Tag: genetica

  • Como a agricultura moldou não só a civilização, mas o próprio corpo humano

    Como a agricultura moldou não só a civilização, mas o próprio corpo humano

    Imagine que tudo o que você sabia sobre o ritmo da evolução humana estava incompleto. É exatamente isso que um novo estudo publicado coloca em cima da mesa. A pesquisa indica que as maiores mudanças genéticas na nossa espécie não aconteceram no passado remoto e sim nos últimos 10 mil anos, justamente quando o ser humano abraçou a agricultura e começou a construir as primeiras grandes comunidades.

    Não é pouca coisa. É como redescobrir que a revolução mais profunda da nossa biologia aconteceu no mesmo período em que nossos ancestrais aprenderam a plantar.

    O maior banco de DNA antigo já analisado

    Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores não se contentaram com amostras pequenas. Eles analisaram quase 16 mil genomas antigos de pessoas que viveram ao longo de milênios na Eurásia Ocidental, região que abrange partes da Europa e do Oriente Médio. Foi um esforço gigantesco, e o resultado foi à altura.

    Com esse volume de dados, os cientistas conseguiram acompanhar como variantes genéticas específicas aumentaram ou diminuíram de frequência ao longo do tempo. Na prática, eles observaram a seleção natural acontecendo na linha do tempo, como um filme genético da espécie humana.

    O resultado derrubou uma ideia bastante consolidada no campo científico: a de que a seleção natural recente em humanos seria limitada, quase irrelevante. O estudo encontrou centenas de sinais de adaptação genética em épocas relativamente recentes. Centenas.

    O que a agricultura forçou nosso corpo a fazer

    A transição para o modo de vida agrícola não foi só uma mudança cultural. Ela reorganizou completamente o ambiente em que o ser humano vivia e, com isso, criou novas pressões evolutivas poderosas.

    Pense no que aquela virada representou: aumento populacional acelerado, convivência intensa entre pessoas e animais domesticados, alterações radicais na dieta, maior circulação de doenças infecciosas e o surgimento das primeiras cidades. Cada um desses fatores, sozinho, seria suficiente para pressionar a seleção natural. Juntos, eles criaram um ambiente completamente novo para o qual o corpo humano precisava se adaptar, e rápido.

    Os pesquisadores identificaram que muitas das variantes genéticas que sofreram seleção nesse período têm relação direta com características que observamos hoje: genes ligados ao sistema imunológico, ao metabolismo e ao risco para certas doenças. Em outras palavras, boa parte da nossa biologia atual foi moldada naquele momento específico da história.

    O lado que ninguém esperava: adaptações que viraram problemas

    Aqui é onde a história fica ainda mais interessante. Os próprios autores do estudo fazem um alerta importante: nem tudo o que foi vantajoso no passado permanece benéfico hoje.

    Um gene que ajudava o ser humano a armazenar gordura de forma eficiente, por exemplo, tinha enorme valor numa sociedade agrícola sujeita a períodos de escassez. No mundo atual, com excesso calórico e sedentarismo, esse mesmo gene pode contribuir para obesidade e doenças metabólicas.

    É a ironia da evolução. Ela não antecipa o futuro. Ela apenas responde ao presente, e o presente mudou muito mais rápido do que a biologia consegue acompanhar.

    Por que isso importa para quem trabalha com agricultura

    Para quem vive o agronegócio, este estudo traz uma perspectiva histórica poderosa. A agricultura não foi apenas a base da civilização. Ela literalmente reescreveu o código genético da nossa espécie.

    Além disso, compreender como certas variantes genéticas influenciam o metabolismo e a imunidade humana abre caminhos para entender melhor a saúde das populações rurais e os impactos de longo prazo das transformações no sistema alimentar. O que cultivamos, como cultivamos e o que comemos segue moldando a nossa biologia, ainda que de formas que não enxergamos a olho nu.

    A evolução, ao que tudo indica, nunca parou. Ela apenas trocou de cenário e ganhou uma parceira improvável: a lavoura.

  • Empresa de genética inaugura central de inseminação suína no Paraguai

    Empresa de genética inaugura central de inseminação suína no Paraguai

    A Topigs Norsvin inaugurou oficialmente uma central de inseminação artificial em Santa Rita, no Paraguai, com investimento superior a R$ 5 milhões. A nova unidade, que iniciou as operações em janeiro, tem capacidade para abrigar 100 reprodutores de alto valor genético e marca um passo estratégico na expansão da empresa na América Latina.

    Diretor de Negócios e Marketing da Topigs Norsvin, Adauto Canedo. Foto: Divulgação Topigs Norsvin

    Segundo Adauto Canedo, diretor de Negócios da Topigs Norsvin, o projeto reforça a presença da companhia no Cone Sul, com foco no atendimento exclusivo ao mercado interno paraguaio. A cidade de Santa Rita foi escolhida por reunir características climáticas e agronômicas semelhantes ao Oeste do Paraná, o que facilita a logística de grãos e a adaptação técnica das equipes.

    Mercado em expansão

    O investimento acompanha a profissionalização acelerada da suinocultura paraguaia, impulsionada por novas certificações sanitárias internacionais e pelo sistema de compartimentação recentemente implantado. Esses avanços abriram portas para mercados mais exigentes e aumentaram a competitividade do país no cenário regional.

    A central da Topigs Norsvin vai distribuir doses de sêmen de linhagens puras e terminais, atendendo desde grandes integrações,algumas com planos de triplicar o plantel,até produtores independentes em processo de tecnificação. “O Paraguai vive uma fase de transformação. As novas granjas já nascem com alto nível de tecnologia, ambiência e nutrição. Nossa central garante que esses produtores tenham acesso rápido à melhor genética disponível”, destaca Canedo.

    Aceitação acima do esperado

    Embora a inauguração oficial tenha ocorrido em 18 de março, o modelo de comercialização de sêmen superou as metas da empresa antes mesmo da abertura. A diretoria já analisa ampliar a estrutura para atender à crescente demanda. “O Paraguai é um mercado promissor, com estilo de produção próximo ao do Brasil. A receptividade foi excelente, e a expansão da central é apenas questão de tempo”, afirma o executivo.

    Dados da Associação Paraguaia de Criadores de Suínos (ACCP) mostram que o país aumentou as exportações de carne suína de 5 mil toneladas em 2022 para 13 mil toneladas em 2024, um salto superior a 100% em dois anos. A expectativa é que, até 2030, a participação das exportações suba de 15% para 65% da produção nacional, impulsionada pela modernização de granjas e pela expansão industrial.

    Parcerias estratégicas

    Entre os projetos apoiados pela nova central está o plano de expansão da granja Raatz Oleaginosa, principal cliente da Topigs Norsvin no país. A empresa enviará 2 mil matrizes TN70 em duas etapas (fevereiro e abril) para compor um plantel de 11 mil matrizes. Com previsão de chegar a 13 mil em curto prazo. O projeto inclui ainda 100% de reprodutores TN Duroc e aumento do número de avós para multiplicação.

    Canedo ressalta que o Paraguai atrai atenção de empresas internacionais pelo baixo custo de produção, tributação favorável e ampla disponibilidade de terras agrícolas. “O país tem vocação exportadora e acesso facilitado a mercados globais. Com essa central de difusão genética, queremos acelerar o avanço zootécnico dos rebanhos e preparar nossos clientes para atender à demanda mundial por proteína animal”, conclui o executivo.

  • Gigante da genética bovina fecha acordo com Nelore Cometa

    Gigante da genética bovina fecha acordo com Nelore Cometa

    A Select Sires, uma das maiores centrais de inseminação artificial do mundo, incorporou o touro Dinamite da Nelore Cometa ao seu portfólio de Nelore PO. A contratação marca o início da parceria entre a empresa norte-americana e o criatório brasileiro, ampliando as opções de genética melhoradora disponíveis para pecuaristas.

    Com a chegada do novo reprodutor, a Nelore Cometa fortalece sua estratégia de difusão genética por meio de centrais de coleta. A marca busca oferecer alternativas para rebanhos comerciais em diferentes regiões do Brasil, contribuindo para o avanço da produtividade no campo.

    Genética de ponta como ferramenta de produtividade

    O melhoramento genético representa uma das principais alavancas para aumentar a eficiência da pecuária brasileira. O país ainda pode avançar significativamente no uso de biotecnologias reprodutivas, segundo o presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), Luiz Adriano Teixeira. “O nível de adoção ainda está abaixo do potencial”, destaca.

    A Nelore Cometa investe em parcerias com centrais justamente para ampliar o alcance de seu material genético. “Contar com genética do nosso gado disponível no maior número de centrais implica em mais opções para o pecuarista”, afirma Francis Maris Cruz, titular da Nelore Cometa. “Essa nova contratação pela Select Sires cumpre a nossa missão de contribuir para a melhoria do rebanho nacional.”

    Início de uma trajetória de longo prazo

    A escolha do touro Dinamite representa o primeiro passo de uma relação que tende a se estender. A Select Sires buscou a Nelore Cometa devido ao consistente trabalho de seleção realizado ao longo dos anos. “Com o objetivo de fortalecer nossa atuação no Nelore PO, buscamos a Nelore Cometa pelo trabalho de seleção realizado ao longo dos anos. Esse deve ser o início de uma parceria de longo prazo”, explica Darlisson Rodrigues, coordenador técnico comercial da Select Sires.

    Atualmente, a Nelore Cometa soma mais de 20 touros contratados por centrais de inseminação. O material genético da marca atende pecuaristas em diversas regiões do Brasil e também abastece mercados na América Latina. A cada safra, novos reprodutores ingressam nos programas de coleta de sêmen, garantindo a presença da genética Cometa em diferentes sistemas de produção.

  • Brasil ganha primeira central especializada em genética equina de alta performance

    Brasil ganha primeira central especializada em genética equina de alta performance

    O mercado brasileiro de equinocultura está prestes a dar um salto tecnológico. Em janeiro de 2026, entra em operação no interior de São Paulo a primeira Central de Coleta e Processamento de Sêmen (CCP) equino do país nos moldes internacionais, oferecendo aos criadores nacionais acesso a serviços e infraestrutura comparáveis aos melhores centros dos Estados Unidos e Europa.

    Localizada em Itatinga, a nova unidade representa um investimento de R$ 10 milhões e promete revolucionar a produção, coleta e armazenamento de material genético de cavalos no Brasil. A estrutura foi projetada com foco em dois pilares fundamentais: alta performance reprodutiva e bem-estar animal.

    Tecnologia a serviço da reprodução

    As instalações contam com equipamentos de última geração para análise e processamento de sêmen. O laboratório de criopreservação utiliza sistemas como CASA (Computer Assisted Sperm Analysis) e microscopia de fluorescência, que permitem análises detalhadas desde a integridade da membrana plasmática até a motilidade dos espermatozoides.

    Um diferencial importante é o processo de congelamento personalizado, com diluidores e curvas de congelação ajustadas às características individuais de cada garanhão. Essa customização garante maior viabilidade e fertilidade do material genético preservado.

    A central também oferece tecnologias avançadas como sêmen sexado, que permite aos criadores escolher previamente o sexo do potro, e suporte para produção de embriões por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides).

    Rastreabilidade e transparência

    A operação incorpora blockchain para registrar cada etapa do processo, da coleta à entrega do material. Os criadores têm acesso a um portal exclusivo onde podem acompanhar o status do estoque. Além de consultar dados detalhados sobre o material genético adquirido, garantindo total rastreabilidade.

    A estrutura foi pensada para proporcionar conforto e saúde aos garanhões. As baias individuais possuem sistema de ventilação cruzada e controle de temperatura com ventiladores e nebulização. Além de janelas internas e telas frontais que permitem interação visual entre os animais, criando um ambiente mais natural.

    Entre os recursos inovadores estão o rodador elétrico para exercícios regulares e controlados, baias almofadadas para descanso confortável e prevenção de lesões, e uma enfermaria equipada para monitoramento constante. A unidade também conta com área de quarentenário para cavalos importados, seguindo protocolos rigorosos para atender mercados internacionais.

    O manejo nutricional é individualizado, com acompanhamento de nutricionistas equinos e veterinários experientes. A alimentação é formulada especificamente para otimizar a qualidade do sêmen, com rações concentradas enriquecidas com suplementos vitamínicos ajustados à rotina de cada animal.

    Sustentabilidade nas operações

    A nova central incorpora práticas sustentáveis em toda a operação. O sistema de hidratação utiliza bebedouros de sete litros em cada baia, abastecidos com água pura de poços semiartesianos e armazenada em reservatório com capacidade para 50 mil litros, garantindo temperatura ideal e qualidade constante.

    A unidade oferece portfólio completo de serviços: comercialização de sêmen fresco, semiconservado e congelado; atendimento técnico especializado; logística de transporte seguro do material genético; acompanhamento veterinário e nutricional; além de consultoria para otimização dos processos reprodutivos nos criatórios.

    Impacto no setor

    A inauguração desta central representa um marco para a equinocultura brasileira. Até então, criadores que buscavam serviços deste nível de especialização precisavam recorrer a centros no exterior ou trabalhar com estruturas menos sofisticadas.

    Com a nova infraestrutura disponível no país, espera-se maior eficiência nos programas de melhoramento genético. Além de redução de custos operacionais para criadores e aceleração nos resultados dos plantéis. A iniciativa também posiciona o Brasil de forma mais competitiva no mercado internacional de genética equina.

    A entrada em operação está prevista para janeiro de 2026, quando a central começará a atender criadores das principais raças de cavalos do país, oferecendo soluções que aliam tecnologia de ponta, rigor científico e respeito ao bem-estar animal.

  • Genética impulsiona pecuária e reforça renda rural

    Genética impulsiona pecuária e reforça renda rural

    Com mais de R$ 3,3 milhões investidos desde sua criação, o programa Piauí + Genética já modificou o cenário da pecuária no estado. A iniciativa, coordenada pela Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada), levou tecnologia de reprodução para 103 municípios e beneficiou mais de 1.100 produtores rurais.

    Foto: Tavynho Neto/Secom PI

    Desde o início das ações, 26 mil animais passaram por inseminação artificial, alcançando taxas de prenhez entre 49% e 52%, resultado considerado positivo pelos técnicos. O programa entra em 2026 em uma nova etapa, com investimento superior a R$ 6,5 milhões, voltado à ampliação territorial e aquisição de 35 mil doses de sêmen. A meta é atingir 100 mil animais inseminados, consolidando o estado como referência em melhoramento genético no Nordeste.

    O secretário da Sada, Fábio Abreu, destaca que o programa marca uma transformação estrutural na pecuária local. “Estamos levando tecnologia de verdade ao produtor e mudando a forma como se faz pecuária no interior. O melhoramento genético gera animais mais produtivos, adaptados e com maior retorno econômico, o que fortalece toda a cadeia e aumenta a renda das famílias”, afirma.

    A equipe técnica orienta os produtores sobre manejo reprodutivo, diagnóstico, nutrição e acompanhamento de prenhezes. Essa assistência permanente garante resultados mais consistentes e profissionaliza a atividade. Segundo o coordenador do programa, André Nogueira, o avanço é reflexo da escuta ativa das comunidades rurais. “Ouvimos os produtores, entendemos suas dificuldades e levamos soluções práticas. Essa tecnologia cria as bases de uma pecuária mais moderna e competitiva”, explica.

    Programa em crescimento

    O Piauí + Genética atende tanto à produção de leite quanto de corte, com sêmen de raças como Nelore, Girolando, Holandesa e Gileiteiro, escolhidas conforme as características regionais. As inseminações ocorrem durante todo o ano, com melhores resultados no período chuvoso.

    Com resultados visíveis e novas metas em andamento, o programa se consolida como uma das principais políticas públicas de desenvolvimento rural do estado. Promovendo a democratização do acesso a tecnologias inovadoras, aumento de produtividade e melhoria da renda das famílias produtoras no campo.

  • Descoberta genética promete transformar cultivo de tomate no Brasil

    Descoberta genética promete transformar cultivo de tomate no Brasil

    A Embrapa alcançou um marco na pesquisa agrícola. Cientistas da empresa mapearam o genoma do tomateiro e identificaram o gene que confere porte ereto às folhas. O estudo contou com parceria da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (Inia) do Uruguai.

    A descoberta promete revolucionar o melhoramento genético do tomate. Os pesquisadores agora podem desenvolver novas cultivares usando marcadores moleculares e biotecnologia avançada.

    Maria Esther Fonseca, pesquisadora da Embrapa Hortaliças, explica o processo. “Observamos plantas com mutação natural em nossa coleção de germoplasma”, conta. “Essas plantas apresentavam folhas eretas.”

    Os cientistas cruzaram essas plantas mutantes com tomateiros normais. O mapeamento genético revelou um padrão específico. Toda planta com porte ereto apresentava o mesmo marcador molecular de DNA.

    “Conseguimos localizar o gene exato no cromossomo 10 do tomateiro”, destaca Fonseca.

    Tecnologia CRISPR comprova função do gene

    Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, liderou a validação. Sua equipe usou a ferramenta CRISPR-Cas9 para editar genes de plantas normais. O resultado confirmou as expectativas: plantas editadas desenvolveram folhas eretas.

    “Percorremos todas as etapas desta descoberta”, explica Leonardo Boiteux, da Embrapa Hortaliças. “Desde a observação no campo até a prova final da função do gene.”

    Conhecimento se aplica a outras culturas

    A descoberta vai além do tomate. Estudos filogenéticos mostram genes similares em outras espécies. Milho, pêssego e diversas plantas herbáceas possuem variações do mesmo gene.

    “Podemos editar e gerar plantas eretas em outras espécies vegetais”, projeta Boiteux. A técnica pode beneficiar hortaliças, cereais e frutíferas.

    Aragão reforça o potencial da descoberta. “A estratégia contribui para enfrentar desafios de segurança alimentar e sustentabilidade”, afirma.

    Folhas eretas oferecem proteção térmica

    A arquitetura da planta impacta diretamente a produtividade. Folhas eretas distribuem melhor a luz solar e oferecem maior conforto térmico. O ângulo vertical minimiza a incidência solar direta. As plantas sofrem menos estresse por calor e perdem menos água.

    Matias González-Arcos, pesquisador do Inia, compara os modelos. “Plantas convencionais sofrem estresse oxidativo intenso das 11h às 15h”, explica. “Folhas eretas reduzem a evapotranspiração e criam proteção térmica natural.”

    Maior densidade de plantio gera mais produtividade

    O principal benefício está no adensamento do plantio. Produtores podem cultivar mais plantas por hectare sem competição excessiva por luz. O tomate para processamento industrial apresenta maior potencial. A técnica permite otimizar áreas de produção significativamente.

    Folhas verticais facilitam o controle químico e biológico de doenças. O manejo de oídio e moscas-brancas torna-se mais eficaz. Pedro Brício Brito Fernandes, estudante da UnB, pesquisou o tema em sua dissertação. “Plantas editadas receberam 2,5 vezes menos moscas-brancas”, revela.

    A posição ereta expõe a superfície inferior das folhas. Essa área, preferida pelas pragas para postura, fica mais acessível a inimigos naturais e condições ambientais desfavoráveis.

    A descoberta representa um avanço significativo para a agricultura brasileira. Os pesquisadores estabeleceram base genética sólida para desenvolver cultivares mais adaptadas ao cultivo intensivo.

  • Leilão de touros Brahman e degustação atraem criadores em Uberaba

    Leilão de touros Brahman e degustação atraem criadores em Uberaba

    A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) levará à ExpoGenética 2025 um dos destaques do calendário pecuário: o Leilão da Prova de Eficiência e Performance Brahman Boi com Bula, marcado para 21 de agosto, às 20h, no Parque Fernando Costa. O evento reunirá 13 touros selecionados de oito renomados criatórios nacionais, avaliados por desempenho superior em carcaça, eficiência alimentar e conformação racial.

    Os reprodutores, todos aptos para a estação de monta, passaram por rigorosos testes, incluindo avaliação andrológica, e representam o que há de melhor na raça Brahman. Entre as propriedades participantes estão Agropecuária W2R, Brahman AOL, Fazenda Terra Verde e Uber Brahman.

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    Gustavo Rodrigues, presidente da ACBB, ressalta: “Esses touros combinam produtividade e economia: carne de qualidade com baixo custo, além de excelente morfologia e fertilidade. É uma oportunidade única para quem busca genética que entrega resultados.”

    Degustação premium antecede leilão

    Como prévia do potencial da raça, a ACBB promoverá um churrasco com carne Brahman Puro de Origem a partir das 19h, na sede da entidade. A degustação visa comprovar a qualidade superior da carne, alinhando-se à demanda por proteína sustentável e saborosa. “Não é só sobre comprar animais, mas investir em uma cadeia produtiva eficiente, da porteira ao prato”, completa Rodrigues.

    O leilão integra a programação da ExpoGenética 2025, feira que reúne os principais programas de melhoramento genético do país. O evento ocorre em Uberaba (MG), capital do zebu, entre 18 e 23 de agosto, com expectativa de atrair pecuaristas, investidores e curiosos do setor.

    Serviço:

    • Leilão Brahman Boi com Bula: 21/08, 20h
    • Degustação de Carne: 21/08, 19h (sede da ACBB)
    • Local: Parque Fernando Costa, Uberaba/MG
  • Programa Pró-Genética impulsiona pecuária capixaba

    Programa Pró-Genética impulsiona pecuária capixaba

    O Espírito Santo celebra um marco no setor pecuário: as feiras do Pró-Genética ultrapassaram a marca de 800 touros melhoradores vendidos desde 2009. Na última edição, realizada em Colatina, produtores locais adquiriram 22 animais de genética superior, consolidando o programa como política pública essencial para o desenvolvimento do agronegócio regional.

    Coordenado pelo Incaper, o projeto Bovinocultura Sustentável facilita o acesso a reprodutores de raças como Guzerá, Tabapuã e Nelore, todos com Registro Genealógico Definitivo (RGD) certificado pela ABCZ. Os preços acessíveis, entre 40 e 60 arrobas de boi gordo, permitem que pequenos e médios produtores invistam em melhoramento genético para rebanhos de corte e leite.

    Anderson Marim, extensionista do Incaper, destaca: “O produtor compra genética de ponta perto de casa, elevando o rendimento e a produção”. Roberto Winkler, da ABCZ, reforça a eficácia do modelo: “Desde 2009, levantamos a demanda local e organizamos feiras diretas, com impacto real na produtividade”.

    Parcerias e impacto socioeconômico

    A feira de Colatina, organizada pela prefeitura em parceria com Incaper, ABCZ e outras instituições, superou expectativas com maior público e vendas em relação ao ano anterior. Bernardo Lima, coordenador do Incaper, atribui o sucesso ao crescente interesse dos pecuaristas por tecnologia e sustentabilidade.

    Foto: SEAG/ES

    Estudos do Incaper comprovam que os touros melhoradores aumentam o valor comercial dos bezerros. “Antes, os machos leiteiros tinham baixo valor. Agora, os cruzamentos geram animais com melhor padrão racial e peso à desmama”, explica Roberto Sobreira, responsável pela pesquisa. O agricultor Rodrigo Manhani, que adquiriu um touro Guzerá em 2015, é um exemplo: “Os bezerros são de encher os olhos, e o retorno financeiro é imediato”.

    Com 45 feiras realizadas e 806 touros comercializados, o programa segue fortalecendo a cadeia produtiva capixaba. O modelo, que combina acesso à tecnologia, crédito e assistência técnica, já virou referência para outros estados.

    Para mais informações:

    Coordenação de Comunicação do Incaper

    (27) 98849-6999 | [email protected]

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  • Sindi: gado resistente ao calor ganha certificação genética no Semiárido

    Sindi: gado resistente ao calor ganha certificação genética no Semiárido

    O rebanho da raça Sindi da Embrapa Semiárido, em Pernambuco, acaba de conquistar o registro de Pureza de Origem (PO), chancela máxima da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) para a pureza genética de bovinos. O reconhecimento, fruto de quase dois anos de trabalho técnico e científico, atesta a qualidade de 91 animais – machos e fêmeas – e posiciona o núcleo da Embrapa como um dos mais puros do Brasil.

    Com o selo PO, a Embrapa está autorizada a ampliar a oferta de sêmen, embriões e exemplares vivos com documentação e controle genético para pecuaristas que buscam animais mais resistentes ao clima quente e seco do Semiárido. O processo de certificação envolveu inspeções morfológicas, exames de DNA e rigorosa validação documental, com apoio técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi).

    Segundo Rafael Dantas, pesquisador responsável pelo Núcleo de Conservação da Raça Sindi, a certificação permitirá socializar esse material genético, contribuindo para o avanço da pecuária regional e nacional. “Agora poderemos disponibilizar esse material genético com certificação, contribuindo para a melhoria da pecuária regional”, destaca Dantas.

    Raça Sindi: rusticidade e desempenho em ambientes desafiadores

    Originária do Paquistão, a raça Sindi é reconhecida por sua rusticidade, resistência ao calor e capacidade de produzir carne e leite mesmo sob restrições alimentares. Com menor exigência nutricional, o gado é ideal para regiões com escassez de alimento e água, como o Semiárido brasileiro. “Esse animal consegue converter alimentos de baixo valor nutricional em carne e leite, e pasteja em áreas onde outras raças não conseguem se alimentar. Sua rusticidade é estratégica para os cenários de mudanças climáticas”, ressalta Dantas.

    Foto: Marcelino Ribeiro/Embrapa

    O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba, Mário Borba, destaca a importância do registro. “É um gado que se adapta bem a todo o clima. E se ele se mantém no Semiárido, imagina no Sul, no Sudeste. É um gado universal, de origem milenar, que precisa ser preservado”.

    Histórico e conservação genética

    Descendentes diretos de animais importados do Paquistão em 1952 compõem o núcleo da Embrapa Semiárido. Desde 1996, os pesquisadores mantêm o rebanho fechado, sem cruzá-lo com outras linhagens, o que garante a conservação da pureza racial.

    A Embrapa preserva o material genético do Sindi tanto por meio da criação a campo quanto em um banco de germoplasma. Assim, essa estratégia assegura a segurança genética da raça diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

    A certificação do rebanho Sindi da Embrapa Semiárido representa um avanço para a pecuária adaptada ao Semiárido, fortalecendo programas de melhoramento genético, conservação e produção sustentável. O reconhecimento reforça a importância da genética zebuína para a produtividade e resiliência dos rebanhos brasileiros em regiões de clima extremo.

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  • Pesquisa: genes do cupuaçu resistem à vassoura-de-bruxa

    Pesquisa: genes do cupuaçu resistem à vassoura-de-bruxa

    Uma pesquisa inovadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) identificou genes do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) relacionados à resistência à infecção pelo fungo Moniliophthora perniciosa, causador da vassoura-de-bruxa. Essa doença representa um grande desafio tanto para a cultura do cupuaçu quanto para a do cacau, trazendo prejuízos significativos para os agricultores.

    A vassoura-de-bruxa é uma doença que afeta as plantas, levando a um crescimento anômalo e à morte dos galhos infectados. Enquanto o cacau já conta com um volume considerável de pesquisas sobre a doença, o cupuaçu ainda possui um grande potencial a ser explorado. O sequenciamento do transcritoma do cupuaçuzeiro permitiu a identificação de milhares de genes que podem apoiar estudos sobre outras doenças ou características de interesse, como produtividade e qualidade da polpa e das sementes.

    Metodologia utilizada

    s pesquisadoras Lucilia Helena Marcellino e Loeni Ludke Falcão conduziram o estudo pioneiro na análise da expressão gênica em grande escala voltada para a cultura do cupuaçu. Elas realizaram a pesquisa utilizando o sequenciamento de alta profundidade do transcritoma da planta, com foco nas regiões meristemáticas localizadas nas pontas dos galhos, alvos do ataque do patógeno.

    O transcritoma é o conjunto completo de transcritos (incluindo RNAs mensageiros, RNAs ribossômicos, RNAs transportadores e microRNAs) de um organismo. A análise desse conjunto é uma ferramenta poderosa para estudar a expressão gênica, permitindo que os cientistas desvendar os mecanismos moleculares envolvidos nos diferentes processos biológicos.

    Resultados e implicações

    Os resultados obtidos representam um avanço significativo no entendimento da interação entre o cupuaçuzeiro e o fungo causador da vassoura-de-bruxa. “Diferentemente do cacau, que já conta com um volume considerável de pesquisas, o cupuaçu ainda possui um grande potencial a ser explorado, especialmente no desenvolvimento de cultivares resistentes e no controle de doenças”, afirma Falcão.

    O sequenciamento gerou um vasto banco de dados que permitiu identificar genes relacionados à resposta à infecção por M. perniciosa. Foram registrados milhares de genes expressos tanto em plantas suscetíveis quanto nas resistentes. “Por meio da análise bioinformática desses dados, foi possível identificar genes relacionados à resposta imune da planta, ao metabolismo secundário e ao crescimento”, explica Marcellino.

    Desenvolvimento de novas estratégias

    Essas informações detalhadas sobre a interação planta-patógeno são fundamentais para o desenvolvimento de novas estratégias de controle da vassoura-de-bruxa. Isso inclui a criação de marcadores moleculares para a seleção de plantas resistentes e a identificação de alvos para novos fungicidas.

    A vassoura-de-bruxa traz grandes prejuízos tanto para a cultura do cupuaçu como do cacau. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    “Nossa pesquisa é um trabalho básico que pode ajudar os melhoristas no desenvolvimento de plantas resistentes à doença. E disponibilizar genes de interesse para estudos de função”, afirma Falcão. Alguns desses genes foram até inseridos em tomates Micro-Tom, uma planta-modelo para estudos com o fungo. Assim, permitindo um aprofundamento sobre a função e potencial uso desses genes.

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    Marcellino também está envolvida em uma parceria com a Embrapa Agricultura Digital (SP) para sintetizar uma molécula capaz de inibir o fungo ao se ligar a uma proteína presente no microrganismo. A expectativa é que essa tecnologia seja eficaz no controle tanto da M. perniciosa quanto da M. roreri, outra praga quarentenária que já está entrando no Brasil.

    “A obtenção de plantas que combinem resistência, boa produção e qualidade dos frutos é essencial para o desenvolvimento da cultura. Contudo, o menor conhecimento sobre a genética molecular do cupuaçuzeiro representa um gargalo para o desenvolvimento dessas plantas. Por isso, essa pesquisa é tão importante”, declara Marcellino.

    Compreendendo a vassoura-de-bruxa

    A pesquisa também se concentra em entender os processos iniciais da infecção pela Moniliophthora perniciosa. Durante essa fase inicial, o patógeno infecta áreas intercelulares de certos tecidos, causando crescimento anormal dos galhos devido à sua capacidade de manipular molecularmente a planta.

    “O fungo provoca o desenvolvimento excessivo de galhos laterais, resultando em uma estrutura semelhante a uma vassoura — daí o nome vassoura-de-bruxa”, explica Falcão. Esse crescimento anômalo leva a planta a enviar grandes quantidades de nutrientes para esses galhos, que se tornam maiores e mais vigorosos do que os demais.

    Após cerca de 30 a 60 dias de infecção, ocorre uma reação natural que resulta na morte do galho infectado, mas ele permanece na árvore. Nesse estágio, M. perniciosa passa da fase biotrófica para uma fase necrotrófica, onde suas ramificações crescem abundantemente. “O galho vigoroso produzido pela planta se torna alimento para o fungo por um longo período”, destaca Falcão.

    Além disso, essa situação permite ao microrganismo ter menos concorrência com outros fungos e bactérias do solo (já que o galho não cai). E também facilita a dispersão dos esporos pelo vento. Trata-se de uma doença difícil de controlar, exigindo práticas como poda fitossanitária e uso de fungicidas.

    A pesquisa realizada pela Embrapa representa um passo importante na luta contra a vassoura-de-bruxa no cupuaçu. A identificação dos genes relacionados à resistência e suscetibilidade ao fungo permite o desenvolvimento de novas estratégias para proteger essa cultura vital. O avanço na compreensão das interações planta-patógeno não apenas ajudará na produção sustentável do cupuaçu no Brasil. Também poderá abrir novas possibilidades para o cultivo saudável dessa planta tão valorizada no mercado.