Tag: gastronomia mineira

  • Produzido há mais de 70 anos, queijo mineiro artesanal tem fila de espera

    Produzido há mais de 70 anos, queijo mineiro artesanal tem fila de espera

    No alto da Serra da Piedade, em Caeté (MG), um dos produtos mais tradicionais da gastronomia mineira segue atraindo consumidores mesmo com a produção limitada. O Queijo Frei Rosário carrega mais de sete décadas de história e hoje possui fila de espera para compra.

    A origem do queijo remonta à chegada de Frei Rosário ao Santuário da Serra da Piedade, em 1948. Diante da necessidade de conservar alimentos, o religioso aplicou conhecimentos adquiridos durante sua formação na França e introduziu, na década de 1950, técnicas de maturação de queijos na região.

    Segundo o reitor do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, padre Wagner Calegário, embora exista uma versão popular que atribua a criação do queijo a um esquecimento acidental, a hipótese mais provável é que o produto tenha surgido a partir dos estudos do próprio Frei Rosário.

    “Ele era um grande estudioso de várias ciências e desenvolveu diversos produtos próprios, como o Pão do Frei, a Rosca da Rainha e o Licor de Laranja Campista”, afirma.

    Queijo Frei Rosário
    Queijo Frei Rosário, produzido no Santuário Nossa Senhora da Piedade – Foto: Arquidiocese de BH

    Maturação garante características únicas

    Atualmente, o queijo passa pelo processo de maturação em uma cava com condições rigorosamente controladas. A temperatura varia entre 11°C e 18°C, enquanto a umidade permanece em torno de 99%.

    Além disso, a etapa de afinação dura pelo menos 35 dias, período necessário para o desenvolvimento do aroma, da textura e do sabor característicos do produto.

    De acordo com o padre Wagner, a experiência acumulada na Serra da Piedade ajudou inclusive a embasar a legislação brasileira relacionada à maturação de queijos com fungos.

    Produção restrita impulsiona demanda

    A fabricação continua artesanal e é acompanhada por uma equipe de quatro pessoas, responsáveis por todas as etapas do processo.

    Atualmente, são produzidas no máximo 100 unidades por mês. Por isso, a procura supera a oferta e gera fila de espera entre os interessados.

    Mesmo assim, o santuário estuda ampliar moderadamente a produção sem abrir mão do método artesanal.

    “Estamos em testes para ampliar um pouco a produção. Contudo, ela será sempre em pequena escala diante da procura”, explica.

    Caverna Queijo Frei Rosário
    O queijo é maturado em caverna, a mais de 1.700 metros de altitude – Foto: Rota do Queijo de Minas

    Reconhecimento além de Minas Gerais

    Apesar de nunca ter participado de concursos, o Queijo Frei Rosário já foi apresentado em importantes eventos gastronômicos. A iguaria foi levada para degustação na escola francesa Le Cordon Bleu, por meio da Rota do Queijo.

    Além disso, o produto também foi divulgado pelo Senac em encontros nacionais e internacionais, ampliando sua visibilidade.

    Mais do que uma tradição gastronômica, o queijo também representa a história do Santuário da Serra da Piedade e das pessoas que passaram pelo local ao longo das décadas.

    “O queijo Frei Rosário materializa a capacidade de tantos que aqui buscavam afago e sustento da esperança nas adversidades da História”, conclui o sacerdote.

  • Nova portaria libera queijos artesanais autorais em todo o Brasil

    Nova portaria libera queijos artesanais autorais em todo o Brasil

    Os queijos artesanais, símbolos da gastronomia mineira e Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro (IPHAN, 2008), ganharam uma atualização significativa em sua regulamentação. A Portaria 2373, publicada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), facilita a produção e comercialização de queijos autorais – aqueles que incorporam ingredientes extras, como café, vinho e doce de leite – em todo o território nacional.

    A medida foi anunciada pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, durante a 90ª Expozebu, em Uberaba. Segundo André Almeida Santos Duch, diretor técnico do IMA, a nova norma estabelece regras claras para garantir a qualidade e segurança dos produtos, sem impedir a criatividade dos produtores.

    O que muda com a nova Portaria?

    Antes da atualização, apenas produtores com Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade podiam comercializar queijos artesanais em todo o país. Agora, qualquer produtor que seguir as normas sanitárias poderá vender seus queijos em escala nacional. Os principais pontos são:

    • Ordenha higiênica
    • Controle de doenças
    • Bem-estar animal
    • Uso regulamentado de medicamentos

    A regra vale para todos os queijos artesanais mineiros, incluindo os tradicionais Queijos Minas Artesanal (QMA).

    Legislação atualizada pelo IMA permite que produtores mineiros inovem com ingredientes como café, vinho e doce de leite, mantendo tradição e segurança alimentar. Diego Vargas – ASCOM/SEAPA

    Outra novidade é a permissão do uso de madeira nas bancadas de produção, desde que o material seja facilmente higienizável e essencial no processo.

    Queijos autorais: uma tendência em crescimento

    De acordo com André Duch, os queijos autorais são uma tendência de mercado, impulsionada pela busca por produtos exclusivos que mantenham a tradição, mas com um toque pessoal. “Essa portaria permite que os queijeiros individualizem suas produções, sem perder a possibilidade de obter o registro sanitário, garantindo um produto seguro para o consumidor”, afirmou o diretor.

    Regulamentos específicos serão mantidos

    O subsecretário de Política e Economia Agropecuária, Gilson de Assis Sales, explicou que as normas anteriores (de 2002 a 2008) estavam defasadas. A nova Portaria unifica as regras gerais, mas cada variedade de queijo terá seu próprio regulamento. “Já publicamos os regulamentos do Queijo d’Alagoa, Mantiqueira de Minas e Casca Florida. Em breve, lançaremos os do Queijo Cabacinha, Requeijão Moreno e Queijo Cozido do Vale do Suaçuí”, adiantou Gilson.

    Diego Vargas – ASCOM/SEAPA

    Minas Gerais: celeiro dos queijos artesanais

    Atualmente, o Governo de Minas Gerais reconhece 16 regiões produtoras de queijos artesanais, sendo:

    • 10 produtoras de Queijo Minas Artesanal (QMA): Araxá, Canastra, Cerrado, Serro, Triângulo Mineiro e outras.
    • 6 produtoras de queijos típicos diferentes: Alagoa, Mantiqueira de Minas, Vale do Jequitinhonha (Queijo Cabacinha) e Vale do Mucuri (Requeijão Moreno).

    A nova Portaria reforça o respeito às tradições enquanto abre espaço para inovação, fortalecendo um dos setores mais icônicos da gastronomia brasileira.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Xmobots lança divisão Agro e apresenta inovações para agricultura de precisão

    + Agro em Campo: Brasileira vence o Whitley Award, o “Oscar Verde