Tag: genética animal

  • Búfala Serena bate recorde mundial de produção de leite

    Búfala Serena bate recorde mundial de produção de leite

    A búfala Serena, criada em Piquete (SP), tornou-se a nova recordista mundial de produção de leite da espécie ao alcançar a marca de 40,250 quilos durante a Expass Agro 2026, realizada em Passos (MG).

    Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos (ABCB), o resultado supera o recorde anterior, registrado em 2024, e consolida o animal como referência na bubalinocultura brasileira.

    Recorde supera marca anterior

    Serena pertence ao criador Thiago Quirino Mansfeld e faz parte do plantel da Fazenda Búfalas da Mantiqueira.

    Curiosamente, o recorde anterior, de 39,820 quilos de leite, também era de uma búfala do mesmo criador, demonstrando a evolução genética do rebanho.

    Nascida em 27 de fevereiro de 2022, Serena foi selecionada para alcançar alto desempenho produtivo.

    Genética, nutrição e manejo fizeram a diferença

    De acordo com Thiago Quirino Mansfeld, o novo recorde é resultado da combinação entre genética, alimentação balanceada e manejo adequado.

    “Apostamos em um animal com potencial maior”, afirmou o criador, segundo informações divulgadas pela ABCB.

    Ele explica que outras búfalas participantes receberam alimentação semelhante e foram submetidas às mesmas condições de manejo, mas não alcançaram o mesmo desempenho produtivo.

    Melhoramento genético impulsiona produtividade

    Para o pecuarista, o resultado evidencia a importância do investimento contínuo em melhoramento genético aliado ao acompanhamento técnico da alimentação dos animais.

    “Temos um animal de alto potencial, uma dieta ajustada com acompanhamento dos zootecnistas e alimentos de primeira linha. A genética é a cereja do bolo”, destacou.

  • Rara arara-canindé branca é registrada no Tocantins e impressiona

    Rara arara-canindé branca é registrada no Tocantins e impressiona

    Uma arara-canindé com plumagem branca e amarelada ganhou destaque nas redes sociais nos últimos dias. O raro exemplar foi fotografado pelo geógrafo e fotógrafo de natureza Clóvis Cruvinel em Aliança do Tocantins (TO).

    Tradicionalmente reconhecida pelas cores azul e amarela, características da espécie, a ave surpreendeu pela aparência incomum. A alteração na coloração é resultado de uma condição genética rara chamada lutinismo, responsável pela ausência total de melanina, mantendo, no entanto, os pigmentos amarelos e avermelhados.

    Segundo Cruvinel, a ave apresenta exatamente essa condição genética. Dessa forma, a falta de melanina faz com que a plumagem assuma tonalidades mais claras, enquanto os olhos costumam adquirir coloração avermelhada.

    Arara branca ao lado de arara azul, no Tocantins.
    Foto: Reprodução/Clóvis Cruvinel

    Em uma das fotografias, a ave aparece ao lado de outra arara-canindé com a coloração padrão da espécie.

    Por conta da raridade, as imagens repercutiram entre observadores de aves, fotógrafos de natureza e pesquisadores. Casos de lutinismo são considerados incomuns na fauna silvestre e se tornam ainda mais raros quando ocorrem em aves de grande porte, como as araras.

    Beleza rara pode representar um desafio

    Embora a aparência diferenciada impressione, a mutação genética pode trazer dificuldades para a sobrevivência da ave em ambiente natural.

    De acordo com o biólogo especialista em aves Danilo Freitas Rangel, a ausência de melanina reduz a capacidade de camuflagem do animal, tornando-o mais vulnerável à ação de predadores.

    “Ao eliminar a melanina e destacar uma coloração vibrante na plumagem, a ave perde sua camuflagem natural nas copas das árvores, transformando-se em um alvo fácil para predadores”, afirma.

    Além dos riscos naturais, a raridade também pode aumentar a exposição ao tráfico de animais silvestres. Segundo o especialista, indivíduos com características incomuns costumam despertar o interesse de colecionadores ilegais.

    “A beleza exótica e a extrema raridade dessas araras atraem a atenção de traficantes, que frequentemente monitoram ninhos para capturar filhotes ainda jovens”, alerta.

    Por fim, Rangel destaca que registros como esse possuem grande importância científica. Segundo ele, a ocorrência ajuda pesquisadores a compreenderem melhor os processos evolutivos que continuam acontecendo na natureza.

  • Conheça o cavalo Crioulo, avaliado em R$ 2,5 milhões

    Conheça o cavalo Crioulo, avaliado em R$ 2,5 milhões

    O mercado da raça Crioula voltou a demonstrar força no Sul do país. O Remate dos Sonhos II, promovido pela GAP Genética, negociou 34 lotes de cavalos Crioulos e registrou média geral de R$ 97 mil durante evento realizado neste domingo (14), em Uruguaiana (RS).

    A comercialização contou com a atuação da Trajano Silva Remates entre as leiloeiras responsáveis pelos negócios. No entanto, o grande destaque ficou por conta de GAP São Pedro, cuja venda de uma participação de 10% por R$ 250 mil resultou em uma avaliação de mercado estimada em R$ 2,5 milhões para o animal.

    O resultado evidencia a valorização de exemplares com histórico consolidado em critérios genéticos, morfológicos e funcionais, características cada vez mais observadas por criadores e investidores do segmento.

    Planejamento genético

    Segundo o diretor da Trajano Silva Remates, Marcelo Silva, a oferta reuniu animais desenvolvidos a partir de um criterioso planejamento genético conduzido pela GAP Genética.

    “São animais sonhados, pensados, e nas últimas edições têm saído muitos campeões funcionais e morfológicos. O mercado está realmente muito firme, muito demandado. Foram 34 lotes e fizeram praticamente média de R$ 100 mil”, afirmou.

    Além disso, o dirigente relacionou o sucesso do remate aos resultados alcançados pela cabanha nas pistas e na Copa dos Criadores.

    “O leilão faz jus ao nome, porque são animais sonhados. Acho que o remate também pode se chamar Remate da Realidade”, acrescentou Silva.

    Filho de Del Oeste Mutante com Pampeana do Retiro do Ouro, Fantástico de São Pedro tem mais de 500 filhos registrados e metade deles é premiada, incluindo finalistas do Freio de Ouro e campeões da FICCC — Foto: GAP Genética

    Destaques do leilão

    Entre os machos inteiros, o destaque foi GAP Senhor, negociado por R$ 200 mil, tornando-se o exemplar mais valorizado da categoria. A média dos machos alcançou R$ 66.590,00.

    GAP Senhor é um cavalo crioulo de destaque, filho de Fantástico de São Pedro com Hortencia, da GAP — Foto: Reprodução/Instagram

    Já entre as fêmeas, GAP Soraia liderou as vendas ao atingir R$ 155 mil. A categoria registrou média de R$ 93.166,00, demonstrando liquidez e interesse dos compradores pelos animais ofertados.

    Soraia é filha de Fantástico de São Pedro e Linda de São Pedro — Foto: Reprodução/Instagram

    As cotas comercializadas também apresentaram desempenho expressivo, com média de R$ 141.250,00. O maior valor ficou concentrado justamente na negociação da participação de GAP São Pedro, responsável pela avaliação milionária do cavalo e pelo principal destaque financeiro do remate.

     

  • Porcos doam órgãos? Entenda o transplante inédito realizado na China

    Porcos doam órgãos? Entenda o transplante inédito realizado na China

    Um avanço científico realizado na China chamou a atenção e reforçou o potencial da suinocultura na área da saúde. Pesquisadores da Universidade Médica de Guangxi, localizada no sul do país, realizaram o primeiro transplante simultâneo de fígado e rins de porco em um ser humano.

    Os órgãos foram retirados de um porco geneticamente modificado e transplantados para um homem de 53 anos que havia sido diagnosticado com morte cerebral.

    Nova etapa dos xenotransplantes

    A cirurgia é considerada um marco para os chamados xenotransplantes, nome dado aos transplantes realizados entre espécies diferentes.

    Segundo informações publicadas pela revista científica Nature, os estudos mais avançados até então haviam demonstrado o funcionamento de apenas um órgão animal por vez em seres humanos. Agora, pela primeira vez, cientistas comprovaram que múltiplos órgãos provenientes do mesmo animal podem operar simultaneamente dentro de um corpo humano.

    Técnica é vista como esperança para reduzir filas de transplante no mundo inteiro — Foto: Wildpixel/Getty Images

    Além disso, os resultados iniciais foram considerados bastante positivos. Menos de 24 horas após o procedimento, o fígado suíno já produzia bile normalmente, enquanto os rins transplantados passaram a filtrar o sangue e reduzir os níveis de creatinina, um dos principais indicadores utilizados para avaliar a função renal.

    Modificações genéticas foram essenciais

    Para tornar o transplante viável, os pesquisadores precisaram realizar uma série de alterações genéticas no animal doador.

    De acordo com o estudo, foram feitas seis modificações no genoma do porco. Três genes associados à rejeição imunológica foram removidos. Em contrapartida, outros três genes humanos foram inseridos para aumentar a compatibilidade entre os tecidos e reduzir os riscos de coagulação após o transplante.

    Por que os porcos são candidatos ideais?

    Os porcos vêm sendo apontados há anos como uma das alternativas mais promissoras para ampliar a oferta de órgãos destinados a transplantes.

    Além da facilidade de criação em larga escala, os animais possuem órgãos com tamanho, anatomia e características fisiológicas semelhantes às encontradas nos seres humanos.

    Suínos se destacam em pesquisas voltadas à medicina regenerativa — Foto: AEN Paraná

    Nos últimos anos, diversos estudos envolvendo órgãos suínos geneticamente modificados ganharam espaço em centros de pesquisa ao redor do mundo. O objetivo é reduzir a dependência de doadores humanos e ajudar a diminuir as longas filas de espera por rins, fígados, corações e outros órgãos vitais.

    Oferta global de órgãos

    Embora a técnica ainda seja considerada experimental, os pesquisadores da Universidade Médica de Guangxi avaliam que o resultado obtido fortalece a viabilidade dos xenotransplantes como solução para a crescente escassez de órgãos no mundo.

    Além disso, os cientistas acreditam que, caso os desafios relacionados à rejeição imunológica sejam superados nos próximos anos, os porcos geneticamente modificados poderão desempenhar papel estratégico no fornecimento de órgãos para transplantes.

  • ‘Galo do amor’: ave viraliza com plumagem de corações

    ‘Galo do amor’: ave viraliza com plumagem de corações

    Um galo criado em uma propriedade de turismo rural ecológico em Xaxim (SC) tem despertado a atenção de internautas e de entusiastas da avicultura ornamental. À primeira vista, a ave parece comum. No entanto, um detalhe na plumagem transformou o animal em um verdadeiro fenômeno.

    Com apenas um ano de idade, o galo apresenta diversos desenhos em formato de coração preto espalhados sobre as penas brancas. A característica incomum fez com que um vídeo publicado por sua proprietária, a empresária Marciane Belini Puton, alcançasse mais de 700 mil visualizações em poucos dias.


    Criadora exibe plumagem repleta de corações — Foto: Reprodução/Instagram

    Espécie da Inglaterra

    A ave pertence à raça Sebright, originária da Inglaterra e bastante valorizada entre criadores de aves ornamentais por seu porte elegante e comportamento dócil. Além disso, a proximidade com o Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho, contribuiu para ampliar ainda mais a repercussão da história.

    “Ele é o galinho mais romântico que existe. Esses corações são a coisa mais fofa. Corações e mais corações, né? Ele é muito amado. Uma perfeição da natureza. Eu notei alguns corações e me perguntei se eram reais, porque o marido e os filhos vivem dizendo que vejo corações em tudo. As pessoas ficam encantadas e brincam que seria um bom presente para a data que está chegando”, relata Marciane.

    Diante da grande repercussão, a empresária decidiu envolver os seguidores em uma nova etapa da criação, lançando uma enquete para escolher o nome do animal. Entre as opções apresentadas estão Don Juan, Love, Roberto Carlos e Romeu.

    “Ele é um presente para nós. Os corações nele falam por si só. Não tem como vermos os corações e não sermos tomados por bons sentimentos”, afirma.

    https://www.instagram.com/reel/DY2uf86BRjE/?utm_source=ig_web_button_share_sheet

    Interesse pela genética da ave

    Além da beleza diferenciada, a plumagem despertou curiosidade sobre a origem genética do animal. Isso porque a raça Sebright não costuma apresentar naturalmente desenhos em formato de coração nas penas.

    Por esse motivo, Marciane acredita que a característica possa estar relacionada a alguma mutação genética ou a cruzamentos realizados ao longo das gerações.

    A raça Sebright se destaca na avicultura, com penas que parecem obra de arte — Foto: Canva/Creative Commons

    O biólogo e criador de aves ornamentais Adriel Paloschi, proprietário do Criatório Paloschi, em Brusque (SC), considera mais provável que a ave seja resultado do cruzamento entre uma galinha caipira e um exemplar da raça Sebright.

    “Essa mistura modificou a coloração das suas penas, tornando a ave muito bonita, especial e com uma plumagem única”, explica.

    Filhotes já apresentam a mesma característica

    A raridade da plumagem também despertou interesse comercial. Segundo a família, surgiram propostas de compra tanto pelo galo quanto por seus descendentes.

    Além disso, alguns filhotes já começaram a demonstrar características semelhantes durante o processo de troca de penas, aumentando a expectativa sobre a possível transmissão genética do traço.

    “Temos oito pintinhos, e três deles são muito parecidos. Dois são praticamente semelhantes ao pai, com muitos corações desenhados nas penas, enquanto o terceiro possui um pouco menos. Agora, estamos na expectativa para ver como serão os próximos e se essa mutação vai continuar”, finaliza Marciane.

  • Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Brasil e África do Sul fecham acordo no agro com foco em febre aftosa, proteínas animais e biosseguridade

    Dois dos maiores produtores agrícolas do hemisfério sul decidiram sentar à mesa para construir algo maior do que uma simples troca comercial. Brasil e África do Sul assinaram, nesta quinta-feira (30), um Memorando de Entendimento voltado ao fortalecimento da cooperação agropecuária bilateral. O destaque fica para a defesa sanitária animal e para a ampliação de oportunidades em setores estratégicos do agro.

    Do lado brasileiro, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, assinou o documento. Do lado sul-africano, o ministro da Agricultura, John Steenhuisen. No centro das negociações, um tema que o Brasil conhece bem e que ainda preocupa o sul do continente africano: a febre aftosa.

    Brasil como referência global em sanidade animal

    Não é por acaso que a África do Sul buscou o Brasil como parceiro técnico nessa área. Afinal, o país conquistou, junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), o status de território livre de febre aftosa sem vacinação. Trata-se de um dos patamares mais elevados de reconhecimento sanitário no mundo. Chegar a esse ponto levou décadas de investimento em vigilância, rastreabilidade e políticas públicas de defesa agropecuária.

    Agora, essa experiência pode ser transferida. O governo sul-africano demonstrou interesse direto em aprender com o modelo brasileiro para estruturar um plano regional de combate à doença. Vale lembrar que a febre aftosa ainda provoca impactos econômicos relevantes em boa parte do sul da África. “Estamos aqui para aprender com a experiência brasileira e buscar apoio no enfrentamento da febre aftosa”, afirmou o ministro John Steenhuisen.

    André de Paula, por sua vez, reforçou o papel estratégico da parceria: “A garantia da segurança alimentar no mundo é uma prioridade do governo brasileiro e representa um ponto de convergência importante com a África do Sul”. Além da febre aftosa, o acordo também abre espaço para cooperação no monitoramento da influenza aviária. Essa é outra preocupação crescente para produtores de proteína animal em escala global.

    O que está na mesa além da sanidade

    Saúde animal é o núcleo do acordo, mas está longe de ser o único tema. Os dois países mapearam oportunidades concretas em pelo menos cinco segmentos: proteínas animais, frutas cítricas, fertilizantes, máquinas agrícolas e genética animal e vegetal.

    Para que esse comércio funcione com mais agilidade, o acordo prevê ainda o aprimoramento dos mecanismos de diálogo em medidas sanitárias e fitossanitárias, o chamado sistema SPS. Na prática, isso significa reduzir o tempo de resolução de barreiras técnicas que costumam travar exportações. Quando essas barreiras persistem, o prejuízo ao setor pode ser considerável.

    Uma das propostas mais concretas do encontro foi a criação de um Corredor de Biosseguridade Brasil–África do Sul. A ideia é montar uma estrutura capaz de reduzir o risco de interrupções no fluxo comercial em casos de surtos sanitários. Esse tipo de evento, quando ocorre, pode fechar mercados da noite para o dia.

    Por que esse acordo importa para o produtor brasileiro

    Em um cenário em que o agronegócio brasileiro segue expandindo sua presença internacional, acordos como este têm peso direto na competitividade do setor. A África do Sul representa uma porta de entrada relevante para o continente africano, um mercado em crescimento que ainda importa volumes consideráveis de proteína animal, insumos e tecnologia agrícola.

    No entanto, o valor estratégico do acordo vai além dos números imediatos. Ao se posicionar como referência técnica em sanidade animal, o Brasil fortalece sua credibilidade internacional. Assim, amplia também sua capacidade de negociar acesso a mercados com mais solidez. Ser reconhecido como o país que ensina a combater a febre aftosa tem um peso diplomático e comercial que nenhuma campanha publicitária compra.

    Por fim, a cooperação entre Brasil e África do Sul reforça uma tendência crescente: o hemisfério sul construindo alianças próprias em torno de agendas produtivas. Para o agro brasileiro, essa aproximação chega em um momento estratégico.

  • Brasil cria 1º porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS

    Brasil cria 1º porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS

    Criação de porco no Brasil sempre foi sinônimo de prato cheio e exportações recordes, mas agora o setor acaba de ganhar uma função nobre que vai muito além da gastronomia. O país acaba de anunciar o nascimento do primeiro porco clonado da América Latina focado especificamente em fornecer órgãos para seres humanos via SUS. Essa técnica, chamada de xenotransplante, utiliza o animal como um doador compatível, resolvendo um dos maiores gargalos da saúde pública: a fila de espera por um rim ou coração. A partir daí, o que era ciência de filme de ficção vira realidade dentro dos nossos laboratórios de genética.

    A elite da genética suína a serviço da vida

    Não se trata de um animal comum criado em qualquer granja. Esse suíno passou por modificações genéticas complexas para que seu organismo não sofra rejeição ao ser transplantado para um humano. O processo de clonagem garante que essas características especiais sejam replicadas com perfeição, criando uma linhagem de doadores padronizada. Além disso, a escolha do porco não é por acaso; a anatomia e o tamanho dos órgãos suínos são incrivelmente semelhantes aos nossos. Assim, a pecuária de precisão brasileira mostra que sua expertise em melhoramento genético pode salvar vidas em escala industrial.

    O marco histórico da ciência brasileira em 2026

    O nascimento deste animal é um divisor de águas para a biotecnologia nacional. No entanto, o desafio foi imenso, exigindo anos de estudos para “desligar” os genes que causariam ataques do sistema imunológico humano. O sucesso desse projeto coloca o Brasil em um grupo seleto de nações que dominam o ciclo completo da edição genética animal, provando que o conhecimento gerado no campo tem aplicações infinitas na cidade.

    Do laboratório ao sistema público de saúde

    O impacto dessa inovação no SUS será monumental nos próximos anos. Atualmente, milhares de brasileiros aguardam anos por um doador compatível, e muitos não sobrevivem à espera. Com a possibilidade de “produzir” esses órgãos em ambientes controlados e biosseguros, o cenário muda completamente. Em contraste com o sistema atual de doação voluntária, que é imprevisível, a clonagem para xenotransplante oferece uma oferta constante e segura. Por outro lado, o rigor sanitário na criação desses animais é dez vezes superior ao de uma granja comercial, exigindo instalações de isolamento total.

    O futuro do agro passa pela biotecnologia

    A consequência natural desse avanço é a abertura de um novo mercado para o agronegócio de alta tecnologia. O produtor que investe em genética e biosseguridade já entende que o valor agregado está no conhecimento técnico. Assim, o porco clonado brasileiro não é apenas um feito médico, mas um certificado de competência da nossa ciência animal. Além disso, esse projeto abre portas para que outros animais sejam utilizados na produção de biofármacos, consolidando o Brasil como o verdadeiro hub de soluções biológicas do planeta.

  • Duas caras: Lagosta rara de duas cores é capturada por pescadores

    Duas caras: Lagosta rara de duas cores é capturada por pescadores

    No dia 16 de abril, a tripulação do barco pesqueiro Timothy Michael lançou as redes na costa de Cape Cod, em Massachusetts, como faz qualquer outro dia de trabalho. O que saiu d’água, porém, parou todo o convés. Os pescadores capturaram uma lagosta com coloração bilateral dividida, um fenômeno tão raro que ocorre em apenas 1 a cada 50 milhões desses crustáceos.

    O animal chama atenção à primeira vista. Uma linha exata separa duas colorações completamente distintas na carapaça, e os usuários das redes sociais já apelidaram o crustáceo de “algodão-doce”, por conta dos tons pastel que lembram o doce de feira. No caso desta lagosta específica, uma metade apresenta tons alaranjados e a outra, uma coloração mais escura.

    O animal pesa mais de 1,3 quilo e foi doado ao Woods Hole Science Aquarium, gerenciado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

    Animal parece dividido ao meio por uma linha que separa as duas colorações. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

    O que há de errado no DNA dela

    A resposta para o visual surpreendente está nos genes, mas a história começa antes mesmo do nascimento do animal. Julia Studley, bióloga do aquário, explica que a divisão ocorre quando dois ovos fertilizados, ainda não liberados pela fêmea, se fundem e um acaba absorvendo o outro. O resultado é uma lagosta que carrega dois conjuntos de informações genéticas e, portanto, duas instruções de pigmentação diferentes, uma para cada lado da carapaça.

    Esse fenômeno tem nome: quimerismo. Em vez de originar organismos gêmeos, ele gera um único indivíduo com células geneticamente diferentes. Na prática, cada metade do corpo obedece a um “manual” distinto para produzir cor.

    O mecanismo envolve a astaxantina, o pigmento responsável pela coloração do crustáceo. Dependendo de como as camadas desse pigmento se combinam, o animal pode exibir tons que vão do vermelho ao azul, passando por amarelo, roxo e marrom. Neste caso, cada lado escolheu um caminho diferente.

    Quando a genética vai além da cor

    A divisão não para na aparência. Em alguns casos, essa anomalia genética pode resultar em ginandromorfismo, quando o organismo é metade macho e metade fêmea. O fenômeno já foi documentado em aves, abelhas, borboletas, aranhas e outros invertebrados, mas em lagostas ele carrega uma camada extra de raridade.

    Richard Wahle, diretor do Instituto da Lagosta da Universidade do Maine, afirma que o fato de uma lagosta ser bicolor sugere que ela pode ser hermafrodita, com características anatômicas tanto de macho quanto de fêmea. A equipe do Woods Hole ainda vai investigar se esse é o caso do novo espécime.

    Sobreviver já é um feito

    Há outro dado que impressiona os especialistas além da raridade genética. Lagostas com coloração incomum geralmente não têm camuflagem suficiente para sobreviver por muito tempo. O fato de esta ter chegado a mais de um quilo e meio representa uma conquista por si só. Sem a proteção visual que a coloração padrão oferece, o animal fica exposto a predadores desde cedo. Chegar ao tamanho adulto já é, por si só, uma história de sorte.

    O aquário como destino certo

    A empresa que operava o barco decidiu não levar a lagosta ao mercado. O diretor de operações Dan Brandt disse que, quando algo raro chega nos canais da empresa, eles consideram parte de sua responsabilidade compartilhar com a comunidade em geral. “O Aquário de Ciências de Woods Hole era o lugar perfeito para esta lagosta sortuda.”

    A lagosta ainda não tem nome. A equipe pretende conhecer melhor a personalidade do animal antes de batizá-lo, considerando que lagostas podem viver até 100 anos. Há tempo de sobra para isso. O Woods Hole Science Aquarium passa por uma grande reforma e, quando reabrir no início de 2027, o animal será exibido ao público.

    Studley resume bem o que o crustáceo representa além do visual incomum: “Este animal não é apenas fascinante de observar, mas também serve como um grande lembrete de como os mecanismos genéticos são intrincados e de quanto devemos agradecer pela diversidade que vemos no mundo ao nosso redor.”

  • Peru habilita novas unidades brasileiras de genética animal

    Peru habilita novas unidades brasileiras de genética animal

    O Peru habilitou 36 novas unidades brasileiras para exportação de material genético animal, segundo o Senasa.
    Desse total, 31 unidades atuam com genética de aves e cinco trabalham com material genético bovino.
    Além disso, a autoridade sanitária peruana renovou todas as autorizações já existentes até dezembro de 2028.

    Avicultura amplia presença no mercado peruano

    Com as novas habilitações, o setor avícola brasileiro dobrou o número de estabelecimentos autorizados a exportar ao Peru. Assim, o país amplia a oferta de genética avícola e fortalece a cooperação sanitária bilateral.

    Genética bovina registra avanço expressivo

    No segmento bovino, a inclusão de cinco unidades elevou em 83% o número de estabelecimentos habilitados.
    Essas unidades atendem tanto a pecuária de corte quanto a produção de leite.

    Autorizações garantem previsibilidade comercial

    A renovação das licenças até 2028 traz maior previsibilidade às operações comerciais entre Brasil e Peru.
    Dessa forma, empresas ganham segurança para planejar investimentos e contratos de longo prazo.

    O Senasa baseou a decisão em critérios técnicos e no controle sanitário brasileiro. A medida reconhece as práticas de biosseguridade adotadas pelo Brasil na produção de material genético animal.

    Comércio agropecuário segue em expansão

    No último ano, o Peru importou mais de US$ 729 milhões em produtos agropecuários brasileiros.
    Entre os destaques estão produtos florestais, carnes, cereais, farinhas e preparações.