A JBS N.V. confirmou nesta segunda-feira (10) uma mudança na liderança global da companhia. Wesley Batista Filho assumirá o cargo de CEO Global a partir de janeiro de 2027, no lugar de Gilberto Tomazoni, que ocupava a posição desde 2018. O anúncio chega no mesmo dia em que a empresa divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026, com receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões, alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A companhia definiu a mudança como parte de um processo de sucessão planejado. Tomazoni conduzirá a transição ao longo dos próximos cinco meses antes de assumir as funções de Vice Chairman do Conselho de Administração e Senior Advisor da JBS. Ele também seguirá como Chairman do Conselho da Pilgrim’s Pride Corporation e passará a presidir o Conselho do Instituto J&F, dedicado à formação de líderes empresariais.
Trajetória
Wesley Batista Filho ingressou na JBS em 2011 como trainee na unidade de bovinos de Greeley, no Colorado (EUA). Ao longo de 15 anos, ele liderou operações da companhia no Uruguai, no Paraguai e no Canadá, além de comandar a JBS Brasil, a Seara e, desde 2023, a JBS USA, a maior plataforma da empresa em receita, responsável por mais da metade do faturamento global do grupo.
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“Sinto-me honrado por assumir essa responsabilidade e dar continuidade ao extraordinário trabalho realizado por Tomazoni durante sua gestão como CEO”, afirmou Wesley Batista Filho em comunicado.
Tomazoni, por sua vez, destacou a trajetória do sucessor dentro da companhia. “Wesley construiu uma trajetória de sucesso na JBS e conhece profundamente o nosso negócio. Tenho confiança de que ele é o líder certo para conduzir a JBS em seu próximo capítulo”, declarou o atual CEO.
Durante os oito anos de Tomazoni à frente da JBS, a receita da companhia cresceu 73%, saindo de US$ 49,7 bilhões para US$ 86,2 bilhões. Nesse período, a empresa expandiu sua atuação para novas categorias de proteínas, ampliou o portfólio de marcas de maior valor agregado, investiu em biotecnologia, alcançou grau de investimento e concluiu sua listagem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE).
Receita recorde marca o segundo trimestre de 2026
Os resultados financeiros divulgados nesta segunda-feira reforçam o momento da companhia. A JBS registrou receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões entre abril e junho, avanço de 14% frente ao mesmo intervalo de 2025. O EBITDA ajustado somou US$ 1,257 bilhão no período, e a maior parte das unidades de negócio apresentou melhora sequencial de rentabilidade, mesmo com os desafios que ainda persistem no segmento de carne bovina nos Estados Unidos.
“Voltamos a registrar receita recorde, refletindo a força de nosso portfólio diversificado entre geografias, proteínas e marcas”, afirmou Tomazoni sobre o desempenho trimestral.

A alavancagem líquida da companhia fechou o trimestre em 3,10 vezes. Segundo a JBS, a empresa mantém liquidez robusta, com prazo médio da dívida acima de 15 anos e custo médio de 5,7% ao ano. “Temos uma estrutura de capital sólida e liquidez adequada para atravessar os diferentes ciclos de nossas operações”, disse Guilherme Cavalcanti, CFO Global da companhia.
O fluxo de caixa livre somou US$ 130 milhões positivos, avanço de US$ 185 milhões em relação ao segundo trimestre de 2025. Iniciativas de gestão do capital de giro, como desconto de recebíveis, adiantamentos ligados a exportações no Brasil e evolução da conta de fornecedores, impulsionaram o resultado.
Unidades de negócio mostram avanço generalizado
A diversificação geográfica e de proteínas sustentou o desempenho da companhia no trimestre, com destaque para os seguintes números por unidade:
- JBS Beef North America: receita líquida recorde de US$ 7,8 bilhões (+14,2%), embora o EBITDA ajustado tenha permanecido negativo em US$ 100 milhões. Um resultado, ainda assim, melhor que o prejuízo de US$ 264 milhões do 2T25.
- Pilgrim’s Pride: receita de US$ 4,6 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 360 milhões (margem de 7,8%), com demanda firme por frango nos EUA, na Europa e no México.
- JBS Brasil: receita recorde de US$ 4,6 bilhões (+28%). E maior EBITDA ajustado da história da unidade para um segundo trimestre, de US$ 273 milhões (+22,1%), impulsionado pelas exportações.
- Seara: receita de US$ 2,5 bilhões (+18,2%) e margem EBITDA ajustada de 12,3%, com volume superior a 1 milhão de toneladas no trimestre.
- JBS USA Pork: receita de US$ 2,1 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 184 milhões (+38%), com margem de 8,9%.
- JBS Austrália: receita de US$ 2,6 bilhões (+30%) e EBITDA ajustado de US$ 218 milhões, com margem de 8,5%.
“Olhando para frente, continuamos focados em melhorar o desempenho operacional, fortalecer nosso portfólio de marcas e gerar fluxo de caixa,. Mantendo a flexibilidade necessária para atravessar diferentes ciclos de mercado”, concluiu Tomazoni.
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