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  • Lichia conquista Europa com variedades exclusivas e tecnologia de ponta

    Lichia conquista Europa com variedades exclusivas e tecnologia de ponta

    Na região de Avaré (SP), produtores revolucionam a comercialização da lichia. A fruta, tradicionalmente associada às festividades de fim de ano, agora protagoniza uma cadeia produtiva moderna. Novos métodos de conservação, processamento industrial e o cultivo de variedades tardias permitem que agricultores estendam o período de vendas e agregam valor ao produto.

    A casca rígida e áspera da lichia esconde uma polpa carnuda e aromática que conquista paladares. No Brasil, a fruta simboliza as celebrações de dezembro e janeiro, período em que os produtores concentram a colheita. Na China, seu país de origem, a lichia carrega o título de “fruta do amor” há mais de mil anos.

    A Britchis, empresa familiar de Itaí (SP), cultiva a fruta milenar em escala industrial. A propriedade destina 114 de seus 194 hectares exclusivamente à produção de lichia. A Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da CATI Regional Avaré, oferece suporte técnico à operação.

    Oito variedades ampliam possibilidades comerciais

    O pomar da Britchis cultiva oito variedades: Bengal (clássica), fogo, ouro, tutti-frutti, crocante, laranja, gigante e coração. A variedade Bengal, mais comum nos mercados do sudeste brasileiro, pesa cerca de 20 gramas. A Gigante alcança 40 gramas, enquanto a Coração se destaca pela casca que se rompe facilmente sob pressão leve.

    “A fruta atinge preços relativamente altos no mercado. Identificamos uma grande oportunidade de trabalhar de forma disruptiva no marketing e na criação de novos produtos, algo que não era foco dos produtores brasileiros até então”, explica Ricardo Pinto, produtor que administra a propriedade com a esposa Adriana e os filhos.

    Foto: Divulgação Sec Agricult. SP

    Em 2025, a família Pinto exportou quase metade de toda a lichia brasileira para o mercado europeu.

    Processamento resolve problema de descarte e gera renda anual

    A expansão para o mercado externo, iniciada há três anos, trouxe um desafio: compradores internacionais rejeitam frutas com pequenas imperfeições estéticas, mesmo quando perfeitas para consumo. A tecnologia de processamento ofereceu uma solução sustentável.

    Hoje, os produtores descascam e descaroçam a polpa, congelando-a em ultra-congeladores. O processo garante renda durante o ano inteiro. Outra parte da produção passa por liofilização e se transforma em snack crocante que preserva os açúcares naturais da fruta.

    A diversificação continua: a lichia origina uma aguardente cristalina e perfumada, a “passa de lichia”, geleias e até a lichiada, uma bebida exótica que amplia as possibilidades de consumo.

    Cadeia Produtiva Local fortalece pequenos agricultores

    A operação bem-sucedida reflete o fortalecimento da Cadeia Produtiva Local (CPL), que envolve 18 municípios do sudeste paulista. Em 2025, o projeto recebeu recursos do Governo do Estado para fomentar o desenvolvimento dos pequenos produtores.

    Euvaldo Neves Pereira Junior, engenheiro agrônomo e chefe da CATI Regional Avaré, destaca a vocação regional para fruticultura. “Nossa produção foge da época tradicional de outros mercados. Isso nos permite oferecer um produto diferenciado quando a oferta global diminui”, aponta.

    A lenda chinesa que deu à lichia o título de “fruta do amor”

    A casca vibrante da lichia contrasta com sua polpa translúcida — uma dualidade que, na China, representa a essência do romance. O título de “fruta do amor” nasceu na Dinastia Tang, no século VIII.

    Foto: Divulgação Sec Agricult. SP

    A lenda conta que o Imperador Tang Minghuang ordenava que mensageiros cruzassem o império em cavalos velozes, dia e noite, para entregar lichias frescas à sua concubina favorita, Yang Yuhuan. O gesto de devoção extrema atravessou séculos.

    Até hoje, presentear com lichias simboliza paixão, sorte e nobreza na cultura chinesa.

  • Casca de jabuticaba e óleo de pequi protegem probióticos em alimentos ácidos

    Casca de jabuticaba e óleo de pequi protegem probióticos em alimentos ácidos

    Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp) desenvolveram uma tecnologia que pode transformar o mercado de alimentos funcionais. Eles criaram microesferas protetoras, utilizando casca de jabuticaba e óleo de pequi, que ampliam drasticamente a resistência de probióticos em produtos vegetais e à base de frutas.

    Foto: Igor Alisson /Inova Unicamp

    A inovação soluciona um grande entrave da indústria: a alta sensibilidade desses microrganismos benéficos à acidez, ao açúcar e às variações de temperatura em alimentos não lácteos. Com a nova técnica, os probióticos sobrevivem e permanecem viáveis em ambientes antes considerados hostis, como sucos, polpas, geleias e bebidas vegetais.

    Como funciona a proteção com frutas brasileiras

    A tecnologia aprimora uma patente anterior do mesmo grupo. Os cientistas combinam métodos de encapsulação para criar uma matriz com alginato de cálcio (polímero natural), casca de jabuticaba em pó e óleo de pequi. Essa combinação forma emulsões duplas que atuam como verdadeiros escudos para os probióticos.

    “Testamos os probióticos encapsulados em ambientes extremos, com alta acidez e concentração de açúcar, e eles permaneceram viáveis. A casca de jabuticaba e o óleo de pequi criam camadas adicionais de proteção”, explica o professor Juliano Lemos Bicas, um dos inventores da tecnologia.

    Além do ganho funcional, a fórmula valoriza a biodiversidade nacional e promove um aproveitamento mais nobre para resíduos agroindustriais. “A combinação não só apresenta melhor desempenho, como também transforma subprodutos, que muitas vezes viram compostagem, em ingredientes de alto valor agregado e benefício à saúde”, destaca Bicas.

    Próximos passos e licenciamento

    A pesquisa, conduzida junto aos doutores Marina Felix Cedran e Fábio Júnior Rodrigues, já passou por testes em escala piloto com parceiros industriais. O próximo objetivo é validar e ampliar a escala para produção industrial.

    A tecnologia tem proteção intelectual via Certificado de Adição e recebeu apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp. Ela já está disponível no Portfólio de Tecnologias da universidade para licenciamento por empresas interessadas.

    “A Inova tem uma estrutura que nos orienta da proteção intelectual até a interface com empresas. É o que garante que nossas pesquisas cheguem ao mercado”, avalia o pesquisador.

    A inovação contribui diretamente para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 – Saúde e Bem-Estar, ao criar alternativas alimentares mais inclusivas e promover uma economia circular.

    Empresas interessadas em licenciar esta tecnologia podem entrar em contato diretamente com a Inova Unicamp através do formulário de conexão disponível no site da Agência.

  • Conheça o muruci: fruta nativa do Brasil está na época de colheita

    Conheça o muruci: fruta nativa do Brasil está na época de colheita

    O muruci (Brosimum gaudichaudii) é uma fruta nativa da Mata Atlântica brasileira, especialmente encontrada nas regiões Norte e Nordeste do país. Conhecida por seu sabor adocicado e aroma marcante, o fruto tem ganhado destaque não apenas pela sua palatabilidade, mas também por suas diversas utilidades e potencial econômico.

    O muruci é uma fruta de casca fina e polpa suculenta, que pode variar de amarelo a laranja. A árvore pode atingir até 15 metros de altura e floresce entre os meses de setembro e dezembro. A colheita geralmente ocorre entre janeiro e março, quando os frutos estão maduros.

    A produção do muruci é predominantemente artesanal, realizada por pequenos agricultores que cultivam a fruta em sistemas agroflorestais. Essa prática não apenas preserva a biodiversidade local, mas também contribui para a sustentabilidade ambiental, uma vez que as árvores de muruci ajudam a manter a qualidade do solo e a regular o microclima da região.

    Utilidades da fruta

    O muruci é uma fruta versátil que pode ser consumida in natura ou utilizada na produção de diversos produtos. Entre suas principais utilidades estão:

    • Alimentação: O muruci é frequentemente utilizado para fazer sucos, geleias, sorvetes e licores. Seu sabor doce e aroma característico fazem dele uma excelente opção para sobremesas e bebidas refrescantes.
    • Propriedades nutricionais: A fruta é rica em vitaminas A e C, além de conter antioxidantes que ajudam a fortalecer o sistema imunológico. Seu consumo regular pode contribuir para a saúde da pele e melhorar a visão.
    • Uso medicinal: Na medicina tradicional, as pessoas utilizam o muruci para tratar problemas respiratórios, inflamações e como um laxante natural. Além disso, costumam preparar infusões com as folhas da árvore devido às suas propriedades anti-inflamatórias.

    O cultivo do muruci apresenta um grande potencial econômico para os pequenos produtores rurais. Com o aumento da demanda por produtos naturais e orgânicos, essa fruta pode se tornar uma alternativa viável para diversificação da renda agrícola. Além disso, iniciativas de agroecologia têm incentivado o cultivo do muruci como parte de sistemas agroflorestais, promovendo a conservação ambiental.

    Regiões produtoras

    As principais regiões produtoras de muruci no Brasil incluem estados como Bahia, Pará, Maranhão e Piauí. Nesses locais, o clima tropical e as condições de solo favorecem o crescimento das árvores, permitindo uma produção sustentável ao longo dos anos.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    O muruci é uma fruta nativa com um rico potencial tanto nutricional quanto econômico. Sua versatilidade na culinária e suas propriedades benéficas à saúde fazem dela uma opção atrativa para consumidores conscientes. À medida que mais agricultores adotam seu cultivo sustentável, o muruci pode se consolidar como um importante produto regional no mercado brasileiro, contribuindo para a valorização da biodiversidade e o fortalecimento das economias locais.

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