores, entre elas a BRS Luz do Cerrado e a BRS Granada do Cerrado. Essas variedades apresentam resistência a doenças e bom desempenho sem uso de químicos, tornando-as ideais para o cultivo orgânico e reduzindo custos de produção.

    O gap entre demanda e oferta

    O desequilíbrio entre a demanda crescente e a produção ainda pequena cria duas situações simultâneas: preços elevados para o consumidor e uma janela aberta para novos investimentos na cadeia produtiva. Com a safra concentrada entre dezembro e maio, os preços suben especialmente fora desse período, transformando a pitaya em um insumo valioso e caro para a indústria.

    Para marcas que buscam se posicionar no segmento premium sem cortar a margem, a pitaya representa uma aposta com base sólida. A demanda global cresceu, a narrativa nutricional fortaleceu-se, e o Brasil,  país com clima e solo favoráveis ao cultivo, ainda possui espaço amplo para expandir sua participação na cadeia de suprimentos global da fruta.

  • Farinha de jabuticaba pode auxiliar a reduzir picos glicêmicos

    Farinha de jabuticaba pode auxiliar a reduzir picos glicêmicos

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um pão inovador feito com farinha da casca de jabuticaba, que pode ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue (picos glicêmicos), oferecendo uma alternativa saudável para pessoas com diabetes. Os resultados do estudo foram publicados na revista Foods.

    O pão, amplamente consumido, é conhecido por sua alta concentração de carboidratos, que pode causar picos glicêmicos indesejados. Para mitigar esse efeito, os pesquisadores incorporaram farinha da casca de jabuticaba na receita, resultando em um aumento significativo de mais de 50% nas fibras. Além disso, também obteve uma melhoria na capacidade antioxidante do produto, que aumentou entre 1,35 e 3,53 vezes, dependendo da quantidade de farinha utilizada.

    Para avaliar o impacto da nova formulação no pico glicêmico, os pesquisadores conduziram um estudo crossover com participantes que consumiram tanto o pão tradicional quanto o pão com farinha de jabuticaba. Os resultados mostraram que o pão convencional causou um pico glicêmico elevado 30 minutos após a ingestão. E o pão com jabuticaba apresentou um pico mais tardio e menos intenso, ocorrendo após 45 minutos e decaindo suavemente ao longo de três horas.

    Desafios da pesquisa

    Cinthia Cazarin, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp e orientadora do estudo, destacou que o maior desafio foi equilibrar a tecnologia de panificação com a manutenção do valor nutricional do pão. A farinha da casca de jabuticaba possui características sensoriais únicas e sua inclusão exigiu cuidadosa avaliação das propriedades tecnológicas e dos compostos bioativos.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Pesquisa da Embrapa desenvolve feijão mais saudável
    + Agro em Campo: Brasil conquista novos mercados na China para produtos agropecuários

    Além dos benefícios para o controle glicêmico, os participantes relataram uma maior sensação de saciedade após consumir o pão com farinha de jabuticaba em comparação ao pão tradicional. Esta saciedade prolongada está associada ao retorno mais lento dos níveis de glicose ao normal.

    Os pesquisadores também monitoraram a capacidade antioxidante do pão por três horas após o consumo e observaram um aumento significativo na neutralização de radicais livres. Essa melhoria é relevante para a prevenção de doenças metabólicas e cardiovasculares.

    Conservante natural

    A vida útil do pão foi estendida para sete dias. Portanto, isso indica que as bactérias presentes na farinha da casca de jabuticaba e os metabólitos gerados durante a fermentação podem atuar como conservantes naturais.

    O consumo de frutas roxas como a jabuticaba já demonstrou potencial na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. A casca da fruta contém compostos fenólicos e fibras que ajudam no controle da glicemia e do colesterol. Estudos anteriores também mostraram que o suco de jabuticaba pode reduzir a resistência à insulina.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Conheça as carnes mais caras do mundo
    + Agro em Campo: Camu-Camu: O “Ouro da Amazônia” e seus desafios no Brasil

    Os pesquisadores da Unicamp continuam a investigar os bioativos da jabuticaba e agora estão explorando sua relação com a prevenção do câncer colorretal e possíveis efeitos sobre a depressão. Com resultados promissores, novas pesquisas estão sendo planejadas para desenvolver mais produtos à base da casca dessa fruta.