Tag: gastronomia brasileira

  • Churrasco brasileiro está entre melhores pratos do mundo

    Churrasco brasileiro está entre melhores pratos do mundo

    O tradicional churrasco brasileiro voltou a ganhar destaque internacional após aparecer entre os pratos mais bem avaliados do mundo no ranking do TasteAtlas. A plataforma gastronômica, conhecida por reunir milhares de avaliações de pratos típicos de diversos países, colocou cortes clássicos da carne bovina entre os favoritos da culinária nacional.

    No levantamento mais recente do Top 100 Brasil, três cortes tradicionais dominaram as primeiras posições e superaram receitas consagradas da gastronomia brasileira, como moqueca, pão de queijo e feijoada. Além disso, o churrasco do Brasil também apareceu em evidência no ranking mundial, sendo eleito o terceiro melhor do planeta.

    Fraldinha conquista o primeiro lugar

    A fraldinha assumiu a liderança do ranking e consolidou seu espaço como uma das carnes mais queridas pelos brasileiros nos últimos anos. Conhecida pela maciez e pelo sabor marcante, ela também costuma apresentar um preço mais acessível em comparação com outros cortes nobres.

    Em muitos açougues do país, o valor da fraldinha varia entre R$ 35 e R$ 45 o quilo. Apesar disso, o preparo exige atenção para garantir um bom resultado na churrasqueira.

    Especialistas recomendam assar a peça em fogo médio e evitar excesso de tempo na brasa. Dessa forma, a carne mantém a suculência e preserva suas fibras macias.

    Costela segue como símbolo do churrasco gaúcho

    Outro destaque do ranking foi a tradicional costela bovina, muito valorizada principalmente na região Sul do Brasil. O corte ocupa lugar especial no churrasco gaúcho e costuma exigir mais técnica e paciência durante o preparo.

    O segredo da costela está justamente no cozimento lento. Seja na churrasqueira a bafo ou no tradicional fogo de chão, o longo tempo de exposição ao calor permite que a gordura derreta aos poucos, deixando a carne extremamente macia.

    Cortes tradicionais ajudam a colocar o churrasco brasileiro entre os mais admirados do planeta

    No preparo mais comum, os churrasqueiros utilizam bastante sal grosso e posicionam a peça a uma distância segura da brasa. Assim, a carne cozinha lentamente sem correr o risco de ressecar ou queimar.

    Contrafilé aparece entre os cortes mais admirados

    Fechando o pódio, o contrafilé também garantiu espaço entre os melhores pratos brasileiros avaliados pelo TasteAtlas. Muito popular nas churrascarias e reuniões de família, o corte chama atenção pela combinação entre maciez e gordura equilibrada.

    Retirado da região lombar do boi, entre a alcatra e a costela, o contrafilé é considerado um dos cortes mais versáteis do churrasco brasileiro.

    Fraldinha, costela e contrafilé lideram preferência dos brasileiros e ganham reconhecimento internacional

    Para quem prepara a peça em casa, especialistas indicam retirar um nervo mais espesso localizado logo abaixo da camada de gordura. Esse detalhe pode fazer diferença na textura final da carne, evitando que os bifes fiquem duros ou borrachudos.

    Churrasco brasileiro segue entre os favoritos do mundo

    O reconhecimento internacional reforça a força do churrasco brasileiro como um dos maiores símbolos da culinária nacional. Além da qualidade da carne, técnicas tradicionais de preparo e o costume de reunir amigos e família ajudam a transformar o churrasco em uma experiência cultural valorizada dentro e fora do Brasil.

  • Agricultores descobrem que o fruto da juçara vale mais do que o palmito ilegal

    Agricultores descobrem que o fruto da juçara vale mais do que o palmito ilegal

    Pequeno, roxo e nutritivo, o fruto da palmeira juçara (Euterpe edulis) conquista espaço crescente na gastronomia brasileira e desponta como alternativa econômica sustentável no litoral do Paraná. Historicamente devastada pelo corte ilegal para extração do palmito, a espécie, ameaçada de extinção, encontra no aproveitamento do seu fruto uma nova forma de protagonismo: gerar renda para agricultores familiares sem derrubar uma única árvore.

    O movimento ganha força com o projeto Paisagens Multifuncionais da Grande Reserva Mata Atlântica, conduzido pela SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). A iniciativa promove o uso sustentável da juçara no território da Grande Reserva da Mata Atlântica (GRMA), bioma do qual resta pouco mais de 7% da cobertura original, parte significativa localizada justamente no litoral paranaense.

    “O fruto da juçara tem potencial de se tornar o principal produto da bioeconomia do litoral paranaense”, afirma Rodrigo Condé, coordenador de projetos da SPVS. Segundo ele, a versatilidade e a disponibilidade da espécie na região permitem integrá-la a sistemas agroflorestais, reduzindo a pressão pelo corte ilegal, sua principal ameaça.

    De sorvete a drink espumante: a juçara chega às cozinhas criativas

    Na gastronomia, o fruto aparece em preparos que vão de bolos, pães e sorvetes a molhos, pratos com peixe e bebidas sofisticadas. A coloração intensa e o sabor marcante diferenciam os produtos e ampliam o apelo comercial.

    O barista e influenciador digital Léo Oliva é um dos que experimenta a juçara em drinks para comercialização. “Por ter muitas antocianinas e taninos, a juçara me remete ao vinho. Tentei trazer essa referência com uma acidez diferente, semelhante à de um espumante, dentro de uma soda de juçara”, explica.

    Em Antonina, a empresária Maristela Mendes, fundadora da Bananina, produtora de balas tradicionais de banana, acaba de lançar uma versão com juçara. “Buscamos valorizar a juçara, que é típica da região e traz sabor e tonalidade roxa. O que agrega valor e contribui para incluir pequenos agricultores familiares”, diz ela, que aceitou o convite da SPVS para desenvolver o produto.

    Preservar compensa mais do que cortar

    A lógica econômica favorece a conservação. Enquanto o corte ilegal da palmeira para extração do palmito rende cerca de R$ 10 ao extrativista e ainda exige mais de oito anos para a espécie se regenerar, a venda da polpa do fruto pode atingir R$ 40 o quilo, com ganhos recorrentes a cada safra.

    “Não compensa cortar a palmeira, compensa preservá-la e coletar o fruto para comercialização”, resume Antonio Ozaki, o Tiba, da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais de Antonina (ASPRAN), pioneira na despolpa da juçara no Paraná.

    Phablo Bittencourt, do Instituto Juçara, parceiro da SPVS na região desde 2012, reforça a vantagem do modelo. “Ao trabalhar somente com o fruto, além de manter a planta em pé, é possível explorá-la por anos após a frutificação. Assim, gerando renda de forma regular, sem riscos e com retorno muito superior”, explica.

    Cada palmeira produz, em média, até 3,5 kg de frutos por safra, podendo ultrapassar 10 kg em alguns casos. A coleta acontece de forma artesanal entre março e maio, e o processamento da polpa exige rapidez para preservar a qualidade.

    Cozinha laboratório impulsiona cadeia produtiva local

    O fortalecimento da cadeia produtiva da juçara já gera infraestrutura concreta na região. O BLP financia a criação de uma cozinha laboratório em Antonina dedicada a estudos e treinamentos com frutas nativas. Portanto, ampliando as oportunidades para agricultores familiares do litoral paranaense.

    “Essa cozinha está se moldando para ser um espaço coletivo e comunitário para a juçara, que oferece um alimento riquíssimo”, comenta Rayen Mourão, agrofloresteira e moradora de Morretes, integrante do Coletivo de Convivências Agroecológicas do Litoral Paranaense (CCA) e participante do projeto de agroflorestas BioSAF, em parceria com a SPVS.